Carta de Princípios para Institutos e Fundações Comunitárias

Saiba os princípios e valores de Institutos e Fundações Comunitárias.

Fundações e Institutos Comunitários (FICs) são organizações que atuam em prol do desenvolvimento comunitário de um determinado território geográfico, seja este um bairro, cidade ou região, com visão de longo prazo e buscando o impacto social positivo para o desenvolvimento do território.

Diferente dos modelos tradicionais de assistência externa ao desenvolvimento comunitário, na qual cidadãos são vistos como beneficiários, as FICs diferenciam-se pela abordagem filantrópica horizontal na qual os cidadãos são coinvestidores e responsáveis pela transformação da própria realidade, estabelecendo uma relação de confiança, transparência e de responsabilidade mútua sobre o bem-estar da comunidade, garantindo a legitimidade das ações promovidas e a defesa dos direitos e interesses comunitários.

Devido ao caráter local de sua atuação e ao protagonismo concedido à comunidade, Institutos e Fundações Comunitárias garantem não apenas a captação e investimento junto à mais diversos territórios, mas também, como profundos conhecedores da realidade local por terem um diálogo estabelecido com a comunidade local, são geralmente as primeiras instituições a responderem às necessidades emergentes do território, direcionando o investimento dos recursos as causas (saúde, sustentabilidade, educação, etc) de maior necessidade do território.

A capacidade em oferecer respostas ágeis e assertivas aos desafios locais, reflete o importante papel desta estrutura institucional para a garantia de direitos e bem-estar social, principalmente diante da eclosão de crises econômicas, sanitárias, ambientais e humanitárias, que evidenciam cada vez mais as desigualdades sociais e a ineficácia do governo em atender a demandas comunitárias urgentes.

Neste sentido, o papel como grantmaker – ou seja, organização distribuidora de recursos – assegura a vitalidade e fortalecimento do setor social  da região, oferecendo às organizações da sociedade civil e coletivos locais tanto o suporte financeiro como também suporte técnico, permitindo a construção de capacidades dessas iniciativas sociais para que sejam capazes de atuar na linha de frente do endereçamento dos mais diversos  desafios sociais.

O sucesso do modelo dos Institutos e Fundações Comunitárias se deve à capacidade em assumir múltiplos papéis exercendo, além do papel de grantmakers e de lideranças comunitárias, a função de articuladoras, capazes de dialogar com o poder público, setor privado, e setor social, de modo a captar e potencializar investimentos na comunidade no longo prazo.

 

VALORES E PRINCÍPIOS

As FICs possuem princípios e valores que norteiam suas ações e atividades. São 9 princípios que guiam as atividades:

  • Instituições locais;

  • Provedoras de apoio institucional e técnico às organizações e iniciativas sociais locais;

  • Multitemáticas

  • Instituições juridicamente estabelecidas, perenes e com visão de longo-prazo

  • Financiadas por fontes de recursos diversas

  • Majoritariamente grantmakers

  • Representadas por membros da comunidade

  • Provedoras de serviços para doadores

 

Além disso, é importante lembrar que as fundações comunitárias  por atuarem na melhoria na qualidade de vida da sociedade e em defesa dos interesses públicos precisam ter alguns valores bem definidos para afirmar sua legitimidade, como a defesa dos valores democráticos e a transparência na comunicação e de dados para criar uma relação de confiança com a comunidade ao seu redor.

Para conhecer mais sobre esses princípios e valores das FICs, confira a Carta de Princípios – Institutos e Fundações Comunitárias.

Incentivo à Filantropia Comunitária – novos passos de uma jornada

Desde sua fundação, em 1999, a Filantropia Comunitária é um tema caro ao IDIS e considerado prioritário para a promoção de uma sociedade mais justa e igualitária. Em parceria com outras organizações e investidores sociais, temos atuado no sentido de promover um movimento de incentivo à prática no Brasil.

Neste ano, somamos a esta trajetória um novo marco – o lançamento da publicação ‘FILANTROPIA COMUNITÁRIA: Terreno fértil para o Desenvolvimento Social’, fruto de um estudo realizado com o apoio da Mott Foundation e que traz detalhes sobre o processo de mapeamento de organizações comunitárias, os resultados da pesquisa e ideias de estratégias para fortalecer o movimento no Brasil. A publicação, já disponível no site do IDIS, foi lançada no dia 31 de maio em São Paulo, na presença de Nick Deychakiwsky e Carlos Rios-Santiago, Diretores de Programas na Mott Foundation, cuja visita teve por objetivo dar continuidade ao processo de fortalecimento do tema no Brasil e de aproximar os investidores sociais do conceito de Filantropia Comunitária.

Durante sua estadia no país, Nick e Carlos visitaram organizações voltadas ao fortalecimento de comunidades locais. Acompanhados por Raquel Altemani, gerente de projetos no IDIS, os representantes da Mott Foundation tiveram a oportunidade de conhecer de perto o trabalho desempenhado pela Fundação Urbe9 (em Campinas-SP), IBEAC – Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário e Fundação ABH (ambas no município de São Paulo), ICOM – Instituto Comunitário da Grande Florianópolis (em Florianópolis) e Redes da Maré (no Rio de janeiro). Além disso, também foram realizados encontros com organizações que trabalham pelo desenvolvimento da Filantropia no país, como o GIFE, WINGS e a Rede de Filantropia para a Justiça Social.

A visita também inclui um encontro entre investidores sociais e a fundação americana. Nick descreveu o conceito de Fundações Comunitárias, apresentando o trabalho da Mott e seu interesse em implementar esse modelo de organização ao Brasil. Em seguida, Raquel Altemani comentou sobre os resultados e insights adquiridos ao longo da pesquisa de mapeamento de organizações comunitárias no Estado de São Paulo em 2018, estimulando o debate e o compartilhamento de percepções entre os investidores sociais.

Tivemos também o prazer de participar do evento Expandindo e Fortalecendo a Filantropia Comunitária no Brasil, organizado pela Rede de Filantropia para a Justiça Social. Foi um dia dedicado à troca de experiências entre fundações, institutos e organizações comunitárias, e mais um passo para a consolidação do tema no Brasil. Nessa ocasião, integramos o painel “Pesquisas e Tendências da Filantropia Comunitária no Brasil”, no qual apresentamos nossa experiência com a Mott Foundation. Além disso, pudemos aprender com a visão internacional de Jenny Hodgson, Diretora Executiva do Global Fund for Community Foundations, sobre experiências de Filantropia Comunitária ao redor do mundo, e com a perspectiva de representantes de organizações comunitárias no Brasil – como a Associação Indígena da Comunidade Kisêdjê, Caranguejo Uçá, Instituto Baixada, Rede de Bancos Comunitários da Bahia, Casa Fluminense, ICOM – e representantes de fundações e associações no Brasil comprometidas com o apoio a organizações comunitárias. Dessa forma, as iniciativas e a mobilização de atores engajados no campo da Filantropia Comunitária refletem a relevância do tema não só para a agenda do IDIS, mas para o desenvolvimento do país como um todo.