Fortalecer capacidades, construir confiança.

11 de agosto de 2026

Artigo publicado originalmente no Estudo Panorama Conjunta 2025-2026

Por Luisa Lima, gerente de comunicação do IDIS

O desenvolvimento institucional das organizações da sociedade civil (OSCs) não é um elemento periférico de sua atuação. É o que sustenta sua capacidade de agir com consistência, transparência, legitimidade e continuidade institucional. Quando uma organização investe em governança, gestão, comunicação, tecnologia ou no cuidado com suas equipes, ela fortalece as bases que tornam sua missão viável no longo prazo.

Essa agenda está diretamente relacionada à confiança. A confiança nas OSCs não se constrói apenas pela relevância das causas que defendem, mas também pela forma como atuam, prestam contas, se comunicam, tomam decisões e sustentam sua presença pública. A Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo IDIS, reforça esse ponto ao mostrar que a confiança nas instituições é um motivador extremamente relevante para doar, enquanto a desconfiança segue como uma barreira estrutural importante: apenas 30% dos brasileiros afirmam que a maior parte das ONGs é confiável, e, entre quem não doa há mais de cinco anos, a falta de confiança e transparência aparece como a razão mais citada para não doar, mencionada por 38% dos respondentes.

À luz desses achados, os dados do Panorama Conjunta 2025–2026 ganham ainda mais relevância. O estudo mapeou 793 oportunidades de formação e captação de recursos em 2025, ante 346 no ano anterior. Ainda que essa variação deva ser lida com cautela em razão de mudanças metodológicas e ampliação das fontes analisadas, os resultados mostram que o desenvolvimento institucional está mais presente no campo e vem ganhando maior visibilidade. Ao mesmo tempo, o Panorama revela limites importantes no desenho do apoio disponível. Entre as oportunidades de captação, 62,66% previam financiamento de até um ano. O dado sugere que, mesmo observando um número maior de oportunidades, ainda predominam mecanismos pouco compatíveis com processos contínuos de fortalecimento institucional.

Essa leitura se torna ainda mais relevante quando se observam dimensões que seguem menos reconhecidas nos temas abordados por formações. Tecnologia é hoje infraestrutura essencial para gestão, comunicação e mobilização. Saúde mental e autocuidado, por sua vez, são condições para equipes mais sustentáveis e organizações mais resilientes. Monitoramento e avaliação, por exemplo, são fundamentais para que as OSCs aprendam com a prática, demonstrem resultados, qualifiquem sua gestão e prestem contas com mais consistência. Quando essas dimensões não são reconhecidas como parte legítima do desenvolvimento institucional, o apoio oferecido tende a ser insuficiente para sustentar organizações fortes e confiáveis.

Nesse contexto, a Conjunta e seu Panorama prestam uma contribuição valiosa ao campo ao dar visibilidade a oportunidades, lacunas e tendências que ajudam a qualificar o debate. Para além de ampliar o volume de apoios, o desafio agora é avançar na qualidade desse apoio: com mais flexibilidade, maior duração e melhor reconhecimento das capacidades que sustentam a atuação das OSCs. Afinal, se a confiança é condição para ampliar doações, fortalecer institucionalmente as organizações é parte do caminho para essa conquista. Organizações mais fortes e mais confiáveis contribuem para o ambiente democrático mais robusto que é, em última instância, o horizonte comum para o qual lutamos.

 

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