Foi consenso no grupo de trabalho que discutiu a filantropia no Brasil e na África a necessidade de se transformar doadores ocasionais em doadores recorrentes. Ao lado de Mosun Layode, diretora-executiva do Fórum Africano de Filantropia, a presidente do IDIS, Paula Fabiani, debateu a filantropia em países abaixo da linha do Equador. ‘Philanthropy in the Global South’ trouxe à tona, no primeiro dia do Global Philanthropy Forum 2018, essa urgência em torno da infraestrutura e regulamentação para a filantropia. “A filantropia em países como o Brasil, ou em países africanos, toma formas diferentes daquelas dos países anglo-saxões. Desenvolver a infraestrutura para esses movimentos pode alavancar o potencial filantrópico desses países.”

O impacto da tecnologia – Durante o debate do grupo de trabalho sobre Filantropia, a tecnologia entrou em cena. Tão relevante para o momento, o tema estará no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2018, que acontecerá no dia 12 de Setembro, em São Paulo, e terá como questão central ‘Impacto da Tecnologia: ele contribui para aumentar ou diminuir as desigualdades?’. Tecnologia, aliás, que foi amplamente debatida no GPF durante outro grupo de trabalho: ‘Tecnologia: o direito de ser contado; o direito de ser esquecido’. Possíveis conflitos éticos advindos das tecnologias emergentes estavam entre os alertas apresentados por Anne Hale Miglarese, CEO da Radiant Earth; Varun Gauri, economista do Banco Mundial; Simon Segars, CEO da Arm; e Tomicah Tillemann, co-fundador e diretor do Blockchain Trust Accelerator. Os palestrantes falaram a respeito dos riscos e como devemos pensar sobre os valores coletivos em torno da tecnologia. O painel colocou em discussão as maneiras pelas quais as tecnologias atuais podem garantir nosso direito a ser ‘contado’ por governos e, assim, receber os serviços e a representação política que merecemos. Mas, também, como as leis e os padrões podem fornecer um meio para sermos ‘esquecidos’ por gigantes comerciais do setor, como Google e Facebook.
Tecnologias sociais – as barreiras que os mais pobres precisam transpor para ter acesso à saúde e como as organizações sociais estão prestando essa assistência foi o tema do grupo de trabalho Ingenuity and Health (Engenhosidade e Saúde), mediado pela presidente do IDIS. Tecnologias de baixo custo e com resultados efetivos e rápidos estão sendo desenvolvidas e implantadas por organizações sem fins lucrativos em várias partes do mundo. Nour AbuZaher, da MomyHelper (aplicativo móvel que fornece às mães árabes aconselhamento profissional sobre saúde física e mental, criação de filhos e questões conjugais); Krista Donaldson, da D-Ver (projeta e fornece tecnologias médicas para atendimento a populações sem acesso a serviços de qualidade) ; Manish Ranjan, da NanoHealth (empresa social que se concentra no gerenciamento de doenças crônicas em favelas urbanas da Índia), relataram suas experiências, assim como Paula Fabiani ao apresentar o projeto Tecnologias Sociais no Amazonas, desenvolvido pelo IDIS e parceiros para melhorar as condições de vida de populações rurais e ribeirinhas Clique aqui para saber mais sobre o projeto Tecnologias Sociais no Amazonas
Delegação brasileira – Como em edições anteriores, o IDIS organizou uma delegação para acompanhar o GPF 2018 – desta vez em Redwood, Califórnia, Estados Unidos. O evento acontece de 2 a 4 de Maio e traz como tema a construção do capital social como ponto relevante para superar a crise de confiança global. A proposta apresentada pelo GPF, de entender os modelos que estão sendo criados ao redor do mundo para alcançar uma resolução colaborativa de problemas, foi a motivação desse grupo.

Delegação brasileira: Mônica Pinto (Fundação Roberto Marinho); Bert Brenninkmejer (Fundacao Porticus); Paula Fabiani (presidente do IDIS); Federico Bellone (Fundacao Porticus), Marisa Ohashi (GIFE); Marcos Kisil (fundador do IDIS e convidado da Fundação José Luiz Egydio Setúbal) e José Luiz Setúbal (Fund. José Luiz Setúbal)











Todas essas informações e muitas outras foram apresentadas e discutidas, recentemente, no fórum Future of Philanthropy: what role can philanthropists and foundations play in delivering on the global goals for sustainable development?’ (Futuro da Filantropia: qual o papel de filantropos e fundações no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável?). No encontro, realizado no castelo de Wilton Park, na vizinhança de Londres, lideranças da filantropia de diversos países se reuniram para discutir estratégias do setor, e uma palavra foi constante: mais! “De um modo geral, as conversas giram em torno de assumir mais riscos, colaborar mais, influenciar mais, e buscar novas saídas para o velho modelo baseado em crescimento econômico”, relata a presidente do IDIS, Paula Fabiani, convidada a traçar o perfil do investimento social privado no Brasil.
Por que os bilionários brasileiros são tão resistentes a doar? Essa é a questão levantada por um dos principais jornais do mundo, o prestigiado The Wall Street Journal, que na versão digital já tem 1,27 milhão de assinantes somente nos Estados Unidos. Ao descrever a batalha do empresário Elie Horn, o repórter Jeffrey T. Lewis, com a colaboração da jornalista Luciana Magalhães, cita o IDIS como a organização que está apoiando o filantropo brasileiro a trazer para o País um movimento inspirado no The Giving Pledge, criado por Bill Gates e Warren Buffet.
A sequência de escândalos políticos e financeiros nos últimos anos só fortaleceu a já consolidada descrença dos brasileiros nas instituições. O real impacto disso na cultura de doação do País ainda está por ser avaliado. Mas uma pesquisa realizada pela Charities Aid Foundation, instituição sediada no Reino Unido e representada no Brasil pelo IDIS, revela um cidadão generoso, que gosta de doar. Além da satisfação pessoal (51%), o brasileiro também leva em conta a causa (41%) e a crença de que todos devem ajudar a resolver problemas sociais (40%).
As causas – O apoio a organizações religiosas mostrou-se a mais popular das causas: quase metade (49%) das pessoas contribuíram para ela (o dízimo foi considerado doação pelos pesquisadores). Em seguida vem o apoio a crianças (42%) e a ajuda aos pobres (20%).











os sociais, bens compartilhados, empresas B, investimentos de impacto… Essas e outras novas expressões e conceitos chegaram ao mercado propondo uma atividade econômica mais inclusiva e sustentável. Como acontece sempre com as novidades, não se sabe se todo o conjunto veio para ficar, mas é indiscutível que as iniciativas buscam humanizar o modelo econômico atual e encontrar um caminho para que os benefícios da riqueza e do patrimônio sejam distribuídos de forma mais equilibrada. É com essas constatações e essas perguntas que o IDIS está organizando o V Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, que vai acontecer no dia 6 de outubro, em São Paulo.
A CAF (Charities Aid Foundation) fez sua estreia na Bolsa de Valores de Londres por meio de uma plataforma de varejo que emite títulos negociáveis para instituições filantrópicas e investidores interessados em criar projetos com benefícios sociais.












Desde o dia 8 de setembro está no ar uma 




