O Futuro da Arrecadação de Recursos

Consciente do interesse que as organizações sem fins lucrativos possuem em ferramentas para arrecadar recursos, o centro de pesquisa da Charities Aid Foundation (CAF) monitora inovações em ferramentas neste campo. O New Media Fundraising: 21st Century Innovations é uma fonte de informação sobre rotas de financiamento disponíveis a partir de novas tecnologias.

Ainda no prefácio do documento, o CEO da CAF, John Low afirma que as ferramentas de arrecadação de recursos passam por profundas mudanças caracterizadas por inovação e diversificação desde que a filantropia foi formalizada na Inglaterra, em 1601.

Segundo ele, o horizonte de possibilidades foi ampliado ainda mais nas últimas décadas, quando novas mídias – como a Internet, a televisão digital e a telefonia celular – passaram a oferecer oportunidades de interação eletrônica e online. Como resultado, Low aponta que as organizações estão constantemente adaptando suas técnicas de obtenção de dinheiro a estas tecnologias.

De acordo com o documento, a Internet é o formato com mais potencial e alcance para arrecadação de recursos. Na Inglaterra, a CAF identificou que as doações online dobraram, passando de 3,3 milhões para 6,8 milhões de libras entre 2003 e 2004. Nos Estados Unidos, o processo é semelhante: o The Chronicle of Philanthropy, que monitora doações no país desde 1999, apontou um aumento de 37% em investimento social privado realizado pela internet em 2006.

Para aproveitar as facilidades que o meio oferece – a Internet está à disposição dos doadores 24 horas por dia –, muitas organizações sem fins lucrativos criaram seus próprios websites. Eles facilitam doações online, oferecem funcionalidades de arrecadação de recursos, recebem inscrições de novos membros e até aceitam doações por meio do cartão de crédito. O comércio virtual de produtos relacionados à filantropia também é uma tendência. O site eBay for Charity, por exemplo, conseguiu arrecadar mais de 5 milhões de libras em dois anos de funcionamento.

Leia também:   Percepção do impacto positivo das ONGs já estava aumentando antes da pandemia

O papel das redes virtuais também é apontado no estudo. Ao mesmo tempo em que oferece uma boa oportunidade de conscientização sobre o trabalho de organizações sem fins lucrativos, as comunidades virtuais reúnem interessados no assunto e oferecem um conjunto de potenciais doadores.

Iniciativas como MySpace, Facebook e Second Life já promovem atividades relacionadas à arrecadação de dinheiro para filantropia. Um novo website, chamado My Charity Page, que estreou em 2008, foi desenhado para facilitar o processo de arrecadação virtual. Ainda na Internet, o estudo revela a utilização de ferramentas de pesquisa e sites de compartilhamento de vídeos, como o Everyclick.com e o  Youtube, para a obtenção de verbas.

Grande e direcionada

Além das iniciativas desenvolvidas para o público em geral, as organizações sem fins lucrativos também criam ferramentas para a captação de recursos em grande escala de poucos indivíduos. É o interesse nos Ultra High Net Worth Individuals (UHNWIs), pessoas com ativo financeiro superior a 30 milhões de dólares. Um exemplo é o projeto The Big Give, da Reed Foundation, que fornece mais de 250 opções de investimento social individual ou familiar entre 100 mil e 10 milhões de libras.

As doações por meio de mensagens de telefone, de canais de televisão digital dedicados ao terceiro setor, de máquinas que arrecadam moedas e por meio de caixas eletrônicos também são estudados pelo documento em suas potencialidades e limitações. Leia aqui o texto completo, em inglês.