Representantes da Mott Foundation acompanham avanço do Programa Transformando Territórios em três regiões do país

13 de abril de 2026

De 24 de março a 1º de abril, representantes da Charles Stewart Mott Foundation, uma das principais fundações filantrópicas dos Estados Unidos, estiveram no Brasil a fim de conhecer e revisitar fundações comunitárias em Porto Alegre, Maceió, Valinhos, Campinas e São Paulo. A visita contou com a presença de Neal Hegarty (vice-presidente de programas), Nick Deychakiwsky (oficial de programas sênior), Gabriella Abrego (especialista em fortalecimento do espaço cívico e desenvolvimento comunitário), Jenifer Veloso (oficial de comunicação) e Daniela Gomes (oficial de programas), todos da Mott Foundation.

O programa Transformando Territórios, apoiado pela Mott Foundation e Movimento Bem Maior, atua no fomento e criação de Fundações e Institutos Comunitários (FICs) e atualmente conta com 14 participantes. Esse modelo de organização atua em um espaço geográfico delimitado, mobilizando recursos locais e fortalecendo outras organizações da sociedade civil que desenvolvem soluções para os desafios sociais, ambientais e econômicos dos próprios territórios. 

A agenda reuniu oito institutos e fundações comunitárias, com atividades realizadas em cinco cidades. Os números refletem a importância da iniciativa e ganham ainda mais relevância ao considerar o impacto direto das ações em territórios onde cada esforço contribui de forma significativa para o desenvolvimento local.

Representantes da Mott Foundation, IDIS e Fundações Gerações em Porto Alegre

Fundação Gerações: a importância da articulação local

Iniciando a viagem pela capital gaúcha, Porto Alegre, se reuniram com lideranças da Fundação Gerações, visando conhecer a estratégia da organização e ações, como a criação do Fundo Porto de Todos — primeiro fundo comunitário do estado, criado durante as enchentes na região em 2024. A visita contou com a presença do ICOM, outra FIC participante do programa, com atuação na grande Florianópolis, em Santa Catarina, estado vizinho.

Depois foi possível conhecer de perto o impacto gerado por projetos apoiados pela Fundação Gerações por meio do Fundo, como a Cooperativa de Produtos Orgânicos Pão da Terra, iniciativa que reúne famílias associadas e atua na produção agroecológica de hortaliças, panificados, grãos e cogumelos. Também, no município de Canoas, conheceram a ONG Chimarrão da Amizade, que atua na inclusão social de pessoas com deficiência intelectual e das famílias, além de encontros com filantropos e representantes do ecossistema social local.

A agenda na cidade também envolveu encontros com empresas e representantes de filantropos locais a fim de compreender possibilidades de colaboração e envolvimento da comunidade do território com a fundação comunitária.  

“A Fundação Gerações é um excelente exemplo de como uma fundação ou instituto comunitário pode mobilizar a comunidade local para fortalecer a sociedade civil em um território. Após as enchentes na região, se mobilizou com atores locais, incluindo poder público, empresas e sociedade civil para responder aquela emergência. Essa articulação evidencia a importância de uma organização como a Gerações pode ter em um território”, conta Rosana Ferraiuolo, gerente do programa Transformando Territórios do IDIS.

Comitiva conhecendo a ONG Chimarrão da Amizade no municípios de Canoas

“Foi uma honra estreitar diálogos com a equipe da Mott Foundation e apresentar, na prática, como a filantropia comunitária vem fortalecendo iniciativas em diferentes territórios da nossa região”, afirma Karine Ruy, diretora executiva da Fundação Gerações.

Cooperativa de Produtos Orgânicos em Eldorado do Sul em Porto Alegre

Mundaú Mundo: o protagonismo das comunidades e da articulação local

A próxima parada foi no Nordeste do Brasil, em Maceió, Alagoas. A Mundaú Mundo, FIC dedicada à capacitação, empoderamento e fortalecimento de organizações, promovendo justiça climática, cultura local e desenvolvimento econômico. Durante a visita, representantes do Instituto Comunitário de Sergipe (ICOSE) também estiveram presentes. 

A comitiva participou de agendas com projetos apoiados pela fundação, como a Cooperativa de Marisqueiras, iniciativa que apoia cerca de 40 marisqueiras na despinicagem e comercialização do sururu, na Lagoa Mundaú, contribuindo para a melhoria da renda e das condições de trabalho das participantes. A programação incluiu encontros com potenciais empresas parceiras e atuais, além de encontro com lideranças comunitárias de diversas cidades do estado, evidenciando a articulação multissetorial no estado de Alagoas, uma importante característica das FICs. 

Ainda em Maceió, especificamente no bairro do Vergel, um dos bairros com alto índice de vulnerabilidade social, os representantes puderam conhecer o laboratório de inovação em construção dentro da própria comunidade. Em fase inicial, será um espaço de acesso à tecnologia. O local contará com a disponibilização de notebooks e a oferta de cursos de informática, com o objetivo de ampliar oportunidades, fortalecer competências digitais e apoiar o desenvolvimento local por meio da inclusão tecnológica.

Mulheres da Cooperativa de marisqueiras em Maceió

“Nossa concepção para a visita foi apresentar o impacto que geramos no território por meio das diversas organizações que apoiamos diretamente. Foi uma agenda bastante estratégica, pensada para mostrar o conjunto do nosso trabalho e o alcance das iniciativas que fortalecemos. Também foi uma agenda marcada por visitas em campo, não apenas às organizações apoiadas, mas voltada a evidenciar o papel da própria Mott Foundation e a validação desse impacto no território”, afirma Carlos Jorge da Silva Santos, diretor-presidente da Mundaú Mundo.

FEAV e Instituto Cacimba: educação, cultura e empreendedorismo no interior e na capital

Saindo do Nordeste do país, foi a vez de seguir para o Sudeste, com destino ao estado de São Paulo. Iniciando em Campinas, os representantes da Mott encontraram-se com lideranças da Fundação FEAC, anteriormente uma fundação participante do programa e que hoje atua como apoiadora. 

No interior, um dos pontos centrais da visita foi o Casarão FEAV, imóvel doado pela Fundação FEAC que possibilitou a ampliação das atividades da organização na cidade vizinha. O espaço abriga cursos, capacitações e iniciativas sociais, entre elas o SOS AVC Valinhos, atualmente constituído como organização social independente. Também foi apresentado o histórico do programa JovemTEC, voltado à preparação de estudantes da rede pública para o ingresso em escolas técnicas, hoje conduzido pelo Círculo de Amigos do Patrulheiro.

Já na capital, a visita contou com uma reunião no IDIS, além da Mott, estiveram presentes representantes do apoiador do programa Transformando Territórios, Movimento Bem Maior. O último destino foi a zona leste de São Paulo. A visita ao Instituto Cacimba, da região de São Miguel Paulista, contou também com representantes do Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, outra participante do programa e parceiros do programa, como Comunitas, Instituto ACP e a Fundação Tide Setubal.

Caminhada pelo bairro União de Vila Nova (SP) em visita ao Instituto Cacimba

Em um roteiro a pé, foram visitados: Uni-Diversidade da Quebrada, espaço em que o Instituto Cacimba, junto ao Instituto Nua, desenvolve projetos voltados ao fortalecimento do bairro União de Vila Nova, com foco em educação e cultura. Entre as iniciativas, destacam-se oficinas de pintura, cursos de marketing e costura, além do “Desnegócio”, programa que fomenta o empreendedorismo local. Durante a visita, a equipe do Instituto apresentou a trajetória, detalhou a atuação dos projetos e conduziu um tour pelo espaço onde as atividades são realizadas.

Também conheceram áreas de expansão da atuação no território, como o Parque Jacuí. Ao longo do percurso, foram apresentados os planos futuros do Instituto, evidenciando os desafios ainda enfrentados no território e as perspectivas. 

 

“No Brasil, o ICOM (Instituto Comunitário da Grande Florianópolis) foi a primeira fundação comunitária, criada em 2005. Hoje já existem 14, muitas delas bem estruturadas, com bom conhecimento do território, atuação alinhada às demandas locais e capacidade de mobilizar recursos locais. O desenvolvimento dessas organizações requer um processo gradual e cuidadoso, baseado mais em apoio do que em direcionamento externo. Uma metáfora que vejo é a de soprar brasas: se soprar forte demais, apaga o fogo; se soprar pouco, ele não acende”, conta Nick Deychakiwsky, oficial de programas sênior da Mott Foundation.

 

“Nosso trabalho parte das demandas da própria comunidade. As iniciativas apresentadas mostram como o fortalecimento local, aliado a parcerias estratégicas, pode gerar oportunidades concretas de formação, renda e desenvolvimento para o território”, afirma Hermes de Sousa, diretor-presidente do Instituto Cacimba.

A visita reafirma a relevância do Programa Transformando Territórios como estratégia para o fortalecimento da filantropia comunitária no Brasil. Ao longo dos encontros, tornou-se evidente o papel central das fundações e institutos locais na mobilização de recursos locais, no engajamento de lideranças e na construção de soluções alinhadas às realidades de cada território. Para seguir assim, Transformando Territórios.