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No Vergel do Lago, a Mundaú Mundo articula soluções territoriais para o desenvolvimento comunitário

Às margens da Lagoa Mundaú, no Vergel do Lago — um dos bairros mais populosos e socialmente vulneráveis de Maceió (AL) — a pesca e a coleta de sururu são partes centrais da vida e da sobrevivência da maioria das famílias moradoras. É nesse contexto que a Mundaú Mundo foi criada em 2022, como uma iniciativa de base territorial voltada a articular recursos, saberes e atores locais, conectando formação, cultura e economia local para fortalecer o protagonismo comunitário e promover o desenvolvimento do território.

A iniciativa chegou num momento importante, depois que tremores de terra provocados pela exploração de minério causaram o afundamento do solo em cinco bairros da cidade, incluindo regiões próximas à Lagoa Mundaú, principal fonte de renda da população local. Desde 2019, cerca de 14 mil imóveis tiveram que ser desocupados e mais de 60 mil pessoas foram afetadas.

Além disso, durante a pandemia da Covid-19, quando Alagoas registrou 36,7% da população em insegurança alimentar, o líder comunitário Carlos Jorge ganhou projeção nacional ao mobilizar redes de solidariedade e parcerias institucionais, articulando a chegada de alimentos, materiais de higiene e equipamentos de proteção para a população da região.  Na ocasião, foi convidado a assumir a Secretaria de Assistência Social de Maceió e percebeu a necessidade de ir além: criar uma rede de fortalecimento territorial capaz de impulsionar múltiplas iniciativas locais.

Carlos Jorge, fundador da Mundaú Mundo. 

Carlos deixou o cargo público para fundar a Mundaú Mundo, estruturando uma organização de base comunitária, com equipe local, escuta ativa e governança participativa, orientada para o fortalecimento do território no longo prazo. Essa forma de atuação dialoga diretamente com as características das  Fundações e Institutos Comunitários (FICs), conforme a Carta de Princípios para FICs do IDIS:

Instituições locais: as organizações dedicam-se à melhoria da qualidade de vida de comunidades situadas em uma região geográfica bem delimitada, da qual são originárias e na qual estão estabelecidas.

Com o apoio do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), a organização avançou em sua estruturação um instituto comunitário, dedicado a articular recursos, conhecimento e parcerias para o desenvolvimento territorial, atuando de forma integrada em diferentes frentes.

Uma das estratégias centrais da Mundaú Mundo é o fortalecimento do ecossistema local de organizações e iniciativas sociais locais, por meio de programas de capacitação de lideranças e acompanhamento técnico institucional. Atualmente, a organização fortalece institucionalmente 10 OSCs em Alagoas, com foco em governança, captação de recursos e assessorias jurídica e contábil. A inserção do Qualifica Mundaú em um edital da Gerando Falcões, em 2025, ampliou a atuação da Mundaú Mundo no ecossistema de aceleração de impacto de lideranças das periferias, conectando o território a redes mais amplas de apoio e investimento social.

Voltado a jovens e adultos, o Qualifica Mundaú atua no fortalecimento das capacidades locais, combinando formação técnica, desenvolvimento pessoal e habilidades socioemocionais com conexão a oportunidades de trabalho e estímulo ao empreendedorismo no território. Segundo dados institucionais, 106 pessoas já foram qualificadas, com 35% inseridas no mercado de trabalho ou empreendendo.

A organização também atua em temas ambientais e de prevenção a desastres naturais, articulando iniciativas como o projeto Nordeste pela Resiliência Climática, que em 2024 chegou a ganhar parceria com a Visão Mundial e a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Essa atuação evidencia um recorte intersetorial, que conecta cultura, desenvolvimento comunitário e adaptação climática a partir das demandas do território. A característica multitemática é uma das marcas das FICs, presente na Carta de Princípios para FICs do IDIS:

Multitemáticas: apoiam e investem em outras organizações da sociedade civil e iniciativas sociais de modo a abranger a diversidade de causas e temas relevantes para a comunidade, seu contexto e suas demandas próprias.

Alunas da Cozinha Escola, projeto apoiado pela Mundaú Mundo.

Entre as iniciativas desenvolvidas no Vergel do Lago, a Mundaú Mundo articula ações socioeducativas e de geração de oportunidades que utilizam o esporte, a cultura e a inclusão produtiva como vetores de desenvolvimento integral.

Uma iniciativa estruturante é a Cozinha Escola, voltada à valorização da cultura alimentar local e à promoção da autonomia econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade. A formação integra desenvolvimento socioemocional, técnica gastronômica e empreendedorismo, a partir do uso de ingredientes locais — com destaque para o sururu, reconhecido como Patrimônio Imaterial de Alagoas — fortalecendo identidades culturais e cadeias econômicas do território. Em 2025, mais de 100 mulheres foram formadas, evidenciando a gastronomia como ponte entre cultura e economia local.

De forma integrada, essas iniciativas se conectam a uma atuação mais ampla de fortalecimento da resiliência comunitária e do cuidado no território, articulando respostas emergenciais, apoio psicossocial e ações de prevenção a riscos socioambientais. Essa abordagem multitemática, orientada pelas demandas locais e pela construção de soluções coletivas, expressa o papel da Mundaú Mundo como fundação comunitária comprometida com o desenvolvimento territorial no longo prazo.

“O apoio do IDIS foi essencial para consolidar nossa governança”, destaca a psicóloga social da Mundaú Mundo, Alessandra Anselmo.

A Mundaú Mundo integra o programa Transformando Territórios, uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation, para fomentar a criação e o fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil.

Quer saber mais sobre a Mundaú Mundo? Acesse o site.
Para conhecer mais sobre os Princípios e características das Fundações e Institutos Comunitários, acesse a Carta de Princípios através deste link.

Saiba mais sobre o programa Transformando Territórios e como apoiá-lo.

Informações do Território

  • Território de atuação: Alagoas
  • Nome do instituto ou fundação comunitária: Mundaú Mundo
  • Nome e cargo da principal liderança: Carlos Jorge da Silva Santos, Líder comunitário e CEO da Mundaú Mundo
  • População: O estado de Alagoas tem aproximadamente 3,22 milhões de habitantes
  • Causas prioritárias mapeadas pela Mundaú:
    • Formação de lideranças comunitárias
    • Fortalecimento institucional de organizações sociais
    • Inclusão produtiva e geração de renda
    • Empreendedorismo feminino
    • Qualificação profissional (jovens e adultos)
    • Educação socioemocional
    • Esporte como ferramenta de cidadania (futsal, jiu-jitsu)
    • Cultura e gastronomia local (Cozinha Escola)
    • Resiliência climática e prevenção de desastres naturais
    • Assistência social (doações, apoio psicossocial)
    • Saúde menstrual (programa Fluxo de Amor)
  • Desafios regionais:
    • Vulnerabilidade socioeconômica nas comunidades periféricas
    • Falta de estrutura institucional nas OSCs locais
    • Baixa empregabilidade e poucas oportunidades de renda sustentada
    • Desigualdade de gênero e pobreza menstrual
    • Exposição a riscos climáticos e desastres naturais

 

 

 

Vaga de Analista Pleno de Monitoramento e Avaliação

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência na área de Monitoramento e Avaliação.

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de 50 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer a organização e nossa atuação, buscamos uma pessoa Analista Pleno que apoie na gestão de nossas iniciativas nesta área. Ela será responsável por apoiar atividades da equipe de Monitoramento e Avaliação de Impacto socioambiental do Instituto.

 Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

RESPONSABILIDADES E OPORTUNIDADES

  • Apoiar a elaboração de propostas de projetos de Monitoramento e Avaliação para potenciais clientes e parceiros;
  • Implementar as atividades dos projetos de Monitoramento e Avaliação do IDIS, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade dos produtos entregues;
  • Apoiar e realizar a coleta de dados quantitativos e qualitativos necessários para a execução dos projetos;
  • Organizar, ler, analisar documentos, elaborar relatórios e apresentações sistematizando o processo de Monitoramento e Avaliação e os aprendizados e conclusões obtidas;
  • Realizar pesquisas de conceitos, referências e benchmarking que enriqueçam os projetos e tragam embasamento para os produtos desenvolvidos;
  • Participar de reuniões periódicas da equipe de consultoria para manter a equipe alinhada com o planejamento estratégico e missão da organização;
  • Promover a aprendizagem e compartilhamento de conhecimento técnico com a equipe do IDIS;
  • Participar ativamente do ciclo de planejamento estratégico juntamente com as outras áreas da organização;
  • Apoiar a Gerência de Comunicação para o desenvolvimento de conteúdo.

 

conhecimentos específicos

  • Ensino superior completo, preferencialmente em estatística, economia, ciências sociais ou áreas afins;
  • Experiência profissional comprovada mínima de 2 anos em monitoramento e avaliação de projetos;
  • Conhecimento e experiência em elaboração e monitoramento de indicadores;
  • Conhecimento e aplicação de metodologias para elaboração de análise diagnóstica, planejamento estratégico e plano de ação;
  • Desenho e aplicação de pesquisas qualitativas e quantitativas;
  • Facilitação de grupos focais e condução de entrevistas em profundidade;
  • Sistematização e análise de informações qualitativas e quantitativas;
  • Elaboração e análise de planilhas Excel, incluindo manuseio de bases de dados, elaboração de tabelas dinâmicas e gráficos;
  • Elaboração de apresentações com boa apresentação visual, storytelling, clareza e objetividade na transmissão de conteúdos e conclusões;
  • Conhecimentos intermediários de inglês na linguagem oral e escrita;
  • Conhecimentos sobre análise estatística e experiência com softwares de análise de dados qualitativos e quantitativos serão considerados diferenciais;
  • Experiência em gestão, monitoramento e avaliação de projetos nas áreas da educação e saúde serão considerados diferenciais;

BENEFÍCIOS

  • Contratação CLT
  • Assistência médica (Porto)
  • Vale-Transporte
  • Vale-Alimentação e Vale-refeição
  • Total Pass
  • Credencial plena do Sesc
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido: combinação de presencial e remoto, com disponibilidade para viajar.

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 18 de janeiro de 2026.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimentoconsultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

 

Vaga para Gerente em Monitoramento e Avaliação de Impacto Socioambiental

Temos no IDIS uma nova oportunidade para profissionais com experiência na área de Monitoramento e Avaliação Socioambiental.

A pessoa será responsável pela implementação de estudos de monitoramento e avaliação de impacto socioambiental de projetos e programas, ocupando o cargo de Gerente.

Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

responsabilidades

  • Liderança e gestão de uma equipe de 2-3 profissionais na área de monitoramento e avaliação (1-2 analista e 1 estagiário).
  • Captação de novos clientes e relacionamento contínuo com os atuais, promovendo serviços de consultoria personalizados.
  • Elaboração de propostas de projetos para potenciais clientes e parceiros.
  • Gestão de projetos de consultoria, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade dos produtos entregues, incluindo relatórios analíticos.
  • Implementação das atividades dos projetos de consultoria em Monitoramento e Avaliação do IDIS, com aplicação de metodologias qualitativas e quantitativas de avaliação de resultado e impacto.
  • Orientação da equipe para a coleta de dados quantitativos e qualitativos necessários para a execução dos projetos;
  • Realização de pesquisas de conceitos, referências e metodologias que enriqueçam os projetos e tragam embasamento para os produtos desenvolvidos;
    Promoção da gestão do conhecimento e o compartilhamento de conhecimento técnico com os demais membros da equipe do IDIS;
  • Promoção da cultura de monitoramento e avaliação dentro e fora da organização, reforçando a importância da filantropia estratégica;
  • Participação em reuniões periódicas da equipe de consultoria para manter a equipe alinhada com o planejamento estratégico e missão da organização.
  • Participação no ciclo de planejamento estratégico juntamente com as outras áreas da organização.
  • Apoio à Gerência de Comunicação para o desenvolvimento de conteúdos.

requisitos

  • Formação superior completa em Economia, Estatística, Matemática Aplicada, Ciência de Dados ou áreas afins.
  • Experiência comprovada (mínimo de 2 ano) em análise estatística de dados.
  • Experiência comprovada mínima de 2 anos em liderança de equipes e gestão de múltiplos projetos na área social ou afins.
  • Experiência comprovada mínima de 3 anos em técnicas de monitoramento e avaliação de programas sociais, incluindo a elaboração de indicadores de processo, resultado e impacto.
  • Experiência em condução de pesquisas qualitativas.
  • Experiência em análise estatística de dados.
  • Excel e Power Point avançado.
  • Habilidade de comunicação interpessoal e capacidade de construir e manter relacionamentos profissionais.
  • Compromisso com a inclusão e a diversidade, valorizando diferentes perspectivas e contribuições de equipe.
  • Inglês intermediário.

Qualificações Desejáveis:

  • Mestrado ou especialização em avaliação de políticas públicas, responsabilidade social ou áreas relacionadas.
  • Vivência em gestão de equipes multidisciplinares e liderança de projetos complexos e múltiplos.
  • Prática anterior com captação de clientes e desenvolvimento de negócios em consultoria relacionadas ao terceiro setor.
  • Histórico de trabalho com diversidade e inclusão, demonstrando compromisso com a promoção de ambientes de trabalho equitativos.
  • Fluência em inglês e/ou espanhol.
  • Conhecimento e/ou experiência no setor de filantropia estratégica e investimento social privado no Brasil.
  • Conhecimento e/ou experiência com desenho, gestão, implementação e/ou monitoramento e avaliação de projetos ou programas sociais na área da saúde pública.
  • Domínio de softwares estatísticos (ex: R, Stata, Python com bibliotecas de análise de dados).
  • Conhecimento em métodos econométricos (regressão, variáveis instrumentais, diferenças em diferenças, etc.).
  • Experiência em desenho e implementação de avaliações de impacto (experimentais e/ou quase-experimentais).
  • Capacidade de transformar dados em informação relevante para tomada de decisões e comunicá-los de forma eficaz.

BENEFÍCIOS

Contratação PJ
Início em Janeiro 2026
Remuneração mensal – A combinar
Tipo de trabalho – Híbrido (remoto e presencial)
Localização: São Paulo – SP (próximo à estação Pinheiros do metrô e trem)
Day off de aniversário
Total Pass

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 18 de janeiro de 2026.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimentoconsultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

 

Vaga de Analista Administrativo-Financeiro Jr

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para profissionais com experiência na área de Gestão Financeira de Projetos.

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de 50 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

O Analista Financeiro Administrativo Júnior será responsável por executar atividades relacionadas à prestação de contas dos projetos da Iniciativa Juntos pela Saúde. Isso inclui a revisão das despesas incorridas e declaradas pelos executores, a avaliação das respectivas comprovações, a realização de conciliações bancárias e o suporte à gestão orçamentária dos projetos e dos repasses financeiros dos apoiadores, garantindo a conformidade financeira e o adequado controle dos recursos.

 

 Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

RESPONSABILIDADES E OPORTUNIDADES

É responsável por apoiar tecnicamente nas atividades administrativas e financeiras do programa Juntos pela Saúde, contribuindo com atividades de planejamento, acompanhamento, revisão, sistematização de processos e organização de materiais, além de:

  • Apoiar na análise dos orçamentos dos projetos e no acompanhamento da prestação de contas junto aos parceiros do programa
  • Apoiar na elaboração e acompanhamento de processos administrativos e financeiros para o programa Juntos pela Saúde
  • Apoiar na gestão de contratos do programa Juntos pela Saúde (parceiros e fornecedores)
  • Apoiar na rotina de controle de processos e acompanhamento de compliance do Programa
  • Apoiar nas atividades de relacionamento com os clientes, parceiros e doadores, realizando alinhamentos e monitoramento da prestação de contas sempre que necessário
  • Manter a atualização do fluxo de caixa
  • Realizar conferência de Notas Fiscais, boletos e comprovantes de pagamentos
  • Realizar a análise e controle de prestação de contas de projetos do Juntos pela Saúde
  • Realizar a conciliação bancária
  • Apoiar em toda rotina administrativa financeira do programa Juntos pela Saúde, colaborando para sua boa organização
  • Atuar nas suas atividades do Juntos pela Saúde, zelando pela qualidade das entregas, cumprimento dos prazos acordados e uso eficiente dos recursos, sempre apoiando os gestores do programa nas demandas existentes

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REQUISITOS

  • Formação superior completa e experiência mínima de 1 ano em funções relacionadas à rotina da área administrativa financeira e prestação de contas de projetos, preferencialmente com foco em Investimento Social Privado.
  • Conhecimentos específicos:
    • Contabilidade e compliance
    • Gestão de contratos
    • Rotinas de controles e prestação de contas
    • Excel avançado
    • BI e painéis de gestão
    • Organização e análise de documentação
    • Elaboração de apresentações e relatórios com boa apresentação visual e estruturação clara e objetiva do conteúdo, incluindo gráficos e diferentes formatos que viabilizem a melhor compreensão sobre dados para tomada de decisão.
    • Diferencial – Conhecimento ERP Oracle Netsuite

BENEFÍCIOS

  • Contratação CLT
  • Assistência médica (Porto)
  • Vale-Transporte
  • Vale-Alimentação
  • Total Pass
  • Credencial plena do Sesc
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 18 de janeiro de 2026.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimentoconsultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

           

Vaga de Estágio em Monitoramento e Avaliação

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para estudantes de diversos cursos.

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de 50 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer a organização e nossa atuação, buscamos uma pessoa estagiária para integrar o time de monitoramento e avaliação do IDIS.

 Acesse a vaga na 99Jobs e inscreva-se.

RESPONSABILIDADES E OPORTUNIDADES

  • Apoiar nas atividades dos projetos de Monitoramento e Avaliação do IDIS, respeitando os prazos acordados e zelando pela qualidade dos produtos entregues.
  • Realizar coleta e análise de dados quantitativos e qualitativos necessários para a execução dos projetos de Monitoramento e Avaliação.
  • Realizar pesquisas de conceitos, referências e  benchmarking  que enriqueçam os projetos e tragam embasamento para os produtos desenvolvidos.
  • Participar das reuniões periódicas (online e presencial) da organização.

REQUISITOS

  • Estar cursando, no mínimo, o 3º ano da faculdade no momento do início do estágio, não importa o curso;
  • Ter interesse no terceiro setor e na área de monitoramento e avaliação de projetos sociais;
  • Domínio do pacote Office (Word, Excel, Power Point) e internet;
  • Disponibilidade para atuação híbrida no escritório do IDIS, em São Paulo, localizado próximo à estação Pinheiros de trem e metrô.
  • Facilidade para trabalhar em equipe

DESEJÁVEL

  • Conhecimento em sistematização e análise de informações qualitativas.
  • Conhecimentos na área de ciências de dados ou sistematização e análise de dados quantitativos em planilhas Excel, incluindo manuseio de bases de dados, elaboração de tabelas dinâmicas e gráficos.
  • Elaboração de apresentações com boa apresentação visual, clareza e objetividade na transmissão de conteúdos.
  • Conhecimentos sobre análise estatística.
  • Experiência com softwares de análise de dados de qualitativos e quantitativos.
  • Domínio intermediário da língua inglesa

BENEFÍCIOS

  • Bolsa auxílio: R$ 1.650,00
  • Vale-transporte
  • Vale Alimentação e refeição
  • Seguro de vida
  • Credencial plena do Sesc
  • Day off de aniversário
  • TotalPass

Tipo de trabalho – Híbrido: Combinação de presencial e remoto

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 18 de janeiro de 2026.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimentoconsultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

 

Transformando Territórios promove formação em governança para lideranças de OSCs

O programa Transformando Territórios (TT), em parceria com o coletivo de Fundos e Institutos Comunitários (FICs), está promovendo uma Formação em Governança para Lideranças de OSCs. A trilha aborda o papel da governança nas OSCs, responsabilidades de conselheiros, tomada de decisão e transparência, além de fortalecimento institucional, sustentabilidade e legado.

A iniciativa tem como intuito fortalecer capacidades locais, reafirmar o papel das FICs como agentes de desenvolvimento no território, aproximar novos aliados e contribuir para o fortalecimento da sociedade civil, estimulando a participação social e o engajamento cívico. Entre o público-alvo, estão:

  • Lideranças e moradores do território com interesse em atuação voluntária em organizações sociais;
  • Potenciais conselheiros ou futuros membros das FICs e OSCs locais;
  • Integrantes de OSCs interessados em aprimorar seu conhecimento em governança;
  • Pessoas engajadas na vida comunitária e na atuação cívica local.

Esta é uma ação de fortalecimento do ecossistema de investimento social comunitário nos territórios, conduzida pelo TT em articulação com as FICs.

A formação é destinada prioritariamente a pessoas vinculadas aos territórios de atuação das FICs do Programa Transformando Territórios. No momento da inscrição, será necessário indicar a FIC e o território de vínculo.

Se você atua ou vive em um dos territórios participantes, procure a FIC local para saber como se inscrever.

Atividade no Fundo Mboi, em São Paulo, em outubro de 2025 com as lideranças das FICs participantes do Transformando Territórios

Retrospectiva IDIS 2025: esperançamos e realizamos!

Todos os dias, trabalhamos para promover um futuro melhor para esta e para as próximas gerações. Sonhamos, planejamos, agimos, monitoramos e avaliamos impactos, sempre focados em contribuir para um mundo mais justo e solidário.

Em 2025, esse compromisso se manteve firme, em mais um ano especial. O ‘esperançar’ foi o tema do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2025 e também o fio condutor que guiou nossas ações ao longo do ano. Diante da complexidade da policrise mundial, é fácil sentir-se paralisado, com o horizonte do futuro encoberto pela incerteza. Mas não se pode esperar. É preciso reacender a chama de nossa humanidade resiliente, cultivar a confiança na solidariedade e em nós mesmos. É tempo de agir, colaborar, mobilizar forças e acreditar que um mundo com mais equidade é possível. A filantropia é um farol, que aponta o caminho para novas alternativas e possibilidades, transformando esperança em movimento.

Em 2025, caminhamos com coragem, sempre esperançando.

Equipe IDIS durante a confraternização de final de ano

 

Esperançar é coisa de gente! 

Com um time de 60 profissionais, oferecemos consultoria, produzimos conhecimento e implementamos projetos de impacto, atuando em rede e apostando, sempre, na pluralidade de pontos de vista. E assim, sonhamos, planejamos escrevemos grandes histórias em 2025.

A equipe de consultoria realizou 31 projetos em áreas como planejamento estratégico, ESG, fundos patrimoniais, gestão de doações e avaliação de impacto. Mantivemos uma nota média acima de 9 na avaliação dos clientes, com um alto índice de recomendação, refletindo o compromisso com a qualidade.

Conheça as histórias aqui.

Os projetos de impacto foram ampliados. Com o apoio do Google.org e parceria técnica do Canal SabIAr, lançamos o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor. A primeira ação do programa de capacitação atraiu mais de mil organizações e a partir de 2026, vamos oferecer uma formação intensiva para 250 OSCs de todo Brasil, contribuindo para gerar exemplos positivos do uso ético e responsável da Inteligência Artificial em benefício de causas de interesse público. 

Em parceria com o Instituto MOL, fortalecemos o Compromisso 1%, o movimento de empresas protagonistas da promoção de transformações socioambientais positivas. Até agora, há 22 signatárias, entre aquelas que já têm essa prática e outras que estão comprometidas em alcançar o patamar de doação de 1% do lucro líquido em até dois anos. A iniciativa conta ainda com o apoio de Cyrela, Instituto Cyrela, PwC e RD Saúde, além de organizações do setor que integram o comitê consultivo e outras que contribuem com suas competências técnicas.

No programa Transformando Territórios, dedicado a fortalecer fundações e institutos  comunitários no Brasil, lançamos a websérie Transformando Territórios – 14 histórias reais de impacto local, protagonizadas por Fundações e Institutos Comunitários (FICs) que conectam lideranças, recursos e saberes para transformar realidades com consistência e propósito. Além disso, mais uma vez, reunimos participantes de todo o país em São Paulo para o Encontro Anual. 

Seguimos com o Juntos pela Saúde, parceria com o BNDES que destinará mais de R$ 100 milhões ao fortalecimento da saúde pública nas regiões Norte e Nordeste no período de 4 anos. A partir de doações do BNDES e outros apoiadores, o programa beneficiará 14 organizações da sociedade civil comprometidas com o atendimento de saúde para a população usuária do SUS.

A pauta de advocacy também avançou. À frente da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, conquistamos uma vitória importante: a derrubada do veto ao inciso X do artigo 26 do Projeto de Lei Complementar 68/2024, garantindo que os Fundos Patrimoniais Filantrópicos tenham o tratamento tributário adequado no novo sistema da Reforma Tributária. A conquista é fruto de uma ampla mobilização da sociedade civil, com protagonismo da Coalizão e da Aliança pelo Fortalecimento da Sociedade Civil. Em outra ocasião, o IDIS teve a oportunidade de promover um diálogo com o Ministério da Cultura e sua liderança, Margareth Menezes, sobre fundos patrimoniais filantrópicos, que resultou na a publicação da Instrução Normativa nº 26, do Ministério da Cultura, que regulamenta a captação de recursos via Lei de Incentivo à Cultura para a constituição ou ampliação de fundos patrimoniais culturais, conforme previsto na Lei nº 13.800/2019.

Ao longo do ano, lançamos 50 produtos de conhecimento diversos, incluindo relatórios como Perspectivas da Filantropia no Brasil; Caminhos para uma atuação mais estratégica e ampla da filantropia familiar brasileira, a quarta edição do Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais e a quarta edição da Pesquisa Doação Brasil, alcançando mais de 47 mil pessoas. Destaque também a realização de mais uma edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, que neste ano reuniu novamente mais de mil pessoas em formato híbrido, e a estreia do Café IDIS: filantropia em debate.

Na COP30, promovemos, junto com outros parceiros, o Dia da Filantropia, elevando o debate sobre o papel do investimento social privado no financiamento climático. Também estivemos presentes em eventos locais e globais, como a American Evaluation Conference (Kansas City, EUA), o Congresso Gife (Fortaleza), FIFE (Curitiba), Global Philanthropy Forum (São Francisco, EUA), Impact Minds da Latimpacto (Medellín, Colômbia), Philea Forum (Lisboa, Portugal), e o Seminário Internacional Ciência encontra Filantropia (São Paulo). É por meio da produção e disseminação de conteúdos como esses que chegamos a mais pessoas e avançamos em nossa missão.

 

Pessoas e diversidade

Com o crescimento dos projetos, veio também a expansão da equipe. As ações relacionadas à área de Pessoas acompanharam esse movimento: realizamos o terceiro programa de estágios, a segunda edição do programa de mentoria, demos sequência ao programa de desenvolvimento de lideranças, e teve início sua expansão para coordenadores e analistas. Demos continuidade, ainda, ao fortalecimento da rede Alumni IDIS – formada por pessoas que já trabalharam conosco e que podem seguir contribuindo para o alcance de nossa missão, mesmo à distância.

Com quatro anos de existência, o Comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão promoveu escutas, ações de letramento e a terceira edição do Censo IDIS. Entre os resultados, o mapeamento identificou que, entre a equipe, 58% se declaram brancas, 29% pretas ou pardas e 13% amarelas. Entre as ações desenvolvidas, destacam-se um treinamento realizado no Mês do Orgulho LGBTQIAP+, uma conversa entre Selma Moreira e a equipe do IDIS, além da distribuição de livros que abordam o tema.

 

Segurança para o futuro

Criado pelo IDIS, o fundo patrimonial pioneiro no fortalecimento do investimento social privado e da cultura de doação no Brasil, o Fundo de Fomento à Filantropia (FFF), alcançou a marca de R$10 milhões em patrimônio.

Desde o lançamento em 2024, o FFF já conta com quase uma centena de doadores, entre eles filantropos que contribuíram com valores expressivos, como Família Pipponzi, Armínio Fraga, José Luiz Egydio Setúbal, Luis Stuhlberger, Milu Villela, Neca Setubal, Teresa Cristina e Candido Bracher, Ticiana e Edson Queiroz. Os valores captados foram dobrados com a doação da filantropa americana Mackenzie Scott feita ao IDIS e ainda há R$ 3,3 milhões disponíveis para complementação.

Ao longo de 2025, os rendimentos do FFF viabilizaram iniciativas de produção de conhecimento e articulação relevantes para o campo do setor de impacto social, entre elas a Pesquisa Doação Brasil 2024, o estudo Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar no Brasil’, o Dia da Filantropia na COP30 e ações de advocacy pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos. Também foram apoiados projetos em parceria com outras organizações, como a plataforma Descubra Sua Causa e o Movimento por uma Cultura da Doação. Para 2026, estima-se que haverá R$ 1 milhão para destinação a novos projetos.

 

Gestão, sustentabilidade e reconhecimento

Acompanhando o crescimento do IDIS, implantamos novos processos operacionais e financeiros. Políticas internas também foram atualizadas, e realizamos um esforço consistente de mapeamento de riscos, que resultou na elaboração de uma matriz com orientações para o tratamento de cada um deles.

Uma mudança estrutural refletiu o crescimento dos últimos anos: a mudança do escritório do IDIS. Permanecemos no mesmo endereço e andar, agora com uma estrutura que oferece mais conforto e integração à equipe.

Foi um ano intenso, de muitas realizações e também de reconhecimentos! Conquistamos, mais uma vez, o selo Great Place to Work, certificação que reflete nosso compromisso em promover um ambiente de trabalho positivo, inclusivo, transparente e ético, que valoriza o bem-estar de colaboradores, fornecedores e parceiros. Pela sexta vez, fomos reconhecidos como uma das 100 Melhores ONGs do Brasil e também como a melhor ONG de filantropia / apoio a OSCs de 2025.

Débora Acioly, gerente de prospecção e parcerias, na cerimônia de entrega dos prêmios do Melhores ONGs 2025.

É sempre emocionante escrever esta retrospectiva e relembrar alguns dos principais acontecimentos do ano. Não foi fácil – nunca é -, mas foi coletivo.

QuerIDIS, conselheiros, parceiros, apoiadores, familiares e amigos: muito obrigada! Cada um de vocês é parte importante desta jornada.

Que 2026 nos traga ainda mais esperança, coragem e realizações.

Com carinho,

Paula Fabiani

Vaga de Estágio no Administrativo Financeiro

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para estudantes de administração, ciências contábeis e cursos correlatos.

Organização com mais de 26 anos de história, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social busca estagiários para integrarem sua equipe. Por meio de experiência prática, os jovens poderão aprender e se desenvolver em temas relacionados ao investimento social privado, cultura de doação e terceiro setor. Em suas atividades, apoiarão o direcionamento adequado de doações realizadas por empresas, famílias e organizações da sociedade civil (OSCs), contribuindo para diferentes causas e para impacto social positivo.

Os estagiários são responsáveis por dar suporte à execução das atividades conduzidas e apoiadas pelo IDIS, garantindo cumprimento de prazos, qualidade nos produtos desenvolvidos e serviços prestados. Leia com atenção as instruções sobre o processo de seleção e os requisitos para participação.

Para fortalecer a organização e nossa atuação, buscamos uma pessoa estagiária na área administrativa financeira.

Acesse a vaga na 99jobs e inscreva-se

RESPONSABILIDADES e oportunidades

  • Validar a autenticidade de notas fiscais em prefeituras e sites governamentais (online);
  • Verificar a prestação de contas de projetos (análise de linhas de despesas, rubricas e saldo orçamentário);
  • Auxiliar nos checks e dashboards do sistema;
  • Apoiar a equipe nas tarefas diárias.

requisitos

  • Cursando Ciências Contábeis, Administração ou outros cursos correlatas;
  • Familiaridade com ferramentas financeiras;
  • Compreensão dos princípios básicos e financeiros;
  • Conhecimento intermediário em Excel;
  • Desenvolvimento de responsabilidade: Cumprimento de prazos e entregas conforme cronograma.
  • Comunicação Eficiente: Transmitir informações de forma clara e concisa.
  • Sinceridade: Ser sincero consigo e pedir ajudar quando for necessário.
  • Trabalho em Equipe: Colaborar com colegas e gestores.
  • Adaptabilidade: Flexibilidade diante de mudanças.
  • Ética Profissional: Integridade e honra.
  • Empatia: Compreender necessidades das partes interessadas.

diferenciais

  • Contato com algum ERP.
  • Conhecimentos em Departamento pessoal.

BENEFÍCIOS

  • Bolsa auxílio: R$ 1.650,00
  • Vale-transporte
  • Vale Alimentação e refeição
  • Seguro de vida
  • Credencial plena do Sesc
  • Day off de aniversário
  • TotalPass
  • Tipo de trabalho – Híbrido

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até  19 de dezembro.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

 

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimentoconsultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

          

IDIS organiza delegação brasileira para o Global Philanthropy Forum 2026

O Global Philanthropy Forum 2026 acontecerá entre os dias 18 e 20 de março em São Francisco, Califórnia, e contará, mais uma vez, com a tradicional delegação brasileira organizada e liderada pelo IDIS. Como parceiros do evento, o IDIS anualmente organiza a viagem, fortalecendo o relacionamento entre os participantes e com a comunidade filantrópica global. Além disso, participantes dessa delegação recebem o benefício de compra do ingresso para o evento com desconto.

A cada ano, o evento reúne mais de 250 líderes, tomadores de decisão e agentes de mudança da filantropia global e setores afins — representando, segundo a organização, mais de US$ 480 bilhões em ativos filantrópicos. Em 2026, o grupo se reúne para dois dias de programação sob o tema ‘Arquitetando o Futuro: Sistemas Operacionais para uma Nova Era da Filantropia’, 

Em 2025, a delegação brasileira teve destaque no evento, com quatro palestrantes e 32 participantes contribuindo ativamente com perspectivas diversas do panorama filantrópico do Brasil. Nesse mesmo sentido, muitos participantes do Sul Global – da Índia, Paquistão, América Latina e países africanos – trouxeram mensagens de otimismo sobre o desenvolvimento de parcerias com múltiplos stakeholders em seus países, onde a incerteza e a adaptação fazem parte da vida cotidiana há décadas.

Tem interesse em participar da delegação de 2026?
Entre em contato conosco através de guilhermes@idis.org.br. 

Novas informações serão divulgadas aos interessados em breve.

IDIS na COP30: o papel da filantropia frente à crise climática

O IDIS marcou presença na 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas com quatro representantes: Paula Fabiani, CEO do IDIS; Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias; Luisa Lima, gerente de comunicação e conhecimento; e Marcelo Modesto, gerente de consultoria na área ESG. Eles participaram de dezenas de eventos e debates relacionados ao enfrentamento às mudanças climáticas e justiça social.

Paula Fabiani também esteve presente na Blue Zone, espaço onde ocorrem as negociações oficiais e as plenárias da Cúpula dos Líderes. Ela também participou de um encontro

O time também esteve presente em debates diversos que foram desde mecanismos de mercado financeiro para enfrentar os desafios climáticos, como no World Climate Summit & Investment, até encontros com organizações da sociedade civil, como Casa IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e PSA – Projeto Saúde e Alegria, que trouxeram a voz dos territórios e das comunidades.

DIA DA FILANTROPIA

Entre os destaques está a realização do Dia da Filantropia, evento paralelo à COP30, organizado conjuntamente por CAF – Charities Aid Foudation, GIFE, IDIS, Sitawi, Latimpacto e WINGS, com apoio da RD Saúde. O encontro reuniu quase 150 pessoas, entre representantes de OSCs, investidores sociais, empresas, redes e poder público.

Ao longo do evento, os debates giraram em torno de como a filantropia pode ser uma alavanca estratégica para enfrentar desafios estruturais, como pobreza, acesso à saúde, educação e proteção de direitos, sem perder de vista a urgência climática e a centralidade da Amazônia nesse contexto. Em diferentes falas, os participantes ressaltaram que não se trata apenas de ampliar recursos, mas de qualificar a forma como eles são investidos, com foco em impacto de longo prazo e fortalecimento de organizações locais.

“A experiência desse evento com tantos parceiros mostrou uma enorme potência de compartilhamento de saberes e redes. Foi uma tarde de lembrança constante de que ainda temos um enorme trabalho pela frente, mas também inúmeras possibilidades de evolução”, ressalta Paula Fabiani, CEO do IDIS.

 

PÓS COP-30

A COP30 trouxe discussões importantes e também evidenciou lacunas no debate sobre financiamento e filantropia para o clima.

Agora, a Sitawi Finanças do Bem, IDIS, GIFE e Latimpacto se reúnem para compartilhar uma análise conjunta: o que foi debatido nos espaços oficiais e eventos paralelos, quais temas ganharam força, o que poderia ter avançado mais e os principais aprendizados do Dia da Filantropia, o evento que promovemos em Belém durante a COP30.

Não perca o nosso evento “Pós COP-30: tendências e próximos passos na filantropia pelo clima” que acontece no dia 9 de dezembro, gratuitamente, ao vivo pelo Zoom.

INSCREVA-SE CLICANDO AQUI

Quando o poder muda de mãos: o que a American Evaluation Association 2025 revelou sobre o futuro da avaliação

Decolonização, equidade e resiliência na transformação da prática avaliativa

Por Denise Carvalho e Daniel Barretti, Diretora e Gerente de Monitoramento e Avaliação do IDIS, respectivamente

A Conferência da American Evaluation Association (AEA) 2025, realizada em Kansas City, nos Estados Unidos, de 10 a 14 de novembro, reuniu mais de 2.000 profissionais da avaliação sob o tema “Engaging Community, Sharing Leadership” (“engajando a comunidade, compartilhando a liderança”, em tradução livre).

Foram mais três dias de conferência entre plenárias e sessões temáticas, versando sobre conceitos, teorias, métodos e causas das mais diversas no campo da avaliação. O IDIS esteve presente no evento com a participação de Denise Carvalho, diretora de Monitoramento e Avaliação, e Daniel Barretti, gerente de Monitoramento e Avaliação. A participação não foi apenas uma busca por atualização, mas uma imersão em discussões que ressoam profundamente com os desafios reais que enfrentamos na prática diária.

A conferência contou com uma extensa programação, a começar por diversos workshops profissionais. O workshop de dois dias, liderado por Charmagne Campbell, gerente de Insights de Dados e Testes de Operações Centrais do UK Health Security Agency, e Michael Q. Patton, membro da American Evaluation Association, por exemplo, foi voltado ao desenvolvimento de avaliações de base comunitária, liderança compartilhada e princípios de engajamento.

 

Eixos de transformação na avaliação

Longe de ser um evento de celebração de consensos, a conferência revelou uma profissão em um ponto de inflexão, confrontada com crises de financiamento, burnout de equipes e a urgência de redefinir seu propósito e suas ferramentas. As sessões que acompanhamos, desde plenárias a painéis específicos, delinearam um caminho de transformação que, em nossa análise, se articula em cinco eixos interconectados: a decolonização da avaliação; a operacionalização da equidade; a construção de resiliência institucional em contextos de incerteza; o uso da arte e da criatividade, e de modelos qualitativos, como instrumento de revelação; e a emergência do financiamento climático como um novo e crucial domínio.

A decolonização da avaliação foi abordada como um pilar fundamental, não de maneira abstrata, mas como uma demanda ética e prática para a profissão. As discussões aprofundaram a crítica às abordagens avaliativas convencionais, muitas vezes enraizadas em epistemologias ocidentais que perpetuam vieses e excluem saberes indígenas e locais. Além disso, foi ressaltada a necessidade de questionarmos quem define o sucesso, quem se beneficia da informação e, crucialmente, quem detém o poder na relação avaliador–avaliado.

Na sessão “Engaging Communities and Sharing Power in Decolonizing Evaluation” (“engajando comunidades e compartilhando poder na avaliação decolonial”, em tradução livre), foram apresentados os “12 Princípios da Decolonização” como um guia para desmantelar essas estruturas, focando aspectos epistemológicos, práticos e éticos, como a soberania comunitária e a reflexividade. No entanto, a conferência não se esquivou das tensões: como honrar a soberania de uma comunidade quando o financiamento do projeto vem de um fundo externo, com seus próprios indicadores e expectativas? A mesma sessão também articulou essa desconexão, mostrando que fundos e comunidades frequentemente vivem em mundos diferentes, com o primeiro vendo “beneficiários” e o segundo sentindo “decisões impostas”. A decolonização, portanto, exige uma redistribuição radical de poder, que se manifesta, por exemplo, na alocação de orçamento para o “tempo comunitário” e na flexibilidade para que as comunidades cocriem os designs avaliativos.

É nesse ponto que a equidade operacionalizada se torna indispensável. A decolonização, para ser mais do que retórica, precisa de ferramentas concretas que traduzam princípios em prática. O Equitable Evaluation Toolkit, desenvolvido pela Ecotrust em parceria com a consultora Imani Austin, foi um dos destaques nesse sentido. Após anos de reflexão sobre como a avaliação tradicional reproduzia desigualdades, a Ecotrust lançou um conjunto de seis ferramentas que permitem integrar a equidade em cada etapa do processo avaliativo. Entre elas, destacou-se o “Activity Budget”, uma inovação que destina uma linha orçamentária explícita para o “tempo comunitário”, reconhecendo o valor do engajamento e da participação. Ferramentas como o “Equity Lens” (um conjunto de perguntas reflexivas) e o “Partner Engagement Questions” (para envolver parceiros no desenho) também foram apresentadas, com exemplos práticos de sua aplicação em projetos como Indigenous Agroforestry Network e Green Workforce Academy. A Ecotrust demonstrou que a equidade não é um checklist, mas um processo contínuo de aprendizado, que exige transparência e realismo sobre as limitações, mas que, em última instância, constrói confiança e legitimidade.

No entanto, a implementação de práticas decolonizadas e equitativas exige uma base institucional sólida, o que nos leva ao terceiro eixo: a avaliação em contextos de incerteza e a construção de resiliência. As experiências do LSU Social Research Evaluation Center e do University of Mississippi Center for Research Evaluation foram um alerta para a fragilidade da profissão. Ambas as instituições enfrentam a descontinuação simultânea de múltiplos projetos federais (como o Fuel Louisiana, ameaçado por cortes da NSF), demissões e um impacto significativo na moral da equipe. A pergunta central era: como planejar e conduzir avaliações quando não se sabe se um programa existirá em 12 meses? A resposta não está apenas em “ter um plano B”, mas em construir uma capacidade institucional de sentir múltiplos futuros e se adaptar. Aqui, o foresight, ou a antecipação estratégica, mostrou-se crucial. Longe de ser uma tentativa de prever o futuro, o foresight é uma abordagem para preparar-se para múltiplos cenários, identificando sinais fracos de mudança e desenvolvendo planos de contingência. A LSU e a University of Mississippi, por exemplo, estão diversificando ativamente suas fontes de financiamento e simplificando processos para sobreviver.

A complexidade dos contextos atuais, marcada por incertezas e pela necessidade de decolonizar e promover equidade, também exige que a avaliação vá além das métricas tradicionais. A arte, como instrumento de revelação, emergiu como o quarto eixo de transformação. As sessões sobre o tema argumentaram que, muitas vezes, quanto mais quantificamos, menos vemos. As métricas, embora essenciais, podem ocultar verdades, nuances e significados que são essenciais para uma compreensão completa do impacto. Exemplos históricos, como as fotografias de Dorothea Lange e Gordon Parks, ou as visualizações de dados de Du Bois, foram citados para ilustrar como a arte pode desafiar narrativas dominantes e revelar o que os números não contam. A arte permite valorizar os near wins – aqueles quase-sucessos que, embora não atinjam as metas quantitativas, geram aprendizado e transformação qualitativa. Em um cenário de cortes de financiamento, a arte pode ser uma ferramenta poderosa para comunicar o valor de um projeto que “falhou” em termos de métricas, mas cultivou capacidades locais e aspirações comunitárias. A arte, assim como a decolonização e a equidade, desafia a cultura de especialistas e expande as perspectivas, valorizando saberes e expressões marginalizadas.

Além da arte como instrumento que transcende as métricas quantitativas, vale ressaltar o olhar para abordagens mais qualitativas, mais acessíveis e que, portanto, possibilitam maior engajamento das partes e maior equidade nas práticas avaliativas.

Um exemplo é uma abordagem avaliativa apresentada por Marcia Mundt, da Northeastern University, financiada pela USAID e testada entre 2023 e 2025, que visou avaliar a efetividade da assistência internacional americana em iniciativas promotoras da participação feminina na política, na formação de coligações multipartidárias e na integridade de processos eleitorais. A metodologia prevê a estruturação de uma cadeia de causalidade, articulando inputs, outputs e efeitos de curto, médio e longo prazo. A cadeia de causalidade é traduzida em questionários aplicados três vezes ao ano ao longo de dois anos. A chave metodológica está em captar, de maneira mais precisa, até onde, na cadeia de causalidade, a iniciativa chega ou, em outras palavras, quais os elos fortes e frágeis da cadeia, de modo a propiciar ações mais direcionadas e assertivas para a maximização dos impactos positivos de determinada intervenção.

Em outro case, a organização da sociedade civil Education Training Research trouxe um conjunto de seis estratégias que visam à promoção de avaliadores culturalmente responsivos e, consequentemente, de uma prática avaliativa mais equitativa e representativa de espectros populacionais historicamente marginalizados. A ideia central é que a constituição de um time de avaliadores diversos e preparados para lidar com a complexidade, a incerteza e a diversidade do mundo atual se reflita nos resultados almejados e alcançados de uma avaliação. Em suma, o conjunto de seis estratégias proposto passa pelo avaliador compreender-se como um sujeito ativo no processo avaliativo e que, portanto, invariavelmente exerce influência sobre o processo e os resultados de uma avaliação. Isso posto, as estratégias visam compreender justamente qual o perfil do avaliador e seu grau de ingerência, combinados gerenciais, tais como transparência, mecanismos de valorização, possibilidades de engajamento, envolvimento e reconhecimento da equipe; incorporação de contextualização e criticidade como parte da identificação dos impactos gerados, tais como fatores individuais, físicos e relações de poder como fontes geradoras de mudança para além da intervenção; e, por fim, a adoção de práticas regulares garantidoras das estratégias precedentes.

Finalmente, todos esses temas convergem no domínio emergente do financiamento climático, o quinto eixo de discussão. A urgência da crise climática exige um volume massivo de financiamento, muito além do que a filantropia pode oferecer. O capital privado, com seus trilhões de dólares em ativos, é essencial, mas enfrenta uma lacuna crítica: a falta de expertise em Impact Measurement & Management (IMM). O Climate SMILE Playbook, em desenvolvimento pelo Bezos Earth Fund (com contribuições da Rockefeller Foundation e da BHP Foundation), foi apresentado como uma solução para democratizar o acesso ao financiamento climático, fornecendo um framework para investidores que buscam impacto climático. O playbook reconhece que a avaliação climática não é “mais do mesmo”; ela exige um paradigma diferente, que não apenas meça a redução de emissões, mas que prepare para uma transição justa e comunique o risco climático de forma prospectiva (integrando, portanto, foresight). A “transição justa”, um conceito central no financiamento climático, conecta diretamente com a decolonização e a equidade, pois reconhece que a descarbonização afeta desproporcionalmente comunidades pobres e marginalizadas, exigindo diálogo, redistribuição e decisão compartilhada. Assim, o clima se torna um integrador poderoso, exigindo que a avaliação incorpore todos os eixos de transformação discutidos na conferência.

A plenária de encerramento nos convocou a refletir sobre como gerar significado para as comunidades beneficiárias a partir das avaliações, como questionar sistemas de opressão e refletir sobre nossas próprias suposições e práticas, na perspectiva de não sermos somente operadores da avaliação, mas também aprendizes, ouvintes e cocriadores de novas abordagens.

A Conferência da AEA, portanto, não ofereceu soluções fáceis, mas um convite à reflexão profunda e à ação corajosa. Decolonização requer equidade operacionalizada, que, por sua vez, exige resiliência institucional. A resiliência é fortalecida pelo foresight, que nos ajuda a navegar a volatilidade, enquanto a arte revela os significados que as métricas ocidentais ocultam. E o clima, como um desafio global e integrador, demanda a aplicação de todos esses princípios. É um chamado à realização de uma “auditoria de poder” nas avaliações conduzidas, a pensar a adaptação e a aplicação de novas ferramentas, a desenvolver cenários de futuro e a explorar como a arte pode nos ajudar a comunicar o valor de near wins. A verdadeira transformação não acontece em plenárias, mas nas conversas difíceis, nos orçamentos renegociados e na coragem de implementar, mesmo com imperfeições, os princípios de uma avaliação verdadeiramente engajada com a comunidade e com a liderança compartilhada.

Vem aí ‘Dia de Doar 2025’: participe e doe para o Fundo de Fomento à Filantropia

Desde 2013, acontece o Dia de Doar no Brasil, e neste ano, a 12ª edição será no dia 2 de dezembro. O objetivo é incentivar o país a ser mais generoso e solidário, mobilizando pessoas físicas, empresas e campanhas comunitárias para arrecadar recursos e aumentar o impacto positivo das organizações do terceiro setor.

O movimento desempenha um papel fundamental ao mostrar que todos podem participar, fortalecendo a cultura da doação no cotidiano das pessoas.

Neste ano, convidamos você a contribuir para o Fundo de Fomento à Filantropia. Ao doar, você apoia o contínuo fortalecimento do investimento social privado e da cultura de doação no Brasil.

Os rendimentos do fundo patrimonial são revertidos em impactos positivos e concretos para a sociedade, sendo utilizados para o fortalecimento da filantropia e da cultura de doação, por meio de pesquisas, campanhas e outras ações; para advocacy por um ambiente regulatório mais favorável ao terceiro setor; para a promoção de publicações e eventos, como o Fórum de Filantropos e Investidores Sociais; e para a articulação de atores e parcerias para o desenvolvimento do setor, incluindo os endowments criados e a Coalizão. Além disso, os recursos também são utilizados para catalisar iniciativas estruturantes que multipliquem o Investimento Social Privado (ISP) e ampliem seu impacto, entre outras atividades.

Cada doação contribui para o fortalecimento da sociedade civil e para a redução das desigualdades no Brasil, em uma causa que não é apenas nossa, mas de todo o setor. Venha com a gente!

Faça sua doação e saiba mais sobre o Fundo de Fomento à Filantropia:

Conheça também outros fundos patrimoniais que recebem doações de pessoas físicas.

Territórios em conexão: intercâmbios fortalecendo fundações e institutos comunitários no Brasil e no mundo 

É no território que o conhecimento ganha corpo e sentido: cada experiência, cada encontro e cada gesto coletivo se transformam em aprendizagens vivas, que não apenas ajudam a solucionar desafios locais, mas inspiram novas formas de pensar e agir no mundo. É nessa perspectiva que o Programa Transformando Territórios (TT) atua, fortalecendo e apoiando as Fundações e Institutos Comunitários (FICs) de base territorial no Brasil. Durante o ciclo do programa de 2024 e 2025, uma das principais estratégias adotadas pelo TT foi incentivar intercâmbios entre FICs participantes e com organizações estrangeiras. Ao todo, foram realizados 6 intercâmbios que envolveram 10 organizações e mais de 30 lideranças, em 4 países e 7 estados brasileiros.

 

Entre as premissas está a criação de um ambiente fértil para que essas organizações floresçam e aprendam continuamente. Nesse caminho, os intercâmbios se revelam como uma estratégia potente de desenvolvimento: ao conectar diferentes FICs no Brasil e no mundo, permitem que cada uma reconheça em si e no outro novas formas de avançar, traduzindo experiências em aprendizagens coletivas que ressoam para muito além do território visitado. A prática da troca amplia repertórios, provoca reflexões e gera a confiança necessária para que o aprendizado se transforme em ação concreta, fortalecendo tanto as organizações quanto o ecossistema da filantropia comunitária territorial.

Em 2025, o Programa Transformando Territórios participou de um intercâmbio com a Comunidad de Organizaciones Solidarias (COS), apoiado pelo Connecting Communities in the Americas (CCA). Paralelamente ,acompanhamos algumas FICs do programa em processos de intercâmbio,  também viabilizados pelo CCA. Esse movimento acontece em um momento especial de fortalecimento das trocas e aprendizagens dentro do coletivo de FICs, que tem se tornado cada vez mais participativo por meio de grupos de trabalho e iniciativas conjuntas. Nesse contexto, apenas no primeiro semestre, realizamos quatro intercâmbios entre organizações do grupo e, além disso, promovemos um encontro presencial de lideranças do TT na FEAV (Fórum de Entidades Assistenciais de Valinhos) em Valinhos, interior de São Paulo, um marco simbólico para o coletivo, por acontecer justamente no território de uma das próprias FICs. 

O “arrumar a casa” – antes e depois do encontro

Assim como quem se prepara para receber uma visita querida, os intercâmbios mobilizam as organizações anfitriãs a revisitar as próprias práticas e repensar o que desejam compartilhar com terceiros. Esse movimento de “arrumar a casa” vai muito além da logística: torna-se um momento de autoavaliação, em que as organizações revisitam apresentações institucionais, organizam documentos e práticas e promovem a aproximação de grupos do território em novas combinações e olhares compartilhados. Esses gestos, que parecem simples, têm efeitos profundos e duradouros: fortalecem a identidade institucional, ampliam a articulação comunitária e geram aprendizados que continuam reverberando mesmo após a despedida dos visitantes, contribuindo de forma concreta para o desenvolvimento da organização.

Fundação Comunitária de Cajamarca em Maceió 

 

Carlos Jorge, presidente da Mundaú Mundo, participou do intercâmbio do CCA com a Fundación Comunitária de Cajamarca, no Peru, e também da visita ao Instituto Comunitário de Sergipe (ICOSE), dentro do intercâmbio triplo de FICs apoiado pelo CCA. Para ele, essas experiências fazem as organizações ressignificarem o próprio papel no território e despertarem um olhar renovado para as oportunidades já presentes no ecossistema das FICs. O relato dele evidencia como os intercâmbios funcionam como uma ação estratégica de fortalecimento institucional: ao praticar a alteridade, as organizações não apenas aprendem com o outro, mas também se enxergam de maneira mais nítida, reconhecendo potencialidades e fragilidades, e transformando esse processo em motor de desenvolvimento.


“Com as trocas de aprendizagem que a CCA conseguiu oferecer a 36 organizações em 9 países, vemos um ecossistema crescente e interconectado que pode superar os desafios que trabalhar sozinho não consegue. Tem sido incrível ouvir as histórias de como os líderes comunitários estão inspirando uns aos outros e compartilhando estratégias e ferramentas para que cada um trabalhe de forma mais eficaz em seu próprio território.”, comenta Lisa Schalla, Diretora de Projetos do Connecting Communities in the Americas Connecting Communities in the Americas

 

Ao receber a visita do programa Coterráneos (Chile), a equipe do TT realizou a primeira visita ao Fundo Comunitário Perifasul M’Boi, após a aprovação do novo estatuto que formalizou essa FIC como uma organização independente. Esse marco, foi simbólico não apenas pela conquista institucional, mas também por possibilitar que o Coterráneos conhecesse de perto um território de São Paulo conduzido por uma FIC recém-constituída e relacionasse essa vivência ao processo que estão desenvolvendo com as FICs do Chile. 

Equipe da Coteráneos em visita ao Fundo Comunitário Perifasul M’boi

Outro marco relevante ocorreu em Paraty, quando o Instituto Comunitário de Paraty (ICP) recebeu a equipe da Fundacíon Punta de Mita. A visita coincidiu com a Festa do Divino, celebração profundamente enraizada na cultura local, e ganhou força ao envolver a comunidade em uma gincana tradicional, criando um espaço genuíno de troca entre organizações e comunidade. Para o recém-formalizado ICP, foi a oportunidade de se mostrar à cidade, afirmar  a identidade local e fortalecer o reconhecimento junto a diferentes atores sociais.

 

Territórios e diálogos

A diversidade da América Latina e a singularidade que cada FIC nos levaram à expressão: “conheça uma FIC e você terá conhecido apenas uma FIC”. Essa variedade é, na verdade, fonte de riqueza e potência. A multiplicidade de histórias e contextos, somada a desafios comuns e a semelhanças nos cenários políticos e econômicos, torna os intercâmbios ainda mais valiosos. Eles celebram a diversidade dos territórios e, ao mesmo tempo, constroem pontes de aprendizagem que inspiram, aproximam realidades e abrem caminho para a circulação de saberes locais e a criação de novas tecnologias sociais.

 

“A participação de FICs em iniciativas como essa é essencial. Muitas vezes, o trabalho cotidiano nos coloca em um ritmo intenso, que nos distancia do olhar estratégico e da troca genuína. Intercâmbios como o do CCA nos tiram desse modo automático e nos lembram que há muito a aprender com quem está do outro lado da ponte. Eles nos renovam, nos provocam e nos conectam — como organizações e como pessoas”, compartilhou  Cristine Lenz, do ICOSE.

 

Como aponta Cristine, sair do ritmo acelerado e adotar uma nova perspectiva nos convida a vivenciar aprendizados transformadores, capazes de impactar a forma como as organizações atuam. Em outros territórios, encontramos organizações que, mesmo em contextos distintos, enfrentam dilemas semelhantes e nos inspiram a enxergar soluções novas e a ressignificar nossos próprios desafios.

 

Aprendizagens que transformam

Chamamos os intercâmbios de metodologia porque eles não acontecem de forma casual: são pensados e praticados como um processo estruturado que integra preparação, vivência e sistematização de aprendizados. Essa intencionalidade transforma encontros em conhecimento aplicado, fortalecendo tanto cada organização individualmente quanto o ecossistema das FICs como um todo. 

O que essa trajetória nos mostra é que os intercâmbios se consolidam como uma estratégia de fortalecimento, pois reúnem, em um mesmo movimento, a oportunidade de olhar para dentro e de abrir-se ao novo. Ao preparar-se para receber ou visitar outra organização, as FICs revisitam práticas, organizam informações e refletem sobre sua atuação no território. No contato com outras realidades, exercitam a alteridade, reconhecendo semelhanças e diferenças que inspiram soluções criativas e adaptadas a cada contexto.

Equipes do ICOSE, FEAV, Mundaú e FUNDAES em intercâmbio em Sergipe, onde está localizada o ICOSE

Esse processo inaugura ciclos de aprendizagem contínua, que vão além do momento da troca e se desdobram em mudanças concretas na gestão e na relação com a comunidade. Mais do que uma atividade, os intercâmbios configuram-se como um caminho de desenvolvimento organizacional de alto impacto e baixo custo, capaz de ampliar repertórios, fortalecer identidades e transformar a diversidade dos territórios em potência de aprendizagem coletiva.

Ao promover inovações em rede, fortalecer relações, abrir novos olhares e estimular a circulação de saberes locais, os intercâmbios revelam que, quando territórios aprendem juntos, enraízam conhecimento, inspiram inovação e constroem o futuro que o Programa Transformando Territórios acredita ser possível.

Por Carla Irrazabal e Rosana Ferraiuolo, analista e gerente do programa Transformando Territórios

 

IDIS é reconhecido entre as 100 Melhores ONGs do Brasil e melhor ONG de Filantropia

Boas práticas de gestão são decisivas para que organizações sociais ampliem o impacto nas causas que defendem. É isso que o Prêmio Melhores ONGs reconhece ao avaliar governança, transparência, sustentabilidade financeira, comunicação e gestão das organizações de todo o país. O IDIS recebeu, pela terceira vez, o título de melhor ONG de Filantropia, Voluntariado e Apoio a Organizações da Sociedade Civil do Brasil. Além do prêmio na categoria especial, pelo sexto ano, o IDIS também foi reconhecido como uma das 100 melhores ONGs.

“Chegar pela sexta vez à lista das Melhores ONGs é um marco que reforça nossa responsabilidade com o ecossistema da filantropia no Brasil. Cada reconhecimento é um incentivo para seguirmos aprimorando nossa gestão e entregando mais impacto por meio do investimento social privado”, afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Débora Acioly, gerente de prospecção e parcerias, na cerimônia de entrega dos prêmios do Melhores ONGs 2025.

Ao longo do ano, o IDIS tem realizado diversos investimentos para fortalecer o Instituto e seus projetos. Entre os resultados, destacam-se o monitoramento constante de indicadores, o investimento em plataformas de gestão e o aumento no treinamento e desenvolvimento da equipe. Isso resultou na ampliação dos projetos de consultoria com novos clientes, além do fortalecimento do relacionamento com aqueles que já eram parceiros; no fortalecimento de iniciativas de impacto, como Advocacy pelos Fundos PatrimoniaisTransformando TerritóriosJuntos pela Saúde, Compromisso 1% e IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor; na continuidade do Fundo de Fomento à Filantropia; e em importantes produções no campo do conhecimento, como ‘Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2025’, ‘Caminhos para atuação mais estratégica e ampla da filantropia familiar’ e ‘Pesquisa Doação Brasil 2024’.

“Essas conquistas refletem um esforço contínuo de toda a equipe e de nossos parceiros. Temos investido em processos, tecnologia, monitoramento de indicadores e desenvolvimento de pessoas, sempre conectados à nossa missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e a mudança positiva que ele gera”, completa Paula.

Parabenizamos todas as organizações que, em diferentes causas e territórios, trabalham diariamente pelo desenvolvimento socioeconômico do Brasil e que também foram reconhecidas nesta edição do prêmio.

Confira a lista completa das 100 Melhores ONGs no site oficial do Prêmio Melhores ONGs.

Assista a premiação:

Filantropia em foco na Amazônia: evento paralelo à COP30 reúne mais de 140 pessoas em Belém

Em uma tarde dedicada a refletir sobre o papel da filantropia diante da emergência climática e das desigualdades sociais no Brasil, cerca de 140 pessoas se reuniram em Belém para um encontro paralelo à COP30, o Dia da Filantropia. Organizado pela CAF – Charities Aid Foundation, GIFE, IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, Sitawi Finanças do Bem, Latimpacto e WINGS, com o apoio da RD Saúde, o evento reuniu representantes de organizações da sociedade civil, investidores sociais, empresas, redes e iniciativas da região amazônica e de outras partes do país.

A programação contou com três painéis, com participações de especialistas nacionais e internacionais como Ilana Minev, Presidente do Conselho de Administração da Bemol; Pedro Hartung, CEO da Fundação Alana; Mark Greer, Diretor-gerente na CAF; e Anthea McLaughlin, CEO da Aliança Filantrópica Caribenha.  Além disso, houve um momento de ‘Vozes do Território’ que contou com a participação de Rose Meire Apurinã, vice-diretora do Fundo Podáali, Fundo Indígena da Amazônia Brasileira, e Francisca Gárdina Lima, coordenadora da agricultura familiar do Instituto Baixada.

Ao longo do evento, os debates giraram em torno de como a filantropia pode ser uma alavanca estratégica para enfrentar desafios estruturais, como pobreza, acesso à saúde, educação e proteção de direitos, sem perder de vista a urgência climática e a centralidade da Amazônia nesse contexto. Em diferentes falas, os participantes ressaltaram que não se trata apenas de ampliar recursos, mas de qualificar a forma como eles são investidos, com foco em impacto de longo prazo e fortalecimento de organizações locais.

Outro ponto recorrente nas discussões foi a necessidade de aproximar ainda mais os investidores sociais dos territórios. Foram compartilhadas experiências que mostram como fundos filantrópicos, parcerias intersetoriais e modelos de financiamento flexíveis podem impulsionar soluções construídas por quem vive e atua na região, respeitando saberes tradicionais e promovendo autonomia das comunidades.

Também houve destaque para a importância da transparência, da mensuração de resultados e da troca de aprendizados entre organizações. A ideia de colaboração apareceu como fio condutor: em vez de iniciativas isoladas, os participantes defenderam a construção de agendas comuns, com metas claras e espaço para experimentação, inovação social e incidência em políticas públicas.

“A experiência desse evento com tantos parceiros mostrou uma enorme potência de compartilhamento de saberes e redes. Foi uma tarde de lembrança constante de que ainda temos um enorme trabalho pela frente, mas também inúmeras possibilidades de evolução”, ressalta Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Ao final da tarde, a sensação predominante era de que a presença da filantropia na COP30, e em eventos paralelos como este, em Belém, representa uma oportunidade concreta de consolidar compromissos, ampliar conexões e fortalecer o ecossistema de investimento social privado no Brasil e na Amazônia. Mais do que um encontro pontual, o evento foi um passo a mais na construção de uma atuação filantrópica mais estratégica, colaborativa e alinhada aos desafios do nosso tempo.

PÓS COP-30

A COP30 trouxe discussões importantes e também evidenciou lacunas no debate sobre financiamento e filantropia para o clima.

Agora, a Sitawi Finanças do Bem, IDIS, GIFE e Latimpacto se reúnem para compartilhar uma análise conjunta: o que foi debatido nos espaços oficiais e eventos paralelos, quais temas ganharam força, o que poderia ter avançado mais e os principais aprendizados do Dia da Filantropia, o evento que promovemos em Belém durante a COP30.

Não perca o nosso evento “Pós COP-30: tendências e próximos passos na filantropia pelo clima” que acontece no dia 9 de dezembro, gratuitamente, ao vivo pelo Zoom.

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ICP: conectando pessoas e iniciativas pelo desenvolvimento sustentável de Paraty

Nas salas de aula de Paraty, um grupo de jovens está sendo formado para olhar com mais cuidado para o lugar onde vive. Eles se tornaram Delegados Ambientais, líderes estudantis que atuam por escolas mais sustentáveis e comunidades mais conscientes. O projeto, criado Coletivo AMA – Ativistas pelo Meio Ambiente em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, é o primeiro a receber apoio institucional e financeiro do recém-criado Instituto Comunitário Paraty (ICP). Mais do que uma ação ambiental, este é um símbolo do que o ICP busca representar: a força de um território que se transforma a partir de dentro, pela união de quem o conhece e o quer mais justo e equilibrado.

 

O trabalho do ICP se baseia em três pilares: o primeiro, articulação territorial, conecta organizações, setor produtivo, poder público, universidades, doadores e comunidade para promover o desenvolvimento local; o segundo, desenvolvimento individual e comunitário, apoia iniciativas de fortalecimento humano, social, comunitário e ambiental conforme as demandas locais; e o terceiro, partilha de conhecimento, envolve a produção e disseminação de saberes sobre o território e suas comunidades, estimulando o aprendizado coletivo.

“O ICP nasce da união de lideranças comunitárias de Paraty com o desejo coletivo de fortalecer o ecossistema socioambiental local, transformar vulnerabilidades em potência e ampliar a qualidade de vida dos que vivem no município, do centro histórico às comunidades costeiras e rurais”, destaca Andreia Estrella, assistente social, especialista em desenvolvimento comunitário e territorial sustentável, e co-diretora executiva do ICP, ao lado do biólogo e gestor ambiental Ricardo Zuppi.

No projeto “Delegados Ambientais”, a convite do Coletivo AMA, o ICP também realizou oficinas formativas com temáticas sobre liderança ambientalista, elaboração de projetos e ecologia integral. Inicialmente, 36 alunos de quatro escolas públicas receberam a formação.

Projeto “Delegados Ambientais”: a convite do Coletivo AMA e Secretaria de Educação de Paraty, o ICP realizou oficinas formativas

Em outra linha atuação, o Instituto passou a apoiar a Associação de Moradores do Saco do Mamanguá, único fiorde tropical do Brasil, na identificação de suas demandas, desafios e oportunidades. O território é formado por oito comunidades com cerca de aproximadamente 150 famílias que vivem principalmente da pesca e do turismo, e têm acesso exclusivamente por barco ou longas trilhas.

Para compreender de forma mais profunda as questões locais no Mamanguá, o ICP apoiou, em outubro deste ano, a quarta edição do “Ajuntório de Saberes” — evento que celebra a cultura caiçara e que acontece anualmente no território. O Instituto realizou a atividade “Mural dos Sonhos”, criada para oferecer à população um espaço de escuta sobre suas riquezas, desafios e sonhos, valorizando os conhecimentos e perspectivas dos próprios moradores.

“Foi um momento importante, que permitiu uma escuta mais genuína e menos institucional dos anseios da comunidade. Esse material vai orientar os próximos passos das ações locais”, explica Zuppi.

Andreia complementa: “Nessas comunidades, o uso de fossas negras (buraco no solo usado para descartar esgoto sem tratamento) é comum. Estamos começando a planejar formas de enfrentar essas demandas de saneamento básico e gestão de resíduos, estudando parcerias com poder público e iniciativa privada”.

FUNdação orientada por diagnóstico

A governança do ICP conta com um Conselho Administrativo formado por sete lideranças locais representando instituições do território, além da Diretoria Executiva e dos Conselhos Comunitário e Fiscal ainda em formação. Essa representatividade é um dos pilares das Fundações e Institutos Comunitários, conforme destaca a Carta de Princípios para FICs do IDIS:

Representadas por membros da comunidade: possuem instâncias de governança formadas por agentes e cidadãos preocupados com as questões locais que, a partir da sensibilidade e profundo conhecimento do território, são responsáveis por manter a organização, identificar temas prioritários, orientar a alocação eficaz de recursos, bem como defender os interesses da comunidade.

O embrião do ICP foi o Diagnóstico Socioeducacional de Paraty, encomendado em 2021 pela Taiama Foundation para a Tekoa Consultoria, da qual Andreia e Ricardo fazem parte, para compreender o ecossistema socioeducacional de Paraty e construir uma Teoria de Mudança voltada ao desenvolvimento sustentável e inclusivo.

O estudo apontou que Paraty possui um dos ecossistemas socioeducacionais mais ricos do estado, com cerca de 1.200 crianças e adolescentes em programas de contraturno e forte presença de coletivos culturais e ambientais. Contudo, os projetos operavam com pouca sinergia e na dependência de financiamentos pontuais. Assim, o diagnóstico defendeu a institucionalização de uma estrutura comunitária permanente, responsável por articular o território, captar recursos e garantir sustentabilidade — missão que o ICP assumiria posteriormente.

“Os desafios enfrentados pelo Instituto são proporcionais à complexidade e à riqueza do território. Um dos principais é lidar com as especificidades culturais, ambientais e sociais de Paraty, um território de meio ambiente preservado, forte vocação turística e comunidades tradicionais, assegurando que todas as ações respeitem essas singularidades e contribuam para potencializar seus modos de vida”, destaca Zuppi.

Lideranças do ICP: Andréia do Almo (membro do Conselho Administrativo), Andreia Estrella (codiretora) e Ricardo Zuppi (codiretor)

 

Em outra frente, com o objetivo de promover a profissionalização de organizações da sociedade civil de Paraty, o ICP promoveu uma oficina sobre gestão e contabilidade financeira para 15 OSCs locais. A formação gratuita, realizada em setembro deste ano em parceria com a Vargas Consultoria, abordou temas como controle financeiro, regularização fiscal e captação de recursos, fortalecendo a transparência e a eficiência das instituições.

Apesar dos desafios, as perspectivas são promissoras. A consolidação do ICP – que foi fundado oficialmente em 2024, integrando o programa Transformando Territórios, do IDIS – representa um marco para o município, que passa a contar com uma organização de base local capaz de articular atores diversos, construir redes colaborativas, promover diagnósticos e canalizar investimentos sociais alinhados às reais demandas da população.

“O programa Transformando Territórios tem nos auxiliado a articular redes de troca e ação para fortalecer o território. O ICP já nasceu, com o apoio do IDIS, como uma FIC. Não se transformou em uma, mas foi criado com essa identidade desde o início. E nossa atuação já é ampla e intensa, o que evidencia o quanto os territórios precisam dessa figura de articulação que as FICs representam”, reforça Andreia.

Paula Fabiani, CEO do IDIS, em visita ao ICP

 


Informações do Território 

  • Território de atuação: Município de Paraty/RJ
  • Nome da fundação ou instituto comunitário: Instituto Comunitário Paraty (ICP)
  • Liderança: os diretores-executivos Andreia Estrella e Ricardo Zuppi
  • População: Cerca de 45 mil habitantes, segundo o IBGE.
  • Causas prioritárias mapeadas pela FIC: Educação e juventude; meio ambiente e sustentabilidade; turismo sustentável; saneamento e saúde básica; fortalecimento e participação social; geração de emprego e renda com inclusão produtiva de impacto socioambiental.
  • Desafios regionais: Pressão imobiliária, sobrepesca, impactos das mudanças climáticas, saneamento básico, e o turismo desordenado, que afetam tanto o meio ambiente quanto a estrutura social local. Há ainda alta evasão escolar entre jovens, impulsionada por subempregos no turismo, além da falta de universidades e da dificuldade de acesso à educação superior.

 

O Instituto Comunitário Paraty integra o programa Transformando Territórios, uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social em parceria com a Mott Foundation e apoio do Movimento Bem Maior, para fomentar a criação e o fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil.

 

Quer saber mais sobre o ICP? Acesse o site.

Para conhecer mais sobre os Princípios e características das Fundações e Institutos Comunitários, acesse a Carta de Princípios através deste link.

Saiba mais sobre o programa Transformando Territórios e como apoiá-lo.

 

1ª edição do Café IDIS: Filantropia em debate reúne representantes de empresas

No dia 4 de novembro, o IDIS realizou a primeira edição do ‘Café IDIS: Filantropia em debate’, um espaço pensado para lideranças de organizações realizarem trocas e reflexões sobre como tornar o investimento social mais estratégico, aumentando recursos e a capacidade de engajamento em sua cadeia de valor.

A nova iniciativa vem do entendimento de que investimento social privado praticado por empresas é uma importante alavanca para a transformação social. Ele vem amadurecendo no Brasil, mas o pico atingido na pandemia segue sendo um ponto fora da curva. Em um cenário em que os desafios socioambientais são evidentes, é preciso continuar estimulando o crescimento do volume de recursos destinados ao investimento social, seu uso mais estratégico para enfrentar problemas estruturais.

A primeira edição reuniu cerca de 35 lideranças ao longo da manhã que contou com apresentações de estudos e pesquisas, além de debates.

Abrindo a programação, Lyana Latorre, vice-presidente da Fundação Rockefeller para a América Latina e o Caribe apresentou os resultados do estudo inédito da Rockefeller Foundation,Cinco agendas para ativar a transformação do setor filantrópico na América Latina e no Caribe, que traz uma agenda coletiva para o setor a partir da consulta com 70 lideranças da região.

O estudo conclui que as doações filantrópicas são muito menores do que em outras partes do mundo, mesmo que as necessidades continuem crescendo.

No entanto, segundo os autores, a filantropia na América Latina e no Caribe tem o potencial de mobilizar mais de US$ 5 bilhões por ano, caso seja ativado apenas 1% da riqueza privada da região – valor comparável ao total da ajuda internacional atualmente recebida.

“A América Latina e o Caribe têm um potencial filantrópico enorme, mas ainda não ativado. Precisamos de uma filantropia que vá além das soluções temporárias e trabalhe por mudanças estruturais e sustentáveis”, afirmou Lyana Latorre, vice-presidente da Fundação Rockefeller para a América Latina e o Caribe.

Seguindo com a manhã, João Morais, coordenador do BISC apresentou a pesquisa Reflexões e Tendências do ISC: Caminhos para o engajamento da alta liderança empresarial no investimento social corporativo, produzida pela Comunitas a partir de Grupos Focais com as lideranças executivas da Rede BISC.

Um dos aspectos do estudo mostra que a diferença de letramento entre o social e o negócio aparece como limitante ao Investimento Social Corporativo, seja na relação com as lideranças empresariais ou mesmo com os colaboradores das empresas de forma geral.

Nesse sentido, equipes responsáveis pelo ISC podem ter um papel na mudança da cultura corporativa para o social/sustentabilidade, uma vez que a aproximação entre social e negócio traz a necessidade de uma sensibilização e letramento destes atores para o social.

Faz parte da missão do IDIS promover e desenvolver o investimento social no país e acreditamos que espaços de trocas como esse são ricos para fomentar debates e criar vínculos entre diferentes organizações e perspectivas.

Estudo apoiado pela Fundação Rockefeller propõe transformar a filantropia na América Latina e no Caribe

Um novo relatório, ‘Cinco agendas para ativar a transformação do setor filantrópico na América Latina e no Caribe’, apoiado pela Fundação Rockefeller e elaborado pela The Resource Foundation e pela Dalberg Advisors, analisa o papel atual da filantropia na região e propõe uma abordagem inovadora e local para fortalecer os resultados em comunidades e populações latino-americanas e caribenhas. O estudo conclui que as doações filantrópicas são muito menores do que em outras partes do mundo, mesmo quando as necessidades continuam crescendo.

No entanto, segundo os autores, a filantropia na América Latina e no Caribe tem o potencial de mobilizar mais de US$ 5 bilhões por ano, caso seja ativado apenas 1% da riqueza privada da região — valor comparável ao total da ajuda internacional atualmente recebida.

O estudo também identifica os principais desafios estruturais enfrentados pelo setor filantrópico, incluindo a falta de investimento estratégico e a desconfiança pública, e faz um chamado para que líderes filantrópicos repensem a forma como os recursos são geridos.

“A América Latina e o Caribe têm um potencial filantrópico enorme, mas ainda não ativado. Precisamos de uma filantropia que vá além das soluções temporárias e trabalhe por mudanças estruturais e sustentáveis”, afirmou Lyana Latorre, vice-presidente da Fundação Rockefeller para a América Latina e o Caribe.

Lyana Latorre apresenta estudo para grupo de empresas do IDIS

 

Transformando generosidade em impacto sustentável

O estudo evidencia que a cultura filantrópica na região é menos formalizada do que em outras partes do mundo. Segundo o World Giving Index, as doações privadas representam apenas 0,2% a 0,3% do PIB, bem abaixo de economias desenvolvidas como os Estados Unidos (1,5%) ou o Canadá (1%) e até 50% menores que economias comparáveis, como Indonésia ou África do Sul (ambas em torno de 0,4%).

De acordo com o BID, em sua publicação de 2024 “As complexidades da desigualdade na América Latina e no Caribe”, o contraste é ainda maior quando se considera que o 10% mais rico ganha 12 vezes mais que o 10% mais pobre. Já a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) aponta que quase 200 milhões de pessoas vivem na pobreza e 70 milhões em extrema pobreza, totalizando cerca de 270 milhões. Essa desigualdade estrutural é agravada pelos efeitos das mudanças climáticas, como mostra o Índice de Vulnerabilidade ao Financiamento Climático (CliF), que coloca oito países da região entre os mais vulneráveis do mundo, combinando exposição a eventos extremos e baixa capacidade financeira.

 

Um chamado para reforçar a confiança e ativar recursos locais

Nesse contexto, a ajuda internacional também vem sendo reduzida de forma drástica, já que muitos países estão diminuindo seus orçamentos de cooperação. Isso representa um grande desafio para a América Latina e o Caribe. Em resposta, o novo relatório destaca a necessidade urgente de fortalecer a filantropia local e regional, garantindo a continuidade de iniciativas transformadoras em benefício das comunidades.

Outro desafio importante é a falta de confiança: segundo o Latinobarómetro, apenas 27% dos latino-americanos confiam nas ONGs, o que limita a disposição de doar por canais formais. Além disso, há uma forte presença da chamada “filantropia silenciosa” ou generosidade invisível, em que muitas pessoas fazem doações diretas a comunidades ou causas locais sem que esses recursos sejam contabilizados ou articulados de forma estratégica.

Em contraste com a falta de confiança, a população da região demanda ações concretas e resultados tangíveis. De acordo com uma pesquisa recente da Fundação Rockefeller, 78% dos latino-americanos apoiam a cooperação internacional se ela demonstrar resultados efetivos, um índice superior à média global de 75%.

“Em todo o mundo, a filantropia desempenha um papel fundamental ao unir aliados, mobilizar recursos e ampliar soluções que melhoram a vida e o bem-estar das pessoas”, afirmou Elizabeth Yee, vice-presidente executiva de Programas da Fundação Rockefeller. “Com base em nossa trajetória na região, temos orgulho de acompanhar organizações filantrópicas e outros parceiros na América Latina e no Caribe na construção de um futuro mais saudável, seguro e próspero.”

 

Cinco agendas para transformar a filantropia

A partir desse diagnóstico, o estudo propõe cinco agendas estratégicas para transformar a filantropia na América Latina e no Caribe. Essas agendas surgiram de um amplo processo de escuta, desenhado com plena consciência da diversidade e complexidade do ecossistema filantrópico regional. Mais de 70 líderes da região — incluindo organizações filantrópicas, empresas, grupos da sociedade civil e atores locais — compartilharam suas perspectivas em entrevistas e grupos focais. O processo também foi alimentado pela análise de mais de 40 relatórios e estudos, garantindo uma base sólida e diversa de evidências.

1. Colaboração radical: Promover uma mudança cultural na forma como as organizações trabalham juntas. A co-investimento sem cocriação é apenas coordenação, não colaboração genuína. O estudo propõe passar de projetos isolados para alianças sustentadas, com estruturas de governança compartilhadas, metas comuns e mecanismos conjuntos de avaliação.

2. Mobilização de recursos locais: Estimular uma nova geração de doadores que enxerguem a filantropia como instrumento de transformação social, e não apenas de assistência. O desafio é ampliar as fontes de financiamento, integrar novos atores (famílias, empreendedores e empresas emergentes) e criar incentivos, tanto governamentais quanto de mercado, que facilitem a participação contínua. A realidade atual não é falta de riqueza, mas incapacidade de ativá-la.

3. Investimento com propósito: Priorizar a qualidade sobre o volume dos recursos. O estudo destaca a necessidade de desenhar investimentos mais estratégicos, que meçam o retorno em termos de impacto social, sustentabilidade e fortalecimento institucional — e não apenas em resultados imediatos. Quando os recursos são tratados como caridade, o alcance é limitado; quando são aplicados como investimento social, podem impulsionar mudanças sistêmicas.

4. Liderança local: Tratar comunidades apenas como beneficiárias cria dependência. É necessário reconhecer o conhecimento e a capacidade das comunidades para gerir seu próprio desenvolvimento, garantindo que elas sejam parceiras do processo. As agendas filantrópicas devem se adaptar às realidades territoriais, respeitar os saberes locais e construir soluções alinhadas aos contextos culturais, econômicos e ambientais de cada lugar.

5. Profissionalização do setor: fortalecer o sistema filantrópico não deve ser visto como gasto administrativo. É preciso investir em uma infraestrutura moderna, com melhores sistemas de informação, talentos especializados e mecanismos de transparência e prestação de contas que aumentem a legitimidade e a efetividade do setor.

“A filantropia na América Latina e no Caribe tem uma energia latente enorme. O capital existe, o talento também. O que precisamos agora é ativá-los com propósito, construir confiança e mostrar que investir na região não é assistencialismo, mas sim estratégia de desenvolvimento”, afirmou Beatriz Guillén, diretora executiva da The Resource Foundation.

Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil

O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil é uma iniciativa do IDIS e da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos para o acompanhamento de endowments em atividade no Brasil.

Os dados são obtidos a partir de questionários respondidos por gestores destes fundos ou por meio da consulta pública em sites ou veículos de imprensa.

A atualização é constante. Para passar a integrar o levantamento ou modificar algum dado, gestores de fundos patrimoniais podem preencher o questionário oficial. Solicite o link escrevendo para comunicacao@idis.org.br

Acesse aqui os dados disponíveis sobre os fundos patrimoniais mapeados.

O Monitor de Fundos Patrimoniais no Brasil identificou 123 fundos patrimoniais ativos, cujo patrimônio total informado é de R$ 137.733.215.491.

Acesse abaixo a planilha completa com informações sobre as causas dos fundos e também fonte da informação.

Monitor IDIS dE Fundos Patrimoniais no Brasil – levantamento completo

 

Nome 

Ano da criação

Patrimônio

Sede

Amigos da Alef Peretz Organização Gestora do Fundo Patrimonial 2021 R$ 20.219.121 SP
Associação Amigos da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) 2019 R$ 2.412.366 SP
Associação Amigos Direito UERJ 2017 R$ 349.948 RJ
Arcanjos Endowment Não informado
ASA – Associação Santo Agostinho 2018 R$ 106.000.000 SP
Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração (ACTC)
2023 R$ 25.083.611 SP
Associação Endowment Direito GV 2011 R$ 6.655.200 SP
Associação Escola Panamericana de Porto Alegre 2022 R$ 15.000.000 RS
Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários (AFESU) 2018 R$ 595.984 SP
Associação Fundo Areguá 2016 R$ 12.873.091 SP
Associação Fundo Patrimonial Amigos da Poli (Escola Politécnica da USP) 2012 R$ 63.500.00 SP
Associação Fundo Patrimonial – AXUXÊ (Faculdade de Medicina da FMABC) 2023 R$ 61.039 SP
Associação Fundo Patrimonial Patronos (Unicamp – alunos) 2020 R$ 2.500.000 SP
Associação Gestora do Fundo Patrimonial em Apoio à Faculdade de Direito da UFRGS 2021 Não informado RS
Associação Gestora do Fundo Patrimonial Endowment Chronos (USP São Carlos – comunidade) 2024 R$ 1.500.000 SP
Associação São Joaquim Não informado SP
Associação Umane 2016 R$ 1.432.342.244 SP
Fundo Baobá 2016 R$ 131.866.834 SP
C de Cultura 2017 R$ 20.833.679 SP
Casa Pequeno Mundo Não informado SP
Conecta EAUFBA (Escola de Administração da UFBA) 2022 R$ 150.000 BA
Endowment Alumni Direito Mackenzie 2022 R$ 2.000 SP
Endowment do CEAP 2018 R$ 654.178 SP
CIP – Congregação Israelita Paulista 2015 Não informado SP
Endowments do Brasil – Fundo Trans Casa Chama 2022 Não informado SP
Endowment IRM (Instituto Rodrigo Mendes) 2015 R$ 45.718.567 SP
Endowment PUC-Rio 2019 R$ 7.069.152 RJ
Endowment Sempre FEA (FEAUSP – alunos) 2020 R$ 10.200.000 SP
Fonte Endowment 2023 Não informado DF
Fundação Antonio e Helena Zerrenner INB 1936 R$ 32.711.417.000 SP
Fundação Ary Frauzino para Pesquisa e Controle do Câncer (Fundação do Câncer) 1991 R$ 65.390.000 RJ
Fundação Banco do Brasil 2008 R$ 283.628.879 DF
Fundação Bradesco 1956 R$ 91.000.000.000 SP
Fundação Carlos Chagas – FCC 1964 Não informado SP
Fundação Darcy Chagas 2020  R$6.297.772 RJ
Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá – FADEC-UEM 2024 R$ 4.576 PR
Fundação de Desenvolvimento de Tecnópolis (Funtec)  2021 R$ 186.476 GO
Fundação Dorina Nowill 2023 Não informado SP
Fundação Estudar 2018 R$ 53.164.832 SP
Fundação Fundo Brasil de Direitos Humanos 2007 R$ 45.871.106 SP
Fundação Fundo Patrimonial FEAUSP (gestores) 2015 R$ 1.622.626 SP
Fundação Gestora de Fundo Patrimonial da Universidade de São Paulo (USP) 2021 R$ 23.997.260 SP
Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza 1996 R$ 34.093.271 PR
Fundação Itaú 1988 R$ 4.184.901.000 SP
Fundação José Luiz Setúbal 2016 R$ 365.440.002 SP
Fundação Lia Maria Aguiar – FLMA 2008 R$ 680.000.000 SP
Fundação Maria Emilia Não informado BA
Fundação St. Pauls de Apoio à Educação 2021 R$ 26.147.000 SP
Fundação Tide Setubal 2010 R$ 120.732.446 SP
Fundação Uniselva 2002 R$ 681.949 MT
Fundo Amanhã (Administração UFRGS) 2022 R$ 2.809.966 RS
Fundo Apontar 2015 R$ 20.000.00 RJ
Fundo Betinho – Ação da Cidadania 2018 R$ 69.514.534 RJ
Fundo Catarina 2021 R$ 2.190.029 SC
Fundo Centenário (Escola de Engenharia da UFRGS) 2019 R$ 2.836.048 RS
Fundo Comunitário da Maré – FCDM 2021 R$ 21.496.205 RJ
Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Sociedade (Fundação Dom Cabral) 2019 R$ 40.814.047 MG
Fundo de Apoio ao Jornalismo Investigativo – F/ABRAJI  2016 Não informado SP
Fundo de Capital – Endowment – Fundação Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de SP) 2006 R$ 66.590.563 SP
Fundo de Educação Social do Instituto Elos 2021 R$ 1.590.311 SP
Fundo de Endowment do Instituto Líderes do Amanhã 2019 R$ 4.200.000 ES
Fundo de Fomento à Filantropia – FFF (IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) 2024 R$ 10.100.000 SP
Fundo de Sustentabilidade Financeira (FALM – Fundação André e Lúcia Maggi) 2017 R$ 20.026.888 MT
Fundo FICA 2015 R$ 150.000 SP
Fundo Figueira 1964 Não informado SP
Fundo FAS (Fundação Amazônia Sustentável) 2008 R$ 52.727.000 AM
Fundo Gerações 2008 R$ 2.646.000 RS
Fundo Helda Gerdau 2019 Não informado RS
Fundo iGMK – Instituto George Mark Klabin 1994 R$ 11.544.403 SP
Fundo Patrimonial Amigos do Hospital do Fundão (RJ) 2016 Não informado RJ
Fundo Patrimonial Amigos da Univali 2019 R$ 116.636 SC
Fundo Patrimonial Amigos do Brasil Central 2019 R$ 60.000 GO
Fundo Patrimonial Associação Projeto Gauss – FPPG 2019 R$ 5.589.899 SP
Fundo Patrimonial Augere (FMUSP) 2015 R$ 234.440 SP
Fundo Patrimonial Aventura de Construir – Já, Devagar e Sempre 2023 R$ 568.785 SP
Fundo Patrimonial BrazilFoundation 2010 R$ 1.902.133 RJ
Fundo Patrimonial da Brazil Startups 2022 R$ 10.000 DF
Fundo Patrimonial da Fundação Delfim Mendes Silveira (FDMS) – UFPel 2024 Não informado RS
Fundo Patrimonial da Fundação Grupo Volkswagen 2002 R$ 275.069.659 SP
Fundo Patrimonial da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal 1965 R$ 622.800.000 SP
Fundo Patrimonial da Fundação Romi 1999 R$ 84.000.000 SP
Fundo Patrimonial da UFC 2024 Não informado CE
Fundo Patrimonial da UNICAMP – LUMINA (Reitoria) 2020 R$ 4.557.853 SP
Fundo Patrimonial do IMS 1995 R$ 1.250.000.000 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Acaia 2016 R$ 427.935.060 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Alana 2013 R$ 461.988.062 SP
Fundo Patrimonial do Instituto Ayrton Senna 2017 R$ 153.000.000 SP
Fundo Patrimonial do Reciclar 2016 R$ 7.771.572 SP
Fundo Patrimonial Eliezer Max Não informado Não informado RJ
Fundo Patrimonial PROSPERA – Unesp 2022 R$ 1.000.000 SP
Fundo Perpetuidade SOS Mata Atlântica 2009 R$ 69.724.835 SP
Fundo Patrimonial UFV 2024 Não informado MG
Fundo Polifonia (Orquestra de Novo Hamburgo) 2025 Não informado RS
Fundo ReCivitas da Renda Básica 2020 R$ 110.000 SP
FUNSAI (Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga) 1943 R$ 135.000.000 SP
FUTURE – Fundo Territórios Unidos por Recursos para a Educação 2023 R$ 1.600.000 AM
Futurin – Funds for life (Hospital Pequeno Príncipe) 2024 R$ 3.000.000 PR
Gaia Legado 2024 R$ 75.000.000 SP
Gene – Fundo Patrimonial do IFSP (Instituto Federal de São Paulo) 2024 R$ 32.127 SP
Indeed 2023 Não informado
INSPER 2022 R$ 7.923.594 SP
Instituto Artigo 220 (Revista Piauí) 2018 R$ 440.151.294 RJ
Instituto Fundo Patrimonial Reditus (UFRJ – alunos) 2019 R$ 17.712.724 RJ
Instituto Ibirapitanga 2016 R$ 643.497.979 RJ
Instituto Jô Clemente R$ 109.361.000 SP
Instituto Merula Steagall 2022 R$ 1.588.000 SP
Instituto Serrapilheira 2016 R$ 602.034.888 RJ
Instituto Sol 2017 R$ 1.431.624 SP
Instituto Unibanco 2009 Não informado SP
IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas 2007 R$ 15.123.969 SP
ITA Endowment 2023 R$ 1.863.202 SP
Liga Solidária 2020 R$ 109.700.000 SP
MASP Endowment 2017 R$ 19.799.518 SP
Minerva Impacto 2024 RJ
Organização Gestora de Fundo Patrimonial da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês 2021 R$ 18.836.870

SP
PDR – Purpose Driven Resources 2023 R$ 72.000.000 SP
Primatera Fundo Patrimonial 2020 R$ 200.445 SP
Rio Endowment 2022 R$ 206.528 RJ
Rogério Jonas Zylbersztajn (RJZ) 2019 R$ 219.000.000 RJ
Semear 2022 R$ 18.591 MG
Sempre Sanfran (Faculdade de Direito USP – alunos) 2021 R$ 12.252.164 SP
Turim – Saúde Criança (Instituto Dara) 2008 R$ 18.382.338 RJ
WimBelemDowment – Organização Gestora de Fundo Patrimonial 2021 R$ 256.497 RS

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Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais 2024 destaca R$2,6 bilhões destinados a causas de interesse público e consolidação dos endowments no Brasil

Os fundos patrimoniais estão mais fortes do que nunca. É o que revela o Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais 2024, lançado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e pela Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos. Com 92 fundos participantes e R$139 bilhões em patrimônio total, o estudo indica a consolidação dessas estruturas como instrumentos de sustentabilidade para causas e organizações no país. O advogado e professor Heleno Torres, Chefe do Departamento de Direito Econômico, Financeiro e Tributário da Faculdade de Direito da USP, assina o prefácio.

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Também conhecidos como endowments, os fundos patrimoniais são estruturas financeiras criadas para garantir a sustentabilidade de longo prazo de causas e organizações.

“Em um cenário de consolidação dos Fundos Patrimoniais no Brasil, a série história do Anuário que inicia em 2019 traz parâmetros para a tomada de decisão de gestores”, destaca Andrea Hanai, gerente de projetos do IDIS.

A partir da gestão de um patrimônio acumulado, apenas os rendimentos são utilizados para financiar projetos sociais, ambientais, culturais, científicos ou educacionais, assegurando a perenidade das iniciativas. De acordo com o Anuário, a principal causa apoiada pelos fundos é a educação (63%), seguido por pesquisa e conhecimento (27%) e assistência social (23%).

A quarta edição da publicação traz informações sobre fluxo de caixa (patrimônio, doações recebidas, investimentos na causa); alocação e rentabilidade dos investimentos; estrutura da governança (com dados sobre a presença de membros independentes e participação feminina), investimento responsável, além de perspectivas para o futuro e artigos com análises de especialistas. Os números do estudo mostram crescimento nas captações (R$ 770 milhões, +48% vs. 2023) R$ 2,6 bilhões destinados a causas, além de um avanço na governança, com 77% dos fundos possuindo políticas de investimento formalizadas e 71% com auditoria externa.

Entretanto, os desafios persistem: mais de 80% dos endowments concentram-se em SP e RJ; ainda que apenas 22% dos fundos estejam formalmente enquadrados na Lei 13.800/19, houve aceleração da criação de fundos após este marco. Além disso, a diversidade de gênero e raça ainda é limitada com, em média, apenas 31% de mulheres e menos de 11% de pessoas pretas, pardas e indígenas (PPI), e somente 26% dos fundos possuem política de investimento responsável implementada.

Com rentabilidade média equivalente 2,19% acima da inflação e aumento do número de fundos com metas financeiras, o Anuário também mostra maior interesse em práticas ESG.

A quarta edição da publicação reforça a importância dos endowments como motores de impacto de longo prazo e contou com o apoio Master da Fundação Bradesco, Fundação Itaú e Movimento Bem Maior, além de apoio de 1618 Investimentos, ASA – Associação Santo Agostinho, Fundação Grupo Volkswagen, Fundação José Luiz Setúbal, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Mattos Filho, Pragma Gestão de Patrimônio e Wright Capital Wealth Management.

Encontro de Lideranças do Transformando Territórios promove diálogos, vivências e conexão

Iniciativa de impacto do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, em parceria com a Mott Foundation e Movimento Bem Maior, o Programa Transformando Territórios (TT) realizou mais um Encontro de Lideranças entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro, em São Paulo (SP). A atividade reuniu cerca de 40 representantes de 14 Fundações e Institutos Comunitários (FICs) de diferentes regiões do Brasil, em uma imersão marcada por trocas genuínas, aprendizados compartilhados e pelo fortalecimento de uma rede que transforma realidades e impulsiona o desenvolvimento nos territórios.

Com o propósito de aprofundar o conhecimento em governança, fortalecer a troca entre territórios e ampliar conexões com parceiros nacionais e internacionais, o encontro se consolidou como um marco na trajetória das FICs apoiadas pelo TT. Ao longo de três dias, as lideranças viveram uma jornada de aprendizado, imersão territorial e articulação com o ecossistema da filantropia brasileira.

“Em apenas 3 dias, vivemos uma maratona de trocas, aprendizados e conexões. Essa parceria com o IDIS é um marco no nosso caminho de fortalecimento e profissionalização. Juntos, seguimos potencializando as transformações geradas pelas lideranças comunitárias da Grande BH”, depoimento da Associação Nossa Cidade, integrante do Programa.

 

FORMAÇÃO DE GOVERNANÇA 

O primeiro dia do encontro foi dedicado à continuidade da Formação Avançada em Governança, promovida desde agosto em formato remoto com lideranças das organizações participantes. Com apoio do Movimento Bem Maior e da Fundação FEAC, a série de capacitações enfatizou a governança como elemento estruturante da sustentabilidade organizacional nos territórios. Os módulos 3 e 4, realizados no encontro presencial, abordaram temas como transparência, sustentabilidade e gestão participativa. O momento também contou com a participação de Selma Moreira, conselheira do IDIS, em uma roda de conversa com as lideranças comunitárias sobre os desafios e expectativas na relação da alta gestão das organizações com conselhos. 

Representantes das FICs no escritório do IDIS, em São Paulo, para realização da continuidade da formação em governança

 

IMERSÃO NO TERRITÓRIO

No segundo dia, o grupo foi recebido no território do Fundo Comunitário PerifaSul M’Boi Mirim (FCP M’Boi), na zona sul da capital paulista. A vivência teve como propósito valorizar o aprendizado experiencial a partir da prática de uma FIC atuante, além de refletir juntos sobre o caminho trilhado e sonhar, coletivamente, os próximos passos do Programa Transformando Territórios.

As lideranças conheceram de perto organizações e iniciativas locais, como a Horta Comunitária no Jardim Felicidade, a Fundação Julita, o Instituto Favela da Paz e A Banca – Negócio de Impacto da Periferia. Cada visita revelou, na prática, como o engajamento comunitário e a articulação em rede impulsionam o desenvolvimento territorial por meio de soluções que nascem e se fortalecem nos próprios territórios. O almoço no Bloco do Beco, espaço cultural da região, encerrou a manhã com um momento de integração e conexão entre os participantes.

“Trazer as FICs para dentro do M’Boi Mirim é reforçar que soluções nascem quando redes se encontram no território. Este encontro amplia conexões, escuta ativa e cooperação entre quem transforma a partir da base”, comenta Jenyffer Nascimento, Articuladora Comunitária do FCP M’Boi.

Durante a tarde, o grupo participou da Roda de Conversa ‘Territórios em Diálogo’, que reuniu parceiros nacionais do Programa Transformando Territórios e palestrantes internacionais do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, promovido pelo IDIS. Estruturada em quatro momentos (reconhecer a força, potencializar juntos, projetar futuros e cuidar da jornada) a roda inspirou reflexões profundas sobre o papel das FICs na mobilização de recursos, na sustentabilidade das iniciativas e na construção coletiva de soluções para os desafios locais. 

Entre os convidados internacionais estavam Felipe Bogotá (TerritoriA – Colômbia) e Patricia McIlreavy (Center for Disaster Philanthropy) e representantes da Tide Setúbal, Movimento Bem Maior, Semente Oré, Ernest Young e Prospera Social.

 

CONEXÃO COM A FILANTROPIA NACIONAL

O encerramento do encontro aconteceu no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, também em São Paulo. Além da presença das lideranças das organizações para acompanhar os debates sobre o tema ‘Esperançar’, houve um momento especial para o Programa: a exibição do vídeo manifesto da Websérie Transformando Territórios, além da distribuição de calendários personalizados.

Representantes das FICs no palco do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2025

“Tive a alegria de ser porta-voz desse coletivo, inspirando filantropos e investidores de todo o país com uma mensagem que traduz a nossa essência: a filantropia comunitária territorial transforma quando parte da escuta, do vínculo e da confiança. A Websérie segue sendo esse fio condutor, contando histórias que nos inspiram e reafirmam que o futuro se constrói em rede”, comenta Rosana Ferraiuolo, gerente do programa Transformando Territórios.

A Websérie foi lançada em agosto pelo IDIS, junto ao coletivo de Fundações e Institutos Comunitários, e traz histórias reais de impacto, pertencimento e protagonismo comunitário promovidos pelas FICs em diversas regiões do país. São 14 vídeos cujo mote é a transformação em cada um dos territórios das organizações participantes, passando por Manaus, São Paulo, Maceió, Porto Alegre e diversas outras cidades e regiões metropolitanas.

O Encontro de Lideranças se consolidou como um espaço de construção coletiva, inspiração e fortalecimento das redes de colaboração. Mais do que um encontro, a vivência reafirmou o compromisso do Transformando Territórios em fortalecer organizações que transformam realidades a partir do território, mostrando que a filantropia comunitária territorial é um caminho concreto e sustentável para transformar realidades e semear futuros mais justos e sustentáveis.

Esperançar em tempos de mudanças climáticas

Por Daniel Barretti, gerente de projetos no IDIS

No dia 1º de outubro, a primeira plenária da 14ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais teve como temática “Esperanças em tempo de mudanças climáticas”. O ponto de partida, apresentado por Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, foi o de que a crise climática não é um risco futuro, mas sim uma realidade que já impacta comunidades em todo o mundo.

 

Veja a sessão completa em:

 

 

Alice Amorim, diretora do programa da diretoria executiva da presidência da COP30, delineia o contexto atual como o de um “multilateralismo governamental sistematicamente confrontado”, ao passo em que vivenciamos uma crise climática que não reconhece fronteiras e que nos exige um senso de urgência. A filantropia já cumpre um importante papel no que tange as mudanças climáticas, mas tem potencial de ir além. A problemática socioambiental é transversal e a filantropia deve incorporar a questão climática como parte de sua estratégia de atuação nos mais diferentes setores tais como educação, saúde etc.

“Todo mundo que financia educação precisa pensar como a educação, seja em sua estratégia programática seja em sua estratégia mais macro, está relacionada com a mudança do clima. Tem a ver com o tipo de currículo? Tem a ver com a forma como as escolas estão adaptadas as ondas de calor?”, comentou Alice.

 

Alice complementa ainda dizendo que a filantropia, por sua capacidade de flexibilização e adaptabilidade, pode desempenhar importante papel em atuações emergenciais e inovadoras, além do fortalecimento de agenda voltada para a redução de gases de efeito estufa (GEE).

Arriscaríamos a subverter o senso comum e dizer que a crise da qual tratamos não é essencialmente climática? A provocação vem do fato de pensar que a crise é da humanidade. Nós somos a causa e nós buscamos a solução. Entretanto, Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, nos lembra de que os papeis, responsabilidades e consequências não são os mesmos.

“Quando a gente pensa naquelas pessoas no Rio Grande do Sul que perderam suas casas, equipamentos de trabalho, memórias […] e quando a gente lembra do chamamento que as autoridades fizeram num primeiro momento e diziam assim – vão para as suas casas de praia no litoral! Aquelas pessoas que estavam vivendo o mesmo externo climático, não o estavam vivendo da mesma forma”, exemplifica Viviana

 

Em suma, aqueles que historicamente se encontram em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica são os que menos possuem responsabilidade e os que mais sofrem as consequências da agudização das crises contemporâneas. Esse contexto é o que enseja o conceito de injustiça ambiental:

mecanismo pelo qual sociedades desiguais, do ponto de vista econômico e social, destinam a maior carga dos danos ambientais do desenvolvimento às populações e baixa renda, aos grupos raciais discriminados, aos povos étnicos tradicionais, as periferias urbanas, às populações marginalizadas e vulneráveis (MANIFESTO…, 2001).

Viviana fecha com a reflexão de que a filantropia possui um papel muito maior do que o financiamento de projetos. Por seu poder de fala e atuação política, a filantropia deve ser mais vocal e protagonista na transformação de que necessitamos.

Patricia McIlreavy, presidente e CEO do Center for Disaster Philathropy, encerra a mesa sob uma perspectiva que amarra e corrobora as falas precedentes, uma vez que coloca o ser humano na práxis da ideia de crise climática, quando diz que “o desastre é a vulnerabilidade ao evento e não o evento em si”.

Por fim, Patricia desdobra alguns pontos fundamentais e pragmáticos de atuação possível pela filantropia, dentre os quais: ouvir e atuar de maneira colaborativa com as comunidades; atuar em rede intersetorial; atuar de maneira preventiva aos desastres socioambientais; investir em adaptação a nova conjuntura climática; investir em ações e experiências que já existem.

 

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.


Empresas semeando transformações

Por Gabriel Bianco, gerente de projetos ESG no IDIS

Diante de crises recorrentes e desigualdades persistentes, o setor empresarial e seus veículos filantrópicos são cada vez mais convocados a atuar com intencionalidade, estratégia e compromisso de longo prazo. Enraizadas em territórios e com capilaridade para atuar em frentes diversas, iniciativas empresariais têm mostrado como é possível semear transformações e levar esperança a grupos vulnerabilizados.

Nesse contexto, realizou-se o painel “Empresas Semeando Transformações” durante o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais de 2025. O debate abordou diferentes estratégias e formatos pelos quais fundações e institutos geram impacto socioambiental positivo, contando com a participação de Fátima Lima, diretora de Sustentabilidade da MAPFRE no Brasil e representante legal da Fundación MAPFRE no Brasil; Murilo Nogueira, diretor administrativo-financeiro da Fundação Bradesco; Keyla Rodrigues, gerente de sustentabilidade da Fundação Sicredi; e mediação de Helen Pedroso, diretora de responsabilidade corporativa e direitos humanos do Grupo L’Oréal no Brasil.

 

Veja a sessão completa em:

 

Helen abriu o debate mencionando a potência de empresas que “movimentam, articulam e usam sua influência” para ajustar estratégias de negócio a uma visão mais inclusiva, sendo o investimento social privado um importante vetor para construir legado, esperança e ações concretas.

Para atingir resultados consistentes, Fátima Lima destacou que a Fundación MAPFRE se posiciona com compromissos de longo prazo com a sociedade, sustentados por um modelo de governança societária que assegura o repasse de parte do resultado operacional para ações socioambientais em temas estruturantes como educação e saúde. Ao mesmo tempo, Fátima ressaltou a importância de equilibrar projetos estratégicos com respostas a necessidades imediatas, como em crises humanitárias.

“Na crise do Rio Grande do Sul foram mobilizados quase R$ 2 milhões, 250 voluntários e 500 horas de trabalho, alcançando mais de 60 mil pessoas. Quando a ação social permeia a cultura, cresce o pertencimento e a felicidade do colaborador”, reforçou Fátima, ao explicar como o voluntariado corporativo retroalimenta a própria estratégia.

 

Na sequência, Murilo Nogueira ressaltou a centralidade de uma governança bem definida e de previsibilidade orçamentária, fatores que podem ser alcançados por meio de fundos patrimoniais. No caso da Fundação Bradesco, os recursos filantrópicos têm origem na doação de ações feita por Amador Aguiar, fundador do banco, que sonhava com a implementação de escolas do ensino infantil ao ensino médio; hoje, a Fundação atende mais de 42 mil estudantes em todo território nacional.

Para Murilo, o “esperançar” acontece quando a escola devolve o direito de sonhar: “O aluno entra conosco; muitos chegam sem a possibilidade de sonhar, sem a possibilidade de esperançar. A nossa função é educar e devolver o direito de sonhar.” A política educacional da organização também se dá na continuidade da evolução dos alunos, incluindo o EJA (Educação de Jovens e Adultos), qualificação das famílias e cursos técnicos alinhados às vocações locais — um arranjo que reduz indicadores negativos nas comunidades e fortalece o pertencimento entre colaboradores do banco. Por fim, Murilo destacou a implementação de escolas próprias, que amplia o controle pedagógico, o engajamento e a retenção de equipes, resultando em impacto social mais duradouro.

No terceiro bloco, Keyla Rodrigues apresentou o cooperativismo como infraestrutura social. A Fundação Sicredi integra um sistema com mais de 100 cooperativas e nove milhões de associados, “donos do negócio”, que deliberam sobre prioridades e investimentos comunitários. Desse arranjo emergem programas sistêmicos de longa duração — como o União Faz a Vida, há 30 anos promovendo cooperação, cidadania e protagonismo infantil — e soluções locais definidas em cada território. A combinação entre escala e territorialidade se materializa no Fundo Social, mecanismo pelo qual as cooperativas selecionam e financiam projetos do terceiro setor em suas regiões. Somente no último ano, foram mais de R$ 75 milhões; somado o portfólio do sistema, “investe-se mais de um milhão por dia” em iniciativas de impacto socioambiental.

“Nosso meio é financeiro, mas nosso fim é social. Toda cooperativa nasce para resolver um problema da comunidade”, sintetizou Keyla.

 

O painel encerrou com uma reflexão proposta por Helen, sobre o que é “esperançar” para os palestrantes. Para Murilo, trata-se de “fazer melhor e mais” diante dos desafios atuais, fortalecendo o ciclo virtuoso em que impactados voltam a impactar suas comunidades. Keyla associou esperançar a “plantar sementes de cidadania” — hoje presentes em mais de cinco mil escolas do União Faz a Vida — e acompanhar seu desenvolvimento. Fátima traduziu em atitude concreta: empoderar crianças e jovens pela educação e ver agentes comunitários surgirem dessa jornada. A mediação arrematou com um recado ao setor privado: respeitar limites planetários e transformar cadeias de valor exigem mudar o negócio e mudar processos, sem perder a dimensão territorial e humana do impacto.

A mensagem final foi clara: investimentos sociais estruturados por governança reduzem a dependência de ciclos econômicos e mantêm o foco de longo prazo; escala com territorialidade evita soluções genéricas e amplia legitimidade; cultura e engajamento, do reconhecimento ao voluntariado, criam pertencimento e novas lideranças; e indicadores simples e partilhados tornam o impacto material para quem decide e para quem é beneficiado. Em comum, Fundación MAPFRE, Fundação Bradesco e Fundação Sicredi mostraram que reduzir desigualdades requer olhar para o negócio e intencionalidade de impacto socioambiental.

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.


Reverberando impactos: a geração de valor na cadeia filantrópica

Por Yasmim Lopes, analista de projetos ESG

No contexto da Pandemia de COVID-19 um potencial foi revelado: além dos recursos financeiros, empresas podem colocar seus ativos em favor da filantropia, disponibilizando redes, recursos e capacidades em prol da solução de problemas socioambientais. O mesmo pôde ser visto no desastre climático do Rio Grande do Sul em 2024 e nas recorrentes queimadas na Amazônia.

O processo de envolvimento de diversas partes interessadas no investimento social, onde mais de um ente se mobiliza para financiar, mobilizar recursos, implementar e monitorar uma causa é chamado de cadeia filantrópica e gera valor não só para a sociedade, mas também para as empresas envolvidas.

Após as experiências desenvolvidas através da colaboração em ações emergenciais, o desafio passa a ser a estratégia continua. Como sair do modo “resposta à crise” e consolidar políticas consistentes de investimento social, capazes de sustentar mudanças estruturais nos territórios? Foi com essa provocação que a moderadora Thaís Nascimento, Coordenadora de Programas no GIFE, abriu o painel “Reverberando impactos: a geração de valor na cadeia filantrópica” durante o Fórum Brasileiro de Investidores e Filantropos Sociais 2025.

 

Veja a sessão completa em:

 

Olhar para uma causa e para o seu contexto é essencial. Aron Zylberman, diretor executivo do Instituto Cyrela, contou como a filantropia se tornou um princípio organizador da atuação social da companhia. Bebendo da fonte do “valor compartilhado”, o Instituto Cyrela atua com projetos que entregam impacto social e fazem sentido para o negócio. Na prática, isso significou olhar os bairros onde a Cyrela constrói e investir em infraestrutura educacional pública (escolas, creches, espaços de aprendizagem) em um raio próximo aos empreendimentos, sobretudo os da marca de habitação popular. Ao conectar investimento social e estratégia de negócio, a empresa também fortalece reputação e licença para operar.

“Nós ficamos pensando que o nosso tema principal é educação, que já tem muita gente muito competente, vários institutos e fundações atuando. Para que fazer a mesma coisa? O que que o pessoal não faz? O pessoal não transforma os equipamentos de educação. O ambiente físico é fundamental para o processo pedagógico, é importante ter uma sala bem iluminada, com bom ambiente, com ar- condicionado, com recursos digitais disponíveis. E aí entrou o papel do Instituto Cyrela, construir a infraestrutura” , comentou Aron.

 

Apostando também na transformação sistêmica, o Instituto Natura atua em três frentes: educação, com forte componente de política pública; direitos e saúde das mulheres; e desenvolvimento integral das consultoras de beleza. David Saad, diretor presidente do Instituto, reforçou que escala e consistência vêm de uma tese clara de transformação.

A conexão com o negócio se expressa com reputação, força de marca, engajamento de colaboradores e, sobretudo, prosperidade das consultoras, que inclusive financiam o instituto e têm um “IDH das consultoras” para orientar ações formativas que impactam seu bem-estar e renda.

“Por exemplo, no cuidado com a saúde com as mamas. Então, se a gente fizesse a pergunta que estávamos acostumados a fazer, que é ‘como eu posso ajudar?’, eu ia fazer uma campanha, ia fazer um projeto e ia fazer lá as minhas iniciativas. Como a pergunta que a gente fez foi diferente, que é ‘como a gente pode mudar o patamar da detecção precoce de câncer de mama no Brasil e, portanto, reduzir as mortes?’ , a gente teve que fazer uma estratégia muito diferente, cheia de colaboração, desenvolver com poder público, com outras organizações, e auxiliar outras organizações a trabalhar nesse tema”, explicou David.

Saad ainda aponta um desafio: Como gerar impacto social e para o negócio equilibrando o curto e o longo prazo? Segundo Saad, se o pêndulo ficar só no curto, captura-se valor comunicável e rápido, mas sem transformação social; se pender só ao longo prazo, o Instituto perde lastro com o negócio. O caminho é calibrar ambições, cultivar um interesse genuíno da liderança e trabalhar com metas e dados, mas preservando espaço para ousadia.

E é na colaboração que a ousadia pode residir. Alejandro Álvarez von Gustedt, vice presidente da Rockefeller Philanthropy Advisors Europa, destaca que a inovação floresce em ecossistemas: quando atores compartilham conhecimento e constroem soluções coletivas, o efeito é “mágico”. A colaboração, porém, esbarra em dois desafios recorrentes: a busca por atribuição (o desejo de dizer “aconteceu graças a nós”) e a ansiedade por métricas de retorno imediato. Se a ambição é transformação social, olhar de longo prazo e atuar via parcerias, em linha com o ODS 17, é inevitável.

 

“Nesses momentos de incerteza, de dificuldades, o papel dos investidores sociais e corporações não mudou. Talvez o ambiente tenha mudado um pouco, mas basicamente o que a gente precisa fazer para alcançar esse impacto ao apoiar comunidades é basicamente o mesmo: o caminho é engajamento, parcerias. Mas, nas comunidades principalmente, a gente precisa ouvir, trabalhar com os outros, criar essas parcerias. É assim que a gente consegue maximizar o retorno social dos investimentos por cada dólar ou real que você estiver investindo”, apontou Alejandro.

Ao final, um consenso atravessa as falas: gerar valor na cadeia filantrópica não é “apoiar projetos”; é alinhar estratégia social e estratégia de negócio, atuar onde a empresa tem capilaridade e responsabilidade (os territórios), colaborar com quem está na ponta e medir o que importa sem sufocar a ambição transformadora. É também reconhecer que reputação, engajamento e licença para operar são consequências quando a empresa investe socialmente de maneira estratégica.

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.


Cultivando futuros: filantropia familiar ganha força como motor de transformação no Brasil

Por Weslley Carvalho, estagiário do programa Juntos Pela Saúde

No Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2025, realizado em 1º de outubro pelo IDIS, uma das conversas do dia reuniu lideranças do setor para refletir sobre os caminhos da filantropia familiar no país. A mesa Cultivando futuros: caminhos para a filantropia familiar no Brasil” destacou o papel estratégico dessas iniciativas no enfrentamento de desafios complexos e na construção de uma sociedade sustentável.

Realizada em um momento em que o cenário global combina retração de recursos internacionais e aumento da complexidade dos problemas sociais e ambientais, a sessão convidou o público a repensar como famílias e indivíduos de alto patrimônio podem atuar de maneira mais estruturada, colaborativa e de longo prazo. A partir das reflexões do estudo Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar no Brasil, desenvolvido pelo IDIS, os participantes compartilharam experiências, perspectivas e desafios que apontam para uma transformação em curso no campo filantrópico brasileiro.

 

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Carola Matarazzo, diretora executiva do Movimento Bem Maior e presidente do Conselho de Governança do GIFE, abriu a conversa trazendo um olhar sobre a evolução histórica da filantropia familiar no país e os aprendizados acumulados ao longo dos anos. Destacou a importância da governança familiar como eixo estruturante e ressaltou como diferentes gerações têm contribuído para moldar novas formas de atuação, muitas vezes guiadas pela ideia de transformar herança em legado.

Para ela, “a filantropia familiar é muito mais do que um instrumento de doação: é um espaço de convergência, onde diferentes gerações podem se encontrar em um propósito comum, transformando patrimônio em legado.”

“Mais do que escolher causas, a filantropia familiar é um exercício de alinhamento de valores que podemos ofertar ao mundo; é esse fio condutor que garante coerência entre gerações e permite transformar heranças em futuro”, destacou também Carola.

Falou ainda sobre a necessidade de adaptação constante: o mapa de prioridades das famílias é dinâmico e reflete valores e crenças que se transformam com o tempo. Nesse cenário, ganham espaço pautas contemporâneas, como a agenda climática, a redução das desigualdades sociais, a valorização da diversidade territorial e o letramento acerca dos marcadores sociais da diferença. Segundo ela, há uma mudança de mentalidade em curso, que desloca a filantropia de um lugar mais individual para um movimento coletivo, com maior articulação entre institutos, fundações e diferentes atores da sociedade civil. “Precisamos, sobretudo, mobilizar distintos capitais: o financeiro é importante, mas insuficiente. O capital humano, social, político e reputacional também deve ser colocado em movimento para destravar soluções novas e de longo prazo, tanto no setor privado quanto no público.

 

Em sua fala, Marina Cançado, fundadora da Converge Capital e cofundadora da plataforma ATO, deu continuidade ao debate abordando o papel dos múltiplos capitais no enfrentamento de temas complexos, com destaque para a crise climática. Ressaltou que a estabilidade climática deixou de ser apenas uma pauta ambiental e se tornou um plano de fundo inevitável para qualquer estratégia de filantropia com visão de futuro. Segundo Marina, “quando pensamos na próxima etapa da filantropia familiar, não há como dissociar o pano de fundo que vivemos: as mudanças climáticas. Elas não são uma causa, mas o contexto que precisa estar por trás de todo o pensamento sobre filantropia e das soluções que queremos construir”. Marina destacou também que pensar a filantropia em um mundo de aquecimento global significa adotar uma perspectiva integrada, capaz de conectar diferentes esferas de atuação e engajar novas gerações na busca por soluções de longo prazo.

Encerrando o debate, Fernando Nogueira, diretor executivo da ABCR, trouxe a perspectiva dos profissionais de captação de recursos e dados recentes sobre o cenário da filantropia no Brasil. Abordou tendências identificadas em pesquisas nacionais e internacionais, destacando que o interesse pela doação muitas vezes nasce de vínculos de proximidade, o que reforça a importância de fortalecer relações de confiança entre doadores e organizações sociais.

“O investimento social privado é, ao mesmo tempo, o mais importante e o menos importante dos capitais filantrópicos. É o menos importante porque é um dos menores: pessoas físicas, fazendo pequenas doações, doam muito mais do que os grandes filantropos, e o governo e as microempresas repassam muito mais recursos. Mas ele pode ser o mais importante porque tem o maior potencial de ser estratégico, refletido e de provocar intervenções cirúrgicas e de alto impacto no campo”, comentou ele.

 

 

Ficou evidente que o fortalecimento desse campo depende da articulação entre diferentes atores, incluindo famílias e organizações da sociedade civil, e de uma disposição coletiva para inovar, aprender e agir em rede. Mais do que recursos financeiros, trata-se de cultivar confiança, visão compartilhada e compromisso com causas estruturantes, capazes de gerar transformações duradouras. Em um mundo marcado por incertezas, as reflexões compartilhadas na mesa mostraram que a filantropia familiar tem um papel central na construção de futuros cheios de possibilidades.

 

Fotos: André Porto/IDIS.


Em conversa com Tania Haddad Nobre

Por Yone Araujo Moreno, coordenadora no programa Juntos Pela Saúde

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais de 2025 foi um evento estruturado em torno do verbo “esperançar” – não como um gesto de passividade, mas como um chamado à ação coletiva e transformadora.

Em uma das mesas do evento, a tradicionalmente intitulada “Em conversa com”, tive a oportunidade de participar de uma troca íntima e profundamente reflexiva sobre a trajetória de Tania Haddad Nobre na filantropia. Tania compartilhou, com muita transparência, como sua atuação nesse campo é marcada pela dedicação de tempo, recursos e trabalho, e, sobretudo, por um compromisso genuíno com o coletivo.

 

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Ela trouxe à tona a filantropia como prática cotidiana, construída com escuta e responsabilidade. Contou que esse tema atravessa até mesmo os encontros familiares, já que a Fundação Insper — organização educacional sem fins lucrativos da qual sua família é uma das mantenedoras — faz parte do cotidiano de todos. A fundação concede bolsas parciais e integrais, e é, para Tania, um símbolo vivo do que significa doar com propósito.

Um dos momentos mais marcantes da conversa foi quando Tania o termo “loteria do nascimento” para refletir sobre seus privilégios. Ela destacou que sua atuação é guiada por um pensamento “sem culpa”, reconhecendo as oportunidades que teve, sem se paralisar por elas, mas também sem se valer delas de forma acrítica. Seu esforço em transmitir o valor da doação às futuras gerações, especialmente aos filhos, ficou evidente para todos que estavam presentes.

Tania compartilhou que, mesmo antes de compreender o conceito de filantropia, já praticava o ato de doar. Sua atuação no Insper foi decisiva para consolidar essa visão. Entre suas causas pessoais, destacou as questões de gênero, especialmente no contexto da liderança feminina. Como mulher à frente do conselho deliberativo do Insper, ela reforçou a importância de ampliar os espaços de decisão ocupados por mulheres, que é também uma pauta atual.

Outro ponto alto da conversa foi quando Tania falou sobre a importância de ouvir antes de agir. Ela relatou uma experiência marcante: uma aluna bolsista do Insper foi flagrada dormindo clandestinamente na biblioteca. Embora tivesse recebido a bolsa, não dispunha da infraestrutura necessária para permanecer estudando, e essa experiência revelou uma realidade: faltavam recursos para alimentação, transporte e permanência nas imediações da instituição. Esse episódio foi um divisor de águas para Tania, que aprendeu, na prática, que escutar é essencial e que a filantropia precisa estar estruturada em ações holísticas e sistêmicas.

Ao final da conversa, Tania reforça que é preciso agir coletivamente, e que tão importante quanto esperançar, é desistir de desistir.

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.


Monitoramento da base para o topo: construindo pontes entre sociedade civil, financiadores e políticas públicas

Por Stephany de Lucena Costa, estagiária de projetos no IDIS

Afinal, como é possível construir pontes dentro do processo de monitoramento de projetos? Essa foi a pergunta que Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto RME; Jessie Krafft, CEO da CAF America; Letícia Born, diretora associada da Co-Impact para a América Latina e no âmbito global; e o moderador Wesley Matheus, secretário de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas e Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento e Orçamento, buscaram responder em uma das plenárias do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2025.

 

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O monitoramento e a avaliação aparecem não apenas como instrumentos burocráticos ou de controle orçamentário, mas, sobretudo, como ferramentas de cuidado, acompanhamento e aprendizado. Para isso, é fundamental que o fluxo avaliativo abandone a lógica top-down, isto é, de imposição de financiadores e tecnocratas, e seja reconstruído em uma perspectiva bottom-up. Isso significa que os saberes e desejos do público-alvo, bem como da sociedade civil, precisam ser considerados em todo o processo. Como destacou Ana Fontes, a inclusão dos beneficiários, com indicadores “menos duros” e mais próximos da realidade vivida, colabora para gerar impacto e consolidar ciclos de prosperidade.

Também se evidencia a necessidade de construir pontes entre financiadores e executores. Letícia Born chamou a atenção para o risco de comprometer investimentos quando se olha apenas para a “falta” de resultados imediatos. Como afirmou a própria Letícia:

“A gente precisa entender que transformação sistêmica leva tempo, e que se a gente ficar olhando só para o que não aparece no curto prazo, corre o risco de comprometer o investimento. Às vezes, o impacto está sendo construído, mas não é imediatamente visível. E aí entra a importância da confiança entre quem financia e quem executa”.

Em contraste com a ideia da “avaliação monstro”, proposta por Karen Mokate no artigo Convirtiendo el “monstruo” en aliado: la evaluación como herramienta de la gerencia social (2002), que define avaliações pautadas pelo controle e pelo teor de auditoria, a construção de relações mais harmônicas entre as partes fortalece os projetos. Isso passa pela criação de elos de confiança que permitam ajustes ao longo da execução, tornando o monitoramento um processo dinâmico de aprendizado e não apenas de fiscalização.

CONSTRUINDO A AGENDA PÚBLICA: O PAPEL DAS OSCS

Importa destacar ainda que os fluxos de monitoramento e avaliação não devem ser observados apenas no terceiro setor, mas também no primeiro – o Estado –, já que as organizações sociais têm papel fundamental na formulação de políticas em rede. Entendidas como políticas públicas construídas por meio da articulação entre Estado, sociedade civil e outros atores, elas ganham densidade quando as organizações atuam como policy entrepreneurs. Ou seja, como empreendedores de políticas que mobilizam capacidade técnica, redes de influência e legitimidade social para introduzir temas na agenda pública e incidir diretamente sobre decisões governamentais.

Como lembrou Jessie Krafft, tais organizações “preenchem buracos vazios”. Em suas palavras, “bom, o que nós estamos buscando agora é ver como diferentes organizações e doadores podem nos ajudar a preencher algumas dessas lacunas, mas também dado o fato de que o USAID […] basicamente desapareceu”. Ana Fontes complementou, mostrando como as pesquisas anuais sobre empreendedorismo feminino, realizadas pelo Instituto RME, já serviram de base para políticas de crédito e gênero. Assim, monitoramento e avaliação, quando bem estruturados, deixam de ser meros relatórios e se tornam alavancas de transformação pública.

Esse debate se amplia ainda mais quando observado sob a lente internacional. Krafft ressaltou os cortes recentes da USAID e a redução de financiamentos internacionais, somada a crises políticas e conflitos em diversas regiões, que criam um ambiente de incerteza para o terceiro setor. Ao mesmo tempo, cresce o movimento de doações individuais e locais, revelando novas possibilidades de sustentabilidade. Nesse cenário, a tensão entre financiamento restrito e irrestrito mostra-se decisiva: quanto maior a flexibilidade, maior a capacidade de resposta das organizações diante de crises e maior também o potencial de promover transformações sistêmicas de longo prazo.

Diante desse panorama, torna-se evidente que a construção de pontes por meio do monitoramento é não apenas viável, mas necessária, e que é possível “esperançar”, mesmo em tempos de incertezas político-sociais. Para isso, é imprescindível compreender que a criação de pontes não deve se restringir apenas a grandes organizações, financiadores ou ao poder público, mas envolver toda a sociedade civil. Nesse contexto, o monitoramento bottom-up mostra-se essencial para gerar informações valiosas, que devem retornar às comunidades beneficiárias e a todos os envolvidos em cada projeto, fortalecendo o empoderamento local. Essa forma de monitoramento só se sustenta quando há valorização dos saberes e atores locais, reconhecendo que o compartilhamento de informações, especialmente em contextos desiguais, é também uma poderosa estratégia de fortalecimento comunitário.

Por fim, como lembraram os palestrantes em suas falas finais, “esperançar” também significa aceitar riscos e cultivar confiança. Isso exige a construção de uma cultura filantrópica colaborativa, que valorize aprendizado, diálogo e corresponsabilidade, em vez do medo de não alcançar metas imediatas. Assim, monitoramento e avaliação deixam de ser meros mecanismos de cobrança para se converterem em verdadeiras pontes de transformação, tanto para as organizações sociais quanto para a sociedade em seu conjunto.

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.


Esperançar: o verbo que se conjuga em comunidade

Por Carla Irrazabal, analista no programa Transformando Territórios

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2025 nos convidou a conjugar o verbo esperançar. A conversa Territórios e Comunidades: Sonhar e Transformar’ propôs um exercício gramatical sobre esse verbo, em que ele seria conjugado pensando nos sujeitos, nas ações e nas implicações de cada tempo verbal.

 

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Para deixar todos em linha, esperançar, como bem lembrou Tião Rocha nessa conversa, vem de Paulo Freire e é um verbo de ação. Essa perspectiva transforma a espera, usualmente associada à passividade, em algo em movimento.

Iniciando o exercício gramatical, podemos pensar que o território é o sujeito do verbo esperançar. São as comunidades que têm as respostas e as ações para se manter firmes e se reconstruírem nos momentos de necessidade. Assim, a ação esperançar é feita pelos territórios.

Gleice Santana, coordenadora de cidadania e sustentabilidade no centro cooperativo do Sicoob, explicou que o modelo de cooperativas são uma prova disso. Esses grupos se formam a partir de necessidades e demandas territoriais e trazem respostas invertendo a lógica de clientes para associados. Essa ideia de colaboração é tão forte que está presente em um dos princípios cooperativos. O 7º princípio é justamente o interesse pela comunidade, que estabelece que as cooperativas trabalham pelo desenvolvimento sustentável das comunidades às quais estão inseridas.

Seguindo na caracterização do sujeito do verbo esperançar, Domênica Falcão, da Fundação Grupo Volkswagen, traz a experiência do trabalho da organização, que tem sido focado diretamente no território e na escuta ativa das comunidades. Domênica trouxe a perspectiva de quebrar a lógica de “comunidade do entorno” – as fábricas fazem parte das comunidades e estão inseridas nos territórios. Podemos pensar, assim, que o território é um ecossistema que envolve múltiplos atores. O sujeito desse verbo é plural.

Agora, com o sujeito bem caracterizado por essa pluralidade comunitária que representa um território, seguimos para a conjugação desse verbo, colocada logo no início da fala de Tião – presente do indicativo. “Nós esperançamos”. O presente do indicativo é usado para falar de uma ação que ocorre no momento da fala e que é algo habitual. Reforçando a ideia de que o esperançar é presente, mas também se estende para o futuro do tempo verbal, é um ato contínuo.

E é justamente nesse “nós” que Tião aprofunda o sentido do verbo. Ele lembrou de um provérbio ouvido em Moçambique: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Essa imagem amplia a ideia do sujeito coletivo e nos devolve à noção de que educar e transformar são gestos que só existem em coletivo. Ele também nos convidou a olhar para a utopia não como um ponto inalcançável, mas como farol, algo que orienta, inspira e nos mantém em movimento. Ao revisitar o passado, recordou o tempo em que muitos projetos sociais buscavam respostas fora dos territórios, tentando impor modos de vida “corretos”. Esperançar, então, é também ter a humildade de aprender com o território, de reconhecer que é dele que nascem as causas e as verdadeiras possibilidades de transformação.

Selma Moreira, que moderou a conversa, costurou esse conjunto de ideias com uma provocação necessária: a de que quem “tem a caneta” precisa parar para escutar. Escutar de verdade, sem hierarquizar saberes, sem colocar o conhecimento técnico acima da experiência vivida. Porque há sabedoria nas práticas cotidianas e força nas vozes que nem sempre são ouvidas. Escutar, nesse sentido, é também um verbo de ação e que deve andar junto com o verbo desse exercício gramatical, o esperançar.

Concluindo o exercício, o verbo esperançar se revela como um chamado à prática compartilhada, feita no presente e sustentada pela coletividade. Ele nos lembra que esperançar não é espera, é movimento. É o gesto de construir junto, de aprender, de se responsabilizar. Quando dizemos “nós esperançamos”, afirmamos que o futuro não se inventa sozinho e nem de fora para dentro. Ele já se inicia no presente e se tece entre pessoas, territórios e vínculos que se reconhecem como parte de um mesmo caminho. Nesse percurso, a filantropia e o investimento social privado têm um papel essencial: o de reconhecer e fortalecer as potências que já existem nos territórios, atuando não como protagonistas, mas como parceiros do esperançar coletivo, somando forças para que o esperançar siga sendo um verbo no presente do indicativo no plural.

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.


Aplicando a tecnologia de forma humana: como a inteligência artificial pode potencializar a mudança social e nos relembrar sua importância

Por Beatriz Barcellos, estagiária de projetos no IDIS

“Prometeu roubou o fogo do Olimpo e entregou aos homens. O fogo representa o progresso, a tecnologia (…) essa traz as suas próprias contradições: ao mesmo tempo é uma dádiva, mas também uma responsabilidade, um perigo. Nos faz refletir se estamos a utilizar da melhor maneira. Como podemos manejar essa contradição da tecnologia, para que possamos pensar na utopia e não na distopia?”. Foi com esse questionamento que Pedro Rossi, vice-presidente na The Global Fund for a New Economy, inaugurou a mediação do painel “Inovações e tecnologia: da distopia à utopia”, ocorrido na 14ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais.

A dicotomia entre esses dois conceitos – ou talvez entre um conceito (utopia) e sua contradição (distopia) – serve como base fértil para discutir como a tecnologia, mais especificamente a inteligência artificial, nos faz ‘esperançar’, tema transversal desta edição do evento. Esse verbo nos encoraja não somente a manter nossas esperanças em tempos desafiadores, mas também a agir de forma estratégica, pedra angular para uma filantropia efetiva. Os palestrantes João Abreu, diretor executivo da ImpulsoGov, Camila Valverde, diretora executiva da Fundação ArcelorMittal, e Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú, nos ajudaram a dar concretude ao potencial dessas novas tecnologias para as áreas de saúde, educação e para a filantropia corporativa em si.

 

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POTENCIALIDADES DE NOVAS TECNOLOGIAS

João Abreu abre a conversa demonstrando como essas inovações podem potencializar a base de dados do SUS (Sistema Único de Saúde), que, contemplando mais de 170 milhões de indivíduos em sua atenção primária, se consagra como a maior base de dados de saúde do mundo. A ImpulsoGov, aliada à iniciativa Juntos Pela Saúde, idealizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e gerida pela equipe do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), executa a ImpulsoPrevine, plataforma digital que otimiza a base de dados do SUS.

Por meio do desenvolvimento de um software, as equipes conseguem identificar, por exemplo, quais crianças de determinado bairro ainda não receberam as vacinas indicadas para sua faixa etária, quais gestantes estão com o pré-natal em atraso ou quais mulheres na idade recomendada ainda não realizaram o exame Papanicolau. Com isso, a ferramenta fortalece o monitoramento ativo da população e contribui diretamente para a melhoria do desempenho municipal em indicadores de saúde. A partir disso, está em desenvolvimento uma funcionalidade que permitirá disparar mensagens de WhatsApp para esses indivíduos ou seus responsáveis, de forma a incentivar que usem seu direito universal, informando de maneira clara e acessível os passos para o agendamento do serviço recomendado.

Abreu especula que, com a implementação da inteligência artificial, além de permitir maior escalabilidade ao projeto (que atualmente se concentra em municípios do Norte e Nordeste do país), seria possível alcançar uma customização ainda maior do atendimento para a população brasileira. Seguindo o exemplo da realização do exame Papanicolau, comenta:

“Já temos hoje os dados e a tecnologia para que não digamos apenas ‘todas as mulheres de 25 a 69 anos devem fazer o Papanicolau’. Poderíamos olhar para o prontuário de cada paciente com IA e dizer: ‘Não é bem assim, essa pessoa deve fazer a cada ano, já que tem condições que a literatura médica atual já sabe que aumentam o seu risco de câncer de colo de útero; essa outra paciente pode ter uma frequência menor, já que possui menos risco’ (…) Conseguimos, com isso, hiperpersonalizar o cuidado de uma maneira que a saúde seja, de fato, acessível e que o SUS possa atuar de forma preventiva. Isso já não pertence à futurologia, é totalmente factível.”

Camila Valverde trouxe a perspectiva de como a Fundação ArcelorMittal, vinculada à maior produtora de aço do Brasil e do mundo, aposta no ensino da tecnologia para jovens, de modo a construir uma educação de qualidade através da abordagem autoral Liga STEAM. Essa perspectiva educacional engloba, de forma interdisciplinar e coletiva, as seguintes áreas do conhecimento: Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. Trata-se de uma “(…) abordagem integrada de solução de problemas usando as habilidades [dessas áreas de conhecimento] e que é levada pelo professor desde o ensino infantil até o colegial. Todos sabemos como a infância é importante; tem essa frase que gosto muito que diz que a infância é um chão que pisamos a vida inteira”, comenta Valverde.

Para a implementação dessa abordagem, a Fundação oferece uma série de projetos: desde a formação de professores e a implantação do Prêmio Nacional Liga STEAM, que reconhece projetos de solução de problemas locais pensados em sala de aula, até a preparação de jovens para o mercado de trabalho, projeto que começou a ser implementado no início de outubro. Este último engloba 300 jovens de cinco cidades brasileiras, com o intuito de formação específica para áreas do mercado de tecnologia e inteligência artificial. Além do letramento digital e cursos de programação e IA, o curso oferece guia emocional para entrada no mundo corporativo. Como aponta Valverde, o conhecimento dessas tecnologias não é mais um conhecimento essencial para o futuro: é uma habilidade essencial para o presente.

O QUE NOS RESTA

Embora estes sejam exemplos tangíveis do potencial positivo da inteligência artificial, Eduardo Saron trouxe um contraponto de atenção de que a IA já não pode ser colocada como uma mera ferramenta. Essa tecnologia não apenas nos auxilia na tomada de decisões, mas é capaz de tomar decisões por nós; ela “(…) muda as relações humanas, as dimensões culturais e a nossa memória social”.

Ao longo de suas falas, Saron constrói a opinião de que o maior trunfo dessa tecnologia é o potencial de ressignificar o que é ser humano e suas relações, estabelecendo-se como um pressuposto para revalorizar uma ética relacional, cooperativa, interdependente, pautada na corporeidade e que incentiva a fraternidade.

Ralf Dahrendorf, estimado sociólogo, argumenta que a utopia é composta por cinco aspectos essenciais: a inexistência de mudança; a inexistência de conflito; a natureza anômala do imprevisível; a previsibilidade da ação; e o isolamento espacial. Vista desse modo, é possível argumentar que as distopias constituem não uma antítese, mas sim outra interpretação do que seria uma sociedade utópica. A dicotomia criada entre esses dois termos, embora ilustrativa, revela-se mais frágil do que parece à primeira vista. Assim, a inteligência artificial, apesar de potente para a mudança social, talvez encontre valor imensurável ao demonstrar, em toda sua perfeição, constância e universalidade, que pouco há de humano na utopia. Como uma estrela norte, ela nos guia, mas há conforto em sua impossibilidade: erros serão inevitáveis e novos desafios se revelarão e, como colocado por Saron, a filantropia é primordial em potencializar esses aspectos que nos fazem (e nos farão cada vez mais) humanos.


Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.


Interdependência e Resiliência: o esperançar é coletivo

por Rayén Souza, estagiária de projetos no IDIS

Sob diferentes olhares, vivências e gerações, a mesa “Interdependência e Resiliência: o esperançar é coletivo” encerrou o Fórum de Filantropos e Investidores Sociais 2025, trazendo os contornos dos possíveis caminhos para seguirmos coletivamente dentro e fora da filantropia.

 

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A filantropia, sobretudo no Brasil, vem passando por mudanças significativas, ainda que também esteja em um processo paulatino de amadurecimento do setor, do ambiente regulatório que o suporta e de seus atores (filantropos, organizações da sociedade civil, institutos e fundações familiares ou empresariais).

Nesse processo, Thuane Nascimento (Thux), diretora executiva no PerifaConnection, Cofundadora do Observatório das Baixadas e palestrante na mesa, reconhece o papel estratégico das periferias no amadurecimento e na qualificação da filantropia no Brasil, enquanto uma prática historicamente situada e socialmente implicada.

“Eu acredito que a filantropia enquanto instituição, está estabelecida pelo que nós consideramos como o centro, seja ele cultural, social, econômico, político ou financeiro (…). A periferia, como diz o nome, está construída nas margens, então, necessariamente, elas [a filantropia e a periferia] são coisas que nasceram e foram construídas afastadas”, comenta.

A ideia é de que a filantropia, enquanto instituição, atua a partir de dinâmicas em que estão estabelecidas centralidades e marginalidades, o que diz não só sobre sua posição, mas afeta de forma determinante sua ação e restringe o potencial de impacto social. A diretora executiva da PerifaConnection enxerga como caminho de aproximação entre a filantropia e as periferias o diálogo com os sujeitos, comunidades e territórios periféricos, traduzindo cada processo e compartilhando ferramentas para que os afastamentos de realidade não impossibilitem a manutenção e a perenidade das iniciativas desenvolvidas com as periferias. É preciso, como colocado pela própria Thux, evocando Frei Betto, que “a cabeça pense onde os pés pisam” e que, para isso, a filantropia esteja disposta a deixar sua posição central e diluir fronteiras com a ação em conjunto e a partilha de conhecimentos.

Em consonância com essa perspectiva, a valorização dos conhecimentos e proposições locais dá a pista para mais um dos caminhos que podem ser traçados no futuro filantrópico. Esse olhar, evocado por Felipe Bogotá, diretor executivo na TerritoriA e convidado palestrante da mesa, em primeiro lugar situa a filantropia brasileira na conjuntura regional latino-americana e, como um ponto adjacente, busca destacar a existência de soluções e oportunidades locais, desenvolvidas sem a dependência – por vezes pressuposta – dos atores internacionais.

Em tempos de conjuntura planetária tão delicados e incertos, o investimento em ecossistemas e infraestrutura da filantropia, bem como no fortalecimento de capacidades locais e comunitárias, soa como uma alternativa necessária e resiliente. Entretanto, é preciso ação coletiva, com a união de atores e conhecimentos para dar escala às soluções já existentes, pensando em soluções não somente para os territórios, mas idealizadas coletivamente com as comunidades.

Nesse sentido, as fundações comunitárias e territoriais que atuam na capacitação de OSCs e mobilização de parcerias, como o caso das Fundações e Institutos Comunitários (FICs), ou o Fundo de Regeneração da Colômbia – criado há um ano com o objetivo de regenerar o país em diferentes frentes (meio ambiente, economia, educação, entre outros) e ainda financiar diversas iniciativas no país – são exemplos importantes de soluções bem-sucedidas e criadas localmente.

A capacidade de mobilização e organização das comunidades fortalece a interdependência comunitária dos agentes locais e filantrópicos, ao mesmo tempo em que afasta a conjuntura internacional e suas demandas de soluções e iniciativas. A interdependência hoje possui ambiguidades declaradas, mas, sob a perspectiva da filantropia, possui recursos suficientes para pensarmos de maneira positiva.

Evocando o cenário global, Daniela Grelin, diretora executiva do Pacto Global Rede Brasil, retomou os avanços e as regressões nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aferidos pelo último  , publicado em julho deste ano. A partir das perspectivas e desafios que se desenham, a palestrante destacou o lugar do Brasil no cumprimento do ODS 17 – Parcerias e Meios de Implementação e a necessidade manifesta de ação coletiva para o redirecionamento do planeta aos eixos da sobrevivência e, quem sabe, de um futuro do bem-viver democrático.

No âmbito da filantropia, é possível pensar nesse redirecionamento a partir do impulso de inovação filantrópico, ou seja, da maior licença de atuação colaborativa em relação aos demais setores. Ao mesmo tempo, essa ’permissão’ precisa ser pensada também sob a ótica do risco e da experimentação, processos comuns ao setor privado, mas ainda muito reticentes na filantropia.

As palavras-chave da mesa refletem as características centrais desta edição do Fórum de Filantropos e Investidores Sociais. Ideias como movimento, humildade, gentileza, cuidado, confiança e território são fundamentais para pensarmos o futuro filantrópico, mas talvez a mensagem seja, sobretudo, sobre nossos sonhos e teimosias. Em um mundo em que sonhar é difícil, as inquietudes e insatisfações são necessárias para a ação dentro e fora da filantropia. A mensagem das gerações novas é que os sonhos são possíveis, e daquelas que estão, digamos, há mais tempo por aqui, é que existe muito trabalho a ser feito. Em ambos os casos, a perspectiva final é de que tanto os sonhos quanto aquilo que ainda deve ser feito sejam realizados e buscados de maneira coletiva.

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.


Chamada pública para Capacitação Intensiva do Programa IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor

Para democratizar o acesso ao uso da inteligência artificial, oferecendo condições para que as organizações incorporem essa tecnologia de maneira consciente e estratégica, o IDIS divulga que está aberta a chamada pública, do dia 22 de outubro ao dia 17 de novembro, com inscrições prorrogadas até dia 23 de novembro, para uma formação gratuita e inédita que irá selecionar até 250 ONGs para participar de um ciclo com 30 horas, ao longo de 4 meses, combinando aulas online ao vivo, conteúdos assíncronos e atividades práticas. A formação busca aproximar a inteligência artificial da realidade das ONGs brasileiras, oferecendo ferramentas práticas para aumentar eficiência, produtividade e impacto.

Nessa Capacitação Intensiva podem se inscrever organizações do terceiro setor de todos os portes e causas, desde que sejam brasileiras, com CNPJ devidamente registrado no cadastro nacional de pessoas jurídicas e com infraestrutura mínima de acesso à internet. Além disso, é necessário que a organização possa participar da capacitação com ao menos três pessoas da equipe.

A iniciativa faz parte do programa IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, projeto idealizado pelo IDIS com suporte do Google.org e apoio técnico do Canal SabIAr.

Clicando aqui, acesse o regulamento da chamada e saiba como participar.

 

O IA. 3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor

O IA.3 foi criado com o objetivo de capacitar ONGs com atuação no Brasil no uso da IA, oferecendo condições para que elas incorporem essa tecnologia de maneira consciente e estratégica.

Ao democratizar o acesso à Inteligência Artificial, o IDIS não apenas responde a uma demanda emergente, mas reafirma sua crença de que a inovação deve ser inclusiva, acessível e consciente de seus impactos múltiplos, desde a forma como consome energia até a maneira como pode reproduzir ou corrigir desigualdades sociais.

Estruturado em uma jornada de capacitação de múltiplas etapas, que inclui desde conteúdos básicos, até encontros presenciais e mentorias individualizadas. A primeira etapa do projeto foi um Webinar formativo, gratuito, realizado em 22 de outubro e que reuniu inúmeras organizações de todo o país. Foram mais de 2500 inscrições para participação, representando cerca de 1,6 mil diferentes organizações da sociedade civil brasileiras.

O IA.3 incluirá, ainda, um encontro presencial em São Paulo e mentorias individualizadas para representantes de 60 organizações com melhor aproveitamento, para aprofundamento do uso de IA em suas causas, construção de soluções concretas, troca de experiências e fortalecimento de redes de colaboração.

 

Participe do lançamento do Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais 2024

No dia 30 de outubro das 17h às 18h30, o IDIS e a Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos lançam, em evento online, o Anuário de Desempenho dos Fundos Patrimoniais 2024.

A quarta edição da publicação traz informações sobre fluxo de caixa (patrimônio, doações recebidas, investimentos na causa e resgates para manutenção própria); alocação e rentabilidade dos investimentos; estrutura da governança (com dados sobre a presença de membros independentes e participação feminina), investimento responsável, além de perspectivas para o futuro e artigos de parceiros refletindo sobre o tema sob diversas perspectivas.

Quer participar do lançamento? Inscreva-se pelo Sympla.

 

Esta quarta edição da publicação, tem o apoio Master da Fundação Bradesco, Fundação Itaú e Movimento Bem Maior, além de apoio de 1618 InvestimentosASA – Associação Santo Agostinho, Fundação Grupo Volkswagen, Fundação José Luiz SetubalFundação Maria Cecília Souto Vidigal, Mattos Filho, Pragma Gestão de Patrimônio e Wright Capital Wealth Management.

REALIZAÇÃO

 

SOBRE FUNDOS PATRIMONIAIS

Os fundos patrimoniais, ou endowments, são mecanismos que contribuem para a sustentabilidade financeira de organizações e causas. No Brasil, o primeiro foi criado na década de 50 e se intensificaram a partir de 2019, com a sansão da Lei 13.800/19. Segundo o Monitor de Fundos Patrimoniais, há hoje no país mais de 120 fundos patrimoniais ativos.

Saiba mais:

Planejar é uma arte: IDIS realiza encontro interno para definir prioridades do planejamento estratégico de 2026

Inspirado pelo tema “Esperançar”, tema central do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2025, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social reuniu, em outubro, sua equipe de colaboradores e lideranças em um encontro dedicado ao planejamento estratégico de 2026.

O evento, realizado no auditório da Pinacoteca de São Paulo, teve como objetivo definir as ações prioritárias que orientarão o trabalho do IDIS no próximo triênio. A manhã foi marcada por debates construtivos, trocas de experiências e reflexões coletivas sobre o papel da instituição na promoção do investimento social privado (ISP) no Brasil.

O que é ISP?

Equipe IDIS

“Aqui no IDIS, entendemos que isso é fundamental e, por isso, já se tornou uma tradição anual: momentos para olhar não só para o que ainda falta fazer, mas também para reconhecer, com um pouco mais de respiro, tudo o que já foi realizado para pensar o que mais podemos realizar”, destacou a CEO do IDIS, Paula Fabiani.

Após a programação estratégica, os nossos “querIDIS” almoçaram no Flor Cafe, no Museu da Língua Portuguesa e, no período da tarde, realizaram uma visita guiada ao acervo da Pinacoteca, museu de arte mais antigo do Estado. A experiência foi também um convite à contemplação e à inspiração, reforçando o elo entre arte, cultura e transformação social.

Vaga de Estágio em Comunicação

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem uma nova oportunidade para estudantes de carreiras relacionadas à comunicação, como Jornalismo, Relações públicas, Publicidade e Propaganda. E também a Administração, Economia, Gestão de Políticas Públicas, Relações Internacionais, e áreas correlatas.

Atuamos desde 1999 com foco no fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de 50 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer a organização e nossa atuação, buscamos uma pessoa estagiária de comunicação.

Acesse a vaga na 99jobs e inscreva-se

RESPONSABILIDADES

  • Suporte para a condução de projetos de impacto, pesquisas e publicações;
  • Apoio em ações de comunicação institucional;
  • Atualização do site e mídias sociais e análise de métricas de redes sociais;
  • Pesquisa de conteúdo relacionado a temáticas de interese da organização;
  • Organização e atualização de mailings;
  • Desenvolvimento de apresentações em Power Point;
  • Suporte na produção de eventos;
  • Redação, revisão e edição de textos.

requisitos

  • Cursar carreiras relacionadas à Comunicação, como Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda; E também a Administração, Economia, Gestão de Políticas Públicas, Relações Internacionais, e áreas correlatas.
  • Ter menos de 1 ano ainda para se formar;
  • Domínio do pacote Office (Word, PowerPoint, Excel) e internet;
  • Facilidade para trabalhar em equipe;
  • Familariedade com mídias sociais (Facebook, LinkedIn, Instagram, Youtube e Twitter);
  • Boa redação;
  • Interesse no terceiro setor e temas como investimento social privado, responsabilidade social, sustentabilidade.

diferenciais

  • Ter Inglês avançado.

BENEFÍCIOS

  • Bolsa Auxílio (R$ 1.650,00)
  • Seguro de Vida
  • Vale-Transporte
  • Vale-Alimentação
  • Credencial plena do Sesc
  • Day off no aniversário
  • Tipo de trabalho – Híbrido

INSCRIÇÃO

Para inscrever-se para essa oportunidade, acesse a página da vaga na 99Jobs até 19 de outubro.

O IDIS adota critérios de diversidade e inclusão nos processos seletivos.

 

SOBRE NÓS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimentoconsultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a co-criação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2025: o ‘Esperançar’ para a evolução da filantropia

Aconteceu no dia 1° de outubro, em São Paulo, a 14° edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. Promovido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, o evento busca acelerar soluções por meio de conexões e fomentar a filantropia no país.

 

Com o tema ESPERANÇAR, as sessões abordaram assuntos como mudanças climáticas, filantropia corporativa, filantropia familiar, avaliação de impacto, filantropia comunitária, tecnologia e muito mais. Ao longo do dia, estiveram presentes cerca de 30 convidados e houve mais 1500 visualizações da transmissão ao vivo.

Foram 13 sessões em 10 horas de programação, com a presença de 61 palestrantes. Falaram nomes como Aron Zylberman (Instituto Cyrela), Camila Valverde (Fundação ArcelorMittal), Daniel Munduruku (Instituto UKA – Casa dos Saberes Ancestrais), Fátima Lima (MAPFRE no Brasil)Tião Rocha (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento – CPCD), Domênica Falcão (Fundação Grupo Volkswagen) e Viviana Santiago (Oxfam Brasil). Além de convidados internacionais como Alejandro Alvarez von Gustedt (Rockefeller Philanthropy Advisors), David Kyuman Kim (Being Human) e Patricia McIlreavy (Center for Disaster Philanthropy).

Após uma abertura emocionante com as crianças da Casa José Coltro, a fala inicial ficou por conta de Daniel Munduruku, escritor e diretor-presidente do Instituto UKA – Casa dos Saberes Ancestrais. Ele deu o tom do evento na sessão ‘O esperançar é ancestral’, com uma fala inspiradora e reflexiva sobre como os saberes ancestrais – profundamente conectados à natureza e ao coletivo – apontam caminhos para atravessar as mudanças com respeito, colaboração e escuta.

A primeira plenária, ‘Esperançar em tempos de mudanças climáticas’, destacou como iniciativas filantrópicas têm atuado em múltiplas frentes no enfrentamento à crise climática. Com olhares nacionais e internacionais, as experiências apresentadas colocaram as comunidades no centro das decisões e reforçaram o papel das doações na construção de futuros sustentáveis.

Em seguida, a plenária ‘Empresas semeando transformações’ convidou a audiência a refletir sobre como a filantropia empresarial pode gerar respostas consistentes e estruturantes para os desafios socioambientais.

A mesa ‘Reverberando impactos: a geração de valor na cadeia filantrópica’ abordou como a filantropia gera valor não apenas para a sociedade, mas também para as empresas.

Outro destaque foi o debate sobre o exercício da filantropia familiar no Brasil. A partir do estudo ‘Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar no Brasil’, a sessão ‘Cultivando futuros: caminhos para a filantropia familiar no Brasil’ convidou à reflexão sobre como engajar novos filantropos, ampliar o volume doado e expandir os capitais mobilizados, fortalecendo o campo de forma mais estruturada, acolhedora e colaborativa.

Encerrando a programação da manhã, os participantes desfrutaram de um coquetel seguido de um almoço temático: cada mesa tinha um anfitrião que propunha um tema de conversa. Foram 18 opções de temas para aprofundar reflexões sobre as mais diversas questões.

Após o almoço, foi hora de refletir! O palco recebeu David Kyuman Kim, fundador e diretor da Being Human, para uma fala sobre o que significa ser humano.

A tradicional entrevista ‘Em conversa com…’ foi com Tania Haddad Nobre, presidente do conselho deliberativo do Insper. Com muita transparência, Tania compartilhou como sua trajetória na filantropia é marcada pela dedicação de tempo, recursos e trabalho — e, sobretudo, por um compromisso genuíno com o coletivo.

O Fórum seguiu com uma sessão especial sobre a Websérie Transformando Territórios, que trouxe representantes das organizações participantes do programa ao palco. A série apresenta 14 histórias reais de impacto local, protagonizadas por Fundações e Institutos Comunitários (FICs) que conectam lideranças, recursos e saberes para transformar realidades com consistência e propósito.

Em sintonia com esse tema, a mesa ‘Territórios e Comunidade: sonhar e transformar’ destacou experiências que valorizam a cultura, a economia local, a cooperação e a escuta como ferramentas de transformação.

No painel “Esperançar e não esperar: monitoramento para a construção de pontes”, os debatedores refletiram sobre ferramentas e níveis ideais de acompanhamento, e sobre como dados, confiança e equilíbrio de poder entram nessa equação.

A programação contou ainda com a participação dos vencedores de 2024 do Prêmio Empreendedor Social, da Folha de S.Paulo e da Fundação Schwab, que apresentaram suas iniciativas e propósitos de atuação. O painel teve mediação de Eliane Trindade, editora do prêmio.

A mesa ‘Inovações e tecnologia: da distopia à utopia’ apresentou experiências práticas que mostram como a tecnologia pode fortalecer a atuação de gestores públicos, impulsionar mudanças estruturais e promover uma cultura avaliativa voltada à transformação social.

Por fim, a plenária de encerramento ‘Interdependência e resiliência: o esperançar é coletivo’ reuniu lideranças de destaque em seus setores e países, que reforçaram a importância da colaboração entre diferentes atores e perspectivas para promover um futuro mais justo e próspero.

“Certamente enfrentamos enormes desafios, mas vimos ao longo do dia de hoje como isso não nos paralisa. Como disse Paulo Freire, que cunhou o termo ESPERANÇAR, ‘não sou esperançoso por pura teimosia, mas por imperativo existencial e histórico’. O dia de hoje celebrou os sonhos e a teimosia de pessoas que agem na busca de um mundo mais justo e sustentável”, comentou Paula Fabiani, CEO do IDIS.

 

Confira a gravação do evento na íntegra:

realização e apoio

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é uma iniciativa conjunta do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e do Global Philanthropy Forum (GPF). Apoio master da Fundação Bradesco, Fundação Itaú, Fundação Sicredi e Movimento Bem Maior; apoio ouro da Fundação ArcelorMittal e Fundación MAPFRE Brasil ; apoio prata da Mott Foundation ; e apoio bronze da Fundação Bracell, Fundação Grupo Volkswagen, Fundação José Luiz Setúbal e Instituto Sicoob; e apoio institucional do UNICEF Brasil.

A Alliance magazine e a Stanford Social Innovation Review Brasil são parceiras de mídia do evento. Sediada na Inglaterra, a maior revista de filantropia do mundo fEZ a cobertura do evento e transmitiu em inglês ao vivo em seu canal do Youtube.

FÓRUM BRASILEIRO DE FILANTROPOS E INVESTIDORES SOCIAIS

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.500 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em nosso canal do YouTube estão disponíveis listas com as gravações de todas as edições. Confira!

Dia da Filantropia na COP30 | Parcerias Inovadoras para um Futuro Sustentável

Evento traz ao centro dos debates a relevância do capital filantrópico para o financiamento climático alinhado à justiça socioambiental

 

A filantropia e o capital de impacto terão espaço de destaque na COP30, em Belém. No dia 17 de novembro será realizado o Dia da Filantropia, encontro gratuito que reunirá investidores socioambientais de empresas, fundações e institutos empresariais e independentes, além de representantes da sociedade civil organizada para debater o papel do capital privado para acelerar soluções climáticas. O evento acontece na Casa Balaio, no bairro de Nazaré, das 14h30 às 18h30, mediante inscrição prévia. Tradução simultânea será disponibilizada.

Vai para a COP30? Reserve a data e faça sua inscrição clicando aqui

Promovido por CAF – Charities Aid Foundation, GIFE, IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, Latimpacto, Sitawi e WINGS, e com apoio da RD Saúde organizações nacionais e internacionais que atuam diretamente para o fortalecimento do campo filantrópico, o encontro propõe uma imersão em novas dinâmicas de filantropia. A programação conta com palestrantes de diferentes países e apresentará experiências práticas e inspiradoras de atores engajados no enfrentamento dos desafios ambientais contemporâneos.

Para Paula Fabiani, CEO do IDIS, o evento irá evidenciar como a filantropia pode multiplicar seu impacto e afirma que “O avanço da agenda climática não resulta apenas de acordos internacionais e políticas públicas. Ele requer uma ação coordenada entre diferentes setores da sociedade, mobilização de recursos estratégicos e colaboração contínua.

Serão debatidas estratégias que vão desde o apoio à adaptação de comunidades e à reconstrução pós-desastres, até a mobilização por justiça climática, desenvolvimento socioambiental, inovação tecnológica, transição energética e políticas públicas equitativas.

Por dentro dos impactos da reforma tributária no terceiro setor

No final de 2023, foi promulgada a Emenda Constitucional que estruturou a Reforma Tributária. As novas regras do sistema tributário afetam não apenas as operações das empresas, mas também têm um impacto significativo nas organizações da sociedade civil e na prática da filantropia no país. A reforma tributária traz uma série de alterações que devem aumentar a arrecadação do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).

Mas o que isso significa para o futuro do terceiro setor? Quais são, efetivamente, as mudanças? A ‘Aliança pelo fortalecimento da Sociedade Civil’, iniciativa liderada pelo Instituto Beja e que tem a participação do IDIS, tem atuado para incidir sobre o assunto, promovendo um ambiente regulatório mais favorável às doações no Brasil..

Fique por dentro do assunto aco1mpanhando nossa curadoria de conteúdo e notícias, com atualizações a cada novo passo.

Impact Minds 2025: conexões, cultura e impacto

Por Fabio Lupo, gerente de prospecção e parcerias no IDIS

Representando o IDIS, participei do ImpactMinds: Collective Makers, promovido pela Latimpacto, que reuniu em Medellín, Colômbia, mais de 700 pessoas de diversos países e organizações comprometidas com o fortalecimento do ecossistema de impacto na América Latina. O evento proporcionou um espaço de trocas e aprendizados, onde os desafios sociais da América Latina estiveram em evidência.

Delegação brasileira na Impact Minds 2025

Logo no primeiro dia, os participantes foram convidados a conhecer a cidade por meio de visitas a bens culturais, comunidades e organizações locais. Escolhi o roteiro que incluía o Museu de Antioquia, onde tive a oportunidade de conhecer os bastidores da instituição, seus programas educativos e visitar a exposição de Fernando Botero. As doações do artista foram fundamentais para o reconhecimento e relevância do museu, evidenciando o poder transformador da filantropia cultural.

Marcos Manoel, Diretor de Projetos do IDIS, que também participou do evento, escolheu a visita à Comuna 13 – uma das regiões mais emblemáticas de Medellín, marcada por um passado de violência, mas que hoje é símbolo de transformação social, arte urbana e resistência comunitária. A visita proporcionada pelo evento permitiu aos participantes conhecer iniciativas locais, murais de grafite que contam a história da comunidade e projetos que promovem inclusão e desenvolvimento.

Ao longo dos dias seguintes, participei de painéis e oficinas que abordaram temas centrais para o avanço do investimento social privado e dos negócios de impacto. Um dos destaques foi a discussão sobre o destravamento de finanças para iniciativas que geram impacto socioambiental positivo. A complexidade do tema foi abordada sob diferentes perspectivas – desde o papel das finanças híbridas e dos instrumentos inovadores, até os desafios regulatórios e culturais que ainda limitam o fluxo de capital para soluções transformadoras.

Outro ponto recorrente nas conversas foi a importância de investidores sociais confiarem nas organizações que apoiam, reconhecendo-as como especialistas nas causas e conhecedoras dos contextos em que atuam.

O evento também foi marcado por uma forte conexão com a cultura colombiana. A generosidade, o calor humano e a receptividade dos anfitriões criaram um ambiente acolhedor, que favoreceu o diálogo e a construção de pontes entre diferentes atores para o enfrentamento das desigualdades na América Latina.

O encerramento do ImpactMinds contou com a participação da líder indígena brasileira Vanda Witoto, que discursou sobre ancestralidade, território e resiliência. Foi também anunciado que a próxima edição do evento acontecerá em Manaus, Amazonas, em 2026 – uma escolha simbólica e estratégica, que coloca o bioma amazônico no centro das discussões sobre resiliência climática e justiça socioambiental.

A participação do IDIS no ImpactMinds reafirma nosso compromisso com o fortalecimento do ecossistema de impacto na América Latina e com a busca por soluções que promovam justiça social, equidade e sustentabilidade. Voltamos com ideias renovadas, parcerias em potencial e a certeza de que, juntos, podemos destravar caminhos para um futuro mais justo e inclusivo.

Filantropia Comunitária é tema de WebSérie do Programa Transformando Territórios

De quem é a responsabilidade de transformar os territórios?

Com um convite para essa reflexão, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social junto ao coletivo de Fundações e Institutos Comunitários (FICs) lançou, no dia 19 de agosto, a Websérie Transformando Territórios, que traz histórias reais de impacto, pertencimento e protagonismo comunitário promovidos pelas FICs em diversas regiões do Brasil. São 14 vídeos cujo mote é a transformação em cada um dos territórios das organizações participantes, passando por Manaus, São Paulo, Maceió, Porto Alegre e diversas outras cidades e regiões metropolitanas.

Um dos episódios destaca o trabalho do Instituto Cacimba, que atua no Jardim Ângela, em São Paulo (SP), como uma ponte entre a juventude, a cultura local e a construção de soluções coletivas para o território. O episódio destaca a atuação da Escola de DesNegócio, projeto do Instituto NUA, com apoio do Cacimba, cujo objetivo é capacitar, apoiar e acelerar negócios periféricos, impulsionando o empreendedorismo e a economia local, a partir da geração de riqueza compartilhada para o território e sua comunidade.

“Acreditamos que a filantropia comunitária pode ser um importante vetor de transformação social no Brasil. Já bem disseminado no exterior, nós tivemos que “ajaboticabar” esse modelo para nossa realidade brasileira. E o lançamento da websérie é um grande marco para o programa Transformando Territórios e todas as organizações que o integram. Com todos esses vídeos, podemos enxergar a abrangência das atuações das fundações e institutos comunitários (FICs) brasileiros e toda essa diversidade em cada um dos territórios. Essa websérie foi construída colaborativamente com as FICs, o que contribuiu para que ele se tornasse ainda mais incrível”, comenta Paula Fabiani, CEO do IDIS.

 

Paula Fabiani com lideranças das organizações durante encontro ocorrido em março

A websérie apresenta iniciativas desenvolvidas por organizações que conhecem de perto os desafios e as oportunidades de seus territórios, atuando com base no diálogo, na escuta e na mobilização comunitária. São elas:

 

  • Alagoas: Mundaú Mundo
  • Amazonas: Manauara Associação Comunitária
  • Espírito Santo: FUNDAES – Federação das Fundações e Associações do Espírito Santo
  • Maranhão: Instituto Baixada Maranhense
  • Minas Gerais: Associação Nossa Cidade e JEQUI – Instituto Comunitário de Desenvolvimento e Inovação do Vale do Jequitinhonha
  • Rio de Janeiro: Fundo Comunitário da Maré e Instituto Comunitário Paraty
  • Rio Grande do Sul: Fundação Gerações
  • São Paulo: Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, FEAV – Fórum das Entidades Assistenciais de Valinhos e Instituto Cacimba
  • Santa Catarina: ICOM – Instituto Comunitário Grande Florianópolis
  • Sergipe: ICOSE – Instituto Comunitário de Sergipe

 

A produção, que conta com apoio do Movimento Bem Maior, integra o programa Transformando Territórios,  iniciativa do IDIS com a Charles Stewart Mott Foundation, que impulsiona a criação e o fortalecimento de FICs no Brasil, com o propósito de promover desenvolvimento local a partir de estratégias colaborativas, transparentes e conectadas às demandas reais da população.

 


SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br.

IDIS apresenta renovação no corpo de conselheiros

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, organização pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil e comprometida com a promoção da filantropia, passou recentemente por uma renovação em seu corpo de conselheiros, reafirmando seu compromisso com a governança. 

Como parte dessa renovação, passam a integrar o Conselho Deliberativo Cristina Schachtitz, especialista em comunicação estratégica e ex-vice-presidente de comunicação corporativa e de crise da Edelman; Luiz Fernando Figueiredo, filantropo, ex-diretor do Banco Central e atual chairman da Jive Investments; e Rodolfo Avelino, professor do Insper e especialista na área de tecnologia da informação e transformação digital.

Liderança do IDIS reunida com novos conselheiros da organização

 

Além disso, a partir do segundo semestre de 2025, o Conselho Deliberativo terá nova presidência, com Maria José de Mula Cury, sócia da PwC Brasil, assumindo a liderança. Françoise Trapenard, mentora de executivos e ex-presidente da Fundação Telefônica Vivo, ocupará a vice-presidência. Ambas trazem sólida trajetória em liderança e gestão, com forte alinhamento aos valores e à missão do IDIS.

“A renovação no Conselho reflete nosso compromisso contínuo com a excelência na governança e com a pluralidade de visões. A chegada de profissionais com trajetórias sólidas e complementares fortalece nossa missão de promover o investimento social estratégico e amplia nossa capacidade de gerar impacto positivo na sociedade”, afirma Paula Fabiani, CEO do IDIS.

O processo de composição do conselho é conduzido com rigor e tem como premissa garantir a continuidade da missão institucional, ao mesmo tempo em que incorpora olhares e experiências que fortalecem a atuação do IDIS diante de novos desafios.

Para conferir a composição completa dos conselhos, acesse aqui.

Capacitação gratuita em Inteligência Artificial para ONGs começa com webinar no dia 22 de outubro

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com suporte do Google.org e apoio técnico do Canal SabIAr lança o IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, programa gratuito que capacitará organizações sociais em todo o Brasil no uso estratégico e ético da inteligência artificial.

A primeira atividade da jornada será o webinar formativo, no dia 22 de outubro, das 9h30 às 12h, aberto a todas as ONGs interessadas. O encontro apresentará conceitos básicos da tecnologia, ferramentas úteis e exemplos práticos de aplicação no Terceiro Setor, tornando o conteúdo acessível e aplicável no dia a dia das organizações. A participação é gratuita e ilimitada por organização, mediante inscrição.

Clique aqui para se inscrever!

Além do webinar, o IA.3 contará com outras etapas ao longo dos três anos de duração do programa:

  • Capacitação intensiva: capacitação com 30 horas, ao longo de 4 meses, combinando aulas online ao vivo, conteúdos assíncronos e atividades práticas. A primeira turma com início em 2026, a segunda em 2027. Entre os meses de outubro e novembro haverá uma chamada pública que selecionará 250 organizações.
  • Encontro presencial e mentorias: representantes das 30 organizações com melhor aproveitamento de cada turma de capacitação intensiva, participarão de um encontro presencial de dois dias, em São Paulo, com todas as despesas pagas, para aprofundamento do uso de IA em suas causas, construção de soluções concretas, troca de experiências e fortalecimento de redes de colaboração. Ele está previsto para acontecer no segundo semestre do ano da formação. Também serão oferecidas seis meses de mentorias individualizadas, contribuindo para que as organizações superem desafios de implementação.

 

Além disso, visando acompanhar a diversidade de aplicações e a contribuição do uso de novas tecnologias para organizações do Terceiro Setor, o projeto adotará uma metodologia robusta de avaliação experimental, comparando as organizações participantes da formação com organizações não participantes, que irão receber a formação em um segundo momento.

A avaliação permitirá  a produção de um estudo inédito com exemplos práticos do impacto do uso da IA, com dados quantitativos e qualitativos, a ser lançado em evento com lideranças e especialistas ao final do programa.

Pesquisa Doação Brasil 2024 disponibiliza gráfico interativo para cruzamento de dados

O site da Pesquisa Doação Brasil 2024 ganhou novas funcionalidades. Agora, é possível cruzar informações sobre o comportamento do doador brasileiro com dados demográficos em uma plataforma interativa, além de realizar o download das bases de dados.

Os usuários podem selecionar variáveis de interesse e gerar gráficos personalizados com os resultados. Para acessar, basta entrar no site da pesquisa e clicar na seção ‘Gráficos Interativos’. Você também pode acessá-lo diretamente aqui.

Assista também ao lançamento da Pesquisa Doação Brasil 2024:

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REALIZADORES E APOIADORES

SOBRE a PESQUISA DOAÇÃO BRASIL

Pesquisa Doação Brasil foi criada com o propósito de mapear, de forma aprofundada, as percepções, atitudes e práticas de doação entre os brasileiros, com foco especial nas contribuições monetárias. O estudo investiga os fatores que impulsionam ou dificultam o ato de doar, oferecendo uma leitura abrangente do comportamento do doador individual no país. Desde sua primeira edição, que refletiu o ano de 2015, a pesquisa se consolidou como a principal fonte de dados sobre a cultura de doação no Brasil, com novas edições sobre 2020, 2022 e 2024. Ao longo desse percurso, ela vem contribuindo para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de mobilização de recursos, oferecendo subsídios valiosos para políticas públicas, iniciativas do terceiro setor e ações institucionais que visam tornar a cultura de doação no Brasil mais sólida, consciente e sustentável.

Da base para o topo: como a Nossa Cidade fortalece comunidades em Brumadinho e na Grande BH

Às margens do Rio Paraopeba, em Brumadinho (MG), a artesã Maria dos Anjos viu sua comunidade ser devastada pelo rompimento em 2019. Pouco depois, a pandemia agravou ainda mais o cenário. Foi nesse contexto que Maria percebeu o aumento dos casos de depressão, especialmente entre as pessoas com deficiência da região – e decidiu agir. Criou, então, um projeto baseado na técnica ancestral do fuxico, uma técnica de costura para reaproveitando de tecidos, transformando colchas de retalhos em instrumentos de acolhimento, cuidado e cura.

Para dar o pontapé inicial e comprar o material necessário – mesmo que de baixo custo –, ela precisou de apoio. Os recursos vieram do Fundo Regenerativo de Brumadinho, gerido pela Associação Nossa Cidade (ANC), Fundação Comunitária Territorial composta por voluntários, com atuação em 34 municípios da Grande Belo Horizonte, incluindo Brumadinho. Hoje, o projeto de fuxico é autossustentável, e Maria dos Anjos tornou-se uma das principais lideranças da ANC. O trabalho dela simboliza a força de uma comunidade que se recusa a esquecer e que escolheu florescer.

O diretor voluntário Renato Orozco e Maria dos Anjos, liderança de projeto apoiado em Brumadinho

Essa é apenas uma das quase 100 iniciativas já apoiadas pela ANC com microgrants –pequenos financiamentos que geram grandes transformações. Fundada em 2014, a ANC implementa fundos regenerativos, uma tecnologia social que permite a criação de fundos comunitários com governança participativa. Esses fundos são geridos pelas e para as comunidades, que escolhem quais de seus projetos devem ser financiados.

Nossos fundos locais são um catalisador para iniciativas que, muitas vezes, não conseguiriam acessar editais tradicionais. Ainda há muita gente sem letramento digital. Por isso, os curadores e suas equipes atuam diretamente nas comunidades, onde conhecem as dores e os potenciais locais. Sempre há um processo claro de acompanhamento para garantir que os recursos estão sendo bem aplicados”, explica Renato Orozco, que fundou a ANC durante um MBA em Impacto Social em Boston e hoje atua como um dos diretores voluntários ao lado da líder comunitária Marlúcia Baesse (a Tia Lu) e do executivo de ESG e filantropo Eduardo Cetlin.

 

Os diretores voluntários Eduardo Cetlin e Marlúcia Baesse (a Tia Lu)

A organização atua majoritariamente como grantmaker, financiando iniciativas comunitárias em vez de executá-las diretamente. Esse modelo promove uma filantropia descentralizada, que valoriza o protagonismo local. Além da destinação de recursos de fundos locais, a ANC também oferece capacitação, apoio técnico e contribui para o fortalecimento institucional de organizações, coletivos e lideranças comunitárias.

“Depois de mais de uma década de aprendizado, está claro: as soluções já existem nos próprios territórios. Nosso papel é simples, é financiar, apoiar e celebrar essas iniciativas para que floresçam cada vez mais. Por isso, nossa governança é totalmente horizontal e participativa: um comitê curador, formado por membros voluntários da própria comunidade, avalia as propostas com base em critérios como impacto social, participação local e relevância ambiental, priorizando grupos historicamente marginalizados”, explica Orozco.

Projeto Favela em Ação, apoiado pela ANC

Ser majoritariamente grantmaker é, portanto, uma das características mais marcantes da Associação Nossa Cidade como uma Fundação ou Instituto Comunitário (FIC) e um dos 9 princípios que guiam o papel e a operação deste modelo de organizações. Na Carta de Princípios para FICs do IDIS, a diretriz é:

Grantmakers: captam, gerenciam e realizam doações de recursos financeiros para organizações sem fins lucrativos e iniciativas sociais do território, que atuam na linha de frente do atendimento às demandas comunitárias, de modo a assegurar a vitalidade do setor social local.

 

FUNDO REGENERATIVO DE BRUMADINHO 

A criação do Fundo Regenerativo de Brumadinho, em 2019, nasceu como uma resposta ao rompimento da barragem no Córrego do Feijão, que levou 272 pessoas à morte. Nas primeiras semanas após o desastre, a ANC arrecadou R$ 150 mil por meio de campanhas de financiamento coletivo e assumiu a gestão do fundo – cuidando da governança, da tesouraria e da conformidade.

Diferente de um fundo emergencial, o fundo regenerativo prioriza ações de médio e longo prazo, voltadas à regeneração social, ambiental e econômica do território. Os projetos apoiados pelos fundos da ANC recebem até R$ 3 mil e devem promover reconexão com a natureza, fortalecimento de vínculos e resiliência comunitária. Até hoje, já foram apoiadas 70 iniciativas, totalizando R$ 210 mil investidos diretamente em soluções locais.

“Um caso emblemático foi o da Brigada Voluntária Guará, de Casa Branca, distrito de Brumadinho. Eles precisavam urgentemente de um sistema de combate a incêndios. Em menos de 48 horas após a solicitação, estavam operando com os novos equipamentos”, destaca Orozco.

 

ATUAÇÃO MULTITEMÁTICA

Além de grantmaker, a ANC tem foco multitemático: a organização mantém os fundos de Brumadinho e Grande BH (que apoiam projetos nas áreas de educação, inclusão produtiva, meio ambiente e muitos outros temas) e está estruturando três novos fundos temáticos: o programa de bolsas Nossa Cidade (um programa de formação com bolsa-auxílio para líderes comunitários), o Fundo para Pessoas Migrantes e o Fundo para Pessoas com Deficiência. A característica multitemática também é uma das marcas das FICs, presente na Carta de Princípios para FICs do IDIS:

Multitemáticas: apoiam e investem em outras organizações da sociedade civil e iniciativas sociais de modo a abranger a diversidade de causas e temas relevantes para a comunidade, seu contexto e suas demandas próprias.

 

“Estamos em plena expansão na criação de novos fundos e na prospecção de doadores, tanto dentro quanto fora dos territórios em que atuamos. Sentimos a necessidade de estabelecer parcerias estratégicas para consolidar essa trajetória. Nosso plano é alcançar, até o fim de 2025, um total de dez fundos ativos”, adianta Orozco.

Renato Orozco, Marlúcia Baesse (a Tia Lu), Eduardo Cetlin, Maria dos Anjos Silva e Samantha Feres, dentre outros membros da Associação Nossa Cidade, no retiro da organização, na cidade de Esmeraldas (MG), em 2023

 

Um exemplo recente é o projeto de mapeamento das condições de vida da população migrante na região de Belo Horizonte. Anos atrás, a ANC apoiou o Coletivo Cio da Terra, formado por migrantes que utilizaram os recursos para criar uma feira de comercialização de produtos agroecológicos. Agora, o coletivo é parceiro na nova iniciativa: ouvir e compreender os desafios enfrentados pela população migrante local.

“Dez bolsistas estão conduzindo as entrevistas — cinco são estudantes de um programa de extensão da PUC Minas, o LER, voltado para o letramento de migrantes e parceiro no mapeamento, e os outros cinco são migrantes. O objetivo final é transformar esse diagnóstico participativo em subsídios para sensibilizar a sociedade belo-horizontina e estruturar um fundo exclusivo de apoio à população migrante moradora da região metropolitana da capital”, acrescenta Orozco.

A trajetória de consolidação da ANC como fundação comunitária territorial foi profundamente influenciada pelo programa Transformando Territórios, uma iniciativa do IDIS em parceria com a Charles Stewart Mott Foundation. “O programa foi um divisor de águas. Por meio dele, aceitamos o desafio de nos reconhecermos formalmente como uma fundação comunitária e buscamos nossa profissionalização institucional”, afirma Orozco.

Ao longo desse processo, a ANC recebeu apoio técnico, participou de eventos estratégicos e passou a desenvolver estruturas mais robustas de governança. “A própria formulação da nossa Teoria da Mudança nasceu de um curso proporcionado pelo programa. O IDIS tem sido uma ponte para acessarmos boas práticas, referências e alternativas viáveis, sempre respeitando nossa essência”, complementa.

Segundo Orozco, a ANC quer manter a alma voluntária de sua atuação, mas reconhece a necessidade de contar com um núcleo profissionalizado para dar conta do crescimento.

“Estamos num momento de travessia. Se temos uma equipe mais estruturada, também precisamos ampliar nossa capacidade de captação de recursos. Parcerias estratégicas, como o IDIS, são fundamentais para que essa expansão ocorra de forma sustentável”, comenta Orozco.

 


Informações do Território 

  • Território de atuação: Região metropolitana de Belo Horizonte, num total de 34 municípios.
  • Nome da fundação ou instituto comunitário: Associação Nossa Cidade
  • Liderança: Marlúcia Baesse (a Tia Lu), Eduardo Cetlin e Renato Orozco são os diretores entre 2024-27.
  • População: 5,1 milhões de habitantes (Censo 2022, IBGE)
  • Causas prioritárias mapeadas pela FIC: Empoderamento comunitário, cultura de doação e engajamento cívico das pessoas na resolução de nossos problemas coletivos.
  • Desafios regionais: Reconexão, resiliência, resistência e regeneração em um contexto de desafios socioambientais e desintegração do senso de comunidade.

 

A Associação Nossa Cidade integra o programa Transformando Territórios, uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e o fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil.

 

Quer saber mais sobre a Associação Nossa Cidade? Acesse o site.

Para conhecer mais sobre os Princípios e características das Fundações e Institutos Comunitários, acesse a Carta de Princípios através deste link.

Saiba mais sobre o programa Transformando Territórios e como apoiá-lo.

 

Pesquisa Doação Brasil: volume de doações individuais no brasil chega a R$24,3 bilhões em 2024

O levantamento aponta um doador mais exigente e traz um capítulo especial sobre doações para situações emergenciais 

Fortemente influenciada pelo contexto socioeconômico e situações emergenciais, o cenário da doação no Brasil apresenta um novo padrão. A nova edição da Pesquisa Doação Brasil revela práticas de doação mais criteriosas, aumento nos valores doados e maior exigência quanto à transparência de instituições beneficiadas. Em 2024, 78% dos brasileiros acima de 18 anos e com rendimento familiar superior a um salário mínimo fizeram ao menos um tipo de doação, seja de dinheiro, bens ou tempo, na forma de voluntariado.

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LANÇAMENTO

O lançamento e a divulgação dos dados da publicação aconteceram no dia 6 de agosto, em um evento híbrido: presencial em São Paulo e transmitido pelo YouTube. O encontro reuniu 53 pessoas presencialmente e já soma mais de 600 visualizações da transmissão ao vivo.

Evento de lançamento da Pesquisa Doação Brasil 2024

A programação teve início com uma contextualização do cenário brasileiro diante da temática da confiança, elemento central da pesquisa, realizada por Marcos Calliari, CEO da Ipsos. Em seguida, Rafael Pisetta, gerente de pesquisa da Ipsos responsável pela elaboração do estudo, apresentou detalhadamente os principais resultados.

Na sequência, o debate contou com a participação de Fernando Nogueira, diretor executivo da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR); Vinicius Barrozo, analista sênior de Marca e Valor Social da Globo; e Vivian Fasca, integrante do Comitê Coordenador do Movimento por uma Cultura de Doação (MCD) e diretora de Marketing e Fundraising da Plan International Brasil. A conversa foi mediada por Andréa Wolffenbüttel, consultora e coidealizadora da Pesquisa Doação Brasil, e percorreu diversos aspectos: da análise geral sobre confiança às implicações dos dados na captação de recursos e no papel de influência da mídia.

Confira a gravação do lançamento:

 

PESQUISA DOAÇÃO BRASIL 2024

O levantamento bianual é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e traz um retrato detalhado sobre a percepção e as práticas de doação dos brasileiros. A pesquisa tem como uma das principais frentes de análise o conceito da doação institucional de dinheiro, feita para ONGs, campanhas e/ou projetos socioambientais, e não considera doações de esmola, dízimo ou dinheiro para conhecidos.

“A Pesquisa Doação Brasil traz dados fundamentais para compreendermos os avanços e os desafios em relação a essa prática, e reforçam a importância de promovermos confiança nas ONGs, além de seguirmos fomentando a cultura de doação no Brasil”, comenta Paula Fabiani, CEO do IDIS.

 

A pesquisa, realizada pela Ipsos a pedido do IDIS, tem abrangência nacional, com representatividade em todas as regiões do país, e foi realizada a partir da coleta online de 1.500 entrevistas. A margem de erro do estudo é de 2,5 p.p.

O valor estimado do volume de doações, em 2024, foi de R$24,3 bilhões, superior aos R$14,8 bilhões registrados em 2022 e corrigidos aos valores atuais. A mediana das doações individuais anuais passou de R$ 300 para R$ 480.

 

A prática se mostra mais espaçada, acontecendo menos vezes ao ano, porém mais estratégica: a maioria dos doadores afirma escolher com cuidado as causas (86%) e buscar informações antes de doar (83%). Por outro lado, 49% já deixaram de doar após notícias negativas sobre organizações, o que evidencia a importância da confiança como um ativo essencial para o setor. A fidelização também apresentou queda: apenas 49% mantêm o hábito de doar para as mesmas instituições todos os anos – em 2015, eram 69%.

O perfil do doador em 2024 revela um cenário mais equilibrado e qualificado. Homens e mulheres apresentam taxas de doação semelhantes, marcando uma nova equiparação entre os gêneros. A maior incidência está entre adultos de 30 a 49 anos — faixa etária economicamente ativa e estável — e entre pessoas com ensino superior, das quais mais da metade realiza doações (57%). A prática também está mais presente entre indivíduos com renda familiar mais elevada, com destaque para os crescimentos nas faixas entre 4 e 6 salários mínimos e acima de 8 salários mínimos.

Geograficamente, as regiões Norte, Centro-Oeste e Sul registraram maiores índices, influenciadas pela ocorrência de situações emergenciais em 2024. O estudo revela também uma mudança no ecossistema de influência: redes comunitárias e religiosas ganham mais espaço, enquanto abordagens tradicionais como ligações ou e-mails perdem efetividade.

 

CAPÍTULO ESPECIAL: DOAÇÕES EM SITUAÇÕES EMERGENCIAIS

Com eventos climáticos extremos de grande magnitude acontecidos no Brasil em 2024, como as enchentes no Rio Grande do Sul, seca na Amazônia e incêndios no Pantanal, a Pesquisa Doação Brasil traz ainda um capítulo especial sobre doações feitas para situações emergenciais. Entre os destaques, está o fato de que metade da população brasileira doou para uma emergência em 2024, com doações mais expressivas do que observado durante a pandemia, o que sugere uma maior disposição para doar em momentos de crise. Foi revelador também o fato de que 60% das doações em dinheiro para estes fins foram destinadas a locais fora do seu próprio estado, demonstrando não apenas solidariedade nacional, mas um instinto profundo de agir, mesmo quando a necessidade está distante de casa.

De acordo com Patricia McIlreavy, CEO do Center for Disaster Philanthropy (CDP), que contribuiu com a pesquisa, “As organizações mais próximas das comunidades afetadas são também as mais capacitadas a oferecer soluções, mas precisam de recursos antes, durante e depois dos desastres.” Como doadores emergenciais tendem também a doar em outras situações, McIlreavy destaca como no Brasil há um grande potencial de engajar o doador emergencial em ações mais estruturantes, que envolvem o enfrentamento às causas das vulnerabilidades e a recuperação de longo prazo.

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Outros números da pesquisa

  • Entre os comportamentos abordados pela Pesquisa – doação de dinheiro, tempo e bens, apenas o último apresentou retração. A prática foi realizada por 75% dos respondentes em 2022 e caiu para 67% em 2024, influenciando a queda da doação em geral, de 84% para 78%;
  • Penetração de doadores institucionais por faixa de renda: 54% entre 4 e 6 salários mínimos (+14 p.p. em relação a 2022), 60% entre 6 e 8 salários mínimos (+6 p.p.) e 63% acima de 8 salários mínimos (+10 p.p.);
  • Mesmo entre os brasileiros com renda de até 2 salários-mínimos, observa-se uma leve qualificação no comportamento de doação: caiu a proporção dos que doam anualmente até R$ 150 (46% para 32%) e aumentou a dos que doam entre R$ 151 e R$ 500 (37% para 46%);
  • Foi identificada uma queda de doações mensais (de 44% em 2022 para 39% em 2024) e crescimento das doações a cada 6 meses (de 9 pontos percentuais em 2022 para 12 em 2024);
  • Transição digital e logístico-financeira: com o avanço de formas práticas como PIX, adotada por 66% dos doadores institucionais, doar dinheiro se torna mais simples e direto, em detrimento das doações de bens, que exigem deslocamento, armazenamento e mediação;
  • Em 2024, a confiança na instituição aparece como motivador extremamente relevante para doar (81%). Por outro lado, a desconfiança persiste como barreira estrutural: apenas 30% acreditam que a maioria das ONGs é confiável;
  • Sobre doações emergenciais, cerca de ¼ dos Doadores Emergenciais afirmaram que deixaram de fazer outros tipos de doações para doar para emergências; somente 10% do total de respondentes da amostra doou exclusivamente para emergências em 2024;
  • 66% dos doadores que contribuíram com dinheiro para situações emergenciais em 2024 pretendem continuar doando para as ONGs, indicando um potencial de conversão de doadores emergenciais em doadores regulares;

REALIZAÇÃO E APOIO

 

SOBRE a PESQUISA DOAÇÃO BRASIL

A Pesquisa Doação Brasil foi criada com o propósito de mapear, de forma aprofundada, as percepções, atitudes e práticas de doação entre os brasileiros, com foco especial nas contribuições monetárias. O estudo investiga os fatores que impulsionam ou dificultam o ato de doar, oferecendo uma leitura abrangente do comportamento do doador individual no país. Desde sua primeira edição, que refletiu o ano de 2015, a pesquisa se consolidou como a principal fonte de dados sobre a cultura de doação no Brasil, com novas edições sobre 2020, 2022 e 2024. Ao longo desse percurso, ela vem contribuindo para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de mobilização de recursos, oferecendo subsídios valiosos para políticas públicas, iniciativas do terceiro setor e ações institucionais que visam tornar a cultura de doação no Brasil mais sólida, consciente e sustentável.

Vem aí: Webserie sobre o programa Transformando Territórios

De quem é a responsabilidade de transformar os territórios?

Todo território carrega potências que, quando reconhecidas, transformam o Brasil. Para dar visibilidade a essas potências e ampliar o conhecimento sobre a filantropia comunitária no país, o IDIS apresenta a Webserie Transformando Territórios, que traz 14 histórias reais de impacto, pertencimento e protagonismo comunitário promovidos por Fundações e Institutos Comunitários (FICs) em diversas regiões do Brasil.

O lançamento acontecerá no dia 19 de agosto, às 16h, em uma transmissão online gratuita. Para debater sobre o tema, o evento contará com um painel com a participação de Carola Matarazzo (Movimento Bem Maior), Helena Monteiro (Harvard University), Nick Deychakiwsky (Mott Foundation), Paula Fabiani (IDIS) e Samantha Jones (Associação Nossa Cidade).

INSCREVA-SE AQUI!

“Acreditamos que a filantropia comunitária pode ser um importante vetor de transformação social no Brasil. Já bem disseminado no exterior, nós tivemos que “ajaboticabar” esse modelo para nossa realidade brasileira. E o lançamento da websérie é um grande marco para o programa Transformando Territórios e todas as organizações que o integram. Com todos esses vídeos, podemos enxergar a abrangência das atuações das fundações e institutos comunitários (FICs) brasileiros e toda essa diversidade em cada um dos territórios.Essa websérie foi construída colaborativamente com as FICs, o que contribuiu para que ele se tornasse ainda mais incrível”, comenta Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Paula Fabiani com lideranças das organizações durante encontro ocorrido em março

A websérie apresenta iniciativas desenvolvidas por organizações que conhecem de perto os desafios e as oportunidades de seus territórios, atuando com base no diálogo, na escuta e na mobilização comunitária. São elas:

 

  • Alagoas: Mundaú Mundo
  • Amazonas: Manauara Associação Comunitária
  • Espírito Santo: FUNDAES – Federação das Fundações e Associações do Espírito Santo
  • Maranhão: Instituto Baixada Maranhense
  • Minas Gerais: Associação Nossa Cidade e JEQUI – Instituto Comunitário de Desenvolvimento e Inovação do Vale do Jequitinhonha
  • Rio de Janeiro: Fundo Comunitário da Maré e Instituto Comunitário Paraty
  • Rio Grande do Sul: Fundação Gerações
  • São Paulo: Fundo Comunitário Perifasul M’Boi Mirim, FEAV – Fórum das Entidades Assistenciais de Valinhos e Instituto Cacimba
  • Santa Catarina: ICOM – Instituto Comunitário Grande Florianópolis
  • Sergipe: ICOSE – Instituto Comunitário de Sergipe

 

A webserie é uma realização do Programa Transformando Territórios, uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, com parceria da Charles Stewart Mott Foundation e apoio do Movimento Bem Maior.


SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br.

Veja a programação completa do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2025

A 14° edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais acontece no 1 de outubro, quarta-feira, a edição presencial, exclusiva para convidados, acontecerá na Casa Melhoramentos (R. Tito, 479 – Vila Romana, São Paulo – SP).  

Com o tema Esperançar, o evento acontecerá em formato presencial para convidados e será transmitido ao vivo a todos os interessados em acompanhar os debates.

AS INSCRIÇÕES JÁ ESTÃO ABERTAS PARA A EDIÇÃO ONLINE


Confira a ementa do evento:

Diante da complexidade da policrise mundial, é fácil sentir-se paralisado, com o horizonte do futuro encoberto pela incerteza. Mas não podemos apenas esperar. Precisamos reacender a chama de nossa humanidade resiliente, cultivar a confiança na solidariedade e em nós mesmos. Mais do que nunca, é tempo de agir, colaborar, mobilizar forças e acreditar que um mundo com mais equidade é possível. A filantropia é um farol, guiando a direção de novas alternativas e possibilidades, transformando esperança em movimento. Sigamos, com coragem para esperançar.

Nesta edição, junte-se a nós para explorar como a esperança pode e deve ser um verbo de ação a partir de histórias e práticas.

 


CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

9h10 | Performance artística e abertura do evento

 

9h35 | O esperançar é ancestral
Daniel Munduruku

Em muitas línguas indígenas, não há uma palavra para ‘futuro’. O tempo se constrói entre o passado e o presente, e é no agora que se semeia o que virá. Aprender com os povos originários é reconhecer que pertencemos – e que pertencer implica cuidar. Seus saberes ancestrais, profundamente conectados à natureza e ao coletivo, apontam caminhos para atravessar as mudanças com respeito, colaboração e escuta. Inspirar-se nessa perspectiva é um caminho para reacender o farol da filantropia, enraizando a inovação na terra e relembrando que, para esperançar um futuro mais solidário e sustentável, é preciso primeiro pertencer.


10h
 | Esperançar em tempos de mudanças climáticas
Alice Amorim (COP30), Patricia McIlreavy (Center for Disaster Philanthropy) e Viviana Santiago (Oxfam Brasil) com moderação de Malu Nunes (Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza)

A crise climática já não é um risco futuro. É uma realidade que impacta comunidades em todo o mundo. A intensificação das emergências exige respostas ágeis, mas também visão de longo prazo para promover transições justas. Neste cenário, o Brasil se prepara para sediar a Conferência do Clima da ONU na Amazônia, região chave para o equilíbrio climático nacional e global. Do apoio à adaptação e à reconstrução, à mobilização por justiça climática, desenvolvimento socioambiental e políticas públicas equitativas, as iniciativas filantrópicas têm atuado em múltiplas frentes. Com olhares nacionais e internacionais, as experiências compartilhadas colocam as comunidades no centro das decisões e reforçam o papel das doações na construção de futuros sustentáveis. Porque o planeta exige coragem, escuta ativa e alianças plurais.

 

10h50 | Empresas semeando transformações
Fátima Lima (MAPFRE no Brasil), Murilo Nogueira (Fundação Bradesco) e Keyla Rodrigues  (Fundação Sicredi) e com moderação de Helen Pedroso (L’Oreal)

Diante de crises recorrentes e desigualdades persistentes, o setor empresarial e suas fundações são cada vez mais convocados a atuar com intencionalidade, estratégia e compromisso de longo prazo. Com raízes em territórios e ações com capilaridade para atuar nas mais diversas frentes, iniciativas empresariais têm mostrado como é possível semear transformações e trazer esperança para grupos vulnerabilizados. Convidamos a audiência a refletir como a filantropia empresarial pode gerar respostas consistentes e estruturantes – não apenas mitigando danos, mas contribuindo de forma profunda a  causas e construindo legados de impacto social positivo por gerações.

 

SESSÕES PARALELAS

11h40 | Reverberando impactos: a geração de valor na cadeia filantrópica
Aron Zylberman (Instituto Cyrela), David Saad (Instituto Natura),  Alejandro Alvarez von Gustedt (Rockefeller Philanthropy Advisors) e moderação de Thais Nascimento (GIFE)

A pandemia de COVID-19 revelou o potencial filantrópico das empresas: além de recursos financeiros, corporações possuem ativos, redes, recursos e capacidades que podem ser mobilizados para resolver problemas socioambientais. A cadeia filantrópica, ou seja o processo de apoio financeiro a organizações e projetos, ao envolver vários stakeholders ( partes interessadas) da empresa gera valor não só para a sociedade mas também para a empresa que se beneficia de maior atração e retenção de talentos, ganhos reputacionais, oportunidades de aprendizado, inovação e melhoria nas relações com a comunidade. Vamos conhecer experiências que podem ser seguidas para que mais empresas potencializem seus impactos em suas cadeias filantrópicas.

11h40 | Cultivando futuros: caminhos para a filantropia familiar no Brasil (não será transmitido ao vivo)
Carola Matarazzo (Movimento Bem Maior), Fernando Nogueira (ABCR), Marina Cançado (Converge Capital) e moderação de Márcia Kalvon (Instituto Futuro é Infância Saudável – Infinis)

Com a retração de recursos internacionais e o aumento da complexidade dos desafios globais, ganha força o fortalecimento de estruturas locais de financiamento e engajamento. A filantropia familiar, com potencial de flexibilidade, visão de longo prazo e conexão com os territórios, têm papel central nesse processo. A partir das propostas do estudo ‘Caminhos para uma atuação mais ampla e estratégica da filantropia familiar no Brasil’, esta sessão convida à reflexão sobre como ampliar e tornar essa prática mais estratégica, tornando o campo mais estruturado, acolhedor e colaborativo – entendendo que a transformação exige articulação entre filantropos, especialistas, organizações e formuladores de políticas públicas. A filantropia familiar traz esperança e ação na busca de  uma sociedade mais equitativa e sustentável.


12h30
| Almoço temático

 

14h | Humanidade: a origem da esperança
David Kyuman Kim (Being Human)

Em tempos de policrise marcados pelo medo e polarização, David Kyuman Kim nos convida a observar o horizonte e recuperar perguntas essenciais: o que significa ser humano? Por que amar, apesar do ódio? Como perdoar? Por que o outro importa? Mais do que nunca, a ousadia de esperançar se faz necessária para promover um futuro possível a todos e a plataforma Being Human nos propõe este exercício. Nesta sessão, vamos praticar a esperança como verbo de ação, provocando sobre qual seria o papel da filantropia e do investimento social na construção deste futuro com mais solidariedade, compaixão e amor ao próximo.

14h20 | Em conversa com..
Tânia Haddad (Insper)

 

14h50 | Lançamento: Websérie Transformando Territórios

 

SESSÕES PARALELAS

15h | Esperançar e não esperar: monitoramento para a construção de pontes
Ana Fontes (Rede Mulher Empreendedora), Jessie Krafft (CAF America), Letícia Born (Co-Impact) e moderação de Wesley Matheus (SMA/MPO)

Iniciar um projeto socioambiental significa desejar impactos positivos a partir de recursos limitados. O processo originalmente planejado nem sempre se mostra o melhor caminho na prática e por isso que o investimento em monitoramento tem se mostrado tão importante para facilitar o diálogo entre os envolvidos e permitir correções de rota. Um processo crítico contínuo, que nos leva a esperançar ao invés de apenas esperar por bons resultados. Mas quais as ferramentas e qual o nível ideal de acompanhamento? E como elementos como dados, confiança e equilíbrio de poder entram nesta equação?

15h | Territórios e Comunidades: sonhar e transformar (não será transmitido ao vivo)
Gleice Santana Morais (Sicoob), Tião Rocha (CPCD) e Vitor Hugo Neia (Fundação Grupo Volkswagen) com moderação de Selma Moreira (IDIS)

A força de uma comunidade está na capacidade de manter-se firme diante das adversidades e de reconstruir-se coletivamente nos momentos de necessidade. Investir em comunidades resilientes e cultivar o engajamento local, como no cooperativismo e filantropia comunitária, é fundamental para transformar realidades e cultivar o espírito de solidariedade. Conheça experiências que reconhecem o valor da cultura, da economia local, da cooperação e da escuta como ferramentas de transformação. São caminhos que mostram como a filantropia e o investimento social privado podem alavancar potências já existentes, disseminar esperança, promovendo inclusão e autonomia – sempre com respeito à sabedoria de quem conhece o território em que vive.

 

15h50 | Coffee Break

 

16h10 | Prêmio Empreendedor Social: vencedores 2024
Jorge Júnior (Trampay), Simony César (Super NINA), Valmir Ortega (Belterra Agroflorestas) e moderação de Eliane Trindade (Folha de S.Paulo)

Lançado em 2005, o Prêmio Empreendedor Social, da Folha de S.Paulo em parceria com a Fundação Schwab, reconhece anualmente empreendedores que se destacaram por colocar em prática soluções socioambientais, trazendo esperança de um futuro melhor. Conheça os vencedores da última edição, nas categorias Inovadores Sociais do Ano e Soluções que Inspiram.

 

16h40 | Inovações e tecnologia: da distopia a utopia
Camila Valverde (Fundação ArcelorMittal), Eduardo Saron (Fundação Itaú), João Abreu (ImpulsoGov) e moderação de Adriana Abdenur (Global Fund for a New Economy)

A tecnologia é uma ferramenta poderosa quando está a serviço das pessoas e das soluções que buscamos coletivamente. A inteligência artificial, plataformas de dados e metodologias digitais têm ampliado a capacidade de gerar impacto de forma estratégica, especialmente quando conectadas a políticas públicas e avaliação de impacto. Reunimos experiências que mostram como a tecnologia pode fortalecer a atuação de gestores públicos, impulsionar mudanças estruturais e promover uma cultura avaliativa voltada à transformação social. Combinando parcerias estratégicas, dados inteligentes e visão de longo prazo, o debate aponta caminhos para escalar soluções que respondam a desafios urgentes – sem perder de vista o compromisso com equidade, confiança e colaboração.

 

17h30 | Interdependência e Resiliência: o esperançar é coletivo
Felipe Bogotá (TerritoriA), Rachel Flynn (Skoll Foundation), Thuane ‘Thux’ Nascimento (PerifaConnection) e Paula Fabiani (IDIS)

O futuro que desejamos não será construído por uma única voz, organização ou território. Ele surgirá da ação coletiva, do diálogo contínuo e da coragem de transformar estruturas. Encerrando esta edição do Fórum, esta plenária nos convida a manter acesa a chama que percorreu o dia: a certeza de que esperançar é verbo de ação – e exige o movimento de cada um de nós. Requer também confiança – nas pessoas, nas redes, nos territórios – como base para uma filantropia viva, democrática e mobilizadora. É preciso descentralizar recursos, democratizar decisões, diversificar vozes e colocar no centro quem vive os desafios e constrói, todos os dias, caminhos de transformação. Esperançar, mais do que imaginar o amanhã, é ter a ousadia de começá-lo agora.

18h20 | Encerramento

 

realização e apoio

FÓRUM BRASILEIRO DE FILANTROPOS E INVESTIDORES SOCIAIS

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.500 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em nosso canal do YouTube estão disponíveis listas com as gravações de todas as edições. Confira!

 

População de países pobres é mais generosa que a de nações ricas, mostra ranking global de doações

World Giving Report apresenta dados inéditos que avalia a proporção da renda destinada a doações em 101 países

O World Giving Report 2025, nova pesquisa da britânica Charities Aid Foundation (CAF), representada no Brasil pelo IDIS, apresenta pela primeira vez um indicador que mede a generosidade dos países com base na proporção da renda destinada a doações – sejam elas para organizações, pessoas em situação de vulnerabilidade ou motivos religiosos. Segundo o relatório, o Brasil ocupa a 48ª posição, com a média de 0,93% da renda dos brasileiros sendo destinada a causas socioambientais – um resultado acima da média sul-americana, que ficou em 0,73%.

A pesquisa ouviu mais de 50 mil pessoas em 101 países para entender a solidariedade em escala global e refere-se à doações realizadas ao longo de 2024. Um dos principais achados do estudo é que, proporcionalmente, os países mais pobres são os que mais doam: a média global nesses foi de 1,45% da renda, mais que o dobro dos 0,7% registrados em países considerados mais ricos. No continente africano, esse percentual chega a 1,54%, enquanto na Europa é de apenas 0,64%.

A Nigéria lidera o ranking global de generosidade, com cidadãos destinando 2,83% de sua renda para causas de benefício público. Em contraste, três países do G7 estão entre os que menos doam proporcionalmente: França (0,45%), Alemanha (0,39%) e Japão (0,16%). Os Estados Unidos, por sua vez, chegou à 0,97%, ocupando a 46ª posição, empatados com Singapura.

Baixe a publicação completa (disponível apenas em inglês):

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A confiança nas organizações e o papel do governo

Em um momento em que organizações sociais em todo o mundo enfrentam dificuldades financeiras, as pessoas dizem que estariam mais dispostas a doar se tivessem mais dinheiro (45%), se soubessem mais sobre como seu dinheiro seria usado (36%) e sobre o impacto que a instituição poderia ter (35%).

Outro destaque apresentado, indica que, globalmente as pessoas são mais generosas quando seus governos incentivam a doação. Quando isso ocorre, as pessoas também tendem a confiar mais nas instituições e vê-las como mais importantes para a sociedade.

No caso brasileiro, embora os níveis de confiança em organizações sociais estejam um pouco acima da média global (o país registra 10 pontos em uma escala de 15, enquanto a média global é de 9,2), ainda estão aquém do seu pleno potencial, indicando que há um espaço significativo para melhorias. No Brasil, ainda, as pessoas tendem a priorizar em suas doações organizações locais e nacionais em detrimento a instituições internacionais. Essa preferência pode estar relacionada ao desejo de ter maior compreensão e proximidade com as causas e organizações apoiadas.

“A generosidade não está necessariamente ligada à riqueza ou à segurança, mas à percepção de necessidade – frequentemente direcionada àqueles mais próximos. Em tempos desafiadores, há muito o que aprender sobre a força da conexão e a compaixão entre cidadãos, estejam eles ao nosso lado ou do outro lado do mundo.” afirma Neil Heslop, CEO da Charities Aid Foundation.

 

Confira outros destaques do World Giving Report no site clicando aqui.

 

Detalhes do cenário brasileiro de doação

Para entender melhor o cenário brasileiro da cultura de doação, o IDIS lança, no dia 6 de agosto, a Pesquisa Doação Brasil 2024 – o mais amplo e pioneiro estudo sobre os hábitos do doador individual no país. Em sua quarta edição, a pesquisa trará uma atualização completa dos dados sobre o comportamento tanto de quem doa quanto de quem não doa. Como novidade, esta edição contará com um capítulo especial dedicado a analisar como situações emergenciais impactam a cultura de doação no Brasil.

O lançamento é gratuito e está com inscrições abertas por meio do link.

Vitória para o Terceiro Setor: Congresso derruba veto e garante reconhecimento tributário aos Fundos Filantrópicos

Conquista fortalece o financiamento de longo prazo para causas públicas e impulsiona a cultura de doação no Brasil

No dia 17/06, o Congresso Nacional derrubou, em sessão conjunta, o veto presidencial ao inciso X do artigo 26 do Projeto de Lei Complementar 68/2024, garantindo que os Fundos Patrimoniais Filantrópicos tenham o tratamento tributário adequado no novo sistema da Reforma Tributária, assegurando que que esses fundos não são contribuintes de do IBS e da CBS — tributos que substituirão o ICMS, ISS, PIS e COFINS.

A conquista é fruto de uma ampla mobilização da sociedade civil, com protagonismo da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos e da Aliança pelo Fortalecimento da Sociedade Civil, que articulou com parlamentares, produziu estudos técnicos, participou de audiências públicas e mobilizou a sociedade em defesa da pauta.

Diferente de fundos financeiros privados, os fundos patrimoniais filantrópicos têm por finalidade custear causas públicas como saúde, educação, cultura, meio ambiente e ciência. Sua estrutura permite a geração de recursos de longo prazo e estabilidade financeira para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), universidades, museus e centros de pesquisa.

“A derrubada do veto ao inciso X do  art. 26 da Lei do IBS e CBS (Lei Complementar nº 214/2025) foi uma conquista da sociedade civil que, democraticamente, demonstrou aos parlamentares o quanto o veto era equivocado e prejudicial ao desenvolvimento de fundos patrimoniais filantrópicos. Com o veto, os fundos patrimoniais não serão tributados pelo IBS e CBS”, diz Priscila Pasqualin, advogada e sócia do PLKC Advogados e integrante da Aliança Pelo Fortalecimento da Sociedade Civil.

Por que isso importa?

  • Garante segurança jurídica para os fundos filantrópicos. 
  • Evita a bitributação ou a taxação indevida sobre doações destinadas ao bem público. 
  • Estimula a cultura de doação estruturada no Brasil. 
  • Fortalece o papel das OSCs e de instituições públicas na promoção de direitos e políticas sociais. 

A experiência internacional comprova a importância de um ambiente tributário favorável à filantropia. Em países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, incentivos fiscais e isenções permitiram a consolidação de fundos robustos, que hoje representam mais de 2% do PIB em ativos filantrópicos.

No Brasil, essa vitória legislativa marca um avanço importante no fortalecimento do ecossistema de doação e da democracia.

“Temos mais de 120 fundos patrimoniais filantrópicos no Brasil, que destinam anualmente mais de R$ 3 bilhões para causas de interesse público. Estas causas estavam sob risco de serem penalizadas por um erro de conceituação, levando a uma tributação descabida sobre esses fundos. A derrubada desses vetos é uma vitória muito importante para o terceiro setor e para o país”, diz Andrea Hanai, consultora do IDIS e integrante da Aliança Pelo Fortalecimento da Sociedade Civil.

Zurich Seguros abre edital para apoio de projetos sociais com incentivo fiscal

Inscrições vão de 30 de junho a 3 de agosto de 2025 e priorizam iniciativas relacionadas aos eixos de atuação social da empresa.

A Zurich Seguros, com o apoio técnico do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, está com inscrições abertas para apoiar projetos sociais que se enquadrem nas leis federais de incentivo fiscal. O edital busca selecionar iniciativas conectadas aos eixos de atuação social da empresa, sendo eles: Desenvolvimento Psicossocial e Cidadania; Saúde Física e Mental; e Inclusão Social, Cultural e Ambiental. O período de inscrições vai de 30 de junho a 03 de agosto de 2025. Todas as regras, critérios de seleção e orientações estão disponíveis neste link. 

Podem participar projetos aptos para captação de recursos via Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet), Lei de Incentivo ao Esporte, Fundo do Idoso, Fundo da Criança  e Lei da Reciclagem. As instituições sem fins lucrativos podem inscrever mais de um projeto, desde que em conformidade com as diretrizes das respectivas legislações.

INSCREVA-SE AQUI!

Desde 2020, a Zurich Seguros impactou positivamente mais de 80 mil pessoas com o apoio de projetos via Leis de Incentivo.  Atualmente, a companhia apoia seis iniciativas em diferentes áreas, como o Instituto Baccarelli e Instituto Incanto (cultura), Instituto Esporte e Educação (esporte), United Way Brasil (educação para crianças e adolescentes), Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto (idoso) e Santa Casa de Rondonópolis (saúde), além de promover o engajamento de seus colaboradores por meio de atividades de voluntariado junto às mesmas instituições.

“A Sustentabilidade também está em como impactamos a sociedade e no legado que deixamos para as comunidades em que atuamos”, pontua Nathalia Abreu, gerente de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa da Zurich. “Vamos apoiar projetos que priorizem grupos minorizados, promovendo empoderamento econômico, educação e capacitação profissional com desenvolvimento biopsicossocial. Esse é o nosso foco. Também queremos olhar para iniciativas para além dos grandes centros, convidando instituições de várias regiões do país a inscreverem seus projetos”.

Responsabilidade social corporativa na zurich

Desde 2017, a Zurich Seguros já investiu mais de R$ 77 milhões no terceiro setor, através do seu Programa de Responsabilidade Social Corporativa, apoiando mais de 100 instituições através das leis de incentivo fiscal, recursos financeiros próprios e recursos da provenientes da sua fundação global e sem fins lucrativos, a Z Zurich Foundation. Apenas em 2024, foram mais de R$ 17 milhões investidos, impactando mais de 2,5 milhões de pessoas.

As ações voluntárias também têm papel de destaque: foram aproximadamente 27 mil horas voluntárias dedicadas desde 2017, sendo cerca de 8 mil horas apenas em 2024, com mais de 80% dos colaboradores engajados em pelo menos uma ação.

“Temos consciência do quão expressivos e diferenciados são esses números. As instituições que estiverem conosco serão acompanhadas continuamente em seus projetos, visando a compreensão global de suas necessidades e o apoio para além dos recursos financeiros. Elas encontrarão um programa sólido e uma comunidade pronta para apoiá-los”, finaliza Nathalia.

SOBRE A ZURICH SEGUROS

A Zurich Seguros soma seu conhecimento de mais de 80 anos no Brasil à sua experiência internacional para oferecer soluções de seguros para pessoas e empresas brasileiras, tendo no centro de sua estratégia as necessidades dos clientes. A atuação da Zurich no Brasil é uma das maiores na América Latina, contribuindo para o desenvolvimento social, econômico e sustentável do país. Com este objetivo, a Zurich dispõe de produtos e serviços sob medida para este mercado e contribui com projetos de impacto para a comunidade, como o Zurich Forest, que apoia o reflorestamento e a restauração da biodiversidade no Brasil, refletindo a ambição global da seguradora de se tornar uma das empresas mais responsáveis e com maior impacto no mundo. Saiba mais em www.zurich.com.br.

A Zurich Seguros integra o Zurich Insurance Group (Zurich), um segurador líder multilinha que serve tanto pessoas físicas como empresas em mais de 200 países e territórios. Fundada há mais de 150 anos, a Zurich vem transformando o setor segurador. Além de fornecer proteção por meio dos seguros, disponibiliza cada vez mais serviços de prevenção, como por exemplo os serviços que promovem o bem-estar e os que reforçam a resiliência climática. O Grupo Zurich tem cerca de 60 mil colaboradores e tem sede em Zurique, na Suíça. O Zurich Insurance Group Ltd (ZURN) está cotado na SIX Swiss Exchange e tem um programa de American Depositary Receipt (ZURVY) de nível I, que é negociado livremente no OTCQX. Mais informações disponíveis em www.zurich.com.

SOBRE O IDIS

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social- foi fundado em 1999, e é uma organização social independente.  É a primeira organização a apoiar estrategicamente os investidores sociais no Brasil. Seu objetivo é inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, promovendo ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país. Tem a sua atuação apoiada na geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia e da cultura de doação.


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Com apoio do Google.org, IDIS realizará capacitação em IA para OSCs

Durante a Google for Brasil 2025, realizada em junho, para um público de cerca de 500 pessoas em São Paulo, o presidente da empresa, Fábio Coelho anunciou o aporte de R$5 milhões para treinamento de inteligência artificial para o terceiro setor, a iniciativa é liderada pela vertente filantrópica do Google, o Google.org. O projeto será implementado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social ao longo de três anos, com estimativa de impactar 1.000 organizações sociais, capacitando até 250 delas com habilidades e ferramentas para adotar a IA de forma a aprimorar sua efetividade, sustentabilidade e gerar impacto positivo para 100.000 beneficiários.

Uma pesquisa lançada recentemente pelo Canal SabIAr, em parceria com o Instituto Beja, mostra que apenas 10% dos movimentos sociais e coletivos têm adoção de alta tecnologia.  Além da baixa aplicabilidade, há uma lacuna significativa de conhecimento técnico entre as equipes, o que limita a capacidade do setor de aproveitar plenamente o potencial transformador da IA.

Fabio Coelho, presidente do Google Brasil, no evento Google for Brasil 2025, em 10 de junho de 2025. Divulgação/Google Brasil.

“Acreditamos que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta poderosa e, ao apoiar iniciativas que promovam a capacitação técnica em IA, o Google contribui para que mais organizações tenham acesso a recursos que aumentem sua eficiência, sustentabilidade e alcance. Nosso compromisso é usar a tecnologia para gerar transformações positivas e aderências na sociedade.”, explica Coelho, presidente do Google Brasil.

Em resposta a essa necessidade premente, o IDIS, que atua no fortalecimento do investimento social privado, implementará um programa de capacitação abrangente voltado ao terceiro setor. Complementando esse esforço, o instituto também liderará o desenvolvimento de uma metodologia de pesquisa, baseada em evidências, para avaliar como o investimento em IA influencia o desempenho organizacional e como a tecnologia pode ampliar o potencial de impacto das organizações que a adotam de forma eficaz.

“Essa iniciativa foi concebida para gerar resultados mensuráveis, tais como aumento da produtividade, aprimoramento das capacidades tecnológicas, acesso a plataformas pagas, ampliação do impacto social e do alcance junto aos beneficiários de diversas causas sociais, além de uma tomada de decisão mais estratégica e orientada por dados. O programa culminará em um estudo analítico abrangente, essencial para compreender se a intervenção leva, de fato, a resultados significativos e de que forma essas mudanças ocorrem ao longo do processo”, conta Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS

Tem interesse em participar do programa? Saiba mais! 

A primeira atividade acontecerá em 22 de outubro, das 9h30 às 12h. Trata-se de um webinar gratuito e aberto aos interessados em saber mais sobre conceitos e ferramentas de inteligência artificial, oportunidades para o uso no Terceiro Setor e cuidados para sua aplicação. Exemplos práticos, modelos de comandos (prompts) e casos de sucesso serão usados para tornar o conteúdo acessível e com aplicações imediatas.
A participação se dará por meio de inscrição. O número de participantes por organização é ilimitado.

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