
Os riscos e oportunidades dessa nova tecnologia para instituições sociais foram debatidos durante o evento “Blockchain for Philanthropy”, organizado pela Charities Aid Foundation (CAF) em Londres, no último mês de Dezembro. A presidente do IDIS, Paula Fabiani, participou da abertura ao lado do diretor executivo da CAF Global Alliance, Michael Mapstone. Considerando os blockchains como uma realidade que já está criando novos modelos operacionais para vários tipos de organizações, o foco da questão foi como a nova tecnologia afetará a forma como as organizações da sociedade civil arrecadam e aplicam dinheiro. Paula observa que “as possibilidades dessa nova tecnologia são imensas, mas, por enquanto, ficam restritas àqueles que conseguem dominar as ferramentas. Precisamos democratizar o acesso a esse tipo de recurso”.
Vale lembrar que Michael Mapstone esteve no Brasil para o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, organizado pelo IDIS, em Outubro de 2017, e ressaltou a importância do blockchain como um novo protocolo que gera confiança pois permite o rastreamento de todas as operações sem necessidade de intermediários.
Transparência e confiança – Mas, afinal, como funciona um blockchain? Criada em 2008, a ferramenta saiu do papel no ano seguinte, ao ter seu conceito teórico colocado em prática através do bitcoin (moeda virtual que permite realizar transações financeiras de forma online sem nenhum intermediário, seja de pessoa para pessoa ou de organização para organização). Essa “cadeia de blocos” funciona como um banco de dados onde são armazenados arquivos digitais variados. Toda transação, financeira ou não, é datada e dá origem a uma assinatura formada por uma sequência de letras e números, que é registrada em um bloco. Na sequência, ela é criptografada e, junto com outras realizadas em um determinado espaço de tempo, aglutinada em uma cadeia de blocos, finalizando a operação. Esse caminho digital permite acompanhar toda a transação – do começo ao fim. E ao contrário do mundo real, onde seriam validadas por bancos ou instituições centrais, no mundo virtual é o próprio sistema do blockchain que valida e dá credibilidade à transação.
Em tempos de escândalos políticos, crise econômica e falta de credibilidade das instituições, os blockchains podem ser um caminho para evitar as fraudes. Isso porque todas as transações, armazenadas em blocos, estão em todos os computadores que fazem parte do sistema. Logo, para desviar valores ou alterar destinatários é preciso fazê-lo em todos os computadores da rede antes do bloco ser criptografado. Essa impossibilidade funciona como uma espécie de garantia de que o dinheiro vai diretamente para o seu destinatário, ou, no caso das doações, para quem de fato precisa. Além disso, por não ter qualquer outro tipo de instituição financeira como intermediário das doações, elimina também a cobrança de taxas administrativas – o que representa milhões de reais que poderão ir para as organizações e suas causas.
No universo das transações sem fins lucrativos, essa possibilidade de acompanhamento, aliada à eliminação de terceiros, permite ao doador saber exatamente como e onde o seu dinheiro foi gasto. Para quem quer entender mais sobre essa nova tecnologia, o site da CAF disponibiliza três vídeos (em inglês):
– Giving a bit(coin) – What does cryptocurrency mean for charitable giving https://youtu.be/yEvKbgXPAY
– Giving unchained – Could blockchain technology revolutionise giving? https://youtu.be/P-V7PCgyJBY
– Block and Tackle – Could blockchain technology transform charity regulation? https://youtu.be/2ht1TF8Ysz0


O mérito do trabalho desenvolvido pelo IDIS e seus diversos parceiros, em 2017, também foi reconhecido por estar entre os quatro finalistas do prêmio ALAS-BID de Inovação na Primeira Infância. Competindo com organizações sociais de todo o mundo, ficamos entre os quatro melhores com um projeto em prol da Primeira Infância no Amazonas. E não podemos deixar de registrar aqui nossos parabéns ao trabalho do vencedor: o também brasileiro “La Casa Incierta”, de Brasília. Seguimos torcendo para que a promoção ao desenvolvimento da primeira infância seja cada vez mais valorizada.
















Todas essas informações e muitas outras foram apresentadas e discutidas, recentemente, no fórum Future of Philanthropy: what role can philanthropists and foundations play in delivering on the global goals for sustainable development?’ (Futuro da Filantropia: qual o papel de filantropos e fundações no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável?). No encontro, realizado no castelo de Wilton Park, na vizinhança de Londres, lideranças da filantropia de diversos países se reuniram para discutir estratégias do setor, e uma palavra foi constante: mais! “De um modo geral, as conversas giram em torno de assumir mais riscos, colaborar mais, influenciar mais, e buscar novas saídas para o velho modelo baseado em crescimento econômico”, relata a presidente do IDIS, Paula Fabiani, convidada a traçar o perfil do investimento social privado no Brasil.
Por que os bilionários brasileiros são tão resistentes a doar? Essa é a questão levantada por um dos principais jornais do mundo, o prestigiado The Wall Street Journal, que na versão digital já tem 1,27 milhão de assinantes somente nos Estados Unidos. Ao descrever a batalha do empresário Elie Horn, o repórter Jeffrey T. Lewis, com a colaboração da jornalista Luciana Magalhães, cita o IDIS como a organização que está apoiando o filantropo brasileiro a trazer para o País um movimento inspirado no The Giving Pledge, criado por Bill Gates e Warren Buffet.
É também importante recuperar aqui parte do caminho percorrido por aqueles que defendem a criação dos Fundos Patrimoniais como forma de assegurar a sustentabilidade das organizações no longo prazo. A repercussão do debate com lideranças políticas, empresariais, gestores, financiadores e doadores é necessária para mostrar para a sociedade os Fundos Patrimoniais como possibilidade de uma menor dependência dessas organizações em relação aos recursos públicos, proporcionando condições de planejamento e ampliação de atividades tanto no que diz respeito ao alcance quanto à qualidade. 


A sequência de escândalos políticos e financeiros nos últimos anos só fortaleceu a já consolidada descrença dos brasileiros nas instituições. O real impacto disso na cultura de doação do País ainda está por ser avaliado. Mas uma pesquisa realizada pela Charities Aid Foundation, instituição sediada no Reino Unido e representada no Brasil pelo IDIS, revela um cidadão generoso, que gosta de doar. Além da satisfação pessoal (51%), o brasileiro também leva em conta a causa (41%) e a crença de que todos devem ajudar a resolver problemas sociais (40%).
As causas – O apoio a organizações religiosas mostrou-se a mais popular das causas: quase metade (49%) das pessoas contribuíram para ela (o dízimo foi considerado doação pelos pesquisadores). Em seguida vem o apoio a crianças (42%) e a ajuda aos pobres (20%).

A pesquisa Doação Brasil, que revela o que pensa e como se comporta o doador brasileiro (e o não-doador também), foi tema do programa Conexão Futura, do Canal Futura, que discutiu os desafios do Brasil para consolidar uma Cultura de Doação. Você pode acompanhar a entrevista com a diretora de Comunicação do Idis, Andrea Wolffenbuttel, e Beatriz Pantaleão, diretora da Fundação Gol de Letra.
Novo curso – Como fazer uma avaliação de processo, de resultado e de impacto, considerando, também, a avaliação econômica? Como montar um indicador e medir corretamente os resultados? Esse tipo de avaliação ajuda na captação de recursos? Essas questões, levadas ao público que participou do live da Escola Aberta do Terceiro Setor, demonstra o interesse crescente de gestores, investidores, doadores e estudantes sobre a avaliação de impacto e a avaliação de resultados. A transmissão marcou o lançamento do curso online de Avaliação de Projetos, ministrado por Paula Fabiani, na plataforma da Escola Aberta do Terceiro Setor 





































