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Retrospectiva 2020: um ano inacreditável

O ano está chegando ao fim e faltam palavras para definir o que foi 2020, o ano mais inacreditável de nossas vidas. Em todo o mundo, fomos tomados por sentimentos de surpresa, incredulidade, temor, incerteza. Em maior ou menor grau, todos tivemos que adaptar formas de trabalhar e rever planos. No IDIS, não foi diferente. Definitivamente, não terminamos o ano da forma como imaginamos, mas apesar de tudo, conseguimos avançar em nossa missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto e fortalecer a cultura de doação no Brasil.

A criação do Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil foi certamente o projeto de impacto que marcou nosso ano. Para contribuir com o enfrentamento à pandemia, nos unimos ao Movimento Bem Maior e a BSocial. Agimos rápido, lançando o Fundo ainda em março. Em oito meses, mobilizamos indivíduos, famílias e empresas e captamos R$ 40 milhões para fortalecer o SUS, beneficiamos 60 instituições, sendo 58 hospitais, 1 centro de pesquisa e uma organização social.

Destacamos, ainda, entre os projetos implantados por iniciativa do IDIS, a promoção da Filantropia Comunitária, em parceria com a Mott Foundation, e o programa de formação de redes de inclusão produtiva, junto com o SEBRAE-SP, além da continuidade da campanha Descubra Sua Causa.

A consultoria cresceu, com mais de uma dezena de projetos iniciados neste ano, com focos diversos como planejamento estratégico, estruturação de fundos patrimoniais, gestão da doação e avaliação de impacto. Amigos do Bem, Gerando Falcões, Instituto International Paper, Instituto Sicoob, Parceiros da Educação, Petrobrás e Vale, foram alguns dos novos parceiros que começamos a atender.

Na área de conhecimento, seguimos com nossa vocação de refletir sobre tendências, ler cenários e sistematizar conceitos e metodologias. Lançamos quatro publicações, doze artigos e notas técnicas e realizamos cinco eventos, entre eles, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, realizado pela primeira vez em formato online, mas que foi capaz de novamente reunir a comunidade que vem se consolidando há nove anos. Participamos também de muitos eventos, tanto de nosso setor, quanto fora dele, compartilhando nossos aprendizados em 25 ocasiões, no Brasil e também internacionalmente.

Finalizamos o projeto de revisão de nossa marca institucional. Cada vez mais convictos de que a integração de fazeres e saberes é o que nos faz avançar, apresentamos, em dezembro, nossa nova identidade visual.

E fomos reconhecidos. Fomos eleitos uma das 100 melhores ONGs de 2020 e o Fundo Emergencial para a Saúde foi vencedor no Prêmio Folha Empreendedor Social e finalista no Prêmio ABCR Doação Solutions.

Há muitas histórias a serem contadas, que se passaram neste ano tão único. Vamos reunir cada uma delas em nosso relatório de atividades, que será lançado em alguns meses. Mas não poderíamos encerrar o ano sem celebrar esses marcos, pois eles nos fortalecem, e agradecer a cada um que esteve conosco nessa jornada – equipe, conselho, clientes e parceiros.

Que 2021 seja um ano de mais conexões e abraços! BOAS FESTAS!

IDIS é uma das 100 melhores ONGs do Brasil em 2020

Por anos as organizações da sociedade civil foram estigmatizadas pela falta de profissionalismo. Práticas de gestão eram associadas unicamente ao mundo empresarial. Em 2017, o Prêmio Melhores ONGs foi lançado, colocando definitivamente a percepção em xeque. Desde então, seleciona todos os anos 100 organizações que se destacam em critérios como governança, transparência, comunicação e financiamento. E a disputa é sempre acirrada – na edição 2020 houve 670 inscrições. Com muito orgulho, o IDIS foi uma das 100 organizações selecionadas nesta edição, realizada pelo Instituto Doar, AMBEV Voa e O Mundo que Queremos. “Boas práticas de gestão nos permitem chegar mais longe, ter mais impacto e gerar a credibilidade exigida por nossos parceiros e apoiadores. Esta premiação é muito importante ao nosso setor e é uma honra receber este reconhecimento mais uma vez” comenta Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS. A lista completa dos vencedores está disponível em melhores.org.br

A celebração dos vencedores acontecerá em uma cerimônia virtual, no dia 10 de dezembro, a partir das 19h, com transmissão pelo YouTube e pelo site do canal Futura. Na ocasião, serão anunciadas também as melhores ONGs nas categorias especiais e o destaque do ano. A participação é aberta a todos interessados.

Uma novidade deste ano é o lançamento de uma plataforma para ajudar as ONGs vencedoras a captar doações. A equipe do Melhores ONGs desenvolveu uma plataforma onde qualquer pessoa pode entrar e doar diretamente para qualquer uma das 100 ONGs vencedoras. A plataforma para doação também já está disponível a partir de hoje. É um presente do Melhores ONGs para o Dia de Doar, uma campanha mundial no dia 1 de dezembro para estimular as contribuições financeiras para as organizações.

O IDIS já havia sido reconhecido na primeira edição do Prêmio, em 2017, e depois novamente em 2019.

IDIS se une a Sebrae-SP na construção de rede de colaboração para a inclusão produtiva

O Sebrae-SP e o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento Social firmaram parceria para estimular a inclusão produtiva no estado de São Paulo. A iniciativa, ainda em caráter piloto, tem como objetivo construir redes de colaboração locais entre organizações comunitárias, possibilitando a troca de experiências, desafios e conhecimentos, além da cooperação e da busca conjunta por soluções. A experiência trará subsídios para o Sebrae apoiar o fortalecimento dessas organizações por meio desta nova metodologia de rede.

Associação Frutos da Terra

“As organizações comunitárias representam um grande apoio para as pessoas em situação de vulnerabilidade e um parceiro estratégico na promoção da Inclusão Produtiva e da cultura empreendedora junto aos que mais necessitam”, comenta Wilson Poit, Superintendente do Sebrae-SP.
O projeto teve início em julho com um extenso mapeamento das organizações atuantes direta ou indiretamente com Inclusão Produtiva em quatro macrorregiões: Bauru, Vale do Ribeira, Pontal do Paranapanema e Alta Paulista. Contribuíram nesta fase o poder público, movimentos populares, acadêmicos e os escritórios locais do Sebrae para identificar as mais relevantes.

A segunda fase, finalizada em novembro, contemplou visitas a campo da equipe do IDIS para conhecer de perto a realidade e desafios de cada uma das organizações. “Em um mesmo dia visitamos uma aldeia indígena e uma penitenciária. Há uma diversidade grande de realidades, e nosso desafio é uni-las em torno de uma pauta comum”, explica Alessandra Martins, gerente de projetos do IDIS. Há ainda três etapas previstas, que consistem na realização de workshops presenciais nas quatro regiões para o desenho de estratégias que respondam aos desafios das redes locais, o acompanhamento e suporte para a execução dos planos desenhados, e por fim a realização de novos workshops com a presença de atores estratégicos locais para o compartilhamento de resultados e convite para fazerem parte das redes formadas.

Sobre o projeto, Anderson Ricardo Mariano, da Wise Madness, organização social com foco na promoção de arte, educação e cultura para comunidades em Bauru e região, afirma: “Acredito que alguns dos sonhos que tenho em relação às crianças, jovens e mesmo aos pais dos alunos atendidos pela Wise, podem ser concretizados mais facilmente com o apoio de uma rede, como a proposta neste projeto do Sebrae”.

“A pandemia agravou a desigualdade no país e a inclusão produtiva será uma agenda prioritária no próximo ano. Esta experiência piloto já tem gerado grandes aprendizados e acreditamos que o modelo fortalecerá diretamente inúmeras organizações e tem o potencial de ganhar uma grande escala.”, comenta Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS.

Entre os públicos atendidos pelas organizações selecionadas estão artesãos, egressos do sistema prisional, imigrantes, indígenas, pequenos agricultores, catadores, adultos com baixa escolaridade, entre outros. Ao todo, sete escritórios regionais do SebraeSP foram envolvidos: ER Vale do Ribeira, ER Sudoeste Paulista, ER Baixada Santista, ER Sorocaba, ER Bauru, ER Marília e ER Presidente Prudente. A Coordenação de Inclusão Produtiva da área de Políticas Públicas da instituição é a responsável pela coordenação.

Se quiser saber mais sobre o projeto, entre em contato conosco:

Alessandra Ferreira Martins <amartins@idis.org.br>

Beatriz Renno Biscalchim <beatrizrb@sebraesp.com.br>

Workshop IDIS e PYXERA | Como engajar seus colaboradores em ações solidárias?

‘Solidariedade’ e ‘doação’ foram palavras muito citadas nos momentos do auge da pandemia de Covid-19, pois foram esses dois conceitos, somados às diversas iniciativas do Terceiro Setor, que garantiram a sobrevivência de milhares de pessoas, vítimas, diretas ou não, do Coronavírus.

Mas, na medida em que o sentimento de emergência arrefeceu, essas expressões começaram a minguar junto com o número de casos. Sabemos que sem uma boa dose de impulso, a tendência é que tudo volte ao que era antes, e que a ‘solidariedade’ e a ‘doação’ fiquem, cada vez mais, anestesiadas.

Portanto, estamos em um instante propício, senão necessário, para que as empresas usem a influência que têm sobre seus colaboradores para prolongar, ou talvez até perenizar, o hábito da doação.

Na segunda semana de novembro, o IDIS e a PYXERA Global promoveram um workshop sobre iniciativas solidárias envolvendo colaboradores, reunindo uma audiência online de cerca de 60 representantes de empresas e interessados no assunto. Confira a apresentação completa:

Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, falou sobre Cultura de Doação e o papel das empresas, trazendo dados sobre hábitos de doação individual, investimento social privado e mostrando a potência de quando esses dois universos se encontram no desenvolvimento de ações solidárias com colaboradores.

Fernanda Scur, Partnership Strategist for Collective Impact da PYXERA Global, destacou sobre como é possível quebrar silos e engajar colaboradores em ações de impacto. A representante reforçou: “as empresas podem contribuir para o bem da sociedade ao mesmo tempo que atendem objetivos de negócio, gerando impacto triplo com foco nos colaboradores, nos negócios e na comunidade”.

Histórias que inspiram

O workshop também contou com a participação de Carlos Pignatari, head de Impacto Social da Cervejaria Ambev, Liliane Moura, supervisora de Projetos Sociais do Instituto 3M, e Tomás Carmona, superintendente de Sustentabilidade da SulAmérica, que compartilharam suas experiências no evento.

O workshop foi acompanhado pela artista gráfica Mila Santoro, da Regência Criativa, que registrou todas conversas. Os aprendizados foram sistematizados em uma publicação, que inclui um passo-a-passo para orientar os interessados em engajar o público interno em atividades de solidariedade, mas que não sabem exatamente por onde começar.

Conheça a publicação | “Como engajar seus colaboradores em ações solidárias” 

 

Engajando colaboradores em ações solidárias

Engajar os colaboradores em ações solidárias é uma iniciativa que traz benefícios para muitos. Os resultados possíveis dessa união são diversos, indo além do impacto social gerado. Melhoria do clima organizacional, aumento do sentimento de pertencimento, oportunidade de desenvolvimento de competências, fortalecimento de laços entre colaboradores, aprofundamento do relacionamento com a comunidade da empresa, contribuição à estratégia de impacto e investimento social privado da empresa, contribuição à atração talentos e contribuição à reputação da marca junto a clientes são alguns dos benefícios de ações solidárias envolvendo os colaboradores. Tudo isso sem mencionar a melhora da imagem junto aos clientes. E as pesquisas mostram que consumidores esperam, cada vez mais, que as empresas desempenhem um papel social relevante. O consumidor demanda ações concretas da iniciativa privada, recompensando as marcas que admira e punindo aquelas que não correspondem às expectativas.

O workshop também inspirou a publicação de um artigo, disponível aqui.

Dicas para engajar colaboradores em ações solidárias e de impacto

O brasileiro é solidário. Doar dinheiro, fazer um trabalho voluntário ou simplesmente ajudar um desconhecido são atitudes que fazem parte de nosso dia a dia . A pandemia que estamos vivendo em 2020 nos mostrou, mais do que nunca, a relevância desse tipo de ação e como precisam ser ampliadas ainda mais.

A experiência do IDIS e da PYXERA Global indica que o setor privado tem um papel fundamental no estímulo e facilitação dessas ações de solidariedade junto a colaboradores, que podem ser realizadas por meio de programas de engajamento desenhados estrategicamente. Essas iniciativas podem ir muito além do engajamento, criando alinhamento interno entre as estratégias de impacto e de negócio, já que as empresas têm também um papel social relevante.

Quando unimos o investimento social empresarial com os anseios individuais, encontramos um campo fértil para ações solidárias de empresas junto ao seu público interno, porque pessoas são movidas por propósitos. Os resultados possíveis dessa união são muitos, indo além do impacto social gerado. Melhoria do clima organizacional, aumento do sentimento de pertencimento, oportunidade de desenvolvimento de competências, fortalecimento de laços entre colaboradores, aprofundamento do relacionamento com a comunidade da empresa, contribuição à estratégia de impacto e investimento social privado da empresa, contribuição à atração talentos e contribuição à reputação da marca junto a clientes são alguns dos benefícios de ações solidárias envolvendo os colaboradores.

As pesquisas mostram que consumidores esperam, cada vez mais, que as empresas desempenhem seu papel social, demandando ações concretas, recompensando as marcas que admiram e punindo aquelas que não correspondem às expectativas . Ou seja, estamos falando do impacto triplo das ações de engajamento: Impacto nos Colaboradores, Impacto no Negócio, e Impacto na Comunidade.

Neste artigo, trazemos recomendações àqueles que desejam estruturar programas, integrando impacto social e engajamento, com dicas que podem ser seguidas por empresas de todos os portes e segmentos de atuação, organizadas em quatro estágios: diagnóstico; ideação e planejamento; execução; e amplificação e aprendizado.

DIAGNÓSTICO

1. Escolha um foco de atuação e descubra sua causa

Os desafios socioambientais no Brasil são inúmeros e complexos. Como decidir, então, qual será o foco de sua atuação? Em geral, é mais proveitoso investir tempo e recursos em um único foco de atuação do que distribuir para vários projetos de diferentes causas, pois o impacto gerado tende a ser maior.

A escolha da causa deve vir de dentro para fora. A causa deve ser coerente com as práticas organizacionais da empresa e com os interesses do público interno. Quanto mais o investimento social privado (ISP) for uma extensão do comportamento gerencial e uma extensão dos negócios, dos valores e dos princípios da empresa, melhor. Para conhecer os desejos dos colaboradores, faça uma pesquisa. Um jeito legal e divertido de fazer este mapeamento é aplicar o teste Descubra sua Causa. E se houver recursos, estender esse mapeamento a fornecedores e clientes permitirá entender ainda com mais detalhes os interesses daqueles que fazem parte de seu ecossistema.
Engajar os colaboradores em ações solidárias pode contribuir para o clima organizacional, para o envolvimento dos colaboradores com a empresa e até para o desenvolvimento de competências. Se estes são objetivos, vale a pena fazer uma pesquisa para definir uma linha de base.

 

2. Conheça o ecossistema e as necessidades da comunidade

Certo, você já sabe a causa que irá defender, mas antes de começar a agir, é preciso conhecer a fundo o problema que pretende atacar.
Faça uma análise detalhada das necessidades de investimento no foco de atuação escolhido. Identifique as principais demandas sociais relacionadas à causa e avalie como pode contribuir. Não deixe de mapear também quais são os recursos e as pessoas que já contribuem com a causa escolhida e o que pensa a comunidade do entorno.

O bom conhecimento do contexto social levará à construção de uma visão de futuro mais madura e à escolha de um foco de atuação de relevância para o desenvolvimento da comunidade em que a empresa está inserida.
Empresas concorrentes também devem ser foco de atenção. Conheça o que elas estão fazendo e avalie se gostaria de apostar em uma diferenciação ou se há possibilidade para uma atuação conjunta, potencializando o impacto positivo para a causa.

Por fim, conhecer as políticas públicas voltadas para o desenvolvimento socioambiental também é importante nesse processo. É fundamental verificar se as políticas são boas, mas não estão sendo implantadas, e se existem políticas locais nas regiões em que a
empresa está presente. A partir disso, é possível avaliar se seu o foco pode funcionar como catalisador ou facilitador da implementação dessas políticas, permitindo que certos grupos populacionais se beneficiem do que já existe.

Esse mapeamento permitirá delimitar o foco de atuação da empresa em relação à causa e o delimitar o foco geográfico, avaliando se o investimento será em uma comunidade específica ou em uma cidade, região ou país.

3. Engaje as lideranças

As informações já foram coletadas. É preciso organizá-las e discuti-las com as lideranças da empresa, para que se tome uma decisão de política corporativa em relação ao ISP e sobre como colaboradores podem ser envolvidos. Os objetivos e práticas devem estar alinhados com as políticas de sustentabilidade e responsabilidade social da empresa e o mapeamento interno e externo permitirão uma tomada de decisão consciente e coerente com o negócio, não apenas baseada na intuição ou na opinião pessoal de alguma dessas lideranças.

Nesse âmbito será possível definir também as questões de governança do projeto. Quem será responsável pela implementação? Que outras áreas devem ser envolvidas e de onde virá o orçamento?

 

IDEAÇÃO E PLANEJAMENTO

4. Planeje sua intervenção

Qual o público beneficiário e quais os influenciadores? Qual será a estratégia para implementá-la e quais os resultados que se espera alcançar para a causa e para a empresa?

A área responsável por conduzir o projeto deverá responder a essas perguntas, desenhando com detalhes a iniciativa. Deve considerar o orçamento disponível, assim como a infraestrutura e recursos humanos da própria empresa que podem ser aproveitados em prol da causa.

O processo de desenho do programa e planejamento de impacto inclui compartilhar sua visão com a equipe, tomar decisões sobre os principais aspectos do programa e desenvolver estratégia de programa e materiais básicos.

Aqui também será definida a forma como o público interno poderá participar. Ele contribuirá com dinheiro, bens ou tempo? Haverá algum tipo de ‘matching’ da empresa? Em caso de voluntariado, os profissionais serão estimulados a usar conhecimentos técnicos ou gerais? Poderão atuar durante o período de trabalho ou farão as atividades em seu tempo livre?

Exemplos de ações de engajamento:

      • Programas de voluntariado profissional (pro bono)
      • Programas de mentorias
      • Mutirão ou programa contínuo
      • Estímulo a doações com potencial matching
      • Payroll giving, quando a doação é descontada diretamente da folha de pagamento

 

5. Defina indicadores de impacto

A estrutura de mensuração de impacto deve ser definida nesta fase. Para acompanhar os resultados do investimento social e de seu programa de engajamento de colaboradores, defina os indicadores que irão refletir sua efetividade e monitore o projeto desde o início, verificando se os resultados parciais estão indicando a direção certa.

EXECUÇÃO

6. Comunique e mobilize

Trace um plano de comunicação para disseminar a iniciativa entre todos os públicos da empresa – sejam internos ou externos.

Para conscientizar e mobilizar o público interno, uma estratégia interessante é criar um comitê com representantes de diferentes áreas da organização. Você pode também definir ‘sponsors’ de projeto, pessoas com algum nível de influência dentro da empresa que se disponham a fazer esse papel de divulgação. Costuma ser eficiente utilizar os canais de comunicação usuais da empresa, mantendo o fluxo de comunicação constante sobre o programa, em seus diferentes estágios (ex. período de inscrição; divulgação de projetos selecionados; divulgação do andamento; divulgação dos resultados).

 

7. Implemente a ação

Agora é a hora de botar a mão na massa! Itens a serem executados nessa fase, vão desde a seleção de participantes, desenvolvimento dos projetos em si (seleção de organizações de sociedade civil, apoio aos participantes do programa durante o processo, ações de preparação e reflexão, etc.)

Não deixe de estabelecer maneiras de reconhecer o trabalho voluntário dos participantes do programa. Seja criativo. Os participantes podem receber, por exemplo, camisetas ou sinalizadores de mesa que permitam ser identificados pelos colegas. É recomendável também planejar homenagens em eventos especiais, materiais institucionais, certificados, além de divulgar as atividades, conquistas e resultados em murais internos ou na intranet da empresa. Um bom programa necessita de seus HERÓIS!

 

8. Monitore e avalie

A partir da estratégia de mensuração definida na fase de diagnóstico, é possível identificar o marco zero, isto é, a situação inicial antes da intervenção. É preciso avaliar o benefício social resultante do investimento em termos qualitativos e quantitativos. Acompanhe também, por exemplo, número de colaboradores envolvidos, horas de trabalho dedicadas ou volume doado, atividades realizadas, número de pessoas beneficiadas, recursos arrecadados e doados.

 

9. Compartilhe os resultados

Contar as conquistas de um programa, além de ser muito prazeroso, é uma boa prática de transparência e contribui para fortalecer a confiança em ações de impacto.

Lideranças, todos os colaboradores da empresa, profissionais que se engajaram diretamente e organizações impactadas pela ação, acionistas, consumidores, o poder público, a comunidade são alguns dos públicos que podem ter interesse em conhecer o que foi alcançado por meio de sua intervenção. Planeje a comunicação considerando cada um de seus públicos de interesse e fazendo as adaptações necessárias para cada um deles. Essa fase é fundamental para criar uma cultura dentro da empresa sobre o impacto positivo de tais programas e qualificar o processo de tomada de decisão.

Por último: Ouça todos que participaram do processo e prepare-se para o próximo ciclo a partir de lições aprendidas!

 

Baixe a publicação completa aqui.

Artigo escrito por Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, e Fernanda Scur, Partnership Strategist for Collective Impact da PYXERA Global, Latin America

Carta aberta ao Ministério do Turismo e à Secretaria da Cultura

A Lei 13.800, de 4 de janeiro de 2019, art. 13, § 9º, que regulamentou os Fundos Patrimoniais Filantrópicos, trouxe o benefício fiscal previsto na Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991, para as doações de propósito específico a Fundos Patrimoniais que beneficiem a causa da cultura.

As organizações da área da cultura, porém, não conseguem exercer o direito que lhes foi conferido pela Lei 13.800, pois ainda não houve a regulamentação deste incentivo fiscal, por parte da Secretaria da Cultura, com o estabelecimento de orientações para a apresentação de projetos culturais.

A regulamentação é urgente para alavancar a criação ou a ampliação de Fundos Patrimoniais voltados à cultura, em especial neste momento de redução de gastos públicos e drástica diminuição de recursos a essa área.

Os Fundos Patrimoniais voltados para as instituições culturais, públicas ou privadas sem fins lucrativos, são uma importante fonte de sustentabilidade de longo prazo para as referidas instituições, garantindo a elas recursos, mesmo em período de crise econômica, como este que o Brasil passa atualmente.

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e a Coalizão pelos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, apoiam os incentivos fiscais para todas as causas e estão trabalhando junto ao Congresso Nacional para ampliação de tais incentivos para além da cultura. Porém, como a Lei 13.800/19 já prevê incentivos para a cultura, solicitamos a priorização, por parte deste Ministério e desta Secretaria, da regulamentação desse importante benefício fiscal concedido ao setor por referida Lei.

São Paulo, 26 de outubro de 2019
COALIZÃO PELOS FUNDOS FILANTRÓPICOS (www.idis.org.br/coalizao)

Quem somos nós

A Coalizão pelos Fundos Filantrópicos é grupo multisetorial composto por mais de 70 membros, entre organizações, empresas e pessoas que apoiam a regulamentação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no país. Foi lançada em junho de 2018, e é liderada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

Organizações integrantes da Coalizão pela Fundos Filantrópicos

Coordenação

IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

Apoio Jurídico

PLKC Advogados

Apoio Institucional

APF Associação Paulista de Fundações
CEBRAF Confederação Brasileira de Fundações
GIFE Grupo de Institutos, Fundações e Empresas
Humanitas 360
Levisky Negócios e Cultura
Participantes
ABCR
Acaia Pantanal
ACTC Casa do Coração
Arredondar
ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças
Associação Acorde
Associação Amigos do Mon. (Museu Oscar Niemeyer)
Associação Amigos do Museu Nacional – SAMN
Associação dos Antigos Alunos da PUC-Rio
Associação Samaritano
Baluarte Cultura
CEAP
Cesnik, Quintino e Salinas Advogados
CIEDS
Demarest Advogados
Fehosp
Figueira Fundo Patrimonial
3/3
Fundação Darcy Vargas
Fundação Educar DPaschoal
Fundação Gerações
Fundação José Luiz Egydio Setúbal
Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira
Fundação OSESP
Fundação Stickel
GRAACC
Grupo Tellus
Insper
Instituto Akatu
Instituto Apontar
Instituto Arlindo Ruggeri
Instituto Ayrton Senna
Instituto Cyrela
Instituto de Tecnologia Social
Instituto Doar
Instituto Ethos
Instituto Jatobás
Instituto Norte Amazônia de Apoio ao Terceiro Setor – INATS
Instituto Phi
Instituto Reciclar
Instituto Sabin
Instituto Sol
Instituto SOS Pantanal
Instituto Sou da Paz
ISE Business School
Koury Lopes Advogados
Liga Solidária
Lins de Vasconcelos Advogados Associados
Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. Quiroga Advogados
Parceiros Voluntários
Rede de Filantropia para a Justiça Social
Rubens Naves Santos Jr Advogados
Santa Marcelina Organização Social de Cultura
Sistema B
SITAWI Finanças do Bem
Szazi, Bechara, Storto, Rosa, Figueiredo Lopes Advogados
Visão Mundial
Wright Capital Wealth Management

Cultura de doação começa na infância! Saiba o que nossas crianças querem transformar no mundo.

Fortalecer a cultura de doação no Brasil tem sido um dos focos prioritários de atuação do IDIS. É algo que deve ser estimulado desde a infância e saber o que pensam nossas crianças é um importante passo. Por isso, apoiamos a pesquisa realizada pelo Dia de Doar Kids em parceria com o Jornal Joca. A pergunta foi simples: quais as 3 coisas que você quer mudar no mundo? Os resultados foram revelados neste outubro, mês das crianças.

Participaram do projeto 450 crianças, de todo o Brasil, ainda que prioritariamente da região Sudeste (75,4%). A coleta das respostas foi online e houve consentimento dos responsáveis. As questões levantadas por eles foram diversas e bastante pulverizadas, e ocuparam o topo do ranking nacional ‘Acabar com a violência’ (7,3%), ‘Mais saúde para todos’ (6,8%) e ‘Melhorar a educação e o direito de estudar’ (6,8%). Em geral, foi identificada uma consciência social muito grande entre os jovens entrevistados, mesmo entre crianças de idade bastante reduzida (5 a 10 anos, 48% da amostra). O relatório destaca que os resultados reforçam uma potente sensibilidade dessa geração mais jovem ao que é da ordem do comum, do coletivo.

O recorte regional da pesquisa mostra diferenças quanto à percepção das crianças. No Sul do Brasil, o maior registro foi relacionado à poluição (8,9%). No Sudeste, Educação ocupou o primeiro lugar (7,5%). O ponto de atenção na região Nordeste foi a violência (11,4%), com o maior gap em relação ao segundo lugar. ‘Acabar com a fome’ foi o destaque no Centro-Oeste, citado por 10% dos respondentes. No Norte, houve um empate entre 4 causas, todas elas com 9,3% – ‘Acabar com a violência’, ‘Acabar com o racismo’, ‘Mais respeito aos direitos dos animais’ e ‘Menos poluição’.

Os achados serão a base para a criação de materiais para escolas e professores e para a realização de iniciativas para crianças e jovens.

Conheça aqui a pesquisa completa.

Descubra Sua Causa

Em 2018 o IDIS lançou o ‘Descubra Sua Causa’, um projeto com o objetivo de fortalecer a cultura de doação junto ao público jovem, de 18 a 24 anos. Por meio de um quiz, com perguntas relacionados a questões do dia a dia e ao universo cultural dos jovens, os respondentes são apresentados a um resultado que revela as causas que são mais importantes para si e mostra oportunidades de ação. Se a causa é educação, por exemplo, há uma indicações de ONGs às quais ele pode fazer uma doação ou um trabalho voluntário e também uma série de matérias se quiser se informar mais.

IDIS apoia criação do Fundo pelo Fim das Violências contra Mulheres e Meninas

Por meio do Investimento Social Privado, empresas e indivíduos, podem contribuir para a solução de desafios socioambientais complexos. Durante a pandemia, vimos um crescimento da violência contra as mulheres e meninas. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve um crescimento de 22% no registro de feminicídio durante o período de distanciamento social e um aumento de 40% nas denúncias de violência à Central de Atendimento à Mulher durante o mês de abril, se comparados ao mesmo período no ano anterior. O cenário estimulou a ação e foi criado o Fundo de Investimento Social Privado pelo Fim das Violências contra as Mulheres e Meninas, iniciativa do Instituto Avon e Accor, com o apoio do IDIS. Com perspectiva de impacto profundo e durador, transcendendo o momento atual, ele tem o objetivo de reduzir os impactos da violência ao apoiar os serviços de abrigamento, proteção e reinserção socioeconômica das vítimas, ajudando-as no enfrentamento da violência a curto, médio e longo prazos.

Os projetos financiados pelo fundo se apoiarão em algumas frentes de atuação, consideradas prioritárias para a redução das vulnerabilidades de mulheres e meninas em situação de violência: abrigamento, segurança alimentar, suporte jurídico e psicológico, capacitação e fortalecimento de políticas públicas de proteção à mulher. No hotsite da iniciativa (www.fundoisp.com.br) é possível conhecer mais sobre essas frentes de atuação e obter informações de como se envolver e contribuir. A meta do Fundo é captar R$10 milhões para destinar a organizações que atendam às necessidades materiais, psicológicas e jurídicas das mulheres e crianças em situação de violência, com o objetivo de suprir a insuficiência e a defasagem dos serviços públicos de abrigamento e proteção às vítimas em 2020 e 2021.

“O Fundo de Investimento Social Privado pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas reforça o quão fundamental é o papel da iniciativa privada para conter os impactos da pandemia na vida de tantas mulheres, especialmente aquelas em situação de violência. O novo hotsite veio para complementar essa iniciativa, de forma a nos ajudar a concentrar todas as informações sobre a gestão do fundo, os projetos por ele impactados, bem como o destino dos recursos, com transparência e credibilidade”, destaca Daniela Grelin, diretora executiva do Instituto Avon.

Projeto Acolhe

Um importante destaque é o Acolhe, projeto da Accor apoiado pelo Fundo. “O Acolhe é uma iniciativa para hospedar  e capacitar mulheres vítimas de violência, oferecendo-lhes um abrigo temporário nos hotéis operados pela Accor, além de dispor ferramentas para auxiliar na construção de um futuro com mais protagonismo, autoconfiança e autonomia para essas mulheres”, explica Magda Kiehl, vice-presidente sênior de Jurídico, Riscos e Compliance Accor América do Sul e líder do Riise – Programa Mundial de Diversidade de Gênero da Accor.

“Ao todo, 295 hotéis da Accor, localizados em 133 municípios no país, vão beneficiar milhares de mulheres. Esse recurso é proveniente do fundo de emergência global da Accor, o Heartist Fund, dedicado a iniciativas de solidariedade às vítimas do novo coronavírus. Aliada com medidas de segurança física e sanitização, o objetivo é prover hospitalidade, conforto e acolhimento às mulheres desde o momento do check-in”, completa Magda.

Gestão da Doação

O IDIS atua na execução de parte ou toda a operação do investidor social, apoiando-o na gestão das parcerias com seus públicos de interesse e na gestão de doações nacionais e internacionais. Parceiro técnico do Instituto Avon desde sua criação, o IDIS vem apoiando a causa do Câncer de Mama por meio da seleção e monitoramento dos projetos apoiados. Em 2019, o passou a apoiar também a causa da violência contra mulheres e meninas.

“Nosso papel no trabalho de gestão da doação é apoiar o investidor social privado no direcionamento de seus recursos de forma estratégica, buscando sempre gerar mais impacto. Além disso, implementando um sistema robusto de monitoramento e prestação de contas, garantimos a transparência do processo para os stakeholders envolvidos e para a sociedade como um todo.” comenta Andrea Hanai, gerente de projetos do IDIS que está à frente da iniciativa.

NOTA TÉCNICA: Fundos Patrimoniais Filantrópicos

Durante sete anos o IDIS trabalhou pela regulamentação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, conduzindo uma estratégia articulada de advocacy. Tínhamos a convicção de que esse instrumento, criado para garantir a sustentabilidade financeira no longo prazo de organizações e causas, precisava se propagar no país para promover um salto de qualidade no campo do investimento social privado e desde então apoiamos a criação de mais de uma dezena de Fundo Patrimoniais no Brasil.

A regulamentação aconteceu, finalmente, em 2019, com a aprovação da Lei 13.800, e publicamos um livro para orientar os interessados em criar seus Fundos Patrimoniais.

Neste documento, apresentamos para aqueles que querem ter uma noção mais rápida sobre quais os principais passos para a estruturação de um Fundo Patrimonial, de acordo com as normas estabelecidas na legislação.

Os Fundos Patrimoniais podem beneficiar organizações sem fins lucrativos e instituições públicas. Nesta Nota Técnica, tratamos apenas de Fundos Patrimoniais enquadrados na Lei 13.800/19 e destinados a beneficiar organizações sem fins lucrativos.

Nota técnica: Fundos Patrimoniais Filantrópicos from IDIS

 

Unicamp lança Lumina, fundo patrimonial criado com o apoio do IDIS

Os Fundos Patrimoniais, que sustentam 10 entre as 10 mais importantes universidades do mundo, estão, finalmente, se estabelecendo no Brasil. Possuem Fundos a PUC-Rio além de duas faculdades da USP, a FEA (Sempre FEA) e a Politécnica (Amigos da Poli).

Fundo Patrominial Lumina da Unicamp

Em 22 de outubro de 2020, a Unicamp lançou o Lumina, o fundo patrimonial que contribuirá com o financiamento de projetos e iniciativas da Universidade nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e inovação. O IDIS orientou a Universidade Estadual de Campinas ao longo do todo processo de sua criação. Em breve, a Unesp também vai anunciar seu endowment, criado da mesma forma com participação do IDIS.

Desde 2012 o IDIS vem conduzindo um trabalho de advocacy pelos Fundos Patrimoniais, intensificado em 2018 com a criação de uma ampla coalização com mais de 70 participantes, representando empresas e a sociedade civil. Em janeiro de 2019 foi sancionada a Lei 13.800, a Lei dos Fundos Patrimoniais, seguida de regulamentação específica para instituições de ensino.

 Saiba mais e participe no site do Lumina: www.funcamp.unicamp.br/fundopatrimonial

Qual é a transformação que você quer ser?

Medir o sucesso de uma empresa costuma ser fácil. Basta checar o faturamento, a lucratividade e a geração de caixa. Mas como medir o sucesso de um projeto social ou ambiental? Como medir o impacto dessas ações? Qual o retorno para a sociedade que podemos atribuir a cada iniciativa? Como melhorar nossos investimentos socioambientais voluntários? Esses e outros questionamentos estão cada vez mais presentes nas preocupações de investidores sociais privados. A avaliação de impacto ganhou ainda mais destaque com as vultuosas doações durante a pandemia. Grandes empresas e grandes doadores querem buscar os melhores caminhos para enfrentar os crescentes problemas do país e certamente uma boa avaliação socioambiental pode ajudar.

Avaliação de impacto

A avaliação de impacto é um instrumento estratégico para a tomada de decisões. Uma avaliação desenvolvida com o devido rigor ajuda na identificação de pontos de ineficiência no uso de recursos, confirma (ou não) a eficácia das estratégias aplicadas, traz luz às consequências imprevistas da intervenção, bem como às relações de causa-consequência das ações realizadas. Além disso, permite o aprimoramento do programa ou projeto e comunica de forma objetiva os resultados aos financiadores e à a sociedade.

No IDIS já realizamos avaliações de projetos em diversas áreas: saúde, educação, cultura, meio ambiente, esporte, combate à pobreza, geração de renda e desenvolvimento comunitário, entre outros. Algumas avaliações levaram projetos a serem ampliados, outras, ao encerramento. E todas identificaram aspectos que poderiam ser aprimorados para aumentar o impacto do projeto. Investir em um ‘ativo’ que você sabe que dará retorno é sempre mais atraente. Com o investimento social privado não é diferente.

SROI – Social Return on Investiment ou Retorno Social sobre o Investimento

Em alguns casos, o resultado é tão importante que pode transformar uma iniciativa social em uma política pública, como foi o caso do Projeto Primeira Infância Ribeirinha (PIR), no Amazonas e que teve a participação e a avaliação de impacto do IDIS. Neste caso, foi utilizada a metodologia SROI – Social Return on Investiment ou Retorno Social sobre o Investimento. Essa metodologia de análise de custo-benefício é reconhecida pelo Cabinet Office do Reino Unido como a mais adequada para avaliar o serviço de saúde oferecido no país. No caso do PIR, a avaliação mostrou que, para cada 1 real investido, o retorno foi de quase 3 reais. O projeto, que começou modesto, cresceu e hoje é lei no Amazonas, beneficiando crianças que, de outro modo, poderiam estar distantes das políticas públicas. E gerou outros frutos em localidades diferentes da região Amazônica.

Um erro comumente cometido é confundir monitoramento com avaliação. O monitoramento acompanha a execução do projeto e apenas informa métricas de processo como o número de beneficiários ou pessoas atingidas pelo projeto. Mas essas métricas não trazem a informação mais importante que é a transformação ocorrida na vida daquele beneficiário. O fato de um indivíduo participar de uma intervenção não é garantia de mudança positiva na sua vida. E a intensidade dessa mudança também vai variar para cada indivíduo. Conhecer o real impacto gerado por uma intervenção na vida de uma pessoa ou comunidade é muito importante. Avaliar questões intangíveis como aumento de conhecimento, autoestima, habilidades sociais etc, não é tarefa simples. Mas esse conjunto de fatores é fundamental para a compreensão dos resultados de um projeto. E monetizar este impacto é ainda mais desafiador. Mas são caminhos primordiais para analisar a eficiência do uso dos recursos.

Esse é o desafio que a metodologia do SROI se propõe a enfrentar. Durante o processo de avaliação, é imprescindível conhecer os beneficiários, entender a mudança provocada em cada indivíduo e nas pessoas ao seu redor, na família, conseguir mapear impactos não intencionais ou imprevistos mas que se mostram relevantes, como a melhoria da qualidade de vida, a redução do estresse, o maior rendimento na escola ou no trabalho, o clima mais feliz na família, entre outros aspectos que vão além dos indicadores planejados.

Tudo isso com rigor na coleta das informações e ética na relação com o público avaliado. Essa lógica fez do Social Return on Investiment (SROI) ou Retorno Social sobre o Investimento um método cada vez mais adotado no mundo todo, uma vez que combina dados qualitativos com dados quantitativos, o que permite uma visão ampla do impacto do projeto e seu potencial de melhoria a partir de ajustes e redefinições. E, ao monetizar os resultados identificados, sejam eles tangíveis ou intangíveis, é possível delinear a relação entre impacto socioambiental e capital investido. Esta é uma pergunta recorrente dos financiadores: quanto de retorno para a sociedade este projeto ou iniciativa foi capaz de entregar?

A primeira vez que aplicamos a metodologia do SROI no Brasil foi no projeto Valorizando uma Infância Melhor (VIM), da Fundação Lúcia e Pelerson Penido, no Vale do Paraíba, no estado de São Paulo. A avaliação mostrou que, para cada 1 real investidor, foram gerados 4 reais em valor social. Isso mesmo, 4 vezes o valor investido. E outros projetos resultaram em valores ainda maiores de retorno como é o caso do Programa Guri que traz de retorno mais de 6 vezes o capital empregado.

A moda do SROI pegou! Iniciativas de grande destaque e resultados expressivos como o Gerando Falcões, Parceiros da Educação e Amigos do Bem também decidiram aderir e avaliar seus projetos usando a metodologia SROI. E empresas como a Petrobras, que está realizando avaliações de vários de seus projetos para conhecer com profundidade o retorno de seus investimentos socioambientais. Cada vez mais as empresas buscam avaliações que tragam respostas objetivas sobre seus financiamentos de ações de impacto socioambiental.

Com essas avaliações é possível descortinar questões relevantes relativas ao impacto socioambiental de programas e projetos e, quem sabe, de políticas públicas. Temos nas mãos uma ferramenta que pode ampliar significativamente a qualidade do olhar para o terceiro setor, que pode gerar novos interessados em apoiar iniciativas e que pode mostrar o quanto as organizações da sociedade civil são capazes de contribuir para transformar realidades no país. A monetização não é o foco, mas sim a identificação da mudança alcançada. Mas a monetização certamente facilita o diálogo entre o financiador e o gestor de ações sociais. A avaliação de impacto traz mais segurança para perseguirem objetivos comuns a ambos, como a melhoria da qualidade de vida de todos os brasileiros.

Por Paula Fabiani, Diretora-Presidente do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social* em Artigo originalmente publicado no Estado de S.Paulo, em 22 de outubro de 2020

O que é Advocacy e como estruturá-lo de forma eficaz

Diversas pessoas falam sobre Advocacy mas o que significa? Qual a diferença entre Advocacy e Lobby? Como estruturá-lo de forma efetiva? Essa nota técnica tem como finalidade abordar o tema e ilustrá-lo com um exemplo de uma experiência de sucesso – o processo que envolveu a criação da Lei 13.800, que regula os Fundos Patrimoniais no Brasil.

Aos que desejam iniciar uma ação de advocacy, o documento traz um passo a passo com dicas claras para atuação.

O advocacy é uma estratégia que pode ser utilizada seguindo muitos caminhos: jurídico, político, comunicação ou mobilização social. O IDIS apoia processos de advocacy e acredita neles para a conquista de mudanças sistêmicas que realmente transformam positivamente a nossa sociedade.

 

Fundos Patrimoniais é tema de podcast da Escola Aberta do Terceiro Setor

Falando sobre Fundos Patrimoniais, a Escola Aberta do Terceiro Setor convida Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Fabiani comentou sobre a Lei 13.800/19, que regulamentou os Fundos Patrimoniais no Brasil, além de trazer também orientações a pequenas e médias organizações também tenham acesso a esse tipo de recurso.

Ouça:

 

 

Mais sobre Fundos Patrimoniais

Acesse mais conteúdos nesta temática produzidos pelo IDIS aqui.

Caso queira saber mais sobre fundos patrimoniais ou queria conhecer nossos serviços, envie um e-mail para comunicacao@idis.org.br.

Fundo Emergencial para a Saúde atinge meta de R$ 40 milhões com 41 beneficiários

Com o objetivo de fortalecer o sistema público de Saúde, o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil foi o primeiro do gênero a ser lançado, ainda em março. Seis meses depois, já ultrapassou a meta proposta de captar R$ 40 milhões para ajudar no combate ao COVID-19. A iniciativa, liderada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, BSocial e Movimento Bem Maior, encerrou o período de captação em 10 de outubro de 2020.

A ação, que começou beneficiando hospitais filantrópicos de São Paulo, ganhou força e se estendeu para outros 14 estados e um total de 36 cidades, distribuindo recursos para 39 hospitais, um centro de pesquisa e uma organização da sociedade civil. Os números referem-se a balanço fechado em agosto, quando 25% dos beneficiários haviam entregado suas prestações de contas. “Agimos rápido e conquistamos uma união inédita em torno da saúde pública. Os recursos foram destinados de acordo com as necessidades de cada organização e todas elas passaram por um processo de validação, o que fez a diferença para o melhor uso das doações recebidas”, explica a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani.

Em vídeo produzido pelas instituidoras do Fundo, é possível conhecer esta história e os números alcançados até aqui.

A forma como a pandemia se espalhou, mostrou a importância de estender os recursos para estados em situação mais vulnerável, como Pernambuco, Amazonas, Acre, Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais entre outros. Em Manaus, onde a mortalidade foi elevada, quase R$ 1 milhão de reais foram encaminhados a dois hospitais da cidade. Doze Santas Casas de várias partes do país também receberam recursos para enfrentar o novo coronavírus. “O sucesso do Fundo Emergencial se deu graças a um planejamento bem estruturado, a uma governança sólida e a um comitê gestor técnico diverso e experiente. Soubemos agir rápido e ativar nossas redes, atraindo a expertise de parceiros estratégicos e criando um ambiente colaborativo de trabalho, isso nos permitiu ter transparência e conquistar a credibilidade que levou grandes investidores e a sociedade civil a doarem conosco”, afirma Carola Matarazzo, diretora-executiva do Movimento Bem Maior.

O Fundo reuniu um total de 10 mil doadores, entre empresas de diferentes portes e áreas de atuação, além de famílias engajadas com ações filantrópicas e a sociedade civil em geral. Até agora, 25% dos beneficiários já prestaram contas e as doações resultaram em 1 milhão de EPIs e mais de 10 mil produtos, entre medicamentos, aventais, luvas, máscaras e kits para teste de Covid-19. As doações também se transformaram em legado, com a aquisição comprovada até o momento de 630 equipamentos hospitalares, como camas, ventiladores pulmonares, respiradores, monitores e outros.

“Participar da criação e desenvolvimento do Fundo foi muito gratificante, porque pudemos inovar em um momento tão desafiador e criar uma iniciativa que fez a diferença na vida de muitas pessoas. Todas as conquistas que tivemos são mérito da equipe e do trabalho colaborativo que promovemos, com todos se dedicando e dando o melhor de si. Nossa plataforma pode atuar como ponte, entre o doador e os hospitais filantrópicos. Nossas ações seguem com a certeza de que, de alguma forma, contribuímos de verdade”, ressalta Flora Botelho, co-fundadora da BSocial.

 

IDIS traz para a equipe diretor de projetos

Planejamento estratégico, estruturação de fundos patrimoniais e filantrópicos e a avaliação de impacto são alguns dos focos do IDIS para apoiar o investimento social privado no país. “O IDIS completou 20 anos com três pilares de atuação – a produção de conhecimento, o desenvolvimento de projetos de impacto, e a consultoria para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. A chegada de um diretor de projetos vem fortalecer nossa atuação.”

Para coordenar o time de consultores, hoje com 10 profissionais, chega ao IDIS Renato Rebelo, que terá entre suas atribuições a implementação de processos, a gestão e desenvolvimento da equipe, a produção de conteúdo, o relacionamento com clientes e parceiros, inclusive com a Global Alliance, rede da Charities Aid Foundation (CAF) da qual o IDIS é parte.

Renato é formado em Relações Internacionais pela PUC-SP, com especialização em Gestão de Projetos pela FIA e MBA pelo Insper. Anteriormente, foi Diretor de Projetos da Fundação Brava, onde liderou o programa de inovação e transformação digital em governos e foi responsável pelo programa de aceleração de startups govtechs do BrazilLAB. Também atuou como Gerente de Produtos e Novos Negócios na Webmotors, coordenando a frente de estratégia e desenvolvimento de novos produtos. “Junto-me ao time IDIS com objetivo de dar continuidade ao protagonismo da organização, contribuindo com novas formas de se pensar e fazer investimento social diante dos novos modelos organizacionais do terceiro setor, das finanças de impacto e das transformações tecnológicas”, comenta.

Consulta global traz achados sobre os impactos da pandemia nas OSCs

A pandemia de Covid-19 teve efeitos diversos, em todas as partes do mundo. Para entender os impactos para as organizações da sociedade civil, a Global Alliance, rede de escritório da Charities Aid Foundation da qual o IDIS faz parte, acionou a sua rede, lançando enquetes periódicas. Conheça aqui os resultados agregados das consultas. Integraram o projeto Austrália, África do Sul, Brasil, Índia, Inglaterra e Estados Unidos

Em maio, quando foi feita a primeira consulta, a incerteza quanto à sobrevivência das organizações, durante quanto tempo poderiam se manter, mostrou um cenário pessimista, em especial nos países em desenvolvimento.

A demanda por um ambiente legal mais favorável à doação foi identificada em todos os países consultados. Foi comum também a necessidade de passarem a adotar trabalho remoto e inovar no atendimento aos beneficiários para se adaptarem aos novos tempos.

 

 

#Fórum2020: Motivações e Caminhos para a Avaliação de Impacto

Impactos sociais são muitas vezes subjetivos e difíceis de se mensurar. Essa complexidade representa um grande desafio para organizações e projetos sociais, que em sua maioria, acabam não investindo nesta frente. Apesar das dificuldades e do custo envolvido, a mensuração do impacto é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de intervenções efetivas e contributivas para sociedades mais justas e sustentáveis. Para conversar sobre este tema, convidamos representantes de duas importantes organizações da sociedade civil que investem na avaliação de seus projetos – Alcione Albanesi, fundadora dos Amigos do Bem, e Jair Ribeiro, presidente da Parceiros da Educação. Felipe Groba, gerente de projetos no IDIS e especialista em avaliação, foi o responsável pela moderação.

O semiárido brasileiro é um dos mais populosos do mundo, e a região apresenta IDH muito abaixo da média brasileira, comparável com países como Senegal e Uganda. Os Amigos do Bem atuam para o desenvolvimento da região desde 1993, com projetos que envolvem educação, saúde, água, moradia e geração de trabalho e renda. Hoje, está presente em 140 povoados do Nordeste, com quase 10 mil voluntários, 15 unidades produtivas, somando mais de 200 mil atendimentos anuais de saúde. Alcione Albanesi compartilhou com o público inúmeras histórias e contou como sempre fizeram acompanhamento dos processos, mas foi apenas agora que optaram por uma assessoria profissional. “Acredito que haverá muita mudança, porque todo trabalho que desenvolvemos será consolidado e promoverá um grande retorno”, destaca. Para ela, a avaliação possibilita gerenciar melhor, identificar as áreas que podem ser ampliadas e mensurar o crescimento consolidado.

“A avaliação é fundamental. Se você não mede resultados, como medir a eficácia? Ela dá segurança ao investidor ao mesmo tempo que nos permite avançar e direcionar nossos recursos e energias às questões que trazem sustentabilidade ao processo.” É dessa forma que Jair Ribeiro justifica seu investimento em avaliação de impacto, feito desde a fundação da Parceiros da Educação, há 16 anos. A organização tem como propósito potencializar o investimento público em educação e desenvolve modelos que podem se transformar em políticas públicas. Foi o caso do programa de gestão MMR – Método de Melhoria de Resultados, hoje adotado por escolas em todos estado de São Paulo.

O público participou da conversa e questionou como organizações podem conseguir recursos para esta frente. A resposta, veio primeiro do líder da Parceiros da Educação: “Sem avaliação não se consegue mais recursos. Por isso, acredito que a avaliação de impacto deve ser vista como um investimento; é parte do custo e se paga”. Ele acredita que promover a avaliação é uma forma de plantar para colher exponencialmente no futuro, propiciando passar para outro patamar, com mais estrutura. Alcione complementa: “Esse processo nos faz economizar. É como uma bússola para investir em setores que promovem a transformação necessária”.

A Parceiros da Educação, assim como o Amigos do Bem são clientes do IDIS no desenvolvimento de projetos de avaliação por meio da metodologia SROI – Social Returno n Investment, que traduz o retorno em termos financeiros. “Nosso trabalho com o IDIS tem sido nessa linha, de medir resultados, avaliar o SROI, separando e desenvolvendo grupos e controle para avaliar quais intervenções têm maior impacto e como acontece”, afirma. “Também temos uma visão mais holística, de avaliação qualitativa para saber que impacto deixamos nos diretores, professores e alunos, e verificar como percebem nosso valor agregado, essencial para a sustentabilidade. Avaliando o impacto conseguimos direcionar melhor nossos esforços”.

Assista aqui à sessão na íntegra:

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

#FórumIDIS: Os rumos da filantropia pós-pandemia em debate

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, organizado pelo IDIS, reuniu 264 participantes virtualmente na edição 2020, que teve como tema “Novos Horizontes – Reflexões para uma filantropia pós-pandemia”. Os assuntos discutidos foram desde fundos filantrópicos, avaliação de impacto, filantropia comunitária, passando pela cultura de doação e socorro às ONGs até a união de grandes bancos em prol da Amazônia.

Para a diretora-presidente do IDIS a capacidade de mobilização da sociedade atingiu outro patamar com a pandemia do novo coronavírus. Paula Fabiani advertiu que “o mundo precisará, mais do que nunca, de uma atuação integrada e colaborativa entre setores para construir caminhos sólidos e cuidar de quem é mais vulnerável”.

O fundador do Gerando Falcões, plataforma de impacto social que apoia o trabalho de outras ONGs que atuam em periferias e favelas de todo o Brasil, foi o exemplo de inspiração para os dois dias do evento. “Minha história está ligada ao primeiro aporte financeiro que recebi”, explicou Edu Lyra, mostrando que o investidor social tem o papel de “puxar” o protagonismo do empreendedor social no Brasil. Lyra também comentou o resultado da enquete “Se você tivesse R$ 1 milhão para arriscar, em qual tipo de solução inovadora você investiria?”, feita junto aos participantes do evento. A maioria das pessoas priorizaria o investimento em educação e inovação. (saiba mais)

Na sessão de abertura do evento, o economista e escritor Eduardo Gianetti teve o desafio de responder à pergunta: como seremos nós e o mundo pós-pandemia? Disse que será muito difícil preservar esse espírito de solidariedade que nos fez presenciar a marca recorde de R$ 6 bilhões em doações no Brasil. Gianetti também ponderou que o auxílio emergencial, do governo federal, é legítimo em momentos de crise, mas não é a resposta para diminuir a pobreza no Brasil. (saiba mais)

Um dos instrumentos utilizados para viabilizar essas doações foram os Fundos Filantrópicos, em especial aqueles emergenciais, que para o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, vieram para ficar. Na mesma sessão, os debatedores reforçaram os Fundos Patrimoniais como instrumento de sustentabilidade de longo prazo para causas e organizações. (saiba mais) Outra ferramenta para ampliar o capital disponível é o Blended Finance. Para Marco Gori, sócio da Din4mo, sem mobilizar o capital privado não há condição de financiar a Agenda 2030, que traz as metas para atingirmos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (OSCs). A sócia do escritório de advocacia Mattos Filho, Flávia Regina de Souza Oliveira, avalia que para os filantropos e investidores financeiros o Blended Finance é inovador e traz a união de diversos capitais por uma única causa: melhorar as questões socioambientais. (saiba mais)

Para a filantropa Beatriz Bracher, fundadora do Instituto Galo da Manhã, a pandemia, ao mesmo tempo que nos isolou, também gerou mais empatia com o próximo. Outro filantropo, Antonio Carlos Pipponzi, presidente do conselho administrativo da Raia Drogasil e presidente do conselho do Instituto ACP, acredita que as empresas perceberam, na prática, a importância da doação. (saiba mais)

A sessão que tratou sobre filantropia comunitária trouxe o exemplo das Redes da Maré e os esforços da BrazilFoundation com a conclusão que devemos enxergar em um território não apenas seus desafios, mas suas potencialidades, focando nos talentos locais e as forças que podem contribuir ao seu desenvolvimento. Destacaram, ainda, a ação de organizações em resposta à pandemia. (saiba mais)

Os bancos Itaú Unibanco, Bradesco e Santander mostraram o esforço conjunto que os unem em prol da conservação da Amazônia. As representantes das três instituições contaram que deixaram os crachás de lado e foram aprender com os experts como ter uma atuação de impacto na região, mobilizando empresas e clientes em favor das comunidades e de ações que contribuem ao desenvolvimento econômico. (saiba mais)

“O brasileiro tem uma boa alma, gosta de ajudar o próximo”, afirmou José Luiz Egydio Setúbal, presidente e instituidor da Fundação José Luiz Egydio Setúbal e vice-presidente do Instituto PENSI, no painel “OSCs na UTI: de onde vem o socorro?”. Em sua fala, entretanto, Setúbal lembrou que os ricos doam proporcionalmente menos do que os brasileiros que têm menos recursos, e isso deveria mudar. Ao lado de Carola Matarazzo, CEO do Movimento Bem Maior, os dois defenderam a importância de uma relação de confiança entre doadores e ONGs. O fortalecimento da cultura de doação permeou a conversa, que contou com a apresentação do documento ‘Por um Brasil + Doador, Sempre’, produzido pelo Movimento por uma Cultura de Doação, do qual Erika Sanchez Saez, moderadora da mesa, é integrante. (saiba mais)

A palestra com o tema ‘Novos horizontes da filantropia no mundo’ encerrou o evento, reunindo Philip Yun, CEO do Global Philanthropy Forum, Matthew Bishop, autor do livro Philanthrocapitalism, e Michael Mapstone, diretor de Relações Externas e Engajamento Global da Charities Aid Foundation (CAF). (saiba mais)

Yun ponderou sobre como tudo está acelerado – e deve se acelerar mais – e dentro desse paradigma ressaltou os novos desafios das mudanças climáticas e da urgência de ações. “Em dez ou quinze anos talvez não tenhamos mais chance de consertar o que é preciso em relação ao clima”, alertou.

Mapstone chamou atenção para a importância da transparência de dados, prestação de contas e maior conscientização sobre as estruturas para garantir respostas ágeis. “A pandemia trouxe uma visão mais clara sobre as desigualdades e injustiças sociais, além de novos modelos de doação. Vamos ver como avançamos e aonde chegaremos com isso”.

Por fim, Bishop disse que os filantropos poderão ter papel importante nas mudanças futuras, principalmente com o uso da tecnologia. “Precisamos ter a coragem de assumir nosso papel e aproveitar a oportunidade; encontrar exemplos que nos inspirem e aprender com os erros do passado”. Ele apresentou o movimento global do qual faz parte, o Catalyst 2030 e que já começa a ser gestado no Brasil. Destacou que colaboração será a palavra de ordem para o atingimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

O conteúdo de todas as palestras está disponível no canal do IDIS no YouTube, no endereço http://bit.ly/2lIyOKw

Conheça os registros das sessões realizados pela artista gráfica Mila Santoro:

Repercussão na mídia

Conheça as principais matérias inspiradas no Fórum que foram destacada na mída:

Folha de S.Paulo: Fórum sobre o futuro da filantropia reúne lideranças mundiais

Veja.com: ‘Governo se omite de forma criminosa no meio ambiente’, diz Giannetti

Valor Econômico: ‘Blended finance’ turbina capital filantrópico

Mundo do Marketing: Os rumos da filantropia pós-pandemia em debate

#FórumIDIS: Edu Lyra (Gerando Falcões) convida participantes a refletirem sobre seus novos horizontes

Não há dúvidas de que a pandemia fez todos repensarem suas prioridades e responsabilidades. A tônica geral do Fórum 2020 foi apresentar os novos horizontes que se apresentam em diferentes áreas e, nesta sessão, fizemos um convite específico à reflexão – se você tivesse R$ 1 milhão para arriscar, em qual tipo de solução inovadora você investiria?

Conduzida por Edu Lyra, fundador do Gerando Falcões, plataforma de impacto social que trabalha em rede ao apoiar e acelerar o trabalho de outras ONGs que atuam em periferias e favelas de todo o Brasil, a sessão tinha como objetivo mostrar a diversidade de desafios que temos pela frente, mas que é possível gerar a transformação que desejamos ver. Entre as respostas dos participantes, aparecerem questões relacionadas à educação, inovação, desenvolvimento de líderes comunitários, empreendedorismo, geração de emprego e renda, combate à desigualdade, proteção ao meio ambiente, saneamento básico, distribuição de água potável e ressocialização de egressos do sistema penitenciário.

Lyra contou um pouco de sua trajetória aos participantes e cobrou dos investidores sociais o papel de “puxar” o protagonismo do empreendedor social. Na visão dele, a sociedade civil unida ao terceiro setor consegue ampliar o impacto e a capacidade de inovar. “Minha história está ligada ao primeiro investimento que eu recebi, quando queria impactar minha comunidade”, conta. É preciso ter a coragem e a ambição de acabar com a pobreza e é arriscando e cocriando com a periferia.  investir em ideias inovadoras

Assista aqui a participação de Edu Lyra na íntegra:

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

#ForumIDIS2020: Juntos por uma causa – a união histórica de três grandes bancos pela Amazônia

29A preservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico na Amazônia foram assuntos bastante presentes no debate público nos últimos anos. 0829ONGs, empresas e filantropos e até outros países cobram do governo uma posição que leve em consideração as populações e a cultura e os saberes locais, a sustentabilidade, o enfrentamento às mudanças climáticas e a manutenção da biodiversidade. Ao mesmo tempo, desenvolvem também ações que contribuem à esta complexa agenda. Neste painel, convidamos representantes dos bancos Bradesco, Itaú e Santander para compartilhar sua história de colaboração em prol da Amazônia, iniciativa que teve início com o enfrentamento à pandemia e evoluiu para uma agenda para apoiar a região, alinhada ao negócio dos bancos e com componentes de advocacy.

Karine Bueno, head de sustentabilidade do Santander, abriu o painel apresentando os quatro pilares prioritários da ação: culturas sustentáveis, considerando o financiamento aos pequenos produtores, engajamento do setor pecuarista para atuação conjunta no combate ao desmatamento, regulamentação fundiária e biodiversidade, com uma visão que inclui desde o extrativismo à industrialização. “Não há desenvolvimento pleno do Brasil se não há desenvolvimento pleno da Amazônia, na maior potencialidade que ela tem.” comenta.

A região foi uma das mais afetadas no início da pandemia, com o sistema de saúde em colapso e enormes desafios logísticos. Luciana Nicola, Superintendente de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú/Unibanco, contou a história do Todos pela Saúde na Amazônia, resposta do banco à pandemia que mobilizou R$ 1 bilhão em ações na região e que dada as especificidades do sistema de saúde local, é pensada para se tornar permanente. “Percebemos também que uma questão tão complexa como a que identificamos na Amazônia só poderia ser enfrentada com união. Em nossas reuniões os crachás ficam do lado de fora e juntos podemos gerar mais impacto”, relata.

A gerente de sustentabilidade corporativa do Bradesco, Julia Spinasse, destacou que o diferencial do Plano Amazônia é que a questão passou a integrar efetivamente o dia a dia dos negócios, com equipes e grupos de trabalho sendo formados para tocar as frentes prioritárias. Por outro lado, reforçou que esta agenda vai além dos bancos: “Temos um plano ambicioso e é importante que os filantropos e a sociedade como um todo entendam como podem contribuir para essa agenda positiva na Amazônia. Os desafios são grandes, mas as oportunidades são maiores”, afirma.

Para apoiar a iniciativa, foi criado um conselho consultivo, com sete experts na região. Um plano de trabalho foi criado, baseado em 10 medidas para a região e o diálogo constante com os atores locais é premissa para que ele se desenvolva. A diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, que mediou a sessão, encerrou dizendo que precisamos ter um capitalismo mais sustentável e que cuide de nosso planeta.

Assista aqui ao painel completo:

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

#FórumIDIS: Novos horizontes da filantropia no mundo

Os impactos que a pandemia provocou no mundo promoveram transformações em diversas áreas, entre elas a filantropia. O debate volta-se agora a buscar oportunidades que possam definir um horizonte melhor para o setor. Neste painel, reunimos lideranças globais para compartilharem suas perspectivas.

“Temos discutido vários temas relacionados às mudanças climáticas, às questões econômicas, à turbulência social. Nada voltará a ser como antes. Os hábitos da sociedade mudaram, e podemos pensar nisso como uma oportunidade ou um problema”, ponderou Philip Yun, presidente e CEO do World Affairs e do Global Philanthropy Forum. Ele lembrou que tudo está se acelerando – não apenas na área tecnológica – e esse crescimento exponencial continuará.

Para Yun, nesse processo é importante dar atenção às mudanças climáticas com urgência porque, acredita, “em dez ou quinze anos talvez não tenhamos mais chance de consertar o que é preciso em relação ao clima”. Por isso, considera esse talvez o maior problema a enfrentar, junto com um aspecto interno que também coloca como uma ameaça: a ansiedade, ampliada pela falta de confiança, de certezas e da polarização política. “Vejo o importante papel da filantropia, para a intersecção do governo com o setor privado, onde alcançaremos avanços. Precisamos trabalhar em conjunto, porque só assim conseguiremos encontrar respostas e acabar com as desigualdades”.

Apesar dos grandes desafios, Yun diz-se otimista, porque vê uma mudança de paradigma num novo sentido. “Nos últimos 50 anos deixamos de nos preocupar tanto com os outros e pensamos em nós mesmos de maneira egoísta. Os mais jovens estão mudando, e isso vai virar; vão pensar na comunidade, no grupo, no todo, e as coisas vão evoluir dessa forma”.

Michael Mapstone, diretor de Relações Externas e Engajamento Global da Charities Aid Foundation (CAF), também aponta as mudanças aceleradas como uma característica atual. Além de destacar toda a ajuda oferecida durante a pandemia, extrapolando os limites que existiam até então, cita como relevante mudança que a fase trouxe a atenção à transparência dos dados e à prestação de contas, além da conscientização sobre a importância de uma boa estrutura que possa garantir respostas mais ágeis. “A pandemia trouxe uma visão maior sobre as desigualdades e injustiças sociais, além de novos modelos de doação. Vamos ver como avançamos e onde chegaremos com isso”. Para ele, o desafio é fazer com que as conquistas se mantenham.

Mapstone situa como prioridade a relação entre os filantropos e o governo, que deve avançar de maneira positiva e construtiva. “O setor público está olhando para o setor filantrópico com novos olhos, como colaboradores. Será um diálogo muito importante entre esses atores, que poderá produzir bons resultados. Devemos também pensar nos incentivos e como o governo poderá apoiar o setor filantrópico”. Ele acha bastante positivo o fortalecimento da estrutura filantrópica nos últimos meses e reforça que com mais investimento em infraestrutura, haverá mais inovação.

Para Matthew Bishop, autor do livro Philanthrocapitalism, os filantropos podem ter um papel importante, de protagonismo, para mudar as coisas para melhor. “Temos a mudança de paradigma em relação ao capitalismo, uma oportunidade incrível de parcerias e coalizões promissoras; precisamos encontrar uma maneira de controlar e vencer a revolução digital, unir o mundo através dela, e não separar mais”, avalia. Ele pontua que a tecnologia pode ser a força do bem, promovendo mudanças maravilhosas. “Precisamos ter a coragem de assumir nosso papel e aproveitar a oportunidade; encontrar exemplos que nos inspirem e aprender com os erros do passado”.  Ele apresentou o movimento global do qual faz parte, o Catalyst 2030 e que já começa a ser gestado no Brasil. Destacou que colaboração será a palavra de ordem para o atingimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

A diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, chamou atenção para a necessidade de dar atenção às mudanças climáticas, que não podem esperar. “Temos que agir em todos os setores; há tantas coisas novas surgindo, tantas incertezas”. Apesar das dificuldades, sente-se esperançosa e acredita que o futuro será promissor. “A raça humana já se mostrou bastante capaz de se adaptar e encontrar soluções para os desafios”.

Assista aqui ao painel completo:

Assista aqui a versão traduzida: https://youtu.be/wh0i6Fja2Ig

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

#ForumIDIS: OSCs na UTI: de onde vem o socorro?

A Cultura de Doação vive um momento de efervescência no país, com recorde de doações mobilizadas pela pandemia do COVID-19. Ainda assim, temos um número imenso de organizações da sociedade civil que viram seus recursos minguarem, desviados para os campos emergenciais da Saúde e da Segurança Alimentar.

Para discutir quais os caminhos para aproveitar esse momento inédito de engajamento social da população para perenizar o comportamento doador e evitar o desaparecimento de centenas de organizações que fazem trabalhos importantes em diversos campos, convidamos Carola Matarazzo, CEO do Movimento Bem Maior, José Luiz Egydio Setúbal, Presidente e instituidor da Fundação José Luiz Egydio Setúbal e vice-presidente do Instituto PENSI, e Erika Sanchez Saez, Coordenadora da iniciativa Emergência Covid-19 – GIFE  e membro do comitê coordenador do Movimento por uma Cultura de Doação (MCD), que abriu a sessão apresentando o documento ‘Por um Brasil + Doador, Sempre’, produzido pelo MCD e que traz cinco diretrizes para fortalecer a cultura de doação no país.

“O brasileiro tem uma boa alma, gosta de ajudar o próximo”, afirmou José Luiz Egydio Setúbal, presidente e instituidor da Fundação José Luiz Egydio Setúbal e vice-presidente do Instituto PENSI. Ao lado de Carola Matarazzo, CEO do Movimento Bem Maior, os dois defenderam a importância de uma relação de confiança entre doadores e ONGs. O fortalecimento da cultura de doação também esteve bastante presente. Ambos falaram da responsabilidade da sociedade civil e da capacidade e generosidade do brasileiro. E acreditam sim, que há e sempre haverá socorro.

Para Setúbal, a pandemia mudou a questão das doações. As pessoas hoje tem uma noção maior de que é preciso doar. O brasileiro doa quando é chamado e mostra isso nas grandes catástrofes e pandemias. Ele lembro que os mais de 6 bilhões doados no Brasil em função da COVID, equivalem a cerca 10% do total doado no mundo. “É muita coisa!”, comemora. Mas Setúbal ainda acha que os ricos doam proporcionalmente menos do que os brasileiros que tem menos recursos.

Outro ponto levantado é que a filantropia vem de uma sociedade civil organizada para ajudar o Estado. “O cobertor é muito curto, as pessoas precisam ter consciência de que o governo não vai resolver tudo”, lembra o filantropo que completa: “Quem tem mais dinheiro tem que colocar mais a mão no bolso, quem tem menos colocar menos”.

Carola Matarazzo, CEO do Movimento Bem Maior, abriu a sua fala dizendo que desafio e propósito andam juntos, tanto para as ONGs quanto para os investidores sociais.

Para ela, temos que validar modelos que possam servir de políticas públicas para aliviar crises e demandas. A sociedade é parte da equação, e todos são corresponsáveis pelos problemas e soluções.

“A sociedade civil mostrou a força que tem, o poder de mobilização na urgência…uma sociedade civil forte, mobilizada pode fazer toda a diferença e trazer mais resultados”, pontuou. Mas também disse que é preciso mais diálogo para entender quais são e o tamanho das necessidades e que a cultura de doação se fortaleça.

Carola lembrou que a ONGs pequenas, que trabalham nas comunidades, precisam ser valorizadas. “O capital filantrópico deve olhar para esse público”, alerta.

E, finalizando, deixou um recado: “Somos parte dessa solução e dessa luta. Quem detém recursos detém poder e isso nos traz uma grande responsabilidade”.

Assista aqui o painel completo:

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

#FórumIDIS: Blended Finance: uma nova fórmula para gerar impacto social

O conceito de Blended Finance, que pressupõe um modelo de finanças mistas que visa minimizar os riscos com juros baixos, foi apresentado pela primeira vez em 2015 com a perspectiva de potencializar os negócios e estimular o crescimento sustentável. Até agora, no Brasil, foram realizadas cerca de 19 operações ancoradas neste conceito. Mas no mundo, já são 500 bilhões de dólares mobilizados em diferentes países, envolvendo bancos, instituições, famílias, entre outros atores.

Para Marco Gorini, sócio da Din4mo, sem mobilizar o capital privado não há condição de financiar a Agenda de 2030. “É preciso uma migração para uma economia e sociedade de causas, que tenham integridade, coerência e o Blended é uma forma de fazer isso acontecer”, afirma. Destaca também que o potencial de sucesso desses mecanismos é imenso.

A sócia do Mattos Filho Advogados, Flávia Regina de Souza Oliveira, avalia que para os filantropos e investidores financeiros o Blended Finance é inovador, traz a união do capital por uma única causa: melhorar as questões socioambientais.

“Nunca é demais termos novos meios para atrair capitais”, comenta Flávia. É importante olhar para a governança e a estruturação jurídica desses recursos para fomentar negócios de impacto. Segundo os dois palestrantes, o Blended Finance mostra que isso é possível e faz com o que o investidor tenha mais apetite para arriscar.

No fechamento do painel, moderado pela gerente de projetos do IDIS, Andrea Hanai, ficou clara a necessidade de colocar governo, investidores, terceiro setor e sociedade na mesma página e que devem ser superados desafios relacionados ao ambiente regulatório, à governança e à definição de indicadores de resultados. A filantropia é o alicerce para gerar as evidencias e tornar o mecanismo mais popular e efetivo.

Confira aqui a sessão na íntegra:

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

 

#FórumIDIS 2020: Contagem regressiva – 10 anos para atingir os ODSs

Quando foram definidos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e estabelecida a Agenda 2030, ninguém imaginaria que no caminho encontraríamos uma pandemia, que afetaria o mundo de forma tão contundente. Temos agora o desafio de ajustar metas e iniciativas, considerando os novos desafios que se apresentam. Se a conversa sobre este tema era importante, agora que estamos a 10 anos do prazo para cumprir a Agenda, hoje ela é mandatória e não poderia deixar de integrar o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais.

Cristiano Prado, líder de projetos econômicos e sociais do PNUD no Brasil, agência líder da ONU para o desenvolvimento e que usa os ODSs para guiar suas políticas, afirma que não haverá recurso público suficiente para o tamanho do desafio que há pela frente e defende que o crescimento da filantropia é necessário para o avanço da Agenda 2030. “Precisaremos de mais recursos para recuperar o que está ficando para trás e para lidar com a consequência de ter andado para trás”, diz. “A Agenda 2030 e os ODS são e continuarão sendo nossa bússola, apontado a direção que devemos seguir”. Ele destaca que a plataforma de filantropia do PNUD busca encontrar o caminho da transformação social unindo forças, com participação de entidades filantrópicas.

Para Morgan Doyle, representante do BID no Brasil, o ponto-chave para cobrir as lacunas que foram ampliadas com a pandemia é investir em parcerias. “Com a pandemia, a magnitude dos desafios são maiores e as parcerias, fundamentais. No BID estamos trabalhando com todo afinco possível em parcerias com diferentes atores, no governo, setor privado e terceiro setor. Estamos muito abertos a parcerias com instituições que compartilhem o objetivo da nossa instituição, de melhorar vidas”. Os esforços agora, avisa, serão concentrados na retomada sustentável, que considera indissociável da implementação dos ODS no país.

O diretor executivo na Worldwide Initiatives for Grantmaker Support (WINGS), Benjamin Bellegy, ressaltou que a filantropia tem um papel essencial de construir pontes entre os setores e por isso deve receber muito apoio. “A filantropia tem um valor em si, um instinto de solidariedade que envolve vários níveis da sociedade e é muito importante fortalecer esse instinto”, opina. “Precisamos também de uma linguagem comum e os ODS são uma linguagem universal que o business adotou, os governos adotaram e também a filantropia, para tornar possível a colaboração”.

A audiência participou durante a sessão, indicando o quanto os ODSs são aderentes às suas organizações. Mais da metade dos respondentes diz considerar os ODSs em suas estratégias, resultado bastante positivo e que indica comprometimento.

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

#Fórum2020: A pergunta de 1 milhão: como seremos nós e o mundo após a pandemia?

Para responder à pergunta de um milhão, convidamos o economista Eduardo Gianetti, que abriu o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais com uma fala realista. “A economia está em um processo de recuperação, mas não esperem que voltemos ao patamar anterior à pandemia já em 2021”, disse. Segundo ele, mais de USD 4 trilhões foram injetados na economia mundial nesse período de emergência. E pergunta: como vamos nadar quando esses recursos acabarem?

Enquete realizada durante a sessão

A outra incerteza que nos espera é saber como será o comportamento de investidores e consumidores: sermos mais prudentes ou vamos reagir? Gianetti diz que caminhamos para um mundo menos globalizado, mais endividado e mais digitalizado.

No Brasil a questão fiscal será um ponto-chave. O economista aponta que a dívida pública brasileira cresceu de forma acentuada, e fechará o ano entre 95% e 100% do PIB. “É administrável, mas requer cuidado. Para a sociedade, o principal aprendizado foi a gravidade da desigualdade estrutural”, disse durante a palestra. E fez um alerta de que, apesar do auxílio emergencial dado pelo governo, nenhum país resolve o problema de desigualdade com transferência de renda. A solução está em investimentos no capital humano – educação universal, saúde pública e saneamento básico.

Gianetti lembrou também que as doações no Brasil chegaram a R$ 6,3 bilhões e apesar da cultura brasileira ser movida pelo afeto, agora teremos que não apenas preservar, mas também alavancar esse movimento para termos um país mais justo. “Não devemos poupar esforços em avaliar e medir os resultados” e completa sugerindo que igualmente importante é mostrar com clareza a todos que contribuíram, com clareza, o impacto e a transformação na vida das pessoas beneficiadas.

Sobre os desafios que nos esperam e as prioridades para o Brasil, Eduardo Gianetti cita os dois principais. O primeiro é o emprego, sendo necessário o estímulo ao empreendedorismo com o devido apoio ao empreendedor. O segundo ponto diz respeito ao meio ambiente. O economista é categórico ao dizer que o governo brasileiro está se omitindo de forma criminosa na preservação do meio ambiente. “Temos que nos unir como sociedade em torno do meio ambiente. Vivemos um momento sombrio e um governo que mete os pés pelas mãos. não cuidando do nosso patrimônio”, finalizou.

A sessão foi transmitida ao vivo no YouTube do IDIS. Assista na íntegra:

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

#FórumIDIS: Fundos Filantrópicos: da emergência à perenidade

Um dos instrumentos utilizados durante a crise gerada pela pandemia foram os Fundos Filantrópicos. Muitos surgiram para ajudar na emergência, mas os investimentos podem ser perenes e de impacto mais permanente.

Para o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, um dos palestrantes do painel ‘Fundos Filantrópicos: da emergência à perenidade’, eles vieram para ficar e trouxeram uma nova forma de investimento. “Quando se fala de desenvolvimento social, também se fala de filantropia. Se queremos um país mais justo, com meio ambiente preservado, isso é tarefa da sociedade, do governo e do setor privado, com o apoio do banco”, explicou.
Montezano disse que vê a filantropia como uma gestão dos patrimônios financeiros, social e ambiental. Segundo ele, esse movimento ajudou a conscientizar a sociedade de que o governo não consegue resolver todos os problemas sozinho. É preciso uma atuação conjunta. “As elites acordaram que precisam atuar mais nessa agenda com o exemplo da pandemia”, afirmou.

Giovanni Harvey, presidente do conselho do Fundo Baobá, acredita que os fundos patrimoniais têm papel importantíssimo no que diz respeito à sustentabilidade de movimentos e organizações sociais, uma vez que operam com uma perspectiva de médio ou longo prazo.
Ele enfatizou também a importância da captação de recursos a empreendimentos que trabalhem na busca pela equidade racial, além da relevância da transparência das entidades. “Promovemos diversas ações com o objetivo de garantir que o investidor possa enxergar o Baobá e ter acesso a informações estratégicas”.

Harvey também ressaltou como positivo o crescimento do discurso sobre a agenda racial, complementando: “a sociedade civil tem dados respostas e esperamos que não seja uma onda, que possamos construir uma agenda mínima e dar continuidade depois da pandemia passar”.

A mesa foi moderada por Renata Biselli, head de Sustainable Solutions no Santander, que tem hoje entre suas prioridades o avanço dos Fundos Patrimoniais no Brasil. Este painel integrou o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2020, realizado de forma virtual nos dias 17 e 18 de setembro de 2020. Com o tema “Novos Horizontes – Reflexões para uma filantropia pós-pandemia”, buscamos estimular e inspirar os investidores sociais a continuar doando tempo, recursos e conhecimento para a construção de um mundo mais justo e melhor para todos.

Veja aqui o painel na íntegra:

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

#FórumIDIS: Filantropia se fortalece durante a pandemia

Beatriz Bracher e Antônio Carlos Pipponzi foram os entrevistados pela jornalista Eliane Trindade, editora do Prêmio Empreendedor Social, da Folha de São Paulo, na tradicional sessão “Em Conversa Com” do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, que traz inspirações para a filantropia familiar.

Registro gráfico da artista Mila Santoro, Regência Criativa

Escritora e roteirista, Beatriz contou aos participantes do Fórum como sua profissão ajudou a entender melhor o papel da filantropia. “Ser escritora me permite estar no lugar do outro, crio personagens horríveis e personagens maravilhosos”, revela.

Ao mesmo tempo, Beatriz se preocupa com os diversos termos e jargões que se atrelaram à filantropia nesses últimos tempos. “Parece que virou uma área só de especialistas. Não pode se tornar algo distante do dia a dia”, reforça a filantropa.

O outro convidado da sessão “Em Conversa Com”, Antonio Carlos Pipponzi, presidente do conselho administrativo da RaiaDrogasil e também presidente o conselho do Instituto ACP, disse acreditar que o setor empresarial percebeu, na prática, a importância da doação. “As empresas terão que seguir mobilizadas no pós-pandemia, em nível menor, claro, mas a sociedade vai cobrar, os funcionários também”, reforça.

A televisão, afirma, foi muito feliz ao divulgar diariamente as ações de solidariedade. “Uma coisa é doar e outra é ir a fundo para entender a raiz do problema e promover uma doação transformadora. Fizemos doações para 50 hospitais e sentimos como é difícil sair da intenção e chegar na prática”, revela Pipponzi.

Veja aqui a conversa na íntegra:

Com o tema “Novos Horizontes – Reflexões para uma filantropia pós-pandemia”, o Fórum acontece, de forma virtual, nos dias 17 e 18 de setembro. Neste evento, buscamos estimular e inspirar os investidores sociais a continuar doando tempo, recursos e conhecimento para a construção de um mundo mais justo e melhor para todos.

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. São parceiros ouro desta edição Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

IDIS discute o futuro da filantropia com lideranças mundiais

Novo Horizontes é o tema do Fórum Brasileiros de Filantropos e Investidores Sociais 2020

Em meio a tantos eventos tristes, a pandemia do novo Coronavírus produziu um efeito colateral positivo ao abrir uma janela importante para o crescimento da filantropia e para o fortalecimento da percepção, pela sociedade, da importância de uma cultura de doação.

Passados quase 6 meses do início da crise, o volume de doações diminuiu, apesar das incertezas continuarem. Esse panorama é o pano de fundo do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2020, organizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

Com o tema “Novos Horizontes – Reflexões para uma filantropia pós-pandemia”, o Fórum acontece, de forma virtual, nos dias 17 e 18 de setembro. Tradicionalmente um evento exclusivo para convidados, nesta edição o Fórum terá duas sessões abertas ao público transmitidas pelo YouTube.

Com mais de 30 palestrantes, o Fórum irá abordar o momento único que estamos vivendo e tratar das oportunidades para uma filantropia renovada e perene. Neste ano, com a intenção de capturar os assuntos mais relevantes para nosso público, a agenda do Fórum foi cocriada com o apoio de especialistas, que enviaram perguntas que inspiraram o desenvolvimento da programação. Entre os assuntos, Fundos Patrimoniais, Blended Finance, Filantropia Comunitária e Avaliação de Impacto. Uma sessão discutirá também os desafios que temos para cumprir a Agenda 2030 e seus Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs). A plenária de abertura será feita pelo economista e escritor Eduardo Gianetti. O evento será acompanhado por um facilitador gráfico, que fará a colheita dos principais assuntos abordados em cada uma das sessões. O resultado será uma síntese visual da experiência, um quadro sintético com palavras-chave, metáforas e esquemas que serão disponibilizados ao final de cada dia.

Entre os palestrantes confirmados estão o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, a filantropa e fundadora do Instituto Galo da Manhã, Beatriz Bracher, o presidente do conselho de administração da Droga Raia/ Drogasil, Antônio Carlos Pipponzi, o representante do BID no Brasil, Morgan Doyle, a vice-presidente sênior do Itaú Unibanco, Claudia Politanski, o CEO da Gerando Falcões, Edu Lyra, a fundadora dos Amigos do Bem, Alcione Albanesi, e o diretor-executivo da Fundação Ford, Átila Roque.

Participam ainda um grupo de especialistas internacionais: o CEO do Global Philanthropy Forum, Philip Yun, o autor do livro Philanthrocapitalism, Matthew Bishop, e o diretor de Relações Externas e Engajamento Global da CAF – Charities Aid Foundation, Michael Mapstone.

“O ano de 2020, irremediavelmente, será um marco na vida de todos nós, nos quatro cantos do mundo. Impacto sociais, econômicos e políticos somam-se a uma onda nunca vista de solidariedade. Nesta edição, reunimos mais uma vez a comunidade filantrópica para olhar aos novos horizontes que se descortinam, com desafios, mas também com inúmeras oportunidades e caminhos a serem trilhados” , afirma a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani.


Sessões abertas: ao vivo no YouTube @idis_noticias

  • 17 de setembro, das 9h15 às 9h55

A pergunta de 1 milhão: como seremos nós e o mundo após a pandemia?

Eduardo Giannetti, economista e escritor

  • 18 de setembro, das 11h30 às 12h25

Novos horizontes da filantropia no mundo

Philip Yun | CEO do Global Philanthropy Forum
Matthew Bishop| Autor do livro Philanthrocapitalism
Michael Mapstone | Diretor de Engajamento Global da CAF
Moderadora: Paula Fabiani | diretora-presidente do IDIS

 

Conheça aqui a programação completa do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais: www.idis.org.br/forum

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais é realizado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social com o Global Philanthropy Forum. Consolidou-se como um espaço exclusivo para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.000 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em 2020, realiza sua 9ª edição. São parceiros ouro Fundação José Luiz Egydio Setubal e Santander, e parceiros bronze BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Private Bank, Instituto ACP, Mattos Filho Advogados e Movimento Bem Maior.

Contatos: 4Press Comunicação

Ana Moretto – 11 97300-8584
anamoretto@4pressnews.com.br

Leandro Andrade – 11 99606-9056
leandro@4pressnews.com.br

 

Movimento por uma Cultura de Doação lança manifesto e recomendações para agenda positiva

A epidemia de Covid-19 ainda está presente no Brasil, mas o ritmo das doações já está caindo acentuadamente. Será que é preciso uma catástrofe nacional para manter os níveis de doação no País?

O Movimento por uma Cultura de Doação acredita que não. E para mostrar que há outras formas, menos dramáticas e mais estratégicas, de sensibilizar os doadores, acaba de lançar um documento chamado “Por uma Brasil + Doador, Sempre”. Nele estão apontadas cinco diretrizes que precisam ser trabalhadas para fazer da doação um ato mais frequente e mais consciente dentro da nossa sociedade.

A definição das estratégias, assim como todas as recomendações contidas no documento são fruto de um trabalho coletivo que vem sendo desenvolvido, de forma planejada, há mais de um ano e, de forma espontânea, há sete anos, desde quando o Movimento surgiu. Andréa Wolffenbüttel, membro do Comitê Coordenador do Movimento e diretora de Comunicação do IDIS, comenta:

“Esperamos que este documento sirva de inspiração e orientação para todos aqueles que querem construir uma sociedade mais doadora e mais comprometida com a solução de seus próprios problemas’

As cinco grandes diretrizes são:

  1. Educar para a Cultura de Doação: se queremos cidadãos mais conscientes e doadores, precisamos começar a formá-los desde a infância e juventude; e podemos também educar adultos para o maior engajamento cívico e comunitário.
  2. Promover narrativas engajadoras: em um mundo saturado de informações, precisamos nos destacar com uma narrativa engajadora, atraente e positiva. Pedir doação sem tabus, contar histórias transformadoras e mostrar que doar faz bem a todos, inclusive ao doador.
  3. Criar um ambiente favorável à doação: doar precisar ser fácil, rápido – com ajuda da tecnologia – e sem entraves legais
  4. Fortalecer as organizações da sociedade civil: doadores querem doar para os beneficiários: populações vulneráveis, crianças, idosos, meio ambiente….Para fazer os recursos chegarem aos beneficiários, existe o trabalho das organizações da sociedade civil e elas precisam ser reconhecidas,  valorizadas e apoiadas para operarem cada vez melhor.
  5. Fortalecer o ecossistema promotor da cultura de doação: quanto mais gente trabalhando pela causa da  cultura de doação, melhor. Quanto mais organizações, mais diverso será esse ecossistema, mais estruturado, mais rico e chegará mais longe.

Cada uma das diretrizes se desdobra em várias recomendações de iniciativas que podem ser adotadas por qualquer um interessado no tema.

O mapa está desenhado e o primeiro passo já foi dado. Agora é necessário fazer com que este mapa alcance todas pessoas que podem ajudar a impulsionar a causa da cultura de doação pelo Brasil: escolas, empresas, universidades, associações de classe e de setor, governos, redes comunitárias, aconselhadores patrimoniais, investidores sociais, dentre outros.

 

O QUE É O MOVIMENTO POR UMA CULTURA DE DOAÇÃO

O Movimento por uma Cultura de Doação foi criado em 2012 como uma articulação ampla, formada por pessoas físicas e jurídicas que se organizaram voluntariamente, de maneira informal e orgânica, para semear e germinar ideias para promover a doação no Brasil. Somos uma rede aberta, horizontal, democrática, composta por instituições e cidadãos interessados no tema.

Iniciativas de sucesso, como o Dia de Doar e o Fundo BIS, que financia  soluções para a expansão da doação no Brasil, são exemplos de sementes que foram plantadas e regadas pelo Movimento.

 

MAIS INFORMAÇÕES

www.doar.org.br 

 

“Espero ver iniciativas que incentivem doações por todas as partes até 2025! Na escola, na empresa, no supermercado, na farmácia, na universidade, no banco, no contador, na prefeitura, na televisão, no Instragram … doar vai virar uma prática de todo brasileiro!”

Danielle Fiabane, membro do Comitê Coordenador do Movimento e consultora de filantropia familiar e empresarial
“A existência de diretrizes para a ampliação da cultura de doação no Brasil é o primeiro passo para a construção de uma agenda comum para todos que, de alguma forma, já estamos implicados e para quem quiser se juntar neste trabalho. E como os últimos meses têm demonstrado tão bem, foco comum unido a atuação colaborativa têm um enorme poder transformador e são elementos fundamentais para que possamos dar conta dos imensos desafios que temos que enfrentar como sociedade.”

Erika Sanchez Saez, membro do Comitê Coordenador do Movimento e consultora do GIFE

“O Brasil é um país de belezas humanas e naturais e cuidar delas é papel de todos, em cada um de nós. Doar é uma expressão deste cuidar “.

Joana Mortari, membro do Comitê Coordenador do Movimento e fundadora da Acorde

“O documento de Diretrizes vem em um momento oportuno, em que a sociedade demonstrou sua solidariedade com as doações expressivas para mitigar os efeitos negativos da pandemia. Esperamos que ele contribua inspirando ações que tornem estas doações recorrentes, contribuindo com o desenvolvimento do nosso país.”

Marcia Kalvon Woods, membro do Comitê Coordenador do Movimento e presidente do Conselho da ABCR

Amigos do Bem, Parceiros da Educação e Gerando Falcões contratam IDIS para avaliação de impacto SROI

O IDIS está conduzindo avaliações de impacto para três organizações reconhecidas em todo o país pela amplitude de seus projetos sociais – Amigos do Bem, Gerando Falcões e Parceiros da Educação. Apesar do momento de incerteza pelo qual passa o país, as três optaram por manter com o investimento, visto como estratégico para todas elas. Em todos os projetos, foi escolhida a metodologia Social Return on Investment (SROI) ou Retorno Social sobre Investimento – análise de custo-benefício reconhecida pelo Cabinet Office do Reino Unido. A diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani é única brasileira certificada pela Social Value (UK) na metodologia SROI.

Com os Amigos do Bem, estamos avaliando a completude de seus projetos sociais que beneficiam mais de 75 mil pessoas no sertão nordestino. O estudo incluirá não só a entrega de alimentos e assistência como também a entrega de casas, perfuração de poços, geração de emprego e renda, atendimento médico e odontológico, suporte psicossocial, bolsas de ensino universitários e os Centros de Transformação, onde a organização oferece a crianças e adolescentes uma educação integral de modo complementar ao ensino básico nas escolas públicas apoiadas das regiões em que atua. Alcione Albanesi, presidente e fundadora dos Amigos do Bem, comenta: “Há 27 anos transformamos vidas no sertão nordestino. Mudamos muitas histórias e geramos um impacto positivo na vida de milhares de pessoas. Com o IDIS, conseguiremos mensurar os resultados diretos do nosso trabalho nas regiões em que atuamos. O objetivo é replicar o nosso Modelo de Desenvolvimento Social Sustentável no nosso país. Acreditamos que a miséria tem solução.”

Para a Parceiros da Educação, avaliaremos o programa de parcerias com escolas públicas estaduais e municipais, incluindo os convênios com prefeituras no Estado de São Paulo. Além de beneficiar cerca de 70 mil estudantes da rede pública de ensino, o programa capacita professores e gestores em mais de 200 escolas no Estado. Segundo Jair Ribeiro, fundador da organização,“A Parceiros da Educação sempre procurou medir o impacto das suas intervenções, e nossa parceria com o IDIS tem como objetivo justamente ampliarmos o escopo dessas análises incorporando o que há de mais atual em termos de avaliação.”

Por fim, junto a Gerando Falcões, uma das organizações sociais com maior crescimento no país, a avaliação SROI contemplará seus projetos próprios nas cidades de Poá e Ferraz de Vasconcellos, tendo entre seus beneficiários crianças, adolescentes, jovens e adultos, incluindo egressos do sistema penitenciário atendidos pelo Projeto Recomeçar. Apoiaremos também a avaliação do programa de expansão da Gerando Falcões, que já conta com organizações aceleradas em 4 estados –  São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Alagoas. Edu Lyra, fundador e CEO da Gerando Falcões, arremata: “O IDIS é certamente uma das melhores organizações no mundo pra medir  impacto e mostrar pra sociedade o quanto estamos transformado.”

Se interessa pelo tema? Saiba mais aqui;

Avaliação de Impacto Social – metodologias e reflexões
Tendências e Desafios da Avaliação de Impacto no Brasil

IDIS compartilha conhecimento sobre Fundos Patrimoniais

Desde a regulamentação dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil, em janeiro de 2019, o tema vem ganhando  relevância. Ainda que até o momento sejam poucas as experiências que, efetivamente, operam nos padrões determinados pela Lei 13.800/19, o interesse é definitivamente crescente.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) é um dos órgãos que vem fomentando o avanço do tema. Ainda no ano passado, lançou o selo ‘Endowments em Ciências, Tecnologia e Inovação’ e se comprometeu a apoiar associações ou fundações de apoio que queiram criar Fundos Patrimoniais com esse foco, por meio de articulações institucionais para a redução de burocracias, do estímulo à capacitação de agentes e pela busca ativa de doadores. De acordo com o Ministro Marcos Pontes, desde o início de sua gestão, ele considera este um importante mecanismo para superar as dificuldades orçamentárias impostas, dado que permite ativar fontes alternativas e complementares de recursos. No lançamento do 1º Webinário MCTI de Fundos Patrimoniais (ENDOWMENTS), em 19 de agosto de 2020, destacou que esta é a nova maneira de pensar o financiamento da Ciência, da Tecnologia e da Inovação e se inspira no exemplo de outros países.  Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, participou do evento falando sobre os desafios que permeiam a aplicação da Lei nº 13.800/2019 (assista aqui ao conteúdo do primeiro dia). O Webinártio tem um total de 4 encontros programados, sendo os próximos nos dias 2 e 9 de setembro. Inscrições e mais informações no site do Ministério.

Dada a importância para a sustentabilidade das organizações da sociedade civil, um curso sobre o tema foi especialmente desenvolvido para a Escola Aberta do Terceiro Setor. Neste módulo, Paula aborda não só conceitos, mas também traz orientações práticas para que pequenas e médias organizações criem seus Fundos e tenham acesso a estes recursos. Inscreva-se aqui.

Se interessa? Conheça outros conteúdos relacionados ao tema:

Fundos patrimoniais: desafios e benefícios da Lei 13.800/19

Fundos Patrimoniais Filantrópicos – Sustentabilidade para causas e organizações

Fundo Emergencial para a Saude bate meta de 40 milhões e beneficia 41 organizações

O Fundo Emergencial para a Saude – Coronavírus Brasil foi criado pelo IDIS, BSocial e Movimento Bem Maior em meados de março e, em cinco meses, atingiu a meta proposta de captar 40 milhões de reais para ajudar no combate ao COVID-19. A ação, que começou beneficiando hospitais filantrópicos de São Paulo, ganhou força,  se estendeu para outros 14 estados e distribuiu recursos a um total de 41 organizações, sendo 39 hospitais, 1 centro de pesquisa (Fiocruz) e uma organização social (Comunitas).

“O sucesso do fundo, levando recursos para ajudar milhares de pessoas mostra a força da filantropia e a generosidade do brasileiro, que certamente está aprendendo que transformar é possível”, diz Maria Eugênia Duva, cofundadora da BSocial.

A forma como a pandemia se espalhou mostrou a importância de levar os recursos para estados em situação mais vulnerável, como Pernambuco, Amazonas, Acre, Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais entre outros. Em Manaus, onde a mortalidade foi elevada, quase 1 milhão de reais foram encaminhados para a Associação Brasileira de Enfermagem (AM). Treze Santas Casas de várias partes do país também receberam recursos para enfrentar batalha contra o novo coronavírus.

“Este foi um movimento que engajou além de empresas e grandes filantropos, a sociedade como um todo. É uma união inédita em torno da saúde pública”, explica a presidente do IDIS, Paula Fabiani.

O Fundo reuniu um total de mais de 10 mil doadores, entre empresas de todos os tamanhos e área de atuação, pessoas físicas, organizações e plataformas e famílias voltadas à filantropia.

Até 20 de agosto, as doações do Fundo haviam se transformado em mais de 1 milhão de EPIs (equipamentos de proteção individual), cerca de 10 mil medicamentos e em 630 equipamentos hospitalares.

Carola Matarazzo, diretora-executiva do Movimento Bem Maior, conta que “como fomos um dos primeiros auxílios a chegar, os gestores dos hospitais nos diziam que o Fundo não estava trazendo só recursos financeiros, mas também uma nova esperança porque eles percebiam que contavam com o apoio da sociedade”.

Agradecimento 

O Hospital São Paulo, um dos beneficiários do Fundo Emergencial, e que recebeu uma doação de R$ 1,9 milhão, realizou em julho uma homenagem especial aos instituidores do Fundo. Em uma live com participação do Superintendente do Hospital, José Roberto Ferraro, e da Reitora da Unifesp, Soraya Smaili. Contaram que esta doação foi a primeira a chegar, quando eles estavam desesperados, sabendo que a situação ia ser muito crítica e os equipamentos do hospital não estavam em condições de atender à demanda. Disseram que este gesto não significou somente um repasse de dinheiro. Ele deu confiança para eles, mostrando que não estavam sozinhos. Veja aqui o vídeo que elaboraram com a prestação de contas.

 

Para acompanhar as novidades, siga o Instagram da campanha e doe no www.abraceasaude.com.br

O Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil é uma iniciativa do IDIS, Movimento Bem Maior, BSocial e tem o apoio de diversas empresas e entidades da sociedade civil.

Assessorias de Imprensa:

IDIS – Ana Moretto (4 Press)/ anamoretto@4pressnews.com.br / (11) 97300-8584

Bem Maior -Sheila Brasil/comunicacao@centraldeinovacao.com.br/(11) 99333-0528

BSocial – Viviane Pereira / vpimprensa@gmail.com / (11) 97667-1933

NOTA TÉCNICA: 10 dicas para verificar a confiabilidade de uma OSC

O brasileiro é um povo solidário e, cada vez mais, reconhece a importância das organizações da sociedade civil (OSCs) para o enfrentamento de nossos desafios sociais.

Repetidas pesquisas, entretanto, demonstram que nossos níveis de doação poderiam ser maiores se superadas algumas barreiras, entre elas, a desconfiança que muitas pessoas nutrem em relação às OSCs.

Para ajudar a mudar este quadro, elaboramos essa lista de dicas, um passo a passo para a validação básica de organizações sociais.

IDIS busca Diretor de Projetos

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – é uma organização fundada em 1999 e tem como foco o fortalecimento do Investimento Social Privado no Brasil e o estímulo a ações transformadoras da realidade para a redução das desigualdades sociais no país.

O IDIS conta com um time de 16 pessoas dedicadas a desenvolver e implementar projetos de grande impacto que estimulem o desenvolvimento de um ecossistema de Investimento Social que atue de forma eficaz e estratégica. Oferecemos consultoria em investimento social para empresas, famílias, filantropos e organizações da sociedade civil. Além disso, desenvolvemos projetos de impacto, como campanhas e a promoção de advocacy, e investimos na geração de conhecimento, com a produção de pesquisas, artigos e publicações.

Para fortalecer ainda mais nossa atuação, buscamos  um Diretor de Projetos que apoie na gestão de nossas iniciativas.  Essa função envolverá prospecção de novos negócios, geração de ideias, implementação de processos, gestão e desenvolvimento do time de gerentes de projetos, produção de conteúdo, relacionamento com clientes, entre outras atividades. Será fundamental grande facilidade para transitar em ambientes diferentes, gerenciar conflitos, ter excelente comunicação, aplicar ferramentas de gestão de projetos (embora seja bem-vinda, a posição não exige nenhuma certificação), ter conduzido projetos de naturezas distintas e engajar o time. Essa pessoa trabalhará na sede do IDIS em São Paulo – SP.

Algumas das competências e habilidades que o Diretor de Projetos deve ter são:

  • Comunicação;
  • Dinamismo;
  • Gestão de times diversos;
  • Iniciativa;
  • Solução de problemas;
  • Liderança.

O IDIS é o representante da Charities Aid Foundation – CAF na América Latina, e por isso o inglês fluente é mandatório.

A EXEC, consultoria de RH para posições C Level, é nosso parceiro no recrutamento desse Diretor de Projetos. O processo está em fase de finalização e já foi encerrado o período para recepção de currículos. 

IDIS e Folha reúnem especialistas em seminário sobre Cultura de Doação

#ComoPossoAjudar? foi uma das expressões mais buscada no Google, no Brasil, depois de decretada a pandemia. Os brasileiros se mobilizaram e estão mostrando que podem fazer a diferença. Entramos no mês de julho com R$ 5,7 bilhões doados por pessoas, famílias e empresas, segundo o Monitor de Doações Covid-19 promovido pela ABCR.

Para entender melhor este movimento, quais as motivações e os caminhos que se apresentam a partir de agora, realizamos no dia 8 de julho, em parceria com a Folha e com o apoio do Instituto ACP, Instituto Mol e Movimento Bem Maior, o seminário #ComoPossoAjudar: o movimento que faz a diferença na pandemia. Entre os convidados, especialistas e empreendedores sociais representando diferentes pontos de vista.

No evento, também lançamos os dados do Brasil Giving Report 2020 (acesse aqui o relatório completo), pesquisa realizada junto a 1.000 respondentes em agosto de 2019 que traz o retrato da doação no Brasil e dá indicativos de como chegamos até aqui. Entre os achados, o crescimento da visão positiva sobre as ONGs e de seu impacto positivo, pontos de vista que contribuíram para o grande volume de doações no período da pandemia. O aumento também do percentual de respondentes que doam porque acreditam que todos precisam ajudar a resolver problemas sociais e porque percebem que podem fazer a diferença, em especial nas camadas de mais alta renda também foi evidenciado. “O engajamento do brasileiro já vinha aumentando, em especial entre os jovens, e neste momento em que atingimos recordes de solidariedade, olhar para estes dados é um orientador importante para nossa ação”, comenta Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, que abriu o seminário.

A primeira mesa de debates teve como tema ‘Motivações para Doar’. Participaram Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta e da Preta Hub, Eugênio Mattar, CEO da Localiza e cofundador do Movimento Bem Maior, Márcia Woods, presidente do Conselho da ABCR e Nathalia Arcuri, CEO da Me Poupe!.

Márcia Woods abriu a conversa, traçando um panorama das doações, que atingiu patamar recorde, e destacando a participação expressivasde empresas durante a pandemia. Reforçou também a agilidade das organizações da sociedade civil em montar campanhas e demonstrar os benefícios de suas ações. Por fim, mostrou-se otimista em relação ao processo de engajamento recorrente que crê vamos atingir um novo patamar de doações no país.

Nathalia Arcuri, complementou destacando a importância da transparência e da prestação de contas como fatores que motivam e reforçam a Cultura de Doação e lembrou que o voluntariado é tão relevante quanto a doação de dinheiro e não pode ser esquecido.

Adriana Barbosa trouxe o olhar de quem está atuando na ponta e citou a experiência do Fundo de Emergências Econômicas para apoiar empreendedores. Destacou também como plataformas de financiamento coletivo e campanhas descentralizaram e facilitaram a doação. Promotora da causa do empreendedorismo negro, também trouxe essa questão à mesa, destacando seus desafios específicos e afirmou “É preciso fazer um recorte de raça e gênero no contexto da filantropia na pandemia”.

Fechando o painel, Eugênio Mattar trouxe em seu discurso sua motivação enquanto empresário, destacando que a cidadania é um valor para a Localiza e que seus investimentos aumentaram durante a pandemia, respondendo à urgência. Apresentou também o Movimento Bem Maior e seu objetivo de fortalecer a cultura de doação e duplicar o investimento de empresas e pessoas em filantropia estratégica. E afirmou: “Ser generoso é o maior privilégio que um homem pode ter”.

O segundo painel, ‘Caminhos e Escolhas’ reuniu Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magalu, Paula Fabiani e Rodrigo Pipponzi, diretor-executivo da Editora Mol.

Luiza Helena analisou o caminho traçado pela Cultura de Doação e como ela veio para ficar. Destacou o espírito de comunidade, o espírito de solidariedade e a cobrança crescente da população em relação à responsabilidade empresarial. Falou também sobre o comitê de mulheres de bairro de periferia, um exemplo de gestão, aplicação do dinheiro e resultados conquistados. Comentou que o apoio a pequenas e médias empresas foi o foco do Magalu neste período, além da adesão à campanha ‘Não Demite’, caminho que ressaltou como importante a todas corporações.

Rodrigo, que apostou nas microdoações como modelo de negócio da Editora Mol, mostrou como conseguiu simplificar o ato da doação e assim contribuir para o fortalecimento da cultura de doação no Brasil. Ele oferece hoje modelos criativos para estimular doações em empresas, em especial varejistas, que têm cada vez mais interesse neles. “Podemos fazer a mesma coisa de outras maneiras.” Também comentou sua iniciava no Instituto ACP, que lançou a campanha ‘Família apoia Família’ e atribuiu o grande resultado à consolidação do sentimento de solidariedade e responsabilidade que está aflorando.

Paula Fabiani, além de trazer mais dados da pesquisa Brasil Giving Report, comentou a questão do legado da pandemia e que os brasileiros começam a perceber nas doações um ato de cidadania e o papel das organizações da sociedade civil como um veículo para chegar às pessoas mais vulneráveis. Destacou também a emergência de novos mecanismos de doação e como eles têm conseguido engajar pessoas de diversos perfis.

Assista aqui o seminário #ComoPossoAjudar: o movimento que faz a diferença na pandemia.

 

Percepção do impacto positivo das ONGs já estava aumentando antes da pandemia

O IDIS, Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, lança a edição 2020 do relatório ‘Brasil Giving Report: Um Retrato da Doação no Brasil’. É o terceiro ano consecutivo que a pesquisa é realizada, sempre com a mesma metodologia, mostrando como os brasileiros praticaram doação, voluntariado e engajamento cívico no ano anterior.

Visão e opinião evoluíram

Oito em cada dez brasileiros afirmaram que as organizações sociais tiveram um impacto positivo no país como um todo (82% em 2019 contra 73% em 2018) e em suas comunidades locais (80% contra 73% em 2018).  Os mais jovens são os mais propensos a ter essa opinião positiva. Quase nove em cada dez pessoas (87%) com idades entre 25 e 34 anos reconhecem um impacto positivo na comunidade local.

“Talvez essa percepção positiva do trabalho desenvolvido pelas OSCs tenha levado a condições mais favoráveis para o desenvolvimento da confiança, e essa confiança permitiu à população responder rapidamente diante da pandemia que vivemos”, explica a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, reforçando que a pesquisa foi realizada em agosto de 2019, antes da crise do coronavírus.

Constatou-se que os brasileiros têm uma visão positiva das ONGs em geral, com três quartos (74%) concordando que “a maioria das organizações sociais trabalha arduamente para alcançar resultados positivos para aqueles que pretendem ajudar”. Esta questão foi abordada pela primeira vez, na edição 2020.

Uma outra novidade do relatório lançado é a opinião dos brasileiros sobre a relação das empresas com as ONGs. Oitenta e seis porcento dos respondentes disseram que as empresas devem apoiar as comunidades em que atuam, 81% são favoráveis a parcerias entre empresas e ONGs e 71% se declarou mais propenso a comprar um produto de uma empresa que ajuda a comunidade local investe na solução de questões sociais..

Comportamento permaneceu estável

Duzentos reais é o valor típico doado pelos brasileiros que fizeram doações nos últimos 12 meses, mesmo patamar registrado em 2018, mas inferior a 2017, quando o valor foi de R$250. Além disso, a proporção dos que doaram permaneceu estável, quando praticamente sete em cada dez brasileiros afirmaram ter feito doação em dinheiro nos últimos 12 meses (67% em 2019 contra 70% em 2018). Como nas pesquisas anteriores, os jovens com idade entre 25 e 34 anos são sempre os que se mostram mais propensos a doar.

O apoio às organizações religiosas e igrejas continua sendo a causa mais popular entre metade dos doadores brasileiros (49%), resultado semelhante ao de 2018 (52%) e 2017 (49%). As outras principais causas para doações são o apoio a crianças ou jovens (39%) e o combate à pobreza (30%). De acordo com o relatório, a proporção de brasileiros que faz trabalho voluntário não muda desde 2017 e atinge metade dos entrevistados (53% em 2019 e 2018 contra 52% em 2017).

As três principais razões para doar também seguem inalteradas desde que o estudo começou a ser feito. “Porque me sinto bem” é a resposta de metade dos entrevistados (52% em 2019 contra 50% em 2018). “Preocupar-se com a causa” (44% agora contra 42% em 2018) e “querer ajudar as pessoas menos favorecidas” (43% contra 40% em 2018) são as outras razões apontadas.

O estudo ‘Brasil Giving Report: Um Retrato da Doação no Brasil’ apresenta dados referentes ao ano de 2019 e foi produzido pela Aliança Global da Charities Aid Foundation. A CAF, representada pelo IDIS no Brasil, é uma rede mundial de organizações que trabalham na vanguarda da filantropia e da sociedade civil.

O estudo na íntegra pode ser baixado aqui.

#ComoPossoAjudar

O resultado da nova edição do Brasil Giving Report foi lançado em 8 de julho, no seminário online #ComoPossoAjudar: O Movimento que Faz a Diferença na Pandemia”, promovido pelo IDIS em parceria com a Folha de S.Paulo. O evento contou com dois painéis, nos quais os convidados puderam discutir a cultura de doação no país.

Mesa 1: Motivações para doar
> Adriana Barbosa, CEO da Preta Hub
> Eugênio Mattar, CEO da Localiza
> Marcia Kalvon Woods, pres. Conselho ABCR
> Nathalia Arcuri, CEO da Me Poupe!

Mesa 2: Caminhos e Escolhas
> Paula Jancso Fabiani, diretora-presidente IDIS
> Luiza Helena Trajano, Magazine Luiza
> Rodrigo Pipponzi, diretor-executivo da Editora MOL

Moderação: Eliane Trindade, Folha

Leio aqui a reportagem sobre o seminário.

Confira aqui o debate:

Metodologia

Este relatório se baseia em dados coletados pelo YouGov a pedido da CAF. No Brasil foram feitas 1.000 entrevistas online entre 13 e 27 de agosto de 2019. Devido ao grau de penetração da internet no Brasil (70%), a amostra é representativa da população urbana e é ajustada aos dados demográficos conhecidos da população, incluindo idade e gênero.

As diferenças são apontadas com grau de confiança de 95% (o nível de confiança de que os resultados são um verdadeiro reflexo de toda a população). A margem de erro máxima (a quantidade de erro de amostragem aleatória) é calculada em ±3%.

Assessoria de Imprensa IDIS

4Press – (11) 5096-0439

Ana Lucia Moretto – anamoretto@4pressnews.com.br

Leandro Andrade – leandro@4pressnews.com.br

Solidariedade na pandemia é tema de Seminário Folha

#ComoPossoAjudar? foi uma das expressões mais buscada no Google no Brasil depois de decretada a pandemia. Os brasileiros se mobilizaram e estão mostrando que podem fazer a diferença. Entramos no mês de julho com R$ 5,7 bilhões doados por pessoas, famílias e empresas, segundo o Monitor de Doações Covid-19 promovido pela ABCR.

Para entender melhor este movimento, quais as motivações e os caminhos que se apresentam a partir de agora, convidamos todos a acompanhar o próximo Seminário Folha, organizado pelo IDIS em parceria com o Instituto ACP, Instituto Mol e Movimento Bem Maior!

No evento, será também lançado o Brasil Giving Report 2020, pesquisa realizada junto a 1.000 respondentes em agosto de 2019 que traz o retrato da doação no Brasil e dá indicativos de como chegamos até aqui.

O evento é gratuito e será transmitido em www.folha.com.br. Nos vemos no dia 8 de julho, às 15h30.

Confira a programação completa:

Diagnóstico de Resiliência: 6 indicadores para auxiliar gestores de OSCs durante e após a pandemia

Por Felipe Insunza Groba, Gerente de Projetos do IDIS

Nesse momento de pandemia e crise econômica, muitas Organizações da Sociedade Civil (OSCs) têm sofrido com a interrupção de suas atividades, falta de recursos e necessidades ainda maiores por parte de seus beneficiários.

Ao mesmo tempo, o crescente desemprego e demandas da saúde pública alavancaram as doações por empresas e famílias ao nível mais alto da história do Brasil, alcançando R$ 5,5 bilhões  somente para campanhas voltadas ao combate das consequências diretas e indiretas do Covid-19, com mais de 371 mil doadores de acordo com os dados do  Monitor das Doações da ABCR até o começo de junho.

Apesar da urgência, editais emergenciais como os lançados pelo Itaú Social (“Comunidade, presente!”) e pela Vale (“Desafio Covid-19”) adotam critérios de elegibilidade para as aplicações que vão da apresentação de documentos fiscais e legais a boas práticas de governança e finanças saneadas.

Com o objetivo de auxiliar as OSCs no diagnóstico de sua resiliência perante essa crise, e também na captação de recursos durante e após a pandemia, preparamos um checklist de documentos e indicadores para orientar os gestores das organizações. A seguir, falamos de cada uma dessas orientações.

Documentos Legais e Certidões de Débito

O processo de validação das organizações por financiadores (empresas, famílias e governos) trata de checar a conformidade das entidades com suas obrigações financeiras e regulatórias, sendo usualmente feito antes da formalização de doações, de modo a evitar riscos reputacionais ou o descumprimento do desejo do doador, com o uso dos recursos para saldar dívidas e passivos pré-existentes. Para gestores e captadores, é importante ter os seguintes documentos regularizados: CNPJ, CND – Certidão Negativa de Crédito, CNDT – Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas, Certificado de Regularidade do FGTS, CTI – Certidão Tributária Imobiliária, e outros de âmbito regional aplicáveis. Além da captação de recursos junto a doadores, esses documentos são fundamentais para a tomada de empréstimos de capital de giro ou para investimentos, imprescindíveis para a sobrevivência de muitas OSCs em momentos de crise como a pandemia atual.

Demonstrações Contábeis

Seja para a captação de recursos e prestação de contas, seja para a gestão, é importante manter atualizadas as Demonstrações de Resultado, o Balanço Patrimonial e as razões contábeis mensais da organização, de modo a acompanhar a evolução dos indicadores de receita, custos fixos, despesas variáveis e solvência (passivos tributários e trabalhistas devem estar claros e estimados). A existência de um profissional dedicado às finanças da organização e a contratação de escritório de contabilidade externo são importantes investimentos de gestão e transparência de uma organização. Os passos seguintes no processo de maturidade de uma organização (e cada vez mais exigidos por financiadores e órgão reguladores) são a realização de auditoria externa das demonstrações financeiras e a contabilização de gratuidades e de trabalhos voluntários.

Fundos de Reserva e Stress Tests

Quantos meses duraria sua organização sem receber novas doações? Essa pergunta hipotética foi colocada concretamente à prova para muitas organizações durante a atual crise. A existência de fundos de reserva (ou de contingência) e uma clareza sobre os custos fixos da organização são fundamentais em momentos de estresse. O gestor deve aproveitar tempos de sobra de caixa e fartura, para reservar recursos para períodos de escassez, podendo enfrentar – pelo menos – 3 meses sem receber recursos. No caso de organizações com dependência de recursos governamentais, recomenda-se folga ainda maior (acima de 12 meses), de modo a lidar com incertezas políticas e contingenciamento de recursos públicos. Além disso, é importante simular cenários com possibilidades de estresse (stress tests) para as variáveis sensíveis de sua organização, como a perda de processos trabalhistas, um aumento de despesa por conta da alta do dólar ou mesmo uma queda permanente na captação de recursos.

Monitoramento de Processos e Resultados

A maioria dos investidores sociais exige a apresentação de relatórios sobre os projetos financiados. Para isso, é importante que sua organização possua um cadastro dos beneficiários (respeitando a LGPD), registre as atividades realizadas e seus resultados, como número de participantes e índice de satisfação. Com o tempo, muitos investidores demandarão medidas mais efetivas de impacto, como estudos demonstrando as transformações geradas pelos projetos da sua organização na vida dos beneficiários (ex.: rendimento escolar, ganho de peso, diminuição de adição a drogas, índice de cura em hospitais, etc.).

Indicadores de Eficiência

Nos EUA, onde o terceiro setor representa mais de 5% do PIB, existem Charity Watches responsáveis por ranquear organizações segundo alguns indicadores de eficiência quanto a captação (ex.: razão entre receita e custo de captação) e despesas com projetos (ex.: razão entre despesas com projetos e despesas totais), auxiliando doadores na tomada de decisão dentro de um mesmo segmento. Você pode comparar os indicadores de sua organizações com os benchmarks/referências considerados pela Charity Navigator e pela Charity Watch.

Governança e Conselheiros independentes

Por último, mas não menos importante, está a governança. Muitas organizações nascem de iniciativas pessoais e do trabalho voluntário e dedicado de seus fundadores. No entanto, visando à perenidade e profissionalização da organização, surge a necessidade da contratação de executivos, da instituição de regras claras para o controle dos recursos e mecanismos de deliberação (regulamentos internos), e de instâncias consultivas, deliberativas e fiscalizadoras (conselhos), que zelem pelos valores e finanças da organização no curto e longo prazo. Nesse sentido, a eleição de Conselheiros Independentes – fora do círculo pessoal direto do fundador e/ou do principal executivo – com voz e voto em decisões estratégicas é fundamental como sinalização para investidores sociais. No zelo pela independência de interesses pessoais eventualmente escusos, sugere-se também que no Estatuto Social (ou em regimento interno) constem regras claras quanto a conflitos de interesses e limites ao exercício de funções estratégicas como a de Diretor Executivo e/ou de Presidente do Conselho Deliberativo.Este é um tema que o IDIS sempre discute e produziu vários materiais que estão no nosso site: www.idis.org.br.

Caso sua organização não cumpra algum dos critérios acima, pode ser o momento de uma guinada estruturante. Essa transformação deverá envolver os gestores e o Conselho da organização, podendo contar com o trabalho de consultorias, com a renegociação de termos e restrições com doadores e bancos credores ou até mesmo com a sondagem a organizações similares para eventual processo de fusão, quando for possível encontrar sinergias entre as atuações.

Se a sua organização passou no diagnóstico de resiliência, parabéns! Mas o trabalho não acaba por aí. É importante manter-se vigilante e dar os próximos passos para a maturidade da organização, seu contínuo processo de profissionalização e – quando for o caso – de expansão.

Mas esse será assunto para um próximo artigo.

IDIS oferece oficina a finalistas e vencedores do Prêmio Empreendedor Social

Iluminação para comunidades isoladas, empreendedorismo negro, inclusão de minorias no mercado de TI, o desenvolvimento do sertão nordestino. Essas são algumas das causas abraçadas pelo vencedores e finalistas da 15ª edição do Prêmio Empreendedor Social, promovido pela Folha de S.Paulo e pela Fundação Schwab.

Acreditando na relevância da iniciativa, que tem como objetivo selecionar, premiar e fomentar os líderes socioambientais mais empreendedores do Brasil, em 2016 o IDIS se tornou seu parceiro. Os vencedores são convidados a se apresentar no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais e eles, assim como os finalistas, podem participar de uma capacitação em captação de recursos.

No dia 10 de junho, Felipe Insunza Groba, gerente de projetos no IDIS, recebeu em uma sala virtual 12 participantes, representantes das organizações Amigos do Bem, Carambola, Litro de Luz, Pluvi.On e Preta Hub.

“Foi uma honra estar com pessoas comprometidas com causas tão diversas e importantes e compartilhar nosso conhecimento. Captar recursos começa com uma mudança de paradigma: não pedimos dinheiro somente, nós oferecemos às pessoas uma oportunidade de gerar impacto na sociedade! A captação de recursos tem uma parte de arte e outra de ciência, então quando nos aprimoramos em storytelling e em técnicas com comprovação empírica, tudo fica mais fácil”, comenta Felipe, que antes de trabalhar no IDIS atuou como captador de recursos na Fundação Estudar e somou seu expertise aos conteúdos proprietários do IDIS.

Conheça os vencedores e finalistas do 15º Prêmio Empreendedor Social:

Vencedor: Guilherme Brammer Jr. > Boomera

Escolha do Leitor: Alcione Albanesi > Amigos do Bem

Finalista: Thomaz Srougi > Dr. Consulta

2019 – Prêmio Empreendedor Social de Futuro:

Gustavo Glasser > Carambola

Diogo Tolezano > Pluvi.on

2019 – Troféu Grão

Adriana Barbosa > Preta Hub

Laís Higashi > Litro de Luz

IDIS lança o Relatório de Atividades 2019

A sansão da Lei dos Fundos Patrimoniais depois de mais de 8 anos de batalha, a criação de um novo programa de Filantropia Comunitária, um público recorde na oitava edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, mais de uma dezena de projetos de consultoria em áreas como planejamento estratégico, estruturação de fundos patrimoniais e avaliação de impacto, a conquista do prêmio Melhores ONGs. Tudo isso, e muito mais, no ano em que celebramos nossos 20 anos de existência.

2019 foi bastante especial para o IDIS e em nosso relatório de atividades compartilhamos as histórias que escrevemos. Muito mais que uma prestação de contas ou um registro do que foi feito, este documento é também uma forma de revisitar e comemorar os acontecimentos e conquistas de um ano. Todos os dias trabalhamos para inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado de indivíduos, famílias, empresas e comunidades, mas nem sempre nos damos conta dos impactos que produzimos.

Com muito orgulho, compartilhamos mais um relatório de atividades. Esperamos que a leitura seja prazerosa!

Acesse aqui o Relatório de Atividades 2019 do IDIS.

Convidados IDIS tem desconto exclusivo no Festival ABCR 2020

O Festival ABCR (FABCR) chega à 12ª edição com conteúdo 100% online. O tema deste ano, ‘Ousar para Avançar’, incluirá assuntos relevantes para o setor e terá uma série de sessões bastante conectadas ao momento atual, como o tamanho da generosidade dos brasileiros e o recorde histórico das doações no país, exemplos de ações motivadas pela pandemia da Covid-19, lives solidárias, combate à lavagem de dinheiro, entre outras.

O evento será realizado nos dias 29 e 30 de junho e os convidados do IDIS tem direito a um desconto de 10% com o código fabcr20_inst_idis10. Para usá-lo, basta incluir no momento em que realizar a inscrição no site.

Pela primeira vez, o Festival será realizado no formato digital, com o uso de um aplicativo focado na interação dos participantes e dedicado às ações antes, durante e pós-evento, permitindo ampliação do alcance do encontro. No total, serão mais de 120 horas de conteúdo. A edição 2020 contempla 7 plenárias, 90 sessões paralelas, 3 masterclasses, 15 sessões de Pré-Festival, mais de 100 palestrantes nacionais e internacionais, além de 10 Eixos Temáticos, Eixo Escola Aberta do Terceiro Setor, Sessões exclusivas Parceiros ABCR, 10 “coronacases” de captação, entre outros destaques.

O FABCR tem o objetivo de debater e trocar conhecimento sobre como mobilizar mais recursos para as organizações da sociedade civil e as causas e o IDIS é um dos parceiros da iniciativa. “Um de nossos focos de atuação é a produção de conhecimento e a contribuição para o avanço de nosso setor. O Festival tem se firmado como um evento que contribui para a sustentabilidade de nosso campo e ficamos muito felizes em participar como parceiros.” comenta Andrea Wolffenbuttel, Diretora da Comunicação do IDIS. O Instituto participará de 2 sessões no evento. Em uma, ‘Fundo Emergencial para a Saúde: desafios e sucessos’, compartilhará os aprendizados durante a pandemia. A outra, conduzida por Jeremy Dron, terá como foco a ‘Lei Geral de Proteção de Dados: a implementação em organizações da sociedade civil’.

Conheça a agenda completa: www.www.festivalabcr.org.br

Inscrição para convidados IDIS: https://www.sympla.com.br/festival-abcr-2020—online__697608?d=fabcr20_inst_idis10 

 

Sobre o Festival ABCR

Com expectativa de reunir 800 participantes, o Festival ABCR 2020, maior conferência de captação de recursos da América Latina e uma das principais no mundo, será realizado nos dias 28, 29 e 30 de junho, em São Paulo. Iniciativa da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, o evento conta com organização da Sator e tem o objetivo de debater e trocar conhecimento sobre como mobilizar mais recursos para as organizações da sociedade civil e as causas. o objetivo de debater e trocar conhecimento sobre como mobilizar mais recursos para as organizações da sociedade civil e as causas.

 

Oportunidade para trainee de projetos

(SELEÇÃO ENCERRADA)

O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social busca um trainee para atuar na área de projetos, com foco em avaliação de impacto. Buscamos alguém comprometido e curioso, que tenha o desejo de trabalhar no setor de investimento social.

Fundado em 1999, somos uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil e na América Latina. Com a missão de apoiar o investimento social privado para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e sustentável, facilitamos o engajamento de pessoas, famílias, empresas e comunidades em ações sociais estratégicas transformadoras da realidade, contribuindo para a redução das desigualdades sociais no país.

Saiba mais sobre a oportunidade:

Principais atribuições e responsabilidades

  • Apoiar a execução de avaliações, conforme o seu planejamento, acompanhando a aplicação dos métodos e instrumentos de avaliação instituídos;
  • Organizar, ler e analisar documentos e outras fontes de informações secundárias;
  • Apoiar a coleta e análise de dados qualitativos (entrevistas e grupos focais) e quantitativos;
  • Elaborar apresentações e relatórios;
  • Assegurar o cumprimento de cronogramas e prazos dos projetos;
  • Participar de reuniões periódicas da equipe de projetos e do time IDIS;
  • Manter os dados de projetos atualizados e organizados no sistema de armazenamento de informações;
  • Apoiar a elaboração de propostas comerciais;
  • Apoiar a Gerência de Comunicação em temas e matérias relacionadas a projetos de avaliação para o desenvolvimento de conteúdo de comunicação.
  • Participar de eventos e reuniões internas e externas.

Requisitos do Cargo

  • Instrução:

Graduação completa ou com conclusão prevista para 2020, em ciências sociais aplicadas ou áreas correlatas.

  • Conhecimentos específicos:
    • Inglês intermediário;
    • Domínio do pacote Office (Word, PowerPoint, Excel);
    • Experiência em uma ou mais das seguintes áreas será diferencial: Terceiro Setor; Gestão de Projetos; Monitoramento e Avaliação.

Competências desejadas:

  • Iniciativa e proatividade;
  • Interesse em avaliação e monitoramento de políticas, programas e projetos sociais;
  • Facilidade para trabalhar em equipe;
  • Organização;
  • Pensamento Sistêmico;
  • Bom relacionamento interpessoal;
  • Disponibilidade para viagens futuras.

Local de trabalho:

  • Inicialmente: remoto
  • Após quarentena: São Paulo/SP – Próximo à estação Pinheiros.

IDIS participa de Minidoc da BandNews sobre Filantropia

Motivada pelo volume histórico de doações no Brasil no período da pandemia, a BandNews produziu um documentário sobre Filantropia. Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, foi a especialista consultada para abordar o tema.

O conteúdo traz o conceito de Filantropia e suas raízes, além de mostrar como o tema evoluiu e começa a ocupar novos espaços na sociedade e no mundo empresarial. Paula, compartilha os achados da Pesquisa Doação Brasil, que traça o perfil do doador brasileiro, e destaca as barreiras que temos aqui para fortalecer a cultura de doação, incluindo questões legais.

As doações feitas no âmbito da pandemia, o envolvimento de pessoas, empresas e famílias de alto poder aquisitivo também foram comentadas. Paula ressaltou que as organizações estão trazendo provas contundentes de seu valor e as ações contribuem para fortalecer a confiança no setor.

A hora e a vez da Sociedade Civil

 

Por

Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

Marcia Woods, presidente do Conselho da ABCR Assoc. Bras. dos Captadores de Recursos

 

Parar para escrever um artigo é um exercício difícil quando vivemos uma realidade tão dinâmica e desconhecida como a que atravessamos. Vemos o Brasil em seus extremos, no qual coisas muito boas acontecem ao lado de fatos terrivelmente tristes e preocupantes.

As lideranças governamentais se contradizem deixando a população desorientada. Os empresários, do grande ao micro, repentinamente se veem de pés e mãos atados, com suas máquinas paradas, seus estabelecimentos comerciais fechados e sua força de trabalho presa em casa, por um tempo mais longo do que jamais imaginaram em suas piores projeções. A desigualdade e a vulnerabilidade de certos grupos aumentam rapidamente.

Foi nesse contexto caótico que as organizações da sociedade civil (OSCs), comumente conhecidas por ONGs, assumiram a liderança e começaram a criar caminhos para evitar um desastre ainda pior.

Em poucos dias surgiram fundos para a saúde, iniciativas de apoio à população vulnerável, articulação de linhas de crédito. Diversas organizações se mobilizaram, aproveitando suas capacidades específicas, para garantir, rapidamente, melhores condições para o enfrentamento da crise para os mais necessitados.

Um exemplo é o Fundo Emergencial para a Saúde, fruto de parceria entre Idis, Movimento Bem Maior e Bsocial, que se aproxima dos R$ 40 milhões recebidos de mais de 10 mil doadores. Outro é o Movimento Família Apoia Família, que já alcança a marca dos R$ 10 milhões, e a iniciativa do Matchfunding Enfrente de apoio a iniciativas nas periferias, que a cada R$ 1 doado recebe R$ 2 de investimento do fundo.

A sociedade compreendeu, apoiou as ações das organizações sociais e ampliou sua doação. No início de forma mais tímida, mas na medida em que as doações eram divulgadas, novos doadores surgiam. Empresas aderiram como nunca antes, passaram a doar e a incentivar seus funcionários e clientes a participar. Artistas usaram seu prestígio para ampliar as doações.

Os números cresceram e alcançaram inacreditáveis R$ 5 bilhões, mais de 300 campanhas mobilizaram cerca de 320 mil doadores segundo o monitor de doações da ABCR. Isso nos posicionou na quarta colocação em doações no mundo, de acordo com levantamento realizado pelo Candid, organização americana que acompanha as doações nesta pandemia.

Vemos um país com uma cultura de doação destacada, no qual pessoas e empresas se sentem gratificadas ao doar. Um país onde cada um se sente membro da sociedade e se enxerga como responsável pela comunidade, pela cidade e pela nação.

Mostramos que existe uma sociedade civil vibrante, e que ela está pronta para reagir. No meio da insegurança e da dor, se apoiou na solidariedade. Mas isso não surgiu de uma hora para a outra, é fruto de muito trabalho, feito ao longo de muitos anos.

A primeira coisa a ser esclarecida é que, como já acompanhamos há alguns anos na divulgação  do World Giving Index (ou Índice de Solidariedade), em momentos de crise, guerras, desastres da natureza e epidemias, a sociedade se sensibiliza e as doações aumentam. Portanto, parte da mobilização se daria de qualquer forma.

Mas existe toda uma construção de confiabilidade e eficiência que as organizações da sociedade civil vêm edificando desde a redemocratização do país. As denúncias de corrupção que envolveram vários segmentos nos últimos anos, geraram uma nova postura e uma série de instrumentos que acabaram por beneficiar o campo filantrópico.

Os programas de compliance, que eram exclusivos de empresas, agora estão presentes no terceiro setor. Práticas de combate à lavagem de dinheiro também. Cada vez mais, as OSCs passam por validações antes de receber recursos dos doadores, e se acostumam a fazer prestações de contas. Tudo isso veio para ficar e dar mais segurança aos doadores.

Todos esses mecanismos foram fundamentais para que, chegando a pandemia e a crise gerada em diversos setores além da saúde, as ações filantrópicas fossem a resposta natural para a sociedade ajudar o país, para pessoas ajudarem pessoas através da doação.

Quando a emergência da Covid-19 passar, teremos pela frente o desafio de fazer com que essa cultura de doação, demonstrada com tanta força, mantenha sua vitalidade. E para isso, as organizações da sociedade civil que receberam a confiança de seus doadores deverão nutri-la  trabalhando de forma intensa, transparente e eficiente, apoiando os grupos mais vulneráveis do nosso país.

Mas só isso não basta, teremos que lutar para estabelecer um ambiente favorável à doação, aprimorando nossas leis, definindo incentivos fiscais mais amplos e construindo instrumentos que facilitem a vida do doador. Do grande e do pequeno.

O Brasil está no momento certo para fortalecer o caminho da doação e torná-la um hábito da maioria dos brasileiros. Nosso país precisará desse engajamento permanente da população para combater os efeitos pós-pandemia. Pensar que doar é um ato só de quem tem alto poder aquisitivo está errado. A sociedade civil somos todos nós, e todos nós podemos doar.


Artigo originalmente publicado na Folha de S.Paulo, em 27 de maio de 2020[irp]

LGPD: uma oportunidade para o Terceiro Setor

Em maio de 2018 entrou em vigor na União Europeia a GDPR – (General Data Protection Regulation) como uma mudança cultural fundamental na maneira de enxergar e usar dados pessoais nos dias atuais. Frente aos diversos casos de vazamento ocorridos nos últimos anos e com o crescimento incontrolável da produção de dados, a legislação precisava se adequar para garantir que a privacidade das informações pudesse ser garantida aos seus titulares. Essa Legislação chegou também ao Brasil, conhecida como LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados pessoais, prevista para entrar em vigor no mês de agosto de 2020, mas com possibilidade de ser postergada para maio de 2021, conforme Medida Provisória nº 959, de 29 de abril de 2020[1].

LGPD terceiro setor

A Serasa Experian realizou um mapeamento no primeiro trimestre de 2019 que mostra que 75% dos consumidores (Pessoas Físicas) têm conhecimento baixo sobre a existência da Lei enquanto 66% das empresas dizem ter entendimento médio e 64% avaliam que estarão adequadas até o início do ano de 2020[2].

O mundo corporativo está relativamente conscientizado sobre essa nova legislação, mas quando olhamos para o universo das Organizações da Sociedade Civil a situação ainda está muito nebulosa. Nessa perspectiva, Jeremy Dron, consultor-associado do IDIS, em parceria com o Atados e o Social Good Brasil, realizou uma pesquisa envolvendo 95 organizações sem fins lucrativos para realização de um mapeamento e de um diagnóstico inicial do Terceiro Setor quanto a essa mudança jurídica importante. Os resultados principais desta são apresentados nesse artigo, assim como alguns pontos principais da Lei no âmbito das Organizações Sociais para entender melhor quais poderiam ser as devidas adequações, mas também porque esse marco precisa ser entendido como uma oportunidade inédita. A coleta de informações foi efetuada entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020, quando a Lei ainda estava prevista para entrar em vigor em agosto de 2020.

Dados pessoais

A LGPD está voltada diretamente ao uso de Dados Pessoais e pretende garantir que qualquer cidadã(o) brasileira(o) possa ter controle sobre como, onde e por quem seus dados estão sendo utilizados. Inclusive, esse controle que pode necessitar um prévio consentimento permitiria a qualquer um(a) de solicitar a cessão de uso de suas informações em todo momento.

Para determinar o universo de dados que isso representa, a Lei considera no seu Art. 5º o dado pessoal como “qualquer informação relacionada à pessoa natural identificada ou identificável”[3]. Em outras palavras, “se uma informação permite identificar, direta ou indiretamente, um indivíduo que esteja vivo, então ela é considerada um dado pessoal”[4]. Com isso, é possível entender que dados como nome, RG ou CPF, por exemplo carregam informações que permitem rastrear a origem de seu titular razoavelmente facilmente, mas a Lei vai além em considerar Dado Pessoal também o dado que, ao cruza-lo com outros insumos ou técnicas, possibilita caracterizar e consequentemente identificar seu titular.

Além disso, ela ainda define no Art. 7º da Seção I em quais situações exclusivas o tratamento e compartilhamento de dados pessoais poderão ser realizados, ou seja:

I – mediante o fornecimento de consentimento pelo titular;

II – para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador;

III – pela administração pública, para o tratamento e uso compartilhado de dados necessários à execução de políticas públicas previstas em leis e regulamentos ou respaldadas em contratos, convênios ou instrumentos congêneres, observadas as disposições do Capítulo IV desta Lei;

IV – para a realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados pessoais;

V – quando necessário para a execução de contrato ou de procedimentos preliminares relacionados a contrato do qual seja parte o titular, a pedido do titular dos dados;

VI – para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral, esse último nos termos da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996 (Lei de Arbitragem);

VII – para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro;

VIII – para a tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde ou autoridade sanitária;

IX – quando necessário para atender aos interesses legítimos do controlador ou de terceiro, exceto no caso de prevalecerem direitos e liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados pessoais; ou

X – para a proteção do crédito, inclusive quanto ao disposto na legislação pertinente.

 

 

 

 

 

 

 

A pesquisa mostra que a noção de dado pessoal já parece estar amplamente difundida e entendida pelas Organizações da Sociedade Civil. Contudo, devemos ficar ainda mais atentos ao tratamento dos dados pessoais nessas organizações, já que 98% declara fazer uso. Essa informação é fundamental porque pode-se considerar que a imensa maioria das OSCs será impactada pela LGPD e, portanto, terá que se adequar a ela.

Nessa perspectiva, começamos a perceber o alcance que essa legislação possa ter ao se pensar no Terceiro Setor e em particular nos dados armazenados dos funcionários, voluntários e beneficiários das Organizações Sociais. Mas esse quadro tende a chamar mais a nossa atenção ao se tratar de Dados de Crianças e Adolescentes e Dados Pessoais ditos “sensíveis”.

Dados de Crianças e Adolescentes 

Sabemos que muitas propostas de atuação sociais estão voltadas a crianças e adolescentes e torna-se fundamental entender o que a LGPD diz a respeito já que ela também tem uma seção específica sobre esse assunto (Capítulo II – Seção III – Art. 14º) que está reproduzida aqui:

  • 1º O tratamento de dados pessoais de crianças deverá ser realizado com o consentimento específico e em destaque dado por pelo menos um dos pais ou pelo responsável legal.
  • 2º No tratamento de dados de que trata o § 1º deste artigo, os controladores deverão manter pública a informação sobre os tipos de dados coletados, a forma de sua utilização e os procedimentos para o exercício dos direitos a que se refere o art. 18 desta Lei.
  • 3º Poderão ser coletados dados pessoais de crianças sem o consentimento a que se refere o § 1º deste artigo quando a coleta for necessária para contatar os pais ou o responsável legal, utilizados uma única vez e sem armazenamento, ou para sua proteção, e em nenhum caso poderão ser repassados a terceiro sem o consentimento de que trata o § 1º deste artigo.
  • 4º Os controladores não deverão condicionar a participação dos titulares de que trata o § 1º deste artigo em jogos, aplicações de internet ou outras atividades ao fornecimento de informações pessoais além das estritamente necessárias à atividade.
  • 5º O controlador deve realizar todos os esforços razoáveis para verificar que o consentimento a que se refere o § 1º deste artigo foi dado pelo responsável pela criança, consideradas as tecnologias disponíveis.
  • 6º As informações sobre o tratamento de dados referidas neste artigo deverão ser fornecidas de maneira simples, clara e acessível, consideradas as características físico-motoras, perceptivas, sensoriais, intelectuais e mentais do usuário, com uso de recursos audiovisuais quando adequado, de forma a proporcionar a informação necessária aos pais ou ao responsável legal e adequada ao entendimento da criança.

Percebe-se o quanto o tratamento de dados de Crianças e Adolescentes tem que ser realizado com muito cuidado e a maior transparência, possibilitando seu acompanhamento e entendimento facilitado pelos responsáveis do público atendido. Isso, sem dúvida alguma deve gerar no mínimo a reestruturação de processos de coleta e armazenamento de dados nas Organizações da Sociedade Civil.

Dados Sensíveis

A LGPD não se limita somente aos Dados Pessoais citados acima, mas distingue a informação qualificada como “sensível” e que consequentemente está sujeita a maior privacidade no seu uso e, portanto, existe um risco relativo maior em caso de exposição fortuita.

Para entender o que é um Dado Sensível, precisamos voltar ao artigo 5º da Lei que o define como um “dado pessoal sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural”[5].

Quem atua na área social identifica que existe alguns dados citados aqui que são importantes para o entendimento de seu público-alvo e até que possam auxiliar em caracterizar por exemplo sua condição de vulnerabilidade. Isso se torna fundamental na elaboração da justificativa ao propor ou desenvolver um projeto, mas também no decorrer do monitoramento e avaliação das suas ações e do impacto potencialmente causado.

A pesquisa mostra que 60% das OSCs consultadas utilizam dados sensíveis. Portanto é um elemento que precisa ser olhado com cuidado pelos atores do Terceiro Setor para evitar qualquer risco que possa prejudicar sua atuação. Para isso, sugere-se a leitura da Seção II do Capítulo II (Art. 11º, 12º e 13º) da Lei que trata dos casos específicos quanto ao tratamento desse tipo de dados.

Dados anonimizados

A questão que traz a LGPD não é sobre qual a ferramenta mais adequada, mas sobre quais são os processos que precisam ser implantados para garantir a privacidade dos dados pessoais.         

No âmbito da Lei existe um ponto importante para destacar e que possa ser a maneira mais pertinente de se adequar e se proteger contras as consequências do descumprimento da mesma: tratar dado anonimizado, definido como “dado relativo a titular que não possa ser identificado, considerando a utilização de meios técnicos razoáveis e disponíveis na ocasião de seu tratamento”[6], isto significa que o dado “era relativo a uma pessoa, mas que passou por etapas que garantiram a desvinculação dele a essa pessoa”[7].

Neste caso, a LGPD não se aplicará a este dado e, consequentemente a organização poderá realizar suas análises de forma segura e respeitando a privacidade.

Privacidade e Ética dos Dados

É infelizmente comum termos, como pessoas físicas, a desagradável sensação que nossos dados e, talvez até nossa identidade possam escapar de nosso controle, gerando certo sentimento de impotência. O surgimento da LGPD vem suprir uma necessidade da sociedade moderna disruptiva onde dados estão sendo utilizados de maneira ainda desgovernada e com pouquíssima transparência, trazendo um auxílio ao titular do dado para que ele não se sinta mais desamparado.

Há de se esperar que o quadro fique mais estruturado e que o domínio de nossos dados volte para nossas mãos. Com ele será reforçado o respeito à privacidade e colocado no meio da discussão um tema muitas vezes desconsiderado porém primordial: o uso ético dos dados. Este precisa ser valorizado para que possamos tratar com humildade e propriedade a informação, sempre tendo em vista o respeito ao seu titular. Somente a alimentação deste diálogo poderá garantir que a legislação seja um ponto de mudança na consideração da pessoa humana num mundo cada vez mais digital e tecnológico e onde a Inteligência Artificial cresce de maneira exponencial.

Papeis importantes na LGPD

Um dos procedimentos novos trazidos pela entrada em vigor da LGPD é a determinação pelas instituições dos agentes de tratamento de dados: o controlador, o operador e o encarregado.

São esses atores que vão garantir a elaboração e o respeito das políticas internas de tratamento de dados pessoais para que a privacidade e o atendimento inequívoco aos direitos dos titulares sejam respeitados.

O encarregado, em particular, será o ponto focal do diálogo das instituições com a Sociedade Civil e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados – ANPD.

CONTROLADOR: Pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, a quem competem as decisões referentes ao tratamento de dados pessoais

OPERADOR: Pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que realiza o tratamento de dados pessoais em nome do controlador

ENCARREGADO: Pessoa indicada pelo controlador e operador para atuar como canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)

Conhecimento da LGPD pelas Organizações do Terceiro Setor

Os dados trazidos pela pesquisa podem parecer paradoxais, porque, enquanto 80% das OSCs responderam que desconhecem a Lei ou ainda não se aprofundaram nela, 91% concordam em dizer que seu impacto será no mínimo moderado, sendo que mais da metade aponta que será significativo.

A LGPD traz exigências que podem não ser tão rápidas de implantar. Portanto, já que a maioria está ciente que haverá impacto, é necessário iniciar, o quanto antes, os processos de adequação para garantir que as instituições estejam preparadas, quando a Lei entrar em vigor.

Além disso, podemos ver no gráfico abaixo que os desafios enfrentados pelas organizações são realmente diversos e soluções precisam ser criadas para que a adequação possa acontecer respeitando os fundamentos da Lei.

Uma oportunidade para o Terceiro Setor

Se a chegada dessa nova legislação pode gerar certa preocupação por parte das Organizações da Sociedade Civil, há de se enxergar esse momento como uma oportunidade para que estas possam usufruir de todo o aprendizado que essa transformação sugere e assim otimizar o uso da informação que possuem para melhorar de forma relevante o impacto social de suas ações. Isso passa por algumas etapas essenciais, dentro as quais:

  1. Entender o que é “dado” e mapeá-lo dentro da instituição;
  2. Organizar os dados com processos claros;
  3. Sensibilizar suas equipes sobre o uso adequado de dados;
  4. Implementar políticas institucionais sobre coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento dos dados que garantem sigilo, privacidade e ética;
  5. Garantir o consentimento e a transparência aos titulares dos dados em todas as etapas;
  6. Aplicar modelos de análise de dados e inteligência artificial que permitem pensar em novas estratégias de atuação;
  7. Publicar seus resultados baseados em evidências, mostrando seriedade e propriedade para a Sociedade Civil e potenciais apoiadores e financiadores.

Vale salientar que esse novo paradigma também poderá redefinir certas regras de parceria entre as instituições e assim influenciar viabilidade destas.

Conclusão

A LGPD traz elementos essenciais para a proteção das informações que caracterizam cada um de nós. E como a tecnologia avançará ainda muito nos próximos anos, essa legislação chega num momento onde é fundamental entender que entramos em uma era totalmente nova e revolucionária no que diz respeito ao tratamento da informação. De fato, é possível extrair mais conhecimento sobre uma pessoa pelo entendimento dos dados que a definem do que pelo seu próprio DNA.

A pesquisa realizada permitiu mostrar que O Terceiro Setor ainda precisa caminhar muito no âmbito da adequação à Lei. Com a situação pandêmica atravessada pelo mundo inteiro, as prioridades voltaram para assuntos mais emergenciais e até de sobrevivência institucional, deixando para outro plano a questão da privacidade dos dados. A Medida Provisória que pode prorrogar até maio de 2021 a entrada em vigor da LGPD deixaria um horizonte um pouco maior para as OSCs se organizarem, porém muitas delas podem sair enfraquecidas da crise atual e precisarão de soluções concretas e práticas para atender as exigências da Lei e conseguir realizar o tratamento adequado de dados. Além disso vale ressaltar que a própria MP pode ainda caducar, o que teria como consequência a volta ao início da vigência original de agosto de 2020. Contudo, algumas etapas ainda acontecerão  que, inclusive, podem postergar a aplicação das sanções para agosto de 2021.

 

Fontes

Pesquisa LGPD e Terceiro Setor: https://drive.google.com/file/d/1aiXz3LHmG9KB3cn9IspPVBbAdyk4mIoa/view

LEI Nº 13.709, DE 14 DE AGOSTO DE 2018: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm

Pesquisa Serasa Experian: https://www.serasaexperian.com.br/blog/o-que-os-consumidores-e-as-empresas-sabem-sobre-lgpd-e-o-que-estao-fazendo-a-respeito

Serpro e LGPD: https://www.serpro.gov.br/lgpd/

1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Mpv/mpv959.htm

[2] https://www.serasaexperian.com.br/blog/o-que-os-consumidores-e-as-empresas-sabem-sobre-lgpd-e-o-que-estao-fazendo-a-respeito

[3] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm (Art 5º – I)

[4] https://www.serpro.gov.br/lgpd/menu/protecao-de-dados/dados-pessoais-lgpd

[5] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm (Art 5º – II)

[6] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm (Art 5º – III)

[7] https://www.serpro.gov.br/lgpd/menu/protecao-de-dados/dados-anonimizados-lgpd

Fundo Emergencial para a Saúde-Coronavírus Brasil completa dois meses, arrecada R$ 37 milhões e amplia relação de beneficiários pelo país

Doações passarão a beneficiar hospitais filantrópicos em regiões onde o sistema público dá indício de colapso, como Amazonas e Pará, além de chegar a municípios de pequeno e médio porte

A pandemia continua a crescer no Brasil, aumentando o número de infectados por todo o país, agravando a situação da saúde pública, que precisa cada vez mais de apoio. Mas, se por um lado, os números de infectados pelo coronavírus aumentam, também são crescentes as doações, demonstrando que a mobilização ganha mais força e efetividade.

Mantendo o objetivo de fortalecer o sistema de saúde público, o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil passa a contemplar agora os hospitais e a Associação de Enfermagem em Manaus e Conselhos de Enfermagem no Pará (em Belém e em Marabá), além de manter o apoio a Fiocruz, Comunitas, Hospital São Paulo, Hospital Santa Marcelina, Santa Casa de São Paulo e Santa Casa de Araçatuba.

“Acredito que a Pandemia está unindo todos para conseguirmos salvar mais vidas. Grandes empresas, pequenos doadores, grupos de colaboradores, todos juntos seremos muito mais fortes para enfrentar a pandemia e fortalecer a saúde pública”, avalia Maria Eugênia Duva Gullo, cofundadora da plataforma BSocial.

Para se antecipar à expansão da COVID-19 nas regiões mais vulneráveis, a Droga Raia e a Drogasil, do grupo RD, doaram R$ 25 milhões ao Fundo Emergencial. Por meio do movimento ‘Todo Cuidado Conta’ criado pela empresa, serão beneficiados 50 hospitais filantrópicos de municípios pequenos e médios no interior do país com altos índices de vulnerabilidade social e risco de aumento de casos do coronavírus.

O projeto da RD visa também deixar um legado que possa contribuir com a saúde na região mesmo após a contenção da pandemia. Sendo assim, os recursos serão utilizados para a compra de equipamentos hospitalares como respiradores e desfibriladores, além de equipamentos de proteção individual, tais como máscaras, luvas e aventais.

‘Esse apoio vai ampliar o impacto do Fundo Emergencial, chegaremos a hospitais em municípios em que a crise se intensifica”, diz a presidente do IDIS, Paula Fabiani.

Fundo conta com mais de 10 mil doadores entre empresas e pessoas físicas

Além da Droga Raia e Drogasil, empresas como Tik Tok, Bain & Company, Banco Pactual, Banco ABC Brasil, Carla Amorim, Machado Meyer Advogados, Pátria Investimentos, Privalia, Softtek, entre outras, também fizeram contribuições.

Ações diferenciadas de algumas empresas também fazem as arrecadações ganharem reforços, como a iniciativa da SulAmérica, que incentivou seus colaboradores a se engajar e colaborar. O resultado de arrecadação de R$ 81 mil junto aos colaboradores, foi somado a R$ 1 milhão da seguradora.

Outros exemplos são os hotéis Grand Hyatt do Brasil, que lançou o ‘Voucher do Bem’, doando o lucro das vendas do produto; a campanha “Juntossomosmaisfortes”, promovida pela Velocity, e a doação de R$ 250 mil da Liberty Seguros para compra de máscaras para a Santa Casa de São Paulo.

As doações também chegam via ações promocionais e culturais além de eventos online, como o #AoVivoPelaVida a live da cantora Ivete Sangalo.

“Essa onda de solidariedade trouxe, definitivamente, o fortalecimento da cultura de colaboração no país. Pois, o desafio de enfrentar uma pandemia mundial fez o cenário nacional da filantropia emergir com uma velocidade sequer imaginada” declara Carola Matarazzo, presidente do Movimento Bem Maior.

Sobre o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil

Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil foi um dos primeiros a serem constituídos, ainda em março, quando começaram a surgir os primeiros casos de Coronavírus no Brasil. Esta é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, Movimento Bem Maior e BSocial, uma forma rápida, fácil e confiável para as pessoas doarem para hospitais beneficentes e centros de ciência e tecnologia, e assim fortalecer o sistema público de saúde.

O Fundo tem gerenciamento financeiro da SITAWI, organização social de interesse público (OSCIP) pioneira no desenvolvimento de soluções financeiras para impacto social, e conta com o apoio de dezenas de organizações.

Tendências Globais da Filantropia

A filantropia em todo o mundo está mudando à medida que os doadores procuram se envolver mais, estar melhor informados e garantir que seu investimento espelhe seus valores pessoais. Uma equipe de especialistas internacionais se reuniu para identificar tendências e desafios da filantropia contemporânea. A próxima geração de filantropos refletirá um novo conjunto de valores e terá em relação às suas doações expectativas diferentes daquelas da geração de seus pais.

A Global Philanthropy Network é uma rede informal de profissionais, liderada pela Charities Aid Foundation (CAF), sediada no Reino Unido. Aproveitando a expertise de membros seniores de nossa rede do Brasil, América e Europa, nos propusemos a responder a uma série de perguntas sobre filantropia contemporânea, a fim de trazer clareza e orientar o nosso próprio trabalho, ao mesmo tempo em que auxiliamos consultores de todo o mundo em tendências que valem a pena ser observadas.

As perguntas incluíam quais são as maiores mudanças à frente, o que precisamos fazer para encorajar os ricos a doarem mais (e mais efetivamente), onde as lacunas de pesquisa ou conhecimento residem e, talvez o mais interessante, o que a inevitável transferência de riqueza para a próxima geração significará para aqueles de nós que orientam as pessoas em sua jornada de doação.

Nossas respostas pintam um quadro claro de mudanças consideráveis e incluem alguns indicadores essenciais para os consultores em planejamento jurídico, contábil, tributário e financeiro sobre como eles podem construir confiança e trabalhar melhor com os clientes, ajudando-os a alcançar suas ambições filantrópicas.

Valorização dos resultados

Filantropos estão cada vez mais orientados ao impacto, um ponto captado por colegas em todo o mundo. Para se manter relevante, a filantropia precisa correr mais riscos e ter novas conversas que reforcem a comunicação entre doadores e organizações sociais. Com transparência virá maior confiança e relacionamentos mais fortes.

Trabalhar em parceria faz parte da “reinvenção”, o que significa perder o controle pessoal em troca de potencialmente aumentar o impacto. A Environmental Funders Network (EFN), por exemplo, tem como missão apoiar a filantropia ambiental, conectando indivíduos e organizações e produzindo recursos para ajudar os doadores a investir de forma mais eficaz. A filantropia terá que se concentrar mais do que nunca nas melhores ideias e na mensuração do impacto sobre os beneficiários. Filantropos querem ver de perto para onde seu dinheiro vai – foram-se os dias de apenas dar cheques e deixar o todo o trabalho na mão das organizações sociais.

Para entregar os resultados, precisamos nutrir relações próximas entre as organizações e seu investidores, especialmente para afastar os doadores da tentação de investimentos de curto prazo e e estimulá-los a ter uma visão de longo prazo, olhar para além do horizonte em áreas que ainda não estão bem atendidas, a fim de financiar projetos que produzam o impacto duradouro que eles nos dizem que estão atrás. Por exemplo, o doador está interessado em financiar um projeto de saúde local com seu nome acima da porta? Ou ele está disposto a ouvir uma organização social local dizendo-lhe que a real necessidade é uma campanha de informação pública limitada sobre a importância da imunização em massa?

Investimento de impacto

Particularmente nos EUA e na Europa, há uma nova geração que está se fazendo ouvir e desafia a filantropia tradicional incluindo o tema nos negócios da família.

Essa mudança está fortalecendo a filantropia familiar, com a inclinação para testar ideias como a mudança da doação tradicional para uma filantropia que considera investimentos de impacto, financiamento de risco e apoio ao empreendedorismo social.

No Reino Unido, espera-se ver mais filantropos procurando fazer o bem não apenas por meio de doações diretas, mas também com investimentos, negócios e redes. Isso ocorre em um momento em que há cada vez mais opções que contemplam questões sociais e ambientais. Este será, sem dúvida, um momento-chave para consultores orientarem seus clientes em relação a esta tendência.

Engajamento da classe alta

Se os ricos devem ser convidados a doar mais, então a confiança precisa crescer. As conversas em torno de doações devem se abrir em todos os níveis. Precisamos de uma história clara para contar sobre para onde os recursos dos doadores vão, como eles são gastos e o que isso significa para o campo, em especial, aos públicos beneficiados. Essas histórias também precisam dar luz às lições aprendidas.

Da forma como acontece hoje, há muitos mal-entendidos sobre o tipo de apoio que as organizações sociais realmente precisam, o que já funciona para resolver problemas e como os doadores poderiam ser mais úteis. Ao ser claro sobre o que é necessário, torna-se mais fácil garantir que os doadores sintam que podem fazer a diferença.

Por exemplo, as organizações sociais precisam ser francas sobre a necessidade de dinheiro para pagar despesas importantes, como estrutura para captação de recursos, salários ou suporte de TI. Se esses elementos não estão garantidos, então sua capacidade de cumprir sua missão pode estar em jogo. A falta desse tipo de investimento restringe o crescimento, a eficiência e a capacidade de uma organização social planejar com antecedência.

Seria ingênuo não estar aberto a incentivos fiscais e ao papel que desempenham no aumento da predisposição a doar entre as pessoas ricas. Embora os incentivos fiscais sejam muitas vezes a primeira razão pela qual as pessoas decidem doar, a experiência de nossos membros nos diz que eles muitas vezes agem como um catalisador para uma jornada filantrópica significativa e de longo prazo.

Decisões orientadas por dados

Olhar por que precisamos de pesquisa tem muito a ver com inspirar e demonstrar impacto. Nossos especialistas apontaram para pesquisas que existem para satisfazer os doadores, demonstrando que seu dinheiro está sendo bem gasto no curto prazo, em vez de concentrar nos resultados de longo prazo alcançados. É este último que é essencial para afetar a mudança, revelando um dos desafios enfrentados pelas organizações sociais, ou seja, o curto prazo valorizado por parte dos doadores.

Vários programas de financiamento recentes estão contrariando esse déficit e trazendo a perspectiva de longo prazo por meio de sistemas que mudam a lógica imediatista da filantropia. Um exemplo disso é a bolsa MacArthur 100&Change – um edital que concede US$ 100 milhões para financiar uma única proposta que apresente progresso real e mensurável para resolver um problema crítico de nosso tempo. A primeira vencedora da competição foi a proposta conjunta do Sesame Workshop com o International Rescue Committee para educar crianças deslocadas por conflitos e perseguições resultantes do conflito sírio – um problema claro e de longo prazo que está sendo tratado com um impacto mensurável.

Incentivar mais essa natureza de doação, estimular o engajamento da classe média em todo o mundo e se afastar de projetos ad-hoc ajudará a escalar intervenções que trabalham para abordar as causas básicas de questões como pobreza, mudanças climáticas e desigualdade.

Consultores para ações filantrópicas e outros profissionais têm um papel fundamental para iniciar as conversas certas com seus clientes sobre filantropia e propósito social. A pesquisa da CAF mostra que as pessoas ricas estão muito interessadas nesses tópicos, mas não estão recebendo as orientações que esperam. Este é um risco para os consultores e uma oportunidade ainda pouco usada para aprofundar as relações.

Outras lacunas identificadas na pesquisa incluem a doação como atividade econômica e as motivações para o comportamento dos doadores. Colegas também apontaram a necessidade de mais evidências sobre a eficácia dos incentivos fiscais e o benefício final para a sociedade – pesquisas que podem servir como uma ferramenta vital na defesa dos governos para estabelecer ou aprimorar incentivos.

Tornar a pesquisa acessível, tirá-la do campo da filantropia e compartilhar descobertas entre stakeholders, sociedade mais ampla e ir além das fronteiras nacionais também foram escolhidos como uma ferramenta para trazer novas colaborações, reforçar a escala das principais causas e abrir portas para novas parcerias.

Novas gerações, novos valores

As novas gerações familiares se concentrarão em alinhar suas escolhas financeiras com seus valores filantrópicos. Os doadores mais jovens não verão com bons olhos o investimento em organizações causam algum tipo de dano ou prejuízo ao mundo e punirão as marcas que fizerem isso, valorizando investimentos éticos, produtos e empregadores em suas ações filantrópicas.

Eles já estão mais ousados a assumir riscos e estão mais dispostos a tentar soluções inovadoras usando todas as formas de recursos à sua disposição, incluindo capital filantrópico para investimento de impacto. Esta corrente emergente considerará cada vez mais a filantropia como um elemento crucial de sua “moralidade financeira” e priorizará a ação filantrópica perene sobre a preservação da riqueza para os futuros herdeiros.

A transferência de recursos tem produzido o desejo de ver resultados rápidos – um desafio para as organizações sociais à medida que tentam reforçar soluções de longo prazo – e uma geração menos reticente do que seus pais para falar sobre sua doação e buscar parceiros para alcançar seus objetivos.

Para aqueles de nós que orientam essas novas gerações em seu investimento social privado, precisamos ser ágeis, informados e prontos para lidar com linhas cada vez mais tênues entre a filantropia tradicional, o estilo de vida e as considerações financeiras mais amplas. O benefício final será tanto clientes satisfeitos quanto um cenário filantrópico mais dinâmico.

Autores

David Stead – Diretor Executivo de Filantropia e Desenvolvimento na CAF, Reino Unido

Gina M. Pereira – Fundadora e CEO da Dana Philanthropy, EUA

Kelsi Kriitmaa e Alexa Maclean – Chefe de Gabinete e consultora junior da Philanthropy Advisors, Suíça

Paula Fabiani – Diretora-Presidente do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (CAF Global Alliance), Brasil

Liesbeth Nagelkerke- Fundadora Reach Out 2, Países Baixos

Melissa Stevens- Diretora Executiva do Milken Institute Center for Strategic Philanthropy, EUA

 

Artigo originalmente publicado no Steps Journal em Maio/2020

Abrace a Saúde doando ao Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil

O Brasil está em casa. Estamos separados, mas estamos todos juntos trabalhando pelo futuro. E juntos, a gente abraça a Saúde, doando para o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil.

E é com o nosso abraço que os profissionais da Saúde contam todos os dias. Milhares de enfermeiros, médicos e técnicos da saúde que juntos são as mãos e braços de gigantes da Saúde Pública: hospitais, centros de pesquisa, ambulatórios e laboratórios. Gigantes que querem abraçar mais. E com o seu abraço, eles podem.

 

www.abraceasaude.com.br

 

O Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil envia a sua doação para entidades que estão na linha de frente no combate à pandemia e fortalece o SUS (Sistema Único de Saúde). É uma forma rápida, fácil e confiável de fazer com que os recursos cheguem a quem precisa.

#AbraceaSaúde assim:

  1. Faça sua doação

⚡Veja o poder do seu abraço, conheça a que corresponde o valor da sua doação*:

R$ 20 – um teste rápido produzido pela Fiocruz

R$ 50 – uma guia ‘bougie’ para intubação

R$ 100 – cem máscaras descartáveis para proteção

R$ 500 – um aspirador de secreção

R$ 5 mil – uma cama hospitalar

R$ 70 mil – um respirador

*Valores aproximados. O repasse será feito de acordo com as necessidades das instituições e com a aprovação da equipe técnica do Fundo Emergencial para a Saúde.

  1. Compartilhe seu abraço nas redes sociais e desafie 3 amigos a fazer o mesmo. Não esqueça da tag #abraceasaúde e de marcar o Instagram @abraceasaude – www.instagram.com/abraceasaude

Conheça as organizações que recebem os recursos do Fundo Emergencial para a Saúde

Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ

Hospital Santa Marcelina

Hospital São Paulo

Santa Casa de São Paulo

Santa Casa de Araçatuba

ONG Comunitas (responsável pela compra de equipamentos a hospitais do SUS)

Conheça a história do Fundo Emergencial para a Saúde:

 

Esta é uma iniciativa do IDIS, BSocial e Movimento Bem Maior, com o apoio de inúmeras outras organizações.

O Fundo tem gerenciamento financeiro da SITAWI, uma organização social de interesse público (OSCIP) pioneira no desenvolvimento de soluções financeiras para impacto social. Ela é responsável por operacionalizar o Fundo.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Viviane Pereira – (11) 976671933  – vpimprensa@gmail.com

www.abraceasaude.com.br

Ensinamentos da COVID-19

Por Luiz Sorge, CEO da BNP Paribas Asset Management e presidente do Conselho do IDIS

Sem dúvida o momento único pelo qual passamos atinge a sociedade de forma heterogênea e dinâmica, por meio de ondas que se espalham e nos impactam de maneira difusa. E é com respeito às muitas lágrimas derramadas e às que ainda serão choradas que escrevo esse texto.

Estamos sendo chamados a nos provar, a comprovar e a desmentir algumas teorias e conceitos.

A primeira delas é a de que o ser humano será substituído pelas máquinas. Fazia tempo que eu não tinha tanta certeza de que as máquinas e a tecnologia estão a serviço do homem e que este as domina. Computadores, sistemas, robôs, inteligência artificial têm sido catalisadores de um novo momento da civilização, e além disso, nós os estamos usando para aumentar nossa resiliência e produtividade.

De forma rápida e abrupta nos adaptamos a um trabalho coletivo remoto, desenvolvemos e consolidamos alguns conceitos de relacionamento virtual, ao mesmo tempo em que lapidamos aspectos comportamentais como empatia, bom senso, paciência, colaboração, entre outros. Estamos nos reinventando coletivamente e à distância, montando, remontando e organizando equipes, lidando com situações novas a cada momento, e assim estabelecendo conexões neurais, sociais e profissionais inéditas. Tudo isso tendo a tecnologia a nosso serviço.

Agora me digam, que máquina seria capaz de fazer isso em nosso lugar? Somos muito bons e insubstituíveis nesse aspecto, ao menos até o momento.

Minha principal atividade é tentar, em equipe, entender os movimentos do mercado financeiro e a consequente valorização ou desvalorização dos ativos. Porém, hoje temos 3 variáveis não técnicas que “fazem preço”: a evolução da Covid-19, a distopia política local e a disfunção geopolítica global. Portanto, o segundo conceito que comprovo nesse momento é o de que fatores exógenos têm sido, e continuarão sendo por algum tempo, determinantes dos preços dos ativos. E isso nos leva a uma dose cavalar de humildade, nos restando apenas traçar cenários possíveis, atribuir probabilidades e buscar prudência em nossas decisões.

Minha visão a partir de um lado mais nobre da vida, já que acompanho o desenvolvimento do terceiro setor por meio da minha participação no Conselho do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), é que há uma maior movimentação de pessoas e entidades filantrópicas, principalmente por meio de doações que visam minimizar o impacto da Covid-19 na sociedade. Acredito que esse movimento, terceiro conceito a ser repensado, possa ser o princípio de uma mudança estrutural, na qual a solidariedade dos mais favorecidos em prol dos menos favorecidos passará a fazer parte do nosso dia a dia, assim como já ocorre nas sociedades mais desenvolvidas. Tenho também esperança que cada vez mais iniciativas de cunho filantrópico, privadas e sérias, terão doravante mais apoio do setor público.

A partir de uma perspectiva histórica, recordo a origem italiana de minha família, com bisavô e avô combatentes da primeira e segunda guerras mundiais, respectivamente. O último, antes de voltar da guerra e migrar para o Brasil, esteve prisioneiro por aproximadamente 6 anos e minha nonna vivenciou sozinha uma parte da infância de meu pai e meu tio na província de Chieti, na região de Abruzzo. Ela criava pequenos animais e tecia lençóis para trocar por farinha e assim poder completar a alimentação com pães e massas.

Muitos pensam que o que estamos passando é o mais próximo possível de uma guerra. Porém, pelo que sei e ouvi de minha família, estamos a milhas de distância das necessidades, incertezas e ameaças que uma verdadeira guerra mundial representou aos nossos antepassados.

Isso me leva a analisar outros dois últimos conceitos: o social e o familiar. Só entendemos a importância do convívio social na carência deste. Só reforçamos o sentimento de alegria da vida em família na convivência com esta.

Estar com amigos e entre amigos nos ajuda a compor nosso tecido social com retalhos de diversas visões, origens e culturas que nos enriquecem a cada dia. Além do suporte psicológico, já comprovado cientificamente, que as amizades nos trazem.

Já a vida em família é nosso porto seguro, onde buscamos o refúgio nos momentos turbulentos e procuramos nos abrigar das tempestades. O atual momento de reclusão é também momento de alegria por estarmos reunidos, por poder tomar aquele cafezinho juntos quando o intervalo do trabalho remoto permite, e pela satisfação de poder fazer refeições coletivas todos os dias, com quem amamos.

Portanto, nesse momento, é lógico que a atenção deve ser primeiramente direcionada para cuidarmos de nossa saúde, e vencida essa desafiadora etapa devemos agradecer muito:

  • Pela oportunidade do ser humano, em suas atitudes individuais e coletivas, voltar a ser importante para a evolução e perpetuidade da civilização moderna;
  • Por entender a importância de virtudes e competências que não podem ser replicadas por processos, sistemas e robôs;
  • Pela necessária humildade a que devemos nos submeter quando confrontados ao que não controlamos;
  • Por termos uma oportunidade de desenvolver de maneira perene o espírito filantrópico em nosso país;
  • Por me lembrar e me permitir ter a visão relativa, e em perspectiva, do que deve ter sido viver em um período de guerra;
  • Pela lembrança do quão nos faz bem compartilhar recortes de nossas vidas com amigos;
  • E finalmente, pela oportunidade de nos voltarmos para o seio de nossas famílias, onde o amor é pleno e puro, sem contaminações.

Esperamos que o sofrimento de muitos resulte, ao menos, em ensinamentos para todos.