WORLD GIVING INDEX: BRASIL SOBE UMA POSIÇÃO EM RANKING GLOBAL DE DOAÇÕES

O Brasil subiu uma posição no índice mundial de doações que abrange 135 países ao redor do globo. O país saiu da 91ª para a 90ª posição, de acordo com a pesquisa World Giving Index 2014 divulgada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, nesta terça-feira, em São Paulo. O estudo, divulgado anualmente desde 2010, é encomendado pela instituição britânica CAF, Charities Aid Foundation, ao instituto de pesquisa Gallup World Pool.

Apesar da 90ª colocação, o país apresentou uma evolução positiva. Porém, desde o início do levantamento, perdeu 36 posições. Os dados mostram que 22% dos brasileiros entrevistados afirmaram ter doado dinheiro para organizações da sociedade civil, 40% ajudaram desconhecidos e 16% fizeram algum tipo de trabalho voluntario.

“Em números absolutos o Brasil aparece nos três índices (doação, voluntariado e ajudar um estranho) entre os 10 primeiros colocados por ser um país populoso. Mas em termos de percentual da população ainda estamos mais próximos do fim da lista e temos enorme potencial para evoluir”, diz a presidente do IDIS, Paula Fabiani.

Em relação aos dados do ano passado, o único ponto em que o Brasil cresceu foi no voluntariado – de 13% para 16%. Por outro lado, a doação caiu de 23% para 22% e o ato de ajudar a um estranho caiu de 42% para 40%.

Estados Unidos e Mianmar compartilham o primeiro lugar no ranking. Os Estados Unidos são o único país a ranquear em números porcentuais no Top 10 nos três tipos de doação. A liderança de Mianmar no ranking se deve principalmente a uma incidência muito alta de doações de dinheiro. Nove em cada dez pessoas em Mianmar seguem a escola Theravada de budismo, com uma forte cultura de solidariedade, o que contribui para que o país esteja na primeira posição em doação de dinheiro. Os países que formam o Top 10 permanecem sendo, em sua maioria, os mesmos relatados em 2013.

A exceção mais evidente foi a Malásia, que em decorrência do Tufão HAYAN subiu da 71ª para a 7ª colocação, reflexo dos esforços humanitários para ajudar a população após o desastre.

Para a presidente do IDIS, Paula Fabiani, o levantamento mostra a necessidade de investir na promoção de uma cultura de doação no país. “No Brasil, sete em cada dez pessoas não fazem doações e oito em cada dez não praticam qualquer ação de voluntariado. Temos que fomentar a cultura de doação no país, seja em dinheiro ou tempo. Os dados mostram que a doação não está apenas relacionada com a questão da riqueza. Uma prova disso são os Estados Unidos e Mianmar que permanecem empatados em primeiro lugar”, afirma.

Na America do Sul, Venezuela é a nação menos generosa, ocupando a posição 134º, situação parecida com a do Equador, em 132º lugar. O país mais solidário do continente é o Chile, em 50° lugar na lista, seguido da Colômbia, em 53°.

Alguns destaques do relatório:
O World Giving Index 2014 traz uma série de recomendações os governos ao redor do mundo. O estudo ressalta a relevância de uma regulamentação das organizações sem fins lucrativos justa, consistente e aberta. Cobra mais facilidade para as pessoas doarem e a importância de oferecer incentivos para a doação. Lembra ainda que é preciso encorajar a doação solidária à medida que as nações desenvolvem suas economias, aproveitando o crescimento das classes médias ao redor do globo.

“Para melhorarmos esse cenário, é necessário trabalhar por uma cultura de doação mais presente e menos assistencialista, investir nas áreas de captação de recursos das organizações e criar um ambiente legal e tributário que incentive a doação, motivando as pessoas a doarem”, complementa Paula Fabiani.

O World Giving Index 2014 está disponível online por meio dos links:
(PORTUGUÊS)
https://www.idis.org.br/wp-content/uploads/2014/11/CAF_WGI2014_PT.pdf

(ORIGINAL, EM INGLÊS):
https://www.idis.org.br/wp-content/uploads/2014/11/CAF_WGI2014_EN.pdf

Encontro internacional de investidores sociais alia inovação social e histórias emocionantes

O 3º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, organizado pelo IDIS e pelo Global Philanthropy Forum (GPF), destacou justamente a face mais arrojada do investimento social privado no Brasil e no mundo, sem deixar de lado a importância crucial que as histórias inspiradoras têm para o setor. O evento, cujo tema foi “Inovação e impacto do investimento social privado”, aconteceu em São Paulo, em 6 de novembro, e reuniu alguns dos maiores nomes da filantropia brasileira, além de importantes palestrantes estrangeiros.

III Forum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Durante as boas-vindas, a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, falou sobre a importância da criatividade (um ato individual que exige imaginação ) e da inovação (algo que é coletivo e demanda trabalho).  “A programação foi montada para inspirar reflexão e transformação. Com isso em mente, eu convido todos vocês a pensarem fora da caixa nesta tarde”, diz Paula. A presidente do GPF, Jane Wales, relembrou o começo do fórum no Brasil e destacou a qualidade do evento, dos palestrantes e dos participantes: “O desenvolvimento do Brasil é rápido, mas não inclusivo. O que faz este grupo memorável é que vocês todos compartilham o comprometimento ao desenvolvimento inclusive neste país maravilhoso”.

A mesa “Investimento social familiar” trouxe para o centro do palco as motivações de duas das famílias mais socialmente ativas do país. Beatriz Gerdau Johannpeter e Jorge Gerdau Johannpeter contaram a história do Instituto Gerdau. “O trabalho social é um legado em nossa família, que já está na quinta geração. A criação do instituto foi um marco para garantir a perpetuação de nossos valores”, disse Beatriz, que contou que decidiu seguir pelo trabalho social inspirada pelos problemas de saúde de seu filho.

III Forum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Na mesma mesa, Sandra Regina Mutarelli Setúbal e José Luiz Egydio Setúbal falaram sobre o trabalho da Fundação José Luiz Egydio Setúbal. “Na nossa família, o investimento social é central. Eu poderia ter participado tanto das ações do Itaú quanto de meus parentes, mas meus irmãos trabalham com educação, e eu queria abordar o tema da saúde”, contou Setúbal, que criou o Instituto Pensi, para pesquisas sobre pediatria.

A programação foi intensa e diversificada. Ao longo do dia, a mesa “Investimento social privado e inovação na Saúde” reuniu a diretora executiva do The End Fund, Ellen Agler, a diretora da Fundação AbbVie, Verónica Arroyave, e o secretário adjunto de Estado da Saúde de São Paulo, Wilson Modesto Pollara, para discutir o papel do setor social privado no setor, como o tratamento de doenças negligenciáveis e precariedade do atendimento hospitalar.

A sessão “Licença social para operar: o impacto do investimento social privado” abordou o tema do Investimento Social Privado na comunidade, uma grande tendência do setor nacional. O diretor do Instituto C&A, Paulo Castro, mediou a mesa, que contou com a gerente do Instituto Holcim, Juliana Cassilha Andrigueto, a diretora executiva do Instituto Coca-Cola, Daniela Redondo, e a diretora de sustentabilidade Juliana de Lavor Lopes, da Amaggi, grupo agroindustrial que criou a Fundação André e Lúcia Maggi.

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A inovação também deu o tom da mesa “O papel da tecnologia na ampliação do impacto do investimento social”, mediada pela diretora executiva do Wings, Helena Monteiro. O diretor executivo do Instituto Arapyaú, Marcelo Furtado, o secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto, e o presidente da Fundação Banco do Brasil, José Caetano de Andrade Minchillo, explicaram como o uso da tecnologia impacta o trabalho de suas organizações.

A plenária “Arranjos inovadores para o desenvolvimento sustentável”, capitaneada pela associada sênior para a filantropia global na Rockefeller Philanthropy Advisors, Heather Grady, focou no papel que o investimento social privado terá na agenda mundial pós-2015, quando terminam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – série de metas que os países da ONU se comprometeram a atingir. Participaram da discussão a representante no Brasil do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Daniela Carrera, o diretor do Instituto Votorantim, Cloves Carvalho, e o chefe do grupo de Inovações e Alianças para o Desenvolvimento do Pnud, Marcos Neto.

III Forum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Na hora do almoço, os participantes se dividiram em catorze mesas temáticas, conhecendo mais sobre diferentes assuntos relacionados ao investimento social privado.

Logo em seguida, houve um dos momentos mais emocionantes do fórum aconteceu durante a sessão “Em conversa com…”. O primeiro convidado a falar sobre seu trabalho foi o músico Peter Buffet, filho do filantropo bilionário Warren Buffet e copresidente da NoVo Foundation, que trabalha com direitos e meninas e mulheres. Entrevistado por Helena Monteiro, Peter Buffet disse que “a filantropia é uma maneira de ter um propósito na vida para acordar todos os dias”. Ao mesmo tempo, “o melhor mundo seria aquele em que todos tivessem o suficiente e a filantropia não fosse mais necessária”, comentou ele, cuja organização recebeu US$ 1 bilhão de seu pai para aplicar em ações beneficentes.

Na segunda rodada de conversas, Regina Helena Velloso, presidente voluntária do conselho de administração da AACD, e a norte-americana Swanee Hunt, presidente da Hunt Alternatives e criadora do Women Moving Millions contaram como ambas se aproximaram do investimento social privado. Enquanto o pai de Regina era engajado e transmitiu a ela o vírus da solidariedade (“quando era mais nova, meu pai já atuava na AACD e me transmitiu o cargo na entidade como uma das suas maiores heranças”), Hunt veio de uma família humilde que enriqueceu no ramo agrícola e contou que seu pai não valorizava o trabalho solidário. Sua vida mudou quando um de seus irmãos foi diagnosticado como esquizofrênico e sofreu lobotomia, o que a fez trabalhar com doentes mentais. “Ouço muitas coisas sobre investimento de impacto, mas não adianta fazer as coisas se não for visitar os locais. Tem de estar perto das pessoas e olhá-las no olho. A filantropia envolve principalmente amor ao outro, não dinheiro”, disse Hunt, arrancando aplausos da plateia.

III Forum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Para finalizar, o professor Lester Salamon, da Johns Hopkins, apresentou os resultados de sua pesquisa sobre um modelo chamado “philanthropication through privatization”, que teria potencial de canalizar bilhões de dólares para a filantropia. Trata-se da constituição de fundos patrimoniais com parte dos recursos que o Estado recebe pela venda de patrimônio ou concessão de serviços ao setor privado. “Mapeamos 539 casos pelo mundo todo, que garantiram bens num valor total de U$ 139 bilhões para o setor social privado”, disse Salamon. Para comentar o assunto, estiveram presentes o economista brasileiro José Guimar

Esse é o terceiro Brazilian Philanthropy Forum. Segundo Paula Fabiani, a iniciativa, que possui apoio financeiro do Rockefeller Philanthropy Advisors, “tem se consolidado com um importante espaço de discussão e um passo importante para a criação de uma rede de filantropos no país”.

Com soluções de longo prazo e mais efetividade nas doações, milionários estão mudando a cara da filantropia

Não é de hoje que os donos de grandes fortunas figuram entre os principais doadores de projetos sociais, mas uma nova categoria de milionários está mudando a cara da filantropia mundial: são os indivíduos de alto poder aquisitivo.

Detentores de ativos líquidos no valor de US$ 30 milhões ou mais, estes indivíduos se caracterizam cada vez por investimentos em iniciativas filantrópicas que promovam soluções de longo prazo e pelo uso de seus conhecimentos empresariais para medir a efetividade dos projetos e maximizar seus retornos.

Isso é o que diz o relatório Philanthropy Report 2014, realizado pelas consultorias Wealth-X e Arton Capital com o objetivo de apresentar o perfil dos filantropos de alto poder aquisitivo e mostrar como eles estão impactando o ambiente do investimento social privado.

De acordo com o levantamento, o “ultra wealthy” (como é chamado em inglês) típico tem 64 anos e uma fortuna de cerca de US$ 240 milhões. Suas decisões acompanham a tendência de deixar de lado a filantropia tradicional em prol de um investimento social privado cada vez mais preocupado com seus impactos na sociedade. Nos próximos 30 anos, esses indivíduos devem fazer investimentos sociais privados (ISP) de US$ 300 bilhões.

Normalmente, a escolha de investimentos possui ênfase no empreendedorismo como instrumento de combate a desigualdades socioeconômicas e isso não é por acaso: o estudo aponta que 69% dessas pessoas criaram seus negócios a partir do zero.

“O debate vai além da ideia de ‘ensinar a pescar’ e se estende para garantir a infraestrutura financeira e institucional necessária para apoiar o surgimento de novos empreendedores”, afirma o relatório.

O desenvolvimento de metodologias de avaliação de impacto também teve um efeito importante sobre o novo perfil da filantropia. “Os novos retornos quantificáveis tornaram possíveis novos tipos de ação filantrópica, como a venture philanthropy e os investimentos de impacto.”

Um dos casos estudados pelo relatório é a atuação da Charities Aid Foundation (CAF), organização britânica de apoio ao setor de investimento social privado representada pelo IDIS no Brasil. “Vários filantropos com os quais trabalhamos querem doar recursos para o fundo de impacto social da CAF, que já investiu em 46 organizações no mundo todo nos últimos dois anos, e cujos recursos retornam aos doadores ou são reinvestidos em outras entidades”, diz o relatório.

IDIS e Gife reúnem investidores e organizações para apresentar o PL de Fundos Patrimoniais Vinculados

A sustentabilidade financeira é um desafio de toda organização social, mas, em países como Estados Unidos, Inglaterra ou França, os Fundos Patrimoniais Vinculados (ou endowments) funcionam como uma das formas de amenizar esse problemas e garantir recursos.

Por acreditar nos benefícios que os fundos patrimoniais podem trazer para as organizações, o IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) é uma das organizações que mais incentiva a criação dos endowments no país e, juntamente com o GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), promoveu encontros com instituições do terceiro setor e financiadores para apresentar e debater o projeto de lei 4643/2012, que trata dessa questão e atualmente está tramitando no Congresso.

Originalmente, o projeto, de autoria da deputada Bruna Furlan (PSDB-SP), tinha alcance restrito: previa a criação de endowments  exclusivamente para universidades federais. Um grupo formado por entidades da sociedade civil e membros do Ministério Público sugeriu um texto substitutivo, que foi apresentado pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

“Antes, os fundos seriam apenas para instituições de educação, mas ampliamos o projeto para que ele contemplasse associações e fundações de qualquer tipo”, comentou o advogado Felipe Sotto-Maior, sócio da Vérios Investimentos e um dos participantes do grupo que elaborou o substitutivo.

“O fundo patrimonial é uma estrutura de doação com a condição de que o valor principal seja investido para financiar as atividades de uma organização social com os ganhos do investimento”, explicou a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, acrescentando que um dos principais efeitos desse instrumento é dar mais previsibilidade orçamentária para as organizações da sociedade civil. “As entidades corporativas, por exemplo, dependem do orçamento das empresas a que estão vinculadas e sofreram com a crise de 2008”, relembra.

Algumas organizações brasileiras da sociedade civil, como a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, já têm fundos patrimoniais, mas sem as regras de transparência e investimentos específicas, que dão mais segurança ao investidor e ajudam a garantir a perenidade da organização. Já com o projeto de lei, cria-se uma “figura jurídica autônoma e critérios mínimos de administração, o que significa”, afirmou Sotto-Maior.

A aprovação do projeto de lei, entretanto, não significa que todas as organizações precisem aderir ao novo sistema. “Essa é uma opção a mais”, enfatiza Paula.

Nesse momento, um dos principais empecilhos para os fundos patrimoniais é a questão fiscal. O secretário geral do Gife, André Degenszajn, avisa que as empresas que já têm fundos patrimoniais e queiram adequar-se à nova lei teriam de pagar o tributo de doação para o fundo constituído e que o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) é estadual. “Essa é uma batalha que deve ser travada nos estados. A Assembleia de São Paulo já apresentou uma moção para que haja isenção em doações”, lembrou.

Após as eleições, a tramitação continua. A Secretaria-Geral da Presidência é um dos grandes incentivadores do projeto, que inclui como pontos o fim do título de utilidade pública, ponto defendido por grande parte das organizações. Para acompanhar as novidades, siga as redes sociais do IDIS.

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Doação ainda não é tratada como tema relevante no Brasil, diz Carol Civita

A necessidade de doar para entidades sociais é assunto ignorado no Brasil, avalia a investidora social Carol Civita, conselheira de uma das principais instituições sociais familiares do país, a Fundação Victor Civita, ligada a educação. “A cultura de doação não é uma coisa da qual se fala. Não é assunto em sala de aula, em rodas sociais. Não é uma questão falada, a não ser entre os poucos players que já fazem doação”, afirma ela em entrevista ao site do IDIS.

Entre os obstáculos para tal cultura se disseminar está o fato de que poucos doadores divulgarem que doam. “Quando as pessoas começarem a expor o que fazem, os outros vão entender.” O investimento social privado, no entanto, não depende apenas dos doadores, mas também das entidades, que, muitas vezes, falham na captação. Um dos erros, segundo Carol, é basear a captação em projetos. “Isso de uma organização sair fazendo projeto para conseguir captar é um desperdício e um desespero. Quero que o doador veja o que eu já fiz, e não aquilo que eu vou fazer.”

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

 

IDIS: Como você vê o ambiente para o investimento social privado no Brasil?

Carol Civita: Temos alguns players, e continuam sendo os mesmos há bastante tempo. São muito poucas as pessoas engajadas em fazer doações, ou em se modernizar e fazer um endowment, ou se organizar com uma filantropia focada e direcionada. Continuamos com assistencialismo, caridade, mas muito pouco de doação organizada e focada. São sempre os mesmos players.

IDIS: Por que há esta limitação, a manutenção dos mesmos, sem a entrada de novas pessoas no mundo do investimento social privado?

Carol Civita: Muita gente diz que é porque o campo não é propício para a doação. Você pode, sim, alegar que não existem benefícios estabelecidos em leis. Mas eu não acredito que seja por isso. É muito mais uma questão cultural. Ainda não existe cultura da doação. Em outros países, a questão da doação – e eu não digo apenas financeira, mas também pessoal, o voluntariado, o engajamento com alguma causa – vem desde criança. Há escolas na Europa e nos Estados Unidos nas quais o serviço comunitário é obrigatório. Nós estamos muito longe disso. Não acho que temos de ter serviço comunitário obrigatório nas escolas, mas a cultura de doação não é uma coisa da qual se fala. Não é assunto em sala de aula, em rodas sociais. Não é uma questão falada, a não ser entre os poucos players que já fazem doação e que falam entre si.

IDIS: Existe um receio dos grandes players de exporem suas doações, de se colocarem como exemplo do investimento social privado para atraírem outras pessoas?

Carol Civita: Muita gente confunde a exposição com vaidade, e as pessoas não gostam de se mostrar dessa maneira. Se as pessoas não começarem a expor aquilo que fazem, fica difícil ter escala e seguir exemplos. Quando as pessoas começarem a expor o que fazem, os outros vão entender. Todo mundo quer fazer parte de um time que está ganhando. Se vejo que uma doação ou algum movimento em prol de uma causa está surtindo efeito, vou querer fazer parte disso. Agora, se eu for pensar sempre num projeto, num futuro, numa coisa que pode vir a acontecer, não me sinto tão empolgada com a história. A gente se empolga muito vendo os resultados. As pessoas podem ter receio do fisco, de ser mal interpretadas com as suas doações, mas tudo depende do seu ativismo e do seu discurso. Se tiver medo, não faz nada, porque tudo pode ter várias interpretações.

IDIS: Também falta às organizações “saber pedir”?

Carol Civita: Sem dúvida alguma. Vai cair uma enxurrada de críticas no que eu vou dizer: eu não acredito em projeto. Toda organização foi um projeto que se concretizou e se viabilizou. Isso de uma organização sair fazendo projeto para conseguir captar é um desperdício e um desespero. Quero que o doador veja o que eu já fiz, e não aquilo que eu vou fazer. É muito complicado dizer o que se vai fazer, pois se está oferecendo para a pessoa comprar uma promessa, uma possibilidade. Hoje, o grande problema está nos projetos, especialmente aqueles feitos para agradar ao doador, e não necessariamente para beneficiar a instituição. Outra coisa: pedir não é vergonha. Temos no Brasil a questão de que aquele que está pedindo é um necessitado. Não, aquele que está pedindo é uma pessoa que está vislumbrando melhorias, não está necessitado.

IDIS: Além dos exemplos, que outras iniciativas poderiam ajudar a despertar a cultura de doação no Brasil?

Carol Civita: Muitas vezes, as pessoas captam recursos com dados, números, projetos, mas não envolvem o doador. Conhecer a causa que você abraça é fundamental. O que te move? Pelo que você quer ser lembrado? Qual o seu legado? Tenho muito medo das doações esporádicas e não focadas. A pessoa que doa uma vez para a saúde, depois para educação, outra para o meio ambiente acaba não se envolvendo com a causa. Cedo ou tarde ela para de ser uma doadora. É fundamental conhecer sua causa e ficar com ela, pelo menos por um bom tempo. Mesmo porque, dentro de famílias, quando se abraça uma causa deixa-se para os filhos e para as próximas gerações um legado de ativismo naquilo em que você acredita.

IDIS: Qual seria a diferença entre fazer investimento social como família e pela empresa da família?

Carol Civita: Se você atrela a doação à empresa, ela fatalmente vai ter outro sabor, o de estar ligada ao negócio, e não à causa da família. Quando consegue sentar para conversar sobre a doação como família, você raramente traz à tona algum assunto da empresa. Como empresa, fatalmente alguma coisa vai acontecer: estamos com problemas de caixa nesse mês, não podemos nos envolver nisso porque não combina com a linha de pensamento da empresa. Doar como família é uma excelente razão para juntar os familiares. Assim que as gerações vão passando, os membros vão aumentando, e isso faz com que cada vez menos eles se encontrem. Mas, se eles se encontrarem por uma causa, por uma paixão em comum, a vontade de ir ao encontro familiar é muito maior.

Cresce número de fundações que esgotam os recursos ainda durante a vida dos doadores

Algumas fundações criadas por famílias e indivíduos norte-americanos e as doações feitas por eles têm passado por uma mudança importante nos últimos anos. É cada vez mais comum que, em vez de deixar a administração de seus recursos também para as próximas gerações, eles invistam tudo enquanto estão vivos.

“Há cerca de 50 anos, apenas 5% do total dos recursos das 50 maiores fundações norte-americanas estava previsto para ser integralmente utilizado. Em 2010, a proporção é de 24%”, constata a colunista Veronica Dagher em artigo publicado no The Wall Street Journal.

A articulista cita uma conversa com o consultor financeiro Cassidy Burns, que lhe falou sobre um casal que tentava encontrar um sucessor para seu investimento social privado. “Seus filhos adultos tinha carreiras bem-sucedidas, estavam criando família em diferentes partes do país e simplesmente não tinham interesse nas mesmas causas que moviam seus pais”, escreve Veronica.

Assim, o casal decidiu gastar todos os recursos da fundação. “Eles não queriam que a organização social se tornasse um fardo”, relatou Burns. Mais do que uma história isolada, isto parece estar se tornando uma tendência. O mais famoso – e mais pródigo – casal do mundo filantrópico, Bill e Melinda Gates, é um dos exemplos dessa opção.

A colunista vê no desinteresse dos herdeiros um dos motivos para a mudança comportamental. Além disso, nota um interesse crescente dos filantropos em alcançar maior impacto com seu investimento social privado. “Há o desejo da parte deles de alcançarem mudanças efetivas ainda durante suas vidas.” Um terceiro motivo seria o controle maior que os doadores teriam sobre seus investimentos sociais.

Conselheiros entrevistados por Veronica alertam, porém, que a prática pode acarretar alguns problemas. Organizações que queiram esgotar seus recursos trabalham com um prazo limitado e não têm tempo de aprender com os erros. Tendem, ainda, a ter aversão ao risco, afastando-se de causas em que se leva mais tempo para obter resultados.

As fundações que fazem doações também têm de preparar seus beneficiários para o momento em que não mais poderão contar com os recursos. “Comunicar-se com os beneficiários os ajudaria a se preparar para quando as doações se encerrarem”, diz Veronica.

Essas fundações deveriam ainda se comunicar com outros doadores que possam levar adiante a missão quando aquelas tiverem usado todos os seus recursos.

Especialista sugere a utilização de práticas do Google no trabalho de advocacy

A inovação é um dos grandes temas do momento. Fala-se dela em todo lugar, tenta-se aplicá-la em todas as atividades. O setor social privado, claro, não poderia ficar de fora da onda. No entanto, a inovação ainda está distante de uma das práticas mais importantes do terceiro setor: o advocacy. E qual o melhor lugar para buscar inspiração senão o Google, uma das mais inovadoras empresas da atualidade?

Esta é a sugestão que Duncan Green, conselheiro estratégico da organização internacional de combate à pobreza Oxfam, faz em um texto publicado na página do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

A inovação, escreve Green, está sendo discutida principalmente em áreas como projetos, gestão interna, pensamento inovador no setor privado, no governo e na academia, mas “outra área cada vez mais importante do nosso trabalho – o advocacy – está um pouco ausente de todo este circo da inovação”.

O autor reconhece que já existem algumas práticas muito inovadoras na área – como campanhas em torno de tributos que surgiram depois da crise de 2008 e sites virtuais de campanha, como Avaaz e Change.org – mas levanta a questão de como tornar a inovação algo mais sistemático no trabalho de advocacy de organizações da sociedade civil. Green dá cinco sugestões, quatro delas baseadas em práticas do Google.

A primeira delas, por mais estranho que pareça, é roubar mais. Da mesma forma que o Google está sempre de olho nas startups mais interessantes para comprá-las, as grandes organizações internacionais também deveriam olhar para as práticas de advocacy das menores para copiá-las. “Quando eu estava na Cafod (organização confessional britânica de combate à pobreza), ter minhas ideias roubadas pela Oxfam era um dos meus objetivos”, confessa Green.

O Google também tem a prática de criar suas próprias startups, braços com ideias incrivelmente inovadoras, mas ainda não testadas. A gigante da tecnologia simplesmente coloca tais projetos para funcionar no mundo real, e as deixa seguir livremente o rumo do sucesso ou do fracasso. Essa é outra lição que o setor social privado podia aprender com a empresa norte-americana – derivar ideias ousadas enquanto se mantém a atuação principal.

A aposta no incerto é a base de outra proposta de Green: ele sugere que as organizações mantenham um portfólio de projetos de risco, assim como o Google faz. “Eu temo que, no momento, nós tentemos minimizar os riscos em cada uma de nossas atividades separadas, criando um portfólio geral enviesadamente conservador e com objetivos de pouco risco ou pouco inovadores”, escreve o conselheiro da Oxfam.

Green também prega que as grandes organizações deem tempo de reflexão para seus funcionários. “Às vezes, parece uma medalha de honra estar 120% comprometido com uma causa, mas isso traz o risco de que aqueles que trabalham intensamente com advocacy não tenham tempo para ler, pensar e inovar”, diz Green. E, mais uma vez, a gigante da tecnologia dá o exemplo: “Compare isso com os famosos ‘20% de tempo’ do Google, que permite que todos os funcionários tirem um dia da semana para trabalhar em projetos paralelos”.

Por fim, um conselho que parece óbvio, mas que é muito pouco praticado: as pessoas do setor devem sair mais. “É preciso dar um dia por mês para elas visitarem o ‘mundo lá fora’, sem outro objetivo a não ser olhar e aprender”, escreve Green. “Busque pessoas que sejam relevantes, mas diferentes – líderes comunitários, think tanks, líderes religiosos e até organizações de direita, afinal, elas têm feito um ótimo trabalho no negócio de influenciar pessoas”, finaliza o conselheiro da Oxfam.

 

Para saber mais sobre esse e outros assuntos relacionados a investimento social privado, acesse o novo site do IDIS:www.idis.org.br e tenha acesso a um imenso acervo de notícias, artigos, livros e cases sobre o setor. Acesse também os canais nas redes sociais: Facebook; Twitter; Linkedin e Youtube.

 

Organizações sociais familiares também devem ser transparentes, diz especialista

A sucessão de gerações é um desafio no investimento social familiar. O envolvimento dos membros da família é fundamental, mas traz consigo dificuldades para a gestão de projetos, para um consenso entre visões de mundo diferentes e para o convívio pacífico entre os parentes. Nada disso, no entanto, afasta a necessidade de transparência nesse tipo de investimento.

Jean Whitney, membro da Associated Grant Makers e experiente consultora de filantropia familiar, escreveu sobre o assunto no site Family Giving News. Em seu artigo, ela pondera que muitas famílias preferem investir na área social de forma reservada, sem chamar atenção. Por outro lado, existe a necessidade de que todas as organizações da sociedade civil prestem contas ao público, o que obriga a algum grau de abertura.

De acordo com Jean, a discussão interfere até no impacto das ações do investimento social familiar. “Será que uma fundação pode ser confiável, criar parcerias e conseguir seus objetivos sem transparência?”, questiona a autora, que deixa bem clara sua posição: “com os avanços da tecnologia e das mídias sociais, a questão hoje não é ser ou não ser transparente, mas sim como ser transparente”.

No artigo, ela apresenta o site Glasspockets (http://www.glasspockets.org/), que elenca 23 indicadores de transparência para organizações da sociedade civil de perfil familiar e cujo nome vem de uma frase do banqueiro Russell Leffingwell, membro da diretoria da Carnegie Foundation e que afirmava que todas “as fundações deveriam ter bolsos de vidro”, (glasspockets, em inglês).

Relembrando um fórum de que participou recentemente, Jean citou que um dos temas discutidos foi se a transparência deveria envolver os “produtos” das organizações familiares (doações para projetos, resultados das estratégias) ou os “processos” (deliberações da diretoria, forma de tomada de decisões, planejamento interno).

Segundo ela, “muitas organizações familiares diriam que divulgar publicamente muitos de seus processos internos é difícil e desnecessário”. Porém, buscar a transparência pode ser um processo bem mais simples do que se pensa: “deve-se começar criando um site no qual a família conta sua história, fala sobre seus interesses e divide suas inspirações”, diz Jean, lembrando que muitas vezes estas histórias acabam sendo, de fato, muito inspiradoras.

 

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Jogo de dinheiro escondido vira febre nos EUA, mas está longe de ser investimento social

Parece cena de ficção. Num dos municípios mais populosos da Califórnia, São Francisco, uma pessoa esconde dezenas de pacotes de dinheiro com de US$ 20 a US$ 200 e dá pistas do “tesouro” por meio do Twitter. Centenas de internautas saem correndo por ruas e parques, seguindo as dicas postadas na rede social.

Foi assim que começou uma das febres recentes nos Estados Unidos, o @HiddenCash, que já tem mais de 700 mil seguidores. O autor da ideia, logo chamado de “filantropo anônimo” por parte da mídia norte-americana e europeia, repetiu a iniciativa em outras cidades: Sacramento (também na Califórnia), Los Angeles, Nova York, Cidade do México, Londres, Madri.

Sua identidade foi revelada em junho. Trata-se de Jason Buzi, um empresário do setor imobiliário. Durante suas manifestações, anônimas ou não, ele fez diferentes tipos de declarações: já classificou o @HiddenCash como apenas um jogo divertido, como algo que “não substitui o investimento social privado” e como um movimento para estimular outros ricos a fazerem o mesmo. Na página na rede social, a ideia é oficialmente autodenominada “uma experiência social anônima em prol do bem”.

“Retribuir é pelo menos tão recompensador quanto fazer um bom investimento, receber grandes pagamentos ou fazer muito dinheiro”, disse Buzi em entrevista à CNN. Em outro momento da conversa, afirmou: “não tem nada de movimento político, não tem nada de movimento religioso, não tem nada de movimento empresarial. O movimento é distribuir atos de bondade e pôr um sorriso no rosto das pessoas”.

Ainda que a iniciativa tenha sido chamada várias vezes de filantropia anônima, está claro que não se trata disso. “Deixar quantias relativamente pequenas de dinheiro para pessoas aleatórias (que estão no Twitter com tempo de sobra) pode não ser classificado como ‘retribuir’ na avaliação de todos”, escreve a colunista Susan Berfield, da Bloomberg Businessweek. Ela cita, por exemplo, que as pessoas postam no Twitter que gastam o dinheiro com ingressos para jogo de beisebol, pizza com colegas de trabalho ou uma noite num bar.

O professor Richard Marker, da Universidade de Nova York, resumiu bem a questão, explicando que a filantropia envolve três estágios: compaixão, estratégia (em que se pergunta: está dando certo?) e sistematização (em que se pergunta: minha ação está impactando todo o contexto do problema?). “O @HiddenCash está apenas no primeiro estágio”, diz Marker.

 

Para saber mais sobre esse e outros assuntos relacionados a investimento social privado, acesse o novo site do IDIS: www.idis.org.br e tenha acesso a um imenso acervo de notícias, artigos, livros e cases sobre o setor. Conheça também os canais nas redes sociais: Facebook; Twitter; Linkedin e Youtube.

O investimento em lideranças é fundamental para o setor social privado

Muitos fatores são cruciais para fortalecer o investimento social privado. Alguns enfatizam a necessidade de mais recursos, outros se voltam para a busca de um melhor apoio na área jurídica. Um ponto fundamental, no entanto, é frequentemente negligenciado: a importância de criar lideranças no setor.

“As pessoas não nascem com aquilo que é necessário para administrar e motivar uma equipe, construir parcerias e liderar as mudanças”, escreve o gestor Ira Hirschfield, presidente do Evelyn and Walter Haas Jr. Fund, entidade norte-americana de promoção de direitos fundamentais.

Em texto intitulado “Investing in leadership to accelerate philanthropic impact”, publicado no site da Stanford Social Innovation Review, ele observa que o setor privado gasta bilhões de dólares no desenvolvimento de lideranças, “pois sabe que líderes preparados são um investimento poderoso”. No setor social, porém, a despesa é relativamente baixa. “Vale questionar se estamos efetivamente capitalizando lideranças.”

A organização presidida por Hirschfield tem atuado nessa área. Ela iniciou, por exemplo, um programa para fomentar líderes na luta por direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT).

Representante do movimento, Rea Carey (diretora-executiva da National Gay and Lesbian Task Force) resume bem a importância de formar lideranças: “é como vitaminar o investimento social privado. Se você quiser que suas doações tenham sucesso, se você quiser que as entidades que você apoia façam o melhor possível para atingir suas metas, é preciso investir em desenvolvimento de lideranças”.

No Brasil, a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps), fundada em 2012, faz um caminho um pouco diferente. Forma não propriamente lideranças do terceiro setor, mas que atuem em causas sociais dentro da esfera política. “Nós estimulamos as pessoas a conhecerem e participarem mais das estruturas institucionais existentes e queremos ter uma rede com uma visão compartilhada sobre o desenvolvimento do Brasil”, diz o fundador e diretor executivo da Raps, Marcos Vinícius de Campos.

Entre as características importantes de um líder estão, segundo Campos, ser uma pessoa “mobilizada”, conhecer metodologias de ação e métricas para avaliar resultados e trabalhar com transparência. “O Brasil precisa adensar sua sociedade civil. Temos muitas pessoas talentosas e hoje há muita gente qualificada abrindo mão de altos postos no mercado empresarial e voltando-se para uma atuação voltada ao bem coletivo”.

Um exemplo dessa trajetória do setor empresarial para o terceiro setor pode ser visto dentro do IDIS, com a história de Paula Fabiani, diretora-presidente desde setembro de 2014. “Sou economista por formação. Trabalhei no setor privado, no mercado financeiro, e então fiz um curso de gestão de organizações da sociedade civil na Fundação Getúlio Vargas”, conta Paula, lembrando que não basta uma formação qualificada para se tornar líder na área social: “é preciso gastar um tempo entendendo o setor para então se posicionar”.

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Burocracia, falta de exemplos e de incentivos travam doações no Brasil, dizem investidores sociais

Quais são os principais desafios do investidor social? O site do IDIS fez essa pergunta a duas personalidades da área: Fernando Stickel, diretor da Fundação Stickel, e Denis Minev, um dos fundadores da Fundação Amazonas Sustentável. Entre os pontos mencionados estão burocracia, incentivos legais ainda limitados e falta de doadores que sirvam de exemplo para a sociedade.

Segundo Stickel, faltam incentivos e a questão burocrática é tão grave,  que ele chegou a pensar em desistir do trabalho social depois de dois anos à frente da organização, fundada por seus pais em 1954.  Ele assumiu a entidade em 2004, e avalia que nada mudou nesse sentido desde então.

Já Denis Minev, que faz investimentos sociais variados no Amazonas, estado em que vive, lembra que existem incentivos para temas como cultura, mas faltam ainda normas para estimular, por exemplo, o trabalho voluntário. “Incentivos fiscais são importantes e certamente ajudam um ambiente filantrópico”, comenta.

Stickel diz que é preciso uma legislação que efetivamente fortaleça o investimento social privado. “Tem que implementar várias coisas que são apenas faladas para, assim, mudar o padrão do comportamento”, diz, acrescentando que o projeto de lei para regulamentar os fundos patrimoniais foi um importante passo nessa direção.

Minev ressalta a necessidade de casos que sirvam de modelo para outras pessoas. “A liderança pelo exemplo é, em geral, mais eficiente do que pelo discurso. Precisamos de exemplos de porte como catalisadores. A inclinação geral para doar é baixa.”. Na mesma linha, Stickel diz que as “instituições sérias que recebem doações e conseguem mostrar seu trabalho acabam servindo de exemplo para incentivar a cultura de doação no Brasil”.

Mas ressalta que há problemas também no modo de pensar da elite. “Acredita-se que é suficiente pagar impostos, e o governo deve cuidar do resto”, afirma Minev. “Nossas elites não têm bom conhecimento de nossa própria sociedade. A classe A se isolou, a distância entre as classes é grande e impede a formação de empatia social.”

Stickel, porém, vê alguns avanços importantes. “O terceiro setor tem se movimentado mais, há várias iniciativas interessantes de entidades como o Gife e o IDIS, que estão realizando encontros e também têm pressionado o governo para que se façam mudanças que beneficiem o setor”.

Planejamento estratégico ajuda instituto a definir seu futuro

Há 16 anos, o Instituto da Oportunidade Social (IOS), mantido pela gigante brasileira de software TOTVS, trabalha com a formação e empregabilidade de jovens e pessoas com deficiência. Tanto tempo de estrada, no entanto, exige momentos de parada para repensar os caminhos percorridos e avaliar quais deverão ser tomados.

“Em 2013, ao assumir uma nova gestão, começamos a refletir sobre o que é nosso trabalho e quais os nossos desafios nos próximos três anos”, diz a gerente geral do IOS, Kelly Christine Lopes. A organização sentiu necessidade de um planejamento estratégico que a ajudasse a definir uma visão de futuro. “Buscamos o IDIS para nos ajudar, pois entendemos que o instituto é uma referência no investimento social privado”, continua Kelly.

O primeiro passo foi fazer um diagnóstico, para obter informações precisas sobre o IOS, explica a gerente de projetos do IDIS, Raquel Coimbra, que coordenou o processo. Na etapa de diagnóstico foram feitas entrevistas com diversas pessoas que trabalham no IOS – cerca de 20% dos funcionários, segundo Kelly, participaram dessa fase de conversas.

A etapa de reflexão estratégica também contou com a participação da equipe do IOS. O IDIS utilizou a metodologia do Balanced Scorecard (BSC) adaptado a organizações da sociedade civil e, como resultado, construiu um mapa que apontou quatro grandes frentes estratégicas para o IOS. “Após a construção do mapa, desdobramos as quatro frentes estratégicas em programas e projetos dentro de um plano de ação com metas até 2016 para o IOS”, diz Raquel.

O trabalho do IDIS encerrou-se com a entrega de um relatório final. O documento está servindo de pilar para dois projetos que o IOS vem desenvolvendo. “Para termos ainda mais presença entre nosso público, estamos investindo em um modelo de capacitação por videoaulas”, diz Kelly. No momento, a equipe está avaliando quais são os modelos existentes no mercado e o que desperta o interesse dos jovens.

Além disso, o instituto também tenta transformar seus cursos em modelos de franquias sociais. “Estamos trabalhando com uma equipe jurídica e buscando parcerias com o Ministério do Trabalho, para nos expandirmos e aumentarmos nossa presença”, afirma Kelly. Ela afirma que os dois projetos devem ser implantados no começo de 2015.

Paula Jancso Fabiani comenta os 15 anos do IDIS

Comemorar os 15 anos de aniversário do IDIS é motivo de grande alegria e satisfação para todos que se relacionam ou já se relacionaram com esta organização. Como muitos de vocês testemunharam, foram 15 anos de árduo trabalho para apoiar a qualificação do investimento social privado no Brasil. O IDIS foi pioneiro no debate propositivo de vários temas como filantropia familiar e comunitária, marketing relacionado à causas e, mais recentemente, fundos patrimoniais. Hoje, vocês aqui presentes e muitos outros compreendem que a filantropia deve ser estratégica para contribuir com o desenvolvimento do país. O IDIS, junto com outras organizações do setor, colaborou de forma decisiva para esta evolução. Afinal, esta é a nossa missão: apoiar o investimento social privado para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e sustentável.

O Brasil e o mundo mudaram muito nestes últimos 15 anos e o ecossistema do investimento social privado também. Estamos presenciando a emergência de uma filantropia conectada, aberta e ágil, somando forças com a filantropia tradicional que tem muita experiência acumulada a oferecer. Debatemos como levar projetos à escala, como viabilizar parcerias com empresas e o poder público, como monitorar e avaliar, falamos sobre negócios sociais, crowdfunding e outros mecanismos para a promoção de uma cultura de doação e transformação social. Buscamos novos caminhos para compreender os problemas e desenhar soluções.

Nesse cenário de mudança acelerada, o IDIS segue buscando amplificar seu impacto na sociedade. Esperamos consolidar as parcerias atuais e estabelecer novas parcerias (dentro e fora do Brasil), aumentar nossa inserção digital e continuar batalhando por um ambiente ainda mais favorável para o investidor social. Ao assumir com muita honra e orgulho a liderança desta extraordinária organização, gostaria de reafirmar meu compromisso com o sucesso do IDIS, para que seu futuro possa ser tão admirável quanto sua trajetória até o presente.

Falando de trajetória, gostaria de destacar a inestimável contribuição de Marcos Kisil na construção e desenvolvimento do investimento social privado brasileiro, na criação deste IDIS que conhecemos e no meu desenvolvimento como profissional do setor. Marcos é, e sempre será, um grande estrategista. Sua visão de mundo e de onde podemos chegar sempre me surpreendeu e me inspirou. Levo comigo esta ambição de ir além, de realizar mais do que imaginamos possível. Os 15 anos do IDIS são um legado que assumo com muita responsabilidade e gratidão. Gratidão por ter o Marcos como um mentor que me ensinou a valorizar os seres humanos acima de tudo, a ter perseverança e resiliência na solução de questões difíceis.

Por fim, não posso deixar de agradecer à maravilhosa equipe (passada e a atual) e o Conselho do IDIS, que tem apoiado esta transição e com quem conto para a construção de um futuro ainda mais expressivo para o investimento social privado brasileiro. Convido a todos os nossos leitores do InVista a celebrar estes 15 anos de dedicação na construção de um Brasil mais justo e sustentável.

Aos 15 anos, IDIS lança novo site para marcar o realinhamento estratégico de sua comunicação

Acostumado a auxiliar organizações maduras a avaliarem o trabalho e fazerem ajustes depois de muito tempo de estrada, chegou a hora de o IDIS, ao completar 15 anos, rever sua própria atuação. O processo inclui reformulação da forma de se comunicar.

“Estamos fazendo um processo de revisão estratégica da comunicação e da atuação do IDIS”, afirma a diretora-executiva, Paula Fabiani. “Buscamos formas de nos comunicar de forma mais efetiva.”

A criação de um novo site é peça fundamental nessa etapa, e não se trata apenas de uma troca de roupagem, mas de uma mudança de postura. Afinal, se algo mudou muito nestes 15 anos foram justamente as ferramentas de comunicação, com o crescimento exponencial da internet e das redes sociais. “Vamos realinhar todos os nossos canais. Queremos aumentar a inserção digital do IDIS, utilizar as ferramentas de maneira mais ampla, trazer mais modernidade à comunicação”, explica Paula.

Não foi só o advento da internet e das mídias sociais que pressionou por mudanças na comunicação. O próprio investimento social privado mudou muito nesta década e meia. “Quando o IDIS surgiu, havia pouca informação sobre o tema; agora, há mais informação, queremos focar  nas inovações do setor”, diz Paula.

O instituto agora adota uma postura mais proativa para disseminar. Este posicionamento já havia ficado mais claro com a organização do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, realizado em 2012 e 2013. Além de produzir informação – como publicações, disponíveis no site –, o IDIS passa a discutir os grandes temas do setor.

A organização também tem se lançado com mais intensidade em ações de advocacy, como as voltadas para a aprovação, no Congresso Nacional, de um marco regulatório para criação e manutenção de fundos patrimoniais. Além disso, está envolvida em ações para desenvolver política pública para a primeira infância para populações ribeirinhas da Amazônia.

Outra iniciativa foi desenvolver o Redis, uma rede para colocar em contato direto investidores sociais privados de todo o Brasil. “A comunidade filantrópica brasileira é ainda muito fragmentada, o setor é recente e existem poucos institutos e fundações que trabalham em parceria”, afirma Paula, lembrando que o objetivo é criar uma rede de investidores sociais que colaborem uns com os  outros.

Com este reposicionamento estratégico, o IDIS acompanha as mudanças pelas quais o investimento social privado passou nos últimos anos. Mais ainda: continua a ser um dos impulsionadores do setor, como tem sido até agora.

Livro Apresenta Casos Reais Para Discutir Capacidade Transformadora da Filantropia

O livro “Change Philanthropy”, da consultora americana Alicia Epstein Korten, aborda a experiência de dez organizações que desenvolveram estratégias de filantropia eficazes em suas respectivas áreas de atuação.

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Em seu livro, a presidente da consultoria filantrópica ReNual discute como algumas das principais organizações americanas têm alcançado impactos importantes no que se refere à equidade.

Especialista no uso de ferramentas de comunicação, Alicia Korten discorre sobre experiências com foco em melhoria de renda, incremento do orçamento de escolas públicas, desenvolvimento do investimento social, auxílio a organizações de imigrantes e de mulheres, em linguagem direta, franca e não acadêmica. O objetivo do discurso sem rodeios é facilitar o entendimento para iniciantes no setor e também estabelecer vínculos com o leitor. Nada mais natural, visto que o discurso engajado de Alicia funciona mesmo como uma espécie de chamado à ação.

No livro, a autora defende que os ativistas sociais devem ajudar os cidadãos a “transformar sistemas, instituições e culturas para garantir a todos a plena participação social, econômica, espiritual e política na vida de seus países”.

As organizações cujas histórias inspiraram Alicia Korten são o Needmor Fund, Open Society Institute, Global Fund for Women, Gulf Coast Fund for Community Renewal and Ecological Health, e as fundações Ford, Discount, Schott, Liberty Hill, Charles Stewart Mott e Jacobs.

Para mais detalhes sobre o livro “Change Philanthropy: Candid stories of foundations maximizing results through social justice”, clique aqui.

A obra, ainda não traduzida para o português, está disponível em formato tradicional (papel) e também em E-Book.

Caso queira adquirir o livro diretamente da editora, clique aqui.

 

 

Investidores sociais do Amazonas debatem desenvolvimento, doação e filantropia

O IDIS realizou, no dia 29 de maio, o Encontro de Investidores Sociais do Amazonas, reunindo mais de cinquenta participantes que debateram sobre o investimento social privado e políticas públicas, desenvolvimento local, o papel das empresas e as inspirações dos doadores, dentre outros assuntos.

eisamazonas.jpgO Encontro foi realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) e contou com a presença de especialistas e filantropos na mesas de debate, dentre os quais Denis Minev, investidor social local; Aristarco Martins Neto, do Grupo Simões; Armando Ennes do Vale, da Whirpool Latin America; Wilson Duarte Alecrim, da Secretaria de Saúde do Governo do Amazonas; Leonardo Yanez, da Bernard van Leer Foundation, Marcos Kisil e Paula Fabiani, do IDIS, e Virgilio Viana e Rhamilly Amud, da FAS.

Encontro de Investidores Sociais do Amazonas é uma iniciativa do IDIS que faz parte do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. Desde 2013, o IDIS realiza três encontros regionais que antecedem o Fórum, e o do Amazonas foi o primeiro de 2014. As duas próximas edições serão no Rio de Janeiro e Cuiabá.

Na edição do Amazonas o IDIS contou com parceria estratégica com o Instituto C&A, parcerias locais com a FIEAM, Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM) e a Fundação Amazonas Sustentável, e apoio financeiro da Fundação Rockefeller. O IDIS é parte da Aliança Global da Charities Aid Foundation (CAF), apoiando filantropos e investidores sociais nos principais países do mundo.

Assista a um curto vídeo sobre o Encontro de Investidores Sociais do Amazonas na nossa página do YouTube, clicando aqui.

 

Não há metodologia de avaliação de impacto de négocios sociais que sirva para todos os casos, dizem especialistas

A avaliação de impacto tornou-se um dos assuntos mais importantes para quem está desenvolvendo negócios sociais. Como saber se uma iniciativa está apresentando os resultados esperados? Ou se as mudanças são de fato decorrentes de um projeto? Não importa qual a questão, a resposta parece ser a mesma: “Não há uma forma padronizada de pensar avaliação de impacto”, afirmou a professora Angélica Rotondaro, representante, no Brasil, da universidade suíça de St. Gallen, cujo escritório brasileiro lida com o tema.

“Há uma geração que se importa mais com os resultados socioambientais das empresas do que com os retornos financeiros, mas existem vários tipos de indicadores e métodos de análise e não há uma crença fixa sobre eles”, disse Angélica, que participou, com outros especialistas, do painel “Avaliando impacto: teoria de mudança e abordagens de avaliação e métricas”, durante o Fórum Brasileiro de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, que aconteceu em São Paulo, entre 6 e 7 de maio. O evento foi promovido pelo Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), pela Vox Capital e pela Artemisia.

“Não há bala de prata, uma solução definitiva”, concordou Karim Harji, fundador da canadense Purpose Capital, que assessora o investimento social privado de indivíduos, famílias e fundações. “Há muitas coisas sendo feitas, mas elas estão fragmentadas em diversas regiões e setores”, continuou.

O lado bom dessa dispersão, segundo ele, é a possibilidade de uma “abordagem descentralizada e customizada da análise de impacto, ainda mais porque são necessárias diferentes ferramentas para os diferentes momentos de um negócio social”.

A dificuldade de medir impacto ficou clara na intervenção de Gilberto Ribeiro, sócio da Vox Capital, que investe em negócios sociais. “Nós temos a dor de fazer investimentos sem saber como medir os resultados”, comentou. “Como se compara o benefício de uma criança com um ano a mais de escolaridade e uma família que agora tem uma casa?”, exemplificou. Angélica também ressaltou que “a comparabilidade entre projetos é difícil, ainda que se possam comparar iniciativas dentro de um mesmo segmento”.

Na prática, disse Ribeiro, “para cada projeto há coisas que são mais importantes que outras”. A Vox Capital, de qualquer modo, tem usado uma metodologia chamada Teoria da Mudança. “Pensamos em objetivos de longo prazo e de trás para frente. Pegamos o problema e criamos, ao contrário, um mapa de como atingir a meta de repará-lo.” Harji concordou com o sócio da Vox Capital ao dizer que “avaliar impacto é específico para resultados de longo prazo”.

Quando lançou seu plano de medir impacto, a Amata, que produz madeira certificada, chegou a levantar 75 indicadores. “Já partimos de base existente, pois havia muita gente com coisas feitas sobre o setor”, afirmou o fundador da empresa, Dario Guarita Neto. No entanto, pouco depois decidiu se restringir a 12. “É impossível avaliar e gerir mais indicadores do que isso”, disse Guarita, lembrando que avaliação de impacto demanda mais tempo do que investimento financeiro. Além disso, ele destacou a importância de, para cada indicador, estabelecer metas e pessoas responsáveis por elas, para uma melhor governança do projeto.

 

 

Quem doa dinheiro é mais feliz, aponta pesquisa norte-americana

Quer se sentir feliz? Pois doe dinheiro! Um artigo publicado na revista Current Directions in Psychological Science aponta que os benefícios de ajudar outras pessoas “são evidentes em doadores idosos ou jovens em países ao redor do mundo, e se reflete não só no bem-estar subjetivo, mas também na saúde objetiva”.

texto – assinado pelas psicólogas Elizabeth Dunn e Lara Aknin e pelo professor da Harvard Business School Michael Norton – analisa diversos estudos, alguns conduzidos pelos próprios autores.

Eles começam resumindo uma pesquisa de 2008 que deu U$ 5 ou U$ 10 aos participantes. Alguns foram instruídos a comprar algo para si; outros, a doarem a quantia para alguém. “Naquela tarde, as pessoas que tiveram de gastar seu dinheiro com outra pessoa relataram humores mais alegres no decorrer do dia do que aquelas que tiveram de gastar com elas mesmas”, escreveram os autores.

Outro estudo, de 2012, mostrou que a sensação de felicidade é sentida até por crianças bem pequenas. Na pesquisa, bebês de até dois anos demonstraram mais alegria quando davam um biscoito para um boneco do que quando eles mesmos recebiam a comida.

Uma boa notícia é que alguns dados apontam que a relação entre felicidade e doação não se restringe aos Estados Unidos ou a países ricos. Um estudo da Harvard Business School verificou informações sobre 136 países e constatou “uma relação significativa entre doações e felicidade” em 120 deles, tanto ricos quanto pobres.

Os autores do artigo ressaltam, no entanto, que a ligação entre doar e sentir-se feliz não é automática. Depende de três fatores: relacionamento, competência e autonomia. Em relação ao primeiro, escrevem os autores, “descobrimos que os indivíduos ficam mais felizes com gastos sociais quando a doação dá a oportunidade para que eles se relacionem com outras pessoas”.

O segundo fator significa que as pessoas têm necessidade de mostrar competência, o que ocorre se “conseguem ver como suas ações generosas fizeram diferença”. Já a “necessidade de autonomia é satisfeita quando as pessoas sentem que suas ações são livremente escolhidas”.

Ao fim, os autores concluem que as organizações da sociedade civil que buscam doações podem se beneficiar dos resultados da pesquisa, pois, “quanto mais conseguirem maximizar os benefícios emocionais da doação”, maior a possibilidade de conseguirem recursos.

 

 

Ministro discute tramitação de projeto sobre fundos patrimoniais com comitê de filantropos

Um grupo formado por filantropos organizado pelo IDIS foi a Brasília debater com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a tramitação do projeto de lei que regulamenta a criação e o funcionamento de fundos patrimoniais – aplicação de recursos cujo rendimento é importante para custear uma organização social. O relator da proposta, deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), também esteve no encontro.

invista154bNa reunião, em 20 de maio, Carvalho e Teixeira se comprometeram a trabalhar por uma aprovação rápida, se possível antes do recesso parlamentar de julho. A assessora especial da Secretaria-Geral, Laís de Figueiredo Lopes, chegou a ponderar que o diálogo no Congresso Nacional nunca é tão ágil, mas também se comprometeu a apoiar a busca rápida da votação do projeto.

O secretário-executivo da pasta, Diogo Sant’Ana, afirmou que o governo gostaria de incluir na proposta um incentivo fiscal para doações de pessoas físicas. O procurador de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal José Eduardo Sabo, que fez parte do grupo, ponderou que a inclusão do tema poderia gerar resistências em outras instâncias, notadamente na Receita Federal. Carvalho, no entanto, disse que fariam “testes internos e, se percebermos uma resistência da Receita, retiramos essa ampliação do incentivo fiscal”.

O encontro sucedeu uma reunião feita em 4 de fevereiro, na qual Marcos Kisil e Paula Fabiani, respectivamente diretor presidente e diretora executiva do IDIS, entregaram o texto da proposta para Sant’Ana e Laís junto com os participantes do Grupo de Estudos de Fundos Patrimoniais André Degensjazn, Maria Lucia de Almeida Prado e Silva, Felipe Sotto-Maior e Priscila Pasqualin. Este Grupo de Estudos elaborou o texto da proposta apresentada. Neste Grupo de Estudos, criado em 2013, participam 90 pessoas incluindo juristas, profissionais e representantes de 35 organizações da sociedade civil, Ministério Público e universidades.

Gilberto Carvalho já havia demonstrado comprometimento com temas relacionados ao investimento social privado. Durante o II Fórum Brasileiro de Filantropos & Investidores Sociais, organizado pelo IDIS e pelo Global Philanthropy Forum em 24 de outubro, em São Paulo, ele disse que via “com muita simpatia a busca do IDIS e dos participantes do evento por uma regulação para doações e fundos patrimoniais”.

O ministro ressaltou estar “aberto a receber sugestões para uma regulação legal que organize a generosidade”. Na ocasião, Paula Fabiani respondeu prontamente: “Vamos montar uma comitiva de investidores sociais para esse tema”. O encontro com Gilberto Carvalho é um claro desdobramento daquele evento.

 

 

Presidente do BNDES Defende Criação de Fundos Patrimoniais para Organizações da Sociedade Civil

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, defendeu a criação de fundos patrimoniais – também chamados de endowments – como instrumento para apoiar a sobrevivência financeira das entidades sociais.

“É preciso uma ferramenta mais poderosa para a sustentação das organizações que se destacam por seu alto poder replicativo de projetos”, afirmou durante a mesa que encerrou o primeiro dia do Fórum Brasileiro de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, que aconteceu em São Paulo, entre 6 e 7 de maio. O evento foi promovido pelo Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), pela Vox Capital e pela Artemisia.

A sustentabilidade das organizações da sociedade civil, avaliou o presidente do BNDES, é “um desafio”. “As organizações vivem de projetos”, constatou. Investidores sociais quase sempre preferem colocar recursos em iniciativas específicas, em vez de financiar a estrutura das entidades, de forma que elas “se sustentem e cumpram seus objetivos”.

Os endowments ajudariam a mudar esse quadro. Coutinho inclusive disse que o banco federal de fomento está aberto a propostas de criação de fundos de apoio a negócios sociais, empreendimentos que tentam mesclar finalidade lucrativa e filantropia. “Eu batizaria de fundo de investimento social e ambiental, pois esses são dois temas convergentes”, disse ele, que ainda especulou sobre o funcionamento da ferramenta: “Os fundos seriam geridos por instituições financeiras de primeira linha e acreditadas”.

A proposta de Coutinho ocorre pouco tempo depois de o governo federal ter recebido, em 4 de fevereiro, uma proposta de projeto de lei sobre o assunto elaborada por um grupo de trabalho criado pelo IDIS e composto por juristas, representantes de 35 organizações da sociedade civil, Ministério Público e universidades.

Negócios sociais

A mesa “Grandes investimentos levam a grandes transformações: o papel do capital privado e o público”, da qual Coutinho participou, também discutiu a convergência entre diferentes fontes de financiamento para o ainda nascente mercado de negócios sociais no Brasil e na América Latina.

A boa notícia é que grandes bancos de desenvolvimento da região estão criando fundos para esse ramo. Coutinho, por exemplo, disse que recursos do BNDES são os maiores abastecedores de organizações que trabalham com microcrédito – um dos tipos mais clássicos de negócios sociais, que dá acesso ao crédito a populações de baixa renda.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é outra instituição que volta seus olhos para atividades que tentam abranger ação de mercado e resolução de problemas sociais. O gerente do setor de Oportunidades para a Maioria do BID, Luiz Ros, disse que, em 2005, o banco “começou a ver que o setor privado pode complementar o setor público na área social”.

No entanto, foi um desafio abrir uma frente de atuação com o setor privado em uma instituição que tradicionalmente trabalha com entes estatais. O tamanho da oportunidade ajudou a mudar isso. “Há 700 milhões de pessoas na base da pirâmide social na América Latina, e isso representa um potencial enorme. Tem de pensar neles como consumidores e produtores”, disse Ros. O BID atualmente tem um portfólio com 50 iniciativas ligadas a negócios sociais, num investimento de U$ 350 milhões.

Já Randall Kempner, diretor executivo da Aspen Network of Development Entrepreneurs (Ande), rede global que promove o empreendedorismo em países em desenvolvimento, afirmou que “ainda estamos nos estágios iniciais de criar uma indústria”, mas ressaltou que o “Brasil é o maior recebedor de investimento de impacto na América Latina”, e disse estar muito impressionado com o país.

Eliza Erikson, diretora de investimentos da Omidyar Network, fundo filantrópico do criador do site de leilões eBay, Pierre Omidyar, destacou o crescimento das classes C, D e E nos últimos anos no Brasil. Chamou atenção, ainda, para outra característica do país: “Vocês têm uma grande densidade urbana”. Com isso, há muito espaço para o surgimento de negócios sociais que supram demandas por serviços básicos nas cidades.

 

 

Evento Discute Negócios Sociais e Lança Força-tarefa para Potencializar Investimentos de Impacto Social

Ainda incipientes no Brasil, os negócios sociais – empreendimentos que tentam aliar lucratividade e benefícios sociais – começam a chamar a atenção de jovens empreendedores e de grandes veículos de comunicação. Neste contexto, faz todo sentido criar um grupo de trabalho que identifique os entraves para o crescimento desse mercado e sugira iniciativas que possam impulsioná-lo.

A Força-Tarefa Brasileira de Finanças Sociais foi lançada no encerramento do Fórum Brasileiro de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, que ocorreu em São Paulo, em 6 e 7 de maio. O evento foi organizado pela Vox Capital, pela Artemisia e pelo instituto de Cidadania Empresarial (ICE).

“Se nós deixarmos o campo andando naturalmente, vai demorar muito”, afirmou Fabio Barbosa, presidente do Grupo Abril e um dos integrantes da força-tarefa. “É preciso comandar o processo para acelerá-lo. Seremos catalisadores do processo. O propósito do grupo é mobilizar mais recursos para as iniciativas de impacto social e acelerar a estruturação de um ecossistema propício”, disse ele, que falou em nome do grupo durante o lançamento.

“Há muitos problemas a serem resolvidos no Brasil e várias soluções; o empreendedorismo é uma delas”, continuou Barbosa. “Não é uma questão de impacto social ou retorno, e sim de impacto social e retorno”.

Ao lançar sua força-tarefa, o Brasil coloca-se na vanguarda das discussões sobre os investimentos de impacto social. O G-8 – que reúne as sete maiores economias do mundo e a Rússia – deflagrou iniciativa semelhante no ano passado. O Reino Unido, país em que o campo está mais desenvolvido, criou seu grupo em 2002.

O mentor do projeto, Ronald Cohen, também falou, por videoconferência, durante o evento. “Nós vimos que as áreas mais pobres eram também as que menos tinham ofertas de serviços básicos. Precisávamos criar investimentos para fundar empresários que trabalhassem nesses locais, que servissem de modelo e ajudassem pessoas”, contou.

Para o inglês, uma das principais mudanças no campo do investimento social privado foi o desenvolvimento de metodologias de medição de impacto. “A filantropia tradicional enfoca mais doação do que resultados. Ficava-se satisfeito em apresentar números, e não mudanças”, disse. No entanto, o foco, tanto em organizações com ou sem fins lucrativos, passou a ser avaliar as reais mudanças de fato decorrentes de seus projetos.

Cohen, que participou da criação dos hoje bilionários mercados de venture capital e private equity, não hesitou, sobre os investimentos de impacto, em cravar: “Estamos no limiar de uma revolução”.

Discussões

Até como uma espécie de preparação para o lançamento da força-tarefa, o fórum trouxe uma série de plenárias que discutiram os principais assuntos relacionados aos investimentos de impacto e aos negócios sociais.

Entre outros temas, palestrantes brasileiros e estrangeiros debateram assuntos como o desenvolvimento de um ecossistema para o setor, modelos de avaliação de impacto, inovações nos mecanismos financeiros para projetos, o equilíbrio entre lucro e impacto, o papel da academia nas discussões e a busca por escala nas iniciativas.

Foram apresentadas ainda “pílulas de inovação”, na qual empreendedores sociais puderam apresentar projetos que oferecem algum tipo de serviço básico para populações de classes mais baixas e, ao mesmo tempo, também conseguem obter retornos financeiros.

 

 

A Participação de Organizações Empresariais em Redes Sociais

Baseado em trecho do livro “Redes de Desenvolvimento Comunitário: Iniciativas para a Transformação Social”, de Célia R. B. Schlithler, a publicação apresenta as diversas formas de empresas e institutos e fundações empresariais atuarem nas redes sociais.

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Como Definir o Foco de Investimento Social Corporativo

A nota técnica explica a importância da definição do foco do investimento social corporativo e seu processo de construção. Também descreve o que a empresa deve observar na hora de estabelecer o foco de um programa de Marketing Relacionado a Causas.

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Os Principais Erros do Investimento Social

A alocação estratégica e voluntária de recursos privados para fins públicos (Investimento Social Privado) está presente na pauta das empresas. Mas estar atento para a questão não significa realizar ações de forma efetiva e impacto positivo. Confira os erros mais comuns, que devem ser evitados.

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Como Incorporar os Valores da Sustentabilidade Corporativa na Empresa?

Publicado pelo IDIS em fevereiro de 2007, o documento apresenta um roteiro simplificado de como inserir os valores da sustentabilidade corporativa na empresa, advertindo que esse processo deve permear todas as atividades da organização e ser revisitado periodicamente, dada sua constante mutação.

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Diferencias entre Associação e Fundação

Na nota técnica, o IDIS explica quais são as especificidades, vantagens e desvantagens de se criar uma associação ou fundação, enquanto personalidade jurídica para uma organização social. Confira também que algumas nomenclaturas são consideradas fantasia.

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Sustentabilidade: a Construção de uma Nova Gestão Para as Empresas

As gerentes de Projeto do IDIS, Daniela Saraiva Santos e Mirza Laranja, discutem a constante construção dos termos sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. Há mais de 20 anos, pesquisadores, estudiosos e organizações multilaterais debatem a aplicação dos conceitos na gestão das empresas.

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Roteiro para Orientar o Investimento Social Privado na Comunidade

Baseado em trechos do livro do IDIS “A Empresa na Comunidade: um passo-a-passo para estimular sua participação social”, escrito por Carla Cordery Duprat, este documento discute o papel das empresas no desenvolvimento social e apresenta sete passos considerados fundamentais para estruturar o investimento social empresarial.

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Campanha Anual e Campanha Capital de Captação de Recursos

Campanha Anual e Campanha Capital de Captação de Recursos para organizações sem fins lucrativos são termos muito utilizados na teoria internacional de captação de recursos. Estes termos, bastante comuns no repertório das campanhas americanas e européias, são pouco utilizados no Brasil.Esta nota técnica, elaborada pelo coordenador no Brasil da Aliança Estratégia IDIS/The Resource Alliance, Rodrigo Alvarez, tem o objetivo de conceituar quais são as diferenças principais entre esses dois tipos de Campanhas e dar subsídios para que organizações sem fins lucrativos no Brasil avaliem quaisos benefícios de diferenciar seus esforços de captação de recursos entre Campanhas Anuais e Campanhas Capitais.

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Em Evento Sobre Primeira Infância, Diretora Executiva do IDIS se Torna Líder Global

Participando do World Forum on Early Care and Education (Fórum Mundial sobre Atenção à Primeira Infância), em Porto Rico, a Diretora Executiva do IDIS, Paula Fabiani, foi agraciada com o certificado de Global Leader for Young Children, como resultado das ações do IDIS no Programa Primeira Infância Ribeirinha, na Amazônia.

Uma iniciativa da World Forum Foundation, o World Forum on Early Care and Education foi realizado na cidade San Juan, em Porto Rico, entre os dias 6 e 9 de maio, e contou com a presença de representantes do mundo todo, incluindo o Brasil. Políticas públicas de primeira infância, o investimento social de empresas e sustentabilidade das ações foram alguns dos temas tratados no Fórum.

Segundo Paula Fabiani, Diretora Executiva do IDIS, “foi um evento realmente global, com 843 pessoas de 81 países trocando experiências sobre o desenvolvimento da primeira infância. O Brasil, com uma delegação de 8 Global Leaders, se apresenta como país avançado na legislação para a infância e tendo desafios comuns: implementação de políticas públicas e integração dos dados sobre a criança.”

Sobre o certificado recebido pela Diretora Executiva do IDIS, o programa Líderes Globais para a Primeira Infância é uma iniciativa de incidência política (advocacy) da World Forum Foundation que inspira e empodera novas lideranças. Professionais de primeira infância engajados em todo mundo se reúnem para ser treinados, compartilhar experiências, e colaborar. Globalmente e localmente eles se tornam corajosos, defensores inovadores que se levantam para provocar mudança duradoura com crianças e famílias.

Depois de quatro dias de debates e muita troca dentre os participantes, o World Forum on Early Care and Education foi encerrado com uma reflexão sobre como é possível mudar o mundo a partir das diferenças, deixando inspirados os líderes que vão transformar a realidade mundial.

 

 

Edição 2014 do Global Philanthropy Forum Debateu o Papel Dos Indivíduos na Busca por Transformações Globais

Com o tema “Global Goals, Citizen Solutions”, a edição de 2014 do Global Philantropy Forum reuniu nos dias 23 a 25 de abril, na Califórnia, filantropos do mundo e contou, pela primeira vez, com uma delegação de investidores sociais brasileiros, liderada pelo IDIS e pelo GIFE. Dentre os destaques do evento, palestraram o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, e a ex-primeira-ministra da Noruega e membro do grupo The Elders, Gro Brundtland.

GP2014 Logo

O tema da edição deste ano do Global Philanthropy Forum foi “Global Goals, Citizen Solutions” (“Metas Globais, Soluções Individuais”, em tradução livre). Dentre os palestrantes deste ano destacaram-se o Presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, o Presidente da Fundação Ford, Darren Walker, e a ex-Primeira Ministra da Noruega, e membro do Grupo The Elders, Gro Brundtland. O Brasil também contou com duas palestrantes, Paula Fabiani, Diretora Executiva do IDIS, que falou sobre a nova geração de redes de investidores sociais, e Beatriz Gerdau Johannpeter, que debateu a filantropia comunitária no Brasil.

A delegação de brasileiros conduzida pelo IDIS em parceria com o GIFE visitou, na véspera do evento, dia 22 de abril, o escritório do Google na cidade da Califórnia, onde foi recepcionada por Jacquelinne Fuller, Diretora do Google.org. Jacquelinne apresentou à Delegação a estratégia de filantropia global do Google, que procura investir em projetos que reúnam transformação social de impacto e tecnologia, Da delegação fizeram parte filantropos e membros de organizações como Fundação Roberto Marinho, Fundação Bradesco, Instituto Coca-Cola, Instituto Abramundo, e Instituto Votorantim, dentre outros.

Global Philanthropy Forum é uma iniciativa da World Affairs Council, e no Brasil é representado pelo IDIS, que realiza desde 2012, em parceria com a organização americana, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, gratuito e exclusivo para convidados. Segundo João Paulo Vergueiro, que é Gerente de Relações Institucionais do IDIS e está responsável pela edição brasileira do Global Philanthropy Forum, ” a versão realizada nos Estados Unidos, é uma referência importante para que saibamos o que a filantropia mundial está debatendo, suas tendências e inovações. A edição brasileira está bastante alinhada com ela e reúne cento e cinquenta  participantes e uma seleção qualificada de palestrantes internacionais e nacionais para se somar aos filantropos brasileiros que compartilham da sua experiência e inspiração.”

Para saber mais escreva para comunicacao@idis.org.br.

 

 

SP Sedia Encontro Global Sobre Inclusão Das Mulheres na Economia da América Latina

Enquanto os olhos do mundo se voltam para o Brasil às vésperas da Copa, um grupo de líderes globais vai se reunir em São Paulo para debater o papel das mulheres na economia da América Latina, discutir maneiras de aumentar a inclusão feminina e entender a relação entre negócios, deenvolvimento e direitos humanos.

Essas serão algumas das questões abordadas no 3º Women´s Forum Brazil, que vai acontecer em 26 e 27 de maio, em São Paulo, e cujo tema será “Criando uma economia próspera para todos”.

Entre os palestrantes estarão a ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci de Oliveira; a diretora da Clinton Global Initiative, Penny Abeywardena; a CEO do Magazine Luiza, Luiza Trajano; e a vice-presidente executiva do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Julie Katzman.

O evento é um desdobramento do Women’s Forum for the Economy and Society (http://www.womens-forum.com/), uma iniciativa criada em 2005 em Paris e que se tornou uma importante plataforma mundial para as mulheres expressarem suas vozes e seus pontos de vista sobre temas econômicos e sociais relevantes.

As inscrições para o evento, que acontecerá no hotel Grand Hyatt, vão até o dia da abertura do encontro, e podem ser feitas no sitehttp://www.womens-forum.com/meetings/women-s-forum-brazil-2014/13/apply.

Privatização Nutre Fundos Patrimoniais Filantrópicos

Em 2013, o professor Lester M. Salamon, diretor do John Hopkins Center for Civil Society Studies, e associados, expuseram os primeiros resultados de um estudo em curso sobre a formação de fundos patrimoniais filantrópicos a partir de processos de privatização — “Philanthropication Thru Privatization – Building Assets for Social Change”. O estudo, apresentado na Alemanha, e que conta com a participação do presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – IDIS, Marcos Kisil, trouxe importantes lições sobre os processos de privatização no mundo e acrescentou ao debate uma pergunta capital: de quem é a propriedade de um bem público – rodovia, porto, aeroporto?

A resposta mais simples considera que os bens são do Estado e, portanto, todo e qualquer recurso arrecadado com seu usufruto, venda, concessão etc, deve ir para o Tesouro Nacional.

A resposta mais abrangente, porém, entende esses bens públicos como pertencentes à sociedade que, por meio de seus impostos e taxas, sustenta as estruturas existentes do Estado. Neste caso, a questão ganha uma nova dimensão, pois os recursos arrecadados podem vir a servir também para o fortalecimento da própria sociedade civil e suas organizações.

Buscando conhecer a fundo processos que seguiram a lógica acima, o estudo apresentou informações de mais de 500 organizações filantrópicas que tiveram fundos patrimoniais (endowments) criados como resultado de privatizações, distribuídas em 20 países. O total de ativos destas organizações sem fins lucrativos alcança um valor impressionante de US$ 127,5 bilhões.

Alguns dos casos mais interessantes detalhados no estudo são:

• A experiência mais antiga apresentada envolve a Fundação Volkswagen, na Alemanha. Quando terminou a II Guerra, a propriedade da empresa, que foi fundada durante o regime nazista e foi parte do esforço de guerra, foi alvo de debate pelo governo local, governo federal e sociedade civil. Em 1960 foi organizada a Fundação Volkswagen para ser a proprietária da empresa, sendo que 60% das ações da montadora pertenceriam à Fundação, 20% ao governo federal alemão e 20% ao governo do Estado da Baixa Saxônia. Em 1973, todas as ações da Fundação tinha sido vendidas ao mercado e os 20% do governo alemão foram vendidos nos anos seguintes. Hoje o governo da Baixa Saxônia detém aproximadamente 16% das ações que são negociadas em bolsa.

A Fundação Volkswagen foi a grande beneficiária da valorização e venda das ações, tendo hoje um capital investido em um fundo patrimonial com ativos na ordem de US$ 3,4 bilhões que são empregados em seu foco programático, Ciência e Tecnologia. Em resumo: a empresa foi privatizada, com a venda de 60% de suas ações ao mercado, em um processo no qual uma alternativa interessante foi desenvolvida para atender a demandas da sociedade civil e do governo local: a Fundação Volkswagen. Atualmente, a Fundação já não tem mais ações da Volkswagen e, portanto, nenhuma relação com a empresa, a não ser o nome.

• Em 30 de julho de 1990, o Parlamento italiano aprovou uma lei que teve grandes e positivas implicações para o desenvolvimento sócio-econômico do país. A lei “Amato-Carli” reformou o sistema bancário italiano como parte da reforma do sistema financeiro, e teve como premissa a criação de fundações que fossem acionistas dos novos bancos criados e que, posteriormente, com o sistema fortalecido, venderiam suas ações montando fundos patrimoniais com os recursos obtidos. No total, foram criadas 88 “fundações bancárias”, cujos ativos totalizaram US$ 65 bilhões. Duas dessas fundações – Cariplo e Companie San Paulo – estão entre as dez maiores do mundo quanto ao total de ativos dos fundos patrimoniais. Fundações originárias de privatizações de bancos também surgiram na Áustria (Sparkasse), Inglaterra (Lloyds TSB) e Nova Zelândia (Community Trusts).

• A República Tcheca destinou 1% dos recursos gerados nos processo de privatização na década de 90 para o estabelecimento de um fundo que financiou a formação de fundos patrimoniais de 74 fundações no país. Esta é uma das experiências que demonstra o potencial impacto desta possível estratégia para um governo preocupado com desenvolvimento sustentável de seu setor sem fins lucrativos.

No estudo, a maior parte das organizações analisadas apresentou desempenho, estrutura de governança e gestão acima dos padrões existentes em instituições semelhantes. No geral, são organizações com interesse comunitário local que colocaram os seus países no centro das discussões sobre o papel da filantropia global e desenvolveram tecnologias sociais de destaque.

O estudo encontrou evidências de que as concessões e privatizações podem ser instrumentos poderosos de estruturação de um setor filantrópico permanente em uma sociedade. A captura de recursos privados e a sua destinação de forma perene para propósitos sociais, culturais e ambientais se apresenta como uma estratégia de sucesso em diversos países. Recomendações para a efetivação deste processo são apresentadas no estudo e poderiam ser consideradas pelo governo brasileiro em suas próximas concessões.

Esta é uma rota que, se adotada, fortaleceria a sustentabilidade de organizações do setor sem fins lucrativos, tema que já faz parte da agenda nacional tanto da sociedade civil como do governo federal, na atuação da Secretaria Geral da Presidência da República.

O próprio Ministério da Fazenda, em apresentação do Ministro Mantega realizada dia 02 de dezembro do ano passado, estima em US$ 595 bilhões o total do investimento no Brasil que virá das concessões em infraestrutura nos próximos dez anos. Com base nisso é possível imaginar que a adoção de política semelhante no Brasil traria um extraordinário impacto no terceiro setor, importante parceiro do governo no desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes.

Os resultados apresentados são encorajadores. A criação de fundos patrimoniais perenes, além de ter o potencial de originar novas estruturas para desenvolvimento de soluções para os problemas sociais e ambientais, garante que as organizações e estratégias tenham sustentabilidade no longo prazo, desafio atual de grande parte das organizações da sociedade civil brasileiras.

Para um governo que nas recentes manifestações recebeu críticas sobre sua incapacidade de prestar serviços que são obrigações constitucionais, como em saúde e educação, a presença de uma sociedade civil forte e atuante, não dependente de recursos governamentais, pode se traduzir em melhores soluções e serviços para a população, bem como em elemento promissor contra a corrupção e uso mais eficiente dos recursos públicos.

Artigo de autoria de Marcos Kisil, diretor presidente do IDIS, e  Paula Jancso Fabiani é diretora executiva do IDIS, publicado no Jornal Valor Econômico no dia 05 de maio.

 

 

Crescimento Econômico Pode Impulsar Doações no Brasil, Avalia Gerente da CAF

O primeiro módulo brasileiro do Foundation School 2014, realizado pelo IDIS em São Paulo, discutiu as oportunidades de crescimento de doações decorrentes da ampliação da classe média e da classe alta no Brasil e no mundo. O encontro, em 27 de maio, incluiu uma apresentação sobre o tema feita pelo gerente de política internacional da organização britânica Charities Aid Foundation (CAF), Adam Pickering.

Ele apresentou dados sobre o crescimento dos dois grupos. Segundo o estudo The Wealth Report, por exemplo, o número de pessoas com mais de US$ 100 milhões vai aumentar em todas as regiões do mundo entre 2011 e 2016, com incrementos expressivos principalmente na Ásia, na América do Norte e na América Latina. O Brasil, segundo o Crédit Suisse, tinha, em 2013, cerca de 220 mil milionários. Em 2018, devem ser 407 mil (um salto de 84%).

Já um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico prevê que, entre 2009 e 2030, haverá um crescimento da classe média de 165%, com destaque, principalmente, para Ásia, Oriente Médio e Norte da África.

A classe média brasileira, segundo as estimativas apresentadas por Pickering, terá gastos de cerca de US$ 1,2 trilhão em 2030. Se os brasileiros se comportarem como os britânicos, que doam 0,4% de sua renda, isso representará U$ 4,9 bilhões direcionados ao investimento social privado apenas por indivíduos. Ou seja, o potencial de fortalecimento do setor social privado brasileiro, para Pickering, é enorme.

Apesar das promessas de um futuro brilhante para as doações individuais brasileiras, existem, segundo Pickering, algumas barreiras muito sérias a serem enfrentadas. Por exemplo, o Brasil tem caído no ranking do World Giving Index (WGI), estudo anual da CAF que avalia a solidariedade social com base em três comportamentos: doar, ajudar um estranho, fazer trabalho voluntário. Em 2009, o Brasil estava na 59ª posição; em 2012, caiu para a 91ª.

Além disso, o Brasil sofre com uma desconfiança da sociedade em relação às organizações não governamentais. A pesquisa Trust Barometer, aplicada em vários países, mostra que as ONGs estão sempre no topo da confiança, seguidas pelas empresas, a mídia e o governo. No Brasil, no entanto, as organizações estão em terceiro lugar, à frente apenas do governo.

Uma das propostas apresentadas por Pickering para mudar essa situação e liberar o potencial donativo no país são os incentivos fiscais à doação. Dividindo as nações em quatro faixas de renda (baixa, baixa e média, alta e média, alta), o palestrante mostrou que em todas elas a doação de dinheiro é maior onde há alguma forma de incentivo.

As discussões propostas nos módulos nacionais do Foundation School este ano estão atreladas à iniciativa Future World Giving, da CAF, organização britânica com a qual o IDIS faz parte de uma aliança global para apoiar a filantropia no mundo.

O objetivo da iniciativa Future World Giving é disseminar a mensagem de que se os governos agirem agora o futuro da filantropia pode ser iluminado, com pessoas no mundo todo se engajando no apoio a uma sociedade civil vibrante e que atendam às necessidades sociais.

Este ano serão publicados três relatórios da iniciativa, e o IDIS traduzirá os três para o português.

 

 

Movimento Arredondar Que Usar Centavos Para Estimular Cultura de Doação

Arredondar para cima o valor de uma compra e doar os centavos para uma organização da sociedade civil parece muito pouco, não? Agora, imagine que os municípios de São Paulo e Rio de Janeiro emitem, num único dia, 5,9 milhões de faturas de compras, segundo Ari Weinfeld, presidente do Movimento Arredondar. O valor total doado, então, pode ser enorme.

Essa é a ideia da iniciativa. A organização firmou, há três meses, parceria com as primeiras lojas para uma campanha que estimula as pessoas a arredondarem o valor de suas notas fiscais, doando o excedente para a filantropia. Na boca do caixa, o consumidor será questionado se quer elevar o valor da compra e repassar os centavos.

O dinheiro, no entanto, nem é o que mais importa. “A questão da cultura de doação é muito mais importante. Nós gostaríamos de criar nas pessoas o hábito de doar”, diz Weinfeld. Nesse sentido, uma das forças da campanha, avalia o presidente, é a conversa na hora de o cliente pagar a conta – ele terá de lidar com o assunto.

Da concepção à ação, foram três anos. “O período serviu principalmente para nós termos todo o desenho tributário para fazer o arredondamento sem incidir impostos”. No processo, o Movimento Arredondar contou com a ajuda de dois escritórios de advocacia: Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados e Barbosa, Müssnich & Aragão.

A solução foi a seguinte: na hora da compra, saem duas notas, uma com o valor dos produtos, sobre a qual incidem os tributos normais, e outra com os centavos resultantes do arredondamento, que é livre até mesmo das chamadas “taxas de shopping”.

Ao longo dos três anos, também foi desenvolvida a estrutura de tecnologia de informação, o softwares das lojas, “para que a doação fosse fácil, simples, sem nenhum trabalho nem para o lojista nem para o doador”, diz Weinfeld. Trata-se, na verdade, de uma extensão que é instalada no software já usado pela loja em seus caixas.

Antes de iniciar a operação, o Movimento Arredondar fez testes durante um ano em duas lojas da rede de moda infantil Puket. “No período, 70% das pessoas que entraram na loja arredondaram”, conta Weinfeld. Agora, a campanha já está também em lojas da Grifer (uniformes), Crocs (calçados), Malwee (roupas), NK Store (roupas e acessórios) e Track & Field (artigos esportivos). “Agora com 14 lojas, mantivemos o índice de 70% das pessoas arredondando suas compras”, comemora.

Por enquanto, é o Movimento que vai atrás dos estabelecimentos participantes. No futuro, com a expansão da iniciativa, a ideia é de que a organização passe a ser procurada pelas redes de comércio.

Beneficiados

Para onde vai o dinheiro? Hoje, o Movimento Arredondar trabalha com 15 organizações da sociedade civil, escolhidas após processo de seleção que incluiu um grande questionário sobre suas práticas. “Contratamos cinco pessoas de altíssimo nível do terceiro setor para fazer a seleção e criamos o questionário, que não pode ser respondido apenas por uma pessoa, pois suas questões envolvem várias áreas das organizações”, diz Weinfeld. Os oito Objetivos do Milênio da ONU foram os parâmetros usados para definir as entidades que poderiam participar do edital. Elas deveriam se encaixar em no mínimo um dos objetivos.

Foi lançado um edital, e 335 entidades participaram. Trinta passaram pelo crivo, e depois foram divididas em dois grupos de 15 – para que haja um rodízio de organizações beneficiadas. A proposta é investir, em no máximo três anos, o equivalente a 10% do orçamento anual de cada OSC. Quando o percentual for alcançado, ela sai do grupo apoiado e outra entra no lugar. “A rotatividade não é só para não criar dependência, mas para que a gente também possa atender o maior número de ONGs possível”.

A empresa que adere pode optar por destinar os recursos a um Objetivo do Milênio específico. “Temos lojistas de roupa feminina que escolheram os objetivos três e cinco, que falam de mulher, e empresário de esporte que escolheu o sete, que fala de meio ambiente e de padrão de qualidade de vida”, exemplifica Weinfeld. A grande maioria das lojas preferiu aderir a todos os oito Objetivos do Milênio, indistintamente.

Saiba mais: www.arredondar.org.br

 

 

Campanha Para Ricos Doarem Deve ir Além da Redução da Pobreza, Defende CAF de África do Sul

A campanha sul-africana para estimular os ricos a doarem pelo menos 5% de sua renda para a redução da pobreza é bem-vinda. Porém, o projeto lançado recentemente também deveria abranger outros pontos ligados a justiça social, defende Coleen Du Toit, CEO da Charities Aid Foundation (CAF) da África do Sul, organização parceira do IDIS.

Em artigo para o mesmo site em que o projeto foi lançado, o Business Day, Coleen cita uma recente pesquisa da plataforma virtual de ativismo Avaaz que envolveu 116 mil pessoas de 194 países e territórios, apontando que os temas mais importantes para elas são “combater a corrupção política, a injustiça econômica e as catastróficas mudanças ambientais”. Ela questiona se, portanto, não deveriam ser esses os assuntos abordados pela iniciativa sul-africana, chamada Five Plus Project.

Coleen faz questão de destacar que esse questionamento de forma alguma diminui a importância de se doar para aliviar os problemas mais urgentes, ainda mais em um país no qual 26% das pessoas vivem abaixo da linha de pobreza. Mas, escreve ela, “nós também precisamos de engajamento ativo com organizações que defendem a alocação justa dos direitos e benefícios de nossa democracia”.

“De acordo com os princípios de nossa Constituição, este setor [justiça social] luta pelos direitos dos marginalizados, para combater a crescente desigualdade e pelo fim da corrupção e da má administração, agora endêmicas na África do Sul”. No entanto, alerta, “o setor é quase inteiramente sustentado por doadores internacionais, uma situação obviamente insustentável”.

A CEO da CAF Southern Africa lembra que o país tem uma das mais altas taxas de casos de abusos sexuais e violência de gênero, envolvendo, inclusive, crianças. Ainda assim, “organizações que combatem esse problema estão fechando por falta de financiamento”.

Até mesmo um bastião moral da África do Sul como o bispo Desmond Tutu, figura importantíssima da luta antiapartheid, já chamou a atenção para a necessidade de os líderes empresariais destinarem recursos para projetos que combatam injustiças sociais. “É paradoxal que a generosidade e a responsabilidade social dos financiadores privados, das empresas e dos indivíduos quase nunca são aplicados no setor que protege os aspectos mais fundamentais da nossa democracia”, escreve Coleen.

No mesmo tom, Coleen apela para outro bastião moral, Martin Luther King, para fechar seu argumento: “A filantropia pode ser recomendável, mas não deve ignorar as circunstâncias de injustiça econômica que a fazem necessária”.