Como a inteligência artificial pode apoiar organizações sociais a encontrar oportunidades de financiamento, organizar grandes volumes de informações, automatizar processos ou até contribuir para diagnósticos de saúde?
Essas e outras possibilidades foram tema de uma edição do Conecta Terceiro Setor, iniciativa da Fundação José de Paiva Netto, que destacou o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, projeto realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com suporte do Google.org e parceria técnica do Canal SabIAr.
Participaram da conversa Henrique Barreto, gerente de Projetos do IDIS, eMariana Pereira, especialista associada do Canal SabIAr, que apresentaram experiências e aprendizados relacionados ao uso estratégico e responsável da tecnologia por organizações da sociedade civil.
“Não se trata só de “queremos mais pessoas usando IA”, não, queremos IA como uma ferramenta de desenvolvimento institucional pro campo completo do terceiro setor” – Henrique Barreto
Ao longo do episódio, foram discutidas aplicações concretas da IA capazes de contribuir para o dia a dia das organizações, desde a identificação de editais de financiamento e a transformação de grandes volumes de documentos em bases inteligentes de dados até a automatização de processos de prestação de contas e o apoio a soluções na área da saúde.
Entre os dias 22 e 24 de julho, 89 profissionais de 30 organizações da sociedade civil participaram, em São Paulo, de um encontro presencial em formato de hackathon voltado à criação de soluções de inteligência artificial para desafios concretos do Terceiro Setor. O encontro integra o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, programa de formação que apoia organizações sociais na incorporação consciente, ética e estratégica dessa tecnologia em suas atividades.
Turma 1 do IA.3 em encontro presencial em São Paulo
Durante os três dias, as equipes foram desafiadas a transformar os conhecimentos adquiridos ao longo de quatro meses de capacitação realizados pelo programa em propostas aplicáveis às suas instituições. As soluções abrangem áreas estratégicas para o fortalecimento das organizações sociais:
Captação inteligente: aplicação da inteligência artificial à mobilização de recursos, ao relacionamento com potenciais apoiadores e à sustentabilidade financeira;
Inteligência, memória e conhecimento institucionais vivos: organização, preservação, recuperação e utilização estratégica de informações e conhecimentos produzidos pelas organizações;
Relacionamento, atendimento e jornada dos públicos: aprimoramento da comunicação e da interação com beneficiários, doadores, parceiros, voluntários e demais públicos;
Operação sem gargalos: automação de processos, integração de dados e aprimoramento dos fluxos de trabalho para ampliar a eficiência institucional;
Monitoramento, avaliação, prestação de contas, aprendizagem e relatórios: uso da inteligência artificial para acompanhar resultados, analisar informações, gerar aprendizados e comunicar impactos.
As organizações selecionadas atuam em 13 estados – Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo -, contemplando as cinco regiões brasileiras.
Participantes durante o Encontro Presencial em São Paulo.
A programação ainda contou com dinâmicas colaborativas e momentos de diagnóstico, ideação, desenvolvimento e validação das propostas, além do acompanhamento de especialistas. Ao final do encontro, cada grupo apresentou uma proposta de solução para os desafios identificados, com potencial de implementação e aperfeiçoamento nas organizações participantes.
“Este encontro marca uma transição importante na jornada das organizações: passamos do aprendizado e da experimentação para o desenvolvimento de soluções voltadas a desafios concretos de gestão e atuação. Queremos que as equipes ganhem autonomia para incorporar a inteligência artificial de maneira estratégica, ética e alinhada às suas missões. A diversidade de causas, experiências e territórios reunida no hackathon também favorece a colaboração e a criação de soluções que poderão gerar aprendizados para todo o Terceiro Setor”, afirma Henrique Barreto, gerente de projetos do IDIS responsável pelo IA.3.
Após o hackathon, as 30 organizações continuarão sendo acompanhadas durante seis meses por meio de mentorias individualizadas. O objetivo é apoiar a implementação das soluções desenvolvidas, realizar os ajustes necessários e contribuir para que o uso da inteligência artificial seja incorporado de forma sustentável às estratégias, às equipes e aos processos institucionais.
O IA.3 também inclui uma avaliação de impacto experimental, que comparará os resultados das organizações participantes da primeira turma com os das organizações que receberão a formação em 2027. Além de acompanhar resultados concretos, a avaliação dará origem a um estudo com dados quantitativos e qualitativos e exemplos práticos de aplicação da inteligência artificial no Terceiro Setor.
Equipes IDIS e Canal SabIAr no Encontro Presencial em São Paulo.
O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor
Realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com suporte do Google.org e parceria técnica do Canal SabIAr, o IA.3 busca fortalecer as capacidades institucionais das organizações da sociedade civil. Mais do que incentivar o uso pontual de ferramentas, o programa pretende apoiar a integração da inteligência artificial às estratégias, aos processos de gestão e às missões institucionais das organizações.
Reveja o webinar formativo sobre inteligência artificial no Terceiro Setor!
A iniciativa foi estruturada como uma jornada de formação em múltiplas etapas. Após um webinar introdutório e aberto ao público, 119 organizações iniciaram, em fevereiro de 2026, a primeira turma da capacitação intensiva. Foram 30 horas de formação ao longo de quatro meses, combinando aulas ao vivo, conteúdos assíncronos e atividades práticas.
As 30 organizações com melhor aproveitamento nessa etapa foram selecionadas para o encontro presencial, no qual poderão aprofundar os conhecimentos adquiridos, trocar experiências e desenvolver soluções institucionalmente relevantes.
Em fevereiro de 2027, uma nova turma de 114 organizações começa o mesmo processo.
No dia 23 de junho, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social realizou o webinar “Desenvolvimento Institucional para OSCs: desafios e oportunidades”, encontro exclusivo para as organizações selecionadas para a segunda turma do IA.3, Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, iniciativa realizada com o suporte do Google.org e apoio técnico do Canal SabIAr.
Com mediação de Felipe Insunza Groba, Gerente de Projetos do IDIS, o webinar abordou os principais pilares do desenvolvimento institucional e sua importância para organizações de diferentes portes e áreas de atuação. O encontro também reforçou como o fortalecimento da gestão é um elemento essencial para potencializar o impacto social e preparar as OSCs para incorporar novas tecnologias, como a inteligência artificial, em suas estratégias.
A primeira convidada foi Erika Sanchez Saez, Diretora Executiva do Instituto ACP, que destacou que o desenvolvimento institucional depende de uma decisão estratégica das organizações.
“Desenvolvimento Institucional precisa de intencionalidade, precisa ser prioritário. Você precisa querer trabalhar DI, você precisa dizer para sua equipe que isso é importante, abrir espaço, tempo. Tem que estar no dia a dia da organização”, reforça Erika.
Na sequência, Fernando Nogueira, Diretor Executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, ressaltou a importância de construir uma cultura organizacional baseada no aprendizado permanente.
“É importante celebrar as vitórias grandes e pequenas, mas também é fundamental reconhecer e celebrar os erros. Conversar e aprender sobre eles é um potencial fundamental para a mudança”, para o Fernando, a capacidade de refletir sobre os desafios enfrentados e transformar experiências em aprendizado fortalece as organizações e amplia sua capacidade de adaptação em um cenário de constantes transformações.
Com início previsto para fevereiro de 2027, a nova turma reunirá organizações de diferentes regiões do país em uma jornada de aprendizado voltada à aplicação prática da inteligência artificial em seus desafios cotidianos, sempre aliando tecnologia ao fortalecimento institucional e à geração de impacto social.
O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor
O IA.3 foi criado com o objetivo de capacitar ONGs com atuação no Brasil no uso da IA, oferecendo condições para que elas incorporem essa tecnologia de maneira consciente e estratégica.
Ao democratizar o acesso à Inteligência Artificial, o IDIS não apenas responde a uma demanda emergente, mas reafirma sua crença de que a inovação deve ser inclusiva, acessível e consciente de seus impactos múltiplos, desde a forma como consome energia até a maneira como pode reproduzir ou corrigir desigualdades sociais.
Estruturado em uma jornada de capacitação de múltiplas etapas, que inclui desde conteúdos básicos, até encontros presenciais e mentorias individualizadas. A primeira etapa do projeto foi um Webinar formativo, gratuito, realizado em 22 de outubro e que reuniu inúmeras organizações de todo o país. Foram mais de 2500 inscrições para participação, representando cerca de 1,6 mil diferentes organizações da sociedade civil brasileiras.
Reveja o webinar formativo sobre inteligência artificial no Terceiro Setor!
O IA.3 incluirá, ainda, um encontro presencial em São Paulo e mentorias individualizadas para representantes de 30 organizações com melhor aproveitamento, para aprofundamento do uso de IA em suas causas, construção de soluções concretas, troca de experiências e fortalecimento de redes de colaboração.
Por Henrique Barreto, gerente de projetos do IDIS, e Cássio Aoqui, cofundador do Canal SabIAr
Há um equívoco recorrente no debate sobre inovação no terceiro setor: o de que as organizações da sociedade civil ainda estão à margem da transformação digital. Os dados mais recentes do Programa IA.3, realizado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – IDIS com parceria técnica do Canal SabIAr e suporte do Google.org, mostram o contrário. A inteligência artificial já entrou no cotidiano das organizações da sociedade civil brasileiras, mas ainda de forma fragmentada, pouco estruturada e, em muitos casos, desprotegida.
A análise de 532 organizações inscritas no programa revela um cenário que merece atenção. Trata-se de uma amostra diversa, com organizações de diferentes portes (51% pequeno, 23% médio e 27% grande) e presença nacional, ainda que com concentração no Sudeste (62%). Esse recorte, embora não representativo de todo o setor, oferece pistas relevantes sobre tendências em curso.
Apenas uma minoria declara não utilizar IA no dia a dia. Em contrapartida, a institucionalização desse uso é incipiente com cerca de 40% das organizações apresentando baixo ou nenhum nível de formalização, o que indica que a tecnologia está mais presente como iniciativa individual do que como estratégia organizacional. A própria maturidade média na adoção de IA é intermediária (1,9 em uma escala de 0 a 4), com a institucionalização aparecendo como a dimensão mais frágil.
Henrique Barreto, gerente de projetos do IDIS, em apresentação sobre inteligência artificial no terceiro setor durante FIFE 2026
Esse descompasso, entre alto uso e baixa governança, é o ponto central da discussão. A IA já está sendo usada para tarefas operacionais, comunicação e apoio à gestão. No entanto, ela ainda não foi plenamente incorporada como ferramenta de desenvolvimento institucional. Faltam direção, investimento e, sobretudo, diretrizes claras.
E os dados são contundentes, 95% das organizações não possuem políticas ou orientações formais para o uso de IA. Ao mesmo tempo, 75% utilizam ferramentas gratuitas, muitas vezes sem garantias adequadas de segurança ou proteção de dados. Trata-se de uma combinação arriscada, especialmente em um setor que lida diretamente com populações em situação de vulnerabilidade e, por consequência, com informações sensíveis.
Outro dado revelador diz respeito às barreiras percebidas. A falta de conhecimento e o custo das ferramentas aparecem como os principais entraves à adoção. Não por acaso, começam a surgir iniciativas de capacitação em IA e tecnologia voltadas às organizações sociais, como o próprio programa IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor. Já os riscos éticos e de privacidade são pouco mencionados. Apenas 15% das organizações os apontam como barreira, o que sugere não uma ausência de riscos, mas uma lacuna de compreensão sobre eles. Em outras palavras, o debate sobre uso responsável ainda não acompanhou a velocidade da adoção da tecnologia.
Isso, no entanto, não diminui o potencial transformador da IA para o terceiro setor, pelo contrário. Organizações que conseguem integrar tecnologia à sua estratégia institucional ampliam sua capacidade de análise, ganham eficiência operacional e fortalecem sua incidência. Em um contexto de crescente pressão por resultados e transparência, isso é central.
Mas há uma diferença importante entre usar e saber usar. O que os dados indicam é que o terceiro setor brasileiro já atravessou a fase da experimentação inicial, mas ainda não consolidou uma cultura de uso estratégico da inteligência artificial. E essa transição não acontecerá espontaneamente.
Ela exige investimento, não apenas financeiro, mas também em formação, governança e cultura organizacional. Exige que lideranças incorporem o tema como parte da agenda institucional, e não como curiosidade tecnológica. E exige, sobretudo, que o campo da filantropia reconheça seu papel nesse processo: apoiar o fortalecimento digital das organizações como parte indissociável do fortalecimento da sociedade civil.
A inteligência artificial não é neutra, nem inevitavelmente benéfica. Seu impacto depende das escolhas que fazemos agora. No terceiro setor, isso significa sair do uso disperso e avançar para uma adoção consciente e orientada por propósito. O desafio já não é acessar a tecnologia, mas criar condições para que seu uso seja estratégico, ético e responsável.
Programa IA.3 reúne organizações para formação aprofundada em inteligência artificial, visando democratizar o uso da tecnologia para o desenvolvimento socioambiental
No dia 25 de fevereiro, organizações selecionadas iniciam o programa IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, com uma capacitação intensiva de 30h de aulas e encontros síncronos e assíncronos. A iniciativa é uma realização do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com o suporte do Google.org e parceria técnica do Canal SabIAr.
A formação online reúne ONGs de todas as regiões do Brasil, contemplando diferentes portes (pequenos, médios e grandes) e uma ampla diversidade de causas, como educação, saúde, meio ambiente, entre outras. Ao todo, foram selecionadas 257 organizações, que participarão da formação distribuídas em duas turmas, a primeira com início agora em 2026 e a outra, 2027.
O formato foi desenhado para apoiar as organizações na incorporação gradual da inteligência artificial às suas rotinas, respeitando princípios éticos, critérios de responsabilidade e as especificidades do terceiro setor. O programa é, também, uma forma de fortalecer o desenvolvimento institucional de organizações do terceiro setor, ao oferecer soluções e ferramentas que contribuem não apenas à execução de projetos, mas também à gestão.
A formação do programa está estruturada em cinco eixos estratégicos:
Fundamentação e letramento em Inteligência Artificial Conceitos de IA, machine learning, IA generativa e compreensão crítica da tecnologia.
Ética, responsabilidade e governança Justiça algorítmica, uso responsável da IA e seus impactos sociais.
Aplicações práticas para o terceiro setor Gestão de projetos socioambientais, monitoramento e avaliação, teoria da mudança, áreas administrativas e ambiente de trabalho.
Captação de recursos e comunicação para causas Uso da IA para mobilização, engajamento e fortalecimento da sustentabilidade financeira das OSCs.
Inovação e prototipagem de soluções Oficinas práticas, uso da IA em áreas como educação, saúde, arte e meio ambiente, culminando em um encontro presencial em formato de hackathon para desenvolvimento de soluções concretas.
“ A tecnologia faz parte de nossas vidas e influencia a forma como a sociedade se organiza. Com o IA.3, queremos que as organizações do terceiro setor também estejam no centro dessa transformação, utilizando a inteligência artificial com ética, desenvolvendo um olhar crítico e ampliando o impacto em seus territórios. Esta capacitação representa uma oportunidade de fortalecer causas, expandir horizontes e assegurar que a inovação possa ser usada em favor do interesse público e da construção de um país mais igualitário”, afirma Henrique Barreto, gerente de Projetos no IDIS.
Ao final da jornada formativa, as 30 organizações com melhor aproveitamento serão convidadas a participar de um encontro presencial em São Paulo, voltado ao aprofundamento do uso da inteligência artificial em suas causas, ao desenvolvimento de soluções e ao fortalecimento de redes de colaboração no terceiro setor. A partir daí, com uma mentoria, serão acompanhadas para que os projetos tenham efetivamente aplicações práticas e gerem aprendizados e inspiração para o setor.
Sobre o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor
O IA.3 é um programa criado para capacitar organizações da sociedade civil com atuação no Brasil no uso consciente, ético e estratégico da inteligência artificial. Estruturado em uma jornada de múltiplas etapas, o projeto combina conteúdos introdutórios, formações aprofundadas e encontros presenciais ampliando o acesso do campo social à inteligência artificial, contribuindo para a redução de desigualdades no uso da tecnologia e aumentando o impacto socioambiental das organizações participantes.
Reveja o webinar formativo sobre inteligência artificial no Terceiro Setor!
Pesquisa global com lideranças de ONGs aponta sustentabilidade financeira como principal desafio, mas destaca otimismo, diversidade de fontes de receita e confiança na capacidade de resposta
O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, em parceria com a CAF – Charities Aid Foundation, lança o Panorama das ONGs: capítulo Brasil, relatório que integra o World Giving Report e apresenta uma leitura aprofundada do cenário das organizações da sociedade civil no país a partir da perspectiva das lideranças das organizações da sociedade civil.
O estudo aponta seis fatores determinantes para resiliência de ONGs: (1) propósito, (2) saúde financeira e operacional, (3) evidências de impacto, (4) pessoas e cultura, (5) parcerias, e (6) contexto. No Brasil, revelou desafios relevantes — com destaque para sustentabilidade financeira, atração e retenção de profissionais, além de mensuração e comunicação de impacto — ao mesmo tempo em que apresenta sinais claros de resiliência e otimismo, com lideranças expressando alta confiança na capacidade de atender à crescente demanda por serviços. Para Paula Jancso Fabiani, CEO do IDIS, “é determinante para o futuro do terceiro setor a capacidade das ONGs de inovar, fortalecer redes de colaboração, influenciar políticas públicas e comunicar claramente seu propósito e impacto.”
Cresce a pressão sobre as ONGs, mas lideranças demonstram confiança
No recorte brasileiro, a pesquisa reforça uma tendência observada globalmente: o aumento da demanda por serviços e a expectativa de que esse movimento continue. Globalmente, 78% das organizações afirmam que a demanda aumentou e 83% esperavam aumento no ano seguinte. No Brasil, embora o avanço recente da demanda apareça em ritmo inferior ao agregado global, as ONGs brasileiras se destacam pela confiança em conseguir responder ao cenário: entre as organizações que esperam aumento de demanda, 44% se declaram “muito confiantes” de que conseguirão atendê-la — patamar acima da média global identificada no relatório.
Sustentabilidade financeira segue como principal desafio — e reforça importância da agenda de cultura de doação
A sustentabilidade financeira é apontada como o principal desafio por organizações no mundo e no Brasil. No capítulo brasileiro, 66% das ONGs selecionaram sustentabilidade financeira como uma das questões mais urgentes. O relatório também destaca que, no Brasil, há ênfase na diversidade de fontes de receita, com média de 3,9 fontes de financiamento por organização. Doadores individuais aparecem como fonte principal, reforçando a relevância de fortalecer a cultura de doação no país. O estudo também menciona o crescimento dos fundos patrimoniais como mecanismo emergente de resiliência.
Apesar dessa diversificação, o capítulo Brasil aponta riscos associados à dependência de recursos destinados a projetos específicos e à necessidade de ampliar o acesso a recursos livres, entendidos como essenciais para desenvolvimento institucional, adaptabilidade e continuidade.
Percepção pública e confiança: desafios de reputação convivem com oportunidades de fortalecimento
O relatório mostra uma percepção polarizada sobre a saúde do setor no país. Parte das lideranças reconhece avanços em parcerias e comunicação do impacto; outra parte aponta entraves como baixo reconhecimento público, associação do setor a narrativas de corrupção e concentração de investimentos em poucas organizações. Nesse contexto, o estudo aponta profissionalização, transparência, melhor comunicação e uso de tecnologia como caminhos para fortalecer a confiança de doadores e parceiros para ampliar a legitimidade pública.
Pessoas e cultura: retenção de talentos e bem-estar no centro da resiliência
A pesquisa também sinaliza que pessoas e cultura permanecem como dimensão desafiadora para a resiliência organizacional, com dificuldades relacionadas a recrutamento, retenção e bem-estar das equipes. Ao mesmo tempo, lideranças relatam forte capacidade de aprendizado, perspectiva de evolução e destacam que fortalecer equipes qualificadas e engajadas é decisivo para sustentar a expansão de impacto.
ONGs e poder público: parceria reconhecida, com espaço para maior participação nas decisões
O capítulo Brasil registra que as ONGs são reconhecidas como parceiras estratégicas na implementação de políticas públicas e vetores de inovação, além de exercerem papel de representação da sociedade civil. Entretanto, o relatório indica que ainda há espaço para ampliar participação e representação das ONGs nos processos decisórios, especialmente em debates estruturantes do país.
Sobre a pesquisa e metodologia
O Panorama das ONGs: capítulo Brasil integra a pesquisa do World Giving Report: Charity Insights, conduzida entre março e junho de 2025 por meio de questionário online. Globalmente, participaram 3.115 organizações em 27 países; no Brasil, o capítulo teve a participação de 170 ONGs respondentes.
O IDIS anunciou as organizações selecionadas que participarão da formação aprofundada do programa IA.3 Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, iniciativa realizada com o suporte do Google.org e apoio técnico do Canal SabIAr.
As organizações escolhidas foram distribuídas em duas turmas, com início em anos distintos, para fins de avaliação e monitoramento dos resultados do projeto. A formação da Turma 1 começará no dia 25 de fevereiro de 2026, com carga horária total de 30 horas ao longo de quatro meses, combinando atividades síncronas e assíncronas. A segunda turma está prevista para começar em fevereiro de 2027.
Ao longo de janeiro e fevereiro, as equipes indicadas receberão comunicações com orientações detalhadas sobre o acesso à plataforma de aprendizagem e às ferramentas de inteligência artificial que serão usadas ao decorrer do programa.
Todos os inscritos foram comunicados sobre o resultado por e-mail. As organizações selecionadas devem confirmar sua participação até o dia 27 de janeiro de 2026. O não cumprimento do prazo implicará a exclusão do programa. Em caso de dúvidas, o contato pode ser feito pelo e-mail ia.3@idis.org.br.
O IA.3 tem como objetivo fortalecer as capacidades institucionais do terceiro setor por meio do uso estratégico e responsável da inteligência artificial, ampliando o potencial de impacto das organizações participantes.
O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor
O IA.3 foi criado com o objetivo de capacitar ONGs com atuação no Brasil no uso da IA, oferecendo condições para que elas incorporem essa tecnologia de maneira consciente e estratégica.
Ao democratizar o acesso à Inteligência Artificial, o IDIS não apenas responde a uma demanda emergente, mas reafirma sua crença de que a inovação deve ser inclusiva, acessível e consciente de seus impactos múltiplos, desde a forma como consome energia até a maneira como pode reproduzir ou corrigir desigualdades sociais.
Estruturado em uma jornada de capacitação de múltiplas etapas, que inclui desde conteúdos básicos, até encontros presenciais e mentorias individualizadas. A primeira etapa do projeto foi um Webinar formativo, gratuito, realizado em 22 de outubro e que reuniu inúmeras organizações de todo o país. Foram mais de 2500 inscrições para participação, representando cerca de 1,6 mil diferentes organizações da sociedade civil brasileiras.
Reveja o webinar formativo sobre inteligência artificial no Terceiro Setor!
O IA.3 incluirá, ainda, um encontro presencial em São Paulo e mentorias individualizadas para representantes de 60 organizações com melhor aproveitamento, para aprofundamento do uso de IA em suas causas, construção de soluções concretas, troca de experiências e fortalecimento de redes de colaboração.
Para democratizar o acesso ao uso da inteligência artificial, oferecendo condições para que as organizações incorporem essa tecnologia de maneira consciente e estratégica, o IDIS divulga que está aberta a chamada pública, do dia22 de outubro ao dia 17 de novembro, com inscrições prorrogadas até dia 23 de novembro, para uma formação gratuita e inédita que irá selecionar até 250 ONGs para participar de um ciclo com 30 horas, ao longo de 4 meses, combinando aulas online ao vivo, conteúdos assíncronos e atividades práticas. A formação busca aproximar a inteligência artificial da realidade das ONGs brasileiras, oferecendo ferramentas práticas para aumentar eficiência, produtividade e impacto.
Nessa Capacitação Intensiva podem se inscrever organizações do terceiro setor de todos os portes e causas, desde que sejam brasileiras, com CNPJ devidamente registrado no cadastro nacional de pessoas jurídicas e com infraestrutura mínima de acesso à internet. Além disso, é necessário que a organização possa participar da capacitação com ao menos três pessoas da equipe.
Clicando aqui, acesse o regulamento da chamada e saiba como participar.
O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor
O IA.3 foi criado com o objetivo de capacitar ONGs com atuação no Brasil no uso da IA, oferecendo condições para que elas incorporem essa tecnologia de maneira consciente e estratégica.
Ao democratizar o acesso à Inteligência Artificial, o IDIS não apenas responde a uma demanda emergente, mas reafirma sua crença de que a inovação deve ser inclusiva, acessível e consciente de seus impactos múltiplos, desde a forma como consome energia até a maneira como pode reproduzir ou corrigir desigualdades sociais.
Estruturado em uma jornada de capacitação de múltiplas etapas, que inclui desde conteúdos básicos, até encontros presenciais e mentorias individualizadas. A primeira etapa do projeto foi um Webinar formativo, gratuito, realizado em 22 de outubro e que reuniu inúmeras organizações de todo o país. Foram mais de 2500 inscrições para participação, representando cerca de 1,6 mil diferentes organizações da sociedade civil brasileiras.
O IA.3 incluirá, ainda, um encontro presencial em São Paulo e mentorias individualizadas para representantes de 60 organizações com melhor aproveitamento, para aprofundamento do uso de IA em suas causas, construção de soluções concretas, troca de experiências e fortalecimento de redes de colaboração.
A primeira atividade da jornada será o webinar formativo, no dia 22 de outubro, das 9h30 às 12h, aberto a todas as ONGs interessadas. O encontro apresentará conceitos básicos da tecnologia, ferramentas úteis e exemplos práticos de aplicação no Terceiro Setor, tornando o conteúdo acessível e aplicável no dia a dia das organizações. A participação é gratuita e ilimitada por organização, mediante inscrição.
Além do webinar, o IA.3 contará com outras etapas ao longo dos três anos de duração do programa:
Capacitação intensiva: capacitação com 30 horas, ao longo de 4 meses, combinando aulas online ao vivo, conteúdos assíncronos e atividades práticas. A primeira turma com início em 2026, a segunda em 2027. Entre os meses de outubro e novembro haverá uma chamada pública que selecionará 250 organizações.
Encontro presencial e mentorias: representantes das 30 organizações com melhor aproveitamento de cada turma de capacitação intensiva, participarão de um encontro presencial de dois dias, em São Paulo, com todas as despesas pagas, para aprofundamento do uso de IA em suas causas, construção de soluções concretas, troca de experiências e fortalecimento de redes de colaboração. Ele está previsto para acontecer no segundo semestre do ano da formação. Também serão oferecidas seis meses de mentorias individualizadas, contribuindo para que as organizações superem desafios de implementação.
Além disso, visando acompanhar a diversidade de aplicações e a contribuição do uso de novas tecnologias para organizações do Terceiro Setor, o projeto adotará uma metodologia robusta de avaliação experimental, comparando as organizações participantes da formação com organizações não participantes, que irão receber a formação em um segundo momento.
A avaliação permitirá a produção de um estudo inédito com exemplos práticos do impacto do uso da IA, com dados quantitativos e qualitativos, a ser lançado em evento com lideranças e especialistas ao final do programa.
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