Oraganização Social Mineira Redireciona Atuação e Mostra Importância do Planejamento Estratégico

Para ampliar as chances de atingir seus objetivos, uma organização social precisa de planejamento estratégico. Ainda que essa proposição pareça óbvia, poucas entidades traçam esse tipo de plano quando começam a atuar, e depois de anos de existência, é ainda mais raro lançarem mão desse recurso. Mas foi exatamente isso o que fez a Associação Ortópolis Barroso (AOB), criada há nove anos no município mineiro de Barroso.

“Com o planejamento, ficou mais claro o nosso papel na comunidade, e a Associação, que atuava mais como executora de projetos, reforçou sua postura de articuladora dos diversos atores do município”, afirma a gerente executiva da AOB, Regina Couto.

“O planejamento é uma revisão de estratégias e ajuda a dar norte em um contexto de diversas possibilidades”, diz Adriana Deróbio, gerente de projetos do IDIS, que foi contratado pelo Instituto Holcim, principal financiador da AOB, para assessorar  na redefinição  da sua estratégia de atuação em Barroso.

Inicialmente, segundo Adriana, a Associação tinha uma atuação pulverizada. Em encontros realizados em 2012, envolvendo diversos representantes da comunidade, foram definidos cinco eixos de atuação: meio ambiente; fortalecimento institucional; trabalho e geração renda; cultura, esporte e lazer e influência em políticas públicas.

Parte dos eixos inclui temas antes já abordados, como aqueles ligados a meio ambiente e geração de trabalho e renda. A mudança foi, principalmente, na forma de atuação. “A Associação deixa de ser apenas mais um agente colocando projetos em funcionamento no município para ser também o articulador de outras iniciativas, fazendo o link entre outros atores, olhando o contexto e unindo forças”, comenta Adriana.

A Associação Ortópolis Barroso até já se autoatribuía a missão de também funcionar como articuladora, mas, como diz Regina, isso ficara apenas no papel. Assumir essa linha de ação, no entanto, não significa que a entidade vá deixar de tocar projetos próprios. No momento, por exemplo, a AOB desenvolve o Observatório Social de Barroso, um levantamento coletivo de diversos indicadores municipais. Com os dados, a organização pretende ajudar Barroso a implementar um Plano de Desenvolvimento Participativo, com o envolvimento de diversos atores municipais.

Fortalecimento
A AOB nasceu do Projeto Ortópolis, criado há dez anos pelo Instituto Holcim e baseado em  uma proposta inovadora com o objetivo de buscar alternativas para o desenvolvimento sustentável do município. Dado o grande desafio, surgiu um importante eixo de fortalecimento institucional, para conferir à Associação maior autonomia, ampliação das fontes de recursos e organização de papéis internos.

O processo de fortalecimento inclui um foco na sustentabilidade da Associação. “Esse é o primeiro ano em que a Ortópolis está fazendo captação própria, de forma estruturada e estratégica”, ressalta Adriana. A diversificação de fontes de financiamento estava no horizonte do planejamento estratégico, tanto que a AOB tem metas graduais de aumentar a captação de recursos, para reduzir a dependência em relação à Holcim. “Em 2013, nossa meta foi de arrecadar 30% do orçamento com outras fontes, proporção que deve crescer nos próximos anos”, afirma Regina.

Para saber mais sobre investimento social comunitário e o trabalho desenvolvido pelo IDIS, escreva para comunicacao@idis.org.br.

Investimento Social Desenvolve Não Só Quem Recebe, Mas Também Quem Faz

O investimento social privado (ISP) tem efeitos não só sobre os beneficiários de suas ações, mas também sobre aqueles que praticam a filantropia. Essa foi uma das conclusões a que chegaram os participantes do Encontro de Investidores Sociais de Santa Catarina, organizado pelo IDIS e pelo Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICom) em 6 de novembro, na capital catarinense. O evento foi o último das três reuniões regionais com investidores sociais programadas para 2013 – os anteriores aconteceram em Minas Gerais e Pernambuco.

“O foco do Encontro foi o investimento social privado como garantidor da liberdade do indivíduo e de sua possibilidade de autorrealização”, afirmou o gerente executivo do ICom, Anderson Giovani, em entrevista depois do evento. Ele participou da mesa “Impacto do ISP: mudando a vida das pessoas”, que também contou com a presença do gerente geral de programas da Fundação Amazonas Sustentável, Leandro Pinheiro, e foi moderada pela professora da Universidade do Estado de Santa Catarina, Paula Schommer.

Giovani também destacou a importância que o evento deu ao outro lado do investimento social privado: o daqueles que o praticam. “Falou-se do investimento social privado para além da técnica, pois ficamos sabendo também como os investidores se sentem como membros da comunidade em que atuam.”

O Encontro trouxe pessoas que “entendem que não é só doar, é preciso também se ver no outro”, disse o gerente de comunicação do IDIS, João Paulo Vergueiro. Ele citou, como exemplo, a fala do presidente da construtora Pedra Branca, Valério Gomes Neto: “É uma pessoa que se reconhece não só como empresário, mas também como investidor social comprometido.”

Gomes Neto participou da mesa “Impacto do ISP: desenvolvendo a economia”. Esteve ao lado do diretor financeiro do Instituto Vilson Groh, Leo Mauro Xavier Filho, moderada pela presidente do conselho deliberativo do ICom, Lucia Dellagnelo.

Vergueiro mencionou também a última mesa, “Diálogos do bem: motivação para fazer a diferença”, que trouxe Alice Kuerten (Instituto Guga Kuerten) e o Padre Vilson Groh. “Eles mostraram que existem pessoas que saem da lógica do investimento financeiro e investem algo ainda mais caro, que é a própria vida”, ressaltou Giovani.

Investimento comunitário
O Encontro acabou discutindo profundamente o investimento comunitário. Para Vergueiro, a existência do ICom fez com que em Florianópolis exista um “entendimento já mais estabelecido de o que é investimento social e comunitário, permitindo um debate mais profundo quanto às ações”.

Esse foi o foco, inclusive, da mesa “Impacto do ISP: fortalecendo comunidades”, que reuniu Lucia Dellagnelo e o cientista social , atualmente consultor da Agência de Desenvolvimento Ecos da Mata, Marcelo Dino Fraccaro, em conversa mediada por Marcos Kisil, diretor-presidente do IDIS. “No investimento comunitário, a comunidade lida com questões pertinentes a ela mesma, e o investimento social privado tem a oportunidade de testar novas formas de melhorar a vida das pessoas”.

O Encontro de Investidores Sociais de Santa Catarina contou com a parceria institucional da Charities Aid Foundation (CAF) e apoio financeiro da Rockefeller Foundation. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Grupo de Líderes Empresariais (LIDE) de Santa Catarina também foram parceiros do evento.

Caso você tenha interesse em nos ajudar a levar o Encontro para a sua região em 2014, entre em contato pelo e-mail comunicacao@idis.org.br.

 

 

Conversa é a Melhor Maneira de Incentivar Filantropia Entre Jovens, Aponta Pesquisa

Conversar com as crianças e os jovens é a melhor forma de engajá-los em um comportamento filantrópico, concluiu o estudo Women Give 2013, realizado pela Lilly Family School of Philanthropy, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, o diálogo é até mais eficiente do que os pais praticarem filantropia e servirem de modelo para os filhos.

relatório baseia-se num acompanhamento de 903 pessoas nos Estados Unidos, nascidas entre 1980 e 2000 (a geração chamada deMillenials), com idade média de 15,7 anos – à época em que foram entrevistadas. As conversas aconteceram em dois momentos diferentes: entre 2002 e 2003 e entre 2007 e 2008.

Uma das conclusões do levantamento é que, mantendo iguais os outros fatores, há uma forte correlação entre a conversa dos pais sobre filantropia e o engajamento dos filhos: 0,765 (quanto mais próximo de 1, maior a correlação). Quando a questão não é discutida em casa, o número cai para 0,640. O comportamento filantrópico dos pais não afeta as probabilidades.

Women Give 2013 detectou ainda que a conversa funciona tanto com filhos quanto com filhas e independe do perfil racial, da idade e da renda dos entrevistados. Ou seja, falar sobre o tema funciona sempre como o melhor incentivo.

Ao que parece, os pais já perceberam. As respostas às questões sobre comportamento filantrópico mostram que 87% dos jovens conversaram sobre ação social com seus responsáveis, nos dois períodos pesquisados. Mais uma vez, há homogeneidade entre as diversas classes sociais: 87% dos jovens de famílias de alta renda afirmaram ter falado sobre o tema com os pais, a mesma porcentagem verificada entre os de renda mais baixa e muito parecida com a dos entrevistados de renda média (89%).

Comportamento
O estudo analisou ainda o comportamento dos entrevistados em relação a atitudes filantrópicas, e os resultados foram positivos. Segundo os dados, 9 em cada 10 jovens dos Estados Unidos doaram para projetos sociais. Mais ainda: esse é um comportamento recorrente: 55% dos entrevistados afirmam ter doado tanto entre 2002 e 2003 quanto entre 2007 e 2008.

A prática é comum nos dois gêneros: entre os garotos, 87% disseram ter doado ao menos uma vez no período pesquisado, proporção semelhante ao de garotas (88%). Os números também foram bem homogêneos em relação às diversas faixas de renda. Entre os entrevistados de alta renda, 90% disseram ter feito doações nos períodos pesquisados, apenas um pouco mais que os de renda baixa (87%) e média (86%).

Por todos esses dados, o estudo traz uma conclusão bem otimista: “Os resultados significativos do Women Give 2013 demonstram ótima perspectiva para o futuro da filantropia”.

Embora no Brasil não haja estudos semelhantes, os números do Women Give 2013 oferecem boas indicativas de como as organizações sociais podem – e devem – estruturar suas estratégicas de captação de recursos. Por isso, é um importante instrumento para a filantropia e o investimento social também no nosso país.

Para conhecer mais sobre o estudo, acesse o relatório na íntegra (em inglês) aqui.

 

 

Plataforma Virtual Incentiva Transparência e Fortalece Organizações de Sociedade Civil

Dois dos principais desafios das organizações da sociedade civil (OSCs) no País são comunicar-se bem e mostrar-se idônea num ambiente com muitos escândalos envolvendo repasses suspeitos de dinheiro público ao Terceiro Setor. Para enfrentar essas dificuldades, 30 entidades de Santa Catarina, apoiadas pelo Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICom), criaram uma plataforma virtual em que as organizações inserem inúmeros dados sobre suas atividades e sua estrutura e o sistema gera automaticamente um relatório de atividades consolidado.

Trata-se do Portal Transparência, lançado em 2010. Seu objetivo é justamente facilitar a comunicação entre as OSCs e a sociedade e estimular as ONGs a aplicarem a si mesmas um rigoroso processo de transparência pública, aprimorando sua gestão.

“Havia uma questão: como mostrar que eram diferentes de outras organizações e que faziam um bom trabalho?”, lembra a coordenadora de projetos do ICom, Renata Pereira Machado, ao falar sobre as motivações da iniciativa.

A resposta não veio facilmente. Foi ainda no Fortalecer, projeto do ICom  para fortalecimento institucional das organizações, que o portal começou a ser gestado. Depois, as entidades passaram 2009 discutindo os parâmetros de funcionamento da plataforma. “Consultamos outros portais e fizemos oficinas para criar os indicadores do site”, conta Renata.

Os indicadores são coletados a partir de uma extensa lista de perguntas a que as organizações devem responder. Dividem-se em quatro eixos: identidade, gestão, resultados e parcerias. “A ideia é que as organizações repensem sua estrutura e atuação enquanto respondem ao questionário. Ele faz com que elas voltem a seus estatutos, levantem seus resultados e mobilizem vários setores internos, como diretoria e coordenadores de projetos”, explica a representante do ICom.

Quem passa pelo trabalhoso processo de inscrição ganha não só um importante instrumento de comunicação, mas também de gestão. Pela plataforma, as organizações conseguem gerar um relatório completo de atividades, inclusive com gráficos e tabelas que facilitam a visualização dos dados.

“Algumas OSCs adotaram o documento do portal como sua publicação oficial, e elas entregam os relatórios para possíveis investidores quando vão buscar recursos”, diz Renata. O site serve, assim, para criar o chamado relatório de atividades consolidado, documento exigido, por exemplo, em inscrições para prêmios ou para prestação de contas em algumas instâncias públicas.

Não é toda entidade que se dispõe a (ou que tem condições de) passar por todas as etapas. Há cerca de 200 organizações que já têm login e senha na plataforma, mas não publicaram suas informações. “Nem todas conseguem levantar dados com facilidade. A rapidez do processo depende muito da estrutura interna da entidade”, constata Renata.

Uma avaliação de impacto realizada pela Fundação Itaú Social apontou que o projeto, de fato, faz diferença. “O estudo mostrou que as organizações que participam têm maior clareza de identidade, melhores processos de governança e gestão e maior quantidade de parceiros”, declara a coordenadora do ICom.

Nacionalização
O Portal Transparência concentrou-se, nos seus dois primeiros anos, em entidades da grande Florianópolis. Isso aconteceu em parte porque o ICom, cuja sede fica na região, faz visitas in loco às organizações inscritas, para ajudá-las a se adequar aos parâmetros da plataforma. Depois desse período, foi iniciado um processo de nacionalização da iniciativa.

Se a distância impossibilita as visitas, a rede virtual apareceu como solução. “Nós criamos um curso à distância com a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), voltado para gestores de ONGs, e que tem como linha mestra os quatro eixos abordados pelo portal”, explica Renata. Além de abordar conceitos teóricos do setor, o trabalho prático é inscrever a OSC na plataforma.

O resultado é que hoje há 70 organizações cadastradas no Portal Transparência. Por participarem da plataforma, recebem o selo “Compromisso com a Transparência”. Renata ressalta que isso não significa que o ICom certifique os participantes, até porque eles são inteiramente responsáveis pelas informações que prestam. O importante é, na verdade, as OSCs terem assumido voluntariamente um compromisso de se mostrarem claramente à sociedade.

Para saber mais, visite o Portal Transparência.

Senso moral e identificação com causas

O que motiva as pessoas a doar? Foi esta pergunta que norteou a “Why we Give” (Por que doamos), mais recente pesquisa da Charities Aid Foundation (CAF), organização britânica voltada ao incentivo à doação em vários países e parceira do IDIS no Brasil. Fatores como valores pessoais e comprometimento com alguma causa aparecem no topo, mas a religião também tem lugar de destaque entre os moradores do Reino Unido.

O estudo, entrevistou 722 pessoas, e incluiu também outros temas relacionados ao investimento social privado no país. O levantamento faz parte de uma campanha maior da CAF (#whywegive) para incentivar as pessoas a compartilhar suas experiências de doação nas mídias sociais.

Na sondagem, as motivações pessoais mostraram-se os principais fatores de incentivo à doação: 97% dos entrevistados mencionaram valores pessoais, 96% citaram seu senso de moralidade ou ética e 75%, a crença em alguma causa em particular. A religião aparece em seguida, com 71%. A intenção de deixar um legado positivo serve de motivo para apenas 38%.

O estudo cita o caso de uma entrevistada, a aposentada Amy Bright, que separa 10% de sua renda – o tradicional dízimo – para sua igreja e instituições sociais cristãs. “Nossa doação é baseada na crença de que tudo o que temos pertence a Deus e que devemos retribuir tanto à Igreja quanto a quem necessita”, disse a aposentada na pesquisa.

O dízimo religioso, por sinal, parece corroborar outro resultado do estudo. Na média, os entrevistados afirmam que os mais ricos deveriam doar 15% de sua renda. Porém, analisando os dados sob a ótica de outras medições estatísticas (moda e mediana), tem-se 10% para ambas. “Isto é um alinhamento com os 10% encorajados por grupos religiosos”, afirma o relatório.

A importância da fé, segundo o documento, é confirmada por uma pesquisa anual da CAF, “que mostra que doações ligadas a religiões e crenças têm atraído a maior média de recursos doados nos últimos três anos”.

O levantamento também questionou os entrevistados sobre o que eles pensam do investimento social privado, e 61% responderam que é fundamental que os mais ricos falem sobre suas doações para ajudar a incrementar esse comportamento no Reino Unido. O resultado deu força à campanha da CAF para que as pessoas falem mais sobre seus investimentos sociais.

Além disso, o estudo identificou um comportamento aparentemente paradoxal. Apesar de 79% dos entrevistados acreditarem que as organizações da sociedade civil têm problemas financeiros, somente 40% afirmaram que vão aumentar suas doações no próximo ano. Segundo o relatório, “isto pode estar ligado a uma falta de confiança na economia do Reino Unido”.

Arrecadar mais

Como captar recursos em um ambiente como esse? Outros resultados da pesquisa indicam alguns caminhos. A maioria (72%) afirma que só doaria para organizações que demonstrassem seu impacto de maneira clara. Questionados sobre como as entidades poderiam aumentar sua arrecadação, 81% dos entrevistados citaram a demonstração do impacto das ações como um fator decisivo. Já 78% cobraram das empresas que elas apoiem mais as ONGs.

A educação também apareceu como um dos fatores capazes de elevar os recursos doados: 62% disseram que “uma cooperação crescente entre escolas e organizações da sociedade civil provavelmente aumentaria as doações” ao incutir nas crianças um comportamento solidário. Outro trabalho da CAF, “Growing up giving”, havia apontado a importância do sistema educacional no encorajamento de um comportamento filantrópico.

Questões tributárias também são importantes. Mais de três quartos dos entrevistados (77%) avaliam que, se os doadores conhecessem melhor os incentivos fiscais existentes, as doações provavelmente cresceriam. Ao mesmo tempo, 76% deles dizem que novos incentivos seriam bem-vindos.

Semelhanças com Brasil

A religião é um fator importante para doadores não só no Reino Unido, mas também no Brasil. Segundo estudo do IDIS e da Ipsos Public Affairs, as instituições religiosas aparecem como as mais beneficiadas pelos doadores brasileiros: 30% dos entrevistados disseram doar para igrejas, porcentagem semelhante àquela dos que disseram doar para pedintes de rua. Apenas 14% dos entrevistados disseram doar para organizações não governamentais.

A grande maioria dos brasileiros (84%) desconhece os mecanismos nacionais de doações dedutíveis do Imposto de Renda. Se os britânicos estiverem certos ao acreditarem que um maior conhecimento sobre incentivos fiscais poderia aumentar o volume de doações, esse é um bom caminho para as entidades do Brasil.

Setor privado é fundamental para alcance de metas sociais, diz Pnud

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) são um conjunto de oito metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015. Envolvem temas-chave como redução da pobreza, igualdade entre os sexos e universalização do ensino básico. Desde o momento em que foram firmados, há quase 15 anos, ganharam a adesão de boa parte do setor privado. E o Brasil tem tido um importante papel na articulação das empresas em torno das metas.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) – responsável capitanear a promoção dos ODM –, na assinatura da Declaração do Milênio, em 2000, já estava claro que não seria possível alcançar os Objetivos sem a participação da iniciativa privada.

No Brasil e em outros países, essa participação às vezes se dá em parcerias diretas entre órgãos da ONU e as empresas. No caso brasileiro, o Projeto ODM 2015, por exemplo, foi criado em 2011 e conta com recursos de empresas como Petrobras, Furnas e Banco do Brasil. A finalidade é municipalizar os Objetivos de Milênio, como forma de torná-los mais efetivos.

O projeto é alinhado com uma avaliação do Pnud de que, na média, o Brasil avançou nos Objetivos do Milênio, mas persistem desigualdades significativas. Por exemplo, os objetivos 5 (redução da mortalidade materna) e 7 (que inclui acesso a saneamento básico e água) apresentam resultados bastante diversos entre as regiões.

Outro tipo de parceria é a Aliança para o Desenvolvimento Local, firmada pelo Pnud e pela Fundação Vale, braço social da mineradora brasileira. A ideia é promover o desenvolvimento de municípios afetados pela indústria extrativista, e suas ações se concentram no Pará e no Maranhão.

Depois das metas

O papel fundamental do setor privado nos Objetivos do Milênio é tão reconhecido pela ONU que, no mesmo ano 2000 em que as metas foram traçadas, as Nações Unidas lançaram o Pacto Global, que busca envolver as corporações em torno de dez princípios relacionados a direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate a corrupção.

O Pacto Global é composto por redes nacionais, e o Brasil tem a quarta maior do mundo, com mais de 600 membros. Até por isso, o Pnud considera que o país é um grande influenciador das outras. Essa influência é especialmente relevante pelo fato de que é por meio do Pacto Global que o setor privado está participando da construção da agenda pós-2015, quando vencerem os Objetivos do Milênio.

A rede brasileira teve importância destacada, segundo o Pnud, no último encontro de líderes do Pacto Global, em setembro de 2013, em Nova York. Durante a conferência, foi lançada a iniciativa Arquitetos de um Mundo Melhor, que, nas palavras do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foi projetada para “conduzir e ampliar ações corporativas que, diretamente, possam fazer os objetivos das Nações Unidas avançarem”.

A relação entre as empresas e a ONU só deve aumentar no cenário pós-2015, quando será elaborada uma nova agenda de prioridades. O tema ganhou fôlego durante a Rio+20, em 2012 e, segundo o Pnud, o setor privado surge como ator e parceiro indispensável na construção do novo paradigma de desenvolvimento sustentável, que contemple, simultaneamente, aspectos econômicos, sociais e ambientais.

Estudos tentam desvendar estímulos cerebrais ligados à doação

A oxitocina é um hormônio considerado fundamental para a criação de laços familiares, como as relações maternais e maritais. Mas também está por trás de atos de doação, a ponto de se poder dizer que doar é como participar de uma “família sintética”.

É isso que mostra o professor de finanças da Texas Tech University, Russell James 3º, no texto “Brain studies and donor decision making: what do we know”, publicado na edição de inverno do periódico Advancing Philantropy, da Association of Fundraising Professionais (a associação norte-americana, canadense e mexicana de captadores de recursos, semelhante à tupiniquim ABCR).

O autor faz, no texto, um apanhado de várias pesquisas neurológicas que tentam explicar atos de caridade. Cita um estudo que usou injeções de oxitocina para mostrar que os mecanismos cerebrais por trás das conexões familiares são os mesmos ligados a atos de doação.

James 3º também menciona pesquisas segundo as quais o toque humano, seguido de um presente, aumenta a presença do oxitocina, também levando a uma maior propensão à doação. Não por acaso, apertos de mão, abraços e prêmios para doadores são técnicas muito usadas em eventos de arrecadação, sugere o texto.

“De uma perspectiva neural”, compara James 3º, “a doação é menos parecida com uma transação comercial e mais semelhante a compartilhar um jantar em família”. Ele ainda sugere: “O entendimento das relações entre um doador e uma organização como uma ‘família sintética’ pode indicar estratégias de captação”.

Nas doações via legado, ou seja, deixadas em testamento, imagens do cérebro feitas por ressonância magnética funcional indicam que o critério de escolha da organização beneficiada não costuma ser a eficiência, mas sim o quanto ela está relacionada com a história de vida do doador. Segundo o professor, esse tipo de ato é “como escrever o capítulo final de sua biografia”.

Outros estudos com imagens cerebrais apontam, no entanto, que deixar os recursos para amigos e familiares ativa mais fortemente áreas do cérebro relacionadas a memórias e emoções do que doar em testamento para organizações. Consequentemente, este último tipo é mais raro. James 3º vê nisso outra oportunidade de captação de recursos.

“Quando uma entidade consegue ligar sua causa a algum amigo ou familiar do doador, há um aumento substancial na possibilidade de receber uma doação via legado”, escreve. Pessoas com casos de câncer na família, por exemplo, seriam mais suscetíveis a deixar recursos para organizações que lidem com esse tema.

Outras descobertas

A primeira pesquisa a usar técnicas de análise cerebral para explicar comportamentos donativos foi publicada no Brasil em 2006, segundo James 3º, e mostrou que a decisão de doar ativava áreas de “recompensa” do cérebro. Mais ainda, indicou similaridades neurológicas entre os atos de dar e de receber dinheiro. “Da perspectiva da felicidade neural instantânea, doar pode ser na verdade uma grande aquisição para o doador”, afirma James, referindo-se ao prazer gerado pelo ato.

Um trabalho do Instituto de Tecnologia da Califórnia sugeriu que, embora o sentimento de realização seja o mesmo, tal sensação tem origens diferentes em cada caso. A doação ativa duas partes do cérebro: uma usada quando se toma a perspectiva de um terceiro pessoa, e a outra relacionada à capacidade de empatia. De certa forma, isso explicaria, segundo o autor, um efeito chamado de “vítima identificável”. “As pessoas tendem consistentemente a doar para beneficiar uma só e identificável vítima do que para milhares de pessoas.”

Há indícios, ainda, de que a doação mobiliza partes do cérebro relacionadas a ligações e reconhecimentos sociais. Até por isso, cientistas japoneses mostraram que os indivíduos sentem-se mais recompensados quando doam publicamente. “A caridade pode ser recompensadora, mas é mais ainda quando outras pessoas percebem o que você está fazendo”, resume James 3º.

Por fim, o professor afirma, após sintetizar uma série de pesquisas, que as novas técnicas de análises cerebrais podem ajudar arrecadadores de recursos. “Em vez de remover a ‘arte’ da captação de recursos, os achados científicos parecem reforçar a importância do lado mais humano das nossas interações”, diz James 3º, que conclui: “No fim, a ciência cerebral parece nos mostrar que a arrecadação é, acima de tudo, uma questão do coração”.

Fundação Stickel encerra parcerias: aprendendo com o fracasso

Em artigo, Fernando Stickel, Diretor-Executivo da Fundação Stickel, compartilha experiências e analisa os fatores que levaram ao insucesso duas importantes parcerias da Fundação. O cenário atual, marcado por grandes mudanças, incertezas e sociedades cada vez mais complexas, exige que revisitemos não apenas fórmulas e histórias de sucesso, mas que também busquemos o conhecimento gerado através de situações de fracasso.

Por Fernando Stickel*

A Fundação Stickel  recentemente encerrou parceria com a Casa de Cultura da Brasilândia, equipamento da Prefeitura de São Paulo sob a gerência da Subprefeitura Freguesia-Brasilândia. No mesmo ano de 2012 também encerramos parceria com a Paróquia São José Operário da Igreja Católica, igualmente localizada na Região Episcopal Brasilândia. O fato de encerrar duas parcerias no mesmo ano, o que ocorreu sem a vontade da Fundação, gera a necessidade de uma reflexão, uma vez que todos os projetos desenvolvidos, em ambos os locais, foram de boa qualidade e atenderam à comunidade local. Assim, torna-se inevitável perguntar por que essas parcerias não deram certo. Quais as razões deste aparente fracasso? Onde erramos?

Ao rever todos os documentos relativos a essas parcerias, e recapitular todos os fatos que ocorreram durante o tempo de desenvolvimento dos projetos, concluímos que:

  1. Demos pouca importância em estabelecer um claro documento de parceria que envolvesse as reais autoridades da Subprefeitura e da Igreja Católica. As pessoas que firmaram as parcerias não tinham poder formal para fazê-lo. Assim, qualquer dúvida ou situação criada não tinha responsáveis por dirimir e decidir no âmbito de suas organizações;
  2. Durante o período da parceria, não conseguimos promover um diálogo com lideranças da comunidade que poderiam tomar o projeto desenvolvido como um projeto de seu interesse. A comunidade, por meio de seus líderes naturais, não participou da parceria, e o que é pior, participou da rejeição da presença da Fundação na comunidade;
  3. Em relação à Casa de Cultura, o processo foi similar, pois o convite para que a Fundação operasse lá os seus projetos não partiu de uma liderança local legítima, nem mesmo de um profissional graduado da hierarquia municipal. Como consequência, a Fundação acabou por aceitar uma posição de parceria informal, sem a garantia de contrato, realizando cursos e exposições com pouco interesse da comunidade local. Crises se sucederam, culminando com atitude francamente agressiva por parte dos funcionários públicos alocados na Casa de Cultura, que se colocaram contrários às atividades da Fundação. Isso acabou por gerar níveis de desconforto de tal ordem que a Fundação se viu obrigada a encerrar suas atividades.

Em resumo, aprendemos que a nossa principal falha foi uma total ausência de interlocução, durante o período de parcerias, com uma liderança forte, representativa da comunidade atendida, bem como da instituição parceira. A ausência dessa interlocução em alto nível acabou por minar a legitimidade do trabalho da Fundação.

Este aparente fracasso foi, na verdade, uma excelente oportunidade para a Fundação rever suas práticas de articulação com as comunidades onde atua, bem como de valorizar a importância de instrumentos formais de parcerias que deixam claro as responsabilidades de cada parceiro e as instâncias de solução de eventuais conflitos, o que consideramos natural em um projeto que busca inovar e criar condições para o desenvolvimento sustentável de nossas iniciativas comunitárias.

O desdobramento desse processo de compreensão e amadurecimento consubstanciou-se no estabelecimento de nova parceria no final de 2012, com a Fábrica de Cultura da Vila Nova Cachoeirinha, equipamento do Governo do Estado de São Paulo. Com total alinhamento entre as missões das instituições, e correspondente contrato legal assinado, esta parceria tem vocação para ser sólida e duradoura.

*Diretor-Executivo da Fundação Stickel.

 

Doação de Legado Ainda Engatinha no Brasil

Mesmo trágica, a morte ainda dá uma última oportunidade de fazer o bem: o legado – parte da herança que pode ser destinada, por meio de testamento, da forma que o indivíduo achar melhor. A prática de deixar os recursos para alguma organização da sociedade civil (OSCs) é comum em alguns países desenvolvidos, mas pouco difundida por aqui.

“Na Inglaterra, tem crescido a captação de recursos por meio do legado, já no Brasil não existem muitas experiências”, disse o gestor de captação de recursos da ActionAid, Bruno Benjamim, durante a palestra “Captação de recursos via legado: é possível?”. O debate foi organizado pela ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos durante a ONG Brasil, evento de responsabilidade social que aconteceu na Expo Center Norte, em São Paulo, entre 28 e 30 de novembro.

Apenas em 2011, a doação via legado chegou a £ 1,1 bilhão no Reino Unido, segundo a Charities Aid Foundation (CAF). A própria ActionAid, entidade britânica de combate à pobreza presente em várias nações, capta parte de seus recursos dessa maneira, segundo Benjamim. E não só na Inglaterra, mas também na Itália, Holanda e Austrália. “No Brasil, já fomos procurados por dois doadores, mas não sabemos como agir, estamos consultando nosso corpo jurídico”, disse Benjamim.

A questão no Brasil ainda é anterior ao financiamento pelo legado. “A grande dificuldade das OSCs é conseguir doadores”, afirmou o especialista em arrecadação de recursos e fundador do Instituto Doar, Marcelo Estraviz. Ele apresentou uma pirâmide de como se constrói a relação com doadores: começa com doações esporádicas e tem, no topo, a doação do legado.

O tempo, portanto, é um fator fundamental para que uma pessoa deixe a uma OSC parte de sua herança. “Depois de uma relação de cinco, dez anos, começa a se falar de legado”, disse Estraviz: “Na Espanha, assim como no Brasil, não existe uma cultura de escrever testamentos, mas eles estão fazendo campanhas para que as pessoas escrevam e deixem legados”.

Outro fator que atrai doações de herança, principalmente na área da saúde, é o envolvimento pessoal com a causa. Isso, segundo Benjamim, é o que justifica a organização britânica Cancer Research UK ter recebido, em 2011, legados num valor total de £ 148,9 milhões (mais de 500 milhões de reais). No mesmo ano, outra instituição da área de saúde também levantou cifras milionárias com legado: o British Heart Foundation recebeu £ 54,9 milhões (190 milhões de reais) . “As pessoas que doam têm alguma relação familiar com a causa, por isso, saúde leva muito”, apontou.

Toda essa fortuna, no entanto, não vem de uma postura passiva dessas organizações. “A Cancer Research UK gastou £ 7 milhões (R$ 25 mi) em campanhas”, ressaltou o representante da ActionAid.

O Brasil, com 165 mil milionários, segundo a Forbes, tem grande potencial para crescer na arrecadação de legados, na avaliação de Benjamim. Muitas Santas Casas no país receberam, durante sua história, patrimônios deixados por pessoas no testamento – o que mostra o padrão de doar para a área de saúde também tem força por aqui.

A legislação brasileira permite que se deixe para a posteridade 50% da herança – a outra metade tem de ser, obrigatoriamente, distribuída para os herdeiros que a lei determina (geralmente, filhos e cônjuges).

 

 

Solidariedade é a Principal Característica do Voluntário, Aponta Pesquisa

Levantamento realizado pelo Ibope Inteligência para a Rede Brasil Voluntário revela que 25% da população brasileira já fizeram algum tipo de serviço voluntário, sendo que 11% exercem esse tipo de atividade no momento.
O estudo permitiu conhecer o perfil dos voluntários do País e compreender o que os motiva a doar parte de seu tempo a um trabalho não remunerado. “Ser solidário e ajudar as pessoas” é a motivação mais citada, com 67%, seguida por “fazer a diferença e mudar o mundo”, com 32%,  e “motivações religiosas”, com 22%.

O grau de satisfação de quem desempenha alguma atividade voluntária é alto: 77% dos entrevistados afirmaram que estão totalmente motivados em continuar o trabalho que exercem.

A captação de recursos é uma das principais atividades realizadas no serviço voluntário. Cinquenta e cinco por cento dos entrevistados responderam que captam doações em dinheiro, roupas, brinquedos, alimentos e livros, entre outros, para organizações em que desempenham suas atividades.

Perfil do voluntário

Outra constatação da pesquisa foi que a maioria das pessoas que doa parte de seu tempo ao voluntariado trabalha – em período integral (51%) ou em meio período (14%).

A escolaridade dos voluntários foi outro item analisado na pesquisa: 38% dos entrevistados têm o Ensino Médio completo ou Superior incompleto, 20% possuem o Ensino Superior completo, 18% pararam os estudos entre a 4ª e a 7ª série do Ensino Fundamental, 16% têm o Ensino Fundamental completo ou o Ensino Médio incompleto e 10% têm no máximo até a 3ª série do Ensino Fundamental.

As mulheres realizam mais serviços voluntários do que os homens – 53% e 47%,  respectivamente. A classe C é a que mais se dedica ao trabalho voluntário (43%), seguida das classes AB, com 40%, e das classes DE, com 17%.

A primeira fase da pesquisa, realizada em junho de 2011,  consistia em conhecer a participação da população brasileira em ações de voluntariado. Foram ouvidas 2.002 pessoas. Já a segunda etapa do estudo, feita em novembro de 2011, traçou o perfil dos voluntários brasileiros. Nessa etapa, foram entrevistadas 1.550 pessoas maiores de 16 anos que realizam algum tipo de serviço voluntário.

Para acessar o estudo, clique aqui.

A Rede Brasil Voluntário, criada pelos centros de voluntariado de Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, tem como objetivo reconhecer e expandir o voluntariado no Brasil. Ela apoia cerca de 50 centros de voluntários e incentiva a criação de movimentos organizados e novos centros.

 

 

CPS-FGV – Pesquisa “De Volta ao País do Futuro: Projeções, Crise Europeia e a Nova Classe Média Brasileira”

A pesquisa “De Volta ao País do Futuro: Projeções, Crise Europeia e a Nova Classe Média Brasileira”, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV), coordenada por Marcelo Neri, revela que a classe C deverá chegar a 60% em 2014. O estudo aborda a crise europeia, cenários de classes e suas desigualdades, até 2014, a felicidade futura da população mundial – e também os diferenciais de felicidade futura dos brasileiros e das brasileiras.

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Pesquisa: The New Generation of Community Foundations (A Nova Geração de Fundações Comunitárias)

Esta pesquisa, escrita Jenny Hodgson, Barry Knight e Alison Mathie, demonstra como as fundações comunitárias têm crescido nos últimos anos. O surgimento de uma nova geração de organizações da sociedade civil está ocorrendo em um contexto mais amplo no campo da solidariedade, com o aparecimento de formas híbridas de atuação. Publicado pela Global Fund for Community Foundations e pelo Coady International Institute, em março, o documento foi baseado em três fontes de pesquisa: 1) revisão da literatura sobre conceitos relacionados às fundações comunitárias e sua relação com a ampliação da chamada “economia social”; 2) observações empíricas de profissionais do setor; e 3) apresentação dos seguintes estudos de caso: Dalia Association, da Palestina; Waqfeyat al Maadi Community Foundation, do Egito; Amazon Partnerships Foundation, do Equador; Tewa – Nepal Women’s Fund, do Nepal; e Kenya Community Development Foundation, do Quênia.

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Relatório: The Value of Community Philanthropy (o Valor da Filantropia Comunitária)

Este relatório, escrito por Barry Knight, apresenta os resultados de pesquisa realizada pelas organizações americanas Aga Khan Foundation e pela Charles Stewart Mott Foundation em comunidades de Washington, Estados Unidos; Joanesburgo, na África do Sul; e Dhaka, Bangladesh. O estudo explora diferentes formas para estimular e desenvolver a filantropia comunitária como meio de contribuir para a sustentabilidade das organizações da sociedade civil. Também mostra maneiras de transformar a relação entre doadores e beneficiários para melhorar o desenvolvimento da filantropia.

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Livro “Um Dia de Captador” Mostra o Dia a Dia de Professional da Àrea

Livro de Marcelo Estraviz, lançado no Festival Latino-Americano de Captação de Recursos – FLAC 2011, reúne informações técnicas que vão ajudar no cotidiano do captador de recursos.

Livro “Um dia de captador” mostra o dia a dia do profissional da área

O presidente da Associação Brasileira de Captação de Recursos (ABCR) conta na publicação como o profissional da área busca parcerias e financiadores para sua organização. Além de narrar sua rotina, o autor oferece pílulas com informações teóricas e práticas para os captadores de recursos. Segundo ele, “a ideia é que as pessoas se identifiquem com essas questões do cotidiano, para colocarem em ação as sugestões”

Buscar parceiros, participar de eventos de arrecadação e fazer convênios com governos são alguns dos temas tratados no livro. Estraviz descreve as rotinas do captador no contexto da realidade brasileira. “Retratei um dia comum desse profissional em período de campanha de captação para sua entidade. No meio dessa trajetória, separei algumas pílulas muito úteis para o leitor”.

O livro também retrata dificuldades e curiosidades na atividade do captador de recursos. “Uma coisa muito curiosa no cotidiano do captador, é a solidão”, afirma Estraviz. “Às vezes o captador está em uma organização, mas não fala a mesma língua da entidade. Uma parte do livro se dedica a isso, sobre ele se sentir identificado com outras pessoas e captadores.”

Sobre o autor
Empreendedor social, palestrante e escritor. É presidente da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) e da associação de ex-alunos do Colégio Miguel de Cervantes; conselheiro da ONGs Trópis e Descentro; e embaixador da iniciativa The Hub no Brasil. É coautor do livro “Captação de diferentes recursos para organizações da sociedade civil”. Atua na área governamental, ocupando posições de direção em instituições e projetos ligados à Prefeitura de São Paulo, ao Governo do Estado de São Paulo e à União Europeia.

Serviço
Um dia de captador
Preço: R$39,90
Para comprar, clique aqui

 

 

Comunicação: Visibilidade e Captação de Recursos Para Projetos Sociais

Publicação de Marcio Zeppelini foi lançada no Festival Latino-Americano de Captação de Recursos – FLAC 2011. O livro reúne matérias e artigos ligados à comunicação e ao marketing voltados para a área social.

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O livro de Marcio Zeppelini e demais autores convidados, como Ader Assis Jr. e Rodrigo Alvarez, desenvolvido pela Zeppelini Editorial e coeditado em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas- SEBRAE, acaba de ser lançado em um dos maiores eventos de captação de recursos da América Latina, o FLAC 2011.

Os textos que estão na obra foram publicados na Revista Filantropia, especializada em  terceiro setor. São artigos de diversos autores que foram revisados e atualizados e divididos em cinco capítulos, apresentando informações sobre ferramentas de marketing que podem ser utilizadas para promover um projeto social de forma eficiente.

O objetivo do livro é proporcionar aos leitores estratégias de gestão da comunicação que possam incrementar as ações das instituições sociais, levando-as a profissionalização, cada vez mais presente no setor.

“A comunicação foi, é e sempre será o melhor meio de dar visibilidade e credibilidade a um projeto social e, consequentemente, isso contribui para a captação de recursos. É por essa razão que esta publicação traz matérias que já foram veiculadas na Revista Filantropia, ao longo de sua existência, sobre o valor e a atuação da comunicação no terceiro setor. Afinal, como nosso Chacrinha eternizou: “Quem não comunica, se trumbica”’ –  Afirma, Marcio Zeppelini, no texto de apresentação do livro.

A tiragem inicial foi de 3 mil exemplares. Destes, mil exemplares serão distribuídos pelo SEBRAE para bibliotecas de escolas de todo o País, o restante será colocado a venda nas livrarias.

Sobre o autor
Marcio Zeppelini é produtor editorial, jornalista e empreendedor, é editor da Revista Filantropia, diretor executivo da Zeppelini Editorial, diretor da Diálogo Social Treinamentos e apresentador e diretor de Jornalismo da rádio Tom Social. É também palestrante e consultor em comunicação e marketing para o Terceiro Setor e conselheiro da Associação Brasileira de Editores Científicos (Abec).

Serviço
Comunicação: Visibilidade e Captação de Recursos para Projetos Sociais
206 páginas
Preço: R$ 39
Onde comprar: www.zeppelini.com.br

 

 

Guia de Doações do Council on Foundations Tem Versões Impressa e Online

Site do Council on Foundations (COF) disponibiliza ferramenta on-line para orientar financiadores a partir de conteúdos do livro Grantmaking Basics – A Field Guide for Funders, de Barbara D. Kibbe, Fred Setterberg e Colburn S. Wilbur.

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Publicado em conjunto pela Council on Foundations e pela David and Lucile Packard Foudation, o livro é resultado de diversas experiências na área de grantmaking (doações) e dirigido a todo perfil de financiadores, sejam eles de uma comunidade, família, empresa, fundação ou do setor público.

Barbara Kibbe é diretora da David and Lucile Packard Foundation, Fred Setterberg é escritor de livros sobre temáticas do terceiro setor e Colburn S. Wilbur é administrador, ex-presidente e CEO da David e Lucile Packard Foundation.

A base para a produção do livro foram inúmeras entrevistas com profissionais que atuam na área de grantmaking e financiadores seniores americanos. A proposta da publicação é engajar, estimular, provocar e ajudar as pessoas na tarefa cotidiana para fazer do mundo um lugar melhor.

A obra aborda tópicos importantes para o financiador, como o papel e deveres do doador, o que constitui o sucesso no setor filantrópico, formas de monitoramento e avaliação de investimentos, convocação e concessão de doações, além de estratégias e tipos de doação.

Escrito em linguagem acessível para iniciantes, o livro é tanto uma ferramenta como um guia de referência cheio de boas ideias para todos aqueles que estão envolvidos no processo de doação de uma fundação, instituição e empresa. Funciona tanto como um manual para novatos na filantropia, que não tiveram treinamento ou experiência anterior, como um conjunto de recomendações úteis a profissionais experientes para o dia a dia de suas organizações.

O livro pode ser adquirido diretamente no site do COF, custando US$ para associados e US$ 65 para não membros do conselho.

Versão eletrônica – Já a página web Grantmaking Basics Online é uma ferramenta interativa de aprendizagem, que permite aos usuários avançados atualizar seus conhecimentos e aos iniciantes conhecer detalhes do processo de doação.

Este hot site do Council on Foundations é composto de 11 capítulos desenvolvidos a partir de conhecimentos práticos, contendo documentos, dicas, estudos de caso e quizzes, além de um glossário de termos técnicos e links para outros sites de referência.

Membros do COF têm duas modalidades de acesso aos conteúdos: como autodidata, pagando US$ 80, ou se inscrevendo no Mentor Program ao custo de US$ 125. Nesta última, um grantmaker experiente estará disponível para orientação e troca de experiências.

Não membros do COF podem participar do programa online mediante o pagamento de taxa única de US$ 295.

Para mais informações, www.grantmakingbasicsonline.org.

 

 

Pesquisa Aponta que 1/4 de Brasileiros doa Dinheiro para Organizações Sociais

14/9/2010 – O World Giving Index, o estudo mais abrangente já realizado sobre doação no mundo, publicado hoje pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e Charities Aid Foundation (CAF), aponta que um quarto dos brasileiros doou dinheiro para as organizações sociais no último mês. (pesquisa disponível apenas em inglês)

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O que pode o Filantropo Esperar do Governo?

O diretor-presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), Marcos Kisil, escreve sobre a relação entre o investidor social e os governos, especialmente no momento eleitoral pelo qual o Brasil passa. Ele questiona, por exemplo, o que os candidatos teriam a dizer sobre a articulação entre seus planos de governo e a participação da sociedade civil.

Em toda e qualquer sociedade democrática, o Estado em sua relação com a sociedade tem, de tempos em tempos, a mudança periódica de seus governantes. No momento pré-eleitoral que o Brasil está vivendo, seria justo perguntar aos candidatos e seus partidos de que maneira veem a filantropia ou o investimento social privado em seus planos de governo.

Seria uma indagação justa – e aparentemente singela – que permitira aos candidatos descrever como pretendem articular seus planos e metas sociais com a participação da sociedade civil, especialmente o seguimento que já assumiu sua responsabilidade individual e coletiva em favor do bem comum, por meio de doações de recursos. Infelizmente esta não é realidade que vivemos. O tema ainda não desperta o suficiente interesse de candidatos e de suas equipes que preparam seus programas de governo.

Esse descaso deve ser entendido sob diferentes perspectivas. A primeira – e mais importante – é a política. Desde a promulgação da Lei das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OCIPS), em 1999, durante o mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, no atual governo Lula, não se aprovou nenhuma legislação que fosse realmente importante para o setor filantrópico, ou mesmo para as organizações da sociedade civil (OSCs).

Essa postura revela uma posição ideológica clara sobre o papel hegemônico e protagonístico do Estado em relação às questões sociais. A isso se soma a conduta utilitária que algumas OSCs se prestam ao receber, sem licitação, recursos de órgãos federais, tornando-se instrumentos de corrupção e de escândalos que envolvem recursos públicos.

Os casos recentemente trazidos à tona pela imprensa envolvendo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) colocam todo o setor em suspeição e descrédito perante a população. Assim, progressivamente, ao contrário do que ocorre em outras democracias, corremos o perigo de assistir ao afastamento da sociedade civil do Estado. Especialmente entre os investidores sociais, que podem deixar de acreditar no Estado como parceiro de interesse estratégico para o desenvolvimento social.

Esse distanciamento pode ser evidenciado em um simples fato: no ultimo congresso do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), realizado em abril de 2010, nenhuma autoridade pública compareceu ou foi convidada a participar de qualquer debate. Embora eu não tenha acompanhado o planejamento do evento, desacredito que os organizadores desejaram deliberadamente afastar os representantes de governos. Avalio que os doadores simplesmente creem mais em seus papéis de agentes independentes do desenvolvimento do que na eventual participação em parcerias governamentais.

Numa feliz oportunidade, pude participar, em julho, do congresso promovido pelo European Foundation Centre, em Bruxelas (Bélgica). A organização é equivalente ao GIFE na Europa.  Das 28 sessões que compunham a agenda do evento, nada menos que 15 contaram com representantes de governos ou da própria Comissão Europeia, incluindo seu próprio presidente, Durão Barroso.

Por que há diferença no tratamento entre lá e cá? Ou seja, quais os motivos para a relação entre filantropos e governos serem valorizadas na Europa e desvalorizadas no Brasil? É possível que os europeus hoje reconheçam a sociedade civil como um espaço estratégico para o avanço social, o que ainda não acontece em terras brasileiras.

Filantropia como caridade 

Além da questão ideológica estatizante, convém exaltar aspectos culturais e  econômicos próprios do setor. Ainda vivemos uma cultura de doações de caráter estritamente paternalista, amadora em muitos aspectos. Ela busca satisfazer necessidades básicas do ser humano, como alimentação, vestimenta e acesso aos cuidados de saúde e à educação básica de qualidade.

Esse tipo de filantropia, com seguidores dentro da sociedade civil, tem sido promovido extensivamente por instituições ligadas a diferentes igrejas. Por representar 2/3 das doações realizadas no Brasil, a cultura da caridade é importante dentro do mundo da filantropia. É interessante reconhecer que essa prática impregna também a destinação de verbas governamentais a diferentes programas de distribuição de renda, que servem para alavancar ambições políticas e de poder de certos políticos. Essas iniciativas pouco contribuem para as transformações sociais ainda necessárias em nosso país.

É inegável que a filantropia é consequência do modelo de uma economia de mercado que visa a acumulação de riqueza. Sem ela, porém, não existe a distribuição voluntária de recursos. Com a disseminação do conceito de Responsabilidade Social Empresarial (RSE), difundiu-se também o papel das corporações em distribuir parte de seus ganhos por meio de programas sociais. A necessidade do investimento social privado resultou num grande número de novos institutos e fundações de caráter empresarial nos últimos 15 anos. Sua importância pode ser evidenciada pelo simples fato de que hoje representam a maioria dos associados do GIFE.

Durante a última crise econômica mundial, iniciada em setembro de 2008, vimos esse investidor social empresarial oscilou. As aplicações de recursos variaram com as circunstancias econômicas. Muitos reduziram drasticamente suas doações, sendo que alguns chegaram a interrompê-las totalmente. São nas fases de crise, porém, que mais há necessidade de recursos para garantir os direitos básicos da cidadania.

Convém lembrar que o número de fundações corporativas dotadas de fundos patrimoniais é uma raridade no contexto brasileiro. A existência de um fundo representa sempre um compromisso de longo prazo e de crença no papel do investimento privado social voluntário.

Acreditamos que todos aqueles que representam lideranças e forças vivas do setor filantrópico e do investimento social devem enxergar na atual fase de campanha eleitoral a oportunidade de participar ativamente, em mobilizar candidaturas que assumam um compromisso político com setor, exigindo tratamento compatível com a sua importância para a consolidação da democracia e dos direitos fundamentais de todo e qualquer cidadão.

 

 

Pesquisa Analisa Sustentabilidade de ONGs Associadas à ABONG

Intitulado Sustentabilidade das ONGs no Brasil: acesso a recursos privados, a pesquisa da Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais (Abong) aponta como as organizações da sociedade civil a ela filiadas estão mantendo a sua sustentabilidade. Apesar de o levantamento qualitativo ter sido feito com 19 ONGs, o estudo indica um cenário em que os recursos da cooperação internacional estão cada vez mais diminuindo. A consequência é a procura por novas fontes financeiras, como os investidores sociais corporativos, familiares e individuais. A íntegra do estudo também está disponível no endereço www.abong.org.br.

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Pesquisa Discute Situação das Fundações Comunitárias e seu Papel no Desenvolvimento Local

Com base em 50 solicitações de apoio financeiro, o Fundo Global para Fundações Comunitárias (GFCF) elaborou um relatório em que retrata a situação das fundações comunitárias no mundo. Denominado Mais do que um Primo Pobre? A Emergência de Fundações Comunitárias como um Paradigma de Desenvolvimento, a diretora-executiva do GFCF, Jenny Hodgson, e o conselheiro do Fundo, Barry Knight, refletem como o investimento social comunitário pode criar um novo paradigma de desenvolvimento local. Eles também refletem sobre a emergência de fundações comunitárias nos últimos 15 anos em países do Sul, como Brasil e África do Sul. A versão em português teve apoio do Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICom). A íntegra também está disponível no endereço http://globalfundcommunityfoundations.org/html/documents/more_than_poor_Portuguese.pdf.

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A Democracia e a Participação Como Resultado Da Mobilização Social

“A criação de uma cultura e uma ética democráticas requer a mobilização social, entendida como a convocação livre de vontades”. É com este pensamento que o filósofo colombiano José Bernardo Toro e a especialista em análise econômica, Nísia Werneck, introduzem o livro Mobilização Social – Um Modo de Construir a Democracia e a Participação.

A obra, publicada em 1996, discute o uso da mobilização social como estratégia para a construção do projeto ético já proposto na Constituição Federal do Brasil: a soberania, cidadania e a dignidade baseada nos valores pressupostos pelos direitos humanos.

O objetivo é sugerir e comentar, em pouco menos de 100 páginas, critérios e formas de conceber, planejar e executar esse tipo de convocação pública. O conteúdo, fundamentado na experiência da Fundación Social da Colômbia, divide-se em três partes:

Parte I: apresenta os conceitos básicos de mobilização social e debate o contexto ético de sua inserção e os princípios democráticos.

Parte II: ensina a estruturar e planejar uma mobilização, desde elencar os atores envolvidos à definição das estratégias e dos modelos de comunicação a serem utilizados.

Parte III: traz aspectos que o mobilizador precisa levar em conta de colocar o processo em prática, como preparação de materiais, momentos de convocação, resolução de dificuldades, sistematização e registro, entre outros.

O livro está disponível tanto para a venda quanto também pode ser baixado na íntegra no site da agência de mobilização social Aracati, de Fortaleza. A organização social procura contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de participação juvenil no Brasil.

 

 

Lester Salamon analisa o Engajamento Social na América Latina

No novo livro ‘Rethinking Corporate Social Engagement – Lessons from Latin America’ (Repensando o Engajamento Social Corporativo – Lições da América Latina, em tradução livre), o professor da Universidade Johns Hopkins (EUA), Lester Salamon, avalia criticamente o engajamento social na América Latina atualmente, na relação entre comunidades, empresas e sociedade civil.

O diretor do Centro de Estudos da Sociedade Civil do Instituto Johns Hopkins de Políticas Públicas examina as práticas de responsabilidade social de empresas em cinco países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México. Para ele, as comunidades locais e a sociedade civil são capazes de influenciar essa atuação.

Reprodução: Capa do novo livro de Lester Salamon

O livro divide-se em sete capítulos, nos quais o autor trata da profissionalização do setor, a participação, o desenvolvimento de parcerias e a penetração das companhias estrangeiras no engajamento local.

Logo na introdução, Salamon questiona se na região está surgindo a nova Aliança para o Progresso, em referência à política do governo de John Kennedy, de 1961, que visava promover o desenvolvimento econômico local por meio de apoio técnico e financeiro. A iniciativa durou 12 anos.

Disponível apenas em inglês, a obra pode ser encontrada em livrarias internacionais.

 

 

PNUD Analisa Desigualdade Social na América Latina

Novas estimativas do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ajustadas às dimensões da América Latina e Caribe, indicam que a desigualdade é ainda maior quando os países são comparados à realidade da região. O Relatório Regional sobre Desenvolvimento Humano para a América Latina e Caribe 2010 – Atuar sobre o futuro: romper com a transmissão intergeracional da desigualdade, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em julho, mostra que como as políticas públicas devem atuar para quebrar o círculo de perpetuação da pobreza que ocorre de geração para geração. A íntegra da pesquisa, com 209 páginas em espanhol, pode ser acessada no site do IDIS. O material também está disponível no site do Pnud, pelo link http://www.idhalc-actuarsobreelfuturo.org/site/informe.php.

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Fundos Patrimoniais e a Perenização da Ação Filantrópica

A diretora de Administração e Finanças da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV), Paula Fabiani, escreve sobre a relação entre fundos patrimoniais e a perpetuação das organizações da sociedade civil. Ela destaca a necessidade do aumento desse tipo de fundo no Brasil. Paula é economista, formada pela Universidade de São Paulo, com MBA na New York University, especialização em Endowment Asset Management pela London Business School e pela Universidade de Yale. Ela integra o Comitê de Governança Corporativa do Terceiro Setor do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

Fundos patrimoniais (FPs) são estruturas criadas para dar sustentabilidade financeira a uma organização sem fins lucrativos. Em sua maioria, os FPs nascem com a obrigação de preservar perpetuamente o valor doado (chamado de principal), utilizando apenas para sua manutenção e atividades os rendimentos resultantes do investimento desse fundo, de acordo com regras pré-estabelecidas, que podem estar descritas no estatuto da instituição.

Os FPs mais conhecidos são os endowments (espécie de fundo patrimonial) de grandes universidades americanas. Veja os exemplos de duas universidades norte-americanas: Harvard, em Cambridge, Massachussetts, e Yale, em New Heaven, Connecticut. Em 2009, seus fundos patrimoniais eram de, respectivamente, US$ 25 bilhões e US$ 16 bilhões – aproximadamente R$ 45,3 bilhões e R$ 29 bilhões1.

As estratégias de investimento desses patrimônios são acompanhadas com grande interesse pelo mercado financeiro internacional. Uma característica da gestão é o foco no longo prazo e a diversificação dos investimentos (aplicação em vários ativos como bolsa de valores, títulos do tesouro, fundos multimercados, entre outros) e tem apresentado resultados expressivos. Nos últimos anos dez anos, Harvard teve retorno anual de 9% e Yale, de 12% – o investimento em títulos do governo americano de curto prazo, por exemplo, rende atualmente 0,25% ao ano.

Na América Latina, em contrapartida, a maioria dos países não possui uma legislação que promova o estabelecimento de FPs. No Brasil, alguns pontos merecem destaque:

  • A legislação referente a doações não prevê benefícios fiscais para o estabelecimento de fundos patrimoniais nas organizações da sociedade civil (OSCs). Na maioria dos países da Europa e nos Estados Unidos, as doações dessa natureza e os rendimentos dos fundos não sofrem tributação.
  • O sistema bancário brasileiro não prevê a figura do Trustee – figura que administra a propriedade, neste caso o FP, em nome do beneficiário. Na Europa e EUA, os bancos podem atuar como zeladores das regras estabelecidas para os fundos patrimoniais, o que dá segurança ao doador que destina os recursos para utilização perpétua.
  • A cultura do investidor social brasileiro é mais voltada ao curto prazo, sendo pouco comum a preocupação em deixar um legado social que transcenda a geração do doador.
  • A própria definição de fundo patrimonial na legislação brasileira prejudica a ampliação do conceito. Esses recursos são tratados apenas como uma reserva técnica2, um valor suficiente para cobertura das atividades por um período curto, como um ano fiscal. Não se pensa a perpetuidade

Aprimoramento 

O aumento do número de FPs é de grande importância para o fortalecimento do terceiro setor no país. No ano de 2009, uma série de instituições do terceiro setor reduziu suas atividades devido à escassez de recursos privados em virtude da crise financeira, emergida em setembro de 2008.

A existência de um FP diminui a variabilidade das receitas de uma organização, promove o planejamento de longo prazo e fortalece a viabilidade da instituição do ponto de vista operacional3. É um veículo que garante a sustentabilidade, especialmente para as instituições cujos propósitos que requerem projetos de prazos extensos para apresentar resultados. A prática ainda pereniza a ação do investidor social privado que busca deixar um legado para a sociedade.

O Brasil precisa de novos mecanismos para resgatar a credibilidade e impulsionar seu terceiro setor. As discussões sobre o Marco Legal do Terceiro Setor devem abranger melhorias no sistema tributário e regras mais claras para o estabelecimento de FPs.

Investidores sociais e governantes que pensem estrategicamente no longo prazo devem assumir o papel de protagonistas na construção de novas estruturas que fortaleçam o papel do capital privado no processo de mudança social e ambiental do país. Cabe à sociedade civil, em especial aos investidores sociais privados e os receptores dos recursos, cobrarem do poder público um maior debate sobre o tema.

Fontes: 

1) Harvard Management Company Endowment Report 2009 e The Yale Endowment Report 2009
2) Paes, José Eduardo Sabo. Fundações, Associações e Entidades de Interesse Social. Forense, 2010
3) Swensen, David S.. Pioneering Portfolio Management – An unconventional Approach to Institutional Investment. Free Press, 2000

CO-FUNDING, UMA ESTRATÉGIA DE SINERGIA NO INVESTIMENTO SOCIAL

Em artigo, Marcos Kisil, presidente do IDIS, apresenta o co-funding, uma nova forma de contribuir para a transformação social, em que investidores sociais se unem para atuar de maneira estratégica e sinérgica.

Marcos KisilA realidade social brasileira é complexa, as demandas sociais são muitas e os recursos privados destinados a atendê-las são limitados. Diante desse cenário, a criação de parcerias sustentáveis para tornar os investimentos sociais mais eficientes é urgente. Um dos mecanismos para isso é o co-funding, uma forma de fazer de investimento social, que começa a ser adotada no Brasil, com o objetivo de aglutinar recursos e esforços, de forma inteligente, em prol de projetos comunitários.

Mecanismos

Existem três maneiras de realizar co-funding. No primeiro caso, duas ou mais organizações decidem alocar recursos em uma mesma comunidade, mas com objetivos distintos. Assim, por exemplo, uma instituição está preocupada em apoiar os idosos e a outra, as crianças. O fato de existirem dois projetos na comunidade permite uma sinergia local. Os programas podem incitar ações como valorizar a participação comunitária, o desenvolvimento da liderança local ou melhorar o relacionamento entre as organizações que estão recebendo dinheiro. Isso não quer dizer mais ou menos recursos para cada uma delas. É uma oportunidade de se travar um diálogo entre elas para desenvolver as ideias de forma complementar e gerar benefícios sociais decorrentes de oportunidades conjuntas de desenvolvimento, embora com objetivos diferentes.

O segundo tipo de co-funding acontece quando existem dois projetos com foco de atuação similar, mas com preocupações finais diferentes. Para exemplificar, podem-se imaginar duas entidades interessadas em crianças com idades entre 4 e 5 anos, sendo que uma deseja melhorar sua infraestrutura física e outra a qualidade da educação por meio da capacitação dos profissionais. Apesar de serem projetos financiados e gerenciados por grupos distintos, eles se somam no interesse da criança: um novo espaço para uma nova escola de qualidade.

O terceiro movimento ocorre quando duas organizações estão de acordo com o mesmo projeto e, portanto, juntam esforços para realizá-lo. Trata-se da mesma comunidade, do mesmo grupo etário e da mesma proposta de mudança. Nessa situação, existe uma boa simbiose entre os dois doadores. As organizações desde o início trabalham juntas para a fase de diagnóstico situacional, planejamento, desenvolvimento da proposta de trabalho, preparação de orçamento (que contempla claramente o papel de cada um no financiamento das ações), ou no todo do projeto, quando somam seus recursos.

Fruto do acaso

Em geral, quando uma dessas três situações ocorre no Brasil, ela é fruto de um processo casuístico, não planejado. Isso porque a maioria das organizações que atuam como investidores sociais tem o hábito de desenvolver seus próprios projetos – e, especialmente, se elas têm origem empresarial. É comum ver a entidade “A” financiar sua ação, conforme suas necessidades e para apoiar sua imagem institucional. O problema desse tipo de iniciativa é que é facilmente descontinuada. Quem vai querer continuar o financiamento de um programa ou projeto que está ligado à imagem de outra empresa que o apoiou financeiramente antes?

Quando duas organizações trabalham juntas, por outro lado, não existe a “propriedade” do projeto. Como decorrência, as chances de que a ideia seja sustentável e consiga obter novos financiamentos são ampliadas.

Bons exemplos

Algumas experiências de sucesso no co-funding começam a despontar no cenário nacional. O caso mais comum é quando entidades unem-se em torno de uma determinada causa. Aí, existe um conjunto de doadores que não aparecem individualmente, pois estão reunidos não para projetar seu nome ou bandeira de interesse, mas para fazer da causa objeto da sociedade.

Uma área que vem aglutinando múltiplos atores é a educação. O Movimento Todos pela Educação, por exemplo, tem o apoio do Banco Real, da Dpaschoal, da Odebrecht, da Fundação Itaú Social, da Gerdau, do Instituto Camargo Corrêa, da Fundação Bradesco e da Suzano, entre outros. O Fundo Juntos pela Educação, por sua vez, foi criado em 2004, pelo Vitae, Instituto C&A e Instituto Arcor Brasil. Nesse caso, o interessante é que o Vitae saiu da iniciativa, mas os outros dois continuaram, comprovando a sustentabilidade do projeto.

3 passos para o co-funding

Para pensar em co-funding é necessário identificar investidores sociais que estão atuando com o mesmo foco, com especificidades comuns (seja a causa, a área geográfica ou a forma de intervenção) e com o interesse genuíno em ações colaborativas e em parceria. São 3 os passos para uma ação efetiva:

1) Acordar o objectivo: é fundamental definir os propósitos do investimento. Eles devem ser amplos o suficiente para angariar apoiadores, mas específicos o suficiente para ter ações concretas. É importante que as ações estejam alinhadas e claras para o parceiros para que os resultados esperados sejam alcançados.

2) Buscar escala para cumprir os objetivos: é preciso considerar que impacto se está buscando e os fatores críticos de sucesso, avaliar a capacidade de financiamento dos parceiros e, se não for suficiente, avaliar o que pode ser feito.

3) Medir o successo: estabelecer mecanismos para mensurar o êxito da iniciativa em relação aos objetivos propostos, incluindo medidas intermediárias de processo que irão indicar se o projeto está ou não na rota correta. É importante também avaliar como se desenvolve a parceria por meio do co-funding. Os investidores devem apresentar uma posição comum em relação à entidade receptora dos recursos de ambas.
Alguns fatores críticos de sucesso são:

  • Objetivos, métodos e valores comuns e claros;
  • Honestidade em relação ao interesse dos diferentes doadores, da entidade receptora dos recursos, da comunidade a ser atendida em suas necessidades e em todo o processo decisório.
  • Tempo suficiente para acordar a logística e funcionamento da iniciativa;
  • Disponibilidade para comprometer recursos;
  • Persistência na implantação;
  • Relacionamento e fortalecimento das relações pessoais;
  • Comunicação constante e clara.

 
Tendo todos os esses processos e elementos em mente na hora de fazer co-funding, a probabilidade de provocar uma transformação social positiva nas comunidades é alta. Estão todos convidados a tentar!

 

 

Aliança por Recursos

O coordenador no Brasil da Aliança Estratégica The Resource Alliance/Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), Rodrigo Alvarez, demonstra alguns dos caminhos a serem percorridos para se aumentar a disponibilidade de recursos para o investimento social no país. No artigo, ele explica como a aliança entre a The Resource Alliance e o IDIS chega para potencializar a mudança. O especialista possui 14 anos de carreira no setor.

Como aumentar o volume de doações no Brasil e atuar estrategicamente para gerar impacto profundo e contínuo no setor social? Para tentar atender a essa demanda iminente e responder à questão, o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e a The Resource Alliance estabeleceram uma aliança no país.

Há poucas estatísticas que indiquem a quantidade de recursos que os investidores sociais brasileiros aplicam em projetos socioambientais. De acordo com o cruzamento de dados de pesquisas da Universidade John Hopkins e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), empresas e indivíduos doaram ao chamado terceiro setor R$ 7 bilhões, o que representa meros 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, a quantidade de riqueza produzida.

Na América Latina, o nível de aplicação comparado à riqueza local chega a 0,4%. No mundo, é de 0,8%. Pela sua importância no cenário econômico latino-americano e mundial, o Brasil tem alto potencial.

Se analisarmos a evolução das doações, vemos o abismo entre a quantidade de recursos aplicados por empresas e por indivíduos. Ainda segundo as mesmas fontes de dados, as empresas, em 1995, investiram R$ 1 bilhão, enquanto em 2007 o valor saltou para R$ 6 bilhões – aumento de 16% ao ano. Entre os indivíduos, manteve-se sempre no mesmo patamar: R$ 1 bilhão anual.

Uma possível explicação seria o fato de a elite brasileira, detentora em sua maioria de grupos empresariais familiares, canalizarem seus investimentos sociais pelas suas corporações. O cenário legal do país também não é muito favorável à prática: nos Estados Unidos, as heranças direcionadas a fundações familiares ou individuais não pagam imposto sobre a transmissão – se o direcionamento for parental, a taxação é de 50%. Isso talvez ajude a explicar a existência de 75 mil fundações norte-americanas, sendo apenas 3,3% delas corporativas e 90% classificadas como independentes, segundo a organização norte-americana Foundation Center.

No Brasil, o cenário é diferente:

  • De 10% a 20% do total de doações utiliza incentivo fiscal.
  • 75% das doações deduzidas do imposto de renda direcionam-se à cultura, por meio de lei de incentivo.
  • Se os indivíduos usufruíssem plenamente dos incentivos, de acordo com informações da Rceita Federal, estima-se que os recursos vindos desse público passariam de R$ 1 bilhão para R$ 3,9 bilhões por ano.

Assim como o perfil do filantropo evoluiu nas últimas duas décadas – e tende a se aprimorar ainda mais enquanto investidor social –, as organizações da sociedade civil (OSCs) precisam mudar antigas práticas e paradigmas para se perpetuar na nova realidade mundial.

Segundo Mapeamento das Fundações Privadas e Associações Sem Fins Lucrativos (Fasfil), de 2002, das 276 mil OSCs existentes no Brasil, 62% nasceram durantes os anos 90, sendo financiadas prioritariamente pelo Estado, por empresas e pela cooperação internacional.

A partir de 2000, acontece a reviravolta: as grandes empresas passam a ser cada vez mais investidoras sociais privadas, ou seja, encaram a doação como elemento estratégico para o seu negócio e se preocupam cada vez mais em planejar, avaliar impacto e focar resultados. As organizações deixam de receber meras doações e patrocínios e ingressam como parceiras e prestadoras de serviço, executoras de um planejamento pré-determinado.

Os governos, por sua vez, passaram a ser cada vez mais seletivos, exigindo capacidades e habilidades complexas dessas instituições enquanto prestadoras de serviço. A cooperação internacional dá cada vez mais sinais de que diminuirá sua atuação no país, buscando nações mais prioritárias para investimento, como as da África.

Tudo isso leva a crer que uma nova onda de desenvolvimento do terceiro setor se inicia na segunda década do século XXI e, certamente as OSCs terão que reinventar – ou começar a inventar – a forma como mobilizam os recursos para suas causas.

De olho nos fatos, o IDIS e a Resource Alliance direcionam seus esforços para colaborar com a profissionalização da captação de recursos, aliando as necessidades do investidor social às capacidades de atendimento e execução das instituições. Três temas são prioritários: capacitação das OSCs, com oferecimento de cursos de curta e longa duração; fomento ao desenvolvimento de pesquisas sistemáticas; prestação de consultorias; e produção e disseminação de conteúdo sobre o tema.

Onde avançar

Das 276 mil organizações socioambientais brasileiras, apenas 2% possuem mais de 50 funcionários e 77% não remuneram seus profissionais. A Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), por exemplo, conta com 500 associados – a maioria trabalha parcialmente na captação de recursos ou está iniciando na área.  AAssociation of Fundraising Professionals (AFP), similar norte-americana, possui cerca de 35 mil filiados.

Na questão da plataforma de intermediários, precisa-se avançar no desenvolvimento de um mercado de fornecedores de serviços para o setor social. Por exemplo, desenvolvimento de consultorias especializadas, formação de profissionais de comunicação e criação de inteligência em marketing direto para potencializar as doações são demandas urgentes e reais para se constituir um mercado ainda incipiente.

Outro ponto é atingir as pessoas em larga escala. Doadores individuais representam de 70% a 80% das doações para o terceiro setor em diversos países. No Brasil, esse montante não chega a 15%.  É possível contar pouco mais de 20 organizações brasileiras realizando campanhas de massa arrecadação de recursos. Mais uma vez, é a capacitação dos profissionais de captação que pode dar início ao fomento desse mercado.

Por esses motivos, nosso foco está em fortalecer a capacidade das instituições como estratégia prioritária e central da parceria. Acreditamos haver um tremendo potencial a ser aproveitado. E cremos que profissionais de mobilização de recursos são os agentes estratégicos capazes de fazer a diferença.

 

 

Pesquisa Analisa Grau de Avaliação dos Projetos Sociais de Empresas

Apenas 16% das empresas avaliam seus projetos sociais (de um universo de 95 mil estabelecimentos) e aquelas que o fazem, realizam com o objetivo de conhecer os resultados dos investimentos sociais, de aprimorar a gestão e de impulsionar os programas e projetos. Essas são algumas das conclusões da pesquisa Cultivando os Frutos Sociais – A Importância da Avaliação nas Ações das Empresas, conduzida pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), com apoio da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). A investigação integra a Pesquisa Ação Social das Empresas, uma série de análises sobre o comportamento do investimento social corporativo. A terceira edição aprofunda o conhecimento sobre as práticas de avaliação das empresas. A amostra baseou-se no levantamento de 2006, somada à pesquisa de campo realizada entre 2007 e 2008. A íntegra do estudo pode ser baixada do site do IDIS ou acessada no site http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/livros/2009/Livro_Cultivando_Frutos_Sociais.pdf.

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IPEA Divulga 4º Relatório de Acompanhamento dos ODMS

Em março, o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) publicou a 4ª edição do Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), em conjunto com a Presidência da República. O documento, de 182 páginas, mostra como o país tem evoluído no cumprimento das metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas. A maior parte dos dados baseia-se levantamentos de 2007 e 2008. É possível constatar, por exemplo, que o Brasil atingiu a metas de combater a doenças como Aids e malária, e está prestes a reduzir a mortalidade infantil em dois terços, além de poder conseguir acabar com a extrema pobreza. A íntegra do estudo também está disponível no site www.ipea.gov.br/sites/000/2/ftp/RelatorioODM-final.pdf.

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A Importância das Pequenas Doações em um País Grande (Tradução Livre)

Em artigo (disponível apenas em inglês), a diretora de Educação do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), Helena Monteiro, destaca o potencial das pequenas doações (individuais ou não) em um país tão grande como o Brasil. Nos últimos 20 anos, a nação tem crescido e desenvolvido mais o seu investimento social. O artigo foi originalmente publicado na revista Alliance, em março de 2010. A Alliance, em parceria com a Avina e o Instituto de Comunicación y Desarrollo (ICD), oferece assinaturas eletrônicas gratuitas para profissionais que atuam no setor na América Latina. Para mais informações e cadastro visite: http://www.alliancemagazine.org/en/content/free-electronic-subscriptions-latin-america-0.

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Marketing Social: um Caminho para o Investidor Social

A diretora de Desenvolvimento Institucional do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), Marcia Kalvon Woods, explica por que o marketing social pode ser uma ferramenta para investidores sociais alavancarem uma causa, além de colaborar para a conscientização da sociedade.

Esclarecer. Convencer. Mudar o comportamento. O marketing social é uma gestão de processos de marketing e de comunicação capaz de levar um público à adoção de novas posturas, criando ou aprimorando a consciência social sobre uma determinada causa. Não se trata apenas de utilizar a ferramenta como forma de persuasão para a venda de um produto ou de um novo modismo. Vai muito além.

Stock.xchng: Não fumeO marketing social é uma tática bastante utilizada pelos governos para mobilizar pessoas. Um exemplo é imunização de 91 milhões de pessoas no Brasil contra a gripe A. Sem campanhas de esclarecimento sobre a vacinação, propaganda em diversos meios de comunicação e divulgação em postos de saúde e junto à imprensa, certamente o Ministério da Saúde seria pouco eficaz.

Empresas e organizações da sociedade civil também fazem uso da estratégia. A Avon lançou em 2009, por meio de seu instituto, a campanha Fale Sem Medo – Não à Violência Doméstica, para divulgar a Lei Maria da Penha, de combate à violência doméstica contra as mulheres. Um problema que atinge uma em cada três mulheres no mundo, de acordo com estimativa da Anistia Internacional e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Alto Impacto 

A ferramenta é de grande utilidade junto a desafios socioambientais, cujas soluções envolvem grandes transformações. No Brasil, causas não faltam: alto índice de gravidez na adolescência (uma em cada cinco mulheres grávidas possui entre 10 e 19 anos); tabagismo (responsável pela morte de 200 mil pessoas por ano – ou 23 por hora), preservação do restante da extensão original da Mata Atlântica (5%), entre outras.

Para o investidor social, a ferramenta pode ser uma aliada no ganho de escala da causa abraçada. Mas, para isso, sua aplicação precisa ser planejada, definida, implantada e avaliada, como ocorre com o investimento social. O resultado pode variar. Portanto, é necessário ter claro o efeito desejado: informação, ação, mudança de comportamento ou modificação de valores.

No planejamento, um dos primeiros passos é segmentar o público que se pretende atingir, utilizando características sociodemográficas, psicológicas e comportamentais. Em seguida, é importante determinar o problema ou a oportunidade para a mudança de foco, definindo os objetivos. Aqui é importante agir como um “advogado do diabo”, questionando a validade do que é proposto. A mensagem possui apelo junto à sociedade ou ao público-alvo? As pessoas estão dispostas a mudar o próprio comportamento?

Também é fundamental identificar os grupos capazes de apoiar a campanha. Se o público-alvo é criança, há de se considerar os pais, por exemplo. Com base em tudo isso, deve-se definir as estratégias e os canais.

Além da comunicação 

Quando se fala da adoção de um novo comportamento, dependendo da profundidade da mudança a ser provocada, a estratégia deve ir além da comunicação. Pode ser necessário envolver uma intervenção interpessoal ou até alterar leis e promover mudanças econômicas.

Stock.xchng: Proibido beberPara citar um exemplo, pode-se pensar na “Lei Seca”, medida nacional que pune severamente quem dirige após ingerir bebidas alcoólicas. Em São Paulo, um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde apontou que o número de atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito nos hospitais estaduais paulistas foi 49,2% menor nos dois primeiros meses após entrar em vigor (em junho de 2008), quando comparado ao período imediatamente anterior. A estatística não informa com exatidão se a redução refere-se a acidentes provocados por motoristas embriagados.

A aparente mudança do comportamento foi garantida pelo aprimoramento da legislação e das fiscalizações policiais e exames de bafômetro. Isso vai bem além de inserir a mensagem “se beber não dirija” nas campanhas de comunicação de produtos alcoólicos.

Na estratégia de marketing social, é essencial elencar todos os meios necessários e disponíveis para a veiculação da mensagem, de forma que todos os custos enquadrem-se ao orçamento. Em marketing social deve-se calcular também a economia que representa a mudança do comportamento, para analisar criticamente os investimentos necessários.

Depois de implementada, a ação deve ser monitorada e avaliada. A etapa é fundamental para analisar o quanto o apelo está sendo efetivo e, se necessário, corrigir desvios.

Na atual sociedade da informação, o bombardeio de mensagens é constante e vem de todos os lados. Direcionar corretamente e atuar com parcimônia podem ser caminhos para garantir a efetividade de uma ação de marketing social. E, assim, promover a transformação social.

 

 

Mais de 90% das Organizações Avaliam Projetos, Aponta Levantamento

Pesquisa do Instituto Fonte com a Fundação Itaú Social indica que, nos últimos 5 anos, 91% das organizações brasileiras da sociedade civil que atuam com projetos sociais utilizaram a avaliação como ferramentas de análise de suas iniciativas.

O estudo A Avaliação de Programas e Projetos Sociais de ONGs no Brasil foi realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e pelo Ibope Inteligência entre os meses de julho e setembro de 2009 junto a 363 instituições.

O objetivo foi de mapear quanto e como as organizações brasileiras avaliam seus projetos e conhecer motivações, desafios e tendências no setor. A amostra abrange todas as regiões do país e seu perfil foi selecionado com base nos critérios da pesquisa Fundações e Associações Privadas sem Fins Lucrativos no Brasil (Fasfil), de 2005, e na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do governo federal.

As instituições responderam a um questionário estruturado de autopreenchimento pela Internet, dividido em dois blocos: o primeiro com perguntas gerais e o segundo com questões para as instituições que afirmaram ter feito ao menos avaliação de um projeto – formando uma base de 574 projetos analisados.

A maioria das organizações (53%) do universo pesquisado concentra-se na região Sudeste, possui até 9 colaboradores (63%) e 76% se formaram a partir de 1991. Mais da metade (58%) são apenas executores de projetos.

O estudo mostra que 80% das instituições consideram a avaliação uma ferramenta muito importante e que 96% pretendem utilizá-la para realizar análises futuras de seus projetos. No questionário, a maioria (79%) considerou que um dos atributos da avaliação é ser parte essencial do processo de planejamento estratégico, além de ajudar a melhorar a qualidade dos serviços prestados pelo projeto (77%).

Contudo, a análise dos dados indica que 33% dos pesquisados ainda usufruem do modelo apenas como uma ferramenta de promoção dos projetos – para promovê-los positivamente ou empregar os resultados para atrair financiadores e recursos.

Porém, o número não é tão distante do total de instituições que a utilizam como ferramenta estratégica: 26% procuram usar os resultados da avaliação como meio para tomar decisões e melhorar a qualidade dos serviços.

A partir de todas as informações, os analistas concluem que mesmo não sendo mais necessário advogar sobre a importância de se avaliar projetos sociais, é significativo observar que sua finalidade vai além. Quando o foco é no processo, a avaliação potencializa o compartilhamento de saberes entre toda a equipe, que, posteriormente, poderá aplicar os aprendizados em potenciais mudanças. É uma mudança de postura.

A íntegra do relatório da pesquisa está disponível nos sites do Instituto Fonte e da Fundação Itaú Social.

Fundação DD Lança Guia das Melhores Practicas de Governança Voltado para o Terceiro Setor

Em seu terceiro texto institucional no Portal do Investimento Social, a Fundação Banco do Brasil (FBB) destaca nova publicação, Guia das Melhores Práticas de Governança para Fundações e Institutos Empresariais, feito em parceria com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Divulgação: Logomarca da Fundação Banco do BrasilA expansão do investimento social privado no Brasil ampliou o número de institutos e fundações empresariais dedicados à questão. Com a parceria da Fundação Odebrecht e Instituto Camargo Corrêa, a Fundação Banco do Brasil acaba de lançar o Guia das Melhores Práticas de Governança para Fundações e Institutos Empresariais, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE).

A publicação tem o objetivo de oferecer aos dirigentes de fundações e institutos empresariais uma referência para a adoção das melhores práticas de Governança em suas organizações, consolidando as orientações do IBGC e as práticas do GIFE sobre o tema.

O Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC é uma referência para o mundo corporativo. No entanto, devido às peculiaridades do terceiro setor, tornou-se necessário um guia específico para as organizações do segmento e o guia veio para atender a essa demanda.

Reprodução: Capa do Guia de Melhores Práticas de GovernançaOs princípios básicos da Governança Corporativa, como transparência, equidade, responsabilidade corporativa e prestação de contas, podem ser aplicados no mundo corporativo e nas organizações do terceiro setor. Ainda assim, é necessário um olhar mais específico para que organizações não governamentais possam adotar as melhores práticas de Governança.

A obra destaca o crescimento da sociedade civil organizada, nas últimas décadas, o que engajou empresas no papel tanto de financiadoras como de realizadoras de investimento social  privado. Além disso, ressalta que as práticas de Governança assumiram um importante instrumento de autorregulação em todos os setores. O download do arquivo em PDF da publicação pode ser feito no portal da Fundação.

 

 

Retorno Econômico de Projetos Sociais Corporativos: Limites de Avaliação

A consultora e professora de avaliação de projetos sociais corporativos Maria Cecília Prates Rodrigues analisa o quanto pode ser frágil a metodologia de avaliar os projetos sociais corporativos sob a perspectiva do retorno financeiro, uma vez que os impactos nem sempre podem ser traduzidos em dados monetários confiáveis. Maria Cecília é autora dos livros Ação social das empresas: como avaliar resultados? (FGV, 2005) e Projetos sociais corporativos: como avaliar e tornar essa estratégia eficaz (Atlas, 2010).

Frequentemente vejo as empresas argumentarem que deveriam adotar para os seus projetos sociais a mesma lógica de avaliação utilizada em seus projetos econômicos. Essa lógica baseia-se no fluxo de caixa entre receitas e despesas.

A justificativa para o argumento estaria na objetividade do critério custo-benefício (retorno econômico) que, ao monetizar os impactos sociais, ou benefícios, do projeto e compará-los a seus custos, possibilitaria uma análise sem subjetivismos e “sem paixões”. Uma razão bem ao gosto do setor privado e dos potenciais investidores sociais.

Particularmente, não defendo essa abordagem por um motivo essencial: em projetos sociais, o uso do critério de eficiência, baseado na análise do custo-benefício, só é viável mediante a adoção de uma série de hipóteses. Evidentemente que se deve levar em consideração as experiências e o bom senso do avaliador. Mas há de se reconhecer que, por mais competente que ele seja, existem pressupostos estatisticamente “fortes” e com razoável margem de erro.

Arquivo pessoal: Maria Cecília Prates RodriguesAssim, questiono o grau de confiabilidade da estimativa do retorno econômico, devido à sequência de hipóteses que são necessárias para o seu cálculo e a possibilidade de potencialização de erros em cadeia.

Isso pode ser ilustrado com um exemplo bastante simples. Imagine um projeto de reforço escolar para adolescentes que estão no Ensino Médio de uma escola pública, com dificuldade de aprendizagem. Numa avaliação do impacto social entre o público alvo, constatou-se que, em média, os jovens participantes tinham 12% a mais de chance de ingressar na universidade em relação àqueles que não participavam.

É sempre bom lembrar que estimativas como essas já estão sujeitas a alguns erros quase impossíveis de serem tratados estatisticamente. O principal é o fato de que as características dos adolescentes que compõem o “universo do experimento” são, de antemão, distintas daquelas do “universo do controle”. E, nesse caso, não há como julgar com margem de precisão razoável até que ponto foram as características individuais e/ou familiares do conjunto dos adolescentes participantes do projeto que, na realidade, explicaram a sua entrada  na universidade – e não propriamente o projeto de reforço escolar, ao qual foi imputado efeito positivo de 12%.

Como se vê, as avaliações sociais de impacto já convivem com uma (primeira) hipótese metodologicamente “forte”: a de que se consegue controlar as diferenças do pré-projeto entre os grupos do experimento e de controle. Mas outros pressupostos ainda devem ser acrescidos para viabilizar a estimativa do retorno financeiro. Voltemos ao exemplo.

Custo-benefício

Baseado em pesquisas de âmbito nacional, a segunda hipótese trata da elevação da renda desses adolescentes que tiveram 12% a mais de chance de ingressar na universidade depois de passar pelo curso de reforço escolar. No Brasil de hoje, quem completa o Ensino Superior recebe, em média, rendimentos três vezes maior do que a pessoa que completa apenas o Ensino Médio.

Considerando que a região em que o projeto foi desenvolvido era relativamente pouco dinâmica, essa hipótese foi adaptada, supondo que o rendimento médio dos jovens com grau universitário seria duas vezes superior ao daqueles com o Ensino Médio. De antemão, não se pode esquecer também dos fatores limitadores desse pressuposto, pois o nível de escolaridade é apenas um dos aspectos que explicam os diferenciais de renda. Outros devem ser considerados, como as conjunturas local e setorial, a formação profissionalizante, as características individuais e as redes de contatos.

Para poder estimar o fluxo de caixa desse projeto social, outras duas suposições devem ser incluídas. A terceira diz respeito à trajetória do benefício: como se daria o recebimento da renda mais elevada por aqueles beneficiários do projeto que completaram a universidade? Para fins de estimativa, foi necessário admitir que isso ocorreria ao longo de toda a vida produtiva do participante, em torno de 35 anos.

Também aqui entram em cena os fatores limitadores de antes. Como garantir que aquele diferencial inicial de renda é capaz de se sustentar ao longo dos 35 anos? Sem falar que o poder de influência da ação social tende a perder força ao longo do tempo, frente a tantos outros fatores circunstanciais na vida das pessoas.

Se, por um lado, os ganhos de rendimento propiciados pelo projeto social estariam distribuídos em 35 anos, por outro, os seus custos de implantação e operacionalização ficaram concentrados na fase inicial, possivelmente nos seus primeiros dois anos. Portanto, para viabilizar a comparação entre as rendas e as despesas geradas, todos os valores foram deslocados para uma única data, de modo a estimar o Valor Presente Líquido (VLP) do projeto. Decorre daí a quarta hipótese, referente ao valor da taxa de desconto adotada (de 6% ao ano) para estimar o fluxo de caixa da ação social.

No exemplo em questão, a expectativa seria de que, ao final da análise, o VPL (ou o retorno econômico) do projeto social ficasse positivo, indicando que os benefícios gerados foram maiores do que os custos incorridos.

Se na análise o VPL ficasse negativo, a primeira medida cautelar dos especialistas seria a de rever os pressupostos adotados para a estimativa do retorno financeiro. Seria possível questionar:

  • Os impactos sociais do projeto não foram devidamente quantificados (hipótese 1)?
  • Os critérios adotados para a monetização dos impactos subestimaram os benefícios gerados (hipóteses 2 e 3)?
  • A taxa de desconto utilizada foi mais elevada do que deveria, penalizando o balanço do projeto (hipótese 4)?

Já no caso de VPL positivo, não seria também o caso de questionar se as hipóteses adotadas não foram por demais generosas, “maquiando” o fluxo final de caixa do projeto?

Diante de todo esse quadro duvidoso, pergunta-se qual a alternativa de avaliação mais adequada. Defendo que, na avaliação de projetos sociais corporativos, o critério da eficácia – baseado na avaliação de impacto ou de outros métodos de aferição dos resultados – consegue propiciar uma visão bastante abrangente sobre as mudanças provocadas junto ao público alvo.

Vale lembrar que a análise de impacto, por si só, já pressupõe procedimentos estatísticos complexos e a adoção de hipóteses “fortes” para contornar os aspectos que podem causar confusão na identificação do impacto.

No exemplo, procurei mostrar que, quando se parte para avaliar o retorno financeiro do projeto com base no critério do custo-benefício, é preciso adotar tantas outras hipóteses para viabilizar a estimativa que, ao final, a margem de erro é muito grande. A confiabilidade na estimativa torna-se tão baixa que o avaliador chega a ganhar “carta branca” para revisar a cadeia dos pressupostos. O alegado argumento da objetividade do critério, então, cai por terra.

Por isso, na avaliação da eficiência dos projetos sociais corporativos – demanda bastante legítima das empresas e dos agentes financiadores –, sugiro a adoção do critério do custo-efetividade, por ser bem mais compatível com a lógica da avaliação social. Pois, nesse caso, não há a necessidade de monetizar os resultados sociais atingidos. O que é feito é comparar os custos unitários incorridos em projetos com objetivos finais e níveis de eficácia semelhantes. A possibilidade de erro torna-se  muito menor.
Texto de exclusiva responsabilidade da autora. O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) abre espaço para a pluralidade de ideias, mas as opiniões expostas não refletem, obrigatoriamente, o pensamento da instituição e de sua equipe.

 

 

As Tecnologias Sociais e o Cenário Internacional

O presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, conta como as tecnologias sociais aplicadas no Brasil são capazes de ganhar capilaridade junto a outros países, inclusive em situações extremas, como o Haiti. O artigo faz parte da parceria entre a fundação e o Portal do Investimento Social, do IDIS.

Nos últimos 10 anos o Brasil vem se apresentando como um país que se envolve em questões globais, demonstrando interesse em oferecer apoio aos às nações que enfrentam problemas socioambientais. Essa aparição geralmente surge com a oferta de soluções que foram aplicadas aqui e que obtiveram resultados positivos no enfrentamento de entraves para o desenvolvimento, como a desigualdade social, o acesso à educação de qualidade e oportunidades de trabalho.

Divulgação: Logomarca da Fundação Banco do BrasilOs avanços no Brasil se devem a um fenômeno interessante e importante de ser observado – uma série de iniciativas feitas pelas próprias comunidades e, às vezes, com o conhecimento técnico de universidades ou outros centros de pesquisa, para beneficiar pequenos grupos de famílias, mas que se expandiram e melhoraram as condições de vida de centenas de pessoas e reforçaram as políticas públicas.

Esses projetos se tornaram cada vez mais completos e complexos, tendo em vista a necessidade de se organizarem para abarcar o grande número de mazelas sociais. Os projetos evoluíram para uma dinâmica diferente chamada Tecnologia Social, que considera que produtos, técnicas ou metodologias sejam desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social e possam ser reaplicadas em escala.

Exemplo dessa evolução de tecnologias sociais, destacamos o Banco de Tecnologias Sociais (BTS), disponível na Internet. O BTS, idealizado e mantido pela Fundação Banco do Brasil (FBB), reúne mais de 500 tecnologias sociais de diversas fontes e categorias e serve como um pólo disseminador de soluções práticas e de reaplicação fácil para toda a sociedade.

Essas tecnologias são de fácil aplicação e baixo custo, o que as tornam eficazes em cenários de extrema pobreza ou aqueles afetados por desequilíbrios ambientais. O recente episódio do Haiti reacendeu o debate sobre a forma como o Brasil pode ajudar a reconstruir aquele país e as tecnologias sociais se mostraram a forma mais adequada. Tecnologias Sociais como a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) – reaplicada em mais de 6 mil unidades, em 19 estados, pela Fundação Banco do Brasil em conjunto com diversos parceiros como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Petrobras, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e governos –  surgem nesse mesmo contexto, apresentando alternativas de segurança alimentar em um país que sofre com a falta de alimentos.

O Pais promove um sistema de produção orgânica de hortaliças, frutas e pequenos animais, tendo como pressupostos a racionalização de recursos e o manejo ecológico da terra. Toda a produção acontece sem o uso de agrotóxicos, propiciando alimentos saudáveis e livres de quaisquer interferências químicas. Já a irrigação é feita por meio de um sistema de gotejamento, o que evita o desperdício de água e possibilita a implantação do modelo inclusive em regiões com poucas reservas hídricas, como é o caso do Haiti.

Moçambicanos e salvadorenhos também já demonstraram interesse em conhecer as tecnologias sociais brasileiras. Eles querem saber o que as suas comunidades vêm fazendo para mudar suas realidades. A Fundação Banco do Brasil faz do incentivo à estas tecnologias sua contribuição para o desenvolvimento do nosso país e acredita que elas podem, sim, fazer a transformação social de milhares de pessoas.

 

 

Pesquisa Revela Situação da Educação Corporativa no Brasil

Os sistemas de educação corporativa (SEC), em geral, são recentes no Brasil, suas ações interagem com as estratégias de negócio das empresas e seu resultado desvincula-se de avaliações de desempenho e da remuneração do funcionário. Porém, ainda há potencial de crescimento na área para as práticas de educação a distância e necessidade de aumentar a conscientização e participação dos líderes locais. Esses são apenas alguns dos resultados preliminares que aponta a Pesquisa Nacional sobre Práticas e Resultados da Educação Corporativa. O estudo, de 2009, foi coordenado pela professora Marisa Éboli, do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). Na sondagem, 54 empresas responderam a um questionário estruturado. O objetivo foi de avaliar o panorama geral da educação corporativa no Brasil e identificar as práticas mais recorrentes nas organizações. A maioria das respondentes foram grandes companhias, com mais de hum mil colaboradores (70%) e faturamento acima de R$ 1 bilhão (57%). O estudo aponta que 70% dos SECs estão sob o comando de mulheres e que 40% das corporações investem entre 1% e 3% da folha de pagamento na prática. Os resultados preliminares foram apresentados durante um simpósio internacional sobre o tema, realizado na capital paulista no dia 27 de novembro de 2009. A pesquisa foi apoiada pela Eletrobrás, Grupo Santander Brasil, Itaú-Unibanco, Nestlé e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A íntegra da apresentação pode ser baixada aqui no Portal do Investimento Social.

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Depois do Impacto, a Reflexão

A partir de uma sondagem qualitativa realizada pelo IDIS durante o segundo semestre de 2009, o artigo discute o impacto da crise econômica sobre o investimento social privado.

O que uma crise econômica tem a ver com o investimento social privado? Simples: uma economia pujante proporciona mais recursos para as empresas e os indivíduos de alto poder aquisitivo investirem em ações socioambientais. Ainda não há uma projeção de quanto a instabilidade financeira mundial de 2008 e 2009 influenciou no corte desses investimentos. Uma análise, porém, é certa. A falta de solidez na economia serviu como um gatilho para as empresas refletirem sobre sua atuação.

Durante o segundo semestre de 2009, o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) realizou uma sondagem qualitativa junto às empresas e institutos. Por questão de sigilo, os nomes não são divulgados.

O objetivo do estudo foi coletar informações sobre o impacto da crise no investimento socioambiental privado. Os setores pesquisados foram varejo, agronegócio, energia, farmacêutico, indústria de papel e de celulose, além de famílias e indivíduos de alto poder aquisitivo.

As entrevistas tiveram perguntas estruturadas, que buscaram respostas em três dimensões dos investimentos socioambientais: o impacto da crise, o valor do tema para a empresa e os planos e as tendências.

As companhias, de forma geral, alegaram perda de recursos financeiros no negócio durante o período de baixa na atividade financeira. Em relação aos investimentos socioambientais, houve manutenção de seus compromissos, não ocorrendo cortes desenfreados, mas a readequação dos orçamentos frente ao cenário econômico. Uma parcela das empresas manteve os mesmos valores destinados a projetos de interesse social e ambiental, sem qualquer aumento em comparação a 2008. Os orçamentos para área em 2010 também não devem ser maiores.

Postura corporativa 

O traço mais importante detectado na pesquisa é a percepção de uma mudança de postura. As empresas investidoras decidiram fazer uma profunda avaliação de suas práticas e do foco do investimento. As análises estão previstas para 2010.

Os principais questionamentos do investidor social são os seguintes:

  • O quanto os projetos e programas apoiados estão sendo eficientes?
  • A empresa é reconhecida por suas ações?
  • Quais os reais impactos que estão sendo gerados?

O momento de crise provocou uma reflexão e estimulou o olhar mais cuidadoso.  Isso reflete tanto a maturidade do setor sobre os seus programas de investimento socioambiental quanto a sua contribuição positiva para a sociedade brasileira e as comunidades onde estão presentes.

A relação entre a cultura de sustentabilidade e a de investimento social privado é direta e a sondagem qualitativa reforça ainda mais esse entendimento. Quanto mais a primeira fizer parte dos valores corporativos, mais forte será a segunda. Além disso, propiciará melhor integração das estratégias de investimento social com as de negócio da empresa, envolvendo toda cadeia de valor e trazendo mais perenidade às iniciativas. Assim, o investimento não é visto apenas como um custo.

Os processos de gestão, muitas vezes aplicados apenas aos negócios, mais que antes passaram a integrar o universo do investimento social privado. Para o futuro, serão as ferramentas que as empresas utilizarão para realinhar o foco e medir o real impacto socioambiental do seu apoio.

Investimento de famílias  e indivíduos

Na sondagem qualitativa, o IDIS verificou que a as doações de famílias e de indivíduos de alto poder aquisitivo (mesmo com a ausência de tradição do país na área), não tiveram seus compromissos e volumes necessariamente afetados pelo humor do mercado.

Com motivações e gestão distintas do universo corporativo, os programas de investimento social de famílias e de indivíduos tendem a ter uma visão de longo prazo, se comparado o ambiente corporativo de planejamento e de orçamentos anuais com revisões trimestrais. Isso traz mais estabilidade para os programas de investimento social nesses momentos de crise.

Na outra ponto do fio

As organizações da sociedade civil, em contrapartida, sentiram o reflexo tanto da redução de recursos financeiros, quanto do aumento do rigor no planejamento, na avaliação e na sustentabilidade dos projetos.

A adoção de uma gestão qualificada e eficiente, com a diversificação das fontes de renda e de financiamento, foi o grande desafio para o setor em 2009 e é o que se espera ocorrer em 2010.

O balanço é de que empresas, investidores sociais e as organizações da sociedade civil foram afetados com a redução dos recursos – e, em alguns casos, até resultou na extinção de programas e de instituições. Apesar de tudo, o setor sai mais fortalecido, buscando mais eficiência e estratégias que tragam mais sustentabilidade para programas e projetos.

 

 

Quinze anos de Investimento Social Privado no Brasil: Conceito e Práticas em Construção

Fernando Nogueira, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e da Escola de Administração e Empresas de São Paulo (EAESP), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e a professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) Paula Schommer escrevem, em artigo acadêmico, sobre o surgimento e a construção do conceito de investimento social (ISP) privado no Brasil. Com base em pesquisa documental e bibliográfica, o ex-gerente de Relacionamento do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas discorre sobre os tipos de ISPs presentes e discute os desafios e tendências da construção do termo e das práticas na área. Os autores vêem tendência na diversificação dos modelos e a criação de redes de aprendizagem sobre o assuntos, com o envolvimento de representantes de diversos setores.

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Dez Dicas da Charities Aid Foundation para que o Investimento Social Corporativo se Perpetue

11/8/2009 – Na atual conjuntura econômica, com demissões acontecendo em todo o Reino Unido e ao redor do mundo, seria ingênuo simplesmente dizer aos investidores sociais “doe mais”. O relatório Helping Companies Helping Charities, publicado pela CAF em julho, destacou a necessidade de as instituições praticarem o investimento social sem restrições.

Reprodução: Logomarca da Charities Aid Foundation Doar eficazmente está relacionado a investir bem e, não necessariamente, mais. Existem maneiras simples que as empresas podem fazer para que o orçamento destinado para a comunidade alcance melhores resultados. Neste artigo, a CAF aponta dez dicas principais para isso ser alcançado:

 

1. Garanta que o foco do investimento social faça sentido para o negócio
Alinhar o programa comunitário com o negócio da empresa irá ajudar a garantir a promoção do impacto positivo na comunidade e também beneficiar a companhia.

2. Engaje os colaboradores por meio do programa de doação
O investimento social da empresa pode ser significativamente alavancado se for estimulada a cultura de doação dentro da corporação, ou seja, incentivar os colaboradores a se comprometerem pessoalmente com a causa por meio do voluntariado ou mesmo doações via folha de pagamento. Um exemplo de baixo custo de incentivo é fazer com que os funcionários se envolvam na escolha das organizações sociais parceiras. Isso pode ser uma iniciativa para que eles participem do programa comunitário da empresa e ajudem-na a contribuir mais para o mundo.

Veja como a Friends Provident, empresa de produtos financeiros e serviços, e a Guardian Media Group, companhia do setor da mídia, engajaram seus colaboradores no Give As You Earn, programa de doação dos funcionários que desconta o valor diretamente na folha de pagamento. Os textos estão em inglês.

3. Divulgue as organizações sociais para a cadeia de fornecedores e stakeholders
Ao compartilhar com os principais stakeholders (cadeia de abastecimento e sua rede de contato) a iniciativa de apoio da empresa, o impacto será maior e a promoção da filantropia poderá angariar o apoio de novas empresas doadoras.

“A British Telecom está empenhada em compartilhar as melhores práticas bem como trabalhar com os seus stakeholders. Realizamos eventos corporativos para ChildLine com o objetivo de compartilhar aprendizados, incluindo os benefícios para a empresa de se trabalhar com organizações sociais. Embora reconheçamos que a ChildLine é a melhor opção para falar sobre o seu serviço, quem melhor para falar com as empresas sobre as vantagens empresariais do que um parceiro de negócios? Temos apresentado a ChildLine aos novos adeptos e trabalhado de maneira participativa com os fornecedores e clientes para apoiar a ChildLine. Vemos isto como vencer, vencer, vencer, beneficiando a ChildLine, outras organizações e BT.”
Beth Courtier, presidente do Programa de Filantropia da empresa de telecomunicações do Reino Unido Bristish Telecom (BT)

4. Garanta os benefícios fiscais
Tanto nas doações corporativas (no Reino Unido ou internacionais), como na captação de recursos dos colaboradores via empresa, a empresa pode utilizar-se de leis de incentivo fiscal para criar um programa social ou destinar os valores. Isso representará mais recursos disponíveis para as organizações sociais que precisam do seu apoio e, consequentemente, mais benefícios fiscais para o doador. Veja como a empresa farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK) utiliza os benefícios fiscais em suas doações internacionais. O texto está em inglês.

5. Reduza as restrições que envolvem o dinheiro doado para as organizações sociais
Investimento social sem restrições é raro e precioso. Experimente e estabeleça acordos com as organizações sociais sobre os resultados a serem alcançados, sem restringir o uso da doação. Ou, ainda, certifique-se de que o investimento social está de acordo com o verdadeiro custo do projeto, incluindo um limite para as despesas de gestão do projeto que será apoiado, como custos operacionais e salários. Isso irá demonstrar que, trabalhando com a organização parceira, a empresa poderá ajudá-los a produzir de maneira eficaz a sua missão, utilizando os recursos de forma mais flexível, mesmo em momentos de recessão. Tudo contribuirá para aumentar o impacto global do investimento.

6. Reconheça as competências dos colaboradores de sua organização

“Nós vemos que as nossas melhores parcerias são aquelas realizadas com organizações sociais sólidas e estáveis. Naturalmente, a nossa prioridade é sobre a realização dos resultados acordados, mas nós respeitamos as habilidades de nossos parceiros para gerir essa responsabilidade como entenderem. Então nós incentivamos àqueles que apoiamos a utilizar os nossos recursos da maneira mais eficaz que eles puderem, tanto para a entrega dos resultados, quanto para manutenção e crescimento das próprias organizações.”
Matthew Sparkes, gerente de Investimento Global, Linklaters, escritório internacional de advocacia

A pesquisa da CAF mostra que as organizações sociais percebem os setores industriais de forma diferenciada em relação àquilo que têm a oferecer. Sua percepção é construída com base nos pontos fortes e eventuais correções sobre possíveis preconceitos existentes. Ao alavancar os recursos da empresa, a organização social se beneficiará da combinação de competências da companhia que vai além da contribuição em dinheiro. Alguns exemplos: experiência e know-how dos colaboradores, equipamentos de escritório, instalações para reuniões e disponibilidade das empresas para colocarem caixas de coleta de doações.

Um forte programa integrado a objetivos claros significará benefícios para o negócio e para a comunidade, tornando o impacto global do investimento significativamente maior. Veja como os colaboradores da consultoria de finanças UBS ajudaram líderes de ONGs na Índia. O texto está em inglês.

7. Considere a colaboração de outros parceiros
Contribua com instituições que possuem objetivos comunitários similares que ao da empresa – outras companhias, organizações sociais ou grupos comunitários. O esforço conjunto pode promover um impacto social ainda maior e desenvolver competências sem comprometer o resultado. A parceria entre o Banco Macquarie e a Fundação Cripplegate é um excelente exemplo de colaboração de sucesso. O texto está em inglês.

8. Invista tempo em acordos com as organizações sociais
Elaborar acordos que estabelecem a forma como o relacionamento irá funcionar. Incluir as contribuições da sua empresa, de seus colaboradores bem como da organização social. Tudo isso irá permitir que a empresa estabeleça compromissos (fixos e flexíveis) com a organização social, ajudando a administrar as expectativas de todos. O acordo ajudará a direcionar os envolvidos para objetivos comuns e garantir que os recursos da sua empresa estão sendo utilizados da melhor maneira.

9. Meça o impacto da sua doação, em seguida, reveja e ajuste o que for necessário
Medir o que foi alcançado e o que isso significa para a comunidade, para as organizações que trabalham com a companhia e para o próprio negócio é a chave para o sucesso do programa. Utilize essa informação para rever a atividade, comunicar valores, aprender com a experiência e reforçar o foco do investimento social. Veja como a empresa de tecnologia de materiais Johnson Matthey aumentou o impacto de seus programas de doação. O texto está em inglês.

10. Comunique os seus aprendizados e desafios
Incentive outras empresas a aprender com os sucessos e os desafios experimentados pela sua companhia, utilizando uma comunicação pelo site e por meio de eventos.

A CAF tem uma equipe dedicada a ajudar a empresa a tirar o máximo proveito dos seus recursos disponíveis. Podemos ajudá-lo a avaliar sua atividade atual e obter melhores resultados, permitindo-lhe desenhar e executar o programa comunitário com facilidade.
Fonte: Site da CAF

Tradução: IDIS

Desenvolvimento Local no Nordeste

Em coletânea de artigos, consultores de diversas especialidades analisam as práticas construídas pelos dez anos de experiência dos Conjuntos Integrados de Projetos (CIPs), programa da Fundação W. K. Kellogg que reúne seis projetos em seis Estados do Nordeste (Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba e Pernambuco) que visam o desenvolvimento comunitário. O livro Apoio internacional ao desenvolvimento local – Experiências sociais com juventudes no Nordeste traz as análises e é organizado pela antropóloga Leilah Landim e pela jornalista Maria Carolina Trevisan.

Reprodução: Capa do livro Apoio internacional ao desenvolvimento local - Experiências Sociais com juventudes no Nordeste

A obra, de 248 páginas, tem a finalidade registrar as experiências vividas pelos consultores e especialistas junto às comunidades locais na formação de redes e no processo de implantação coletiva das ações planejadas. Os CIPs mobilizaram diferentes atores sociais, como representantes do poder público e instituições públicas e privadas. Os oito artigos trazem reflexões sobre erros e acertos, dilemas e responsabilidades, além dos resultados dos trabalhos realizados.

O papel dos financiadores no desenvolvimento local é um dos temas apresentados, assim como o papel da juventude, a experiência do acompanhamento dos projetos, a importância das alianças intersetoriais, entre outros. O livro é editado pela Editora Peirópolis e está à venda em algumas livrarias e pela Internet.

Documentos em Ordem São Imprescindíveis para Pleitear Financiamento

No artigo, a gerente de projetos do IDIS, Carla Cabrera Duarte, e a diretora Administrativa da instituição, Silvia Benedini Bertoncini, apontam quais os documentos que, geralmente, os investidores sociais solicitam na hora de fechar uma doação. As profissionais também tratam sobre o método que o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social utiliza na avaliação qualitativa da instituição pleiteante.

Uma organização da sociedade civil, além de cumprir com sua missão, deve manter atualizada uma série de documentos administrativos, para demonstrar sua regularidade junto aos órgãos públicos e pleitear financiamento para seus projetos sociais e, assim, legitimar suas ações junto aos apoiadores.

Atualmente, os investidores sociais procuram verificar se a instituição está em dia com as obrigações legais. Eles querem que o investimento social seja revertido em impactos positivos para a sociedade. O fato de manter a documentação atualizada, de dar publicidade à aplicação de seus recursos e de possuir título ou qualificação conferida pelo Estado oferece credibilidade à organização e traz confiança ao doador, sendo um fator decisivo na hora da doação.

Muitos doadores possuem alianças com instituições sem fins lucrativos, que estipulam requisitos básicos para concretizá-los. O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) denomina essa etapa de processo de Validação e a divide em duas análises: uma documental e outra qualitativa.

Análise Documental

A organização social deve sempre manter os documentos administrativos que comprovam a legalidade perante aos órgãos públicos e fiscalizadores competentes, facilitando a condução de futuras oportunidades.
Abaixo, listamos alguns documentos que podem ser exigidos tanto em um edital de seleção de empresa ou de licitação do governo quanto por investidores sociais:

  • Cópia autenticada do estatuto da organização com a última alteração.
  • Cópia autenticada da ata  que contenha  a aprovação da diretoria em exercício,  dos membros dos conselhos Administrativo e Fiscal.
  • Cópia do cartão atualizado do registro de CNPJ.
  • Cópia da certificação (se for o caso): Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), Utilidade Pública (Federal, Estadual ou Municipal) , Entidade Beneficente de Assistência Social e OS – Organização Social. Para Oscip’s, instituições de Utilidade Pública Federal e Organizações Estrangeiras, o prazo de validade da certidão é de um ano. Essas organizações devem estar obrigatoriamente cadastradas e em situação legal junto ao Cadastro Nacional de Entidades do Ministério da Justiça (CNE/MJ). A prestação de contas junto ao MJ é anual e ocorre até 30 de junho para as OSCIPs e até 30 de abril para as UPFs . No site do Ministério da Justiça  encontram-se todas as informações sobre como ela deve ser realizada. A expedição da certidão de renovação de título ou de qualificação federal ocorre apenas por meio do Ministério da Justiça.
  • Balanço patrimonial e demonstrativo do último exercício financeiro. O documento é fornecido pelo contador/escritório de contabilidade contratado pela instituição.
  • Parecer da auditoria sobre os balanços da organização. Para aquelas organizações que possuem título ou qualificação federal, deverá ser observado o valor mínimo exigido.
  • Certidões negativas da Previdência Social (INSS) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Mesmo que a organização social não tenha funcionários, o documento é necessário para provar que não há necessidade de contribuição ou ainda a inexistência de débitos. A certidão negativa da Previdência Social é válida por seis meses e pode ser solicitada pelo sitewww.previdencia.gov.br. A certidão do FGTS vale por um mês e também pode ser solicitada via Internet, no site da Caixa Econômica Federal.
  • Certidão Negativa de Falência e Concordata. Válida por três meses. Deve ser solicitada junto ao fórum judicial competente da região.
  • Prova de quitação com as fazendas Federal, Estadual e Municipal. Essa certidão refere-se a tributos como o Imposto de Renda, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS (estadual) e o Imposto Sobre Serviços – ISS (municipal). No caso do IR, a Receita Federal oferece o serviço pela Internet. É necessário verificar junto a cada governo estadual e municipal como requerer a quitação. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a prefeitura disponibiliza a emissão dessas notas através de seu site.
  • Dados da conta bancária da organização. Para facilitar a gestão dos recursos financeiros doados a um determinado projeto,  o IDIS aconselha a instituição abrir uma conta corrente específica para a doação. No âmbito governamental, esse é um procedimento obrigatório. Isso facilita a prestação de contas a o investidor que tem maior transparência e visualização dos gastos incorridos.
  • Cópia da inscrição em conselhos municipais, estaduais e federal, caso a organização esteja vinculada a algum. Vale lembrar que aquelas que atuam com crianças e adolescentes são consideradas regulares quando inscritas no respectivo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
  • Cópia do relatório de atividades. Esse documento, em geral, não é obrigatório, mas ajuda o investidor a compreender o histórico da organização. Recomenda-se o fornecimento do relatório de atividades dos dois últimos anos.

Análise Qualitativa

Além da análise documental o IDIS faz uma análise qualitativa da organização. Para essa análise são considerados Instituição, Indivíduos e Idéia (3Is).

Da instituição, são consideradas questões relacionadas à estrutura organizacional. A história da organização, a forma como surgiu, a sua capacidade de mudança decorrente da mudança de contexto, da participação comunitária e da mudança de liderança são reveladores da forma como a organização se posiciona diante de seus desafios.  São observadas também a gestão e a governança da instituição, a sua capacidade de incluir a comunidade na sua gestão, de trocar lideranças e gestores, de organizar seus recursos humanos, de se articular e de se relacionar com parceiros internos e externos à comunidade e de realizar uma boa captação de recursos por meio de uma gestão eficiente.

A ideia da organização, a sua missão, a profundidade da concepção de seu trabalho e dos projetos que realiza, a sua capacidade de inovar e de aprender com a sua prática são outros itens que compõem a análise qualitativa. Aqui, inclui-se também sua capacidade de fazer com que o conhecimento gerado na organização seja um patrimônio imaterial, passível de ser compartilhado.

Uma relação horizontal com a comunidade é pressuposto para que um projeto social gere impacto e o investimento realizado seja eficaz. Na análise, leva-se em conta se os envolvidos com a organização são receptores passivos de um benefício ou atuam como protagonistas participantes da mudança da própria realidade.

Por fim, as lideranças da organização são também observadas. São analisados o nível de motivação e comprometimento dos indivíduos para o trabalho na instituição. A flexibilidade, a permeabilidade e a competência na articulação dos indivíduos na relação com colaboradores, com a comunidade e com parceiros, bem como o profissionalismo e transparência nas relações.

Carla Cabrera Duarte é gerente de projetos do IDIS nas áreas de investimento social na comunidade e de investimento social corporativo. Silvia Benedini Bertoncini é diretora Administrativa do IDIS, com ampla experiência em gestão administrativa e financeira de organizações sociais.

O Que Consta em um Projeto Social?

Confira neste roteiro básico elaborado por Carla Cabrera, gerente de projetos do IDIS, que rubricas e informações devem estar presentes em um projeto desenvolvido por uma organização da sociedade civil. Um projeto é composto de diversos itens que, encadeados, dão sentido, corpo e forma à ideia da organização.

São eles:
1. Identificação e descrição da organização proponente

Apresenta os dados gerais da instituição, como CNPJ, endereço, telefones, site e também um breve histórico da organização, sua missão e principais iniciativas.

2. Identificação dos responsáveis pelo projeto 

Traz nomes, cargos e contatos das pessoas responsáveis pelo projeto.

3. Título

Inclui o nome curto do projeto, que expressa sua finalidade e forma de atuação.

4. Justificativa

Discute o contexto social em que se inserem a organização da sociedade civil e o projeto proposto. Serve para mostrar por que é necessário e prioritário fazer a intervenção proposta pelo projeto.

5. Público-alvo 

Descreve quantos e quem são os beneficiados diretos e indiretos do projeto.

6. Objetivo Geral 

É a razão de ser do projeto. Responde de forma clara e objetiva à questão: “para quem se destina esse projeto e o que ele pretende transformar?”. Este objetivo está diretamente relacionado à justificativa e é genérico. Ele não pode ser assegurado somente pelo sucesso do projeto; depende de outras ações e variáveis. Portanto, expressa o que se quer alcançar em longo prazo, ultrapassando inclusive o tempo de duração do projeto.

7. Objetivos Específicos 

Explica como estarão o público-alvo e o contexto social depois de suas necessidades serem atendidas. Cada objetivo específico retrata uma única mudança na vida do público-alvo. Um objetivo específico é mensurável, atingível num tempo limitado, relacionado às necessidades do público-alvo.

8. Plano de ações 

Mostra o que será feito para que os objetivos específicos se transformem em realidade.

9. Parcerias

Relata se o projeto conta com alianças com o setor público, com a iniciativa privada e/ou com organizações da sociedade civil organizada. Também apresenta o tipo de parceria estabelecida e o papel de cada ator.

10. Avaliação

Apresenta os procedimentos e métodos que serão usados para saber se as atividades estão sendo executadas, consumindo os recursos previstos, e se os objetivos propostos estão sendo atingidos.

11. Cronograma

É a representação gráfica do tempo das ações e das atividades planejadas. Responde quando ocorrerão as atividade previstas no plano de ação durante o período estabelecido para o projeto.

12. Orçamento

Detalha todos os recursos materiais, financeiros e humanos envolvidos no projeto. Pode ser feito mostrando as despesas por tipo ou rubricas tais como, recursos humanos, equipamentos etc. Também podem ser apresentadas por meio de um cronograma físico financeiro que mostra quando as despesas serão efetivadas ao longo do projeto.

13. Equipe

Descreve o grupo de pessoas envolvido no projeto e qual será o papel de cada um.

14. Sustentabilidade (continuidade do projeto)

Pontua as estratégias e os desdobramentos que viabilizarão a continuidade do projeto e de seus resultados.

 

 

Cenário Brasileiro do Marketing Relacionado a Causas – Atitudes e comportamentos das OSCs e Empresas

A pesquisa Cenário Brasileiro do Marketing Relacionado a Causas – Atitudes e Comportamentos das OSCs e Empresas mostra a incidência de ações de Marketing Relacionado a Causas (MRC) no mercado brasileiro, além de apontar o comportamento e as atitudes de instituições com e sem fins lucrativos em relação à temática. O levantamento foi realizado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e pela Enfoque, empresa de pesquisa em marketing. Os resultados foram apresentados durante o 3º Seminário de Marketing Relacionado a Causas, promovido pelo IDIS no último trimestre de 2007.

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Edital de Seleção Torna-se Ferramenta no Investimento Social

O artigo trata sobre a importância do uso do edital de seleção como ferramenta transparente e pública para escolha de projetos socioambientais que atendam ao interesse do investidor social. O texto é assinado pela equipe de colaboradores do IDIS: Carla Cabrera, Mirza Laranja e Tatiana Akabane van Eyll, gerentes de Projeto.

Já faz algum tempo que as empresas que realizam investimento social corporativo estão mudando de postura em relação à sua prática. Trata-se de um novo paradigma: a troca do modelo de filantropia tradicional para o modelo de investimento social. Nesse novo contexto, a companhia passa a atuar como um financiador que visa a formar parcerias eficientes para atender a uma causa social. Uma das ferramentas para atingir essa meta é o uso do edital de seleção para financiamento de projetos.

No modelo tradicional, ao fazer doação de recursos, uma empresa reage pontualmente a demandas externas. Atua de forma assistencialista e paternalista, atendendo ao interesse de uma só parte, o que pode gerar uma relação de dependência. Embora tenha boas intenções, seu investimento não garante transformação social. Para isso realmente acontecer, o investimento social privado depende de pesquisa focada, planejamento criativo, estratégias predefinidas, execução cuidadosa e monitoramento dos seus resultados. A alocação não se resume apenas a dinheiro, inclui recursos humanos, técnicos e gerenciais para o bem público.

A escolha de atuação da empresa é definida segundo seu objetivo, recursos disponíveis e contexto:

  • Doadora: coloca recursos segundo a demanda de instituições sociais responsáveis pelo planejamento e execução de projetos próprios
  • Empreendedora: doa ativamente a organizações que executam projetos e ideias propostas pela empresa
  • Operadora: elabora e executa iniciativas por ela desenvolvidas
  • Financiadora: investe recursos tanto de forma ativa quanto reativa a instituições sociais responsáveis pelo planejamento e execução de projetos que sigam a sua linha de interesse.

Em sua estratégia, a empresa pode combinar diferentes modelos de atuação, criando soluções que se mostrem viáveis e eficazes, na busca dos objetivos propostos. Para atuar como financiador, são necessárias algumas competências técnicas, como:

  • identificação de oportunidades estratégicas de investimento social
  • escolha de parceiros competentes para o desenvolvimento e implementação de propostas
  • análise e seleção de propostas
  • monitoramento e mensuração de resultados

Uma ferramenta muito eficiente para financiar propostas que atendam ao interesse do investidor social é utilizar o edital público. O edital exige um planejamento cuidadoso de todas as etapas do financiamento que, por sua vez, ajudará na elaboração e na implementação de um processo que minimiza riscos e potencializa os recursos.

No planejamento, a empresa:

  • define seu foco de investimento
  • cria critérios de seleção das propostas
  • propõe diretrizes para as propostas
  • aponta os pré-requisitos necessários para a organização executora
  • demonstra suas expectativas de resultado e impacto com base em indicadores pré-selecionados
  • torna explícitos quais serão os processos de monitoramento e avaliação

No documento do edital, a companhia também define modelos, roteiros, questionários e formulários, explicando como deve ser apresentado o planejamento, o orçamento e a prestação de contas. Ao torná-lo público, as organizações interessadas enviam as propostas para o financiador, que as analisará e selecionará conforme a maior proximidade das diretrizes e critérios estabelecidos no edital.

Para as corporações, o uso do edital de seleção traz os seguintes benefícios:

  • Compartilhamento e publicidade da estratégia de investimento social
  • Transparência na atuação
  • Criação de banco de dados de organizações sociais que atuam em sua área de interesse
  • Acesso a iniciativas e ideias inovadoras
  • Facilidade na análise dos projetos, uma vez que a estrutura geral para a apresentação das propostas é definida pela empresa no edital
  • Conhecimento mais profundo dos projetos e das organizações sociais com quem estabelece parceria, favorecendo alianças de qualidade e sustentáveis
  • Mais exatidão no monitoramento dos projetos e mensuração dos resultados do investimento
  • Contribuição para o desenvolvimento das instituições sociais envolvidas na seleção

Como se pode perceber, a seleção por meio de edital é um processo que deve ser cuidadosamente planejado, requer disciplina para cumprir adequadamente todas as etapas, além de comunicação clara e eficiente. O esforço traz bons resultados. Foi o que aconteceu com a Nestlé Brasil. Utilizar o edital permitiu à multinacional suíça selecionar de forma pública projetos que estão de acordo com a sua estratégia de atuação social, baseada na nutrição, na saúde e no bem-estar. Desde 1999, a Fundação Nestlé Brasil, braço social da empresa, desenvolve o Programa Nutrir, que leva educação alimentar e incentiva a prática esportiva entre crianças e adolescentes de 4 a 18 anos, moradores de comunidades de baixa renda em todo o país, contribuindo no combate à desnutrição e à obesidade.

Em dez anos, o Programa Nutrir estabeleceu parcerias com organizações sociais, escolas públicas e prefeituras, no intuito de fazer a educação alimentar tornar-se parte da vida dessas crianças. Com a promoção“Nestlé Torce Por Você”, pela primeira vez, selecionou dez propostas de forma pública, com critérios claros, transparentes e num processo que organizações sociais de todo Brasil puderam participar. Cada um dos dez projetos escolhidos recebeu 70 mil reais para a execução. A seleção aconteceu em 2008.

O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) apoiou a Fundação na elaboração do texto do edital, na concepção e desenvolvimento dos modelos do processo de monitoramento dos projetos e realizou a oficina para ajustes nas propostas selecionadas. O Instituto ainda foi responsável por alinhar o contrato, os procedimentos de repasses de recursos e o processo de monitoramento entre a Fundação e as organizações sociais.

Para a Fundação Nestlé Brasil, o grande salto foi conseguir comparar propostas, mobilizar as instituições sociais a apresentar projetos que estivessem alinhados com a sua missão e poder incentivar a troca de experiências entre proposições tão similares que buscam atingir, de certa forma em conjunto, um bem maior.

Livro Aborda Capitalismo Filantrópico

Livro aborda capitalismo filantrópico

O perfil dos investidores sociais mudou. Antes, os filantropos apenas doavam aleatoriamente a organizações sociais ou projetos, sem procurar saber sobre resultados. Hoje, os novos bilionários doadores estão redefinindo a forma de como o investimento social é feito bom base em métodos de negócios, com métricas de análise de impacto, planejamento de metas, entre outros.

Essa é a discussão que traz o livro Philanthropicalism: How the Rich can Save the World (Capitalismo filantrópico: como os ricos podem salvar o mundo, em tradução livre), de Matthew Bishop e Michael Green. A obra, de 298 páginas, foi editada em 2008 pela Bloomsbury Press. Está disponível apenas em inglês.

Os autores apresentam entrevistas com outros grandes filantropos (além de Bill Gates), como George Soros, Bill Clinton, Angelina Jolie e Bono Vox. O editor Matthew Bishop e o economista Michael Green analisam esse novo movimento de filantropia e seus impactos. São doadores que investem em causas que vão desde a situação do clima à cura de doenças. Mias informações e vídeos com entrevistas podem ser encontradas no site Philanthrocapitalism.

 

 

O Papel das Empresas nos Determinantes Sociais Da Saúde

Como as corporações podem atuar junto aos Determinantes Sociais da Saúde (DSS) foi o tema do estudo realizado pelo The Conference Board of Canada, organização da sociedade civil de pesquisa aplicada daquele país. O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) traduziu o sumário executivo, cujo original se encontra em inglês. O relatório Pessoas Saudáveis, Desempenho Saudável, Lucro Saudável aponta como as ações de empregadores e empregados podem influenciar diretamente na qualidade da saúde. Essa nova visão da DSS é interdisciplinar e considera que o bem-estar resulta da influência social, econômica, cultural e política de uma sociedade e não apenas da condição individual de saúde. No sumário-executivo, observa-se que a empresa é um dos atores responsáveis pelo alcance da qualidade da saúde, ao lado do governo e da sociedade. O documento apresenta exemplos de iniciativas de corporações do Canadá e de outras nações que indicam, na prática, como pode ser essa atuação. A íntegra do relatório, em inglês, pode ser acessada no site www.conferenceboard.ca. É necessário cadastrar-se gratuitamente. Aqui no portal do Investimento Social é possível fazer o download da versão em português.

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