Oportunidade para trainee de projetos

(SELEÇÃO ENCERRADA)

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social busca um trainee para atuar na área de projetos, com foco em avaliação de impacto. Buscamos alguém comprometido e curioso, que tenha o desejo de trabalhar no setor de investimento social.

Fundado em 1999, somos uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil e na América Latina. Com a missão de apoiar o investimento social privado para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e sustentável, facilitamos o engajamento de pessoas, famílias, empresas e comunidades em ações sociais estratégicas transformadoras da realidade, contribuindo para a redução das desigualdades sociais no país.

Saiba mais sobre a oportunidade:

Principais atribuições e responsabilidades

  • Apoiar a execução de avaliações, conforme o seu planejamento, acompanhando a aplicação dos métodos e instrumentos de avaliação instituídos;
  • Organizar, ler e analisar documentos e outras fontes de informações secundárias;
  • Apoiar a coleta e análise de dados qualitativos (entrevistas e grupos focais) e quantitativos;
  • Elaborar apresentações e relatórios;
  • Assegurar o cumprimento de cronogramas e prazos dos projetos;
  • Participar de reuniões periódicas da equipe de projetos e do time IDIS;
  • Manter os dados de projetos atualizados e organizados no sistema de armazenamento de informações;
  • Apoiar a elaboração de propostas comerciais;
  • Apoiar a Gerência de Comunicação em temas e matérias relacionadas a projetos de avaliação para o desenvolvimento de conteúdo de comunicação.
  • Participar de eventos e reuniões internas e externas.

Requisitos do Cargo

  • Instrução:

Graduação completa ou com conclusão prevista para 2020, em ciências sociais aplicadas ou áreas correlatas.

  • Conhecimentos específicos:
    • Inglês intermediário;
    • Domínio do pacote Office (Word, PowerPoint, Excel);
    • Experiência em uma ou mais das seguintes áreas será diferencial: Terceiro Setor; Gestão de Projetos; Monitoramento e Avaliação.

Competências desejadas:

  • Iniciativa e proatividade;
  • Interesse em avaliação e monitoramento de políticas, programas e projetos sociais;
  • Facilidade para trabalhar em equipe;
  • Organização;
  • Pensamento Sistêmico;
  • Bom relacionamento interpessoal;
  • Disponibilidade para viagens futuras.

Local de trabalho:

  • Inicialmente: remoto
  • Após quarentena: São Paulo/SP – Próximo à estação Pinheiros.

IDIS participa de Minidoc da BandNews sobre Filantropia

Motivada pelo volume histórico de doações no Brasil no período da pandemia, a BandNews produziu um documentário sobre Filantropia. Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, foi a especialista consultada para abordar o tema.

O conteúdo traz o conceito de Filantropia e suas raízes, além de mostrar como o tema evoluiu e começa a ocupar novos espaços na sociedade e no mundo empresarial. Paula, compartilha os achados da Pesquisa Doação Brasil, que traça o perfil do doador brasileiro, e destaca as barreiras que temos aqui para fortalecer a cultura de doação, incluindo questões legais.

As doações feitas no âmbito da pandemia, o envolvimento de pessoas, empresas e famílias de alto poder aquisitivo também foram comentadas. Paula ressaltou que as organizações estão trazendo provas contundentes de seu valor e as ações contribuem para fortalecer a confiança no setor.

A hora e a vez da Sociedade Civil

 

Por

Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

Marcia Woods, presidente do Conselho da ABCR Assoc. Bras. dos Captadores de Recursos

 

Parar para escrever um artigo é um exercício difícil quando vivemos uma realidade tão dinâmica e desconhecida como a que atravessamos. Vemos o Brasil em seus extremos, no qual coisas muito boas acontecem ao lado de fatos terrivelmente tristes e preocupantes.

As lideranças governamentais se contradizem deixando a população desorientada. Os empresários, do grande ao micro, repentinamente se veem de pés e mãos atados, com suas máquinas paradas, seus estabelecimentos comerciais fechados e sua força de trabalho presa em casa, por um tempo mais longo do que jamais imaginaram em suas piores projeções. A desigualdade e a vulnerabilidade de certos grupos aumentam rapidamente.

Foi nesse contexto caótico que as organizações da sociedade civil (OSCs), comumente conhecidas por ONGs, assumiram a liderança e começaram a criar caminhos para evitar um desastre ainda pior.

Em poucos dias surgiram fundos para a saúde, iniciativas de apoio à população vulnerável, articulação de linhas de crédito. Diversas organizações se mobilizaram, aproveitando suas capacidades específicas, para garantir, rapidamente, melhores condições para o enfrentamento da crise para os mais necessitados.

Um exemplo é o Fundo Emergencial para a Saúde, fruto de parceria entre Idis, Movimento Bem Maior e Bsocial, que se aproxima dos R$ 40 milhões recebidos de mais de 10 mil doadores. Outro é o Movimento Família Apoia Família, que já alcança a marca dos R$ 10 milhões, e a iniciativa do Matchfunding Enfrente de apoio a iniciativas nas periferias, que a cada R$ 1 doado recebe R$ 2 de investimento do fundo.

A sociedade compreendeu, apoiou as ações das organizações sociais e ampliou sua doação. No início de forma mais tímida, mas na medida em que as doações eram divulgadas, novos doadores surgiam. Empresas aderiram como nunca antes, passaram a doar e a incentivar seus funcionários e clientes a participar. Artistas usaram seu prestígio para ampliar as doações.

Os números cresceram e alcançaram inacreditáveis R$ 5 bilhões, mais de 300 campanhas mobilizaram cerca de 320 mil doadores segundo o monitor de doações da ABCR. Isso nos posicionou na quarta colocação em doações no mundo, de acordo com levantamento realizado pelo Candid, organização americana que acompanha as doações nesta pandemia.

Vemos um país com uma cultura de doação destacada, no qual pessoas e empresas se sentem gratificadas ao doar. Um país onde cada um se sente membro da sociedade e se enxerga como responsável pela comunidade, pela cidade e pela nação.

Mostramos que existe uma sociedade civil vibrante, e que ela está pronta para reagir. No meio da insegurança e da dor, se apoiou na solidariedade. Mas isso não surgiu de uma hora para a outra, é fruto de muito trabalho, feito ao longo de muitos anos.

A primeira coisa a ser esclarecida é que, como já acompanhamos há alguns anos na divulgação  do World Giving Index (ou Índice de Solidariedade), em momentos de crise, guerras, desastres da natureza e epidemias, a sociedade se sensibiliza e as doações aumentam. Portanto, parte da mobilização se daria de qualquer forma.

Mas existe toda uma construção de confiabilidade e eficiência que as organizações da sociedade civil vêm edificando desde a redemocratização do país. As denúncias de corrupção que envolveram vários segmentos nos últimos anos, geraram uma nova postura e uma série de instrumentos que acabaram por beneficiar o campo filantrópico.

Os programas de compliance, que eram exclusivos de empresas, agora estão presentes no terceiro setor. Práticas de combate à lavagem de dinheiro também. Cada vez mais, as OSCs passam por validações antes de receber recursos dos doadores, e se acostumam a fazer prestações de contas. Tudo isso veio para ficar e dar mais segurança aos doadores.

Todos esses mecanismos foram fundamentais para que, chegando a pandemia e a crise gerada em diversos setores além da saúde, as ações filantrópicas fossem a resposta natural para a sociedade ajudar o país, para pessoas ajudarem pessoas através da doação.

Quando a emergência da Covid-19 passar, teremos pela frente o desafio de fazer com que essa cultura de doação, demonstrada com tanta força, mantenha sua vitalidade. E para isso, as organizações da sociedade civil que receberam a confiança de seus doadores deverão nutri-la  trabalhando de forma intensa, transparente e eficiente, apoiando os grupos mais vulneráveis do nosso país.

Mas só isso não basta, teremos que lutar para estabelecer um ambiente favorável à doação, aprimorando nossas leis, definindo incentivos fiscais mais amplos e construindo instrumentos que facilitem a vida do doador. Do grande e do pequeno.

O Brasil está no momento certo para fortalecer o caminho da doação e torná-la um hábito da maioria dos brasileiros. Nosso país precisará desse engajamento permanente da população para combater os efeitos pós-pandemia. Pensar que doar é um ato só de quem tem alto poder aquisitivo está errado. A sociedade civil somos todos nós, e todos nós podemos doar.


Artigo originalmente publicado na Folha de S.Paulo, em 27 de maio de 2020[irp]

LGPD: uma oportunidade para o Terceiro Setor

Em maio de 2018 entrou em vigor na União Europeia a GDPR – (General Data Protection Regulation) como uma mudança cultural fundamental na maneira de enxergar e usar dados pessoais nos dias atuais. Frente aos diversos casos de vazamento ocorridos nos últimos anos e com o crescimento incontrolável da produção de dados, a legislação precisava se adequar para garantir que a privacidade das informações pudesse ser garantida aos seus titulares. Essa Legislação chegou também ao Brasil, conhecida como LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados pessoais, prevista para entrar em vigor no mês de agosto de 2020, mas com possibilidade de ser postergada para maio de 2021, conforme Medida Provisória nº 959, de 29 de abril de 2020[1].

LGPD terceiro setor

A Serasa Experian realizou um mapeamento no primeiro trimestre de 2019 que mostra que 75% dos consumidores (Pessoas Físicas) têm conhecimento baixo sobre a existência da Lei enquanto 66% das empresas dizem ter entendimento médio e 64% avaliam que estarão adequadas até o início do ano de 2020[2].

O mundo corporativo está relativamente conscientizado sobre essa nova legislação, mas quando olhamos para o universo das Organizações da Sociedade Civil a situação ainda está muito nebulosa. Nessa perspectiva, Jeremy Dron, consultor-associado do IDIS, em parceria com o Atados e o Social Good Brasil, realizou uma pesquisa envolvendo 95 organizações sem fins lucrativos para realização de um mapeamento e de um diagnóstico inicial do Terceiro Setor quanto a essa mudança jurídica importante. Os resultados principais desta são apresentados nesse artigo, assim como alguns pontos principais da Lei no âmbito das Organizações Sociais para entender melhor quais poderiam ser as devidas adequações, mas também porque esse marco precisa ser entendido como uma oportunidade inédita. A coleta de informações foi efetuada entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020, quando a Lei ainda estava prevista para entrar em vigor em agosto de 2020.

Dados pessoais

A LGPD está voltada diretamente ao uso de Dados Pessoais e pretende garantir que qualquer cidadã(o) brasileira(o) possa ter controle sobre como, onde e por quem seus dados estão sendo utilizados. Inclusive, esse controle que pode necessitar um prévio consentimento permitiria a qualquer um(a) de solicitar a cessão de uso de suas informações em todo momento.

Para determinar o universo de dados que isso representa, a Lei considera no seu Art. 5º o dado pessoal como “qualquer informação relacionada à pessoa natural identificada ou identificável”[3]. Em outras palavras, “se uma informação permite identificar, direta ou indiretamente, um indivíduo que esteja vivo, então ela é considerada um dado pessoal”[4]. Com isso, é possível entender que dados como nome, RG ou CPF, por exemplo carregam informações que permitem rastrear a origem de seu titular razoavelmente facilmente, mas a Lei vai além em considerar Dado Pessoal também o dado que, ao cruza-lo com outros insumos ou técnicas, possibilita caracterizar e consequentemente identificar seu titular.

Além disso, ela ainda define no Art. 7º da Seção I em quais situações exclusivas o tratamento e compartilhamento de dados pessoais poderão ser realizados, ou seja:

I – mediante o fornecimento de consentimento pelo titular;

II – para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador;

III – pela administração pública, para o tratamento e uso compartilhado de dados necessários à execução de políticas públicas previstas em leis e regulamentos ou respaldadas em contratos, convênios ou instrumentos congêneres, observadas as disposições do Capítulo IV desta Lei;

IV – para a realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados pessoais;

V – quando necessário para a execução de contrato ou de procedimentos preliminares relacionados a contrato do qual seja parte o titular, a pedido do titular dos dados;

VI – para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral, esse último nos termos da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996 (Lei de Arbitragem);

VII – para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro;

VIII – para a tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde ou autoridade sanitária;

IX – quando necessário para atender aos interesses legítimos do controlador ou de terceiro, exceto no caso de prevalecerem direitos e liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados pessoais; ou

X – para a proteção do crédito, inclusive quanto ao disposto na legislação pertinente.

 

 

 

 

 

 

 

A pesquisa mostra que a noção de dado pessoal já parece estar amplamente difundida e entendida pelas Organizações da Sociedade Civil. Contudo, devemos ficar ainda mais atentos ao tratamento dos dados pessoais nessas organizações, já que 98% declara fazer uso. Essa informação é fundamental porque pode-se considerar que a imensa maioria das OSCs será impactada pela LGPD e, portanto, terá que se adequar a ela.

Nessa perspectiva, começamos a perceber o alcance que essa legislação possa ter ao se pensar no Terceiro Setor e em particular nos dados armazenados dos funcionários, voluntários e beneficiários das Organizações Sociais. Mas esse quadro tende a chamar mais a nossa atenção ao se tratar de Dados de Crianças e Adolescentes e Dados Pessoais ditos “sensíveis”.

Dados de Crianças e Adolescentes 

Sabemos que muitas propostas de atuação sociais estão voltadas a crianças e adolescentes e torna-se fundamental entender o que a LGPD diz a respeito já que ela também tem uma seção específica sobre esse assunto (Capítulo II – Seção III – Art. 14º) que está reproduzida aqui:

  • 1º O tratamento de dados pessoais de crianças deverá ser realizado com o consentimento específico e em destaque dado por pelo menos um dos pais ou pelo responsável legal.
  • 2º No tratamento de dados de que trata o § 1º deste artigo, os controladores deverão manter pública a informação sobre os tipos de dados coletados, a forma de sua utilização e os procedimentos para o exercício dos direitos a que se refere o art. 18 desta Lei.
  • 3º Poderão ser coletados dados pessoais de crianças sem o consentimento a que se refere o § 1º deste artigo quando a coleta for necessária para contatar os pais ou o responsável legal, utilizados uma única vez e sem armazenamento, ou para sua proteção, e em nenhum caso poderão ser repassados a terceiro sem o consentimento de que trata o § 1º deste artigo.
  • 4º Os controladores não deverão condicionar a participação dos titulares de que trata o § 1º deste artigo em jogos, aplicações de internet ou outras atividades ao fornecimento de informações pessoais além das estritamente necessárias à atividade.
  • 5º O controlador deve realizar todos os esforços razoáveis para verificar que o consentimento a que se refere o § 1º deste artigo foi dado pelo responsável pela criança, consideradas as tecnologias disponíveis.
  • 6º As informações sobre o tratamento de dados referidas neste artigo deverão ser fornecidas de maneira simples, clara e acessível, consideradas as características físico-motoras, perceptivas, sensoriais, intelectuais e mentais do usuário, com uso de recursos audiovisuais quando adequado, de forma a proporcionar a informação necessária aos pais ou ao responsável legal e adequada ao entendimento da criança.

Percebe-se o quanto o tratamento de dados de Crianças e Adolescentes tem que ser realizado com muito cuidado e a maior transparência, possibilitando seu acompanhamento e entendimento facilitado pelos responsáveis do público atendido. Isso, sem dúvida alguma deve gerar no mínimo a reestruturação de processos de coleta e armazenamento de dados nas Organizações da Sociedade Civil.

Dados Sensíveis

A LGPD não se limita somente aos Dados Pessoais citados acima, mas distingue a informação qualificada como “sensível” e que consequentemente está sujeita a maior privacidade no seu uso e, portanto, existe um risco relativo maior em caso de exposição fortuita.

Para entender o que é um Dado Sensível, precisamos voltar ao artigo 5º da Lei que o define como um “dado pessoal sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural”[5].

Quem atua na área social identifica que existe alguns dados citados aqui que são importantes para o entendimento de seu público-alvo e até que possam auxiliar em caracterizar por exemplo sua condição de vulnerabilidade. Isso se torna fundamental na elaboração da justificativa ao propor ou desenvolver um projeto, mas também no decorrer do monitoramento e avaliação das suas ações e do impacto potencialmente causado.

A pesquisa mostra que 60% das OSCs consultadas utilizam dados sensíveis. Portanto é um elemento que precisa ser olhado com cuidado pelos atores do Terceiro Setor para evitar qualquer risco que possa prejudicar sua atuação. Para isso, sugere-se a leitura da Seção II do Capítulo II (Art. 11º, 12º e 13º) da Lei que trata dos casos específicos quanto ao tratamento desse tipo de dados.

Dados anonimizados

A questão que traz a LGPD não é sobre qual a ferramenta mais adequada, mas sobre quais são os processos que precisam ser implantados para garantir a privacidade dos dados pessoais.         

No âmbito da Lei existe um ponto importante para destacar e que possa ser a maneira mais pertinente de se adequar e se proteger contras as consequências do descumprimento da mesma: tratar dado anonimizado, definido como “dado relativo a titular que não possa ser identificado, considerando a utilização de meios técnicos razoáveis e disponíveis na ocasião de seu tratamento”[6], isto significa que o dado “era relativo a uma pessoa, mas que passou por etapas que garantiram a desvinculação dele a essa pessoa”[7].

Neste caso, a LGPD não se aplicará a este dado e, consequentemente a organização poderá realizar suas análises de forma segura e respeitando a privacidade.

Privacidade e Ética dos Dados

É infelizmente comum termos, como pessoas físicas, a desagradável sensação que nossos dados e, talvez até nossa identidade possam escapar de nosso controle, gerando certo sentimento de impotência. O surgimento da LGPD vem suprir uma necessidade da sociedade moderna disruptiva onde dados estão sendo utilizados de maneira ainda desgovernada e com pouquíssima transparência, trazendo um auxílio ao titular do dado para que ele não se sinta mais desamparado.

Há de se esperar que o quadro fique mais estruturado e que o domínio de nossos dados volte para nossas mãos. Com ele será reforçado o respeito à privacidade e colocado no meio da discussão um tema muitas vezes desconsiderado porém primordial: o uso ético dos dados. Este precisa ser valorizado para que possamos tratar com humildade e propriedade a informação, sempre tendo em vista o respeito ao seu titular. Somente a alimentação deste diálogo poderá garantir que a legislação seja um ponto de mudança na consideração da pessoa humana num mundo cada vez mais digital e tecnológico e onde a Inteligência Artificial cresce de maneira exponencial.

Papeis importantes na LGPD

Um dos procedimentos novos trazidos pela entrada em vigor da LGPD é a determinação pelas instituições dos agentes de tratamento de dados: o controlador, o operador e o encarregado.

São esses atores que vão garantir a elaboração e o respeito das políticas internas de tratamento de dados pessoais para que a privacidade e o atendimento inequívoco aos direitos dos titulares sejam respeitados.

O encarregado, em particular, será o ponto focal do diálogo das instituições com a Sociedade Civil e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados – ANPD.

CONTROLADOR: Pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, a quem competem as decisões referentes ao tratamento de dados pessoais

OPERADOR: Pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que realiza o tratamento de dados pessoais em nome do controlador

ENCARREGADO: Pessoa indicada pelo controlador e operador para atuar como canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)

Conhecimento da LGPD pelas Organizações do Terceiro Setor

Os dados trazidos pela pesquisa podem parecer paradoxais, porque, enquanto 80% das OSCs responderam que desconhecem a Lei ou ainda não se aprofundaram nela, 91% concordam em dizer que seu impacto será no mínimo moderado, sendo que mais da metade aponta que será significativo.

A LGPD traz exigências que podem não ser tão rápidas de implantar. Portanto, já que a maioria está ciente que haverá impacto, é necessário iniciar, o quanto antes, os processos de adequação para garantir que as instituições estejam preparadas, quando a Lei entrar em vigor.

Além disso, podemos ver no gráfico abaixo que os desafios enfrentados pelas organizações são realmente diversos e soluções precisam ser criadas para que a adequação possa acontecer respeitando os fundamentos da Lei.

Uma oportunidade para o Terceiro Setor

Se a chegada dessa nova legislação pode gerar certa preocupação por parte das Organizações da Sociedade Civil, há de se enxergar esse momento como uma oportunidade para que estas possam usufruir de todo o aprendizado que essa transformação sugere e assim otimizar o uso da informação que possuem para melhorar de forma relevante o impacto social de suas ações. Isso passa por algumas etapas essenciais, dentro as quais:

  1. Entender o que é “dado” e mapeá-lo dentro da instituição;
  2. Organizar os dados com processos claros;
  3. Sensibilizar suas equipes sobre o uso adequado de dados;
  4. Implementar políticas institucionais sobre coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento dos dados que garantem sigilo, privacidade e ética;
  5. Garantir o consentimento e a transparência aos titulares dos dados em todas as etapas;
  6. Aplicar modelos de análise de dados e inteligência artificial que permitem pensar em novas estratégias de atuação;
  7. Publicar seus resultados baseados em evidências, mostrando seriedade e propriedade para a Sociedade Civil e potenciais apoiadores e financiadores.

Vale salientar que esse novo paradigma também poderá redefinir certas regras de parceria entre as instituições e assim influenciar viabilidade destas.

Conclusão

A LGPD traz elementos essenciais para a proteção das informações que caracterizam cada um de nós. E como a tecnologia avançará ainda muito nos próximos anos, essa legislação chega num momento onde é fundamental entender que entramos em uma era totalmente nova e revolucionária no que diz respeito ao tratamento da informação. De fato, é possível extrair mais conhecimento sobre uma pessoa pelo entendimento dos dados que a definem do que pelo seu próprio DNA.

A pesquisa realizada permitiu mostrar que O Terceiro Setor ainda precisa caminhar muito no âmbito da adequação à Lei. Com a situação pandêmica atravessada pelo mundo inteiro, as prioridades voltaram para assuntos mais emergenciais e até de sobrevivência institucional, deixando para outro plano a questão da privacidade dos dados. A Medida Provisória que pode prorrogar até maio de 2021 a entrada em vigor da LGPD deixaria um horizonte um pouco maior para as OSCs se organizarem, porém muitas delas podem sair enfraquecidas da crise atual e precisarão de soluções concretas e práticas para atender as exigências da Lei e conseguir realizar o tratamento adequado de dados. Além disso vale ressaltar que a própria MP pode ainda caducar, o que teria como consequência a volta ao início da vigência original de agosto de 2020. Contudo, algumas etapas ainda acontecerão  que, inclusive, podem postergar a aplicação das sanções para agosto de 2021.

 

Fontes

Pesquisa LGPD e Terceiro Setor: https://drive.google.com/file/d/1aiXz3LHmG9KB3cn9IspPVBbAdyk4mIoa/view

LEI Nº 13.709, DE 14 DE AGOSTO DE 2018: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm

Pesquisa Serasa Experian: https://www.serasaexperian.com.br/blog/o-que-os-consumidores-e-as-empresas-sabem-sobre-lgpd-e-o-que-estao-fazendo-a-respeito

Serpro e LGPD: https://www.serpro.gov.br/lgpd/

1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Mpv/mpv959.htm

[2] https://www.serasaexperian.com.br/blog/o-que-os-consumidores-e-as-empresas-sabem-sobre-lgpd-e-o-que-estao-fazendo-a-respeito

[3] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm (Art 5º – I)

[4] https://www.serpro.gov.br/lgpd/menu/protecao-de-dados/dados-pessoais-lgpd

[5] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm (Art 5º – II)

[6] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm (Art 5º – III)

[7] https://www.serpro.gov.br/lgpd/menu/protecao-de-dados/dados-anonimizados-lgpd

Fundo Emergencial para a Saúde-Coronavírus Brasil completa dois meses, arrecada R$ 37 milhões e amplia relação de beneficiários pelo país

Doações passarão a beneficiar hospitais filantrópicos em regiões onde o sistema público dá indício de colapso, como Amazonas e Pará, além de chegar a municípios de pequeno e médio porte

A pandemia continua a crescer no Brasil, aumentando o número de infectados por todo o país, agravando a situação da saúde pública, que precisa cada vez mais de apoio. Mas, se por um lado, os números de infectados pelo coronavírus aumentam, também são crescentes as doações, demonstrando que a mobilização ganha mais força e efetividade.

Mantendo o objetivo de fortalecer o sistema de saúde público, o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil passa a contemplar agora os hospitais e a Associação de Enfermagem em Manaus e Conselhos de Enfermagem no Pará (em Belém e em Marabá), além de manter o apoio a Fiocruz, Comunitas, Hospital São Paulo, Hospital Santa Marcelina, Santa Casa de São Paulo e Santa Casa de Araçatuba.

“Acredito que a Pandemia está unindo todos para conseguirmos salvar mais vidas. Grandes empresas, pequenos doadores, grupos de colaboradores, todos juntos seremos muito mais fortes para enfrentar a pandemia e fortalecer a saúde pública”, avalia Maria Eugênia Duva Gullo, cofundadora da plataforma BSocial.

Para se antecipar à expansão da COVID-19 nas regiões mais vulneráveis, a Droga Raia e a Drogasil, do grupo RD, doaram R$ 25 milhões ao Fundo Emergencial. Por meio do movimento ‘Todo Cuidado Conta’ criado pela empresa, serão beneficiados 50 hospitais filantrópicos de municípios pequenos e médios no interior do país com altos índices de vulnerabilidade social e risco de aumento de casos do coronavírus.

O projeto da RD visa também deixar um legado que possa contribuir com a saúde na região mesmo após a contenção da pandemia. Sendo assim, os recursos serão utilizados para a compra de equipamentos hospitalares como respiradores e desfibriladores, além de equipamentos de proteção individual, tais como máscaras, luvas e aventais.

‘Esse apoio vai ampliar o impacto do Fundo Emergencial, chegaremos a hospitais em municípios em que a crise se intensifica”, diz a presidente do IDIS, Paula Fabiani.

Fundo conta com mais de 10 mil doadores entre empresas e pessoas físicas

Além da Droga Raia e Drogasil, empresas como Tik Tok, Bain & Company, Banco Pactual, Banco ABC Brasil, Carla Amorim, Machado Meyer Advogados, Pátria Investimentos, Privalia, Softtek, entre outras, também fizeram contribuições.

Ações diferenciadas de algumas empresas também fazem as arrecadações ganharem reforços, como a iniciativa da SulAmérica, que incentivou seus colaboradores a se engajar e colaborar. O resultado de arrecadação de R$ 81 mil junto aos colaboradores, foi somado a R$ 1 milhão da seguradora.

Outros exemplos são os hotéis Grand Hyatt do Brasil, que lançou o ‘Voucher do Bem’, doando o lucro das vendas do produto; a campanha “Juntossomosmaisfortes”, promovida pela Velocity, e a doação de R$ 250 mil da Liberty Seguros para compra de máscaras para a Santa Casa de São Paulo.

As doações também chegam via ações promocionais e culturais além de eventos online, como o #AoVivoPelaVida a live da cantora Ivete Sangalo.

“Essa onda de solidariedade trouxe, definitivamente, o fortalecimento da cultura de colaboração no país. Pois, o desafio de enfrentar uma pandemia mundial fez o cenário nacional da filantropia emergir com uma velocidade sequer imaginada” declara Carola Matarazzo, presidente do Movimento Bem Maior.

Sobre o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil

Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil foi um dos primeiros a serem constituídos, ainda em março, quando começaram a surgir os primeiros casos de Coronavírus no Brasil. Esta é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, Movimento Bem Maior e BSocial, uma forma rápida, fácil e confiável para as pessoas doarem para hospitais beneficentes e centros de ciência e tecnologia, e assim fortalecer o sistema público de saúde.

O Fundo tem gerenciamento financeiro da SITAWI, organização social de interesse público (OSCIP) pioneira no desenvolvimento de soluções financeiras para impacto social, e conta com o apoio de dezenas de organizações.

Tendências Globais da Filantropia

A filantropia em todo o mundo está mudando à medida que os doadores procuram se envolver mais, estar melhor informados e garantir que seu investimento espelhe seus valores pessoais. Uma equipe de especialistas internacionais se reuniu para identificar tendências e desafios da filantropia contemporânea. A próxima geração de filantropos refletirá um novo conjunto de valores e terá em relação às suas doações expectativas diferentes daquelas da geração de seus pais.

A Global Philanthropy Network é uma rede informal de profissionais, liderada pela Charities Aid Foundation (CAF), sediada no Reino Unido. Aproveitando a expertise de membros seniores de nossa rede do Brasil, América e Europa, nos propusemos a responder a uma série de perguntas sobre filantropia contemporânea, a fim de trazer clareza e orientar o nosso próprio trabalho, ao mesmo tempo em que auxiliamos consultores de todo o mundo em tendências que valem a pena ser observadas.

As perguntas incluíam quais são as maiores mudanças à frente, o que precisamos fazer para encorajar os ricos a doarem mais (e mais efetivamente), onde as lacunas de pesquisa ou conhecimento residem e, talvez o mais interessante, o que a inevitável transferência de riqueza para a próxima geração significará para aqueles de nós que orientam as pessoas em sua jornada de doação.

Nossas respostas pintam um quadro claro de mudanças consideráveis e incluem alguns indicadores essenciais para os consultores em planejamento jurídico, contábil, tributário e financeiro sobre como eles podem construir confiança e trabalhar melhor com os clientes, ajudando-os a alcançar suas ambições filantrópicas.

Valorização dos resultados

Filantropos estão cada vez mais orientados ao impacto, um ponto captado por colegas em todo o mundo. Para se manter relevante, a filantropia precisa correr mais riscos e ter novas conversas que reforcem a comunicação entre doadores e organizações sociais. Com transparência virá maior confiança e relacionamentos mais fortes.

Trabalhar em parceria faz parte da “reinvenção”, o que significa perder o controle pessoal em troca de potencialmente aumentar o impacto. A Environmental Funders Network (EFN), por exemplo, tem como missão apoiar a filantropia ambiental, conectando indivíduos e organizações e produzindo recursos para ajudar os doadores a investir de forma mais eficaz. A filantropia terá que se concentrar mais do que nunca nas melhores ideias e na mensuração do impacto sobre os beneficiários. Filantropos querem ver de perto para onde seu dinheiro vai – foram-se os dias de apenas dar cheques e deixar o todo o trabalho na mão das organizações sociais.

Para entregar os resultados, precisamos nutrir relações próximas entre as organizações e seu investidores, especialmente para afastar os doadores da tentação de investimentos de curto prazo e e estimulá-los a ter uma visão de longo prazo, olhar para além do horizonte em áreas que ainda não estão bem atendidas, a fim de financiar projetos que produzam o impacto duradouro que eles nos dizem que estão atrás. Por exemplo, o doador está interessado em financiar um projeto de saúde local com seu nome acima da porta? Ou ele está disposto a ouvir uma organização social local dizendo-lhe que a real necessidade é uma campanha de informação pública limitada sobre a importância da imunização em massa?

Investimento de impacto

Particularmente nos EUA e na Europa, há uma nova geração que está se fazendo ouvir e desafia a filantropia tradicional incluindo o tema nos negócios da família.

Essa mudança está fortalecendo a filantropia familiar, com a inclinação para testar ideias como a mudança da doação tradicional para uma filantropia que considera investimentos de impacto, financiamento de risco e apoio ao empreendedorismo social.

No Reino Unido, espera-se ver mais filantropos procurando fazer o bem não apenas por meio de doações diretas, mas também com investimentos, negócios e redes. Isso ocorre em um momento em que há cada vez mais opções que contemplam questões sociais e ambientais. Este será, sem dúvida, um momento-chave para consultores orientarem seus clientes em relação a esta tendência.

Engajamento da classe alta

Se os ricos devem ser convidados a doar mais, então a confiança precisa crescer. As conversas em torno de doações devem se abrir em todos os níveis. Precisamos de uma história clara para contar sobre para onde os recursos dos doadores vão, como eles são gastos e o que isso significa para o campo, em especial, aos públicos beneficiados. Essas histórias também precisam dar luz às lições aprendidas.

Da forma como acontece hoje, há muitos mal-entendidos sobre o tipo de apoio que as organizações sociais realmente precisam, o que já funciona para resolver problemas e como os doadores poderiam ser mais úteis. Ao ser claro sobre o que é necessário, torna-se mais fácil garantir que os doadores sintam que podem fazer a diferença.

Por exemplo, as organizações sociais precisam ser francas sobre a necessidade de dinheiro para pagar despesas importantes, como estrutura para captação de recursos, salários ou suporte de TI. Se esses elementos não estão garantidos, então sua capacidade de cumprir sua missão pode estar em jogo. A falta desse tipo de investimento restringe o crescimento, a eficiência e a capacidade de uma organização social planejar com antecedência.

Seria ingênuo não estar aberto a incentivos fiscais e ao papel que desempenham no aumento da predisposição a doar entre as pessoas ricas. Embora os incentivos fiscais sejam muitas vezes a primeira razão pela qual as pessoas decidem doar, a experiência de nossos membros nos diz que eles muitas vezes agem como um catalisador para uma jornada filantrópica significativa e de longo prazo.

Decisões orientadas por dados

Olhar por que precisamos de pesquisa tem muito a ver com inspirar e demonstrar impacto. Nossos especialistas apontaram para pesquisas que existem para satisfazer os doadores, demonstrando que seu dinheiro está sendo bem gasto no curto prazo, em vez de concentrar nos resultados de longo prazo alcançados. É este último que é essencial para afetar a mudança, revelando um dos desafios enfrentados pelas organizações sociais, ou seja, o curto prazo valorizado por parte dos doadores.

Vários programas de financiamento recentes estão contrariando esse déficit e trazendo a perspectiva de longo prazo por meio de sistemas que mudam a lógica imediatista da filantropia. Um exemplo disso é a bolsa MacArthur 100&Change – um edital que concede US$ 100 milhões para financiar uma única proposta que apresente progresso real e mensurável para resolver um problema crítico de nosso tempo. A primeira vencedora da competição foi a proposta conjunta do Sesame Workshop com o International Rescue Committee para educar crianças deslocadas por conflitos e perseguições resultantes do conflito sírio – um problema claro e de longo prazo que está sendo tratado com um impacto mensurável.

Incentivar mais essa natureza de doação, estimular o engajamento da classe média em todo o mundo e se afastar de projetos ad-hoc ajudará a escalar intervenções que trabalham para abordar as causas básicas de questões como pobreza, mudanças climáticas e desigualdade.

Consultores para ações filantrópicas e outros profissionais têm um papel fundamental para iniciar as conversas certas com seus clientes sobre filantropia e propósito social. A pesquisa da CAF mostra que as pessoas ricas estão muito interessadas nesses tópicos, mas não estão recebendo as orientações que esperam. Este é um risco para os consultores e uma oportunidade ainda pouco usada para aprofundar as relações.

Outras lacunas identificadas na pesquisa incluem a doação como atividade econômica e as motivações para o comportamento dos doadores. Colegas também apontaram a necessidade de mais evidências sobre a eficácia dos incentivos fiscais e o benefício final para a sociedade – pesquisas que podem servir como uma ferramenta vital na defesa dos governos para estabelecer ou aprimorar incentivos.

Tornar a pesquisa acessível, tirá-la do campo da filantropia e compartilhar descobertas entre stakeholders, sociedade mais ampla e ir além das fronteiras nacionais também foram escolhidos como uma ferramenta para trazer novas colaborações, reforçar a escala das principais causas e abrir portas para novas parcerias.

Novas gerações, novos valores

As novas gerações familiares se concentrarão em alinhar suas escolhas financeiras com seus valores filantrópicos. Os doadores mais jovens não verão com bons olhos o investimento em organizações causam algum tipo de dano ou prejuízo ao mundo e punirão as marcas que fizerem isso, valorizando investimentos éticos, produtos e empregadores em suas ações filantrópicas.

Eles já estão mais ousados a assumir riscos e estão mais dispostos a tentar soluções inovadoras usando todas as formas de recursos à sua disposição, incluindo capital filantrópico para investimento de impacto. Esta corrente emergente considerará cada vez mais a filantropia como um elemento crucial de sua “moralidade financeira” e priorizará a ação filantrópica perene sobre a preservação da riqueza para os futuros herdeiros.

A transferência de recursos tem produzido o desejo de ver resultados rápidos – um desafio para as organizações sociais à medida que tentam reforçar soluções de longo prazo – e uma geração menos reticente do que seus pais para falar sobre sua doação e buscar parceiros para alcançar seus objetivos.

Para aqueles de nós que orientam essas novas gerações em seu investimento social privado, precisamos ser ágeis, informados e prontos para lidar com linhas cada vez mais tênues entre a filantropia tradicional, o estilo de vida e as considerações financeiras mais amplas. O benefício final será tanto clientes satisfeitos quanto um cenário filantrópico mais dinâmico.

Autores

David Stead – Diretor Executivo de Filantropia e Desenvolvimento na CAF, Reino Unido

Gina M. Pereira – Fundadora e CEO da Dana Philanthropy, EUA

Kelsi Kriitmaa e Alexa Maclean – Chefe de Gabinete e consultora junior da Philanthropy Advisors, Suíça

Paula Fabiani – Diretora-Presidente do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (CAF Global Alliance), Brasil

Liesbeth Nagelkerke- Fundadora Reach Out 2, Países Baixos

Melissa Stevens- Diretora Executiva do Milken Institute Center for Strategic Philanthropy, EUA

 

Artigo originalmente publicado no Steps Journal em Maio/2020

Abrace a Saúde doando ao Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil

O Brasil está em casa. Estamos separados, mas estamos todos juntos trabalhando pelo futuro. E juntos, a gente abraça a Saúde, doando para o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil.

E é com o nosso abraço que os profissionais da Saúde contam todos os dias. Milhares de enfermeiros, médicos e técnicos da saúde que juntos são as mãos e braços de gigantes da Saúde Pública: hospitais, centros de pesquisa, ambulatórios e laboratórios. Gigantes que querem abraçar mais. E com o seu abraço, eles podem.

 

www.abraceasaude.com.br

 

O Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil envia a sua doação para entidades que estão na linha de frente no combate à pandemia e fortalece o SUS (Sistema Único de Saúde). É uma forma rápida, fácil e confiável de fazer com que os recursos cheguem a quem precisa.

#AbraceaSaúde assim:

  1. Faça sua doação

⚡Veja o poder do seu abraço, conheça a que corresponde o valor da sua doação*:

R$ 20 – um teste rápido produzido pela Fiocruz

R$ 50 – uma guia ‘bougie’ para intubação

R$ 100 – cem máscaras descartáveis para proteção

R$ 500 – um aspirador de secreção

R$ 5 mil – uma cama hospitalar

R$ 70 mil – um respirador

*Valores aproximados. O repasse será feito de acordo com as necessidades das instituições e com a aprovação da equipe técnica do Fundo Emergencial para a Saúde.

  1. Compartilhe seu abraço nas redes sociais e desafie 3 amigos a fazer o mesmo. Não esqueça da tag #abraceasaúde e de marcar o Instagram @abraceasaude – www.instagram.com/abraceasaude

Conheça as organizações que recebem os recursos do Fundo Emergencial para a Saúde

Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ

Hospital Santa Marcelina

Hospital São Paulo

Santa Casa de São Paulo

Santa Casa de Araçatuba

ONG Comunitas (responsável pela compra de equipamentos a hospitais do SUS)

Conheça a história do Fundo Emergencial para a Saúde:

 

Esta é uma iniciativa do IDIS, BSocial e Movimento Bem Maior, com o apoio de inúmeras outras organizações.

O Fundo tem gerenciamento financeiro da SITAWI, uma organização social de interesse público (OSCIP) pioneira no desenvolvimento de soluções financeiras para impacto social. Ela é responsável por operacionalizar o Fundo.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Viviane Pereira – (11) 976671933  – vpimprensa@gmail.com

www.abraceasaude.com.br

Ensinamentos da COVID-19

Por Luiz Sorge, CEO da BNP Paribas Asset Management e presidente do Conselho do IDIS

Sem dúvida o momento único pelo qual passamos atinge a sociedade de forma heterogênea e dinâmica, por meio de ondas que se espalham e nos impactam de maneira difusa. E é com respeito às muitas lágrimas derramadas e às que ainda serão choradas que escrevo esse texto.

Estamos sendo chamados a nos provar, a comprovar e a desmentir algumas teorias e conceitos.

A primeira delas é a de que o ser humano será substituído pelas máquinas. Fazia tempo que eu não tinha tanta certeza de que as máquinas e a tecnologia estão a serviço do homem e que este as domina. Computadores, sistemas, robôs, inteligência artificial têm sido catalisadores de um novo momento da civilização, e além disso, nós os estamos usando para aumentar nossa resiliência e produtividade.

De forma rápida e abrupta nos adaptamos a um trabalho coletivo remoto, desenvolvemos e consolidamos alguns conceitos de relacionamento virtual, ao mesmo tempo em que lapidamos aspectos comportamentais como empatia, bom senso, paciência, colaboração, entre outros. Estamos nos reinventando coletivamente e à distância, montando, remontando e organizando equipes, lidando com situações novas a cada momento, e assim estabelecendo conexões neurais, sociais e profissionais inéditas. Tudo isso tendo a tecnologia a nosso serviço.

Agora me digam, que máquina seria capaz de fazer isso em nosso lugar? Somos muito bons e insubstituíveis nesse aspecto, ao menos até o momento.

Minha principal atividade é tentar, em equipe, entender os movimentos do mercado financeiro e a consequente valorização ou desvalorização dos ativos. Porém, hoje temos 3 variáveis não técnicas que “fazem preço”: a evolução da Covid-19, a distopia política local e a disfunção geopolítica global. Portanto, o segundo conceito que comprovo nesse momento é o de que fatores exógenos têm sido, e continuarão sendo por algum tempo, determinantes dos preços dos ativos. E isso nos leva a uma dose cavalar de humildade, nos restando apenas traçar cenários possíveis, atribuir probabilidades e buscar prudência em nossas decisões.

Minha visão a partir de um lado mais nobre da vida, já que acompanho o desenvolvimento do terceiro setor por meio da minha participação no Conselho do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), é que há uma maior movimentação de pessoas e entidades filantrópicas, principalmente por meio de doações que visam minimizar o impacto da Covid-19 na sociedade. Acredito que esse movimento, terceiro conceito a ser repensado, possa ser o princípio de uma mudança estrutural, na qual a solidariedade dos mais favorecidos em prol dos menos favorecidos passará a fazer parte do nosso dia a dia, assim como já ocorre nas sociedades mais desenvolvidas. Tenho também esperança que cada vez mais iniciativas de cunho filantrópico, privadas e sérias, terão doravante mais apoio do setor público.

A partir de uma perspectiva histórica, recordo a origem italiana de minha família, com bisavô e avô combatentes da primeira e segunda guerras mundiais, respectivamente. O último, antes de voltar da guerra e migrar para o Brasil, esteve prisioneiro por aproximadamente 6 anos e minha nonna vivenciou sozinha uma parte da infância de meu pai e meu tio na província de Chieti, na região de Abruzzo. Ela criava pequenos animais e tecia lençóis para trocar por farinha e assim poder completar a alimentação com pães e massas.

Muitos pensam que o que estamos passando é o mais próximo possível de uma guerra. Porém, pelo que sei e ouvi de minha família, estamos a milhas de distância das necessidades, incertezas e ameaças que uma verdadeira guerra mundial representou aos nossos antepassados.

Isso me leva a analisar outros dois últimos conceitos: o social e o familiar. Só entendemos a importância do convívio social na carência deste. Só reforçamos o sentimento de alegria da vida em família na convivência com esta.

Estar com amigos e entre amigos nos ajuda a compor nosso tecido social com retalhos de diversas visões, origens e culturas que nos enriquecem a cada dia. Além do suporte psicológico, já comprovado cientificamente, que as amizades nos trazem.

Já a vida em família é nosso porto seguro, onde buscamos o refúgio nos momentos turbulentos e procuramos nos abrigar das tempestades. O atual momento de reclusão é também momento de alegria por estarmos reunidos, por poder tomar aquele cafezinho juntos quando o intervalo do trabalho remoto permite, e pela satisfação de poder fazer refeições coletivas todos os dias, com quem amamos.

Portanto, nesse momento, é lógico que a atenção deve ser primeiramente direcionada para cuidarmos de nossa saúde, e vencida essa desafiadora etapa devemos agradecer muito:

  • Pela oportunidade do ser humano, em suas atitudes individuais e coletivas, voltar a ser importante para a evolução e perpetuidade da civilização moderna;
  • Por entender a importância de virtudes e competências que não podem ser replicadas por processos, sistemas e robôs;
  • Pela necessária humildade a que devemos nos submeter quando confrontados ao que não controlamos;
  • Por termos uma oportunidade de desenvolver de maneira perene o espírito filantrópico em nosso país;
  • Por me lembrar e me permitir ter a visão relativa, e em perspectiva, do que deve ter sido viver em um período de guerra;
  • Pela lembrança do quão nos faz bem compartilhar recortes de nossas vidas com amigos;
  • E finalmente, pela oportunidade de nos voltarmos para o seio de nossas famílias, onde o amor é pleno e puro, sem contaminações.

Esperamos que o sofrimento de muitos resulte, ao menos, em ensinamentos para todos.

Em que mundo você está investindo? 

 

* Por Marina Cançado
Pouco antes do coronavírus começar a se espalhar massivamente pelo mundo, aconteceu no Rio de Janeiro a Converge Capital Conference 2020, apelidada de CCC2020. A primeira edição do evento reuniu mais de 400 grandes empresários, investidores, filantropos junto com especialistas e atores-chave do mercado financeiro brasileiro e global, a fim de discutir qual o papel do capital privado na construção de um futuro sustentável.

A motivação para organizar o evento veio da clareza de que a década de 2020 trará desafios gigantescos a serem enfrentados pela humanidade, como: a necessidade de profundas adaptações diante dos cenários de mudanças climáticas; uma nova geração de desigualdades gerada pela economia digital; e, a maior recorrência de situações inesperadas tal como a que estamos vivendo agora com o coronavírus. Nesse contexto, os recursos governamentais e filantrópicos são fundamentais, porém insuficientes para endereçarmos as questões que serão impostas pela realidade dos próximos anos. Essa crise está deixando isso ainda mais claro.

Eventos extremos como a pandemia atual nos deixam cara a cara com nossos dilemas, potenciais e limitações. No caso do Brasil, de um lado, estamos assistindo o dilema do Governo entre evitar que a doença se espalhe rapidamente, e manter a vida econômica e as finanças públicas dentro de determinado equilíbrio. Por outro lado, se olharmos o que está acontecendo no Brasil em termos de doações, é maravilhoso. Profissionais do campo estimam que, em menos de duas semanas, já foram mais de 500 milhões de reais doados, principalmente com foco em garantir leitos e equipamentos para novas UTIs, ampliar o uso de testes e apoiar as famílias mais vulneráveis com itens de higiene e comida. Doações vindas de bolsos variados, algo tão sonhado por muito de nós que há décadas tentamos fomentar a cultura de doação no Brasil. Sem contar o que muitas empresas estão fazendo ao reverter suas plantas e produções para ampliar o acesso a alguns itens essenciais para a mitigação dos riscos de infecção e contágio. Em um momento de dor, a solidariedade falou mais alto, e, sem dúvida, quando olharmos para trás, vamos ver o papel crucial das doações durante essa crise.

Todavia, a despeito dos maiores e melhores esforços dos governos e dos doadores, os recursos filantrópicos e governamentais não vão dar conta de endereçar os efeitos tão amplos e profundos gerados globalmente em pouquíssimo tempo pela pandemia, os quais podem perdurar por um longo período. Se antes dessa crise, já se estimava uma lacuna anual de investimentos da ordem de 2,5 trilhões de dólares para se alcançar as metas para 2030 derivadas dos objetivos de desenvolvimento sustentável, as consequências imensuráveis do coronavírus vão ampliar de forma significativa os desafios sociais e econômicos, o que certamente vai aumentar drasticamente essa cifra a nível global.

A motivação de organizar a CCC2020 surgiu justamente da premissa de que, mais do que nunca, precisamos das empresas e do mercado financeiro se coordenando com a filantropia e com o setor público para mobilizar e direcionar capital para os temas cruciais da humanidade. Precisamos de todos os tipos de capital aprendendo a trabalhar juntos, de forma coordenada e orientada ao futuro, daí o nome e slogan do evento “Converge Capital Conference 2020: alinhando capitais com futuros preferidos”.

Compartilho nesse artigo alguns dos insights da CCC2020 por considerar que eles podem ser valiosos em nutrir reflexões e em contribuir para caminhos de ação.

 

Insight 1 | O futuro não está dado

Iniciamos a CCC2020 dialogando sobre o quanto temos por fazer para que seja possível alcançar as metas da Agenda 2030, um plano de ação global que visa garantir próximas décadas menos desiguais e mais sustentáveis. E o que acontece se não alcançarmos ou se atingirmos apenas parcialmente os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODSs)? Lá no evento, provocamos essa reflexão de cenários para a humanidade dependendo do alcance dos ODSs para relembrarmos que o futuro não está dado.

O futuro é um campo aberto de possibilidades. Não existe um futuro, existem cenários de futuros alternativos. Alguns deles já estão mais consolidados e têm uma maior probabilidade de virem a acontecer – e, por isso, esses cenários são chamados de futuro provável – enquanto outros cenários dependem das nossas escolhas e do nosso investimento de energia, recurso, etc. para terem maiores chances de vir a ser.

“The future could be heaven or it could be hell – and it doesn’t “happen to us”. We create it everyday by inaction or action”. Essa foi uma das falas de um dos mais importantes observadores de futuros e futurista de negócios na Europa, Gerd Leonhard, durante a CCC2020.

 

Insight 2 | Para fazer diferença no século 21, a competência mais importante a ser desenvolvida é aprender a pensar e a se mover a partir do pensamento de futuro

Como Jaqueline Weigel, uma das pioneiras de estudos de futuro no Brasil mostrou na CCC2020, estamos em um momento de transição, em que um mundo e um jeito de produzir e de viver estão morrendo, e outro está se configurando. “Que histórias contarão sobre a nossa época? Quem será você na lembrança das pessoas? Que tipo de humanos o planeta precisa?” – essas foram algumas das perguntas trazidas por Jaqueline durante sua palestra.

O ponto fundamental é que, se realmente queremos contribuir para a construção de um futuro menos desigual e mais sustentável, precisamos agir de forma diferente da que estamos acostumados. Em geral, as iniciativas sociais, as estratégias das empresas e as políticas públicas têm como ponto de partida os desafios atuais e buscam soluções a partir da premissa que a realidade futura será parecida com o momento atual, com algumas variações. As respostas acabam sendo um reflexo das limitações da nossa mente em enxergar possibilidades de mais longo prazo para a saúde, educação, economia, etc.

Segundo o Institute for the Future, 87% das pessoas não estão interessados ou não querem pensar no futuro. E aí está parte da contradição, queremos viver em um mundo diferente do atual mas não nos dedicamos e não nos capacitamos para pensar a partir do futuro. Isso nos leva a estar sempre dedicados a soluções que não vão nos levar para o futuro desejado, pois elas tentam resolver os desafios atuais com base nas nossas experiências e repertórios passados. Deixamos de lado todos os insights e contribuições que uma investigação de possibilidades de mais longo prazo poderiam trazer sobre o como endereçar aquele desafio. E, no fim, acabamos frustrados, pois, a despeito dos investimentos que fazemos, parece que não saímos do lugar e pouco mudamos na realidade atual.

Uma das principais mensagens da CCC2020 é a de que estamos entrando em uma fase de mudanças ainda mais aceleradas, em que uma situação inesperada pode mudar tudo – o coronavírus deixou isso bem claro. Não vamos conseguir efetivamente influenciar os próximos anos se continuarmos a replicar soluções antigas com pequenos aprimoramentos.

Construir futuros requer visão ampliada, sistêmica e um mindset focado em pensar o presente a partir do futuro, ou seja, ter clareza de quais poderiam ser os futuros alternativos para os temas/causas que nos importamos, e, com essa perspectiva, tomar as melhores decisões no presente,  concebendo soluções que tenham por base as possibilidades de futuro, e, por isso o potencial de nos mover para um cenário preferido.

Nesse século, se você quer fazer alguma diferença em qualquer área ou causa, se quer contribuir para um futuro de curto, médio ou longo prazo diferente, a chave é desenvolver a competência de pensar a partir do futuro.

O desafio é que nossos cérebros não foram treinados para pensar a partir do futuro. Inclusive, cientistas já mostraram que a glândula responsável pelas memórias é a mesma responsável por imaginar futuro. Então, se não driblarmos o automatismo do dia a dia, acabamos respondendo com base nas limitações do passado e do que já é conhecido pelo nosso cérebro.

Romper essa barreira e adquirir a competência de pensar orientado ao futuro requer tanto treinar o cérebro por meio de meditação e outras técnicas, como também aprender a utilizar a gama de metodologias e frameworks produzidos por cientistas, acadêmicos e estudiosos de futuros ao longo das últimas décadas para apoiar pessoas e profissionais a captar, compreender e sistematizar os sinais emergentes, com o propósito de se antecipar aos possíveis cenários que estão em curso, e também ter clareza sobre como influenciá-los com base em seu futuro preferido.

 

Insight 3 | O que o seu capital está nutrindo?

Dado que o futuro ainda está em aberto, onde colocamos nossa energia, nosso pensamento, nosso tempo, nossos capitais importa e muito. Você já parou para pensar em que mundo você está investindo? Essa pergunta foi o mote da CCC2020.

Ao consumirmos, ao investirmos, ao doarmos, ao empreendermos ou trabalharmos, todas essas ações estão fomentando um determinado tipo de mundo e de cenário futuro. Que mundo você está nutrindo? Em que futuro você está apostando?

Na CCC2020, antes de abordarmos o papel das empresas, do mercado financeiro e da filantropia, trouxemos a temática de futuro porque entendemos que sem uma visão clara de como você quer que seja o seu futuro de curto-médio-longo prazo e sem conseguir visualizar o mundo no qual você quer viver para esses horizontes temporais, acabamos reagindo com projetos e soluções baseadas no passado. Lembra que falamos que nosso cérebro não foi treinado para pensar o futuro? Para ajudarmos ele a entrar nesse mindset, quanto mais conseguirmos da forma e cor para as possibilidades de futuro, melhor! Conseguir visualizar nosso cenário preferido é essencial para a tomada de decisão de como investir seja como filantropo seja como investidor que busca retorno.

A primeira grande lição de cada a qual deveríamos nos dedicar se queremos usar nossos recursos para criar um mundo que tenhamos orgulho de deixar para nossos descendentes é trazermos consciência e responsabilidade para nossas escolhas de consumo, doação, investimento e trabalho.

Que mundo suas doações estão criando? Que mundo seus investimentos financeiros estão fomentando? O que você está privilegiando no seu consumo? Que futuro você está construindo com seu trabalho e energia?

Mais do que nunca, precisamos ter tanto a clareza do fruto que queremos gerar quanto a do que estamos semeando hoje para conseguir colher esse fruto nas próximas décadas.

 

Insight 4 | Forward Thinking Investing

Uma das premissas da CCC2020, que já estar clara pelos insights anteriores, é que sem se alinhamento entre alocação de capital e visão de um futuro sustentável, nunca chegaremos a vivê-lo.

Portanto, todo a lógica da conferência foi mostrar que precisamos conseguir entender os futuros alternativos, ter clareza de que cenário queremos fomentar, e a partir disso alinhar e alocar nossos recursos nos projetos, soluções, iniciativas que nos levarão para mais perto desse futuro.

Forward Thinking Investing é um mindset que integrar o olhar para futuros na forma de pensar uma empresa e um portfólio de investimentos. E, na minha visão, também deveria inspirar os filantropos, fundações e institutos a se repensarem e proporem soluções pensando no que as próximas décadas podem vir a ser. Talvez Forward Thinking Philanthropy possa nos preparar melhor para antecipar e criar os planos de mitigação para os próximos desafios.

A filantropia tem um papel de cobrir vazios deixados pelos governos e mercados, e lidar com as necessidades imediatas de sobrevivência dos mais vulneráveis. Porém, para influenciarmos o futuro e aumentarmos a probabilidade de um futuro sustentável, precisamos ir muito além. Inclusive, além da filantropia estratégica. Estratégia já não dá conta de responder a essa realidade acelerada e complexa, pois justamente não leva em consideração o olhar prospectivo. Bill Gates falou de uma pandemia global em 2014, alguns dos futuristas renomados apontavam para um cenário de doença surgindo na China e envolvendo o pulmão desde o início dos anos 2000.

Conectar o olhar e pensar de futuro com as decisões de investimentos – com ou sem fins de lucros – será essencial para fortalecermos e nutrirmos os caminhos que acreditamos para o mundo.

Essa crise é um chamado para reconstruirmos as bases sociais e econômicas a partir dos paradigmas desse século. Acredito que a filantropia tem um papel-chave em usar um capital que pode correr risco para construir capacidade e respostas orientadas ao futuro. Inclusive ajudando a nos preparar para os desafios e situações inesperadas que as mudanças climáticas vão trazer – só ainda não sabemos quando.

 

Insight 5 | O mercado financeiro do século 21

No mercado financeiro, olhar para o futuro, integrar na tomada de decisão financeira dimensões sociais, ambientais e climáticas não é utopia, tampouco moda. Na CCC2020, trouxemos representantes de algumas das principais organizações da Europa e dos Estados Unidos, para compartilhar como o mercado financeiro já está se transformando globalmente.

Faz cerca de 10-15 anos que começa a ganhar força o mercado de sustainable finance, ou finanças sustentáveis. Embaixo desse guarda-chuva encontram-se desde os investimentos que começam a integrar os fatores E(environmental), Social (social) e G(governance) até os investimentos de impacto, que surgem de uma intencionalidade clara de geração de impacto positivo junto de retornos financeiros, e mensuração objetiva. Segundo a Global Sustainable Investments Alliance, o guarda-chuva dos investimentos sustentáveis já representa mais de 30% do mercado financeiro global, percentual que cresce ano a ano. Dentro de 10 anos, projeta-se que não haverá mais distinção entre investimentos convencionais/tradicionais e investimentos sustentáveis, será um único mercado financeiro pautado em decisões que levem em conta não só as questões financeiras, mas também as sociais, ambientais, climáticas, etc.

Essa mudança está acontecendo no mercado financeiro, pois, aos poucos, está ficando claro que é preciso de análises sistêmicas e orientadas ao futuro para que se possam mapear e mensurar riscos ambientais, sociais, climáticos e outros que podem afetar o valor de um ativo, bem como, estimar seu valor e retorno futuro depende do cenário de futuro considerado mais provável ou plausível.

No Brasil, estamos 10 anos atrasados, principalmente porque os investimentos de impacto ficaram muito apartados das discussões e dos atores do mercado financeiro, e acabou-se criando uma série de mitos em relação a investimentos que não só levam em consideração a perspectiva financeira. Todavia, aos poucos, os exemplos e pressões de investidores, somado a diversas iniciativas, como a CCC2020, vão ajudando na ponte com o mercado financeiro e na integração desse novo olhar na forma de decisão de alocações, portfólios, investimentos, estratégias, produtos, etc.

 

Insight 6 | Os portfólios orientados para futuro

Alinhar e se comprometer a contribuir com a criação do seu futuro preferido – aquele no qual você gostaria de viver e tem capacidade de contribuir para que aconteça – passa por desenhar e pactuar uma política de investimentos alinhada a sua visão, valores e legado. Política que se reflita na escolha de investimentos orientados a seu futuro preferido, em todas as classes de ativo, por todo espectro de capital – do grant ao fundo de ação.

Orientar capital para o futuro que você quer co-criar e deixar para seus descendentes requer muito trabalho interno, de um lado, pois essas clarezas não se adquirem do dia para a noite. E, de outro lado, ajuda bastante poder contar com profissionais que o apoiem nessa jornada de tornar seus valores e causas em critérios para se avaliar e prospectar investimentos – com ou sem retorno financeiro.

Já está se tornando uma tendência fora do Brasil os portfólios de investimentos pensados e construídos para que todas as escolhas contemplem os valores, intenções de legados e visões de futuro de um indivíduo e família.

 

Insight 7 | A força da voz coletiva 

Uma filantropia orientada para futuro, um mercado financeiro orientado a futuro, empresas orientadas a futuro, no Brasil, todas essas transformações no direcionamento do capital privado depende da liderança inicial das famílias com grande patrimônio.

Na Europa, esse movimento e as mudanças começou por pressão da população – principalmente do países do Norte – que é muito mais educada e consciente, e, hoje já permeia as empresas e mercado financeiro, em geral. A ponto de muitas empresas brasileiras terem que repensar suas práticas e modelos de negócio pela pressão dos investidores estrangeiros nas gestoras, nos conselhos de administração e nas áreas de relações com investidor.

No Brasil, precisamos de um segmento que pegue a liderança e comece a demandar bancos, wealth managers, multi family offices, fundos, gestoras, executivos das suas fundações e institutos, a desenharem e oferecerem estratégias e produtos que considerem cenários de futuros para as questões sociais, ambientais e climáticas, abrindo a possibilidade para investidores e filantropos terem maior alinhamento entre seu capital e seu futuro preferido.

Também há um grande papel a ser desempenhado pelas famílias nos conselhos das suas companhias, por meio do “responsible and active ownership”, ou seja, trazendo preocupações e questões que fazem parte desse século para ajudar as empresas a se adequarem e repensarem diante dos futuros alternativos que temos pela frente.

 

Espero ter conseguido sintetizar as principais mensagens da CCC2020, e que, aos poucos, a capacidade de pensar a partir do futuro penetre na forma de se fazer investimento social e de se pensar os portfólios de investimento com fins de retorno, a fim de que possamos fortalecer as respostas e soluções que nos levarão para mais perto de um futuro que tenhamos orgulho de viver e de deixar.

O coronavírus inaugurou a década de 2020, mas, certamente, teremos muitas outras catástrofes e situações desafiadores nos anos pela frente. Espero que essas reflexões sirvam para você pensar o que você está fazendo em relação ao futuro – deixando ele vir, remendando o presente, antecipando-se, ou ativamente contribuindo para moldá-lo. Não há mais tempo para perdermos repetindo, revivendo e replicando o passado, que nos trouxe até aqui. Pós coronavírus, não voltaremos para o mesmo lugar ou para o mundo como o conhecíamos. Torço para que aproveitemos essa oportunidade para expandir nosso mindset e começarmos a trabalhar a partir do futuro que queremos construir e deixar.

 

* Marina Cançado é fundadora da Converge Capital, empreendedora e ativista,  praticante de foresight estratégico. Artigo especial para o IDIS.

 

Iniciativas globais no combate à pandemia

A comunidade do Global Philanthropy, da qual o IDIS faz parte, está causando impacto!

Neste artigo, conheça iniciativas da rede GPF ao redor do mundo. De fundos emergenciais à ações de base, compartilhamos alguns exemplos dos trabalhos que têm sido realizados para mitigar a crise causada pela pandemia do coronavírus: 

 

Proteção a Comunidades em Vulnerabilidade

A CARE está respondendo globalmente ao COVID-19, nas comunidades onde atua. Está instalando estações de lavagem de mãos, mobilizando voluntários da comunidade para educar a população em suas casas, e fornecendo suprimentos essenciais como EPIs, desinfetante e kits de saúde. Leia mais sobre os esforços da CARE aqui.

 

 

A SOS Aldeias Infantis ampliou a oferta de apoio psicológico para crianças na Itália. Na Palestina, as casas das famílias SOS foram equipadas com novos computadores para garantir que os alunos possam continuar a frequentar as aulas, virtualmente.

 

 

 

A Dalberg está trabalhando em parceria com a Fundação Jack Ma e o Ministério da Saúde da Etiópia para determinar a melhor maneira de distribuir equipamentos médicos na África. Com diversos parceiros, também lançou o “Safe Hands Kenya”, uma iniciativa para promover e possibilitar melhores condições de higiene para combater a disseminação do coronavírus. Leia mais sobre as iniciativas da Dalberg em resposta ao COVID-19 aqui.

 

Fundos Emergenciais

O IDIS liderou o desenvolvimento de um Fundo Emergencial para fortalecer o Sistema de Saúde Pública do Brasil. Uma forma rápida, confiável e transparente para empresas, filantropos e a sociedade civil se engajarem na luta do Brasil contra a pandemia de coronavírus.

 

 

 

A Fundação King Baudouin, nos Estados Unidos, está lançando Fundos Emergenciais para países africanos perigosamente afetados pelo COVID-19. Cada Fundo irá reunir as contribuições de doadores para distribuí-las para organizações sem fins lucrativos locais e organizações comunitárias que atuam nas linhas de frente.

 

A Tides lançou o Fundo Stronger Together em apoio aos empreendimentos sociais que atendem as comunidades de risco mais impactadas pelo COVID-19. A Tides também iniciou um Serviço de Doação de Resposta Rápida aos seus parceiros para ofertar, de maneira ágil, fundos para organizações impactadas pelo COVID-19. Leia mais sobre as respostas da Tides ao COVID-19 aqui.

 

 

Leornardo Di Caprio, Emerson Colective, Apple e Ford Foundation lançaram, juntos, o America´s Food Fund como o objetivo de garantir que todas as pessoas tenham acesso garantido a alimentos. O Fundo irá ofertar apoio financeiro para a World Central Kitchen e a Feeding America para promover o trabalho dessas organizações.

 

 

Compartilhamento de Conhecimento

 

Kristin M. Lord, presidente e CEO da IREX, é coautora deste artigo sobre como combater a “infodemia” do coronavírus, e a batalha maior contra informações falsas e enganosas compartilhadas nas mídias sociais.

 

 

Pesquisadores do Pacific Institute publicaram um artigo intitulado “Lavar as mãos é fundamental na luta contra o coronavírus, mas e se você não tiver água potável?”. Leia o artigo aqui.

 

 

O Skoll World Forum foi adaptado e partes da agenda foi disponibilizada online, diante da pandemia do COVID-19. A programação foi aberta ao público e ajustada para incluir ideias de todo o mundo sobre a crise da saúde pública. Você pode encontrar sessões gravadas aqui.

 

Conteúdo adaptado de newsletter divulgada pelo GPF em 14 de abril de 2020

Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil mobiliza mais de 4 mil doadores e arrecada R$ 5 milhões em um mês

 

Ação criada pelo IDIS, Movimento Bem Maior e BSocial permite que as pessoas contribuam para reforçar e melhorar a rede SUS (Sistema Único de Saúde) 

 

>> Doe aqui: www.abraceasaude.com.br

 

O valor arrecadado pelo Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil é revertido em materiais como respiradores, testes rápidos do coronavírus, máscaras, luvas, equipamentos hospitalares para UTI entre outros itens de necessidade das instituições. Os beneficiados atuais são Fiocruz, Santa Casa de São Paulo, Comunitas, Hospital Santa Marcelina e Hospital São Paulo.

“Este é um movimento que engaja além de empresas e grandes filantropos, a sociedade como um todo. É uma união inédita em torno da saúde pública”, explica a presidente do IDIS, Paula Fabiani.

Hoje, o Fundo conta com mais 4 mil doadores, que vão desde pessoas físicas a empresas de todos os tamanhos e áreas de atuação, organizações e plataformas até os grandes doadores. As pessoas físicas doam, em média R$ 328,00, valor bem acima do praticado historicamente, o que demonstra o nível de engajamento da população. A doação mínima é de R$ 20, que corresponde a um teste rápido produzido pela Fiocruz.

Empresas dão exemplo de solidariedade

A cada dia novas empresas se engajam com o Fundo, adotando diferentes modalidades. Os bancos ABC Brasil e Pactual estão promovendo ações de matchfunding com seus colaboradores, quando cada valor doado é complementado com uma doação da instituição. O Machado Meyer Advogados também optou por uma campanha junto aos funcionários. A Softtek,  além de engajar funcionários, está fazendo um chamamento a parceiros e clientes, com envolvimento direto do Country Manager da companhia. A Privalia, estimula a doação em seu e-commerce, e outras empresas, como a Carla Amorim, Fogo de Chão, Mixed e  Schrammek Kosmetik destinam parte da receita das vendas de seus produtos.

A força da sociedade civil

Apesar de serem de menor valor e mais pulverizadas, as doações das pessoas comuns respondem por 25% do valor captado, ultrapassando a marca de R$ 1 milhão, prova do poder de transformação da sociedade civil.

Um exemplo dessa força, vem dos jovens. Para envolver universitários no combate à pandemia, a estudante da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carolina Passos Dias Levy, criou a “Universitários contra o Corona”, uma ação englobando as 21 organizações que fazem parte da Liga das entidades da FGV e que está sendo ampliada para outras universidades. Além de informar o público, a iniciativa também estimula doações ao Fundo e conta com uma área exclusiva na plataforma BSocial para acompanhar os resultados.

A pandemia de Covid-19 fez o mundo parar. Tal parada vem acompanhada de um outro olhar social, mais ligado ao propósito e à ajuda ao próximo. Pensando justamente nisso, o Grupo Dadivar e a agência SUBA se uniram para criar o AoVivoPelaVida, um festival online, com artistas e personalidades, que acontecerá entre os dias 24 e 26 de abril, e que arrecadará doações para ajudar e fortalecer o sistema de saúde brasileiro, através do Fundo, e alimentos para pessoas que estão em situação de vulnerabilidade por meio da Ação da Cidadania.

Um abraço no Insta

Para incentivar ainda mais doações a partir de uma perspectiva otimista e mobilizar mais a sociedade civil, o Fundo lançou a campanha Abrace a Saúde. No Instagram, quem já doou para o Fundo compartilham fotos de abraços, traduzindo-se em uma homenagem aos profissionais da saúde e em um chamado a quem ainda não se engajou.

“É gratificante vermos, em tão pouco tempo, tantas pessoas e empresas mobilizadas em doar pensando no próximo. Bom ver como tantos estão sendo protagonistas, engajados em participar para juntos diminuirmos os efeitos da pandemia. É muito bom ver a nossa ferramenta a serviço dessa ação nesse momento, a plataforma funcionando para o bem de todos”. Maria Eugênia Duva Gullo, cofundadora da plataforma  de doação BSocial.

 

 

Famílias filantropas

As grandes famílias de filantropos também estão nesse grupo de doadores. Muitas sempre doaram e ampliam essa atuação, estimuladas, em muitos casos, pelas novas gerações. Nomes como da Família Nobre, Olímpio Matarazzo, Setúbal, Eugênio Mattar, Safra, entre outros, estão fazendo doações importantes pela causa.

Para Carola Matarazzo, Presidente do Movimento Bem Maior, cujo desafio é fomentar o investimento social privado e de fortalecer a cultura de colaboração no país, “vivemos um momento bastante desafiador em todos os sentidos.  É um momento histórico, onde  temos a oportunidade de ressignificarmos o valor das relações e do dinheiro,  e  refletirmos  sobre o que fizemos até aqui a nível coletivo e individual,  e sobre o que estamos construindo para o nosso futuro, e assim entender que, para além  de uma pandemia, o que temos é um inimigo em comum : o abismo social, a desigualdade.”

 

Entre os apoiadores do Fundo estão Editora Mol, Harvard Alumni Club of Brazil, Instituto Apontar, Instituto Akatu, Instituto Vladimir Herzog, SindusCon-SP, Secovi-SP, Tozzini Freire Advogados e WINGS – Worldwide Initiative for Grantmaker Support.

O Fundo tem gerenciamento financeiro da SITAWI, pioneira no desenvolvimento de soluções financeiras para impacto social.

 

Faça a sua doação para hospitais e laboratórios de pesquisa na página oficial do Fundo Emergencial para a Saúde: www.abraceasaude.com.br 

Abrace a Saúde é o mote da campanha do Fundo Emergencial para a Saúde para ampliar a participação da sociedade civil no combate ao coronavírus

Fiocruz, Hospital Santa Marcelina e Santa Casa de São Paulo estão entre os beneficiários do Fundo Emergencial da Saúde – Coronavírus Brasil, que em apenas duas semanas arrecadou mais de R$ 2,5 milhões. A campanha #AbraceASaúde foi lançada com o objetivo de incentivar doações a partir de uma ação mais humana e solidária, mobilizando ainda mais a sociedade civil.

No Instagram da campanha, fotos de abraços de quem já doou para o Fundo somam-se em uma homenagem aos profissionais da saúde e um chamado a quem ainda não se engajou.

O tom positivo é a aposta, conforme explica Andréa Wolffenbuttel, diretora de comunicação do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social: “Estamos em casa, separados e assustados com o avanço da pandemia. Ao mesmo tempo, estamos todos unidos pelo desejo de superar essa crise. ‘Abraçar a Saúde'”, prossegue, “é ser parte da solução, é apoiar os profissionais da saúde que querem fazer mais, e que podem fazer mais com um pouquinho de cada um de nós”.

Os hospitais e laboratórios beneficiários recebem os recursos semanalmente, e a lista de prioridades de insumos, materiais e equipamentos deve aumentar devido a um cenário de tanta imprevisibilidade.

Carola Matarazzo, presidente do Movimento Bem Maior, afirma “a importância de se colocar no lugar do outro neste momento e praticar a cultura de doação continuamente, como um propósito de vida.”

“A BSocial é um canal de captação facilitador, uma ferramenta que permite que o usuário faça uma doação de forma rápida, fácil e segura. O doador escolhe o valor que quer destinar ao Fundo, a forma de pagamento e finaliza a sua doação. A plataforma envia o recurso diretamente para a conta do Fundo”, explica Maria Eugênia Duva Gullo, cofundadora da plataforma.

Para acompanhar os “abraços”, siga o Instagram da campanha e doe no www.abraceasaude.com.br

O Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil é uma iniciativa do IDIS, Movimento Bem Maior, BSocial e tem o apoio de diversas empresas e entidades da sociedade civil.

Assessorias de Imprensa:

IDIS – Ana Moretto (4 Press)/ anamoretto@4pressnews.com.br / (11) 97300-8584

Bem Maior -Sheila Brasil/comunicacao@centraldeinovacao.com.br/(11) 99333-0528

BSocial – Viviane Pereira / vpimprensa@gmail.com / (11) 97667-1933

1.000 doadores em 10 dias: conheça os primeiros resultados do Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil

O mundo vem mostrando que o combate ao Coronavírus extrapola ações governamentais. Superar a pandemia depende de um compromisso de toda sociedade. Exige articulação entre os setores público, privado e organizações da sociedade civil.  Iniciativa do IDIS, Movimento Bem Maior e BSocial, o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil recebe doações que são destinadas a hospitais filantrópicos e laboratórios de pesquisa, beneficiando nossa rede pública de Saúde.

Lançado em 22 de março, em 10 dias, o Fundo mobilizou mais de 1.300 doadores e captou R$ 2,1 milhão de reais, dos quais R$ 1,1 milhão já foram destinados às quatro organizações contempladas na primeira fase da captação: Fiocruz, Hospital da Clínicas de São Paulo, Santa Casa de São Paulo e Comunitas, organização responsável pela compra de respiradores e outros equipamentos a serem entregues aos hospitais do SUS.

As doações recebidas pelo Fundo serão revertidas em itens como respiradores, testes para diagnóstico de infecção por Coronavírus, equipamentos para UTI (cardioversores, aspiradores de secreção, monitores, etc.), equipamentos hospitalares (cadeiras de rodas, camas, macas, etc.), materiais para médicos e enfermeiros (aventais, máscaras, toucas, luvas, etc.) e  medicamentos, entre outros,  sempre respeitando lista de prioridades previamente aprovada com as instituições.

Qualquer um pode contribuir, pois a campanha aceita doações a partir de R$ 20, o equivalente a um teste diagnóstico oferecido pela Fiocruz. “Temos um grande engajamento da sociedade civil, que mostra a sua força, mas fizemos um chamamento especial à comunidade de filantropos, por meio de uma Carta Aberta”, explica Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS. Famílias filantropas e empresas, dessa forma, se mobilizaram destinando valores maiores.

Doação direta, campanhas internas de doação com matching do valor doado por funcionários e campanhas de marketing relacionado à causa, quando parte da receita da venda de um produto é revertida ao Fundo são algumas das formas como empresas podem participar e agir no enfrentamento do avanço do Covid-19 no Brasil. O outlet online Privalia, por exemplo, incluiu em seu site um atalho especial e estimula a doação para o Fundo. A fabricante de cosméticos Schrammek, está destinando parte da renda obtida com a venda de seus produtos para a pele.

“Estamos vivendo uma crise singular e nosso sistema de saúde precisará de toda ajuda para enfrentá-la. Queremos aliviar e contribuir às prioridades do SUS e por isso não colocamos uma meta de arrecadação, tampouco prazo de término.” Explica Carola Matarazzo, CEO do Movimento Bem Maior.

O Fundo é um caminho rápido, fácil e confiável. “Acessando a plataforma e clicando no link que leva ao Fundo Emergencial para a Saúde, o doador escolhe o valor, a forma de pagamento e finaliza a sua doação. A plataforma envia o recurso diretamente para a conta do fundo”, explica Maria Eugênia Duva Gullo, cofundadora da plataforma de doação BSocial. Vem com a gente! Um pouquinho de cada um vira um montão de todo mundo.  www.bsocial.com.br/fundosaude

Confira o depoimento de Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS

QUEM SOMOS

Grupo Instituidor: IDIS, BSocial, Movimento Bem Maior

IDIS: OSCIP fundada há 20 anos com o objetivo de promover e ampliar a filantropia e investimento social no Brasil e torná-los mais estratégicos. Dialoga com filantropos familiares e corporativos.

Movimento Bem Maior: Fundado em 2018, o Movimento Bem Maior, é uma organização social apartidária, sem fins lucrativos, que tem como objetivo dobrar o volume de doações realizadas no país dentro dos próximos 10 anos, com o desafio de fomentar o investimento social privado, visando desenvolver e fortalecer o terceiro setor e a Cultura de Colaboração no país.

BSocial: plataforma de doação para terceiro setor com propósito de ampliar a Cultura de doação no Brasil

Parceiros Institucionais: Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), PLKC Advogados e Synergos

Parceiros Operacionais:  SITAWI e Umbigo do Mundo

Conselho Técnico: Dr. Marcos Kisil, Dr. José Antônio de Lima e Dr. José Luiz Setúbal

Apoiadores: AABIC – Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de SP, ABIE – Associação Brasileira de Indústrias de Esquadrias, ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecções, ABPP – Associação Brasileira de Proteção Passiva, ABRAINC – Associação Brasileira de Incorporadores, AELO – Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano,  AFEAL – Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio, APF – Associação Paulista de Fundações, ASBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, ASFAMAS – Associação Brasileira de Materiais para Saneamento, Blend Inspire, Brasinfa, Editora Mol, FIABCI – BRASIL  Federação Internacional Imobiliária, Harvard Alumni Club of Brazil, IBI – Instituto Brasileiro de Impermeabilização, IBRADIM – Instituto Brasileiro do Direito Imobiliário, Instituto Apontar, Instituto Akatu, Instituto Bandeirantes, Instituto Doar, Instituto Vladimir Herzog, Movimento Arredondar, PROACUSTICA -Associação Brasileira para Qualidade Acústica, Sinditêxtil – Sindicato da Indústria Têxtil, SindusCon-SP, Secovi-SP, Sobratema, Tozzini Freire Advogados , WINGS – Worldwide Initiative for Grantmaker Support

Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil convoca a população a doar para compra de suprimentos e equipamentos para fortalecimento do sistema público de saúde

IDIS, Movimento Bem Maior e BSocial criaram uma forma rápida, fácil e confiável para as pessoas doarem para hospitais beneficentes e instituições de ciência e tecnologia 

O combate ao Coronavírus extrapola ações governamentais e superar a pandemia depende de um compromisso de toda sociedade, exigindo articulação entre os setores público, privado e organizações da sociedade civil. 

IDIS, Movimento Bem Maior e Bsocial, com o apoio de outras lideranças da Cultura de Doação no Brasil, se uniram para criar o ‘Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil’ para receber doações de qualquer quantia, que serão encaminhadas para instituições em posição estratégica no sistema de saúde do País. 

Inicialmente, as entidades beneficiárias do Fundo são as seguintes: Fiocruz,  Hospital das Clínicas de São Paulo,  Santa Casa de São Paulo e  Comunitas (organização que está adquirindo respiradores a serem entregues aos hospitais do SUS) 

 Outros beneficiários podem ser agregados posteriormente. As doações serão revertidas em: 

➢ Respiradores 

➢ Testes para diagnóstico de infecção por Coronavírus 

➢ Equipamentos para UTI (cardioversores, aspiradores de secreção, monitores, etc.)  

➢ Equipamentos hospitalares (cadeiras de rodas, camas, macas, etc.) 

➢ Materiais para médicos e enfermeiros (aventais, máscaras, toucas, luvas, etc.) 

➢ Medicamentos 

Sempre respeitando lista de prioridades previamente aprovada com as instituições e com posterior prestação de contas. 

“Em momentos de crise a gente sente, também, o melhor da sociedade. O Hospital das Clínicas de São Paulo se preparou para esse momento, mas todo o apoio é necessário para garantir que a gente consiga cumprir nossa missão e atender a população da melhor forma possível. Ações como essa doação mostram como nossa sociedade é solidária. Assim podemos seguir em frente, sabendo que teremos os recursos para ajudar a salvar vidas” declara Antonio José Rodrigues Pereira, superintendente do HCFMUSP. 

O grupo instituidor do Fundo, por meio de uma Nota Pública (veja aqui a nota na íntegra), está fazendo um chamamento especial à comunidade de filantropos e empresas a também doarem para fortalecer o sistema público de saúde no combate ao Coronavírus. 

Para doar acesse:  www.bsocial.com.br/fundosaude 

Para doações acima de R$ 50 mil, o doador deve entrar em contato com atendimento@bsocial.com.br 

O FUNDO tem gerenciamento financeiro da SITAWI, uma organização social de interesse público (OSCIP) pioneira no desenvolvimento de soluções financeiras para impacto social. Ela é responsável por operacionalizar o FUNDO e também receber as doações. 

Grupo instituidor do Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil 

IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social 

“O Brasil e os brasileiros precisam de todos. Temos visto exemplos maravilhosos de solidariedade no combate à pandemia e agora oferecemos um caminho seguro àqueles que desejam contribuir para fortalecer nossa rede de Saúde” explica Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS. 

Movimento Bem Maior 

“Estamos vivendo uma crise singular e nosso sistema de saúde precisará de toda ajuda para enfrentá-la. Em momentos como esse, a responsabilidade de contribuir passa a ser de todos, sobretudo dos mais afortunados, afinal, se o sistema de saúde colapsar, o país todo vem junto”, afirma Carola Matarazzo, CEO do Movimento Bem Maior. 

BSocial 

“A BSocial é um canal de captação facilitador, uma ferramenta que permite que o usuário faça uma doação de forma rápida, fácil e segura. Acessando a plataforma e clicando no link que leva ao Fundo Emergencial para a Saúde, o doador escolhe o valor, a forma de pagamento e finaliza a sua doação. A plataforma envia o recurso diretamente para a conta do fundo”, explica Maria Eugênia Duva Gullo, cofundadora da plataforma. 

Parceiros Institucionais: Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), PLKC Advogados e Synergos  

Parceiros Operacionais:  SITAWI e Umbigo do Mundo 

Apoiadores: ABRAINC – Associação Brasileira de Incorporadores, APF – Associação Paulista de Fundações, Blend Inspire, Editora Mol, Harvard Alumni Club of Brazil, Instituto Apontar, Instituto Akatu, Instituto Doar, Instituto Vladimir Herzog, Movimento Arredondar, SindusCon-SP, Secovi-SP Tozzini Freire Advogados e WINGS – Worldwide Initiative for Grantmaker Support

Conselho Técnico: Dr. Marcos Kisil, Dr. José Antônio de Lima e Dr. José Luiz Setúbal 

Assessorias de Imprensa: 

IDIS – Ana Moretto (4 Press) / anamoretto@4pressnews.com.br / (11) 97300-8584  

Bem Maior – Sheila Brasil / comunicacao@centraldeinovacao.com.br / (11) 99333-0528  

BSocial – Viviane Pereira / vpimprensa@gmail.com / (11) 97667-1933  

CHAMADO À COMUNIDADE FILANTRÓPICA: Fundo Emergencial para a Saúde Coronavírus – Brasil

CARTA ABERTA 

CHAMADO À COMUNIDADE FILANTRÓPICA 

Organizações de promoção à filantropia convocam investidores sociais brasileiros a doarem para o fortalecimento do sistema de saúde do País 

  

Considerando a gravidade do momento que atravessamos e a necessidade urgente de fortalecimento da rede pública de saúde, o IDIS Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, o Movimento Bem Maior e a BSocial, todas organizações da sociedade civil dedicadas à promoção da cultura de doação, em parceria com o GIFE, Grupo de Institutos, Fundações e Empresas, a PLKC Advogados o Synergos, vêm a público fazer um chamado à comunidade filantrópica brasileira.   

O Brasil conta com o SUS, o maior sistema universal de saúde pública do mundo. Um terço dos leitos dessa rede está instalado em hospitais beneficentes e, em 906 municípios, o atendimento público de saúde é feito exclusivamente por hospitais dessa natureza. Hoje, eles respondem por cerca de 65% de todas as internações de alta complexidade, de acordo com dados da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB).  

Esta rede, assim como as demais no mundo, não está pronta para a demanda que virá com o aumento de casos de Coronavírus, e precisa urgentemente de recursos.   

Por isso, nos reunimos e criamos um caminho rápido, fácil e confiável de fazer com que os recursos financeiros cheguem a hospitais beneficentes e laboratórios de pesquisa. Estruturamos o ‘Fundo Emergencial para a Saúde Coronavírus – Brasil’, que receberá doações e as encaminhará às entidades que estão na linha de frente do combate à pandemia.  

Em um primeiro momento, os recursos serão destinados às seguintes instituições, mas outras podem ser agregadas posteriormente.  

  1. Fiocruz 
  2. Hospital das Clínicas de São Paulo 
  3. Santa Casa de São Paulo 
  4. Comunitas (organização que está adquirindo respiradores para serem doados aos hospitais do SUS) 

Estamos em conversações avançadas com a Fiocruz.  

O Fundo estará sob a gestão financeira da SITAWI, que responderá pela transparência e accountability das operações.  

Convocamos a comunidade filantrópica brasileira a doar para este Fundo ou para outras campanhas de apoio ao sistema de saúde! 

DOE AQUI 

Contamos com a contribuição de todos.  

// Grupo Instituidor: IDIS, BSocial, Movimento Bem Maior 

  • IDIS: OSCIP fundada há 20 anos com o objetivo de promover e ampliar a filantropia e investimento social no Brasil e torná-los mais estratégicos. Dialoga com filantropos familiares e corporativos. 
  • Movimento Bem Maior: Fundado em 2018, o Movimento Bem Maior, é uma organização social apartidária, sem fins lucrativos, que tem como objetivo dobrar o volume de doações realizadas no país dentro dos próximos 10 anos, com o desafio de fomentar o investimento social privado, visando desenvolver e fortalecer o terceiro setor e a Cultura de Colaboração no país.
  • BSocial: plataforma de doação para terceiro setor com propósito de ampliar a Cultura de doação no Brasil 

// Parceiros Institucionais: Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), PLKC Advogados e Synergos  

// Parceiros Operacionais:  SITAWI e Umbigo do Mundo 

// Apoiadores: ABRAINC – Associação Brasileira de Incorporadores, APF – Associação Paulista de Fundações, Blend Inspire, Editora Mol, Harvard Alumni Club of Brazil, Instituto Apontar, Instituto Akatu, Instituto Doar, Instituto Vladimir Herzog, Movimento ArredondarSindusCon-SP, Secovi-SP Tozzini Freire Advogados e WINGS – Worldwide Initiative for Grantmaker Support 

// Conselho Técnico: Dr. Marcos Kisil, Dr. José Antônio de Lima e Dr. José Luiz Setúbal 

EQUIPE DO IDIS EM TRABALHO REMOTO

Comunicamos a equipe do IDIS está trabalhando remotamente, até que o retorno ao escritório não represente mais risco para a saúde de seus funcionários e da comunidade.

Estamos nos adequando às recomendações da Organização Mundial da Saúde, e nos esforçando para manter o ritmo previsto das atividades.

Nossos canais de comunicação estão ativos – emails, telefone fixo (11 3037-8212), além de celulares e Whatsapp de nossos profissionais. Seguimos disponíveis para reuniões via plataformas digitais e pretendemos cumprir, dentro do possível, todos nossos compromissos já agendados.

Esperamos que esse período de exceção seja breve para que todos possamos voltar à normalidade, com o mínimo de prejuízo para nossa sociedade e nosso País.

Estamos também nos mobilizando para apoiar movimentos e projetos que possam ajudar o Brasil neste momento tão difícil.

Contamos com a compreensão de todos.

IDIS incentiva doações para hospitais filantrópicos e Santas Casas em tempos de coronavirus

Assistimos em março ao crescimento de casos do coronavirus no Brasil e a previsão da comunidade médica é de aumentos exponenciais nas próximas semanas. Trata-se de uma crise que deverá ser combatida por todos os setores da sociedade. Ao redor do mundo, a pandemia tem sensibilizando o setor filantrópico. Marcas famosas como Giorgio Armani, Versace, artistas como Justin Bieber, e milionários como Bill e Melinda Gates estão doando quantias significativas, seja para estudos de vacina, seja para ajudar hospitais e instituições de saúde, principalmente na Itália. A tendência é que essas iniciativas mobilizem outras pessoas a fazerem o mesmo, ainda que com valores bem menores.

“Essa postura é comum em momentos de crises agudas”, aponta a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani. O World Giving Index, que ranqueia os países de acordo com o nível de solidariedade de suas populações, divulgado anualmente pelo IDIS, retrata bem esse comportamento – nota-se que desastres e adversidades inspiram atos de generosidade. A população como um todo desperta para a solidariedade em momentos de dificuldade. “O rompimento da barragem em Brumadinho (MG), por exemplo, provocou um efeito semelhante no início de 2019, assim como as queimadas na Austrália. Essa postura  já está se repetindo em alguns países do mundo em função do surto de coronavírus”, explica a presidente do IDIS. No Brasil, os hospitais filantrópicos e as Santas Casas de Misericórdia são um braço importante do Sistema Único de Saúde (SUS). Esta é uma rede fundamental, mas que está em dificuldades e doações podem ser decisivas neste momento. De acordo com a Pesquisa Doação Brasil, desenvolvida pelo IDIS, a Saúde é a causa que mais sensibiliza as pessoas para doação. “O desafio é fazer com que essa solidariedade permaneça atuante, sem a necessidade de tragédias.”, completa Fabiani.

O posicionamento do IDIS em relação ao tema integrou matérias publicada pela Revista Exame em 13 de março de 2020.

IDIS busca coordenador de ativação e parcerias para fortalecer cultura de doação

Em dezembro de 2018, nasceu o Descubra Sua Causa. Com o objetivo de fortalecer a Cultura de Doação no Brasil, o IDIS lançou esta campanha na qual, com um teste leve e divertido, estimulamos  as pessoas a refletirem e se conectarem às causas com as quais mais se identificam, fazendo doações, trabalho voluntário ou se informando mais sobre elas. Esta jornada foi possível com o envolvimento de parceiros e financiadores. A sociedade foi engajada por meio de comunicação online e offline, e um amplo trabalho junto à imprensa vem contribuindo para a visibilidade da campanha.

Agora precisamos impulsionar e divulgar ainda mais o Descubra Sua Causa, e garantir sua sustentabilidade financeira. Para isso, estamos buscando um profissional para o núcleo de comunicação do IDIS e coordenar este projeto. Ele/a será responsável pelas melhorias e manutenção da plataforma, pela divulgação da campanha, inclusive propondo e estabelecendo novas parcerias e apoiando as iniciativas de captação de recursos.

Principais atribuições

  • Monitorar o desempenho da campanha
  • Garantir o bom funcionamento da plataforma, indicando melhorias e coordenando os trabalhos de manutenção
  • Realizar a divulgação online e offline da campanha, produzindo estratégias e peças
  • Conduzir campanhas de Google Ad e Facebook Ad
  • Elaborar ações com influenciadores
  • Estabelecer novas parcerias para viabilizar e aumentar a divulgação, e gerir as parcerias já existentes
  • Apoiar a área de captação de recursos nas atividades voltadas para a campanha
  • Produzir documentos e relatórios sobre o desempenho da campanha para subsidiar parcerias e captação de recursos

Formação e experiência

Formação superior completa. Conhecimentos no campo da comunicação digital (redes sociais e anúncios em plataformas digitais). Experiência em relações públicas e/ou captação de recursos e/ou gestão de relacionamentos. Paixão por causas e interesse em atuar no Terceiro Setor.

Competências

  • Visão estratégica, habilidade para realizar ‘networking’ com pessoas e instituições que agregam valor à campanha;
  • Visão lógica, capacidade de compreender o funcionamento de plataformas digitais. Experiência em Google Analytics.
  • Domínio das redes sociais, Google AdWords e FacebookAds.
  • Boa comunicação e redação.
  • Inglês fluente será considerado um diferencial.

Localização: São Paulo

Contato: comunicacao@idis.org.br

Prazo para envio de currículos: 18 de março de 2020

Colégio Santo Américo leva Descubra sua Causa para sala de aula

A turma é composta por trinta alunos, de todas as séries do Ensino Médio, que escolheram cursar, neste ano, a cadeira eletiva ‘Solidariedade em Ação’.

“É a eletiva mais procurada no colégio. Foram 150 inscrições para as 30 vagas abertas”, conta Thiago Dianezi, um dos professores responsáveis pela matéria.

A declaração mostra a disposição dos jovens para a atuação solidária. Inspirados pelo engajamento dos alunos, os professores decidiram aplicar o teste Descubra sua Causa para orientar as atividades da turma.

Na terça-feira, dia 18 de fevereiro, Andréa Wolffenbüttel, diretora de Comunicação do IDIS, foi até o Colégio Santo Américo, no Morumbi, zona sul de São Paulo, para dar uma aula sobre cultura de doação, explicando para os estudantes o poder transformador da doação e seu efeito positivo sobre o doador e a sociedade.

Os adolescentes se entusiasmaram na hora de fazer o teste, debateram algumas questões e ficaram curiosos sobre os personagens que aparecem no resultado.

A causa campeã da sala foi a preservação do meio ambiente e a defesa dos animais.

Agora, os alunos vão pesquisar sobre essas causas e escolher uma das ONGs apresentadas no resultado do teste para receber o apoio da turma do Santo Américo.

“O colégio Santo Américo está de parabéns por oferecer esta matéria eletiva e por aproveitar o ambiente de aprendizado para estimular a solidariedade e o altruísmo proativo entre seus estudantes”, conclui Andréa.

Um grupo em busca de soluções para os desafios da filantropia em países em desenvolvimento

No começo de fevereiro, cinco CEO´s dos escritórios da Charities Aid Foundation (CAF) em países em desenvolvimento se reuniram em Johanesburgo para discutir como unir suas experiências e habilidades para aumentar seu potencial de impacto na filantropia global.

Como o IDIS é o representante da CAF no Brasil, nossa presidente, Paula Fabiani, participou do encontro. Ela estava acompanhada por Meenakshi Batra, da CAF Índia, Masha Chertok, da CAF Rússia, Basak Ersen da Tusev da Turquia, recém-chegado ao grupo, e a anfitriã, Gill Bates, da CAF África do Sul. Os debates foram coordenados por Michael Mapstone e Sameera Mehra, da equipe da CAF Global Alliance baseados em Londres na CAF UK.

Primeiramente, eles identificaram alguns desafios comuns aos promotores da filantropia nas economias em desenvolvimento.

DESAFIOS COMUNS

• Crescimento da desigualdade
• Aumento da interferência governamental no Terceiro Setor
• Politização e polarização da sociedade civil
• Falta de marcos regulatórios que incentivem a filantropia
• Desconfiança no Terceiro Setor
• Falta de novas lideranças
• Gap entre gerações

Esses são obstáculos grandes e, alguns deles, antigos, mas o grupo também encontrou oportunidades presentes em todos os países.

OPORTUNIDADES COMUNS

• Aumento das doações na classe média
• Novos mecanismos de doação
• Aumento dos recursos focados em transformações sociais no campo dos investimentos de impacto
• Crescimento do engajamento cívico
• Empresas mais interessadas em adotar causas
• Pressão provocada pelas mudanças climáticas

A partir das oportunidades tão promissoras, foi criado o Fast Growing Economies Group (FGE Group), que propõe a buscar soluções conjuntas para promover a cultura de doação no mundo.

“Partilhar experiências de países tão diferentes é sempre inspirador. Muitos problemas são comuns, mas a maneiras de enfrentá-los são diversas. As combinações de possibilidades trazem esperança de que existem caminhos promissores para o aumento da cultura de doação em escala global”, avalia Paula Fabiani.

O compromisso final do encontro, durante o qual foram lançados relatórios com pesquisas sobre a prática da doação na África do Sul, Uganda, Tanzânia e Quênia, foi de desenvolver em conjunto pesquisas, criar um movimento global para a promoção da cultura de doação e buscar novos países e organizações que possam completar e potencializar o impacto global do FGE Group!

Em parceria com o BNDES, livro sobre Fundos Patrimoniais é lançado no Rio de Janeiro

Com a casa cheia, realizamos o lançamento do livro FUNDOS PATRIMONIAIS FILANTRÓPICOS: SUSTENTABILIDADE PARA CAUSAS E ORGANIZAÇÕES, no Rio de Janeiro. No evento, que contou com a parceria do BNDES, os autores Paula Fabiani e Andrea Hanai, do IDIS, Priscila Pasqualin (PLKC Advogados) e Ricardo Levisky (Levisky Legado) dividiram o palco com Gustavo Montezano, presidente dos BNDES, Luciane Gorgulho, Fabricio Brollo e Izabela Algantri, também do BNDES e articulistas do livro. O debate contemplou o histórico dos Fundos Patrimoniais no Brasil, a experiência dos Fóruns de Endowments Culturais, aspectos jurídicos dos Fundos Patrimoniais, oportunidades em processos de privatização e concessões, além de uma sessão específica sobre a atuação do BNDES junto ao tema. Em sua fala, Montezano, reafirmou o compromisso do Banco na promoção de Fundos Patrimoniais, sendo este um mecanismo capaz de gerar mais desenvolvimento e contribuir para a preservação ambiental e para reduzir a desigualdade financeira no país. Confira aqui o álbum de fotos.

Em janeiro de 2019, foi sancionada a Lei 13.800/19, um marco para a evolução dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, daí a urgência e importância dos aprofundamentos propostos. A legislação brasileira para os Fundos Patrimoniais Filantrópicos é bastante robusta, exigindo regras claras de gestão e governança para o uso dos recursos em projetos e organizações. “A Lei criou um arcabouço legal capaz de atrair doações de longo prazo, trouxe segurança jurídica aos doadores e, de modo geral, isso tudo vem sendo analisado atentamente pelas organizações”, explica a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani.

Desde 2012 o IDIS lidera um importante debate sobre a regulamentação dos endowments no Brasil, mecanismo que tem se mostrado, há décadas, exitoso para mobilizar recursos filantrópicos em países como Estados Unidos, França Inglaterra e Índia. Em 2018 lançou a Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, um grupo multissetorial que exerceu papel fundamental na articulação entre sociedade civil e governo, que levou à aprovação da Lei.

Na publicação, são debatidos aspectos jurídicos, regulamentação e gestão, além de captação de recursos e o potencial para preservação de legados.  O conteúdo está disponível para download aqui.

O que o relatório OXFAM 2019 tem a dizer para famílias filantropas brasileiras?

Por Ruth Goldberg*

O ‘Tempo de Cuidar, relatório da OXFAM Internacional, divulgado em paralelo ao Fórum Econômico de Davos em janeiro de 2020, conseguiu, novamente, chocar o mundo. Ele destaca o grande fosso que existe no mundo em termos de distribuição de riqueza (em 2019, os bilionários do mundo que somam apenas 2.153 pessoas, detinham juntos mais riqueza do que 4,6 bilhões de pessoas) e os desafios ligados aos extremos de riqueza que coexistem com uma enorme pobreza, com foco no trabalho de cuidado (não remunerado, mal pago e realizado por mulheres e meninas em todo o mundo), que perpetua as desigualdades de gênero e econômica em praticamente todos os países. Ele chama a atenção sobre o modelo vigente, que, a despeito de todos os esforços, continua produzindo desigualdades e injustiças. Mas mudando o ponto de vista e tentando enxergar do lado daqueles que têm mais recursos, o relatório pode servir como excelente guia para ajudar numa tomada de decisão.

Um dos maiores dilemas a serem vencidos por indivíduos e famílias que querem contribuir com a solução dos problemas brasileiros investindo em projetos socioambientais é a definição da causa ou das causas para a sua atuação. Seja atuando apenas como doadores (os chamados grantmakers), ou como operadores diretos dos projetos, a escolha da área de atuação é sempre muito complexa e polêmica.

Entre as razões para essa dificuldade, podemos destacar o uso da lógica racional em contraponto com a emoção, decorrente sobretudo do diálogo intergeracional nas famílias, a necessidade de alinhamento e visão de futuro entre seus membros e por fim, a escassa fonte de dados e informações que garantam uma atuação mais eficaz e alinhada com desafios de longo prazo.

Tendo em vista a importância do trabalho de cuidado (relacionado à atenção às crianças, idosos, pessoas com doenças e deficiências físicas e mentais, trabalhos domésticos), tão essencial para nossas sociedades e portanto para o Brasil, o relatório apresenta soluções estratégicas para reversão deste quadro, baseadas principalmente em ações conjuntas, integradas entre sociedade civil e governos, que abrangem o desenvolvimento de sistemas de cuidado, ações de redistribuição, serviços gratuitos e alteração nas políticas de tributação.

Estudo desenvolvido em 2019 pelo Founders Pledge (www.founderspledge.com), com apoio do PAF – Philantropy Advisory Fellowship para uma organização filantrópica familiar brasileira, pautado na lógica de otimizar o investimento filantrópico versus o impacto social, utilizou um modelo baseado em evidências para elencar áreas de atuação prioritárias que garantam maior eficácia no investimento social no Brasil para os próximos 30-50 anos. Elencou uma lista de nove áreas de intervenção para geração de relevante impacto no Brasil: eficácia em programas governamentais, doenças do envelhecimento, inclusão produtiva, saúde mental, violência interpessoal, política fiscal, primeira infância, eficiência energética e energia limpa e saneamento.

Os atores da filantropia familiar (investidores sociais individuais ou famílias) têm que lidar com uma realidade social muito complexa e com uma variedade enorme de possibilidades (e necessidades) para intervenção. Qualquer que seja a área de atuação escolhida para o investimento social feito por indivíduos ou famílias, as transformações mais estruturantes e necessárias só se darão se houver uma forte articulação entre sociedade civil e governos, alianças e parcerias locais, nacionais e internacionais, adoção de critérios de eficiência, eficácia e efetividade e potente trabalho de advocacy em nome das diversas causas.

Para aqueles interessados em saber um pouco sobre como começar uma atividade filantropa em família, recomendo a leitura da folheto ‘Seu Roteiro para a Filantropia’, publicado pela Rockefeller Philanthropy Advisors e traduzido e publicado em português pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

* Ruth Goldberg é Consultora Associada do IDIS Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

Artigo originalmente publicado em 19/02/20, no Blog do Fausto Macedo, no Estadão

Oportunidade para Diretor Executivo em Instituto familiar no Rio de Janeiro

O IDIS está apoiando um de seus parceiros a encontrar um profissional para compor sua equipe. Trata-se de um Instituto familiar com foco em educação básica e assistência a público em situação de vulnerabilidade social. Sua atuação tem como base o fortalecimento de organizações (grantmaking), agindo como financiador de projetos e programas já existentes e promovendo a ampliação de seu alcance.

A organização, localizada na cidade do Rio de Janeiro, está em busca de um Diretor Executivo que se dedique integralmente à gestão do Instituto e seu aperfeiçoamento institucional, e cujas funções incluem: representação institucional, suporte técnico à seleção de organizações para apoio, monitoramento, entre outras responsabilidades administrativas.

O IDIS será responsável pela condução do processo de seleção e pela escolha dos três candidatos finalistas, sendo a decisão final uma escolha da organização contratante. O nome do Instituto será revelado aos candidatos selecionados durante a entrevista.

Objetivos

O candidato será responsável pela gestão do Instituto e interlocução com seu Conselho. Além disso, responderá pela estratégia, seleção, monitoramento e avaliação dos projetos, programas e organizações apoiados, garantindo o cumprimento do escopo acordado e auxiliando-os em seu desenvolvimento.

Deverá, ainda, participar das discussões internas e externas a respeito das decisões estratégicas do Instituto, contribuindo para seu desenvolvimento dentro do setor, apoiando os relacionamentos institucionais e consolidando parcerias.

Principais atribuições e responsabilidades

  • Executar o plano de ação para criação e crescimento do Instituto
  • Elaborar o planejamento estratégico anual para aprovação pelo Conselho
  • Estudar e compreender a estratégia de atuação dos projetos e organizações atualmente apoiados pelo Instituto
  • Apoiar o processo de validação e seleção de novas potenciais organizações a serem apoiadas pelo Instituto
  • Elaborar editais e gerir o processo seletivo de organizações
  • Criar e manter os processos internos de prestação de contas, monitoramento e avaliação de impacto dos projetos apoiados, alertando para desvios ou riscos não previstos e mensurando a efetividade dos projetos apoiados para o alcance dos objetivos estratégicos do Instituto
  • Contratação de serviços técnicos especializados (consultorias, pareceres, etc.)
  • Participar de reuniões periódicas da equipe, direção e estrutura de governança do Instituto com o objetivo de manter o alinhamento com seu planejamento estratégico e missão, realizando a prestação de contas ante seu Conselho
  • Promover o desenvolvimento, aprendizagem e compartilhamento de conhecimento técnico na sua área de atuação com a equipe do Instituto para aprimorar a performance individual e coletiva do time
  • Gestão cotidiana do Instituto e de seu staff técnico
  • Representar o Instituto em eventos e reuniões, sempre que necessário
  • Zelar pela ética e valores institucionais

Requisitos

Instrução e Experiência

  • Formação superior completa
  • Mais de 10 anos de experiência profissional e no mínimo 3 anos na área de Investimento Social
  • Experiência com relacionamento institucional e interlocução com organizações da sociedade civil, empresários e governo

Conhecimentos específicos

  • Conhecimento de estratégias de investimento social privado, preferencialmente com foco em Educação e Assistência Social à população em situação de vulnerabilidade
  • Habilidades comportamentais para conduzir o relacionamento com o Conselho do Instituto, bem como com as organizações apoiadas financeiramente, parceiros e outros financiadores do setor
  • Conhecimento em Monitoramento e Avaliação de Impacto de projetos e programas sociais
  • Informática em nível avançado
  • Inglês fluente
  • Disponibilidade para viagens e visitas de campo a projetos sociais

Competências:

  • Iniciativa, capacidade de execução e solução de problemas, liderança, planejamento, organização, empreendedorismo, foco em resultados, relacionamento interpessoal e habilidade de gestão de pessoas e recursos

Orientações para participação no processo seletivo:

  • Enviar um e-mail com o título “Oportunidade de contratação em Parceiro do IDIS (Dir.Executivo)”
  • Anexar seu CV
  • Incluir as seguintes informações no corpo do e-mail: disponibilidade para início e para trabalho no Rio de Janeiro, pretensão salarial e a justificativa sobre seu interesse nesta oportunidade
  • Endereço para envio: fgroba@idis.org.br
  • Data limite: 06/03/2020

Oportunidade para Consultores Independentes em Investimento Social

O IDIS atua em projetos de consultoria voltados para empresas, famílias, institutos, fundações e outras organizações da sociedade civil que enfrentam desafios em sua atuação de Investimento Social Privado. Por meio dos projetos da consultoria, apoiamos o investidor social e as organizações que executam projetos e programas sociais a tomarem decisões estratégicas e a ampliarem o impacto de suas iniciativas.

Em muitas situações, buscamos consultores independentes para atuar de forma integrada com a equipe do IDIS para compor as equipes de projeto. Para isso, precisamos contar com profissionais experientes e comprometidos que trabalhem de forma colaborativa, criativa e com foco em resultados.

No momento, buscamos consultores independentes que estejam capacitados para trabalhar em projetos de:

  • Planejamento estratégico
  • Estudos de mensuração e avaliação de impacto social de projetos e programas
  • Estudos de campo (diagnóstico e mapeamento local, mobilização, pesquisa qualitativa e outros)

Principais Atribuições e Responsabilidades

  • Participar do planejamento do projeto e detalhamento das atividades a serem realizadas, bem como da divisão de papéis e responsabilidades entre a equipe do projeto;
  • Se reunir com a equipe do projeto de IDIS sempre que solicitado para acompanhamento do andamento do projeto e para discussões e decisões a respeito do escopo das atividades;
  • Se reunir com os clientes do IDIS sempre que solicitado para apresentação intermediárias e finais das etapas do projeto e para processos de trabalho colaborativo relacionados ao projeto;
  • Contribuir para o seguimento do cronograma do projeto, respeitando os prazos e zelando pela qualidade dos produtos a serem entregues, alertando para desvios ou riscos não previstos;
  • Zelar pela ética e valores institucionais do IDIS.

Requisitos do Cargo

Experiência:

Formação superior e experiência anterior mínima de 3 (três) anos atuando em gestão de projetos especificamente ligados á área de Investimento Social Privado nas áreas de interesse detalhadas neste anúncio:

  • Planejamento estratégico
  • Estudos de mensuração e avaliação de impacto social de projetos e programas
  • Estudos de campo (diagnóstico e mapeamento local, mobilização, pesquisa qualitativa e outros)

Competências:

Planejamento, organização, flexibilidade, capacidade analítica, relacionamento interpessoal e visão estratégica e sistêmica.

Enviar CV via e-mail para: raltemani@idis.org.br com o assunto Consultor de Projetos de Investimento Social, explicitando a razão de seu interesse nesta oportunidade e o tipo de projeto no qual possui experiência anterior.

‘Ousar para Avançar’ é o tema do Festival ABCR 2020

Com expectativa de reunir 800 participantes, o Festival ABCR 2020, será realizado nos dias 28, 29 e 30 de junho, em São Paulo. Estão planejadas para esta edição 42 sessões paralelas, 6 mesas de debate, 6 masterclasses, 3 plenárias e sessões magnas, além da participação de especialistas nacionais e internacionais, representantes de entidades e empresas, e uma exposição com a participação de organizações com atuação no setor. As inscrições já estão abertas. “Estamos empolgados com a edição 2020 e a nossa expectativa é manter todos os diferenciais do Festival 2019, que superou todas as nossas expectativas, se consagrando como a maior edição de todas já realizadas, com destaque para o recorde de público de 800 participantes, além da presença de mais de 100 palestrantes nacionais e internacionais. Um dos pontos de grande relevância do evento e que será mantido em 2020 está relacionado aos temas abordados e a profundidade dos conteúdos e debates, demonstrando o amadurecimento desse setor nos últimos anos e que tem relação direta com o trabalho conjunto que a ABCR vem realizando nos seus 20 anos de atuação”, enfatiza o diretor executivo da ABCR, João Paulo Vergueiro.

O FABCR tem o objetivo de debater e trocar conhecimento sobre como mobilizar mais recursos para as organizações da sociedade civil e as causas e o IDIS é um dos parceiros da iniciativa. “Um de nossos focos de atuação é a produção de conhecimento e a contribuição para o avanço de nosso setor. O Festival tem se firmado como um evento que contribui para a sustentabilidade de nosso campo e ficamos muito felizes em participar como parceiros.” comenta Andrea Wolffenbuttel, Diretora da Comunicação do IDIS.

O tema da 12ª edição, Ousar para Avançar, faz referência à atuação da ABCR no país que, nas duas décadas de trabalho junto aos diferentes públicos, vem promovendo ações fundamentais com foco na sustentabilidade do Terceiro Setor e desenvolvimento da captação de recursos das organizações da sociedade civil. As ações e projetos desenvolvidos pela organização são na área de Conhecimento (boletim enviado para mais de 40 mil pessoas), Advocacy (Marco Bancário da Doação e Dia de Doar) e Desenvolvimento Profissional (Cursos e o Festival).

DATA: 28 a 30 de junho de 2020

LOCAL: Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo.

INSCRIÇÕES: https://festivalabcr.org.br/inscricoes/

 

Sobre o Festival ABCR

Com expectativa de reunir 800 participantes, o Festival ABCR 2020, maior conferência de captação de recursos da América Latina e uma das principais no mundo, será realizado nos dias 28, 29 e 30 de junho, em São Paulo. Iniciativa da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, o evento conta com organização da Sator e tem o objetivo de debater e trocar conhecimento sobre como mobilizar mais recursos para as organizações da sociedade civil e as causas. o objetivo de debater e trocar conhecimento sobre como mobilizar mais recursos para as organizações da sociedade civil e as causas.

 

IDIS busca coordenador Administrativo Financeiro

A equipe administrativa financeira do IDIS busca coordenador, que  irá contribuir para a gestão dos recursos financeiros e humanos da organização, de forma alinhada com nossos objetivos, políticas e diretrizes e apoiando a diretoria com levantamentos financeiros para tomadas de decisão relacionadas à sustentabilidade da organização.

Principais Atribuições e Responsabilidades

  • Administrar os recursos humanos e financeiros do IDIS, assegurando que eles sejam geridos em conformidade com nossa missão, visão e objetivos estratégicos.
  • Dar suporte para as decisões da diretoria em relação à gestão administrativa e financeira, propondo estratégias, ajustes e melhorias, e controles internos.
  • Monitorar, gerir e acompanhar os resultados operacionais do IDIS, reportando-os por meio de relatórios gerenciais periódicos que demonstrem a eficácia da aplicação de recursos, a sustentabilidade do IDIS e alertando para desvios ou riscos não previstos.
  • Implantar e gerenciar os sistemas contábeis e financeiros.
  • Acompanhar e gerenciar o relacionamento com assessoria contábil e prestadores de serviços externos (consultores, fornecedores).
  • Coordenar o processo de compras de mercadorias e serviços.
  • Apoiar a formalização de contratos junto a clientes, fornecedores, funcionários e parceiros do IDIS.
  • Dar suporte para o processo anual de auditoria independente zelando pela boa condução da análise e emissão de pareceres.
  • Assegurar a efetividade das políticas e dos processos administrativos promovendo mudanças e melhorias sempre que necessário.
  • Apoiar a preparação de reuniões dos Conselhos previstos em Estatuto Social, providenciando o edital de convocação aos membros, elaborando material de apresentação e, posteriormente, preparando minutas das atas de reunião e providências para seu registro em cartório.

Requisitos do Cargo 

Instrução e Experiência:

Formação superior em Administração de Empresas, Economia, Ciências Contábeis, ou demais cursos correlatos e experiência anterior mínima de 3 (três) anos atuando em gestão administrativa-financeira, com alguma experiência em organizações de terceiro setor.

Conhecimentos específicos:

Conhecimentos avançados de Excel e nível avançado no idioma inglês.

Competências:

Planejamento, organização, capacidade analítica, relacionamento interpessoal e visão estratégica e sistêmica.

Enviar CV via e-mail para: raltemani@idis.org.br com o assunto Financeiro IDIS até 21 de fevereiro.

É hora de enfrentar a desigualdade crescente

Por André Rodrigues de Lara*

Vivemos em um mundo extremamente desigual, que vem aprofundando essa desigualdade ano após ano, o que comprova que o sistema econômico e fiscal vigente está estruturado para elevar a concentração de renda. O relatório “Tempo de Cuidar” da Oxfam, organização da sociedade civil que atua no combate à desigualdade, pobreza e injustiça social, lançado às vésperas do Fórum Econômico Mundial deste ano, trás dados estarrecedores da desigualdade no mundo. Em 2019, apenas 2.153 indivíduos mais ricos do mundo detinham mais riqueza que 4,6 bilhões de pessoas. Os 22 homens mais ricos do mundo detêm mais riquezas que todas as mulheres que vivem na África. Se todas as pessoas do mundo empilhassem seus recursos financeiros em notas de 100 dólares e sentassem em cima, a maior parte da humanidade ficaria sentada no nível do chão, as pessoas de classe média de um país rico ficariam sentadas no nível de uma cadeira enquanto os dois homens mais ricos do mundo estariam sentados além da estratosfera, no espaço sideral. Embora todos essas comparações sejam alarmantes, o dado que mais me impressionou foi que o valor monetário global do trabalho de cuidado não remunerado prestado em sua maioria por meninas, adolescentes e mulheres é de pelo menos US$10,8 trilhões por ano, isso significa que se essa riqueza fosse gerada por um país seria a terceira maior economia do mundo, bem perto do PIB chinês. Esse montante não pago a essas mulheres e meninas sustenta parte da economia mundial e a maior parte dessa fatia está indo para os mais ricos. São mais de 12,5 bilhões de horas de cuidados diárias em tarefas como cozinhar, limpar, buscar água e lenha, cuidar de idosos, outras crianças ou parentes debilitados entre outras atividades que são essenciais.

Esse cenário de desigualdades vem se aprofundando ao longo dos anos e cada ente da sociedade (indivíduos, organizações, empresas e governo) tem seu papel no combate a esta situação. Um primeiro passo é ampliar a consciência, entender o que está acontecendo, como esse mecanismo está estruturado e os impactos que essa desigualdade profunda trás, e trará cada vez mais, para o mundo e consequentemente para si e para o seu entorno. A partir dessa reflexão, podemos compreender como nossos diferentes papéis – eleitor, consumidor, empregado, empregador ou cidadão – influenciam essa dinâmica, para então traçar um plano para mudar hábitos e atitudes que causem efeitos positivos no mundo que desejamos viver.

A mesma reflexão serve também para empresas e organizações. Ao avaliarem sua estratégia de negócio, sua atuação, sua cadeia de valor, seu entorno, suas relações com o poder público e suas ambições de futuro, devem incluir nessa análise metas claras não mais de mitigação de danos, mas sim de efetivos esforços para causar um impacto positivo, trazendo benefícios para a sociedade. Talvez você se pergunte: “Mas por que uma empresa deve pensar em causar impacto positivo se já gera empregos e paga seus impostos?”, minha pequena contribuição para esclarecer esse questionamento é que além da sua intrínseca responsabilidade social e necessidade de licença social para operar, devemos entender que hoje é uma estratégia de sobrevivência contribuir para um mundo mais equilibrado e justo  ambiental, social e economicamente. Os impactos econômicos da desigualdade e dos desequilíbrios ambientais afetarão as empresas. Os mercados consumidores, mão de obra qualificada, acesso a recursos e insumos e legislações cada vez mais rigorosas são alguns dos fatores ligados à desigualdade e aos impactos ambientais que as empresas terão que lidar. Todos nós temos uma decisão a tomar, que papel queremos ter na solução deste problema? É preciso agir para reduzir a desigualdade.
* André Rodrigues de Lara é Gerente de Projetos no IDIS

IDIS e BNDES promovem debate sobre Fundos Patrimoniais no Rio de Janeiro

Em parceria com o BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento, realizaremos, no Rio de Janeiro, o lançamento do livro “Fundos Patrimoniais Filantrópicos – Sustentabilidade para Causas e Organizações”. Um ano após a aprovação da Lei 13.800/2019, que regulamenta os fundos patrimoniais no país, reuniremos especialistas para debater avanços, oportunidades e desafios. O evento é gratuito com vagas limitadas. As inscrições pode ser feitas aqui.

Data: 13 de fevereiro, das 9h30 às 12h30
Local: Auditório do BNDES – Av.República do Chile,100, Rio de Janeiro

Agenda (atenção: alteração realizada em 04/02)

09h30: Credenciamento e recepção

10h00: Boas-vindas e histórico dos Fundos Patrimoniais no Brasil
Gustavo Montezano, Presidente do BNDES
Paula Fabiani, Diretora-Presidente do IDIS
Andrea Hanai, Gerente de Projetos do IDIS

10h50: A experiência dos Fóruns de Endowments Culturais
Ricardo Levisky, Fundador e Presidente da Levisky Legado

11h15: Aspectos jurídicos dos Fundos Patrimoniais
Priscila Pasqualin, sócia do PLKC Advogados
Izabela Algranti, advogada da Área Jurídica do BNDES

11h40: Envolvimento e interesse do BNDES
Luciane Gorgulho, Chefe do Departamento de Desenvolvimento Urbano, Cultura e Turismo do BNDES
Fabricio Brollo, Gerente do Departamento de Desenvolvimento Urbano, Cultura e Turismo do BNDES

12h05: Oportunidades em processos de privatização e concessões
Paula Fabiani, Diretora-Presidente do IDIS

12h30: Encarramento do evento e distribuição do livro

Ao final do evento, serão distribuídos exemplares para os presentes. Organizado pelo IDIS e com o publicado com o apoio do Banco Santander, o livro reúne dezenas de artigos, e contou com a participação dos especialistas do BNDES Fabrício Brollo, Izabela Algranti, e Luciane Gorgulho.

Pesquisa do IDIS é destaque em matéria do Jornal Nacional sobre doação e solidariedade

O dado que chamou atenção e que estimulou a matéria é que, no Brasil, mais pobres doam proporcionalmente à renda três vezes mais do que os mais ricos. Esta foi uma das revelações do no Country Giving Report de 2017, pesquisa realizada pela CAF – Charities Aid Foundation, instituição sediada no Reino Unido e representada no Brasil pelo IDIS.

Exibida em dezembro de 2019 pelo Jornal Nacional, a reportagem traz exemplos de como essa solidariedade se expressa no dia a dia. Paula Fabiani, nossa diretora-presidente, foi uma das especialistas que compartilhou seu ponto de vista.

Veja aqui: Pesquisa aponta que os que ganham menos são proporcionalmente mais solidários.

Lei dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos completa 1 ano

Ao longo deste primeiro ano, houve intensa mobilização em torno do tema, com regulamentações específicas que permitem colocar o mecanismo em prática. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), por exemplo, lançou a Portaria de Fundos Patrimoniais e Endowments para CT&I e assinou os primeiros termos de apoio institucional do MCTIC a fundos patrimoniais. A Secretaria Especial de Cultura também acenou para a discussão do tema dentro do grupo oficial destacado para escrever as novas instruções normativas da Cultura. No período, foram criadas duas organizações gestoras – a Gestora de Fundo Patrimonial Rogerio Jonas Zylbersztajn e a da PUC-Rio, que lançou o primeiro Fundo Patrimonial Endowment de uma universidade brasileira. Ainda que com adesão tímida, a tendência é de crescimento – há pelo menos 6 outras iniciavas a ponto de serem finalizadas nos termos da Lei. Entre elas, Unicamp; MAR – Museu de Arte do Rio; Museu Judaico; e Instituto CORE de Música, todas apoiadas pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

A legislação brasileira para os Fundos Patrimoniais Filantrópicos é bastante robusta, exigindo regras claras de gestão e governança para o uso dos recursos em projetos e organizações. “A Lei criou um arcabouço legal capaz de atrair doações de longo prazo, trouxe segurança jurídica aos doadores e, de modo geral, isso tudo vem sendo analisado atentamente pelas organizações”, explica a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani.

Desde 2012 o IDIS lidera um importante debate sobre a regulamentação dos endowments no Brasil, mecanismo que tem se mostrado, há décadas, exitoso para mobilizar recursos filantrópicos em países como Estados Unidos, França Inglaterra e Índia. Em 2018 lançou a Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, um grupo multissetorial que exerceu papel fundamental na articulação entre sociedade civil e governo, que levou à aprovação da Lei.

Esse grupo, hoje composto por mais de 70 organizações, ainda cobra a regulamentação dos Fundos Patrimoniais em causas específicas e é bastante atuante em Brasília, em uma ação coordenada de advocacy. Apresentou o conceito de Filantropização via Privatização ao Ministro da Justiça Sérgio Moro e terá representantes, por exemplo, no grupo citado da Secretaria Especial da Cultura.

Com o objetivo de levar conhecimento e pautar a opinião pública sobre o tema, o IDIS realizou e participou de eventos e seminários sobre os Fundos Patrimoniais e, em dezembro de 2019, lançou o livro Fundos Patrimoniais Filantrópicos: sustentabilidade para causas e organizações, no qual são abordados aspectos jurídicos, gestão dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, captação de recursos e os legados que podem ser preservados, com o objetivo de orientar todos os interessados no tema, desde filantropos a organizações do terceiro setor e organizações gestoras.

Em vigor desde 4 de janeiro de 2019, a Lei 13.800/19 estabeleceu os Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, ou endowments, fundos criados para receber doações destinadas a sustentar causas ou organizações específicas. São importantes porque preservam o patrimônio doado para garantir que sempre gere recursos para causas de interesse público e contribuem para custear a operação de organizações no longo prazo.

 

Você sabe qual é a sua causa?

 

Por Andréa Wolffenbüttel*

 

Muitas pessoas me procuram dizendo que querem fazer algo para ajudar a transformar a sociedade, para melhorar as condições de vidas dos mais necessitados, para contribuir com um mundo melhor, mas não sabem por onde começar.

Costumo responder que é natural ter esse tipo de dúvida. Afinal, os problemas são muitos, são grandes e variados. Por outro lado, nossos recursos, quase sempre, são poucos diante de tanta complexidade.

Por isso mesmo, é importante pensar antes de fazer uma doação ou um trabalho voluntário, para conseguir produzir a maior diferença possível com essa contribuição.

Quando dou essa resposta, normalmente as pessoas pensam que estou me referindo a fazer a maior diferença na vida dos beneficiários, mas estou dizendo fazer a maior diferença na vida do doador.

É isso mesmo… doar ou fazer trabalho voluntário é uma via de mão de dupla. Ganha quem recebe, mas também ganha, e muito, quem faz. Ganha satisfação, ganha sentido de completude, ganha gratidão, ganha mais um propósito na vida.

Então costumo orientar a pessoa a pensar sobre o que ela quer transformar no mundo. O que faz sentido para ela? Ajudar quem está doente? Limpar os rios? Ensinar alguém a trabalhar para que consiga um emprego? Qual é a sua causa?

Quanto mais alinhada a doação ou o trabalho voluntário estiver com quem o faz, maior será a satisfação, o empenho e o senso de responsabilidade.

E todos esses elementos vão se refletir na transformação provocada por aquela doação, seja ela de dinheiro, tempo, bens, conhecimento, etc.

Quando uma pessoa tem uma causa, ela fica sempre atenta ao que está acontecendo e se preocupa em encontrar as melhores oportunidades para atuar. Ela cuida mesmo daquele tema e se sente fazendo parte (dos problemas e das soluções).

Se você é uma dessas pessoas que quer mudar o mundo mas não sabe o que fazer, te apresento o www.descubrasuacausa.net.br. Depois de completar um teste rápido e divertido, você saberá quais são as causas que mais te sensibilizam e conhecerá organizações para as quais pode doar ou fazer trabalho voluntário.

Se não estiver pronto para nada disso, lá você também poderá se informar melhor sobre suas causas, até se sentir maduro para colocar a mão na massa.

Que tal fazer esse teste agora no final do ano e entrar 2020 com uma causa no coração?

Feliz ano novo para você!!!!

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Andréa Wolffenbüttel é Diretora de Comunicação do IDIS

 

Trilhando caminhos comuns para fomentar um ambiente favorável para Filantropia na América Latina e Caribe

Por Andrea Hanai*

São Paulo foi palco do segundo encontro regional da WINGS (Worldwide Initiatives for Grantmaker Support) para a América Latina e o Caribe, em outubro de 2019, com uma reunião de dois dias que visava promover aprendizado, construir capacidade regional e definir uma agenda conjunta para fomentar um ambiente regional mais favorável à filantropia. Como co-chair do Latin American and the Caribbean Affinity Group, tive a oportunidade de contribuir para a agenda da reunião e, neste momento, sinto-me lisonjeada por descrever minhas percepções acerca dos encontros e suas principais conclusões.

O encontro foi uma jornada envolvendo a compreensão mútua entre os participantes, a intenção de analisar de forma crítica o campo da filantropia na região e a humildade de questionarmos a nós mesmos, enquanto discutíamos os desafios (e oportunidades) de desenvolver conjuntamente um ambiente regional favorável para a filantropia.

Estes três aspectos – compreensão, intenção e humildade – de forma natural se tornaram os princípios para nosso trabalho coletivo, enunciado na Declaração Coletiva da LAC Affinity Group da WINGS, que convidamos a todos a ler e compartilhar.

Iniciamos a reunião compartilhando visões e buscando tendências em comum no campo do fomento à filantropia e cultura de doação na região. O grupo identificou que articular os três setores em torno do bem comum é uma responsabilidade que as organizações de suporte, como o IDIS, empreendem com crescente dificuldade e este tema foi recorrente em nossas discussões.

No entanto, se as parcerias intersetoriais vêm sendo já há algum tempo o mecanismo mais celebrado para a promoção do desenvolvimento sustentável, por que articulá-las representa um desafio tão grande na América Latina e Caribe?

Surpreendentemente, o grupo concluiu que esse desafio não está tão comumente (como pensaríamos) relacionado à falta de recursos ou soluções, mas sim aos aspectos relacionais de se tentar reunir parceiros tão diversos. As barreiras para a construção de parcerias intersetoriais incluem a dificuldade de combinar as motivações, as linguagens e as culturas dos diversos setores; a competição entre as partes com visões diferentes; o desafio de chegar a um acordo acerca de estratégias de gestão e monitoramento; os obstáculos perenes da política e; a complexidade crescente de encontrar agendas comuns.

Segundo os participantes, o avanço das parcerias intersetoriais requer das organizações de apoio esforços conscientes para a construção de relacionamentos com novos modelos de organizações da sociedade civil, redes, alianças, coalizões, etc. Avançar também demanda que cada setor compreenda seu próprio papel e, sem julgamentos prévios, entenda os papéis dos outros setores, percebendo as diferentes perspectivas e funções como fortalecedoras das parcerias.

Sobre este assunto, o grupo expressou preocupação em relação à falta de compreensão da sociedade civil na América Latina e Caribe acerca de seu próprio papel, o que enfraquece sua representatividade e engajamento nos meios emergentes de cooperação intersetorial.

O grupo concluiu que nós, como organizações de suporte, temos um papel fundamental na simplificação e difusão da narrativa sobre os benefícios sociais de uma sociedade civil ativa e engajada, ao mesmo tempo em que fortalecemos a cultura de doação e solidariedade na região. Vale mencionar que a reunião proporcionou aos participantes ferramentas teóricas e práticas de advocacy e comunicação, que certamente contribuirão para essa missão.

Em conclusão, reconhecendo e acolhendo os diversos perfis, necessidades, interesses e experiências de seus membros, a WINGS foi capaz de promover um encontro no qual essa diversidade, ao invés de representar uma dificuldade para o desenvolvimento de um trabalho coletivo, enriqueceu e aprofundou as conversas e produziu resultados coletivos significativos. Dessa forma, o segundo encontro regional da WINGS para a América Latina e o Caribe não só atingiu seus próprios objetivos, como também serviu como um ótimo exercício de construção de relacionamentos, que teremos que continuar a praticar em níveis locais e regionais, para assim fortalecermos um ambiente favorável para a prosperidade do nosso setor. Com compreensão, intenção e humildade.

*Andrea Hanai é Gerente de Projetos no IDIS

Equipe IDIS participa de capacitação em processos de facilitação

Promover o consenso, encontrar propósitos comuns, identificar questões críticas em um projeto, estimular a reflexão, quebrar o gelo. Em seu dia a dia, a equipe do IDIS muitas vezes se encontra em situações nas quais é preciso facilitar atividades em grupo. A necessidade surge tanto em projetos próprios do IDIS, como aconteceu no encontro de diagnóstico do ‘Diálogos de Investidores Sociais com o Poder Público’, quanto em trabalhos de consultoria, quando lideramos processos de planejamento estratégico ou avaliação de impacto, por exemplo. As situações são inúmeras e neste fim de ano, decidimos dar uma atenção especial a esta competência.

O parceiro escolhido para nos apoiar nesta iniciativa foi a Electi Educacional, organização com foco em formar facilitadores da aprendizagem ativa e do desenvolvimento das Competências Socioemocionais. Uma agenda especial foi desenvolvida para o time do IDIS, ao longo de 4 dias, mesclando teoria, prática e muitos momentos para reflexão. Entre os pilares da metodologia apresentada, questões como planejamento, presença ativa, leitura de grupos e fluxo de energia.

A expectativa era alta, e o balanço foi bastante positivo! A equipe encerra o mês com uma compreensão mais ampla sobre esse universo, sensível para as particularidades das experiências e com um amplo repertório de ferramentas.

Ainda que indiretamente, os encontros contribuíram também para o fortalecimento dos vínculos entre a equipe. “De maneira leve e muitas vezes divertida, o treinamento da Electi contribuiu para a integração do time, proporcionando momentos de compartilhamento de histórias, e para nossa capacitação como facilitadores, com momentos de aprendizado e reflexão.” comenta a Sophia Góes, analista na área de projetos do IDIS.

“Mesmo para quem não trabalha na área de projetos/consultoria, a capacitação foi bastante enriquecedora porque nos ensinou a conduzir melhor as interações comuns, que acontecem constantemente nos ambientes de trabalho.”, avaliou Andréa Wolffenbüttel, diretora de Comunicação.

 

Especialistas que articularam a regulamentação dos Fundos Patrimoniais lançam livro

Os textos foram escritos por quatro dos maiores especialistas sobre o tema, que trabalharam ativamente pela aprovação da Lei dos Fundos Patrimoniais – Paula Jancso Fabini e Andrea Hanai, do IDIS Instituto pelo Desenvolvimento do Investimento Social, Priscila Pasqualin, do PLKC Advogados, e Ricardo Levisky, da Levisky Legado. Articulistas também contribuíram com seus pontos de vista.

Juntos compilaram os principais temas desde os aspectos jurídicos, passando pela regulamentação e falando ainda da gestão dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, da captação de recursos e dos legados que podem ser preservados, com o objetivo de orientar todos os interessados no tema, desde filantropos a organizações do terceiro setor e organizações gestoras.

O livro, disponível aqui para download e compra,  foi lançado em dezembro, em um coquetel com a presença dos autores e dos filantropos e apoiadores da causa José Luiz Setúbal, Patrícia Villela Marino e Teresa Bracher.

Veja aqui o álbum de fotos do evento.

Na mesma semana, Paula Fabiani e Priscila Pasqualin estiveram em Brasília com a Deputada Federal Bruna Furlan e com o Senador Rodrigo Cunha. Entregaram a eles o recém-lançado livro sobre Fundos Patrimoniais Filantrópicos e discutiram a importância de incentivos fiscais à doação para fundos de todas as causas. Esta iniciativa integra a agenda de advocacy da Coalizão pelo Fundos Filantrópicos, liderada pelo IDIS.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os Fundos Patrimoniais Filantrópicos são um instrumento que contribui para a sustentabilidade financeira de organizações sem fins lucrativos, de distintas causas de interesse público. São instituídos, em sua maioria, com o compromisso de perpetuar o valor recebido como doação, repassando apenas seus rendimentos para a organizações ou projeto a que se destina.

Em janeiro de 2019, foi sancionada a Lei 13.800/19, um marco para a evolução dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, daí a urgência e importância dos aprofundamentos propostos.

SOBRE O LIVRO: Fundos Patrimoniais Filantrópicos: sustentabilidade para causas e organizações; São Paulo, novembro de 2019

Autores: Paula Jancso Fabiani e Andrea Hanai (IDIS), Priscila Pasqualin (PLKC Advogados) e Ricardo Levisky (Levisky Legado)

Articulistas: Aline Viotto Gomes (GIFE), Ana Claudia Andreotti (GIFE), Augusto Jorge Hirata (FGV), Diego de Carvalho Martins (Fundo Amigos da Poli), Dora Silvia Cunha Bueno (APF / Cebraf), Eduardo Pannunzio (FGV Direito), Fabrício Brollo (BNDES), Izabela Goulart Algranti (BNDES), Laís de Figueiredo Lopes (Szazi, Bechara, Storto, Reicher e Figueiredo Lopes Advogados), Luciana Guaspari de Orleans e Bragança (Banco Santander), Luciane Gorgulho (BNDES), Marcos Kisil (IDIS), Renata Carvalho Beltrão Cavalcanti Biselli (Banco Santander), Rodrigo Hubner Mender (Instituto Rodrigo Mendes)

Este livro foi publicado com o apoio do Banco Santander.

Se interessa pelo tema? Conheça também o trabalho desenvolvido pela Coalização pelos Fundos Filantrópicos, liderada pelo IDIS.

Descubra Sua Causa 2.0 desembarca no Dia de Doar, ampliada e com novos parceiros

Além de descobrir a sua causa, você pode doar na hora, de forma simples e segura, escolher um trabalho voluntário ou apenas conhecer mais sobre o tema

A campanha Descubra Sua Causa, do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, completa um ano e passa a reunir, numa mesma plataforma, outros parceiros que, juntos, irão encurtar caminhos entre o entendimento da causa, a doação ou o trabalho voluntário, e, com isso, ajudar a fomentar ainda mais a cultura de doação.

Com um teste simples, leve e fácil, a plataforma ajuda o brasileiro a se conectar às causas com as quais mais se identifica e a conhecer organizações que pode apoiar. Desde saúde, educação e meio ambiente, até promoção da inclusão e diversidade e geração de trabalho e renda. Basta responder a perguntas ligadas a temas do dia-a-dia, tais como: qual manchete de jornal te deixa mais feliz ou para qual lugar você viajaria agora.

FAÇA O TESTE AQUI.

Nessa segunda fase, o Descubra Sua Causa agora reúne IDIS, as plataformas de doação BSOCIAL e SIMBIOSE SOCIAL, esta última especializada em doações a projetos incentivados, o portal de voluntariado ATADOS e a CATRACA LIVRE, que será responsável por produzir conteúdos exclusivos sobre causas.

“Montamos o time dos sonhos e conseguimos gerar ainda mais facilidade para as pessoas conseguirem se engajar com ONGs e projetos. Com isso, damos mais um passo para o fortalecimento da cultura de doação no Brasil”, explica a presidente do IDIS, Paula Fabiani.

Ampliar a transparência e segurança foram fatores levados em consideração nesta nova etapa. Agora, todas as organizações indicadas para doação passaram por um processo de validação.

“É muito bom termos essa parceria com o IDIS e a oportunidade de participar da campanha demonstra a confiança no trabalho que desenvolvemos e comprova que nossa ferramenta está segura, rápida, transparente e leva o recurso para organizações que transformam e impactam”, explica Maria Eugênia Duva Gullo, co-fundadora da plataforma BSocial.

“A iniciativa do IDIS para o Dia de Doar e a junção deste time dos sonhos representa uma grande oportunidade de visibilidade e impacto para o setor filantrópico. Vivemos uma realidade onde a cultura de doação no Brasil ainda é muito modesta; quando olhamos especificamente para as doações de pessoa física em leis de incentivo, menos de 0,1% das pessoas que poderiam direcionar imposto para projetos sociais o fazem. Acreditamos que juntando os parceiros certos e organizações sociais sérias e de alto impacto, podemos mudar esta realidade”, comenta Mathieu Anduze, co-fundador da Simbiose Social.

Outro ponto contemplado com o Descubra Sua Causa 2.0 é o desejo das pessoas de fazer trabalho voluntário. Esse foi mais um avanço na plataforma. “Havia muita demanda por parte das pessoas e não tínhamos como fazer essa ponte e agora isso fica viável e bem mais simples”, completa Paula.

O Atados, uma das principais plataformas de voluntariado do País, conecta pessoas às oportunidades de fazer trabalho voluntário em causas sociais com as quais se identificam e têm sinergia com a campanha do IDIS. Organizações, movimentos e coletivos sociais anunciam vagas de voluntariado. Feito o teste e descobrindo a causa, a pessoa é direcionada para uma página do atados.com.br onde são apresentadas ONGs que atuam na causa escolhida e que aceitam trabalho de voluntários. Daniel Assunção, fundador do Atados, completa: “Para se engajar em uma ação voluntária é necessário identificação com a causa e o ‘Descubra sua Causa’ facilita essa conexão. Com essa parceria os voluntários conseguem identificar realmente qual ação voluntária é perfeita para cada perfil. Como na rede Atados temos mais de 400 vagas abertas, o teste facilita o caminho para se tornar um voluntário.”

Àqueles que se interessam pelo tema, mas ainda têm dúvidas sobre o que fazer, têm a oportunidade de conhecer mais sobre cultura de doação e as causas que são importantes para si, contribuindo ao informar sua rede e disseminar as notícias.

Nesse ponto, a Catraca Livre se junta ao time, tendo recentemente lançado seu novo posicionamento – Catraca Causando – que vem reforçar sua missão de empoderar as pessoas através de conteúdos e ações práticas que impactam positivamente na vida dos cidadãos. O portal produzirá matérias especiais relacionadas a causas e também compartilhará o teste com sua audiência. Isso ajudará a esclarecer dúvidas e fazer com que os internautas tenham mais informações para dar o próximo passo. “Ao unir forças com o IDIS, queremos trazer mais contexto, informação e direcionamento para as pessoas que querem causar a diferença no mundo. O quiz Descubra Sua Causa, na visão da Catraca Causando, vai ajudar a despertar o espírito solidário e ativista que existe em cada um de nós.” – afirma Marcos Dimenstein, diretor executivo da Catraca Livre.

Dia de Doar: Versão brasileira do Giving Tuesday, é um movimento global para promover a doação. É uma mobilização que promove um país mais generoso e solidário, por meio da conexão de pessoas com causas. Acontece sempre na terça-feira subsequente à Black Friday, desde 2012, e neste ano será no dia 3 de dezembro. O lançamento do Descubra Sua Causa 2.0 foi planejado para acontecer próximo à data, se apresentando como um meio fácil e prático para todos que desejam se engajar no Dia de Doar.

 

SOBRE O DESCUBRA SUA CAUSA

O ‘Descubra Sua Causa’ é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social para fortalecer a cultura de doação. Por meio de um teste, as pessoas são estimuladas a refletirem e identificarem suas causas. A partir daí são indicados caminhos para doação e realização de trabalho voluntário, além de notícias sobre os temas de interesse. As conversas são mantidas nos perfis exclusivos da campanha no Facebook e Instagram, com a produção de conteúdos próprios. São parceiros institucionais do projeto ATADOS, BSOCIAL, CATRACA LIVRE e SIMBIOSE SOCIAL. Saiba mais em www.descubrasuacausa.net.br / www.facebook.com/descubrasuacausa/ / www.instagram.com/descubrasuacausa/

 

Evelyn Ioschpe: a face de um Terceiro Setor digno e confiável

Por Marcos Kisil*

Com profundo pesar recebi a notícia da morte de Evelyn. Parceira e amiga de muitos anos desde nosso encontro num grupo de filantropos que buscavam organizar e viabilizar o papel único que a filantropia pode, e deve ter, em criar uma sociedade justa e sustentável.

Corria os anos 90, deixamos os anos de chumbo da ditatura militar, vivíamos uma nova Constituição, tínhamos eleito democraticamente o Presidente Color. Nossa geração vivia um momento muito especial de esperança e de necessidade de participação num novo Brasil.

Porém, a história pátria começa a dar sinais de que os sonhos de muitos são sufocados pelos desejos ignóbeis de poucos.

Assim, num momento de construção da sociedade civil, onde a participação voluntária da cidadania passa a se manifestar por meio de novas organizações que querem ser livres da tutela de governos, nascendo sob o guarda-chuva de ONGs, eis que a sociedade se dá conta da mazela que ocorria na então Fundação Legião Brasileira de Assistência, LBA.

LBA foi criada como um órgão de assistência às famílias necessitadas em geral, em 1942. A LBA tinha como presidentes as primeiras-damas do governo federal, e vinculada ao Ministério da Ação Social do governo Collor.

Em 1991, sob a gestão de Rosane Collor, então primeira dama, foram feitas diversas denúncias de esquemas de desvios de verbas da LBA, como uma compra fraudulenta de 1,6 milhão de quilos de leite em pó. Para este desvio se usavam ONGs no estado de Alagoas.

Como neste momento nosso grupo de filantropos se reuniam informalmente desde 1989, e o escândalo projetava uma sombra sobre todas organizações sem fins lucrativas e não governamentais, tomamos a decisão de nos formalizarmos numa estrutura associativa que veio a se constituir como GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas. E, para tanto, foi instituído um Código de Ética que deveria ser aceito por toda associado que quisesse aderir a nova organização, e que representava um manifesto a favor da probidade, seriedade e transparência que deveria se ter com o uso de recursos em prol do desenvolvimento sustentado.

De maneira natural, e por aclamação, Evelyn foi eleita para ser a primeira presidente do Conselho do GIFE. Tive a honra de ser escolhido seu vice-presidente, e assim acompanhar as difíceis decisões que se impunham para tornar realidade a nova organização.

Dessa maneira passei a disfrutar do convívio da socióloga, jornalista, curadora de artes e cidadã Evelyn Ioschpe.

Então, Evelyn era a presidente da Fundação Ioschpe e do Instituto Arte na Escola.

Posteriormente, já como membro do Conselho da Fundação pude acompanhar o interesse e empreendedorismo da Evelyn em expandir o programa Formare, em que o ensino técnico profissionalizante é realizado dentro da própria fábrica, tendo funcionários voluntários como professores de jovens aprendizes. Criado em 1988, hoje o programa é reconhecido pelo MEC e não se restringe ao ambiente da Ioschpe-Maxxion, sendo aplicado em mais de 50 empresas, da Nívea à Duratex; e já formou mais de 10 mil alunos. A outra iniciativa da Fundação é o Instituto Arte na Escola, voltado para a melhoria do ensino de arte do ensino público por meio da formação de professores. Através de parcerias com universidades de todo o país, a iniciativa já beneficiou 13 mil professores.

Evelyn tinha uma frase que orientou seu pensamento e ação tanto nas ações pessoais como institucionais, seja na Fundação, seja no GIFE, seja nas diferentes entidades que serviu como executiva ou como conselheira:

“Todas as pessoas que têm vocação para o terceiro setor são as que se dão conta de que a vida delas pode transformar a vida de outras pessoas. ”

Transformar as vidas das pessoas era uma motivação que transbordava de sua pessoa. E dizia,

“Entrar para o terceiro setor foi onde eu consegui, na verdade, expressar o meu desejo de mudança, de dar minha contribuição. Queremos ajudar a formar indivíduos mais conscientes, que tenham uma visão mais sólida e mais crítica, para que possam ser cidadãos mais plenos e mais participantes. ”

Assim possibilitou em suas palavras o que esperava de uma organização social, incluindo o GIFE:

 “A visão que tínhamos era de que se havia um trabalho profissional sendo feito, não podíamos mais pensar em atender diretamente a uma determinada população, mas tínhamos que desenhar uma maneira da nossa ação ser multiplicadora”

Neste sentido cumpre reconhecer dois programas que fizeram parte das ações iniciais do IDIS: o Programa de Trainee GIFE, instrumento para apoiar os associados na capacitação de seus quadros mais jovens, e o lançamento do livro 3° Setor – Desenvolvimento Social Sustentado

Este livro, organizado pela Evelyn, constitui ainda a introdução mais prática que existe no Brasil, ao tema do Terceiro Setor, ONGs. Organizações da Sociedade Civil etc. Redigiram capítulos do livro pesquisadores como Lester Salamon, provavelmente o estudioso hoje mais informado sobre o assunto, outra excelente autora como Peggy Dulany, bem como autores brasileiros como Ruth Cardoso, Rubens Cesar Fernandes, Joaquim Falcão, e outros tantos companheiros de jornada da Evelyn, no qual estou incluído.

A construção deste livro é, em larga medida, a construção de um pensamento que, se ao final da leitura parece unívoco, é de fato pluralista e, no entanto, surpreendentemente afinado.

Lançado em 1997, a obra nasceu da realização do III Encontro Ibero-Americano do Terceiro Setor, em setembro de 1996 no Rio de Janeiro, que teve a participação do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), que discutiu o conceito “Terceiro Setor”, suas formas e limites. E aqui encontramos outra importante contribuição da Evelyn para o nosso setor: crença na importância de diálogos entre pensadores do setor, fomentando e participando de encontros nacionais e internacionais.

Um desses encontros foi o Encontro Internacional de Associações que reuniam organizações doadoras de recursos (IMAG) em Oaxaca, México, em 1998. Este encontro reuniu líderes de filantropia de 25 países para se engajarem em programas de aprimoramento de suas ações em prol dos filantropos associados às suas organizações. A reunião mostrou a necessidade da criação de uma rede de associações para ser um centro de informação e conhecimento, propulsor de iniciativas que fizessem da filantropia um instrumento de crescimento e desenvolvimento social. Representando o Brasil estava Evelyn como ativa participante das ideias discutidas e concluídas no encontro. Em 2000, foi então criado a organização WINGS – Worldwide Initiatives in Grantmaking Support. Neste momento, sendo Presidente do Conselho do GIFE, tive a honra se ser co-fundador desta nova organização, e ser membro de seu primeiro conselho. Mais, uma vez tendo a Evelyn como parceira e amiga.

Hoje o WINGs conta como uma rede de mais de 100 associações filantrópicas e organizações de apoio em 40 países ao redor do mundo, cujo objetivo é fortalecer, promover e liderar o desenvolvimento da filantropia e do investimento social. Juntos, os membros da WINGS e os participantes da rede representam mais de 100.000 entidades filantrópicas de todas as regiões, mobilizando bilhões de dólares.

Assim, de maneira singela quero aqui prestar homenagens a esta líder do nosso setor que nos deixa. Testemunhei seu engajamento e participação em diferentes momentos de criação e desenvolvimento da sociedade civil, seus exemplos de cidadã preocupada com uma sociedade equânime e solidária, preocupada com o destino de crianças e adolescentes, contribuinte para a teoria e prática do investimento social privado.

Devo também a Evelyn outro importante ensinamento: o que significa a expressão Tzedaká. Mandamento judaico sobre a responsabilidade em construir a justiça social. É a obrigação de doar algo de si, trabalho ou conhecimento ou recursos materiais. E como encontramos no Maimônides, a forma mais elevada é dar um presente, empréstimo ou parceria que irá resultar no receptor ser autossustentável, em vez de viver com o auxílio dos outros, ou seja “não dar o peixe e sim ensinar a pescar”. Assim, agiu a minha amiga Evelyn em sua vida.

* O Dr. Marcos Kisil é o fundador do IDIS e atualmente membro do Conselho Deliberativo.

Recursos não Tradicionais para Fundos Patrimoniais de OSCs

Fundos patrimoniais (endowments) são estruturas que recebem e administram bens, majoritariamente recursos financeiros, que são investidos com os objetivos de preservar o valor do capital principal no longo prazo. Isso ocorre inclusive contra perdas inflacionárias, gerando resgates recorrentes e previsíveis para sustentar financeiramente um determinado propósito, uma causa ou uma entidade de interesse público ou coletivo, sem fins lucrativos.

Ao estruturar fundos dessa natureza, as organizações se tornam menos dependentes de novas doações e patrocínios, alcançam maior estabilidade financeira e asseguram sua viabilidade operacional, permitindo que cresçam de forma sustentável.

Em países desenvolvidos, os fundos patrimoniais existem há mais de século, como o da Rockefeller Foundation e o Carnegie Endowment for International Peace.

No Brasil, um dos obstáculos encontrados, além de nossa pequena tradição em relação ao assunto, é a falta de uma legislação específica que facilite sua criação, e o uso de incentivos fiscais.

Porém, após muitos anos de um esforço coletivo realizado pela COALIZÃO PELOS FUNDOS FILANTRÓPICOS, o governo federal sancionou a Lei 13.800/19, conhecida como Lei dos Fundos Patrimoniais, em 4 de janeiro de 2019. Ela garante significativa amplitude temática para utilização dos recursos de fundos patrimoniais, possibilitando que sejam destinados para instituições que atuam em diversas áreas como educação, cultura, tecnologia, pesquisa e inovação, meio ambiente, entre outras.

A legislação buscou estabelecer certas diretrizes no que diz respeito à governança aplicável aos fundos patrimoniais, sem, contudo, estabelecer diferenciações entre fundos destinados a apoiar instituições públicas e privadas. Nesse tocante, o texto legal criou a figura das organizações gestoras de fundos patrimoniais (associações ou fundações privadas), estabelecendo requisitos específicos acerca da sua forma de organização interna, incluindo a existência obrigatória de um Comitê de Investimentos, com profissionais registrados na CVM.

Contudo, a sanção presidencial foi acompanhada por vetos importantes, especialmente a supressão da previsão de benefícios fiscais referentes ao imposto de renda de doadores, pessoas física ou jurídica, que aportassem recursos em fundos patrimoniais. A justificativa foi no sentido de que a criação de tais benefícios não observou requisitos da legislação orçamentária e financeira.

A retirada de benefícios aos doadores cria um obstáculo evidente para o êxito dos fundos patrimoniais, que figuram como mecanismo voltado para estimular o aumento do investimento social e a cultura de doação no país. Esses vetos devem ser analisados pelo Congresso Nacional, sendo possível sua rejeição por maioria absoluta dos membros de cada Casa.

Ainda assim, a aprovação da Lei é um fato positivo, especialmente para as entidades da sociedade civil, que poderão ser amplamente beneficiadas pelos fundos patrimoniais na realização de suas atividades em defesa de interesses sociais. A nova lei é particularmente importante por conferir maior segurança jurídica a potenciais doadores, assegurando a individualização e separação entre os patrimônios do fundo e das instituições apoiadas, ainda que haja dúvidas acerca dos entraves que a estrutura de governança prevista pela lei pode representar na criação e no funcionamento dos fundos patrimoniais, na prática.

 

Pesquisa sobre Fundos Não Tradicionais

Sob a liderança do Prof. Lester Salamon, professor da Johns Hopkins University, um grupo de especialistas em filantropia e investimento social privado passou a buscar mecanismos alternativos para a constituição de fundos patrimoniais de organizações da sociedade civil (OSCs).

Por ser um projeto complexo em seu desenho e implantação, foi dividido em fases desde 2012, com estimativa para término em 2022. A primeira fase foi chamada de “Conceitual” para aclarar o significado dos fundos não tradicionais que pudessem ser de alcance global. Ela foi composta por reuniões presenciais ou à distância com o objetivo de revisar os textos produzidos pelos participantes. A segunda fase foi a de “Identificação do Universo” de casos com base no conceito dos fundos não tradicionais. De maneira progressiva e com a ajuda de colaboradores em diversos países, foram identificados aproximadamente 580 casos, que de acordo com suas características foram classificados em grupos que atendem os mesmos critérios de uso de recursos disponibilizados. Por exemplo, casos resultantes da privatização de ativos públicos, de troca de dívidas (debt swap), de punições pecuniárias da justiça para pessoas e empresas, de recursos de corrupção identificados e devolvidos de contas no exterior, de acordos de ajuste de conduta e de leniência.

Na terceira fase, foram identificados em cada grupo os casos que deveriam ser aprofundados. Nesse sentido, o conhecimento adquirido poderia ser orientado para situações similares em circunstâncias políticas e econômicas das diferentes sociedades e estados nacionais. Essa é fase em que o projeto está atualmente. Os achados do estudo em suas fases “Conceitual” e de “Identificação do Universo” já foram publicados, e os casos estão sendo progressivamente selecionados, estudados, sistematizados e publicados durante o período restante do projeto.

Fundos patrimoniais que resultaram de privatizações conduzidas pelos governos demonstram que os bens não pertencem apenas ao Estado, mas também à sociedade. Nesse sentido, a pergunta central é: um bem público pode ser objeto de uma transação de privatização sem a participação da sociedade? Quais são os limites do Estado para agir como único proprietário do bem?

(Conheça também o livro ‘Filantropização via Privatização’, do professor Lester Salamon, publicado pelo IDIS no Brasil)

 

O exemplo alemão

Um bom exemplo do potencial de recursos não tradicionais para a criação e o crescimento de fundos patrimoniais para OSCs é a história da empresa Volkswagen. Apoio importante para a sustentação da máquina de guerra da Alemanha durante o período nazista, ao final do conflito, a empresa se encontrava em território alemão controlado pelos ingleses.

Acreditando no papel que o complexo industrial deveria ter na redemocratização e no reerguimento da nação então destruída, o governo inglês estimulou a criação da Fundação Volkswagen, organização independente da empresa, com um Conselho Curador representativo da sociedade e do governo.

A Fundação se tornou proprietária da empresa com o compromisso de vender suas ações para cidadãos alemães. Os recursos obtidos com a venda criaram um fundo patrimonial para apoiar e promover a ciência na Alemanha. Hoje, a Fundação tem € 2,6 bilhões (US$ 3 bilhões) em ativos e uma longa história de substancial concessão de subvenções e doações para o desenvolvimento científico e tecnológico, que repôs a Alemanha na liderança econômica mundial. A Volkswagen permanece uma empresa independente e uma das líderes do mercado mundial de automóveis.

Dentro dos casos já identificados, foi possível encontrar diferentes tipos de recursos não tradicionais. Os mais prevalentes utilizaram parte dos recursos de processos de privatização/concessão de empresas ou participação pública em empresas que passaram para a iniciativa privada. Alguns utilizaram parte da receita de loterias, esportiva ou não. Outros utilizaram recursos advindos de licenças para a exploração de depósitos minerais, incluindo petróleo. E há ainda os que resultaram de trocas de contratos de dívidas internacionais (debt swap) em que o cedente de recursos autoriza que parte da amortização da dívida pode ficar no país endividado desde que os recursos sejam destinados a fundos patrimoniais de OSCs.

 

O caso brasileiro

Assim, deveríamos perguntar: por que não se aplicou esse modelo na privatização da Vale? Ou da Eletropaulo? Ou da Companhia Siderúrgica Nacional? Também poderíamos estender a pergunta para o universo das concessões dos portos, aeroportos, rodovias e outras.

Diferentemente do que muitos imaginam, a privatização é um processo relativamente comum no Brasil desde a década de 1980, mas o país apenas ingressou nessa era, de fato, a partir dos anos 1990. Ao todo, foram privatizadas mais de 100 empresas, que, até 2005, geraram uma receita de 95 bilhões de dólares, o que, corrigindo para valores de 2013, equivale a 143 bilhões de dólares.

Embora o processo de privatização tenha tido leis específicas nos governos Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, nenhum deles contemplou a sociedade civil como destinatária de parte dos recursos auferidos.

Já nos governos Lula e Dilma, o processo de privatização arrefeceu por razões ideológicas, e várias empresas e setores foram retirados do Plano Nacional de Desestatização. Além disso, o Estado agregou empresas ao seu portfólio, como é o caso da incorporação do Banco do Estado de Santa Catarina (BESC) e do Banco do Estado do Piauí (BEP) ao Banco do Brasil.

Em contrapartida, como reação à profunda crise financeira e econômica enfrentada pelo governo brasileiro depois de sua reeleição, a presidente Dilma Rousseff anunciou, em junho de 2015, um novo pacote de medidas do Programa de Investimento em Logística (PIL). Esse programa pode atingir até R$ 198 bilhões em concessões e outorgas feitas pelo governo à iniciativa privada, especialmente nas áreas de Portos (R$ 37,4 bilhões), Aeroportos (R$ 8,5 bilhões), Ferrovias (R$ 86,4 bilhões) e Rodovias (R$ 66,1 bilhões). Infelizmente, não houve nenhuma palavra ou aceno para que parte desses recursos seja distribuída para OSCs.

A venda de ativos ou privatização de serviços públicos é vista como uma das alternativas para obter recursos extras a fim de reduzir os rombos das contas públicas, aliviar as despesas e também aumentar o volume de investimentos em infraestrutura.

Se durante o governo Dilma tínhamos uma previsão de R$ 198 bilhões, no governo Bolsonaro trabalha-se com a estimativa de R$ 127,4 bilhões em investimentos ao longo dos próximos anos, considerando apenas 87 projetos com maiores chances de acontecer, de acordo com o próprio governo. Desse total, R$ 113,6 bilhões são de projetos federais, R$ 9,6 bilhões de estaduais e R$ 4,2 bilhões de municipais. O atual governo trabalha com o valor de R$ 142 bilhões em privatizações. Tirar esses projetos do papel, no entanto, não depende apenas de decisão política, mas também da capacidade de elaboração de estudos técnicos e de estruturação de modelagem que garanta o interesse de investidores. Em média, projetos de desestatização costumam levar, no mínimo, de um ano e meio a dois para chegar à fase de assinatura.

Para poderem ser levados a leilão, os projetos antes precisam passar por uma série de etapas, incluindo audiências públicas, análise de tribunal de contas e, dependendo do ativo, aprovação do Legislativo e mudança de lei. Isso se ao longo de todo o trâmite também não surgirem ações na Justiça pedindo mudanças ou simplesmente o impedimento da licitação.

De acordo com informações colhidas pelo projeto americano, a média de recursos que poderia ser destinada para fundos patrimoniais da sociedade civil gira em torno de 15% do valor do ativo. Isso implicaria em quase R$ 20 bilhões para o setor social. A importância desses recursos para organizações sociais pode ser demonstrada pelo caso envolvendo entidades como as Santas Casas de Misericórdia.

Esses hospitais filantrópicos são responsáveis por 74% dos leitos oferecidos pelo SUS. Portanto, são essenciais para o atendimento oferecido aos brasileiros. Até maio de 2015, tinham acumulado uma dívida de R$ 21,5 bilhões e chegaram à beira da falência, fechando suas portas para a população. De acordo com as evidências, a maior razão dessa dívida foi a diminuição da participação do governo federal no financiamento do SUS.

Se 15% dos recursos gerados pelas futuras privatizações e concessões contemplassem essas organizações, aproximadamente R$ 20 bilhões poderiam ser direcionados para fundos patrimoniais de Santas Casas. Isso representa que renderiam aproximadamente R$ 1,2 bilhão/ano, já descontados os efeitos da inflação. E seguramente seriam direcionados em benefícios às organizações, à comunidade e, especialmente, aos pacientes atendidos.

 

Outros recursos não tradicionais

No caso do Brasil, os recursos não tradicionais incluem aqueles oriundos de outras fontes e que se tornaram mais frequentes à medida que a Operação Lava Jato avançou. Assim, instrumentos como termos de ajuste de conduta, acordos de leniência, retorno de recursos encontrados em contas bancárias no exterior resultantes de corrupção, penalidades pecuniárias e multas para empresas corruptas passaram a ser fontes de recursos que poderiam ser importantes para a sociedade civil. Podem-se juntar a eles os recursos apreendidos que resultaram de crimes como tráfico de drogas, contrabando e arrecadação de jogos ilegais, que passaram a fazer parte não só do mundo legal punitivo, mas também da linguagem do cidadão comum ao entender que a sociedade foi prejudicada e deve ser aquinhoada com parte desses recursos.

Esse esforço depende também do universo regulatório e de dispositivos legais, exigindo a participação de escritórios de advocacia, promotores públicos e juízes, representantes de organizações interessadas e visitas periódicas a autoridades públicas para conhecer os avanços necessários.

Com relação aos recursos mobilizados devido à Operação Lava Jato, até o início de 2019 houve um retorno ao governo federal de R$ 12,3 bilhões, e os condenados devem pagar R$ 40,3 bilhões pelos danos causados. Já para os acordos de leniência, esperam-se R$ 27,6 bilhões. E sabemos que esses casos representam uma simples amostragem do tamanho dos recursos não tradicionais que poderiam contribuir para os fundos patrimoniais.

Em síntese, as ideias e casos apresentados aqui devem ser analisados pela sociedade brasileira junto às autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário e aos investidores que buscam aproveitar as oportunidades de recursos oriundos das privatizações/concessões, bem como as ações de ressarcimento que estão sendo efetuadas pelo sistema judicial. Talvez, assim, tenhamos novos instrumentos para criar uma sociedade mais justa e sustentável com uma participação eficaz e efetiva de organizações sociais como parceiros da res publica.

 

Por Marcos Kisil, fundador do IDIS e atualmente membro do Conselho Deliberativo. O artigo foi originalmente publicado na revista Rede Filantropia, em 06 de setembro de 2019

IDIS recebe especialista em Filantropia Comunitária e visita organizações em diferentes regiões do Brasil

Filantropia Comunitária é um dos temas caros ao IDIS desde sua fundação, e o ano de 2019 pode ser considerado um marco na nossa atuação nesta área, pois foi quando iniciamos o desenho do ‘Programa de Desenvolvimento da Filantropia Comunitária’, em parceria com a Mott Foundation. Sua intenção é fomentar o surgimento de Fundações Comunitárias no País, bem como fortalecer e consolidar as já existentes. Para apoiar este processo, recebemos, em outubro, Alina Porumb, consultora romena com extensa experiência no tema, e que desenvolveu um programa similar em seu país entre 2005 e 2015. Por muito anos, esteve também à frente da ‘ARC – Association for Community Relations’, uma organização que apoiou o surgimento de Fundações Comunitárias na Romênia.
Além de compartilhar com a equipe do IDIS suas vivências e realizar atividades de imersão no tema, Alina fez uma série de visitas a organizações brasileiras que atuam no campo da Filantropia Comunitária, sempre acompanhada por alguém da equipe do IDIS, abarcando parcialmente a diversidade de realidades que encontramos no Brasil.

 

Redes da Maré (RJ)

A visita à organização Redes da Maré, no Rio de Janeiro, realizada com Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, ampliou o conhecimento acerca da difícil e complexa realidade dos 140 mil moradores das 16 favelas do Complexo da Maré e dos corajosos e inspiradores projetos realizados pela organização, com foco na melhoria da qualidade de vida e garantia de direitos da população. Um dos pontos debatidos com Eliana Sousa Silva, Diretora da Redes da Maré, foi a possibilidade de se criar uma Fundação Comunitária neste território, como um meio de atrair recursos de longo prazo para financiamento destes e outros projetos de desenvolvimento local.

 

Tabôa (BA)

A Tabôa é uma organização social que fomenta iniciativas de base comunitária e empreendimentos socioeconômicos em Serra Grande, no sul da Bahia. Essa visita já estava cercada de expectativas pela já reconhecida atuação da organização na região, pelas belezas naturais locais, pelas saborosas diferenças gastronômicas, pela riqueza cultural e pelas mais recentes notícias da chegada do vazamento de óleo, que atingiu diversas localidades no nordeste e sudeste, às praias de Serra Grande. Na visita, realizada com André Lara, gerente de projetos do IDIS, as expectativas foram atingidas. Eles se impressionaram ao ver a mobilização da população local unindo forças em projetos de seu interesse, ao ver habilidades gastronômicas e culturais potencializadas e transformadas em oportunidade de negócio e geração de renda, ao ver de perto o poder de transformação que o engajamento e a organização coletivas podem ter. Ao mesmo tempo, sentiram na pele o impacto brutal de não poder entrar no mar, comer peixes ou mesmo caminhar pelas praias sem estar calçado devido à contaminação por óleo. As raízes da Filantropia Comunitária, que prevê este empoderamento coletivo para resolver problemas em comum estão também direcionadas para a questão ambiental. Voltaram tocados, mas confiantes de que esta mobilização pode despertar também um apoio estrutural e efetivo do poder público.

 

ICOM – Instituto Comunitário da Grande Florianópolis (SC)

O ICOM é uma Fundação Comunitária com 14 anos de atuação. A organização incentiva o engajamento de empresas e indivíduos na prática do investimento social e apoia as organizações da sociedade civil da região. Mariane Nunes, Gerente Executiva, recebeu Alina a Raquel Altemani, gerente financeira no IDIS, e compartilhou a história, as conquistas e os desafios atuais do ICOM. Se aprofundou também na história de como o Instituto implementou a metodologia Vital Signs – uma forma participativa de reunir indicadores sobre o desenvolvimento social de territórios com o apoio e colaboração de representantes da sociedade civil e do setor público e gerar conhecimento sobre os avanços e prioridades locais. O ICOM integra a rede ‘Ibero American Network of Community Foundation’, focada no fortalecimento e troca de experiências entre Fundações Comunitárias da América Latina, Portugal e Espanha.

 

Fundação Tide Setubal (SP)

A dupla Alina e Raquel também visitou o Galpão ZL, um espaço voltado para a promoção do empreendedorismo periférico e de negócios de impacto social na Zona Leste da capital paulista mantido pela Fundação Tide Setubal. Os representantes da organização, Guiné e Andrelissa, as acompanharam em uma estimulante conversa sobre a busca de justiça social e desenvolvimento sustentável de periferias urbanas. A Fundação tem como missão contribuir para o enfrentamento das desigualdades socioespaciais das grandes cidades, e, para isso, promove a articulação de diversos atores, como representantes da sociedade civil, empresas, poder público, instituições de pesquisa. A atuação por mais de 10 anos da Fundação Tide Setubal no território de São Miguel Paulista, sempre pautada pela valorização dos ativos e talentos locais e por um processo atento de escuta e colaboração, permitiu que a organização desenvolvesse metodologias de engajamento comunitário e gerasse muito conhecimento sobre tema, tornando-se uma referência no País e contribuindo para levar os aprendizados para outros territórios, ampliando ainda mais seu potencial de impacto.

 

Se interessa pelo tema? Conheça a publicação ‘Filantropia Comunitária: terreno fértil para o desenvolvimento social’

IDIS é uma das 100 melhores ONGs do Brasil

Com muita alegria e orgulho o IDIS recebeu a notícia de que foi reconhecido como uma das 100 melhores ONGs do Brasil. Em sua terceira edição, o Prêmio, promovido pelo Instituto Doar, considera cinco grandes temas ligados à transparência e à gestão para avaliar as organizações inscritas: causa e estratégia de atuação; representação e responsabilidade; gestão e planejamento; estratégia de financiamento e comunicação; e prestação de contas.

Em 2019, o Prêmio Melhores ONGs bateu recorde de participantes. Foram 757 inscrições completas, 12% a mais do que no ano anterior e quantidade quase 44% superior à registrada em 2017. Todas as regiões do Brasil foram contempladas. De acordo com pesquisa conduzida pelo IBGE, existem hoje cerca de 300 mil organizações sociais formalmente registradas no Brasil.

O Prêmio também selecionou destaques dentro de algumas categorias, de acordo com causas e geografia. Neste ano, foi escolhida como Organização do Ano a Associação Peter Pan, de Fortaleza, Ceará.  Parceiros recentes do IDIS também foram contemplados. Os destaques nas categorias Cultura e Educação foram, respectivamente, a Santa Marcelina Cultura e o CEAP, para os quais realizamos projetos de avaliação de impacto.

“Estamos vivendo um momento em que a credibilidade das organizações sociais é colocada em xeque. Como setor, precisamos nos organizar para mudar esse cenário. Mostrar à sociedade o impacto que geramos é fundamental, assim como dar luz às práticas de transparência e gestão. Neste sentido, o Prêmio Melhores ONGs tem grande valor” destaca Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS. E complementa: “No Brasil, há muitas organizações que se sobressaem e para nós é uma honra estar entre as 100 mais uma vez”.

A missão do Instituto Doar é ampliar a cultura de doação no Brasil e ao realizar esta seleção, acredita que dá luz às organizações mais preparadas para receber voluntários e doações de indivíduos. Melhores ONGs 2019 é uma iniciava do Instituto em parceria com a Rede Filantropia e O Mundo que Queremos, com o apoio do Programa VOA da AMBEV, do Instituto Humanize e da Fundação Toyota.

Tendências e Desafios da Avaliação de Impacto no Brasil

O que é Avaliação de Impacto?

Estudos de Avaliação de Impacto ganham cada vez mais importância entre filantropos e investidores sociais pelo mundo todo. É crescente também a preocupação das organizações em mensurar o impacto de seus projetos e programas e doadores estão interessados em verificar se seus recursos estão alocados em iniciativas que trazem benefícios efetivos à sociedade.

Mas o que é impacto e como mensurá-lo? Este artigo traz uma perspectiva sobre o tema a partir da experiência do IDIS.

Consideramos impacto a mudança social produzida por um programa ou projeto. Enquanto resultados se relacionam com as conquistas concretas, que, em geral, representam o alcance e a amplitude da iniciativa, o impacto pode ter uma natureza mais subjetiva – relacionado à ideia de transformação social. Quando mensuramos o impacto de um programa, ponderamos o quanto este muda a vida das pessoas envolvidas. Ou seja, é uma prática reflexiva que visa buscar evidências para identificar se uma iniciativa tem alcançado as transformações sociais que estabeleceu como objetivos.

Há diversos motivos pelos quais a Avaliação de Impacto é uma ferramenta estratégica valiosa. Ela fornece às organizações dados e evidências que permitem refletir sobre as abordagens adotadas e oferecem suporte para o processo de tomada de decisão. Ademais, torna possível analisar a relação de causalidade entre as intervenções e os impactos percebidos, identificando fatores que são fundamentais para impulsionar as transformações, outros que não contribuem de forma tão direta e, ainda, limitadores e fatores que criam obstáculos. Assim, estudos de Avaliação de Impacto vão muito além da mensuração – permitem também refletir sobre estratégias para potencializar as transformações desejadas. Por fim, estudos avaliativos têm o potencial de fortalecer o diálogo com investidores e com o setor público, auxiliando organizações a manterem um relacionamento transparente com doadores, reivindicarem melhorias nas políticas públicas e negociarem a ampliação de programas sociais efetivos.

Estudos de Avaliação de Impacto não apenas monitoraram resultados, adentram profundamente na relação de causa e efeito entre as atividades de um programa e os desdobramentos na vida das pessoas. Isso pode ser uma atividade complexa, especialmente em programas que trabalham com questões abstratas como empoderamento ou habilidades sociais. Mesmo quando esse tipo de impacto é perceptível, pode ser muito desafiador mensurá-lo e traduzi-lo em termos objetivos e quantitativos.

 

O que é SROI e por que ele é útil?

O ‘SROI – Social Return on Investment’, ou Retorno Social sobre Investimento, é um protocolo de avaliação que propõe uma análise comparativa entre o valor dos recursos investidos em um projeto ou programa e o valor social gerado para a sociedade com essa iniciativa. Para isso, aplica diversas técnicas para estimar o valor intangível de ativos que não podem ser comprados ou vendidos.

O SROI é uma ferramenta poderosa de mensuração, que transcende a monetarização do impacto social. Ainda que a relação custo-benefício (ou retorno sobre o investimento) seja o que geralmente atrai a atenção dos investidores sociais, que veem a possibilidade de uma avaliação objetiva e financeira sobre o uso de seus recursos, este processo não deve ser considerado somente um índice. Cada uma de suas etapas é capaz de revelar informações pertinentes sobre o projeto ou programa e gerar insights que favorecem a tomada de decisão e a busca por impactos cada vez maiores e mais consistentes.

Um aspecto chave desse protocolo é seu foco na percepção do beneficiário – o envolvimento dos stakeholders é um dos princípios da SROI, o que significa que o impacto social deve ser avaliado a partir do ponto de vista daqueles que estão diretamente envolvidos no projeto social. Ademais, esse método favorece a integração de dados qualitativos e quantitativos. O primeiro fornece uma visão mais clara sobre a natureza do impacto do projeto por meio de depoimentos dos públicos envolvidos. A abordagem quantitativa, por outro lado, proporciona um trabalho com amostras estatisticamente significativas que mensuram a intensidade das mudanças percebidas.

 

A demanda por avaliação de impacto e SROI no Brasil

Apesar da demanda crescente por Avaliação de Impacto no Brasil, trata-se de prática ainda pouco desenvolvida. Seus conceitos são frequentemente mal utilizados ou pouco claros e organizações enfrentam dificuldades em definir os indicadores. Por exemplo, muitas declaram que mensuram seu impacto, quando na verdade estão mensurando seus resultados, informando o número de pessoas ou famílias atendidas, por exemplo. Evidentemente, analisar os resultados da organização é muito importante e deve ser feito regularmente. Contudo, avaliar impacto é um processo mais profundo e uma oportunidade de refletir sobre como um projeto pode gerar valor social a seus beneficiários e à sociedade como um todo.

O desafio é ainda maior quando consideramos o SROI especificamente. A monetização do impacto é uma tarefa desafiadora, devido à falta de bases de dados de estimativas financeiras no País (instrumento bastante desenvolvido em outros países). Portanto, quando são definidos os valores das estimativas, muitas vezes é necessário coletar dados de fontes primárias, porque praticamente não há dados secundários disponíveis para sustentar as pesquisas.

É muito necessário disseminar conhecimento sobre esse assunto no Brasil, enfatizando a importância de avaliar o impacto de projetos e programas sociais, mesmo com os desafios e limitações envolvidos neste processo. Mensurar o impacto pode nem sempre resultar em conclusões precisas, mas, recomendamos sempre trabalhar com estimativas viáveis (construídas e analisadas com responsabilidade e critérios) do que trabalhar sem nenhum tipo de evidência sobre as consequências das suas intervenções.

Certamente ainda iremos amadurecer e evoluir nessa temática. Por isso, no IDIS, vamos além da realização de trabalhos de consultoria. Procuramos disseminar conceitos e práticas, por meio de publicações, de cursos, do compartilhamento de relatórios de projetos realizados e da participação em eventos.

 

Qual horizonte enxergamos para a Avaliação de Impacto?

Esperamos que, no futuro, avaliar o impacto seja parte integrante do processo de concepção e planejamento de projetos sociais e programas. Tanto organizações sociais, quanto filantropos e investidores sociais, precisam reconhecer o quão essencial é esta prática e devem trabalhar juntos para fortalecê-la e disseminá-la.

Também esperamos que a Avaliação de Impacto influencie as políticas públicas, revelando o valor de projetos para o desenvolvimento social e contribuindo para a ampliação de sua escala. Para ilustrar esse potencial, destacamos um exemplo. Em 2016, o IDIS conduziu a avaliação do Retorno Social sobre Investimento – SROI de um projeto dedicado à primeira infância na região da Amazônia (conheça o relatório aqui). O resultado positivo evidenciado pelo estudo – a notável mudança social que o projeto provia aos seus beneficiários – ofereceu argumentos irrefutáveis para que o projeto se tornasse uma política pública, beneficiando uma parcela significativamente maior da população e contribuindo para a melhoria da vida de mais crianças. Iniciativas como essa poderiam ser ainda mais regulares caso houvesse uma cultura de avaliação de impacto em organizações brasileiras – não apenas nas organizações privadas, mas também nos programas mantidos pelo setor público.

Novas ferramentas tecnológicas podem contribuir para o futuro da Avaliação de Impacto, reduzindo seu custo e tempo necessário para coleta de dados e aumentando a precisão dos estudos. A coleta e análise de dados poderá se tornar mais fácil, rápida e permitirá a mensuração de mudanças sociais no longo prazo. A tecnologia permitirá que a sociedade tenha maior acesso a informações relevantes sobre soluções, podendo, assim, aprender mais rapidamente com experiências prévias, e, com isso, ampliar os benefícios àqueles que mais precisam.

Quer saber mais sobre Avaliação de Impacto? Conheça nossa publicação Avaliação de Impacto Social – metodologias e reflexões.

Para perguntas e comentários, entre em contato conosco por meio do comunicacao@idis.org.br

Adaptação deste artigo foi publicada também no blog da Social Value International.

Oportunidade para gerente de gestão e avaliação de projetos e programas sociais

Temos uma nova oportunidade para profissionais com experiência na área de Investimento Social. O IDIS está apoiando um de seus parceiros a encontrar uma nova pessoa para compor sua equipe. Trata-se de um Instituto com foco no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Sua forma de atuação é baseada no fortalecimento de organizações que já atuam nessa causa, agindo, portanto, como financiador e estimulando que os projetos e programas já existentes ampliem cada vez mais seu impacto social.

A organização, localizada na cidade de São Paulo, está em busca de um profissional que se dedique ao monitoramento e avaliação de impacto dos projetos e programas que ela apoia, e que também participe das discussões sobre o modelo e sobre as estratégias de atuação da organização.

O IDIS será responsável pela condução do processo de seleção e da escolha dos três candidatos finalistas, sendo a decisão final uma escolha da organização contratante. O nome do Instituto será revelado aos candidatos selecionados durante a entrevista.

Objetivos

O candidato será responsável pela estratégia e pela execução dos processos de monitoramento e avaliação de impacto dos projetos, programas e organizações apoiadas, garantindo que o escopo acordado está sendo cumprido, analisando as prestações de conta apresentadas, e oferecendo suporte às organizações para o desenvolvimento de estudos de avaliação de impacto que gerem evidências sobre as transformações sociais alcançadas pelas iniciativas.

Deverá, ainda, participar das discussões internas a respeito das decisões estratégicas do Instituto, contribuindo para sua gestão e desenvolvimento dentro do setor, apoiando os relacionamentos institucionais e consolidando parcerias.

Principais Atribuições e Responsabilidades

  • Estudar e compreender a estratégia de atuação dos projetos e organizações atualmente apoiados pelo Instituto.
  • Apoiar no processo de validação e seleção de novas potenciais organizações a serem apoiadas no futuro pelo Instituto.
  • Elaborar o modelo de prestação de conta e avaliar as informações recebidas das organizações apoiadas.
  • Criar e manter os processos internos de monitoramento e avaliação de impacto dos projetos apoiados, alertando para desvios ou riscos não previstos e mensurando a efetividade dos projetos apoiados para o alcance dos objetivos estratégicos do Instituto.
  • Participar de reuniões periódicas da equipe, direção e estrutura de governança do Instituto com o objetivo de manter o alinhamento com o planejamento estratégico e missão do Instituto.
  • Promover o desenvolvimento, aprendizagem e compartilhamento de conhecimento técnico na sua área de atuação com a equipe do Instituto para aprimorar a performance individual e coletiva do time.
  • Representar o Instituto em eventos e reuniões, sempre que necessário.
  • Zelar pela ética e valores institucionais.

Requisitos do Cargo 

Instrução e Experiência

Formação superior completa complementada com cursos de pós-graduação ou MBA e experiência mínima de 5 anos na área de Investimento Social. 

Conhecimentos específicos

  • Conhecimento de estratégias de investimento social privado, preferencialmente com foco em Educação.
  • Habilidades comportamentais para conduzir o relacionamento com as organizações apoiadas financeiramente pelo Instituto, bem como com outros parceiros do Instituto e outros financiadores do setor.
  • Conhecimento teórico e experiência prévia em Monitoramento e Avaliação de Impacto de projetos e programas sociais.
  • Informática e nível avançado no idioma inglês.

Competências:

Iniciativa, liderança, planejamento, organização, capacidade para solucionar problemas, empreendedorismo, foco em resultados, relacionamento interpessoal e habilidade de planejamento e gestão de pessoas e recursos. 

Orientações para participação no processo seletivo:

  • Enviar um e-mail com o título “Oportunidade de contratação em Parceiro do IDIS”
  • Anexar seu CV
  • Incluir as seguintes informações no corpo do e-mail: disponibilidade para início, pretensão salarial e a justificativa sobre seu interesse nesta oportunidade.
  • Endereço para envio: portalidis@idis.org.br
  • Data limite para envio: 15/11/2019

Criação da primeira organização gestora é marco para agenda de Fundos Patrimoniais no Brasil

Foram mais de sete anos de trabalho de advocacy até a sanção da lei que regulamenta os fundos patrimoniais filantrópicos no Brasil. Depois de apenas cinco meses surgiu o primeiro fundo patrimonial estruturado conforme as orientações na nova legislação. Trata-se da Gestora de Fundo Patrimonial Rogerio Jonas Zylbersztajn, que leva o nome do filho de Raikel Zylbersztajn, que morreu prematuramente, deixando um patrimônio considerável. Sua mãe decidiu, então, legar toda a herança de Rogerio para a filantropia.

Priscila Pasqualin, sócia do PLKC Advogados e parceira do IDIS no advocacy pela regulamentação dos fundos patrimoniais, ajudou a família Zylbersztajn na constituição desse fundo e conta como foi a experiência.

Pergunta: Você participou do trabalho de advocacy pela regulamentação dos fundos patrimoniais por muitos anos e agora teve a oportunidade de participar também da estruturação do primeiro fundo patrimonial constituído conforme a legislação. Como foi essa experiência?

Foi gratificante apoiar D. Raikel a encontrar na filantropia um caminho para lidar com o luto e com o sofrimento. Com o Fundo Patrimonial ela poderá homenagear de forma perene o filho, empresário carioca que deixou, em vida, sua marca na cidade. Agora, o legado dele continuará, através das iniciativas filantrópicas realizadas pela Organização Gestora de Fundo Patrimonial Rogerio Jonas Zylbersztajn. Mas por que um fundo patrimonial? Sua origem judaica, cultura que tem em sua essência a ideia de legado, juntamente com a vontade de imprimir na filantropia a mesma seriedade, profissionalismo e ousadia que caracterizaram a carreira empresarial do filho, fez com que o conceito do Fundo Patrimonial fosse facilmente abraçado pela D. Raikel e pelos amigos de Rogério, que se dispuseram a conduzir essa empreitada.

Pergunta: Qual a principal diferença entre um fundo patrimonial constituído antes da Lei 13.800/19 e outro que obedece às exigências da nova legislação?

A principal diferença está na garantia efetiva ao doador de que o patrimônio doado estará protegido, de fato, no longo prazo, de forma a sempre gerar recursos para a causa apoiada, aliado a regras de governança e transparência que prezam pelo profissionalismo e pela excelência da atividade filantrópica. Os fundos patrimoniais constituídos de acordo com a Lei 13.800/19 não podem ser utilizados para outros fins, seja para arcar com uma contingência da instituição seja por decisão dos dirigentes da instituição de utilizar os recursos no curto prazo, como pode acontecer com os fundos constituídos antes da Lei. Além disso, é a estrutura adequada para que um Fundo Patrimonial apoie instituições públicas, algo que era difícil no Brasil.

Pergunta: Qual foi o principal aprendizado obtido nessa experiência de estruturar um fundo patrimonial de acordo com a nova legislação?

Pude testar e comprovar, na prática, que a lei trouxe a estrutura de governança adequada para cumprir o desejo maior do doador de perenizar o patrimônio e de garantir o investimento profissional adequado para que ele gere rendimentos e beneficie as causas apoiadas. Além disso, no evento de lançamento, em que participaram várias potenciais instituições apoiadas, ficou claro que o fundo patrimonial contribuirá com o aprimoramento da gestão dessas instituições e seu planejamento de longo prazo.

Pergunta: O que você tem a dizer para outras famílias ou organizações que estejam interessadas em constituir seus próprios fundos patrimoniais?

O fundo patrimonial é uma excelente ferramenta para deixar um legado relevante na sociedade em benefício das causas que sejam do apreço da família ou da organização. Além disso, por ser um veículo de sustentabilidade financeira de longo prazo, ele estimula a excelência no uso dos recursos e, portanto, amplia o impacto dos projetos filantrópicos ou públicos apoiados. A possibilidade do fundo patrimonial beneficiar as instituições públicas nos permite, como sociedade, cuidar, como nosso, dos bens, equipamentos e instituições públicas, independente da volatilidade política. Isso tudo, com a proteção do patrimônio da família dos riscos da operação das instituições filantrópicas, que receberão os recursos do fundo patrimonial para realizar os projetos, com a possibilidade de influenciar positivamente seu impacto e acompanhar seus resultados.

Se interessa pelo tema? Conheça a trajetória do IDIS na ação de advocacy pelos Fundos Patrimoniais aqui.

Confira os vídeos do Fórum de Filantropos e Investidores Sociais de 2019

“Força das Comunidades” foi o tema do 8º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, realizado em setembro de 2019 pelo IDIS. Ao longo de 10 horas de programação, foram realizadas doze sessões e todas elas serão disponibilizadas no canal do IDIS no YouTube.

O evento, exclusivo para convidados, reuniu mais de 300 participantes, entre filantropos, representantes de empresas, institutos, fundações e governos, e 52 palestrantes. Com um tema complexo e importante como esse, o Fórum buscou reunir pontos de vista locais e globais e diferentes experiências para estimular a reflexão acerca do papel dos cidadãos e as soluções que geram o bem comum.

Escolhemos as atividades melhor avaliadas pela audiência para iniciar a divulgação dos conteúdos. Inscreva-se em nosso canal e receba notificações quando os demais estiverem disponíveis.

Sessão Dinâmica: Precisamos mobilizar todo mundo; com Edgard Gouveia, Game Master na Epic Journey

Inclusão, diversidade e equidade: forças de mudança em nossas comunidades

Com Flávia Regina de Souza Oliveira, Sócia de Mattos Filho Advogados; Marcos Panassol, Sócio e Líder de Capital Humano da PwC Brasil; Maíra Liguori, Diretora do Think Olga; Mariana Almeida, Superintendente da Fundação Tide Setúbal; e moderação de Mafoane Odara, Gerente no Instituto Avon.

• Empresas com propósito e comprometidas com a sustentabilidade

Com Juliana Azevedo, Presidente na Procter & Gamble Brasil; Matthew Govier, Diretor Executivo da Accenture Strategy; Ruy Shiozawa, CEO do Great Place to Work Brasil; e moderação de Gabriella Bighetti, CEO da United Way Brasil. Essa sessão teve o apoio da BNP Paribas Asset Management.

• Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2019

Em poucos minutos, imagens e depoimentos dos organizadores, palestrantes, parceiros e participantes.

Realizado desde 2012, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço exclusivo para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.000 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Esta é uma iniciativa conjunta do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e do Global Philanthropy Forum (GPF). Neste ano, contou com a parceria institucional da United Way. Também comprometidos, a Fundação Telefonica Vivo foi a parceira ouro do projeto, a Fundação José Luiz Egydio Setúbal, a Fundação Mott e o Santander, parceiros prata, e o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento e o escritório de advocacia Mattos Filho, parceiros bronze.

Veja aqui o álbum de fotos do evento.

IDIS 2020: Catalisador de Iniciativas

Pensar sobre aonde se quer chegar e planejar as atividades e recursos necessários para atingir os objetivos de forma coerente e sustentável é o que recomendamos a todos nossos parceiros, e no IDIS, não poderíamos fazer diferente. Em outubro, iniciamos nosso processo de planejamento estratégico para 2020.

Usando como base o plano trienal, desenvolvido em 2017, envolvemos toda a equipe do IDIS, que olhou para os resultados alcançados e projetos desenvolvidos neste ano, e traçou o plano para concretizar nosso novo posicionamento – IDIS: CATALISADOR DE INICIATIVAS. Por meio dele, reforçamos nosso compromisso com a idealização e o implementação de iniciativas que promovam o Investimento Social Privado no Brasil. Gerar e disseminar conhecimento, influenciar e representar o setor e idealizar, estruturar e implantar projetos próprios, passam a ser, dessa forma, nossos principais pilares de atuação.

Entre os principais projetos para o próximo ano, estão o fortalecimento da cultura de doação, por meio da campanha Descubra Sua Causa; a agenda dos Fundos Patrimoniais, com o avanço do trabalho de advocacy desempenhado na Coalização pelos Fundos Filantrópicos; a valorização da cultura de avaliação; e a promoção de parcerias intra e intersetoriais para a resolução de problemas sociais complexos. Ações específicas serão realizadas também no sentido de qualificar e ampliar a Filantropia Familiar e a Filantropia Comunitária. Seguiremos apoiando iniciativas de famílias, empresas, institutos e ONGs, por meio de atividades de consultoria, em todas as fases de seu investimento – do planejamento estratégico, passando pela gestão das doações, até a avaliação de impacto; e provendo o único Fórum no Brasil destinado exclusivamente a filantropos e investidores sociais.

Aspectos relacionados à comunicação institucional e gestão também foram discutidos. Para dar mais concretude ao novo posicionamento, foi planejada a atualização da marca. Especificamente em relação à sustentabilidade, avançamos no plano de constituição de um Fundo Estruturante, lançado na celebração dos 20 anos do IDIS, em setembro de 2019.

O planejamento, que ainda será validado por nosso Conselho Deliberativo, traça o caminho que seguiremos no próximo ano. Acreditamos na força do investimento social privado para criar um futuro mais justo e solidário, melhorando a vidas das pessoas. Por um 2020 com mais impacto!

Brasil é um dos países com os maiores desafios para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Social Progress Index 2019 mostra que o mundo não atingirá as metas até 2073 e o Brasil está regredindo ao invés de avançar

Em 2015, os líderes mundiais presentes na ONU se comprometeram ao plano desafiador de construir um futuro inclusivo e sustentável para as pessoas e para o planeta – os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs), uma mudança definitiva na qualidade de vida mundial até 2030. A realidade, no entanto, contraria essa promessa. De acordo com o recém-lançado levantamento do Social Progress Index (Índice de Progresso Social), o mundo não atingirá as metas dos ODSs até, no mínimo, 2073 e o Brasil está regredindo ao invés de avançar.

A boa notícia do Social Progress Index 2019 – uma mensuração detalhada sobre a verdadeira qualidade de vida das pessoas a partir unicamente de indicadores sociais e ambientais – é que o mundo como um todo está melhorando. Desde 2014, quando o Índice foi lançado, temos visto evolução. Há mais pessoas nas universidades e houve grandes avanços no acesso à informação a partir da maior penetração de telefones celulares. Temos visto melhorias constantes na redução da fome, ganhos na prevenção de doenças e na universalização do acesso à água e saneamento básico. No entanto, o mundo não progrediu em aspectos relacionados à segurança, à educação e questões relacionadas à inclusão estão estagnadas. Mais alarmante ainda, o mundo está retrocedendo no que tange direitos individuais.

Isso significa que, globalmente, não estamos progredindo rápido o bastante para atingir os ODSs. No ritmo atual, estamos, na melhor hipótese, 43 anos atrasados para atingir as metas para 2030. Se as mudanças climáticas não forem devidamente abordadas, o atraso será ainda maior, ou talvez nem atingiremos as metas. Alguns países, como Nepal e Etiópia, estão conquistando avanços rápidos. Porém, na maioria dos países emergentes como China, Paquistão, Bangladesh, Nigéria e as Filipinas, o progresso está lento demais. Da mesma maneira, boa parte do mundo abastado está progredindo vagarosamente. É vergonhoso como os países que estariam mais próximos de atingir as metas da Agenda 2030 e os que mais tem recursos para isso estejam indo tão mal.

Os outliers, ou pontos fora da curva, mais significativos, que representam os maiores empecilhos ao desenvolvimento sustentável, são aqueles países que estão regredindo. Apenas quatro estão nesse grupo desvantajoso: Nicarágua e Sudão do Sul, que enfrentam crises políticas profundas e não surpreendem tanto, conjuntamente a Estados Unidos e Brasil. A queda nos rankings de progresso social dos Estados Unidos é nítida desde 2014. Os EUA se posicionam atualmente como apenas 26 no mundo, atrás da República Tcheca e Estônia.

 

POSIÇÃO DO BRASIL NO SOCIAL PROGRESS INDEX

O Brasil ocupa a posição 49 no ranking mundial do Social Progress Index – um pouco atrás da Romênia (45) e um pouco à frente do México (55) e de outros países do BRICS (Rússia ocupa a posição 62, África do Sul, 73, e Índia, 102). No entanto, o que preocupa no Brasil é sua mudança de direção. O Brasil caiu 5 posições desde 2014, enquanto o México, por exemplo, subiu 6 e quase cessa a diferença entre os dois.

Por que então será que o Brasil presencia uma queda (-0,72) em sua nota no Social Progress Index desde 2014? Os principais fatores são o declínio em Direitos Individuais, desde liberdade de expressão até direitos de propriedade para mulheres, e Inclusão, que considera discriminação contra minorias e baixa equidade de gênero. O Brasil também está estagnado, ou presenciando quedas menores, em questões como segurança, acesso à eletricidade, qualidade na educação e saúde. Os poucos pontos favoráveis estão no avanço ao acesso à água e saneamento, penetração dos telefones celulares e o aumento no ingresso a universidades.

A retração evidenciada no Brasil em relação ao avanço social é ainda mais entristecedora, pois já foi um dos países que melhor usava seus recursos para servir à população. Mesmo hoje, a 49ª posição no ranking de progresso social do País, excede sua colocação no ranking do PIB, no qual ocupa o 65º lugar. Nas décadas recentes, o Brasil fez um progresso significativo na redução da pobreza e combate à exclusão. O Brasil poderia, e deveria, ser o líder no cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – o mundo hoje precisava desse tipo de liderança.

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Por Michael Green, CEO do Social Progress Imperative. O artigo foi desenvolvido com exclusividade para o IDIS.

Quase metade da população mundial já ajudou um desconhecido, aponta estudo divulgado pelo IDIS

O World Giving Index, estudo global com 10 anos realizado junto a 1,3 milhão de pessoas em 126 países revela que, apesar do fortalecimento da cultura de doação, vem sendo registrada uma tendência de queda neste comportamento, principalmente em alguns dos lugares mais ricos do mundo, como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda e Holanda.

Esta edição do Ranking Global de Solidariedade, que celebra uma década de coleta de dados, foi produzida pela Charities Aid Foundation (CAF), instituição com sede no Reino Unido, e que no Brasil é representada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

Conheça aqui os resultados da pesquisa.

O levantamento, encomendado ao Instituto Gallup, analisou dados agregados de cada país ao longo de 10 anos (2009-2018) e tem como base respostas de três perguntas: 1) se o entrevistado ajudou um desconhecido, 2) se contribuiu financeiramente para organizações da sociedade civil e 3) se doou tempo como voluntário para uma organização.

Sete dos dez países mais solidários estão entre os mais ricos do mundo, com os Estados Unidos na liderança, mas a lista dos dez primeiros também inclui nações menos ricas, como Mianmar (2º lugar), Sri Lanka (9º. Lugar) e Indonésia (10º lugar). A Nova Zelândia (3º lugar) é o único país que aparece no top 10 das três perguntas, ajudando um desconhecido, contribuindo financeiramente para uma ONG e doando tempo como voluntário.

 

O relatório identificou ainda os 10 países mais solidários ao longo da década, juntamente com os 10 menos generosos e os que tiveram a melhor e a pior performance no período. Indonésia, Quênia, Singapura, Malásia, Iraque, África do Sul, Haiti, Ruanda, Bósnia e Emirados Árabes foram os países que mais cresceram no Ranking. Já Polônia, Turcomenistão, Filipinas, Letônia, República Tcheca, Azerbaijão, Mauritânia, Camboja, Afeganistão e Marrocos os que mais caíram.

A América do Sul apresenta um quadro com múltiplas tendências, com um número considerável de países onde os entrevistados afirmam ajudar um desconhecido – isso acontece inclusive em países que sofreram ​​conflitos e crises recentes, como Venezuela e Equador. Quanto ao Brasil, apareceu na posição 74 no ranking global, e no 8o lugar entre as noções da América do Sul + México. A ajuda a desconhecidos foi a variável de melhor desempenho no país, que revelou apenas 28% da população envolvida em uma ou mais ação solidária.

Para a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, cada país enfrenta desafios únicos e, por isso, as soluções precisam ser buscadas localmente. “Na América Latina, continuamos vendo a disposição das pessoas a doarem e trabalhamos para que a sociedade civil crie um melhor ambiente para essa cultura de doação.”  Na visão de Fabiani o trabalho com os jovens é essencial: “São eles que vão estabelecer como será a filantropia e a doação no futuro”.

Alguns destaques do estudo:

  • Em todo o mundo, mais de 2,5 bilhões de pessoas ajudaram um desconhecido na última década, o equivalente a 48% da população mundial
  • Entre os 10 países com população mais doadora em dinheiro, em pelo menos 4 deles, doam com motivação religiosa
  • 1 entre cada 5 adultos no mundo fizeram trabalho voluntário nos últimos 10 anos, com o Sri Lanka relatando a maior taxa de voluntariado do mundo
  • As pessoas de Mianmar são as que mais provavelmente doaram dinheiro para caridade. (Os budistas praticantes representam 90% da população, 99% deles seguidores do ramo Therevada da religião que exige doações)

O lançamento da pesquisa aconteceu no dia 15 de outubro de 2019. Comentaram os resultados Graziela Santiago, Coordenadora de Conhecimento no GIFE, e João Paulo Vergueiro, Diretor Executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos.

Veja aqui a apresentação completa, com o recorte brasileiro.

 

Conheça aqui os resultados da pesquisa.

 

World Giving Index completa uma década com evento exclusivo

O World Giving Index, pesquisa anual promovida pela CAF – Charities Aid Foundation e conduzida pelo Gallup junto a 1,5 milhão de pessoas em 125 países, completa 10 anos. Os resultados serão revelados no dia 15 de outubro, em um evento no Centro Ruth Cardoso, em São Paulo. Além da apresentação de Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, comentarão a pesquisa, Graziela Santiago, Coordenadora de Conhecimento no GIFE, e João Paulo Vergueiro, Diretor Executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos.

O ranking global de solidariedade considera a participação das populações em três quesitos: ajuda a desconhecidos, contribuição financeira para organizações da sociedade civil e doação de tempo como voluntário para uma organização.

O evento é aberto ao público.  As inscrições devem ser feitas pelo email  comunicacao@idis.org.br. Será possível também acompanhar a cobertura ao vivo em nosso canal do Twitter (@IDIS_Noticias).

Data: 15 de outubro, das 9h às 11h

Local: Centro Ruth Cardoso – Rua Pamplona, 1005, Jardim Paulista. São Paulo – SP

Convite World Giving Index 10 anos

 

 

Força das Comunidades – Protagonismo, Mobilização e Transformação

 

Comunidades. Pessoas unidas pela geografia, ligadas pelo território que ocupam. Coletivos que se formam a partir de afinidades, ideais, interesses, causas. A tecnologia potencializando e dando escala às conexões.

O poder transformador está em estabelecer um percurso de dentro para fora, ou seja, a partir da demanda da comunidade surgem iniciativas e soluções próprias que favorecem o bem comum – e que podem contar com apoios externos, desde que conectados com os interesses e prioridades do grupo. Cidadãos assumem o controle de suas histórias e exercem sua cidadania. Mais do que nunca, é preciso reconhecer a força das comunidades e criar condições para que possam florescer.

Esse fenômeno cresce no Brasil e na América Latina, especialmente nesse momento de turbulência, desconfiança e preocupação com o ambiente democrático. O indivíduo experimenta sua capacidade de mobilização para gerar mudanças. Paradoxalmente, não se trata de um movimento individual. A sociedade civil e suas comunidades se fortalecem quando governos, filantropos e investidores sociais, tanto familiares quanto corporativos, olham para elas e as ouvem. Pensam suas ações com elas e não para elas. A boa notícia é que há um desejo genuíno para que esta aproximação aconteça e há muitos exemplos positivos e inspiradores.

A Primavera X propõe uma gincana para jovens, que realizam mutirões comunitários em prol do cuidado com a água em todo o Brasil. A LALA – Latin American Leadership Academy vai além, e oferece um programa de desenvolvimento de liderança a jovens que querem fazer a diferença em suas comunidades. Empresas se comprometem com causas, se engajam em torno de temas como diversidade, igualdade e equidade – mudam práticas internas, influenciam suas cadeias de outros segmentos, apoiam organizações da sociedade civil. Governos criam programas que consideram e estimulam os saberes e protagonismo locais e estabelecem mecanismos regulatórios, como a recente Lei dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, no Brasil, que favorece a sustentabilidade de longo prazo de instituições. As petições promovidas por meio da plataforma Change.org permitem com que demandas da sociedade cheguem a tomadores de decisões. Segundo a organização, 25.000 petições são realizadas por mês no mundo todo e a cada uma hora, uma delas é vitoriosa, seja alterando uma lei, uma prática corporativa ou uma decisão de alguém com poder institucional e impactando diretamente a vida de milhares ou milhões de pessoas.

Não por acaso, neste setembro, escolhemos o tema ‘Força das Comunidades’ para o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, evento anual promovido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, que reuniu mais de 300 filantropos, representantes de empresas, institutos, fundações e governos. Mais do que um dia para troca de conhecimentos e experiências, foi um chamamento. Para construirmos um futuro mais justo e solidário, é preciso que todos façam a sua parte. É preciso acreditar na força das comunidades, protagonistas de suas histórias, capazes de mobilizar pessoas e recursos e de provocar a transformação social que desejamos ver. Vamos juntos?

 

Por Luisa Gerbase de Lima, Gerente de Comunicação no IDIS em artigo originalmente publicado no blog Giro Sustentável, da Gazeta do Povo, em 20 de setembro de 2019. O IDIS é parceiro do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável e contribui mensalmente com histórias relacionadas ao Investimento Social Privado.

IDIS: 20 anos acreditando na força do investimento social privado

Em setembro de 2019 o IDIS completa 20 anos de história, de dedicação, de aprendizados e de conquistas. Neste mês, iniciamos uma celebração que se estenderá ao longo do ano e que incluirá novos projetos, o lançamento de uma nova marca e a criação de um fundo estruturante para a promoção da filantropia brasileira. O aniversário foi brindado em um coquetel com alguns dos parceiros, colegas e amigos que fizeram e fazem parte de nossa trajetória. Veja aqui as fotos.

Nossas principais realizações e depoimentos de parceiros foram reunidos na publicação especial IDIS 20 anos, que convidamos todos a ler. Em um vídeo, destacamos os principais marcos.

O IDIS nasceu do sonho de um dos mais importantes profissionais do terceiro setor brasileiro. Marcos Kisil, ou Doutor Marcos Kisil como é comumente chamado devido a sua formação médica, idealizou e criou uma organização capaz de gerar conhecimentos e aplicar técnicas para apoiar investidores sociais, ampliando as relações entre estes e os empreendedores sociais. Fundou o IDIS em 1999, uma organização sem fins lucrativos que tem a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto.

Muitos ouviram o chamado do Marcos e se uniram a este sonho. Ao longo dos anos, passaram pelo IDIS centenas de pessoas entre colaboradores, voluntários, conselheiros, clientes e parceiros que juntos contribuíram para a construção de um Brasil mais justo e solidário, ampliaram seus conhecimentos e suas ambições de transformar o mundo à sua volta e aos quais também homenageamos.

O Brasil e o mundo mudaram muito nesses últimos 20 anos e o ecossistema do investimento social privado também. Estamos presenciando a emergência de uma filantropia conectada, aberta e ágil, somando forças com a filantropia tradicional, que tem uma valiosa experiência acumulada a oferecer. Sempre queremos acompanhar e entender as transformações. Nossos debates vão desde como levar projetos à escala, como viabilizar parcerias com empresas e o poder público, até blockchain na cultura de doação, crowdfunding, finanças sociais, venture philanthropy e outros mecanismos para a promoção da cultura de doação e da transformação social.

Gostamos de nos enxergar como um catalisador de iniciativas de investimento social privado.  Buscamos novos caminhos para ampliar nossa força positiva na sociedade, dialogando com os protagonistas do investimento social privado e outros atores que podem colaborar com agendas de impacto social, como os governos, as organizações multilaterais e os indivíduos. Esperamos que nossa história inspire outras histórias, e que seja um trampolim para o futuro. Nós seguimos sonhando.

Está só começando!

 

#FórumIDIS 2019: Força das Comunidades – Protagonismo, Mobilização e Transformação

O 8º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais foi realizado pelo IDIS em setembro de 2019. A edição reuniu mais de 300 participantes, entre filantropos, representantes de empresas, institutos, fundações e governos, e 52 palestrantes. Representantes de países como EUA, México, Colômbia, Nigéria e Reino Unido ajudaram a enriquecer o diálogo. (Veja aqui o álbum de fotos do evento.)

“Força das Comunidades” foi o tema escolhido para dar tônica ao encontro. Deu-se foco ao poder transformador das comunidades, que está em estabelecer um percurso de dentro para fora e a partir da demanda dos grupos, encontrar soluções próprias que favorecem o bem comum. Durante o Fórum, trouxemos exemplos, apresentamos desafios. Refletimos acerca do papel dos cidadãos, que assumem o controle de suas histórias e exercem sua cidadania.

As 12 sessões e 15 mesas temáticas promovidas ao longo do dia buscaram dar conta da complexidade do assunto, abordando aspectos diversos. A Primavera X propõe uma gincana para jovens, que realizam mutirões comunitários em prol do cuidado com a água em todo o Brasil. A LALA – Latin American Leadership Academy vai além, e oferece um programa de desenvolvimento de liderança a jovens que querem fazer a diferença em suas comunidades. Empresas se comprometem com causas, se engajam em torno de temas como diversidade, igualdade e equidade – mudam práticas internas, influenciam suas cadeias e também outros segmentos, apoiam organizações da sociedade civil. Governos criam programas que consideram e estimulam os saberes e protagonismo locais e estabelecem mecanismos regulatórios, como a recente Lei dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, no Brasil, que favorece a sustentabilidade de longo prazo de instituições. As petições promovidas por meio da plataforma Change.org permitem com que demandas da sociedade cheguem a tomadores de decisões. Segundo a organização, 25.000 petições são realizadas por mês no mundo todo e a cada uma hora, uma delas é vitoriosa, seja alterando uma lei, uma prática corporativa ou uma decisão de alguém com poder institucional e impactando diretamente a vida de milhares ou milhões de pessoas.

O Fórum tradicionalmente convida empreendedores que compartilharam suas trajetórias e visões acerca do investimento social privado e do tema proposto. Estiveram presentes Carlos Wizard, presidente do Grupo Sforza, empresário que fez carreira na área de franquias e que, em outubro do ano de 2018, se mudou para Boa Vista, em Roraima, para liderar um grande programa de acolhimento de refugiados venezuelanos. Eduardo Fischer, codiretor presidente da MRV Engenharia e do Instituto MRV, um dos empresários mais importantes no ramo da construção civil e membro da família fundadora, levou para o Fórum a experiência do projeto Escola Nota 10, que já implantou mais de 170 escolas de alfabetização, de inclusão digital e profissionalizantes em seus canteiros de obras.

O painel final reuniu três grandes mulheres catalisadoras da filantropia no mundo. Jane Wales, fundadora do Global Philanthropy Forum, Mosun Layode, CEO do African Philanthropy Forum e Paula Fabiani, CEO do IDIS e responsável pela edição brasileira do evento, dividiram o palco e compartilharam reflexões sobre conquistas e também sobre os desafios que temos a superar.

Mais do que nunca, acreditamos ser preciso reconhecer a força das comunidades e criar condições para que possam florescer. As conversas foram ricas, e preparamos uma cobertura especial, trazendo os destaques da agenda. Conheça:

Com Agustin Landa, Vice-presidente de Desenvolvimento da Universidade de Monterrey (México); Brian Gallagher, Presidente & CEO da United Way Worldwide (EUA); Nick Deychakiwsky, Diretor de Programas da Fundação Mott (EUA); e moderação de Paula Fabiani, Diretora-presidente do IDIS.

Com Sir John Low, CEO da CAF (UK); María Carolina Suárez Visbal, Assessora Sênior do IVPC – International Venture Philanthropy Center (Colômbia); Selma Moreira, Diretora-Executiva do Fundo Baobá; e moderação de Renata Biselli, Gerente de Investimento Social do Banco Santander.

Com Juliana Azevedo, Presidente na Procter & Gamble Brasil; Matthew Govier, Diretor Executivo da Accenture Strategy; Ruy Shiozawa, CEO do Great Place to Work Brasil; e moderação de Gabriella Bighetti, CEO da United Way Brasil. Essa sessão teve o apoio da BNP Paribas Asset Management.

Com Flávia Regina de Souza Oliveira, Sócia de Mattos Filho Advogados; Marcos Panassol, Sócio e Líder de Capital Humano da PwC Brasil; Maíra Liguori, Diretora do Think Olga; Mariana Almeida, Superintendente da Fundação Tide Setúbal; e moderação de Mafoane Odara, Gerente no Instituto Avon.

Com Carlos Wizard Martins, empreendedor, fundador do Grupo Sforza e filantropo; Eduardo Fischer, codiretor presidente da MRV Engenharia e do Instituto MRV; e moderação de Eliane Trindade, editora da Folha de S.Paulo

Com Edgard Gouveia, Game Master na Epic Journey

Com Diego Ontaneda, CEO & cofundador da LALA – Latin American Leadership Academy (Colômbia); Fernando Gallo, Gerente de Políticas Públicas no Twitter Brasil; Lucas Pretti, Diretor Global de Produtos da Change.org Foundation; Maria Antônia Carvalho Dezidério, Alumni da LALA – Latin American Leadership Academy; e moderação de Américo Mattar, Diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo.

Com Bernardo Guillamon, gerente do escritório de alianças estratégicas do BID (USA); Filipe Sabará, fundador da Arcah & presidente do Fundo Social do Estado de São Paulo; Jorge Iván Ríos Rivera, subsecretário de educação de Medellin (Colômbia); e moderação de Jamie McAuliffe, Senior Fellow do Aspen Institute.

Com Jacqueline Connor, diretora de impacto da Enuma (EUA); Paulo Zuben, Diretor Artístico-Pedagógico da Santa Marcelina Cultura; José Marcelo Zacchi, secretário geral do GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas; e moderação de Raquel Altemani, Gerente de Projetos do IDIS.

Com Jane Wales, presidente e CEO do Global Philanthropy Forum & World Affairs Council (EUA); Mosun Layode, CEO do African Philanthropy Forum (Nigéria); Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS; e moderação de José Ferrão, presidente da rede internacional da United Way Worldwide.

 

Realizado desde 2012, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço exclusivo para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.000 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Esta é uma iniciativa conjunta do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e do Global Philanthropy Forum (GPF). Neste ano, contou com a parceria institucional da United Way. Também comprometidos, a Fundação Telefonica Vivo foi a parceira ouro do projeto, a Fundação José Luiz Egydio Setúbal, a Fundação Mott e o Santander, parceiros prata, e o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento e o escritório de advocacia Mattos Filho, parceiros bronze.

Veja aqui o álbum de fotos do evento.