Abandonar a posição de observador e assumir o protagonismo, participar! Mais que um convite, este foi um chamado, uma convocação do Global Philanthropy Forum 2018 (GPF), realizado de 2 a 4 de Maio, em Redwood City, Califórnia, Estados Unidos. O IDIS organizou uma delegação brasileira para acompanhar o GPF, que neste ano focou na construção do capital social como forma de superar a crise de confiança global pela qual atravessamos. Na abertura do evento, Jane Wales, fundadora do Global Philanthropy Forum, recebeu Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas e fundador da Kofi Annan Foundation, organização sem fins lucrativos que tem como missão a mobilização da vontade política para superar ameaças à paz, ao desenvolvimento e aos direitos humanos. O prêmio Nobel da Paz em 2001 falou exatamente dessa falta de confiança que ele tem observado em todas as nações.

“O mundo atual está mudando rapidamente e a confiança diminui nesse processo. Precisamos restabelecer a confiança para resgatar a esperança” (Kofi Annan)
A necessidade de agir coletivamente foi destacada por Annan, que citou a colaboração entre governos, sociedade civil e setor privado como a maneira mais eficaz de se resolver problemas. O importante papel dos jovens, aliados à experiência dos mais velhos, não foi esquecido: “Acredito profundamente que ninguém é jovem demais para liderar, ou velho demais para aprender”, disse o ex-Secretário Geral da ONU.
Alguém para dar o primeiro passo – A ênfase na juventude, com suas ideias poderosas e capacidade de mudar o mundo, esteve em vários painéis e diálogos, que trataram desde direitos da mulher, saúde e pobreza, até tecnologia. Diante desses temas, surge, inevitavelmente, a necessidade de lideranças para a condução de mudanças. Em conversa com La June Montgomery Tabron, CEO da Kellog Foundation, o vice-presidente executivo de programas de juventude e engajamento do Instituto Aspen, Rajiv Vinnakota, conduziu a sessão ‘Construindo Capital Social através da Colaboração e de Soluções Comunitárias’. À frente da Kellog Foundation, La June Montgomery falou ainda sobre a importância da avaliação para medir o sucesso dos investimentos.

Fazer a diferença – Sucesso nos investimentos prevê estratégia. Dikembe Mutombo, ex-atleta da NBA e presidente da Dikembe Mutombo Foundation, enfatizou a colaboração como parte central da estratégia: “Qualquer coisa que você queira fazer na vida, você precisa entender que é necessário trabalhar em equipe”. Nascido no Congo, o ex-jogador que chegou à elite do basquete mundial como um dos melhores bloqueadores lançou o desafio: “As futuras gerações vão nos julgar – tentamos resolver os problemas e tentamos fazer a diferença?”
Escrevendo a própria história – Em uma conversa emocionante, Nicole Hockley contou o aprendizado que veio com o início do Sandy Hook Promise, organização criada em memória das 26 vítimas do tiroteio na Sandy Hook Elementary School, em 2012, nos Estados Unidos (o filho de Nicole estava entre as 20 crianças assassinadas). Ao lado de Ray Suarez, professor visitante do Amherst College e co-anfitrião do WorldAffairs, ela falou à plateia do GPF sobre a ineficácia de uma abordagem focada na política de cima para baixo. Diante dessa conclusão, a juventude mostrou que não é apenas um tema! O hoje ativista e líder estudantil David Hoog, sobrevivente de um tiroteio que deixou 17 mortos em uma escola na Flórida, em fevereiro de 2018, juntou-se à conversa através de video. Hoog enfatizou a necessidade da próxima geração ser politicamente ativa e votar: “O importante a ser percebido por esses políticos é que somos a próxima geração e escreveremos nossa própria história”.
Sobre o GPF – Em 2001, o Global Philanthropy Forum foi estabelecido como uma rede de filantropos e investidores sociais comprometidos com o avanço das causas internacionais. Através de conferências, programas e serviços, tem como objetivo informar, capacitar e melhorar a natureza estratégica do investimento social e da doação de seus membros. O GPF tem afiliadas na África, Ásia e América Latina (da qual o IDIS faz parte) e está presente em 98 países. Você pode acompanhar (em inglês) um resumo do Global Philanthropy Forum 2018 acessando os links abaixo:
VIDEO 1: https://www.philanthropyforum.org/conference/2018-gpf/videos/gpf-2018-day-1-highlights/
VIDEO 2: https://www.philanthropyforum.org/conference/2018-gpf/videos/gpf-2018-day-2-highlights/









Todas essas informações e muitas outras foram apresentadas e discutidas, recentemente, no fórum Future of Philanthropy: what role can philanthropists and foundations play in delivering on the global goals for sustainable development?’ (Futuro da Filantropia: qual o papel de filantropos e fundações no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável?). No encontro, realizado no castelo de Wilton Park, na vizinhança de Londres, lideranças da filantropia de diversos países se reuniram para discutir estratégias do setor, e uma palavra foi constante: mais! “De um modo geral, as conversas giram em torno de assumir mais riscos, colaborar mais, influenciar mais, e buscar novas saídas para o velho modelo baseado em crescimento econômico”, relata a presidente do IDIS, Paula Fabiani, convidada a traçar o perfil do investimento social privado no Brasil.
Por que os bilionários brasileiros são tão resistentes a doar? Essa é a questão levantada por um dos principais jornais do mundo, o prestigiado The Wall Street Journal, que na versão digital já tem 1,27 milhão de assinantes somente nos Estados Unidos. Ao descrever a batalha do empresário Elie Horn, o repórter Jeffrey T. Lewis, com a colaboração da jornalista Luciana Magalhães, cita o IDIS como a organização que está apoiando o filantropo brasileiro a trazer para o País um movimento inspirado no The Giving Pledge, criado por Bill Gates e Warren Buffet.
A sequência de escândalos políticos e financeiros nos últimos anos só fortaleceu a já consolidada descrença dos brasileiros nas instituições. O real impacto disso na cultura de doação do País ainda está por ser avaliado. Mas uma pesquisa realizada pela Charities Aid Foundation, instituição sediada no Reino Unido e representada no Brasil pelo IDIS, revela um cidadão generoso, que gosta de doar. Além da satisfação pessoal (51%), o brasileiro também leva em conta a causa (41%) e a crença de que todos devem ajudar a resolver problemas sociais (40%).
As causas – O apoio a organizações religiosas mostrou-se a mais popular das causas: quase metade (49%) das pessoas contribuíram para ela (o dízimo foi considerado doação pelos pesquisadores). Em seguida vem o apoio a crianças (42%) e a ajuda aos pobres (20%).











os sociais, bens compartilhados, empresas B, investimentos de impacto… Essas e outras novas expressões e conceitos chegaram ao mercado propondo uma atividade econômica mais inclusiva e sustentável. Como acontece sempre com as novidades, não se sabe se todo o conjunto veio para ficar, mas é indiscutível que as iniciativas buscam humanizar o modelo econômico atual e encontrar um caminho para que os benefícios da riqueza e do patrimônio sejam distribuídos de forma mais equilibrada. É com essas constatações e essas perguntas que o IDIS está organizando o V Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, que vai acontecer no dia 6 de outubro, em São Paulo.
A CAF (Charities Aid Foundation) fez sua estreia na Bolsa de Valores de Londres por meio de uma plataforma de varejo que emite títulos negociáveis para instituições filantrópicas e investidores interessados em criar projetos com benefícios sociais.












Desde o dia 8 de setembro está no ar uma 




