Novo estudo da Plataforma Conjunta analisa oportunidades de fortalecimento institucional para OSCs no Brasil

A Plataforma Conjunta lança o estudo Panorama Conjunta 2025–2026: Oportunidades de formação e captação de recursos para o desenvolvimento institucional das OSCs no Brasil, publicação que reúne dados inéditos sobre o ecossistema de apoio às organizações da sociedade civil brasileiras.

Realizado a partir do mapeamento de oportunidades de formação e captação de recursos disponíveis ao longo de 2025, o estudo identificou 793 oportunidades, um crescimento de 129% em relação ao levantamento anterior. Entre os destaques, estão o aumento da oferta de formações, a ampliação da visibilidade de oportunidades de financiamento voltadas ao desenvolvimento institucional e a diversificação dos atores que compõem esse ecossistema.

Evento de lançamento do estudo, em São Paulo

Os resultados mostram que o acesso ao conhecimento segue sendo uma das principais portas de entrada para o fortalecimento das OSCs. Em 2025, foram mapeadas 560 oportunidades de formação e 233 oportunidades de captação de recursos voltadas ao desenvolvimento institucional.

A publicação também reúne artigos assinados por especialistas e lideranças do campo social, incluindo Luisa Lima, gerente de Comunicação e Conhecimento do IDIS, que aborda a relação entre desenvolvimento institucional, confiança e sustentabilidade das organizações da sociedade civil. Em seu artigo, Luisa destaca que fortalecer dimensões como governança, gestão, comunicação, tecnologia e cuidado com as equipes é fundamental para garantir a capacidade de atuação das organizações no longo prazo.

“Se a confiança é condição para ampliar doações, fortalecer institucionalmente as organizações é parte do caminho para essa conquista”, escreve Luisa Lima.

A autora também relaciona o fortalecimento institucional à construção de confiança junto à sociedade. Ao longo do artigo, ela utiliza dados da Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo IDIS, para demonstrar que a confiança é um fator decisivo para a cultura de doação no país. Embora os brasileiros reconheçam a importância das organizações da sociedade civil, a confiança ainda representa um desafio para o setor, evidenciando a necessidade de investimentos contínuos em transparência, governança e fortalecimento institucional.

A tecnologia é uma das dimensões que vêm ganhando relevância: foi o tema de formação com maior crescimento relativo entre 2024 e 2025, passando de 4,8% para 9,1%. Essa agenda também se traduz em iniciativas do IDIS como o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, voltado à adoção consciente e estratégica da inteligência artificial por OSCs.

O desenvolvimento institucional é também uma agenda que atravessa diferentes frentes de atuação do IDIS, que trabalha para fortalecer organizações e ampliar seu impacto por meio da produção de conhecimento, do desenvolvimento de capacidades e do apoio a práticas mais estratégicas de gestão e investimento social.

Produzido pela Plataforma Conjunta, o estudo busca ampliar o debate sobre a sustentabilidade das OSCs e oferecer subsídios para financiadores, gestores e organizações comprometidos com o fortalecimento da sociedade civil brasileira.

 

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Fortalecer capacidades, construir confiança.

Artigo publicado originalmente no Estudo Panorama Conjunta 2025-2026

Por Luisa Lima, gerente de comunicação do IDIS

O desenvolvimento institucional das organizações da sociedade civil (OSCs) não é um elemento periférico de sua atuação. É o que sustenta sua capacidade de agir com consistência, transparência, legitimidade e continuidade institucional. Quando uma organização investe em governança, gestão, comunicação, tecnologia ou no cuidado com suas equipes, ela fortalece as bases que tornam sua missão viável no longo prazo.

Essa agenda está diretamente relacionada à confiança. A confiança nas OSCs não se constrói apenas pela relevância das causas que defendem, mas também pela forma como atuam, prestam contas, se comunicam, tomam decisões e sustentam sua presença pública. A Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo IDIS, reforça esse ponto ao mostrar que a confiança nas instituições é um motivador extremamente relevante para doar, enquanto a desconfiança segue como uma barreira estrutural importante: apenas 30% dos brasileiros afirmam que a maior parte das ONGs é confiável, e, entre quem não doa há mais de cinco anos, a falta de confiança e transparência aparece como a razão mais citada para não doar, mencionada por 38% dos respondentes.

À luz desses achados, os dados do Panorama Conjunta 2025–2026 ganham ainda mais relevância. O estudo mapeou 793 oportunidades de formação e captação de recursos em 2025, ante 346 no ano anterior. Ainda que essa variação deva ser lida com cautela em razão de mudanças metodológicas e ampliação das fontes analisadas, os resultados mostram que o desenvolvimento institucional está mais presente no campo e vem ganhando maior visibilidade. Ao mesmo tempo, o Panorama revela limites importantes no desenho do apoio disponível. Entre as oportunidades de captação, 62,66% previam financiamento de até um ano. O dado sugere que, mesmo observando um número maior de oportunidades, ainda predominam mecanismos pouco compatíveis com processos contínuos de fortalecimento institucional.

Essa leitura se torna ainda mais relevante quando se observam dimensões que seguem menos reconhecidas nos temas abordados por formações. Tecnologia é hoje infraestrutura essencial para gestão, comunicação e mobilização. Saúde mental e autocuidado, por sua vez, são condições para equipes mais sustentáveis e organizações mais resilientes. Monitoramento e avaliação, por exemplo, são fundamentais para que as OSCs aprendam com a prática, demonstrem resultados, qualifiquem sua gestão e prestem contas com mais consistência. Quando essas dimensões não são reconhecidas como parte legítima do desenvolvimento institucional, o apoio oferecido tende a ser insuficiente para sustentar organizações fortes e confiáveis.

Nesse contexto, a Conjunta e seu Panorama prestam uma contribuição valiosa ao campo ao dar visibilidade a oportunidades, lacunas e tendências que ajudam a qualificar o debate. Para além de ampliar o volume de apoios, o desafio agora é avançar na qualidade desse apoio: com mais flexibilidade, maior duração e melhor reconhecimento das capacidades que sustentam a atuação das OSCs. Afinal, se a confiança é condição para ampliar doações, fortalecer institucionalmente as organizações é parte do caminho para essa conquista. Organizações mais fortes e mais confiáveis contribuem para o ambiente democrático mais robusto que é, em última instância, o horizonte comum para o qual lutamos.

 

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O próximo El Niño exige menos reação e mais planejamento

Artigo publicado originalmente no Um Só Planeta

Por Yasmim Araújo Lopes, analista de projetos do IDIS, e Marcelo Modesto, gerente de projetos do IDIS

O Brasil ainda costuma tratar eventos climáticos extremos como exceções, respondendo a eles apenas quando seus impactos já se instalaram. Este ano, porém, a previsão de um novo episódio de El Niño tem oferecido a oportunidade de substituir a lógica padrão da reação pela da prevenção.

Instituições de monitoramento climático no Brasil e no mundo já apontam alta probabilidade de permanência do fenômeno até abril de 2027, com tendência de fortalecimento ao longo de 2026 e maior chance de intensidade muito forte entre setembro e dezembro. Com essa previsão, é imprescindível que governos, investidores sociais e organizações da sociedade civil incorporem o risco climático ao planejamento de suas ações.

seca

Os riscos elevados apresentados pelo El Niño, que se somam aos efeitos já sentidos das mudanças climáticas, não se restringem ao meio ambiente, mas atravessam praticamente todas as agendas sociais. Saúde, educação, segurança alimentar, geração de renda, assistência social, moradia e mobilidade podem ser diretamente afetadas por ondas de calor, secas, enchentes e queimadas. Mesmo as organizações que não atuam diretamente com a pauta climática podem enfrentar aumento da demanda por atendimento, custos adicionais e dificuldades para manter suas atividades.

Nesse cenário, a adaptação climática deixa de ser uma agenda exclusivamente ambiental e passa a ser uma condição para garantir a continuidade de políticas, programas e investimentos sociais. Afinal, proteger comunidades também significa proteger a capacidade das organizações de seguir entregando resultados justamente nos momentos de maior necessidade.

O desafio é ainda maior quando se observa a capacidade de resposta dos territórios brasileiros. Dados da plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que 3.679 municípios apresentam baixa ou muito baixa capacidade adaptativa para lidar com desastres associados a inundações, enxurradas e alagamentos. O dado indica que prever esses eventos extremos não é suficiente, mas que são necessárias ações práticas de prevenção, como o fortalecimento da gestão local, ampliação da articulação junto ao poder público e mais investimentos nas capacidades de resposta das comunidades.

Assim, a justiça climática ganha dimensão prática, não se resumindo a responder aos desastres uma vez que eles já aconteceram, mas criando condições para que populações mais vulneráveis estejam mais protegidas antes que os impactos ocorram.

A preparação começa muito antes da chegada de uma frente fria, de uma enchente ou de uma onda de calor. Ela começa quando organizações transformam previsões climáticas em perguntas norteadoras para a gestão e planejamento. O que pode mudar no território? Quais públicos serão mais afetados? Quais atividades precisarão ser adaptadas? Que recursos devem estar disponíveis antes dos períodos críticos? Essas questões ajudam a incorporar o risco climático ao planejamento cotidiano, tornando programas e investimentos mais robustos diante das incertezas.

Também é importante reconhecer que o El Niño não produzirá os mesmos efeitos em todo o país. A tendência é de redução das chuvas na Amazônia e Nordeste, aumento das temperaturas em grande parte do Brasil, possibilidade de condições mais secas no Sudeste e Centro-Oeste durante a primavera e aumento das chuvas no Sul, elevando o risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos. Essa diversidade exige respostas igualmente diversas, adaptadas às características de cada território. Isso implica na necessidade de se promover a centralidade dos territórios e suas organizações na discussão da adaptação climática.

Para o campo social, isso significa revisar programas e portfólios sob uma lente climática, elaborar planos de continuidade para serviços essenciais, investir preventivamente na adaptação de equipamentos e espaços comunitários, fortalecer redes locais de cooperação e prever mecanismos de financiamento mais flexíveis, capazes de responder rapidamente às mudanças impostas pelos eventos extremos.

Nenhuma dessas medidas elimina a possibilidade de desastres. Mas todas contribuem para reduzir danos, preservar serviços essenciais e aumentar a capacidade de resposta das comunidades. Quanto mais cedo investidores sociais e organizações incorporarem os riscos climáticos às suas decisões, maior será a possibilidade de evitar perdas humanas, sociais e institucionais.

O El Niño previsto para 2026 representa não apenas um desafio climático. Ele representa um teste sobre nossa capacidade de aprender com as crises recentes e agir antes que elas se repitam. A previsão já existe. O conhecimento também. O que ainda precisa mudar é a forma como transformamos essas informações em planejamento e ação, com embasamento científico, centralidade dos territórios, foco nas pessoas, principalmente as mais vulnerabilizadas.

Juntos pela Saúde é destaque em reportagem sobre modelo de matchfunding para fortalecer o SUS

O programa Juntos pela Saúde foi destaque em reportagem publicada pelo portal Impacta Nordeste sobre o uso de mecanismos de blended finance para ampliar investimentos em saúde pública no Brasil. A matéria apresenta os resultados da iniciativa criada pelo BNDES e gerida pelo IDIS, que combina recursos públicos e privados para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) nas regiões Norte e Nordeste.

Por meio de um modelo de matchfunding, cada R$ 1 investido por empresas, fundações e organizações parceiras é acompanhado por mais R$ 1 aportado pelo BNDES, ampliando o volume de recursos destinados a projetos voltados à Atenção Primária à Saúde, inovação, qualificação profissional e fortalecimento da gestão pública.

Entrega de óculos aos beneficiários do Programa V.E.R (Divulgação / site Juntos pela Saúde)

A reportagem destaca que, desde seu lançamento, em 2023, o programa vem apoiando iniciativas em territórios marcados por desigualdades históricas no acesso à saúde. Atualmente, o Juntos pela Saúde atua em mais de 360 municípios das regiões Norte e Nordeste, apoiando projetos que promovem inovação tecnológica, qualificação de profissionais e ampliação do acesso aos serviços de saúde.

Entre os resultados apresentados no Relatório de Atividades Juntos pela Saúde 2025 estão R$ 72,9 milhões investidos, 4.167 unidades de saúde beneficiadas, mais de 20 mil equipamentos distribuídos e cerca de 9,7 milhões de beneficiários indiretos.

 

“Ver os resultados do Juntos pela Saúde nos enche de orgulho. Para além dos números, o programa representa transformações concretas na vida de milhares de pessoas e no fortalecimento do SUS em territórios historicamente marcados por desigualdades no acesso à saúde, diz Guilherme Sylos, diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS.

 

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Projeto do Juntos pela Saúde que amplia acesso à saúde na Amazônia é destaque na Agência Brasil

Moradores de comunidades ribeirinhas do Amazonas estão tendo acesso mais próximo a consultas médicas, acompanhamento pré-natal, vacinação e teleconsultas por meio de novos pontos de atendimento implantados em regiões de difícil acesso.

A mudança é graças ao projeto SUS na Floresta, executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio do programa Juntos pela Saúde.  A iniciativa foi destaque em diferentes reportagens da Agência Brasil, que mostraram como o projeto tem reduzido barreiras históricas enfrentadas por populações que dependem de longas viagens de barco para receber atendimento de saúde.

Brasília - 25/07/2026 - Posto de Saúde Bauana. Foto: Lucas Bonny/FAS

As matérias apresentam histórias de moradores da região do Médio Rio Juruá, em Carauari (AM), onde deslocamentos até a área urbana podem levar dias. Com a implantação dos pontos de apoio à saúde, os atendimentos passaram a acontecer mais perto das comunidades, combinando consultas presenciais e teleatendimento e fortalecendo o acesso à atenção primária.

 “Um princípio fundamental deste projeto e de todos os participantes do Juntos pela Saúde não é criar uma estrutura paralela ao SUS, mas sim reforçá-la” destaca Guilherme Sylos, diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS.

O projeto promove a implantação de pontos de apoio à saúde e soluções de atendimento presencial e telemediado em municípios do Amazonas, contribuindo para ampliar o acesso aos serviços de saúde em áreas remotas da Amazônia Legal.

 

Acesse as matérias na íntegra

O que precisamos para dar um salto nas finanças de impacto?

Artigo publicado originalmente no Jornal NEXO

Por Gustavo Loiola, head of training da Latimpacto, e Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS

Analisando os mercados da América Latina, conseguimos entender que o Brasil já domina o vocabulário das finanças de impacto e do financiamento inovador: blended finance, matchfunding, venture philanthropy. Mas isso não necessariamente se converteu, até aqui, em infraestrutura financeira capaz de operar na escala necessária para responder a desafios socioambientais do tamanho do país.

Veja-se o blended finance, por exemplo: o modelo é uma forma de estruturar capital catalítico (público ou filantrópico) para melhorar a relação entre risco e retorno e atrair investidores privados para agendas que, sozinhas, não mobilizariam tanto dinheiro. Segundo dado da rede Convergence, essa abordagem já mobilizou mais de US$ 270 bilhões em compromissos no mundo todo. Ainda assim, seu potencial segue subaproveitado no Sul Global, particularmente no Brasil. Não por ausência de recursos, mas porque muitas operações dependem de um grau de coordenação, segurança jurídica, apetite a risco e capacidade técnica que ainda não está distribuído de forma ampla no ecossistema.

O nosso gargalo não é falta de dinheiro, é falta de estrutura e de rotina. O campo está preso em um paradoxo: sabe desenhar operações sofisticadas, mas não consegue replicá-las com velocidade. O salto virá quando entendermos que finanças inovadoras não se resumem a novos nomes.

Precisamos construir peças relevantes de infraestrutura para essas finanças, deixando de tratar cada operação como um caso excepcional, dependente de lideranças específicas, negociações artesanais e arranjos sob medida. Temos que criar padrões, repertórios e capacidades institucionais que permitam que esses modelos sejam acionados com mais previsibilidade.

A primeira frente-chave é regulatória: Estruturas híbridas exigem previsibilidade, com regras claras para garantias, camadas de primeira perda, fundos com capital filantrópico e mecanismos de pagamento por resultado. Vejamos, por exemplo, no contexto brasileiro, a transição da reforma tributária, que começa neste ano e abre uma janela para calibrar incentivos e dar tratamento mais explícito a arranjos de interesse público.

A segunda frente é cultural: o financiamento paciente. A filantropia e o investimento social privado ainda operam, muitas vezes, com prazos curtos e baixa tolerância ao risco. A inovação financeira, porém, demanda o oposto, com compromissos plurianuais, recursos flexíveis, disposição para financiar estrutura (equipes, dados, avaliação) e aceitar que aprender custa – e que errar faz parte do desenho.

Esse ponto é decisivo. Muitos projetos de impacto positivo não fracassam por causa de uma solução frágil, mas porque não há financiamento adequado ao seu estágio de desenvolvimento. Existem iniciativas promissoras que precisam de apoio para modelar sua operação, organizar dados, fortalecer governança, medir resultados ou adaptar sua atuação a diferentes contextos territoriais. Quando a filantropia financia apenas o resultado final, e não a infraestrutura que torna essa entrega possível, limita a capacidade de desenvolvimento das organizações e perpetua uma lógica de não continuidade.

A terceira peça é a coordenação: Hoje, capitais públicos, privados e filantrópicos até se encontram, mas de forma desordenada. O resultado é fragmentação, com vários atores financiando o mesmo território sem governança comum, ou tentando encaixar soluções de mercado onde ainda falta redução de risco percebido. É aqui que o intermediário vira infraestrutura: quem traduz linguagens, gerencia projetos, padroniza diligências, cria métricas mínimas e monta arranjos multicapitais com velocidade.

O Brasil já tem sinais concretos do que funciona quando esses elementos aparecem. O Juntos pela Saúde, iniciativa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) gerida pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), adota o modelo de matchfunding, somando capital público e recursos privados (não reembolsáveis) para o fortalecer o SUS (Sistema Único de Saúde) nas regiões Norte e Nordeste .

A infraestrutura financeira também pode existir em escala global. O TFFF (Tropical Forests Forever Facility), lançado na COP30, nasce com ambição de mobilizar US$ 125 bilhões e prevê destinação mínima de 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades locais — um desenho que combina escala, governança e regras explícitas.

Ao reconhecer florestas tropicais em pé como ativos de valor global e prever uma remuneração vinculada à conservação ambiental, o mecanismo explicita uma tendência importante: a de que a agenda climática exigirá arquiteturas financeiras capazes de conectar capitais de naturezas distintas, proteger territórios vulneráveis e distribuir benefícios de forma mais justa.

A crise climática, aliás, torna esse debate ainda mais urgente. Eventos extremos, perdas econômicas, insegurança hídrica, impactos sobre saúde e pressão sobre populações vulnerabilizadas evidenciam que respostas fragmentadas são insuficientes. Prevenção, adaptação e resiliência demandam financiamento antes que a emergência aconteça, e não apenas depois da tragédia. A filantropia pode ter papel central ao financiar planejamento, capacidade local, sistemas de alerta, soluções baseadas na natureza e arranjos de governança territorial que reduzam riscos futuros.

Não devemos, então, nos perguntar sobre qual é o próximo instrumento financeiro, mas, qual infraestrutura vamos construir para fazer esses instrumentos operarem como regra. Se queremos enfrentar a crise climática, desigualdades e baixa capacidade estatal em territórios vulneráveis, precisamos tratar o financiamento inovador como serviço público do século 21.

Um convite ao campo: direcionar parte do capital não para o projeto final, mas para o “sistema que permite que os projetos existam. Isso significa financiar primeira perda, garantias, preparação de projetos, dados e avaliação, apoiar organizações intermediárias, e, sobretudo, combinar recursos com governança compartilhada. Em vez de criar mais pilotos brilhantes, construir uma máquina que replica, aprende e escala.

WGI coloca oito países da África e dois da Ásia entre os que a população doa percentuais mais altos do rendimento individual. Brasil é o 45ºcolocado no ranking.

Os países mais pobres são onde as doações para causas sociais, humanitárias e religiosas são maiores, de acordo com o Word Giving Report 2026, pesquisa anual da Charities Aid Foundation (CAF), organização britânica representada no Brasil pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social um dos principais relatórios globais sobre filantropia. Mesmo cultivando uma autoimagem de ser um povo solidário, os brasileiros não figuram entre os que mais doam.

 

 

O topo do ranking é dominado pela África. Neste ano, a lista é liderada pela Nigéria, com doações que representam 2,8% da renda individual. Dos dez países em que as pessoas mais doam, oito ficam no continente africano e dois estão na Ásia. Na classificação geral, o Brasil ocupa a 45ª posição, com doações que chegam a 0,9% da renda dos entrevistados, valor este que fica à frente da média da América Latina (0,7%).

Luisa Gerbase de Lima, gerente de comunicação e conhecimento do IDIS, aponta que a confiança nas instituições, a transparência e questões políticas e econômicas são fatores que influenciam diretamente nas decisões de doação da população brasileira.

 

“Quando a sociedade civil doa, demanda este comportamento também de empresas e famílias de alta renda”  – Luiza G. de Lima

 

O World Giving Report 2026 apontou que, dentre as causas apoiadas através das doações, as iniciativas religiosas aparecem em primeiro lugar (31%), seguidas de ações voltadas para crianças e jovens e de propostas voltadas para o enfrentamento da pobreza (ambas com 29%). O estudo verificou que o sentimento de pertencer e apoiar uma comunidade local também é um incentivo para doações, número que passou de 25% para 32% em 2025. A noção de entender a doação como um dever coletivo também aumentou, passando de 39% para 48%.

Leia a matéria completa aqui.

 

 

Ranking internacional reconhece novamente o IDIS como líder em consultoria para impacto social no Brasil

A entidade francesa Leaders League, especializada na elaboração de rankings e pesquisas de mercado, divulgou seu ranking de 2026 das principais consultorias brasileiras em responsabilidade social.

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social foi novamente reconhecido como líder no ranking, conquistando o 1º lugar entre as melhores consultorias de impacto social do Brasil. O reconhecimento reforça o compromisso do IDIS em apoiar investidores sociais engajados na geração de impacto social positivo no país.

Em seu trabalho de consultoria, o IDIS oferece apoio técnico a famílias, empresas, institutos, fundações e organizações da sociedade civil que desejam iniciar ou fortalecer suas práticas de investimento social. A atuação é personalizada e participativa, apoiando clientes em áreas como planejamento estratégico e governança; agenda ESG; estruturação de fundos patrimoniais e estratégias de sustentabilidade financeira de longo prazo; desenho e implementação de projetos e fortalecimento institucional; desenvolvimento de editais e gestão de portfólios; além de monitoramento e avaliação.

 

“Ser reconhecido mais uma vez pela Leaders League reflete a consistência e a qualidade do trabalho desenvolvido pelo IDIS junto a investidores sociais em todo o Brasil. Nossa atuação em consultoria é guiada pelo rigor técnico, pela colaboração e por uma compreensão profunda do contexto de cada cliente, sempre com o objetivo de fortalecer estratégias capazes de gerar impacto social duradouro”, afirma Marcos Alexandre Manoel, Diretor de Projetos do IDIS.

 

 

O ranking da Leaders League é elaborado a partir de um processo de pesquisa que envolve coleta e análise de dados, combinando diferentes fontes de informação e critérios de avaliação. Na edição de 2026, o IDIS figura na categoria “Leader”, ao lado de outras organizações reconhecidas por sua atuação em responsabilidade social corporativa e consultoria para impacto social.

Conheça a agenda e inscreva-se para o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026

A 15ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais acontece no dia 27 de agosto, quinta-feira, e, para este ano, traz como tema central do evento a filantropia ‘Entre a Essência e a Reinvenção’. 

Assim como nas últimas edições, o evento acontecerá em formato híbrido. Presencial exclusivamente para convidados na Casa Melhoramentos, em São Paulo, e com transmissão ao vivo gratuita via YouTube ao longo do dia todo. 

No Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026 vamos explorar a tensão dinâmica entre permanência e transformação na filantropia. Em um contexto de aceleradas mudanças sociais, políticas, tecnológicas e climáticas, os atores filantrópicos são desafiados a repensar seu modo de estar no mundo.

‘Entre a Essência e a Reinvenção’ posiciona a filantropia em um ponto de inflexão. De um lado está sua essência: compromisso ético, visão de longo prazo, autonomia, capacidade de assumir riscos e atuação voltada à transformação estrutural. De outro lado está a reinvenção: disrupção digital, novos mecanismos financeiros, governança participativa, abordagens decoloniais, ecossistemas colaborativos e estratégias adaptativas diante de crises sistêmicas. Neste contexto, o que deve permanecer inegociável e o que precisa evoluir para que a filantropia continue relevante e eficaz?

AS INSCRIÇÕES PARA A TRANSMISSÃO ONLINE JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS CLICANDO AQUI

 

Palestrantes já confirmados 


Confira a programação completa no site. Entre os palestrantes confirmados estão: Belisa Maggi (FALM e Signativo), Conceição Evaristo (Escrevivência), Michael França (Insper), Ricardo Bucio (Cemefi – México), Somachi Chris-Asoluka (Fundação Tony Emelu), Valcleia dos Santos (FAS) e mais.

 

Realização e Apoio 

Neste ano, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais conta com o Apoio Estratégico da Fundação Bradesco, Fundação Itaú e do Movimento Bem Maior; Apoio Ouro da RDsaúde; Apoio Prata da Fundação Sicredi; Apoio Bronze da Fundação ArcelorMittal, Fundação Bracell, Fundação Grupo Volkswagen, Levisky Legado e Instituto Sicoob; Apoio Institucional do Fundo de Fomento à Filantropia e do UNICEF; e, como Parceiros de Mídia, a Alliance Magazine e a Stanford Social Innovation Brasil.

 

 

Sobre o evento

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.500 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em nosso canal do YouTube estão disponíveis listas com as gravações de todas as edições. Confira! 

Instituto Chamex anuncia contemplados da 6º Edital Educação com Cidadania

Confira os projetos contemplados na 6ª edição do Edital Educação com Cidadania, iniciativa do Instituto Chamex que apoia organizações da sociedade civil comprometidas com a promoção da educação, da cidadania ativa e do desenvolvimento integral de crianças e adolescentes em diferentes regiões do país. 

Nesta edição, foram selecionadas iniciativas que atuam em áreas como educação ambiental, letramento, reforço escolar, formação cultural, inclusão digital e desenvolvimento comunitário, ampliando oportunidades para centenas de jovens em situação de vulnerabilidade social. 

 

 

Projeto: Olho D’agua 

Associação Crescer no Campo (Espírito Santo do Pinhal, SP) 

Criada em 2003, surgiu com a missão de dar oportunidade a crianças e adolescentes moradoras da zona rural de se tornarem cidadãos socialmente responsáveis e solidários. O projeto Olho D’Água estimula o reconhecimento de valores e conceitos do mundo natural dos jovens e crianças, desenvolvendo habilidades e competências necessárias à modificação de atitudes em relação ao meio ambiente. A intenção é que através de pesquisas, coletas de informações e amostras, experimentos, caminhadas de observação da fauna e da flora, atividades na horta e viveiro compreendam as interações do homem com os diferentes meios. Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Ler e Significar para Atuar no Mundo!​ 

Instituto Mutá (Valença, BA) 

 O Instituto Mutá faz parte de uma coalizão de organizações sociais ligadas ao CADI Brasil, sendo fortemente engajados na promoção e apoio dos direitos das crianças e adolescentes em Valença e região. O projeto aprovado em edital promoverá ações de letramento e alfabetização integradas a oficinas de música e atividades criativas, incluindo leitura, produção textual, expressão artística e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, visando o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e a cidadania ativa dos participantes.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: VivArte​ 

Quebrada Cultural (Juazeiro do Norte, CE)

A Quebrada Cultural é um espaço multi-artístico produzido pela comunidade do Triângulo, sendo uma casa de arte e experimentos onde acontecem eventos artísticos e culturais para a comunidade de Juazeiro do Norte. Selecionado como o projeto focado em economia criativa, o VivArte é um projeto de formação cultural que oferece oficinas presenciais de teatro, artes visuais, música, dança, literatura e circo para crianças e adolescentes. Por meio das linguagens artísticas, os participantes desenvolvem expressão, autonomia e senso crítico, reconhecendo a arte como ferramenta de cidadania e transformação social. Ao longo de seis meses, vivenciam dois ciclos de oficinas conduzidos por artistas-educadores, culminando em uma mostra e feira cultural aberta à comunidade na qual haverá um sarau e venda dos produtos produzidos pelos adolescentes com os ganhos sendo revertidos para os próprios beneficiários do projeto.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Nosso papel é imprimir o bem através da educação​ 

PreparArte (Rolim de Moura, Rondônia) 

 A Prepararte, criada em 2006, surgiu da visão da arte como instrumento para preparar pessoas, fortalecendo seus vínculos e habilidades sociais e ajudando na elaboração de um projeto de vida. Atualmente, a instituição está em fase de expansão e construção de uma sede própria ampliada, com o objetivo de garantir a continuidade da oferta gratuita de seus cursos. O novo espaço contará com uma biblioteca e dois laboratórios de informática, havendo necessidade de apoio para equipar esses ambientes com móveis e computadores. A iniciativa visa viabilizar a inauguração da sede e ampliar o número de alunos atendidos gratuitamente.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: Aprender com Arte – Reforço Escolar Criativo​ 

Associação Crescer com Viver (Guarapari, ES) 

A Associação Crescer com Viver foi criada com o objetivo de ampliar oportunidades através de atividades socioeducativas, culturais e esportivas para jovens, crianças e famílias, com o objetivo final de promover a transformação social. O projeto “Aprender com Arte – Reforço Escolar Criativo” oferecerá reforço escolar em português e matemática, apoio às atividades escolares e oficinas criativas de pintura, leitura e expressão artística, com jovens em situação de vulnerabilidade social de 7 a 14 anos organizados por faixa etária. O objetivo é promover aprendizagem, desenvolvimento socioemocional, fortalecimento do vínculo com a escola e a comunidade, além de contribuir para a autoestima e permanência escolar dos participantes.​ Para mais informações, clique aqui. 

 

Projeto: OCA – Oficinas Culturais e Artísticas​ 

Força Flor Desenvolvimento Humano e Defesa Cultural 

Força Flor possui sede própria na comunidade rural de São Pedro, e tem como objetivo a transformação social através da garantia de direitos da criança e do adolescente, da educação profissional e promoção de oportunidades de trabalho e da sustentabilidade. O projeto “OCA – Oficinas Culturais e Artísticas” será executado na sede da Força Flor em parceria com as escola municipais, com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social de 6 a 17 anos. Serão desenvolvidas oficinas semanais presenciais no contraturno escolar, de artes visuais, dança, artesanato, permacultura, informática e reforço escolar. O projeto prevê acompanhamento pedagógico, promoção da inclusão social,  desenvolvimento de habilidades, fortalecimento de vínculos e apresentação cultural de encerramento.​ Para mais informações, clique aqui. 

Paula Fabiani participa do quadro especial ‘Extraordinários’ da GloboNews

Em entrevista a GloboNews, Paula Fabiani, CEO do IDIS, compartilha reflexões sobre cultura de doação. Paula é a única brasileira presente na seleção das 100 pessoas mais influentes da filantropia no mundo pela revista TIME

Outro ponto abordado na conversa foi a importância das novas gerações no fortalecimento da filantropia no Brasil. Para Paula Fabiani, jovens lideranças e herdeiros já demonstram maior consciência sobre responsabilidade social e impacto coletivo.

“A grande notícia positiva é que as novas gerações já têm mais consciência, já vêm com essa questão mais endereçada”, destacou Paula.

Segundo ela, o cenário global de transferência de riqueza nas próximas décadas pode representar uma oportunidade para ampliar o engajamento filantrópico e fortalecer uma cultura de doação mais estruturada no país.

 

Assista a entrevista completa clicando aqui.

 

 

A filantropia como infraestrutura diante da crise climática

Artigo publicado originalmente no Um Só Planeta

Por Marcelo Modesto, gerente da área ESG do IDIS.

As cenas se repetem e, a cada ano, com mais intensidade. Ruas transformadas em rios, famílias desalojadas, serviços públicos colapsados. De Juiz de Fora, com seus episódios recentes de enchentes e desafios nos planos de contingência, a diversas regiões metropolitanas e cidades, o país está cada vez mais vulnerável a eventos extremos. O que se vê não é mais um momento excepcional, mas um padrão consolidado.

Segundo dados recentes lançados pela Ipsos, cerca de um quarto da população já precisou se deslocar por conta de eventos extremos, evidenciando, cada vez mais, que a crise não é apenas ambiental, mas social, econômica e humanitária. O deslocamento forçado rompe vínculos territoriais, além de agravar desigualdades históricas, afetando de forma mais intensa populações já vulnerabilizadas.

O relatório Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2026, lançado pelo IDIS, apresenta também um diagnóstico central de que o clima não é mais uma agenda entre outras, mas um fator estruturante que atravessa todas as dimensões: saúde, educação, segurança alimentar, habitação e renda.

È justamente nesse ponto que um debate ainda pouco amadurecido no Brasil precisa avançar: o papel da filantropia como parte da infraestrutura de resposta a crises. Em situações de desastre, o tempo é o recurso mais escasso. O Estado, por mais preparado que possa estar para enfrentar situações como essas, opera com algumas limitações que podem dificultar respostas imediatas na celeridade necessária.

A filantropia, nesse sentido, tem atributos que a tornam particularmente relevante nesses contextos, como maior flexibilidade, rapidez na alocação e direcionamento de recursos, além de uma maior capacidade para assumir riscos.

Fundos emergenciais, por exemplo, permitem mobilizar recursos direcionando apoio a territórios críticos antes mesmo que estruturas públicas consigam se reorganizar. Organizações da sociedade civil, por sua vez, atuam como braços operacionais essenciais, já que estão inseridas nos territórios e conhecem, com precisão, quem precisa de ajuda e como chegar até essas pessoas no momento em que elas mais precisam.

O campo do investimento social privado já demonstra mobilização significativa em desastres. Mas ainda há um desequilíbrio, uma vez que a maior parte das ações se concentra na resposta imediata após eventos climáticos extremos, com pouca incidência em prevenção e adaptação.

Considerando as evidências científicas de que eventos climáticos extremos serão cada vez mais frequentes e intensos, as respostas não podem continuar baseadas apenas em resoluções momentâneas. Nesse sentido, a filantropia deve ser tratada como parceira estratégica capaz de ampliar velocidade, alcance e efetividade, atuando colaborativamente com o estado e iniciativas privadas.

Isso implica, na prática, fortalecer fundos de emergência permanentes, com governança e capacidade de rápida ativação; investir na preparação dos territórios, financiando prevenção, adaptação e resiliência; apoiar organizações locais, que são as primeiras a responder e as últimas a sair; e, sobretudo, atuar de forma articulada, reduzindo lacunas entre planejamento e execução. Especialmente em agendas sensíveis, como é o caso dos desastres climáticos, essa integração é indispensável para solucionarmos os desafios que temos à frente.

Projeto do Juntos Pela Saúde, SUS na Floresta, é destaque na imprensa

Em abril, a comunidade do Ubim, em Eirunepé (AM), recebe o primeiro posto de saúde após mais de 80 anos. Até então, para ter qualquer tipo de atendimento, os moradores precisavam viajar de barco, conhecida como rabeta, em trajetos que variam de três a seis dias, dependendo da época do ano e da embarcação. A dificuldade de acesso já resultou em mortes e amputações, como em casos de picadas de cobra.

O posto de saúde conta com equipes itinerantes do SUS que atuam na região com atendimentos presenciais e remotos, combinando escuta, orientação e encaminhamentos, ainda que sem continuidade estruturada devido à alta rotatividade dos profissionais.

A inauguração foi destaque em diferentes veículos jornalísticos do país, como TV Encontro das Águas, SBT News, BNC Amazonas, e Folha de S. Paulo

Em reportagem, a Folha destacou que, apesar dos avanços, persistem desafios relevantes, como a limitação de especialistas, barreiras culturais e dificuldades de acesso. Casos recorrentes envolvem luto, violência doméstica, abuso e maternidade precoce, além de fatores socioeconômicos que impactam diretamente a saúde mental. A ampliação da conectividade surge como oportunidade, mas especialistas reforçam que o cuidado exige abordagem integrada, considerando dimensões sociais, culturais e econômicas.

A iniciativa integra o projeto SUS na Floresta, voltado ao fortalecimento da atenção primária à saúde em áreas remotas da Amazônia Legal e tem parceria com a Prefeitura de Eirunepé. É executada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com o BNDES, o Fundo Vale sob gestão do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) dentro do programa Juntos pela Saúde.

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