Fundo de Fomento à Filantropia: pedra fundamental do legado do IDIS para o Brasil

O IDIS foi fundado em 1999, com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhando junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades socioambientais no país. Nossa causa, portanto, é a promoção da filantropia e da cultura de doação. Ou, como gostamos de falar, a ‘causa das causas’, já que pode contribuir para a promoção da Educação, Saúde, Geração de Renda, entre inúmeras outras.

Temos convicção de que fundos patrimoniais são instrumentos poderosos para a sustentabilidade de causas e organizações. Depois de mais de uma década de dedicação ao tema, promovendo ações de conhecimento, apoiando a criação de endowments e agindo para o aprimoramento do ambiente regulatório, por fim, criamos o Fundo de Fomento à Filantropia, a pedra fundamental de nosso legado para o Brasil.

E por que agora? Apesar de ser um sonho antigo, foi no momento da comemoração de nossos 25 anos que vimos uma oportunidade para a captação de recursos. Por uma confluência do destino, foi também em 2024 que recebemos a confirmação da doação equivalente a R$7,5 milhões da filantropa americana MacKenzie Scott. A decisão sobre o destino do recurso foi natural: oferecer como match à doação de brasileiros. Neste momento, nossa sustentabilidade financeira também estava bem equacionada, com um caixa e fundo de reserva bastante robustos para enfrentar flutuações no curto e médio prazos, condição essencial para darmos esse passo.

Para a criação do Fundo de Fomento à Filantropia, pela primeira vez, pudemos aplicar para o IDIS os conhecimentos e experiências que por tantos anos levamos para fora. Foi oficialmente lançado em agosto de 2024 e, portanto, não tem dados ainda suficientes para integrar esse Anuário. Por outro lado, não gostaríamos de deixar passar a oportunidade de compartilhar esses primeiros passos. Quais foram as decisões tomadas, os dilemas enfrentados, os desafios que temos. A cada ano vemos crescer o número de endowments no Brasil e por isso esperamos que este relato contribua de alguma forma para aqueles que estão também iniciando suas jornadas. Para traçar esse raio-x, escolhemos usar o próprio questionário como base.

Boa leitura!

PARTE 1 – IDENTIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO GESTORA

IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social
Sede São Paulo (SP)
Ano da criação 1999
Categoria da Organização Gestora Associação/instituto ou fundação independente, cujo estatuto social não especifica seu enquadramento na Lei 13.800/19.
Principal motivo de não estar enquadrado na Lei Falta de segurança jurídica sobre o direito à isenção ou imunidade de impostos, em especial Imposto de Renda sobre aplicação financeira, ITCMD e isenção de COFINS sobre receita financeira.
A Organização Gestora goza de algum benefício fiscal (ou seja, é imune ou isenta de impostos)? Sim, ITCMD, Imposto de Renda sobre aplicações financeiras por conta do certificado de OSCIP aliado a Certificado de Entidade Promotora de Direitos Humanos.

Para a estruturação do Fundo de Fomento à Filantropia, escolhemos usar a estrutura existente do próprio IDIS e fazer a gestão internamente, criando políticas e mudanças estatutárias que garantem segurança para a administração do patrimônio e alocação dos recursos de forma isolada e independente.

Não optamos pela criação de uma Organização Gestora de Fundo Patrimonial (OGPF) num primeiro momento devido à impossibilidade de gozar do mesmo tratamento tributário que o IDIS atualmente possui. Mas a ideia é instituir uma OGPF assim que esta lacuna na lei for endereçada pelos esforços no advocacy.

 

PARTE 2 – IDENTIFICAÇÃO DO FUNDO PATRIMONIAL

Fundo de Fomento à Filantropia
Sede São Paulo (SP)
Ano da criação 2024
Organização que gere o fundo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social
O fundo foi criado para beneficiar? A própria Organização Gestora, que também é a Instituição Apoiada.
Qual(ais) é(são) a(s) área(s) de atuação da Organização Gestora/Instituição Apoiada Fomento à filantropia e cultura de doação
Os recursos provenientes do Fundo Patrimonial: Respondem por menos de 10% das fontes de recursos da Instituição Apoiada, que é a própria Organização Gestora.
O Fundo Patrimonial foi criado A partir de um grande aporte inicial/legado e capta novas doações, principalmente para aumentar seu patrimônio acumulado.
Site do fundo https://www.idis.org.br/fundo-de-fomento-a-filantropia/

Entre as ações desenvolvidas pelo IDIS estão a geração de conhecimento e o desenvolvimento e implementação de projetos de impacto, que fortalecem o ecossistema, inspiram a ação, estimulam o diálogo, influenciam políticas públicas e produzem impactos diretos em questões consideradas prioritárias para a promoção da filantropia estratégica no país. Por essa razão, o fundo patrimonial foi criado para beneficiar a própria Organização Gestora, que também é a instituição apoiada.

Somos o único fundo patrimonial no Brasil que tem como causa a filantropia e cultura de doação e, para gerar impactos, optamos por aplicar os recursos nas seguintes linhas:

  • Fortalecimento da filantropia e da cultura de doação: realização de pesquisas, campanhas e outras ações;
  • Promoção de advocacy por um ambiente regulatório mais favorável ao Terceiro Setor;
  • Elaboração e organização de publicações e eventos, como o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais;
  • Articulação de atores e parcerias para o desenvolvimento do setor, como os endowments criados e Coalizão pelos Fundos Filantrópicos; e
  • Aceleração de iniciativas estruturantes para multiplicar o Investimento Social Privado (ISP) e seu impacto.

O Fundo de Fomento à Filantropia foi criado a partir de um grande aporte inicial/legado e capta novas doações, principalmente para aumentar seu patrimônio acumulado.

Em dois meses, o patrimônio somava R$ 9,3 milhões – metade proveniente da doação de filantropos brasileiros e metade dos recursos provenientes da MacKenzie Scott. Para a atração de novos doadores, há ainda o matching garantido de R$ 3,1 milhões. A meta estabelecida foi atingir um patrimônio de R$ 15 milhões em dois anos, ou seja, até agosto de 2026.

Para garantir esta dotação inicial expressiva, a estratégia envolveu a mobilização de grandes doadores, com o estabelecimento de cotas sugeridas para doação. Além de realizar diversas reuniões com filantropos brasileiros, um jantar foi oferecido com o apoio de dois filantropos que fizeram doações para o fundo para ajudar na sensibilização de outros doadores.

Apesar de fundos patrimoniais se justificarem a partir de grandes somas, como promotores da cultura de doação, entendemos também o potencial das pequenas doações. Elas se perpetuam no tempo e contribuem para a geração de impacto. Por isso, escolhemos também aceitar doações de qualquer valor e dar luz em nosso site também a estes doadores que acreditam em nossa missão e contribuem de acordo com as respectivas possibilidades.

O fundo não é e não será representativo em relação ao tamanho e à atuação do IDIS. A perspectiva é que os recursos provenientes do Fundo Patrimonial respondam por menos de 10% de nossas fontes de recursos.

PARTE 3 – FLUXO DE CAIXA

Patrimônio atual R$ 9.300.000
Regra de resgate Permite resgatar somente o ganho real (rendimentos líquidos de inflação) do patrimônio do fundo.

Como nossa operação acaba de começar, as informações referentes aos resultados ainda não estão disponíveis. Ainda assim, é possível explicar algumas escolhas que foram feitas.

A regra de resgate escolhida permite resgatar somente o ganho real (rendimentos líquidos de inflação) do patrimônio do fundo porque é o parâmetro estabelecido na Lei 13.800/19.

Pretende-se, portanto, estar sempre acima da linha d’água, ou seja, o patrimônio do Fundo Patrimonial em 31/12 sempre será maior que a soma dos aportes, dotações e doações recebidos, corrigidos pela inflação desde a data em que ocorreram.

 

PARTE 4 – ALOCAÇÃO E RENDIMENTOS

Recursos
Alocação dos investimentos do fundo patrimonial 100% em Caixa e equivalentes de caixa (contas-correntes, ativos/títulos/fundos líquidos indexados a CDI ou Selic*)
Grau de liquidez 100% em até 30 dias*
Tem política de investimentos? Política de investimentos está sendo construída.
Adota meta de rentabilidade? Adotará a partir da definição da política de investimentos que está sendo construída.
Adota princípios ou diretrizes de investimento responsável? Está sendo considerado na política de investimentos que está sendo construída.

*Até aprovação de política de investimentos

Ainda está sendo elaborada uma Política de Investimentos para o endowment, alinhada a boas práticas de mercado. Dessa forma, hoje a alocação de rendimentos é feita, totalmente, em renda fixa e fundos de renda fixa (ativos/títulos/fundos de renda fixa não líquidos e/ou não indexados a CDI ou Selic). A política de investimentos ainda está sendo elaborada e definirá meta de rentabilidade, diretrizes de investimento alinhadas a investimento responsável etc.

 

PARTE 5 – GESTÃO E GOVERNANÇA

Instâncias de governança da Organização Gestora diretamente relacionadas à gestão do Fundo Patrimonial Assembleia Geral, Conselho Deliberativo, Comitê de Investimentos, Conselho Fiscal
  Nº de integrantes Nº de membros independentes* Nº integrantes mulheres Nº de membros negros, pardos e/ou indígenas  Duração dos mandatos (anos)
Assembleia Geral (somente no caso Associação) 9 9 4 1 N/A
Conselho Curador/ Conselho Deliberativo/ Conselho de Administração  9 9  4 1  3
Comitê de Investimentos 3  3  1 0 3
Conselho Fiscal  3  3 1 1 3
Modelo de gestão de investimento No momento, até política de investimentos ser aprovada, a gestão está sendo feita de forma exclusivamente interna.
Possui Auditoria externa? Sim.

A estrutura de governança do Fundo de Fomento à Filantropia inclui um Comitê de Investimentos, integrado por Luiz Sorge, sócio da XP Advisory e atual presidente do Conselho do IDIS, Marcel Fukayama, cofundador do Sistema B Brasil e Din4mo e também conselheiro do IDIS, e Cristiane Parisi, sócia da Wright Capital, além de um Comitê Consultivo, a ser formado por doadores diamante e platina. Ambos estão subordinados ao Conselho Deliberativo do IDIS, que também supervisiona o Fundo de Fomento à Filantropia.

A gestão de investimentos financeiros hoje é feita internamente, pelos profissionais da área administrativo-financeira do IDIS, dado que a política de investimentos ainda está sendo elaborada.

Tudo será submetido ao mesmo processo de auditoria regular já praticado pelo IDIS.

 

PARTE 6 – PERSPECTIVAS

Quais suas expectativas em relação ao volume de recursos captados para o Fundo Patrimonial no próximo ano? Aumento do volume de recursos captados para a ampliação do patrimônio acumulado.
Quais suas expectativas em relação ao volume de recursos direcionados pelo Fundo Patrimonial para a(s) Instituição(ões) Apoiada(s) e/ou para a(s) Organização(ões) Executora(s) no próximo ano? Ampliação do volume de recursos direcionados.
Quais suas expectativas em relação à rentabilidade bruta (antes da dedução de impostos) consolidada do portfólio (%) do Fundo Patrimonial em 2024? Manutenção da rentabilidade bruta.
Principal desafio enfrentado atualmente? Captação de recursos.

Estamos no início de nossa jornada e a expectativa é investir na captação de recursos e chegar ao patrimônio de R$ 25 milhões em 5 anos, volume que investido com segurança contribuirá para o desenvolvimento de projetos de fomento à filantropia estratégica no país no longo prazo.

Ao mesmo tempo que é uma perspectiva, a captação de recursos é também um desafio. Trabalhamos com uma causa pouco óbvia e certamente menos mobilizadora que Educação ou Saúde, que oferecem aos doadores indicadores de impacto muito claros e atraem mais recursos. A mobilização é lenta e depende também, evidentemente, de tornar mais conhecido o mecanismo e seus benefícios. Para esta narrativa, ao menos, não nos faltam argumentos e evidências!

Acreditamos que ao estabelecer um fundo patrimonial para apoiar a promoção da filantropia estratégica estamos construindo um legado para o IDIS e para nosso setor. É um sonho antigo que ganha vida e nos traz muito orgulho!

Por um SUS tecnológico para salvar a vida de mulheres

*Por João Abreu, diretor executivo da ImpulsoGov, e Luiza Saraiva, gerente da iniciativa Juntos pela Saúde

Há menos de 200 anos, o raio X mostrou o nosso interior sem a necessidade de um bisturi. Na década de 80, a ressonância magnética permitiu visualizar os tecidos moles humanos, também sem cortes. Neste século, o genoma humano foi sequenciado e, ainda mais surpreendentemente, este ano conseguimos identificar microRNAs, uma descoberta digna de um Nobel de Medicina. A tecnologia na saúde avança a passos largos. Apesar disso, pode demorar décadas até que esses avanços sejam democratizados para toda a população, seja gratuitamente por meio de sistemas públicos de saúde, como o SUS, ou com custos reduzidos em convênios de saúde.

No caso das mulheres, um simples exame, disponível gratuitamente no SUS, pode salvar a vida de milhares. Mas isso ainda não é uma realidade para todas.

O exame Papanicolau, também conhecido como citologia cervical, foi desenvolvido em 1928, mas sua aplicação como ferramenta de rastreamento de câncer do colo do útero – o terceiro tipo mais comum entre mulheres no Brasil – começou apenas na década de 1940. E ainda é preciso avançar. Mesmo no século XXI, ainda há desafios em alguns países em desenvolvimento, como o Brasil.

Considerado revolucionário, estima-se que o Papanicolau já tenha salvado a vida de milhões de mulheres no mundo. Ainda assim, o câncer do colo do útero é a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Regionalmente, o câncer do colo do útero é o segundo mais incidente nas regiões Norte (20,48/100 mil) e Nordeste (17,59/100 mil), segundo dados do INCA (2022), as maiores taxas entre as regiões brasileiras.

Mas a tecnologia está mudando essa realidade. O Impulso Previne, solução digital e gratuita, aliada ao SUS, está colaborando com a ampliação ao acesso a esse exame essencial para mulheres. Ele consiste em uma ferramenta que traduz dados públicos em listas nominais com o status das mulheres em relação, dentre diversas informações, à coleta de exame citopatológico (Papanicolau), acompanhadas por filtros que facilitam o monitoramento das trajetórias de prevenção do câncer pelas equipes de saúde.

Observamos um aumento de quase 43% na coleta do exame de prevenção do câncer de colo de útero, em comparação com os primeiros quadrimestres de 2023 e 2024, nos 19 municípios do Norte e Nordeste do Brasil onde a solução foi aplicada. É a prova de que precisamos de um SUS capilarizado para atender a todos nos quatro cantos do Brasil, mas também precisamos de um SUS tecnológico.

 

UBS de Jandaíra (BA), abr. 2024. Foto: ImpulsoGov.

Este projeto faz parte do programa ‘Juntos pela Saúde’, iniciativa do BNDES com gestão do IDIS, com foco no fortalecimento do SUS no Norte e Nordeste do país. O desenvolvimento da ferramenta de monitoramento da realização de exames citopatológicos faz parte do projeto Impulso Previne, solução criada e executada pela ImpulsoGov, e que para replicação teve apoio do Instituto Dynamo com o match do BNDES. Com o apoio de investimento público, por meio do BNDES, e filantrópico, entre eles da Umane, essa tecnologia será ampliada para 240 nos próximos anos, podendo salvar inúmeras vidas. Afinal, quando detectado no estágio inicial, as chances de cura desse tipo de câncer podem chegar a quase 100%.

Sim, campanhas como o Outubro Rosa são eficientes, mas precisamos estar atentos diariamente à saúde pública. Necessitamos da tecnologia para escalar o impacto do acesso ao SUS e poder fornecer uma vida saudável a milhões de mulheres brasileiras. Ainda há muito a ser descoberto na ciência, mas essas revoluções médicas precisam ser democratizadas a todas e a todos. Só assim será possível avançarmos ampliando o acesso e reduzindo as desigualdades, ainda abissais, na área da saúde no Brasil.

Catalyst 2030 Brasil lança o edital de R$ 240 mil para financiar projetos de acesso à água e combate às mudanças climáticas

2º Desafio Fundo Catalisador 2030 criado pelo capítulo brasileiro do movimento global Catalyst 2030, apoiará três projetos colaborativos que contribuam para alcançar os ODS 6.1 e 13

 

O Catalyst 2030 Brasil lança o segundo Desafio Fundo Catalisador 2030, uma iniciativa voltada para a identificação e apoio de soluções colaborativas que contribuam para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, com foco no ODS 6.1 (acesso universal à água potável e segura) e no ODS 13 (ação contra a mudança global do clima).

As inscrições serão encerradas no dia 10 de novembro de 2024. Os finalistas serão anunciados no dia 29 de novembro de 2024 e, os vencedores, no dia 20 de dezembro.

Criado há dois anos, o 2ª Desafio – pioneiro para ações colaborativas de impacto social e ambiental – distribuirá R$240 mil a partir do aporte de AMA, produto social da Ambev para realizar ações que promovam o acesso à água potável para pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica associado ao combate às mudanças climáticas. Ele será distribuído entre três iniciativas em diferentes estágios de desenvolvimento. A maior parcela, R$150 mil, será destinada a um projeto que já tenha metodologia e resultados comprovados e que possa ser ampliado com a verba do Fundo. Outros dois, ainda em fase inicial, terão a oportunidade de realizar seus pilotos com um orçamento de até R$45 mil cada.

CATALYST 20230 BRASIL

O Catalyst 2030 Brasil é um capítulo da rede global Catalyst 2030, composta por empreendedores sociais que trabalham em conjunto para acelerar o alcance dos ODS, que são parte da Agenda 2030 criada pela ONU em 2015. Ela propõe 17 objetivos e 169 metas para enfrentar os principais desafios globais até 2030, como a pobreza, a desigualdade, as mudanças climáticas, a paz, a justiça e a proteção ambiental. A missão do Catalyst 2030 é catalisar a colaboração intersetorial, maximizando o impacto coletivo em favor de mudanças globais sistêmicas para o alcance destas metas nos próximos seis anos.

O segundo Desafio Fundo Catalisador 2030, busca impulsionar projetos que trabalhem de forma colaborativa para garantir o acesso à água potável para todos e mitigar as mudanças climáticas. Com o apoio financeiro, visibilidade e rede de contatos, os projetos selecionados terão 10 meses para apresentar resultados concretos, com início em fevereiro e conclusão em novembro de 2025. A auditoria do Desafio será realizada pela Simbiose Social.

O primeiro Desafio Fundo Catalisador, realizado em 2022, também recebeu recursos da Ambev AMA e foi voltado para soluções focadas em melhorar o acesso à água (ODS 6). O vencedor, “Acesso à água potável para os Mundurukus”, recebeu R$200 mil e foi uma das 26 propostas inscritas e que envolveram 68 organizações de todas as regiões brasileiras. O projeto foi apresentado pela Associação das Mulheres Munduruku Wakoborun, projeto Saúde e Alegria, Water is Life, DSEI Rio Tapajós e Associação Indígena Pariri. Com ele, os indígenas Kayapó e Munduruku do Alto Tapajós, na região Norte do Brasil, receberam 600 filtros que tornam potável a água de rios, dos igarapés, das nascentes e da chuva e que estão beneficiando cerca de 3.000 pessoas destas etnias no Pará.

Quem pode participar?

Tendo na essência de sua criação o incentivo às parcerias coletivas, só podem se inscrever no Desafio Fundo Catalisador 2030 grupos colaborativos formados por ao menos 2 atores do ecossistema de impacto entre organizações da Sociedade Civil (OSCs), coletivos, movimentos sociais, negócios de impacto socioambiental, alianças, redes e instituições acadêmicas. Projetos isolados não serão aceitos.

Além de apresentar propostas alinhadas aos ODS 6.1 e 13, os grupos participantes devem ter origem e atuação no Brasil e demonstrar diversidade. É desejável que a organização proponente seja membro, esteja em processo de membresia ou tenha indicação de um membro da Catalyst 2030. Serão considerados critérios de desempate as propostas que incluírem outros objetivos além dos ODS solicitados, como a erradicação da pobreza (ODS 1), a fome zero (ODS 2), a igualdade de gênero (ODS 5), por exemplo, e a diversidade na liderança.

Veja o regulamento do Desafio Fundo Catalisador 2030:
Regulamento – Desafio Fundo Catalisador

Os projetos devem ser inscritos aqui por meio de um formulário

Iniciativa pioneira

O movimento Catalyst 2030 Brasil anunciou em 2022 a criação de um fundo pioneiro destinado a financiar iniciativas associadas aos ODS. Primeira ação tática do movimento no país, a proposta do Desafio Fundo Catalisador 2030 é financiar e trabalhar com ações colaborativas no cenário nacional. Ele tem o formato de desafio e é voltado para membros ou organizações indicadas por uma instituição membro do Catalyst 2030.

Sobre o Catalyst 2030

É um movimento global de empreendedores e inovadores sociais de impacto socioambiental de diferentes setores, que compartilham o objetivo de criar abordagens inovadoras e centradas nas pessoas e no meio ambiente para atingir os ODS até 2030. Unindo forças com comunidades, governos, empresas e outras organizações, o Catalyst 2030 foi lançado em 2020, no Fórum Econômico Mundial, inicialmente pela Ashoka, Schwab Foundation, Skoll Foundation e Echoing Green. No Brasil ele reúne 207 membros que atuam em todas as regiões do país. Em âmbito global, são 3.530 organizações e 5.258 membros individuais em 143 países, que impactam cerca de 2 bilhões de vidas.

Mais informações: https://brazil.catalyst2030.net/ e https://catalyst2030.net/

Nova edição da Pesquisa Doação Brasil contará com capítulo especial sobre a prática de doações em situações de emergência

A Pesquisa Doação Brasil tem como objetivo avaliar a percepção e a prática de doação dos brasileiros.

A próxima e quarta edição será lançada no ano que vem e refletirá o ano de 2024. Esta edição contará com um capítulo especial sobre a influência das doações emergenciais na cultura de doação.

Segundo o Panorama dos Desastres no Brasil, da Confederação Nacional de Municípios (CNM), entre 2013 e 2023, os desastres naturais causaram 2.667 mortes e afetaram milhões de pessoas em todo o país, resultando em prejuízos que chegam a R$ 639,4 bilhões. Com a crescente frequência de eventos climáticos extremos, como doa o brasileiro? E, passada a emergência, essas doações se tornam recorrentes? Essas são algumas das perguntas que buscamos responder.

 

Evolução do tema

A primeira edição da Pesquisa foi realizada em 2015, quando não havia qualquer dado sobre o comportamento do doador individual. A pesquisa nos permitiu identificar que 46% da população brasileira, naquele ano, havia feito alguma doação em dinheiro para organizações sociais, e a projeção do volume total doado por pessoas físicas foi de R$ 13,7 bilhões.

Desde então, consolidou-se como a principal fonte sobre este tema no país, permitindo identificar o perfil do doador, motivações, a causas preferidas, a percepção sobre as doações, as barreiras para a doação, entre outros aspectos que contribuem para compreendermos este cenário.

Lançamento do primeira edição da Pesquisa Doação Brasil, em 2015

Inicialmente prevista para ser realizada a cada cinco anos, a segunda edição aconteceu em 2020, coincidindo com o início da pandemia de Covid-19 e com o agravamento da crise socioeconômica, que já vinha afetando o país. Naquele ano, o volume total de doações caiu para R$ 10,3 bilhões e a participação da população também foi reduzida, posto que pessoas que antes doavam, passaram à categoria de beneficiários. Por outro lado, a percepção sobre a doação e o papel transformador das organizações sociais cresceu, apontando para o fortalecimento da cultura de doação.

Essas transformações levaram a um debate sobre a periodicidade da pesquisa. Os dados são fonte para a incidência do campo, para o debate sobre políticas públicas, para planejamentos de captação de recursos por organizações. A prática mostrou a importância de acompanharmos mais de perto a evolução, e trazer insights que contribuam para a tomada de decisão. Por isso, a partir da terceira edição, a Pesquisa Doação Brasil passou a ser bienal.

Em 2022, na terceira edição, 84% dos brasileiros acima de 18 anos e com rendimento familiar superior a um salário mínimo fizeram ao menos um tipo de doação, seja de dinheiro, bens ou tempo, na forma de voluntariado. A doação diretamente para ONGs e projetos socioambientais foi praticada por 36% dos respondentes, mantendo-se estável. A edição também trouxe um capítulo especial sobre a Geração Z.

A Pesquisa Doação Brasil é uma iniciativa do IDIS e da CAF – Charities Aid Foundation.

Deseja apoiar a realização deste estudo e contribuir para a Cultura de Doação no Brasil? Entre em contato via comunicacao@idis.org.br e saiba mais informações.

African Philanthropy Forum e o papel do sul global na transformação da filantropia

Aconteceu, em outubro, o African Philanthropy Forum 2024 em Marrakesh, Marrocos. O evento, parceiro do Global Philanthropy Forum – assim como o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais -, atraiu mais de 200 participantes ao longo de dois dias de intensa programação. Paula Fabiani, CEO do IDIS, foi uma das palestrantes do evento.

Sob o tema ‘Uma nova agenda para a filantropia africana: catalisando recursos para acelerar a transformação da África’, os debates abordaram temas como emergências, educação, clima, geração de renda, tecnologia e gênero, além de discutir o papel do Sul Global na transformação da filantropia familiar, individual e corporativa, bem como nos investimentos de impacto.

Paula participou da mesa ‘Philanthropy driving transformation: lessons from the Global South’ (Filantropia impulsionando a transformação: lições do Sul Global), ao lado de Antonio Bweme, da WINGS; Marie-Louise Gourlay, da Forward Global; Naila Taji Farouky, do Arab Foundations Forum (AFF); e Mosun Layode, do African Philanthropy Forum.

“Aprendizado, hospitalidade e energia foram destaques deste evento em um país repleto de aromas, cores e história. Foi uma experiência inesquecível!”, contou Paula.

 

IDIS, FEAC e FEAV participam de conferência com lideranças comunitárias globais no Inglaterra

Por Rosana Ferraiuolo, gerente de projetos do IDIS

Promovido pela UK Community Foundations (UKCF), o encontro “Foundations for the Future – Investing in Communities” reuniu organizações participantes do programa Transformando Territórios com institutos e fundações comunitárias de diversos países.

 

As Fundações e Institutos Comunitários, conhecidos no Brasil como ‘FICs’, possuem um enorme potencial para impulsionar o desenvolvimento do território onde atuam, fortalecendo as comunidades locais onde estão inseridas de forma sistêmica, legítima e perene. 

Este foi o mote da Conferência da UK Community Foundations (UKCF), organização que reúne as fundações comunitárias do Reino Unido, que aconteceu entre os dias 8 e 10 de outubro deste ano, com mais de 300 representantes e líderes comunitários regionais e de diversos países. A temática sobre o futuro do investimento comunitário filantrópico e o seu papel na construção de comunidades resilientes, inclusivas e sustentáveis permeou as sessões realizadas nestes dias.

Para representar o Brasil e o Transformando Territórios, membros do programa foram até Harrogate, na Inglaterra. Estiveram presentes Eliane Macari, presidente da FEAV – Fórum das Entidades Assistenciais de Valinhos, Jair Resende, superintendente socioeducativo na Fundação FEAC, e Rosana Ferraiuolo, gerente do IDIS e do Programa Transformando Territórios.

 

Da esquerda para a direita: Jair Resende, Rosana Ferraiuolo e Eliane Macari.

A FEAV e a Fundação FEAC são integrantes do Programa Transformando Territórios, iniciativa do IDIS em parceria com a Charles Stewart Mott Foundation. A iniciativa surgiu para fomentar a criação e fortalecimento das FICs no Brasil com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

 

Participar da Conferência valeu a pena, sem dúvida! É o real e verdadeiro conceito e aplicação de território e fundação comunitária. Percebe-se que as Fundações Comunitárias do Reino Unido são organizadas para tal, seja pequeno, rural ou grande” , Eliane Macari, presidente da FEAV. 

 

Um olhar para o futuro da filantropia comunitária

Durante os três dias de evento, especialistas de filantropia comunitária de todo mundo estiveram reunidos para se aprofundar em temas como filantropia estratégica, inovação social, justiça climática e ambiental, colaboração de jovens, justiça social, inteligência artificial e outros temas pertinentes a discussão central, que tinha como tema ‘Fundações para o futuro: Investindo em Comunidades’.

“Tivemos a oportunidade de ver muitos temas sendo discutidos, coisas que aqui a gente nem está pensando. Uma das coisas que me deixou bem impressionado foi a utilização da inteligência artificial como uma ferramenta facilitadora na tomada de decisão, sistematização de documentos, indicadores, e assim por diante”, Jair Resende, superintendente socioeducativo na Fundação FEAC. 

A programação, que incentivou as trocas de experiências entre os participantes, proporcionou uma valiosa oportunidade para refletir sobre desafios e oportunidades comuns e se inspirar no trabalho uns dos outros. A integração entre os líderes comunitários presentes proporcionou também um intercâmbio de conhecimento entre membros de países como Reino Unido, África, Romênia, Sérvia, Alemanha, Argentina, entre outros. 

Essa abordagem destaca aspectos fundamentais do desenvolvimento coletivo em rede e do fortalecimento das relações com as comunidades, como a importância dos insights coletivos e a construção de uma relação de confiança e escuta.

 

“Representar o Programa Transformando Territórios nesta conferência foi fundamental para fortalecer nossa conexão com as Fundações Comunitárias de diversos países. Compartilhar a experiência do Brasil e aprender diretamente sobre suas práticas e inspirações, tanto nas sessões quanto nas conversas individuais e coletivas, foi uma oportunidade enriquecedora que nos trouxe inspiração para o desenvolvimento das FICs no Brasil”, Rosana Ferraioulo, gerente do Transformando Territórios.

 

 

SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br

A transformação que 1% pode causar

*Por Paula Fabiani, CEO do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

O investimento social privado –  ato de destinação voluntária e estratégica de recursos em benefício da sociedade  – é fundamental para a resolução das profundas lacunas no desenvolvimento socioambiental do país. Embora o Estado desempenhe um importante papel, não tem jeito: há diversos desafios na hora de prover o necessário para o bem viver de todas e todos, seja pelas dimensões continentais ou pela enormidade das problemáticas do país que precisam de solução. E é aí que o investimento social privado pode e precisa agir: contribuindo com a redução das desigualdades e a mitigação dos danos ambientais. Somente com a colaboração entre o tripé governo, empresas e sociedade seremos capazes de endereçar soluções efetivas e perenes.

Quando tratamos de investimento social privado, estamos falando de R$4,8 bilhões em doações corporativas, ou seja, realizadas por empresas, de acordo com o Censo GIFE 2023. Valor significativo, mas ainda aquém do registrado em 2020, durante o auge da pandemia, quando as doações do setor privado ultrapassaram a marca de R$5,3 bilhões. O histórico dos números reforça que há capacidade do setor privado de investir mais – e melhor.

A partir dessa visão e inspirados pelo movimento estadunidense Pledge 1%, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e o Instituto MOL lançaram no Brasil o Compromisso 1%.

Evento de lançamento do Compromisso 1% que aconteceu em São Paulo na sede da PwC Brasil.

O movimento tem o propósito de congregar empresas que já doam pelo menos 1% do seu lucro líquido anual, bem como aquelas que se comprometam a alcançar o patamar de doações em até dois anos. Cyrela, fama re.capital, Gaia Impacto, MOL Impacto, Pantys, PwC, RD Saúde e TozziniFreire Advogados são as primeiras signatárias do compromisso, que já conta com outras empresas em processo de adesão.

Destinado a empresas de todos os portes e segmentos, o Compromisso 1% tem como objetivo impulsionar o envolvimento das  empresas com o presente e futuro da sociedade, para que invistam em projetos e organizações que precisam de recursos para seguirem sua caminhada. São doações para organizações estruturantes que transformam a realidade das comunidades nas quais estão inseridos, seja por meio da educação, cultura, esporte, saúde ou de ações ambientais e de geração de renda.

Com o investimento social privado, as empresas só têm a ganhar. Além das vantagens financeiras, com mais facilidade de captar recursos no mercado, as empresas também melhoram sua reputação, com maior engajamento dos colaboradores e um relacionamento mais sólido com fornecedores e clientes. É um ecossistema que impacta positivamente todas as partes interessadas.

Criar possibilidades para o avanço do investimento social privado e estimular o hábito de doação no país é, sem dúvidas, um caminho para o fortalecimento da sociedade civil organizada como uma agente de transformações socioambientais positivas. Essa jornada só pode ser trilhada ao lado de pessoas e negócios que acreditam na potência mobilizadora e sustentável da filantropia estratégica e se comprometem com a geração de impacto positivo. Basta começar se comprometendo com 1%.

Afinal, é do agora a responsabilidade de reparar os erros do passado e construir o futuro para aqueles que virão.

 

Organizações do Transformando Territórios participam de encontro de fundações comunitárias nos Estados Unidos

Duas FICs (Fundações e Institutos Comunitários) que fazem parte do programa Transformando Territórios do IDIS enviaram no mês de setembro representantes para o encontro de fundações comunitárias ocorrido em Cedar Rapis (Iowa-EUA).

Renato Orozco, da Associação Nossa Cidade de Belo Horizonte, e Ricardo Zuppi, do Instituto Comunitário Paraty – ICP, ficaram imersos durante dois dias no encontro anual do programa Conectando Comunidades na América (CCA – Connecting Communities in America).


Texto escrito por Renato Orozco e Ricardo Zuppi

 

O encontro que juntou mais de 40 representantes de fundações comunitárias das Américas (Canada, EUA, México, PortoRico, Colombia, Peru, Chile, Argentina, Brasil, Samoa Americana e Ilhas Marianas) pôde proporcionar uma imensa troca de experiências, potencialidades e desafios.

Da mesma forma, os aprendizados e a compreensão dos diferentes contextos, formas de atuação, gestão e captação de recursos retratam como este é um ecossistema complexo, mas repleto de pontos em comum, seja na necessidade de construir confiança, da continua escuta das demandas locais, da comunicação clara, da inovação nas avaliações de impacto (como o uso de story-telling) entre outros.

A experiência das fundações comunitárias da América Latina revelou seu diferencial onde o grande protagonismo esta na base, ou seja, nas lideranças comunitárias e instituições locais como agentes de engajamento, decisão e transformação. Os modelos de decisões Bottom-Up mostram que o papel e o conhecimento real dos territórios feitas pelas pessoas locais são as transformações mais sólidas. Por outro lado, as mesmas instituições também encontram os desafios comuns de captação de recursos e da compreensão, em seus respectivos territórios sobre seus objetivos e atuações. O que revela um ponto importante a ser considerado nas esferas locais, regionais até globais, o de como disseminar, divulgar e explicar melhor para os diferentes atores sociais a importância, papel e missões das fundações comunitárias como potencializadoras de mudanças.

Outro ponto que ficou evidente e de forma muito lógica (porém desafiadora) foi a necessidade de atuação de forma mais coletiva entre as instituições, onde as coalizões e sinergias podem trazer muito mais efetividade de atuação, seja pela troca de aprendizados já adquiridos, na captação de recursos em conjunto e na própria atuação nos territórios. Assim o ecossistema institucional se fortalece e consequentemente potencializa e escala o trabalho para a diminuição de vulnerabilidades socioambientais dos locais, gerando melhor condição e qualidade de vida para todos.

Enfim, poder estar presente em encontros como este, amplia nossos horizontes, divulga nossos trabalhos e reitera que não estamos sozinhos (pelo contrário). Um grande aprendizado que ficou foi o de nunca perder a oportunidade para encontrar as pessoas, ter o máximo de conversas e aprofundamentos que pudermos ter, e construir relações que de alguma forma poderão fortalecer e auxiliar o nosso território, o ambiente coletivo, as pessoas e todas as formas de vida, afinal o capital socioambiental é a alma, motriz e maior parte interessada a ser conservada.

Momento de confraternização durante o encontro

IDIS lança vídeo institucional

No ano em que completou 25 anos, o IDIS lançou seu vídeo institucional. Confira:

O IDIS é uma organização da sociedade civil independente, que tem como missão inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto. Somos uma organização intermediária. Ou seja, somos articuladores e existimos para que vocês, que estão hoje aqui, possam ir mais longe, gerar mais transformações com o apoio necessário para seguir essa jornada. Somos uma organização que age para multiplicar o poder de realização do investimento social privado.

Nossa atuação baseia-se em um tripé. Nossos pilares de atuação, consultoria, conhecimento e projetos de impacto, nos trouxeram até aqui. Na consultoria exercemos nossa missão apoiando investidores sociais a gerar mais impacto na sua jornada filantrópica. Com as iniciativas de conhecimento produzimos para o setor materiais com as melhores práticas e dados para que as organizações gerem mais impacto positivo. E nos projetos de impacto entregamos, com nossos parceiros, ações, que catalisam o ecossistema da filantropia e da cultura de doação, beneficiando organizações, comunidades e pessoas. Nossos pilares são integrados para fomentarmos o investimento social privado no nosso país. 

Saiba mais sobre a atuação do IDIS.

Inscreva-se para o evento de lançamento do Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais 2023

INSCREVA-SE PARA ACOMPANHAR O EVENTO

Bastante populares internacionalmente e cada vez mais adotados no Brasil, os fundos patrimoniais se consolidam como mecanismo potente para a sustentabilidade de organizações e causas. Em novembro, o IDIS lança a terceira edição do Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais, levantamento que reúne dados para gestores de endowments. Neste ano, a iniciativa teve a participação de 74 endowments ativos no Brasil, 25% a mais que a amostra anterior, e apresenta uma série histórica de 2020 a 2023. O prefácio da publicação é assinado pelo senador Flávio Arns.

Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais

Entre os temas abordados na publicação, estão fluxo de caixa, alocação, captação, rendimentos, política de investimento, governança de endowments e perspectivas para o futuro. A publicação ainda traz artigos de especialistas, contribuindo para o entendimento e interpretação dos achados.

O lançamento do Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais 2023 acontece no dia 7 de novembro, das 17h às 18h30, em formato online e gratuito. Uma mesa redonda com gestores de fundos patrimoniais ativos será realizada a seguir da apresentação dos dados. Os interessados devem fazer sua inscrição aqui.

 

Confira a programação completa:

 

17h – Abertura
Paula Fabiani | CEO do IDIS

 

17h15 – Apresentação do Anuário de Desempenho de Fundos Patrimoniais 2023 
Andrea Hanai e Felipe Insunza Groba | gerentes de projetos no IDIS

 

17h50 – Debate com a participação de especialistas e gestores de fundos patrimoniais
Kiko Afonso | diretor executivo na Ação da Cidadania
Luiz Fernando Figueiredo | fundador do Instituto FEFIG e presidente do Conselho de Administração da JiveMauá
Murilo Nogueira | diretor na Fundação Bradesco
Viviane Moreira | head de governança e compliance na Circular Brain
Moderação: Guilherme Sylos | diretor de prospecção e parcerias no IDIS

 

18h25 – Encerramento

 

9 de novembro, quinta-feira

17h às 18h30
Apresentação de principais achados
Debate com especialistas

INSCREVA-SE

 

Mais sobre Fundos Patrimoniais

Acesse mais conteúdos nesta temática produzidos pelo IDIS aqui.

Caso queira saber mais sobre fundos patrimoniais ou queria conhecer nossos serviços, envie um e-mail para comunicacao@idis.org.br.

IDIS é eleito a melhor ONG de filantropia de 2024

Eficiência e excelência em gestão são fatores-chave para que organizações sociais alcancem impactos maiores nas causas que defendem. O Prêmio Melhores ONGs avalia boas práticas em áreas como governança, transparência, comunicação e financiamento e, pela segunda vez, o IDIS recebeu o título de melhor ONG de Filantropia, Voluntariado e Apoio a Organizações da Sociedade Civil do Brasil. Além do prêmio na categoria especial, pelo quinto ano, o IDIS também foi reconhecido como uma das 100 melhores ONGs.

“Fazer parte da lista das 100 melhores organizações sociais do país é uma conquista ainda mais especial após um ano repleto de aprendizados, vitórias e boas notícias. Temos nos dedicado intensamente a aprimorar nossa atuação, sempre em busca da missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e a mudança positiva que ele gera”, conta Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias, na cerimônia de entrega dos prêmios do Melhores ONGs 2024.

Ao longo do ano, o IDIS tem realizado diversos investimentos para fortalecer o Instituto e seus projetos. Entre os resultados, destacam-se o monitoramento constante de indicadores, o investimento em plataformas de gestão e o aumento no treinamento e desenvolvimento da equipe. Isso resultou na ampliação dos projetos de consultoria com novos clientes, além do fortalecimento do relacionamento com aqueles que já eram parceiros; no fortalecimento de iniciativas de impacto, como Advocacy pelos Fundos Patrimoniais, Transformando Territórios, Juntos pela Saúde e Compromisso 1%; na criação do Fundo de Fomento à Filantropia; e em importantes produções no campo do conhecimento, como ‘Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2024’, ‘Investimento Social Privado: estratégias que alavancam a Agenda ESG’ e ‘Como criar uma fundação ou um Instituto Comunitário’.

Parabenizamos todas as organizações que trabalham diariamente em prol do desenvolvimento socioeconômico nas mais diversas causas e regiões do Brasil e que também receberam este reconhecimento.

Confira a lista completa aqui.

Assista a premiação:

25 anos de comprometimento com o fortalecimento da cultura de doação no Brasil!

Por Luisa Lima, gerente de comunicação e conhecimento no IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e integrante do Movimento por uma Cultura de Doação.

Ao longo de seus 25 anos de história, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social tem desempenhado um importante papel no fortalecimento da cultura de doação no Brasil.

Quando cheguei aqui, há cinco anos, me chamou atenção poder me envolver com o tema. Era algo que eu valorizava e praticava, mas sem saber que doação poderia ser, também, uma causa e uma cultura. E como cultura, o retrato da doação não é estático, ela tem diferentes nuances, é impactada pelo meio e pode ser desenvolvida quando há intencionalidade.

E o que isso tem a ver com a missão do IDIS de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto? Tudo. Em países onde a cultura de doação é mais desenvolvida, onde isso é um valor da sociedade e uma prática solidária cotidiana, as pessoas também tendem a demandar comportamentos similares de empresas e famílias de alta renda, gerando um ciclo virtuoso. E quando as organizações da sociedade civil têm mais recursos, podem alcançar ainda mais transformações positivas.

Para escrever este artigo, mergulhei na história do IDIS e na minha, e trago aqui algumas das contribuições para o fortalecimento da cultura de doação nos últimos 25 anos, entendo que essa cronologia nos ajuda a também entender a evolução do tema no Brasil.

Desde sua fundação, em 1999, o IDIS tem acumulado experiência com o apoio a diferentes investidores sociais, sejam eles indivíduos, famílias ou empresas. Em 2000, criou o Programa DOAR, voltado a estimular o olhar dos investidores às comunidades de seu entorno. Um dos produtos, lançado em 2008, foi a pesquisa Perfil do Investidor Social Local, realizada nos municípios paulistanos de Guarulhos, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste e São José dos Campos. Naquela época, conforme apontado na publicação, havia pouco conhecimento sistematizado sobre doações individuais. A proposta foi então ir além da mera apresentação e análise dos dados obtidos, e provocar reflexões sobre o perfil dos doadores individuais e sua importância para a sustentabilidade das organizações da sociedade civil (OSCs), já que elas são as principais receptoras das doações.

Enquanto conduzia o Programa Doar, o IDIS avançava em outras frentes. Em 2005, formalizou uma parceria com a Charities Aid Foundation (CAF), organização britânica também comprometida com o avanço da filantropia estratégica e que, em 2024, celebra nada menos que seu centenário. A CAF, que aos poucos criou uma rede com presença em todos os continentes, também sentia falta de conhecimentos mais objetivos sobre cultura de doação. Assim, em 2010, lançou o World Giving Index (WGI), o ranking global da solidariedade. Desde então, anualmente, apresenta dados a partir de três dimensões – doação a organizações sociais, voluntariado e ajuda a desconhecidos. A última edição teve a participação de 142 países e, novamente, o IDIS contribuiu com a análise e disseminação. O Brasil, que já ocupou a 18ª posição no ranking, em 2024 apareceu em 86º lugar; com liderança da Indonésia, Quênia e Singapura.

O WGI traz alguns dados sobre a cultura de doação, mas era preciso um olhar mais profundo. Além de saber se houve algum tipo de doação, era preciso explorar quem é esse doador, quais suas motivações, quais as causas beneficiadas, qual sua visão de mundo. Igualmente importante, era conhecer melhor o não doador e as barreiras existentes para a mudança de atitude. Foi com esse intuito que o IDIS criou a Pesquisa Doação Brasil. A primeira edição, com dados de 2015, apresentou o primeiro retrato do comportamento do doador individual no País, a partir de um questionário formulado com a participação de diversos atores do campo. Desde então, temos investido na construção de uma série histórica, sempre com capítulos especiais que permitem análises ainda mais detalhadas. Em 2020, o destaque foi o impacto da pandemia. Em 2022, foi o comportamento da geração Z, e a próxima edição, que refletirá o ano de 2024, buscará identificar a influência das doações emergenciais sobre a cultura de doação. Os dados são usados não somente pelas organizações sociais que dependem da doação de indivíduos, mas também por governos, para embasar políticas públicas, por acadêmicos, que usam os números para pesquisas científicas, e pelo campo, para quem o acompanhamento sistemático contribui para mensurar o fortalecimento da cultura de doação.

Evento de lançamento da Pesquisa Doação Brasil 2015

Os achados da Pesquisa Doação Brasil também são insumos para outras ações do próprio IDIS. A primeira edição evidenciou que a maioria dos brasileiros acham que não devemos falar sobre as doações que realizamos. E quando não falamos sobre doações, o assunto simplesmente parece não existir. Por outro lado, havia uma disposição para falar sobre causas. E assim nasceu o Descubra sua Causa, uma plataforma que, a partir de um teste simples e divertido, apresenta oportunidades de doação alinhadas às causas mais importantes para os usuários. Lançada em 2018, já envolveu mais de 360 mil pessoas. Foi por volta desta época que eu cheguei ao IDIS. Para levar a iniciativa ainda mais longe, mais recentemente, a gestão passou aos cuidados do Instituto MOL, que tem justamente o fortalecimento da cultura de doação no Brasil como causa.

Em 2020, foi a hora de colocar tudo o que aprendemos em prática. O primeiro caso de covid-19 foi confirmado no Brasil no mês de março e em apenas três semanas, criamos o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil. Além de estruturar o mecanismo, era preciso levantar doações. Com a campanha Abrace a Saúde, captamos R$ 40,4 milhões junto a 11 mil doadores. Ao todo, foram beneficiados 59 hospitais filantrópicos, 1 organização social e um instituto de pesquisa que estavam na linha de frente da pandemia, contribuindo para o fortalecimento do sistema público de saúde.

Outras iniciativas que estimulam a cultura de doação são o Transformando Territórios, programa que fomenta o desenvolvimento de institutos e fundações comunitárias com foco territorial e que que mobilizam doadores das regiões onde atuam, e o Compromisso 1%, movimento realizado também em parceria com o Instituto MOL para fortalecer a cultura de doação corporativa.

Se por um lado houve o investimento em programas e projetos, igualmente importante, foi o apoio direto por meio de consultorias e o esforço de dar luz e somar a outras iniciativas do campo filantrópico. O tema é recorrente em debates e eventos promovidos pelo IDIS, como o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, para o qual recorrentemente convidamos especialistas. Acompanhamos a criação do Movimento por uma Cultura de Doação e a chegada do Dia de Doar no Brasil, ao lado de inúmeras outras pessoas e organizações. Apoiamos ações de advocacy para a promoção de um ambiente regulatório mais propício à cultura de doação e estamos à disposição para contribuir a muitas outras ações.

Assim, juntos, criamos narrativas positivas e capazes de ‘furar a bolha’. Doadores podem doar mais e com mais intencionalidade. Não doadores, podem perceber que contribuir para as causas que são importantes para si é mais fácil do que parece. Engajar a imprensa, dessa forma, é um elemento-chave. Ao mesmo tempo que os municiamos de dados e reflexões, também formamos uma geração de jornalistas mais atentos e sensíveis a essa pauta.

O IDIS foi uma grande escola para mim, além de ter me aberto portas para esta potente rede que é o Movimento por uma Cultura de Doação, e a todos que fazem parte. A cada dia, adentro mais neste mundo. Provavelmente, com mais saberes, mas também com mais perguntas que tinha há cinco anos. O que levo de certeza é que fortalecer a cultura de doação é uma tarefa necessária e que não depende de uma única pessoa ou organização. Essa é uma missão coletiva, com ações confluentes. E por isso, não posso deixar de agradecer a todos que participaram de algum dos projetos aqui citados, e que se dedicam a esta causa de alguma forma. É juntos que fortaleceremos a cultura de doação no Brasil!

Evento de celebração de 25 anos do IDIS é realizado no MASP, em São Paulo, reunindo colaboradores e parceiros do Instituto

Aconteceu no dia 3 de outubro, em São Paulo, o evento de comemoração dos 25 anos do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. A celebração ocorreu no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, contando com a presença de colaboradores e ex-colaboradores, além dos diversos colegas, parceiros e amigos que fazem parte da história do instituto. Essa é mais uma etapa da campanha comemorativa ‘Investimento Social é Coisa de Gente’, celebrando não apenas a história do IDIS, mas todas as pessoas que a ajudaram a construir e que continuam a construir conosco.

Plateia na celebração no Auditório do MASP. Crédito: Paula Miranda.

A comemoração se iniciou com a emocionante apresentação do Maestro João Carlos Martins para o público de mais de 270 convidados. Ele presenteou a plateia com uma perfomance de Playing Love, de Ennio Morricone, seguida por uma apresentação surpresa de ‘Parabéns para você’, ambas no piano.

Maestro João Carlos Martins na Celebração dos 25 anos do IDIS. Crédito: Paula Miranda.

Em seguida, o evento contou com as falas de Luiz Sorge, presidente do conselho deliberativo, Marcos Kisil, fundador, e Paula Fabiani, atual CEO do IDIS. 

“Hoje estamos aqui para celebrar os 25 anos do IDIS. Porém, mais do que isso, estamos aqui para celebrar cada um de nós. Reconhecer tudo o que alcançamos juntos e trazer novas energias para seguirmos nossa jornada. […] É coisa de gente porque é feito por pessoas e para pessoas. É coisa de gente porque tem um olhar empático. É coisa de gente porque envolve diálogo, colaborações, discordâncias, consensos, erros e acertos, e nos emociona”, comentou Paula durante a abertura.

Chegou então a hora de conversar sobre o futuro do investimento social privado no país. O filósofo e economista Eduardo Giannetti subiu ao palco para falar do papel da filantropia no cenário atual. Ele comentou sobre a complexidade do mundo atual que nos apresenta grandes desafios globais e colocou a esperança como mecanismo chave para garantir que os mais jovens se engajem em prol de um mundo melhor.

“Eu acho que tem que mostrar para o jovem como pode ser bela uma vida em que a dedicação ao outro e a causas relevantes a todos tem uma presença e um elemento de motivação”, disse Giannetti em sua fala de abertura.

Confira o vídeo completo:

Em seguida, foi feita uma homenagem para Lírio Cipriani, fundador do Instituto Avon, e nosso parceiro mais longevo. Em 2002, o IDIS apoiou a criação do instituto e, desde então, acompanhamos essa trajetória. A história do IDIS foi escrita até aqui lado a lado ao do Instituto Avon – atualmente Instituto Natura. O momento representou uma homenagem a todos os nossos parceiros que também ajudaram a construir essa história conosco.

A programação contou ainda com a participação de um amplo painel que tratou do futuro do investimento social através do olhar de quem apoia a filantropia e de quem está na ponta. Compuseram a mesa Alcione Albanesi, Presidente nos Amigos do Bem; Benjamin Bellegy, Diretor Executivo da WINGS; Carlos Pignatari, Diretor Sul-Americano de Impacto Social da Ambev; Claudia Soares Baré, Diretora Executiva Fundo Podáali; Neca Setubal, Presidente na Fundação Tide Setúbal; Raí Oliveira, Fundador Gol de Letra, que participou por vídeo; e Selma Moreira, VP de Diversidade, Equidade e Inclusão no J.P. Morgan.

Painel ‘O futuro do investimento social: o olhar de quem apoia a filantropia e de quem está na ponta’. Crédito: Paula Miranda.

Um ponto central discutido durante o painel foi o protagonismo daqueles apoiados pela filantropia. “Quando a gente fala do futuro da filantropia, pro [Fundo] Podáali, o futuro da filantropia é fazer com que os povos indígenas sejam protagonistas da própria filantropia.[…] O nome do Podáali ele tem um significado de sustentabilidade, de doação, por que nós já fazemos isso sem saber que fazíamos filantropia. […] Se não há respeito, nós não estamos fazendo filantropia, é sempre um lado que quer sempre ter a razão”, disse Baré.

Confira a mesa completa:

Ao longo dos últimos 25 anos, o IDIS viu de perto o desenvolvimento do investimento social privado e, por consequência, da sociedade como um todo. Tudo o que avançamos só foi possível devido ao comprometimento, colaboração e trabalho coletivo de diferentes pessoas com um objetivo comum: construir um mundo melhor e com mais equidade. Por isso, finalizamos nossa comemoração com um grande brinde pelo que foi feito até aqui e tudo que ainda vamos construir!

Equipe do IDIS. Crédito: Paula Miranda.

 

Lideranças comunitárias do Transformando Territórios se reúnem em São Paulo

Por Carla Irrazabal, estagiária do IDIS, e Rosana Ferraiuolo, gerente de projetos do IDIS

Iniciativa de impacto do IDIS em parceria com a C.S Mott Foundation, o Transformando Territórios (TT) realizou o seu terceiro encontro anual em setembro. O Encontro, realizado entre os dias 3 a 5 de setembro de 2024, reuniu cerca de 40 pessoas, incluindo representantes de 15 Fundações e Institutos Comunitários (FICs) participantes do programa, além de convidados e parceiros.

Representantes dos participantes do programa Transformando Territórios  Foto: André Porto

 

Dando início à programação, os participantes puderam, em uma roda de conversa no escritório do IDIS para promover o compartilhamento de experiências entre os territórios, a Kenya Community Development Foundation (KCDF) e a Fundação Tide Setúbal. O grupo também participou do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. E por fim, no terceiro dia, foram realizadas atividades relacionadas de planejamento, proporcionando às FICs a oportunidade de reconhecer potencialidades internas e externas ao considerar o contexto territorial e a fase atual de cada uma. A partir disso puderam identificar desafios e pensar em ações estratégicas em grupo para o desenvolvimento, utilizando a participação no Programa TT como referência para seu impulsionamento.

“A troca de experiências com outros participantes permitiu um aprendizado valioso, principalmente no que diz respeito à implementação de estratégias de filantropia comunitária e à promoção de uma cultura de doação.”, explica um participante em uma avaliação anônima.

 

Aprendendo com os pares 

O último dia de atividades teve início com uma fala de abertura de Paula Fabiani, CEO do IDIS. Ela congratulou a atuação das FICs no fortalecimento das relações com filantropos locais destacando a iniciativa do Manifesto das Fundações e Institutos Comunitários sobre o Compromisso 1%, que foi entregue pelas FICs durante o Fórum. Paula também ressaltou a importância da interlocução do trabalho do TT com outros projetos do IDIS.

“Acreditamos fortemente que o desenvolvimento das FICs é um componente crucial para o crescimento da filantropia no Brasil. E mais do que isso, acreditamos no potencial brasileiro de desenvolvimento comunitário”, ela afirmou.

Representantes das FICs no Fórum junto a Paula Fabiani e Rodrigo Pipponzi, do Instituto MOL

Em seguida, a equipe do programa apresentou o novo ciclo de trabalho, com o objetivo de ‘fortalecer, promover e apoiar o desenvolvimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil’. Quatro pilares sustentam essa jornada: promover o desenvolvimento dessas organizações, criar um ambiente favorável para as FICs, expandir o conhecimento e engajar a sociedade civil com as FICs, e aumentar o número de apoiadores nacionais e locais.

Esse momento gerou uma grande interação com as lideranças, que trouxeram um olhar atento e um protagonismo essencial para potencializar a atuação do programa. Foi notável o desejo de implementar as novidades propostas para o ciclo e a vontade de realizar ações articuladas como grupo.

“Um dos aspectos positivos deste encontro é o foco no protagonismo das comunidades locais, que se organizam para identificar e solucionar suas próprias necessidades. Outro ponto positivo é a diversidade das organizações participantes, que compartilham conhecimentos, métodos e desafios distintos de acordo com seus contextos locais. A interação entre os líderes comunitários estimula a criação de soluções inovadoras e fortalece o papel das organizações sociais.” , mencionou um dos representantes das FICs.

 

Fundos emergenciais: uma estratégia eficaz

Ao final do último dia, parceiros e convidados se juntaram ao grupo para participar da mesa redonda ‘Fundos Emergenciais – abordagens, tendências e a importância das FICs’. O painel trouxe discussões sobre o conceito, perspectivas, práticas e o papel único das FICs no contexto das situações emergenciais, contando com a mediação de Felipe Groba, gerente de projetos do IDIS e com os painelistas Eduardo Cetlin, diretor da Associação Nossa Cidade de Belo Horizonte; João Morais, Coordenador de Investimento Social e do BISC – Benchmarking do Investimento Social Corporativo na Comunitas; Julia Wildner, coordenadora de programas do ICOM de Florianópolis e Karine Ruy, coordenadora geral da Fundação Gerações do Rio Grande do Sul.

A partir de uma análise teórica, Felipe introduziu aspectos importantes para a discussão, explicando que desastres lentos desenvolvem-se gradualmente, muitos serão agravados pelas mudanças climáticas e ocorrerão em regiões afastadas dos grandes centros econômicos. As emergências invisíveis são subnotificadas e não geram mobilização, mas, por outro lado, algumas emergências são duradouras e consequências de longuíssimo prazo de negligência, como em casos recentes.

O moderador destacou que as FICs são atores estratégicos pois possuem conhecimento do território, de suas demandas sociais e das organizações sociais locais, possuem governança sólida e legítima, são multicausais, realizam interlocução com entes privados, públicos e da sociedade civil e possuem visão de longo prazo, foco e perenidade.

Da esquerda para a direita: Felipe Groba, Karine Ruy, Eduardo Cetlin, João Morais e Júlia Wildner. Foto: Andre Porto/IDIS

João Morais compartilhou os principais resultados da pesquisa BISC sobre a atuação empresarial na agenda climática e em situações de desastre, trazendo as experiências das empresas da Rede BISC. Em seguida, as FICs apresentaram diferentes experiências relacionadas a criação de fundos emergenciais e operacionalização das ações em situações de desastre.

O ICOM, representado por Julia Wildner, pioneiro em fundos emergenciais no Brasil, compartilhou sua experiência com o Fundo Emergencial Chuvas, que serviu de exemplo para outras situações emergenciais, como a pandemia da Covid-19. Eduardo Cetlin, representando a Associação Nossa Cidade, contribuiu com a experiência do Fundo Regenerativo de Brumadinho e o processo de governança utilizado nesse caso de forma mais participativa e descentralizada. Por fim, Karine Ruy, da Fundação Gerações, comentou sobre a recente experiência com o desastre ambiental causado pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul, abordando os desafios de captação e direcionamento de recursos em momentos críticos.

Foto: André Porto/IDIS

Todos esses exemplos demonstraram a importância de atuar de forma sistêmica, estratégica e preventiva para “estar pronto” para os desafios impostos em situações emergenciais e de desastre. O grupo concluiu que a comunidade local possui conhecimentos valiosos sobre áreas de risco e situações extremas em seu próprio território, além de uma capacidade de mapear necessidades com rapidez e eficiência.

Um guia prático a partir de exemplos de quem já transforma territórios

Fechando a programação intensa de três dias, foi lançado o Guia ‘Como criar uma Fundação ou um Instituto Comunitário: um guia prático a partir de exemplos de quem transforma territórios’, fruto da sistematização dos quatro anos de experiência na condução do programa no IDIS em parceria com a Mott Foundation. O Guia apresenta orientações para promover, fortalecer e desenvolver o modelo de Fundações e Institutos Comunitários (FIC) no Brasil, abordando aspectos legais e estruturais de uma FIC até as melhores práticas para desenvolver a comunidade local, desenvolver parcerias e garantir a sustentabilidade da organização a longo prazo. Esta publicação contribui para reafirmar o conceito das FICs e fortalecê-lo, impactando o setor social de forma ampla e consolidada.

Captcha obrigatório

Apesar das FICs serem únicas, a sistematização das experiências com elas é uma ferramenta poderosa para a organização dessas Fundações e Institutos e novos que poderão vir “conheça uma fundação comunitária e você terá conhecido apenas uma”.

 

SOBRE O TRANSFORMANDO TERRITÓRIOS

O Programa Transformando Territórios é uma iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – com a Charles Stewart Mott Foundation para fomentar a criação e fortalecimento de Institutos e Fundações Comunitárias no Brasil, com o engajamento de doadores e sociedade civil, compartilhamento de conhecimento e apoio técnico.

Saiba mais sobre o programa e os participantes em www.transformandoterritorios.org.br

 

 

IDIS participa de encontro ‘Impact Minds: Beyond Frontiers’, promovido pela Latimpacto

O evento Impact Minds: Beyond Frontiers, promovido anualmente pela Latimpacto, aconteceu neste ano entre os dias 09 e 12 de setembro e Guilherme Sylos, Diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS esteve lá para acompanhar o encontro junto a outros 70 brasileiros. Além deles, reuniram-se em Oaxaca, no México cerca de 650 investidores de impacto de 36 países.

Durante o evento foram abordados vários temas chave focados em refletir sobre as lacunas que a América Latina possui em relação ao atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis – ODS da ONU.

Ao longo dos três dias do encontro, foram discutidos temas como o papel das empresas e das famílias de alto patrimônio na obtenção de maior impacto socioambiental positivo; as mudanças sistêmicas do mundo atual e como enfrentar os desafios gerados pelo cenário; o valor da filantropia em assumir mais riscos e diversificar portfólios; além de tópicos transversais como a ação climática, educação, finanças inovadoras, financiamento misto (blended finance).

Além das palestras e rodas de conversa, foram realizadas onze visitas de aprendizagem em territórios e comunidades acompanhados de atores locais como a Fundação Comunitária de Oaxaca e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Também foram apresentadas iniciativas importantes lideradas pela Latimpacto, com maior destaque para o lançamento do Fundo STEM, fundo pioneiro criado em parceria com a Lenovo e Doug Miller – fundador pioneiro da Latimpacto. Baseado em um modelo de sucesso liderado AVPN em torno da filantropia colaborativa, com o objetivo de expandir o acesso à educação STEM para estudantes marginalizados no México e no Brasil.

Fórum IDIS 2024: reforçando os nós da filantropia

Aconteceu no dia 4 de setembro, em São Paulo, a 13° edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. Promovido pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, o evento busca acelerar soluções por meio de conexões e fomentar a filantropia no país.

Foto: André Porto e Caio Graça.

Com o tema FILANTROPIA ENTRE NÓS, as sessões abordaram assuntos como situações emergenciais, uso de dados, filantropia familiar, tecnologia, ESG, policrise e muito mais. Ao longo do dia, estiveram presentes 294 convidados e houve mais 1300 visualizações da transmissão ao vivo.

Foram 11 sessões em 10 horas de programação, com a presença de 61 palestrantes. Falaram nomes como Aline Odara (Idealizadora e Diretora Executiva do Fundo Agbara), Beatriz Johannpeter (Diretora do Instituto Helda Gerdau), Cida Bento (Co-Fundadora e Conselheira do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), Cristiane Sultani (Fundadora do Instituto Beja), Giuliana Ortega (Diretora de Sustentabilidade da RD – Raia Drogasil), José Luiz Egydio Setúbal (Presidente e Instituidor da Fundação José Luiz Egydio Setúbal), Luana Génot (Fundadora e Diretora Executiva do Instituto Identidades do Brasil), Mariana Moura (Presidente do Conselho de família da Baterias Moura), Renata Piazzon (Diretora geral do Instituto Arapyaú), Sergio Fausto (Diretor geral da Fundação Fernando Henrique Cardoso), Tarcila Ursini (Conselheria de empresas e Copresidente do Conselho do Sistema B) e Ticiana Rolim Queiroz (Fundadora e presidente da Somos Um), além de convidados internacionais como Grace Maingi (Diretora Executiva da Kenya Community Development Foundation), Marijana Sevic (Chefe de Parcerias Estratégicas Internacionais na CAF) e Philip Yun (Co-presidente e co-CEO do CCWA e do Global Philanthropy Forum).

Depois de uma abertura impactante com dançarinas da CC Inter, a mesa de abertura ‘Filantropia desatando os nós do mundo’ logo de cara deu o tom do evento, que ao longo da programação trouxe diferentes olhares para a necessidade de ações colaborativas e plurais no Investimento Social Privado para o enfrentamento de nossos desafios socioambientais.

Em seguida, na plenária ‘Tecendo respostas coletivas para desafios sistêmicos’, foi discutido como podemos finalmente avançar com nossos desafios, de maneira coletiva, a partir da perspectiva de diferentes tipos de organizações.

Depois foi a hora de exibir o trailer do documentário DOAR. O filme com direção de Sérgio Rizzo, apresenta histórias que tiveram sua vida transformada pela cultura de doação. Confira.

A programação teve ainda a participação dos vencedores de 2023 do ‘Prêmio Empreendedor Social’ da Folha de S.Paulo e Fundação Schwab, que puderam apresentar suas iniciativas e propósitos de atuação. O painel contou com a moderação de Eliane Trindade, editora do Prêmio.

Em seguida, a mesa ‘Emergência e Resiliência: filantropia fortalecendo comunidades’ abordou a iminente crise climática e sanitária, discutindo como os fundos de emergência e as doações podem amenizar e antever possíveis desastres.

Outro tema de debate no Fórum 2024 foi a importância da produção e uso de dados na orientação e influencia de boas decisões, mesmo que isso também represente um enorme desafio. A temática foi abordada na sessão ‘Costurando Estratégias: dados como matéria-prima’.

Encerrando a programação da manhã, os convidados participaram de um coquetel que contou com uma sessão de autógrafos do livro ‘Filantropia de Risco: do desenvolvimento científico ao desenvolvimento sustentável’ com Marcos Kisil, fundador do IDIS. O momento foi seguido de um almoço temático: cada mesa tinha um anfitrião, que propunha um tema de conversa. Os participantes puderam escolher entre 18 opções e aprofundar as reflexões sobre as mais diversas questões.

Após o almoço, foi hora de celebrar! Em 2024, o IDIS completa 25 anos e, para marcar essa data especial, lançamos a campanha ‘Investimento Social é Coisa de Gente’. Para animar o Fórum, os repentistas Peneira e Sonhador abriram a festa, seguidos por discursos de Marcos Kisil, Luiz Sorge (presidente do Conselho do IDIS) e Paula Fabiani (CEO do IDIS). Além da sessão comemorativa, durante todo o evento, um totem de fotos temáticas e um varal interativo estavam disponíveis para os participantes.

A entrevista tradicional ‘Em conversa com…’ foi com Cristiane Sultani, fundadora do Instituto Beja; Ticiana Rolim, fundadora e presidente da Somos Um; e Marlene Engelhorn, cofundadora do movimento em prol da taxação de grandes fortunas Taxmenow, que participou por vídeo. A discussão abordou os desafios relacionados à concentração de recursos e ao poder decisório nas mãos de poucos, refletindo sobre como podemos garantir que mais vozes sejam ouvidas.

A mesa ‘Filantropia Familiar: o poder da influência’, por sua vez, discutiu a capacidade diferenciada da filantropia familiar de inspirar e mobilizar mais recursos para atender às demandas sociais.

No painel ‘Tecnologia como geradora de transformações sociais’, os painelistas conversaram cobre como a revolução tecnológica abriu novas oportunidades para potencializar ações filantrópicas e ampliar o impacto de iniciativas sociais, criando espaços para novas reflexões e estratégias.

O Fórum continuou com uma sessão especial de lançamento oficial do Compromisso 1%. Criado para fortalecer a filantropia corporativa no país, o Compromisso engaja empresas de diferentes portes e segmentos, que já doam ou que se comprometem a doar, em até 2 anos, 1% de seu lucro líquido anual para organizações da sociedade civil ou causas de interesse público. A iniciativa é do IDIS e Instituto MOL.

Embalados pelo chamado, a mesa seguinte, ‘Os nós do S na agenda ESG’ trouxe a perspectiva corporativa sobre o tema. Em um cenário em que a agenda ESG avança com velocidade, é importante que as empresas busquem atuar no Investimento Social Privado orientadas por visão de longo prazo e com clareza das contribuições do ISP para sua estratégia de sustentabilidade.

Fechando a programação do dia, na plenária de encerramento ‘Entrelaçando vidas, tecendo o futuro’, nossos convidados, lideranças de destaque em seus setores e países, reforçaram a colaboração entre diferentes atores e diferentes perspectivas para promover um futuro mais justo e próspero.

Veja as fotos da 13° edição do Fórum de Filantropos e Investidores Sociais

“Concluímos este evento mais uma vez com muitas importantes reflexões. São muitos os nós e os desafios, mas o que ouvimos hoje demonstra que temos o que é necessário para enfrentar os que precisam ser enfrentados, e fortalecer os que precisam ter vida longa! Temos conhecimento, bons exemplos, coragem e uns aos outros”, comentou Paula Fabiani, CEO do IDIS.

 

Confira a gravação do evento na íntegra:

 

REALIZAÇÃO E APOIO

A realização é do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Charities Aid Foundation, e apoio master do Movimento Bem Maior; apoio prata da RD Saúde; e apoio bronze da Fundação Grupo Volkswagen, Fundação Itaú, Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Aegea Saneamento, Instituto Sicoob e Mott Foundation. A UNICEF Brasil é apoiadora institucional do evento e a Alliance magazine é nossa parceira de mídia.

Neste ano, o fórum terá novamente a Alliance Magazine como parceiro de mídia. Sediada na Inglaterra, a maior revista de filantropia do mundo fará a cobertura do evento e transmitirá em inglês ao vivo em seu canal do Youtube.

FÓRUM BRASILEIRO DE FILANTROPOS E INVESTIDORES SOCIAIS

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.500 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em nosso canal do YouTube estão disponíveis listas com as gravações de todas as edições. Confira!

 

Entrelaçando vidas, tecendo o futuro

Por Aline Herrera, analista de projetos do IDIS

Tem um lugar para todos na mesa para promover a mudança social. Foi assim que Julia Brindisi, chefe de Investimentos Filantrópicos para a América do Tony Blair Institute for Global Change (TBI), deu o tom para mesa de encerramento do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais de 2024.

Dando o arremate final nos nós que uniram o evento, o painel final discutiu a colaboração entre diferentes atores e diferentes perspectivas para promover um futuro mais justo e próspero. As convidadas, Grace Maingi, Diretora Executiva da Kenya Community Development Foudation (KCDF); Cláudia Soares Baré, Diretora Executiva do Fundo Podaáli; e a já citada Julia Brindisi, apresentaram diferentes perspectivas e ferramentas que, amarradas, são capazes de potencializar umas as outras.

 

Veja a sessão completa em:

 

Governos, comunidades, indivíduos, organizações filantrópicas e populações originárias podem (e devem!) trabalhar juntos para tecer um futuro melhor. A articulação intersetorial foi destacada como elemento chave para a redução das desigualdades e a promoção da justiça social. Para Claudia Baré, a responsabilidade de um desenvolvimento do bem viver é uma responsabilidade de todos nós:

“Nós não estamos tendo o nosso bem viver. E o bem viver não é viver bem somente, o bem viver é fazer com que todos nós, independente de ser povos indígenas, extrativistas, quilombolas ou não indígenas, que todos nós possamos ter uma qualidade de vida para que a gente possa fazer com que todos tenhamos um ar que possamos respirar com qualidade. Mas todas essas responsabilidades são colocadas, são depositadas nos povos indígenas, aos povos indígenas, por conta das florestas, por conta da própria Amazônia, onde nós estamos inseridos. E eu gostaria muito de colocar para vocês que não é uma responsabilidade somente dos povos indígenas, é responsabilidade de todos nós: povos indígenas, os próprios representantes das empresas, das organizações que estão aqui, de todos os cidadãos e principalmente do governo, porque nosso governo brasileiro ele tem sim o dever de garantir nossos direitos que estão ali”, disse Claudia.

Com a filantropia, não é diferente: o espírito de comunidade nos impulsiona a fortalecer juntos um ecossistema que cuida uns dos outros. Grace Maingi afirmou durante a sessão que “a verdadeira filantropia é aquela capaz de promover mudança sistêmica”. Para ela, a filantropia precisa falar a língua das comunidades e se integrar confortavelmente na realidade local, servindo como instrumento de mobilização. Assim, o investimento social pode apoiar pessoas e comunidades para que sejam protagonistas de seus próprios futuros.

Para além de conhecer o trabalho das três organizações presentes, o público do painel de encerramento pôde perceber como o entrelace para uma construção de um futuro melhor passa não só pela colaboração entre diferentes grupos, mas também pela combinação de diferentes ferramentas. Se por um lado o TBI investe em tecnologias avançadas e inteligência artificial para alcançar a equidade, o Fundo Podaáli valoriza os saberes dos povos originários, e a KCDF foca nas comunidades com o mesmo objetivo. Ainda que pareçam abordagens completamente difusas, reuni-las permite aliar inovação e sabedoria ancestral, criando novas perspectivas de desenvolvimento capazes de reinventar relações.

“Em termos do futuro da filantropia, eu acho que é importante nós reconhecermos que a tecnologia vai ser central à inovação. Então, pessoas jovens, o jeito que nós definimos a filantropia tem que fazer sentido para as pessoas que estão trabalhando e vivendo com comunidades, isso não pode ser definido a partir de uma lente de fora, isso precisa ser realmente entendido. Eu acredito muito que somos todos filantropos, de uma forma ou de outra, nós não precisamos ter grandes somas de dinheiro para ser filantropos, tem a ver com dar esperança.

A generosidade não é igual a riqueza que nós temos nos nossos bolsos, mas sim com a riqueza do seu coração, então se você for generoso da sua alma, pode compartilhar. O futuro da filantropia realmente precisa ver uma mudança no sistema. Precisamos ver essas barreiras sistêmicas, senão, vamos continuar naquela ‘roda do hamster’. Se nós não endereçarmos a desigualdade dentro da filantropia estamos simplesmente permitindo que um sistema que não está vendo os desafios do mundo continue, comenta Grace Maingi.

Seja estimulando governos, comunidades ou povos originários, a filantropia mostra seu potencial como ferramenta capaz de gerar transformações sistêmicas. É construindo um modelo de filantropia inclusiva, colaborativa e sensível às realidades locais – temas centrais do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2024 – que, juntos, transformamos realidades e desatamos os nós de desigualdade do mundo.

 

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.

Os nós do S na agenda ESG

Por Gabriel Bianco, gerente de projetos do IDIS

No Brasil, o pilar social (o ‘S’ do ESG) tem ganhado destaque, sendo apontado como prioridade por 72% dos respondentes da pesquisa Panorama ESG 2024, realizada pela Amcham e Humanizadas. A pesquisa abrangeu empresas de médio e grande porte, que juntas somam R$ 756 bilhões em faturamento e empregam 651 mil pessoas, representando 69% da amostra.

Esse foco crescente no pilar social reflete sua importância tanto na mitigação de riscos quanto na criação de vantagens competitivas. Um dos principais componentes dessa agenda é o investimento social privado (ISP), que se revela fundamental para gerar valor e fortalecer os laços com stakeholders. A pesquisa ‘Investimento Social Privado: estratégias que alavancam a Agenda ESG’, conduzida pelo IDIS, reforça essa conexão, ao mostrar que o ISP está entre os dez fatores mais correlacionados com as notas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) de 2022-2024. Esse dado evidencia que empresas com um desempenho sólido em ISP tendem a se destacar no campo da sustentabilidade, especialmente no aspecto social.

Nesse contexto, foi realizado o painel ‘Os nós do S na agenda ESG’ durante o Fórum Brasileiro de Investidores e Filantropos Sociais  2024. O debate abordou temas de relevância para a evolução das práticas sociais nas empresas, contando com a participação de Luciana Morelli, diretora do Office of Equality da Salesforce para América Latina; Liane Freire, fundadora e CEO do Blend Group Brasil; Mônica Gregori, COO do Pacto Global Brasil; e foi moderada por Tarcila Ursini, conselheira de empresas e co-presidente do Sistema B.

 

Veja a sessão completa em:

 

Ursini abriu o debate com a seguinte pergunta aos palestrantes: “Como podemos colocar as pessoas e a sociedade no centro das decisões empresariais? Cada palestrante trouxe sua perspectiva sobre como suas organizações estão enfrentando os desafios sociais e promovendo mudanças estruturais, dentro e fora das empresas, por meio da filantropia corporativa e sua integração na agenda ESG.

Luciana Morelli destacou a importância do programa Pledge 1% da Salesforce – uma empresa líder no setor de tecnologia, especializada em ferramentas de CRM e Cloud. Nesse programa, 1% do lucro, do tempo dos colaboradores e dos produtos e serviços são doados para causas socioambientais. Segundo Luciana, esse compromisso é parte fundamental da cultura organizacional da Salesforce e se reflete em ações concretas como voluntariado e doações. Globalmente, já foram doados 730 milhões de dólares por meio do Pledge 1%, com 19 mil empresas signatárias deste modelo de compromisso criado pela Salesforce. Inspirado no Pledge 1%, o IDIS e o Instituto MOL lançaram recentemente o Compromisso 1%.

No Brasil, em dez anos de operação, a Salesforce já doou mais de 60 mil horas de trabalho voluntário e um volume significativo de recursos financeiros para OSCs, incluindo iniciativas de combate à fome, ações humanitárias, promoção da saúde e reflorestamento. Luciana também destacou a responsabilidade social das empresas de tecnologia frente aos rápidos avanços da Inteligência Artificial:

“Como a gente tem certeza de que estamos usando uma linguagem inclusiva em nossos serviços? Para isso, utilizamos nossos próprios grupos de afinidade com pessoas diversas para nos verificarem a acessibilidade e inclusão. Além disso, como diminuir o desemprego estrutural e a falta de conhecimento de pessoas que estão ficando para trás com os avanços da IA? Estamos em um momento de intensas discussões sobre como avançar com esta tecnologia com um olhar de negócio, mas mantendo práticas responsáveis em relação às questões sociais envolvidas nas consequências da IA”.

Luciana também ressaltou os benefícios de atuar com responsabilidade social, diversidade e uma visão de longo prazo, destacando o potencial de justiça social e redução de desigualdades por meio de ações de Diversidade e Inclusão (D&I). Ela trouxe uma declaração de Marc Benioff, fundador da Salesforce: “A empresa não irá tirar o pé do acelerador em ações de D&I”, enfatizando o compromisso da empresa em seguir firme nessa agenda, mesmo diante de um cenário de cortes em departamentos de D&I no setor de tecnologia.

Como mensagem final, Luciana reforçou que, para destravar os ’nós’ do pilar social na agenda ESG, as empresas devem primeiro entender os impactos negativos gerados internamente – seja nos colaboradores, na sociedade ou no meio ambiente – e, em seguida, desenvolver estratégias baseadas em dados e metas. Ela citou o exemplo do compromisso Pledge 1%, que assegura recursos no médio prazo para ações socioambientais, que devem ser mensuradas e, se necessário, ajustadas ao longo do tempo.

Liane Freire, com sua vasta experiência no desenho de projetos de impacto sistêmico intersetoriais, trouxe ao debate três aspectos fundamentais a serem considerados na agenda social: filantropia, finanças e liderança.

Primeiramente, destacou a natureza do recurso filantrópico e suas características. Liberdade, autonomia e rapidez são vantagens do recurso filantrópico, que pode ser utilizado para enfrentar situações emergenciais, calamidades públicas ou mitigar impactos negativos das operações das empresas. Inovação, propósito e legado também são vistos como diferenciais do ISP, uma vez que sua lógica de aplicação deve dialogar com os objetivos estratégicos da empresa, agendas público-privadas e demonstrar resultados ao avaliar o impacto das ações.

Sobre finanças, Liane ressaltou que as soluções de blended finance (finanças mistas) são essenciais para criar escala e resultados de longo prazo. Essa abordagem combina diferentes formas de capital – como filantrópico e comercial – para alavancar investimentos em causas sociais e ambientais. No Brasil, a necessidade de financiamento de projetos de impacto é grande, e o capital garantidor é um dos principais obstáculos para o avanço dessa agenda. Liane apontou que o recurso filantrópico de bancos de desenvolvimento, como o BNDES, é importante para superar essa barreira. Em relação à liderança, ela destacou:

“Para realizar um projeto de sucesso, o que viabiliza o arranjo de complementariedade de recursos é cada um saber o seu lugar, são pessoas, lideranças, que já enxergam a possibilidade de composição de solução de financiamento com outros atores. E digo mais: o Brasil está liderando a pauta de Blended Finance no mundo”.

Mônica Gregori, por sua vez, destacou o crescimento da rede do Pacto Global no Brasil, que hoje é a segunda maior do mundo, com mais de duas mil empresas signatárias e adesão crescente. Por meio dos quatro pilares de atuação do Pacto Global – direitos humanos, meio ambiente, anticorrupção e trabalho – as empresas podem assumir compromissos públicos e participar de 10 movimentos e plataformas de ação, atuando de forma planejada e colaborativa.

Mônica afirmou a importância de as empresas criarem ações eficazes para atingir as metas socioambientais até 2030, contando com o Pacto Global para orientá-las nesses esforços. Ao ser questionada sobre o maior desafio da agenda social, Mônica respondeu:

“Existem muitos nós ainda na agenda ESG, mas diria que nosso maior desafio hoje é como engajar as cadeias de valor nos mesmos compromissos. As empresas por si só são catalisadoras de mudanças ao engajar parceiros em todos os elos da cadeia produtiva. Eu vejo que existe uma grande inquietação das empresas hoje em aprender juntas sobre melhores práticas e como combinar esforços para avançar.”

Em sua fala final, Mônica enfatizou a necessidade de as empresas atuarem com coerência e consistência ao assumirem compromissos ESG, destacando que esses compromissos devem ser incorporados à estratégia central dos negócios e não apenas tratados como iniciativas secundárias. O Pacto Global oferece ferramentas e capacitações, garantindo que ninguém fique para trás na jornada ESG.

O painel concluiu com uma reflexão sobre os principais desafios que ainda precisam ser superados para que o pilar social da agenda ESG avance de forma eficaz no Brasil. Entre os desafios mencionados, destacaram-se a necessidade de maior engajamento das lideranças empresariais por meio de mecanismos de remuneração para acelerar as metas de sustentabilidade, além do fortalecimento da colaboração entre os setores público, privado e filantrópico. As palestrantes também enfatizaram a importância de continuar inovando e ousando, mesmo em tempos de incerteza, para garantir um futuro mais justo e inclusivo.

 

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.

O poder da tecnologia no terceiro setor: novos caminhos para a transformação social

Por Ana Paula Otani, analista de projetos no IDIS

 

Nos últimos anos, o avanço da inteligência artificial acrescentou novas camadas de complexidade ao cenário tecnológico, transformando a forma como diversos setores e organizações operam. No terceiro setor, não foi diferente. A revolução tecnológica abriu novas oportunidades para potencializar ações filantrópicas e ampliar o impacto de iniciativas sociais, criando espaços para novas reflexões e estratégias.

Esse tema foi discutido por Luana Genot, fundadora do ID_BR; Daniel Paixão, fundador do Hub Periférico; e Beatriz Johannpeter, diretora do Instituto Helda Gerdau, na sessão ‘Tecnologia como Geradora de Transformações Sociais’, mediada por Alex Pinheiro, cofundador e CEO da Ecossistema SQUARE, durante a 13ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais.

 

Veja a sessão completa em:

 

Fundado em 2016, o Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) dedica-se à promoção da equidade racial por meio da implementação de políticas e iniciativas de diversidade e inclusão em empresas, além de ofertar consultoria, treinamentos e desenvolver campanhas focadas no letramento racial e na educação antirracista para instituições públicas, privadas e a sociedade em geral.

Recentemente, com o intuito de ampliar o debate sobre raça e inclusão, a organização lançou a Deb, uma inteligência artificial generativa especialista em inclusão, que permite que qualquer pessoa possa tirar dúvidas sobre a temática a qualquer momento e sem medo de julgamentos.

“Nos últimos anos a gente veio percebendo que muitas pessoas tinham dúvidas muito pessoais [sobre a temática racial], mas nem sempre conseguiam externar isso numa mesa ampla como essa por sentir medo de ser cancelado, de virar chacota, e ter uma exposição negativa. Então, vendo essa possibilidade de escalar esse debate de uma forma personalizada, a gente lançou a Deb”, disse Luana.

Hoje, com mais de 15 mil seguidores no Instagram, a Deb não só ampliou o alcance do debate racial, engajando novas audiências, como também abriu portas para o ID_BR em espaços anteriormente pouco acessíveis.

 “Estive na Patagônia falando sobre a Deb, e estou indo para Tóquio…Com a tecnologia, nós conseguimos chegar em espaços onde, só por sermos enquadrados como ‘diversidade, equidade e inclusão’, a gente não conseguia chegar. A tecnologia tem sido um potencializador para a gente furar a bolha e levar um debate tão importante para o Brasil e para o mundo.”

No entanto, à medida que a tecnologia avança, fica a questão: em que medida essas inovações chegam a territórios vulnerabilizados, onde o acesso à educação e à inclusão digital é limitado? Foi a partir desses questionamentos que Daniel Paixão, um jovem recifense de 23 anos, fundou o Hub Periférico.

“Somos um grupo, um coletivo, uma startup, um ecossistema de pessoas negras e periféricas que unem suas capacidades, suas potencias e talentos para desenvolver tecnologias que impactem nossa realidade, para que juntos possamos criar cada vez mais uma revolução em Pernambuco, no Nordeste, e no Brasil”, conta.

Mesmo estando próximo a um dos maiores parques tecnológicos da América Latina, o Porto Digital, Daniel e seus amigos perceberam que a periferia permanecia à margem dessas oportunidades. Com a união de diferentes personalidades negras e periféricas de Pernambuco, o Hub Periférico vem atuando no incentivo ao desenvolvimento de soluções tecnológicas no Nordeste do Brasil, especialmente no que se refere à inclusão produtiva no setor tecnológico e às mudanças climáticas.

Daniel destacou ainda que o Hub Periférico enxerga a tecnologia de forma ampla, indo além de sua definição tradicional. A organização valoriza e incentiva o desenvolvimento das chamadas tecnologias originárias — soluções inovadoras criadas pelas próprias comunidades, baseadas em suas vivências e necessidades, e que não dependem necessariamente de uma estrutura digital.

Beatriz Johannpeter, diretora do Instituto Helda Gerdau, trouxe para o debate a perspectiva e o papel dos investidores sociais no fortalecimento dessas iniciativas. O instituto tem atuado no apoio a empreendedores periféricos, investindo recursos filantrópicos para impulsionar seus negócios.

Beatriz ressaltou o impacto positivo que a tecnologia pode gerar quando pensada de forma estratégica para o desenvolvimento social, compartilhando sua experiência com o Fundo Regenera RS – fundo filantrópico emergencial lançado para apoiar projetos de reconstrução do Rio Grande do Sul.

“Na época das chuvas, diversos negócios adaptaram suas plataformas de forma imediata para oferecer serviços, inclusive de apoio público como, por exemplo, conectar voluntários a abrigos, e oferecer apoio a saúde mental dos professores. É impressionante como a tecnologia pode ser utilizada em prol do social de tantas maneiras. As oportunidades são imensas, nós temos uma verdadeira mina de ouro à nossa disposição”, falou.

 

Tecnologia e justiça social

A tecnologia tem se mostrado uma ferramenta poderosa para o terceiro setor, no entanto, é importante que essas inovações não fiquem restritas a grupos privilegiados.

“Muitas oportunidades ainda vão surgir com grande potencial de gerar ainda mais inclusão social. Convoco os filantropos a pensarem quais são as inúmeras oportunidades que a gente pode apoiar, com recurso filantrópico, com capacitação, trazendo luz para essas iniciativas”, concluiu Beatriz.

A revolução tecnológica não pode ser apenas sobre avanços técnicos; ela precisa ser sobre pessoas. A tecnologia pode ser a força para a promoção de novos caminhos para a transformação social, mas seu verdadeiro impacto depende de um esforço coletivo. Cabe a cada um de nós – como sociedade, filantropos e líderes – garantir que as inovações tecnológicas não apenas cheguem às comunidades mais vulneráveis, mas também sejam utilizadas para fortalecer seus talentos e vozes. Somente assim, a tecnologia deixará de ser apenas uma ferramenta de inovação para se tornar uma aliada da justiça social.

 

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.

Influência e impacto: o papel estratégico da filantropia familiar

Por Juliana Santos Oliveira, analista de projetos no IDIS

Que a filantropia familiar possui um grande potencial de impacto ao alcançar distintos territórios, operando de forma ágil e desburocratizada, não é segredo. O ponto é que, para além de tudo isso, a filantropia familiar também possui uma capacidade diferenciada de inspirar e mobilizar mais recursos para atender às demandas sociais.

No 13º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais do IDIS, filantropos experientes discutiram o poder da influência da Filantropia Familiar e a sua possibilidade em superar obstáculos complexos – ou, em outras palavras, seu potencial de ’desatar nós‘.

 

Veja também a sessão completa:

 

José Luiz Egydio Setúbal (Presidente e instituidor da Fundação José Luiz Egydio Setúbal) iniciou a discussão destacando que o investimento social é, por natureza, um investimento de risco, que demanda planejamento e ousadia. Nesse sentido, a criação da Fundação que carrega o seu nome foi resultado de sua inquietação com a ausência de uma mobilização social dedicada à promoção do acesso à saúde infantil. Após anos de atuação como médico, José Luiz decidiu adquirir um hospital com o objetivo de destinar parte dos lucros para causas sociais.

“Eu conversei com os meus filhos, que eram adolescentes na época, e falei ‘olha, eu vou pegar uma parte aqui da minha fortuna e vou dedicar para a filantropia’. (…) Foi um investimento de risco: fazer um hospital pediátrico é um investimento de risco. Só que esse hospital deu muito sucesso, esse hospital instituiu a Fundação, foi o capital inicial, e todo o resultado dele vai para o endowment dessa fundação”, conta.

Na sequência, Mariana Moura (Presidente do Conselho de Família da Baterias Moura), apresentou um contraste de trajetórias ao relatar que a criação do Instituto Conceição Moura foi uma forma de consolidar, de maneira estratégica, a prática filantrópica que seus avós iniciaram há mais de três décadas.

Operando há 10 anos com o desenvolvimento de jovens de Belo Jardim, um território de 70 mil habitantes a 180 km de Recife, Mariana destacou a importância de trabalhar junto ao poder local para expansão do impacto – mesmo que este seja um ’nó‘ difícil de desatar como filantropa.

“Temos um trabalho muito próximo à educação do município. Esse é um dos nós, um dos grandes nós (…) Essa proximidade com o poder público tem um poder muito grande de escalar, de gerar impacto, mas também implica em algumas dificuldades ao longo desse caminho”.

Dando continuidade à conversa, Rodrigo Pipponzi (Fundador e Presidente do Conselho do Instituto ACP e Cofundador da MOL Impacto) compartilhou sua jornada de reconhecer os seus privilégios e transformá-los em uma mola propulsora de geração de impacto social positivo, intervindo para reduzir as desigualdades que o inquietavam profundamente.

“Desde cedo eu cresci nesse contexto, de ver uma família prosperando dentro do varejo farmacêutico, mas sempre com uma postura rebelde de que aquilo não me pertencia (…) Muito anos depois eu fui perceber que aquilo era um grande ativo que eu tinha a minha disposição para poder influenciar e de alguma forma de poder promover impacto positivo”, diz.

A partir do engajamento de Rodrigo, a família Pipponzi passou a se engajar com filantropia, culminando na criação do Instituto ACP, que fortalece institucionalmente organizações sociais. Ao unir os esforços da família, da empresa e do Instituto, Rodrigo encontrou uma oportunidade de impulsionar o impacto social.

“A gente começa a entender a força que a gente tem de poder criar pontos, de conectar essa pontas e aí sim começar a pensar em como desatar os nós de forma estrutural, sistemática e não só ficar enxugando gelo (…) Aos poucos a gente vai entendendo como encontrar e como usar todos os capitais que a gente tem”.

Nalva Moura (Líder do Coletivo Pacto das Pretas do Pacto de Promoção da Equidade Racial), mediadora da mesa, reforçou os tópicos apresentados pelos palestrantes, ressaltando que, embora seja desafiador para as organizações acolherem filantropos inseridos em contextos tão distintos, uma vez que esse ‘nó’ é desatado o potencial de alcance e de impacto é ampliado. “Eu tive a oportunidade de receber uma conexão aqui, uma ajuda ali. A filantropia tem esse lugar estratégico”

Durante a interação com o público, lideranças comunitárias presentes no Fórum levantaram questões sobre as relações entre organizações que atuam em comunidades e os filantropos.

Nesse sentido, Rodrigo Pipponzi sugeriu que o primeiro passo para os filantropos é se engajarem efetivamente com organizações situadas em territórios periféricos, oferecendo não apenas recursos financeiros, mas também utilizando o conhecimento local para atender melhor às demandas sociais.

“A gente resolveu apoiar organizações territoriais periféricas e eu costumo dizer que isso mudou completamente a vida da nossa organização (…) Teve uma das organizações que a gente apoiou, o Instituto Baixada Maranhense, que tem uma liderança que é a Diane, (…) [com ela] a gente aprendeu muito sobre como fazer juntos e o primeiro movimento depois de fazer essa parceria foi convidá-la para o nosso Conselho. Diane hoje é conselheira da nossa organização.”

O compromisso de assegurar que os recursos cheguem às organizações locais tem sido uma prioridade do IDIS desde 2018, que junto a Charles Stewart Mott Foundation estruturou um programa de desenvolvimento de Fundações e Institutos Comunitários (FICs) no Brasil. O Programa Transformando Territórios fomenta a criação organizações comunitárias que captam e gerenciam recursos para aquelas que atuam diretamente nas comunidades.

 

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.

Escuta e colaboração: criando mudanças sistêmicas com Cristiane Sultani, Ticiana Rolim e Marlene Engelhorn

Por Joana Noffs, analista de projetos no IDIS

Histórias de vida traçam caminhos que, por meio da experiência, podem nos ajudar a enfrentar desafios coletivos complexos. Quando o assunto é filantropia, um dos nós enfrentados é a concentração de recursos e do poder decisório nas mãos de poucos. Como fazer com que mais vozes sejam ouvidas? Quem doa deve falar sobre a prática da filantropia?

Essas foram algumas das questões que permearam a sessão ‘Em conversa com…’ no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais de 2024. Paula Fabiani, CEO do IDIS, convidou três mulheres cujas práticas filantrópicas têm sido destaques em termos de inovação e colaboração para compartilharem um pouco de suas trajetórias: Cristiane Sultani, fundadora do Instituto Beja; Ticiana Rolim, fundadora e presidente da Somos Um; e Marlene Engelhorn, cofundadora do movimento em prol da taxação de grandes fortunas Taxmenow, que participou por vídeo.

A conversa iniciou com o depoimento de Marlene, que trouxe provocações que ajudaram a delinear a pauta debatida. Herdeira de uma fortuna multimilionária, a jovem austríaca optou por doar a maior porção do dinheiro que recebeu na “loteria do nascimento”. A decisão surgiu após ela se questionar como poderia redistribuir sua herança, uma vez que, de acordo com a legislação de seu país, o montante não foi taxado – o que, em seu ponto de vista, seria, por si só, um modo mais democrático e transparente de proceder. A solução encontrada foi a criação de um conselho participativo de 50 pessoas, escolhidas de modo aleatório e de acordo com critérios de representatividade, que destinou mais de 25 milhões de euros a causas escolhidas em deliberação coletiva.

 

Veja o depoimento completo de Marlene

 

Em sua fala, Marlene ressaltou a necessidade de promover mudanças de longo prazo para que as pessoas beneficiadas por doações deixem de depender dos detentores de poder e riquezas para estabelecer um processo decisório participativo na alocação de recursos.

“Pedir às pessoas que são afetadas pela decisão que eu tomo para que elas próprias tomem a decisão. (…) Nós não temos que permanecer filantropos clássicos. Podemos redistribuir o poder. Podemos recuar como detentores de riqueza, aprender a ouvir e nos tornar um entre muitos, como deveria ser em uma democracia”, afirma.

Reforçando a importância de atuar em conjunto e ouvir diferente atores, Cristiane Sultani contou que, em sua trajetória na filantropia, o encontro com pessoas, a escuta e a colaboração foram aspectos-chave que transformaram sua jornada no setor. Desde que fundou o Instituto Beja, em 2021, tem buscado “filantropar”, como gosta de dizer, de modo estratégico e colaborativo, embora reconheça que nem sempre foi capaz de fazê-lo.

O processo de ouvir as demandas do setor, investigar tendências da filantropia global e se inspirar em casos de sucesso a auxiliou em seu processo. Optei por apoiar o próprio ecossistema da filantropia por uma mudança de mindset”, conta;  

 

Cristiane utiliza também seu tempo, influência e habilidades para apoiar ações de advocacy que favoreçam o ambiente regulatório para a filantropia no Brasil, além de apoiar causas como justiça racial e climática. Ela aponta que a escuta durante a articulação com diferentes atores é um elemento central para o desenvolvimento de confiança. Um exemplo é a proximidade com o setor público.

Para Ticiana, a transição de um cargo na empresa da família para a filantropia foi marcado por um inconformismo sempre presente com em relação às desigualdades sociais e com o lugar que ocupava. Me fiz essa pergunta corajosa: qual o meu papel no mundo? O que fazer com esses privilégios? Como vou ser instrumento? Como vou colocar isso à serviço da sociedade?. Influenciada pelo economista e ganhador do Nobel da Paz, Muhammad Yunus, ela optou pelo empreendedorismo social como forma de combater a pobreza, fundando a Somos Um, uma articuladora de negócios de impacto. A escolha também levou em consideração o potencial de inúmeros projetos já existentes, tendo como foco a colaboração.

“Nada sobre nós sem nós”. Esse é um lema dos movimentos que lutam pelos direitos da pessoa com deficiência, que Ticiana usa para ilustrar a importância de incluir aqueles afetados pelas decisões na co-criação de soluções e na atuação conjunta, visando também o ganho de escala do impacto. “A gente desse lugar de privilégio por vezes chega na periferia, ou em algum trabalho desse, cheio de certezas. E eu hoje digo que é arrogância e ignorância de nossa parte.”

Outro desafio que Ticiana, cearense, se impôs foi, por um lado, trazer o Nordeste para o centro do debate filantrópico e, por outro, trazer o debate sobre uma filantropia sistêmica para o Nordeste.

“Eu entendi que eu posso ser ponte, de inspirar pessoas no Nordeste, que o nível de desigualdade é muito alto, e que elas não estão se perguntando por isso. Elas estão fazendo a caridade que é importante, que é urgente, que é necessária, mas ela não vai resolver o problema social porque não leva justiça social, e aí a gente mantém esse lugar de poder, que não é o ideal, que a gente quer exatamente mudar e deixar as pessoas livres, com poder de escolha”.

Ticiana cofundou o Zunne, que impulsiona negócios de impacto social no Norte e no Nordeste, em conjunto com a TRÊ e a Yunnus Negócios Sociais Brasil.

 

Assista a sessão na íntegra

 

Além de ser fundamental ouvir aqueles afetados pelas decisões, falar sobre filantropia de maneira aberta e acessível também foi um aspecto considerado relevante. Ticiana destaca seu papel em inspirar e mobilizar pessoas ao compartilhar suas experiências e iniciativas. Já Cristiane trouxe a importância de discutir abertamente questões como a equidade racial, promovendo narrativas transparentes para engajar mais pessoas nas causas que abraça. Marlene, assertiva em seus posicionamentos, é uma das figuras que coloca em evidência no debate público críticas aos modelos distributivos que agravam e sustentam desigualdades de renda, mas também ambientais, de gênero e de raça. As histórias das três filantropas evidenciam a necessidade de co-criação, participação e colaboração para produzir mudanças duradouras.

 

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.

Costurando estratégias: dados como matéria prima

Por Ana Beatriz, analista de projetos do IDIS

A produção e o uso de dados são fundamentais para orientar e influenciar boas decisões, ao mesmo tempo em quem representam um enorme desafio, especialmente quando falamos sobre impacto social. Para fomentar esse debate na 13° edição do Fórum e Filantropos e Investidores Sociais, a mesa ‘Costurando estratégias: dados como matéria prima’ moderada por Denise Carvalho, Gerente Sênior de Monitoramento e Avaliação no IDIS, uniu representantes de uma fundação privada, de um fundo socioambiental e de um organismo internacional. Eles relataram suas experiências, compartilharam inovações, e levantaram debates de pontos críticos da área.

 

Veja a sessão completa em:

 

“Os dados quando trazem evidências, e as decisões são tomadas com base na informação, faz uma diferença importante na vida das pessoas”, afirmou Liliana Chopitea, Chefe de Políticas Sociais da UNICEF Brasil, em sua fala inicial. Ao longo de sua participação, ela destaca importância desse debate, reforçando também o poder da atuação da filantropia e do setor privado na geração de evidências e compartilhamento de informações com a sociedade civil e o governo para orientar a tomada de decisões, desmistificando a centralidade do poder público na construção de políticas públicas.

Contribuindo com a perspectiva de uma fundação privado, Uéverson Melato, Business Partner de Investimento Social da Fundação ArcelorMittal, falou sobre a relevância dos dados no momento pré-intervenção para realizar o diagnóstico participativo dos territórios e ampliar o diálogo com a comunidade.

“Em um segundo momento, o monitoramento e a avaliação da intervenção operam como uma estrutura estratégica, além de ser uma ferramenta de projeto, promovendo um alinhamento entre o enfrentamento dos problemas sociais estruturais e a estratégia de negócio”, comenta.

Ampliando a diversidade de funções do uso de dados na transformação social, e evidenciando a importância da geração de evidências, Maria Amália Souza, fundadora e Diretora de Desenvolvimento Estratégico do Fundo Casa Socioambiental, apontou que os dados evidenciaram o nível de impacto de transformação que comunidades tradicionais podem ter na conservação de biomas, atestando a potencialidade do uso de dados na ‘democratização de acesso aos recursos filantrópicos para as comunidades indígenas’.

Os palestrantes também discutiram os desafios na coleta de dados e na geração de evidências, que vão desde questões de acesso, tempo e orçamento até a sensibilidade das temáticas e escolhas metodológicas. Eles destacaram a importância de uma boa comunicação de dados como uma estratégia essencial para a efetiva utilização da informação como orientadora de decisões. Denise contribuiu com essa questão ao aliar comunicação e metodologia: “As metodologias qualitativa e quantitativa juntas possibilita a comunicação e a construção das histórias, o dado quantitativo ele vem para demonstrar a evidência, mas para explicar os ‘comos’ e os porquês a gente precisa do qualitativo”.

Os diferentes atores presentes no painel revelaram a diversidade de oportunidades do uso de dados como matéria prima para a tomada de decisão, bem como a intersecção de diferentes áreas nos benefícios e desafios dessa empreitada. Fica evidente que a geração de informação, quando sucedida por uma comunicação efetiva, é capaz de impulsionar a transformação social e mudar a vida das pessoas.

 

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.

Emergência e Resiliência: filantropia fortalecendo comunidades

Por Beatriz Barros, estagiária de projetos do IDIS

Investimento social é coisa de gente. Prevenção e cuidado também são coisas de gente. O 13º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, com o tema ‘Filantropia Entre Nós’, abordou na mesa ‘Emergência e Resiliência: filantropia fortalecendo comunidades’ a iminente crise climática e sanitária, discutindo como os fundos de emergência e as doações podem amenizar e antever possíveis desastres. A sessão contou com a presença de Giuliana Ortega (diretora de sustentabilidade da RaiaDrograsil), Karine Ruy (coordenadora geral da Fundação Gerações), Marijana Sevic (chefe de parcerias estratégicas internacionais da Charities Aid Foundation) e foi moderada por Vinicius Barrozo (analista de valor social na Globo e responsável pela plataforma de doações Para Quem Doar). 

Veja a sessão completa em:

 

A discussão sobre as recentes ações climáticas e sanitárias, além do crescimento de conflitos armados, evidenciam a urgência da criação de planos, estratégias e investimentos que sirvam para a prevenção de possíveis crises. Karine Ruy exemplificou a atuação da Fundação Gerações, organização participante do Programa Transformando Territórios, nas enchentes do Rio Grande do Sul, com a criação da linha emergencial do Fundo Comunitário Porto de Todos. Ela enfatizou a importância de ouvir as demandas da comunidade para a reconstrução e mitigação de riscos, como diz em sua fala: 

“Nós entendemos que o nosso papel, naquele momento, era de uma organização articuladora, fazendo pontes entre os atores do ecossistema que tinham essa capacidade operacional, mas, principalmente, identificando – a partir de uma escuta muito cuidadosa – quais eram as demandas das comunidades e territórios”, disse. 

Outro ponto relevante foi a atuação da Charities Aid Foundation (CAF) em países como Ucrânia e Marrocos, que enfrentaram emergências distintas: um conflito armado e outro por terremoto. Marijana Sevic comentou sobre a exigência das doações, nesses casos, serem rápidas e atingirem as demandas de forma eficaz e segura, atividade que a CAF tem expertise, atuando em mais de 170 países. 

A pandemia de COVID-19 também foi um dos destaques. Giuliana Ortega compartilhou as ações da RaiaDrogasil, que criou um fundo de investimento em parceria com o IDIS para oferecer infraestrutura a hospitais de pequeno e médio porte durante a pandemia, garantindo que essas estruturas se mantivessem após o fim da crise. A empresa também apoiou a vacinação em massa em municípios por meio do Unidos pela Vacina. Essas ações levaram a RaiaDrogasil a refletir sobre a doação de recursos próprios e a elaborar sua Teoria de Mudança, como destacou Giuliana: 

“A partir de 2021, por política, a gente passa a investir 1% do nosso lucro líquido em ações para a saúde, nas comunidades e na sociedade. […] Então, a gente ganhou esse recurso adicional para pensar e a gente resolveu fazer a nossa Teoria de Mudança porque o recurso estava aumentando. A gente ia canalizar esse esforço e o nosso objetivo principal era a promoção da saúde”.

 

Ainda nessa pauta, Vinicius Barrozo apresentou a plataforma Para Quem Doar, que teve uma relevante função na centralização e direcionamento de doações no período de pandemia e nas enchentes do Rio Grande do Sul. O aplicativo conecta doadores e organizações de forma simples e segura. Para incentivar a cultura da doação, foi anunciada a parceria entre Globo, IDIS e Instituto MOL na campanha do ‘Descubra sua Causa’, um teste inserido na plataforma Para Quem Doar que ajuda o doador a identificar áreas alinhadas com seus valores e convicções.  

No entanto, ainda existem reflexões que permanecem com ‘pontas soltas’ entre alguns nós, como a falta de engajamento em doações e o adiamento do planejamento e criação de linhas emergenciais para crises climáticas e sanitárias. É fundamental incentivar uma cultura de doação que vá além dos desastres; ter uma visão estratégica para o período de reconstrução a médio e longo prazo, quando a comoção inicial diminui e, consequentemente, o investimento; promover a diversificação de investimentos; e destacar o papel crucial da comunicação em emergências, anunciando de forma clara e cativante o propósito da doação. Esses caminhos podem ajudar a desatar algumas resistências e fortalecer propósitos e estratégias.

 

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.

Tecendo respostas coletivas para desafios sistêmicos

Por Vitória Vivian, analista do administrativo-financeiro do IDIS

O mundo está mudando muito rápido, mas os problemas e os ‘nós’ são os mesmos há muitos séculos. Afinal, como podemos finalmente avançar com esses desafios, de maneira coletiva? Esse foi o questionamento central para a construção da sessão ‘Tecendo respostas coletivas para desafios sistêmicos’, realizada durante o 13º Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. 

A mesa contou com a participação de Carla Reis (Chefe do Depto do Complexo Industrial e de Serviços da Saúde da Área de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES); Luiz Edson Feltrim (Superintendente do Instituto Sicoob); e Sylvia Siqueira Campos (Oficial de Programas para Governança na América Latina e Caribe na Open Society Foundation; sob moderação de Carola Matarazzo (Diretora Executiva do Movimento Bem Maior).

 

Veja a sessão completa em:

 

Uma roda de conversa com organizações muito distintas: uma empresa pública federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, uma cooperativa de crédito e uma fundação privada compartilhando suas experiências, novos arranjos e intencionalidades para melhorar a vida das pessoas. Ainda assim, todas muito semelhantes em suas finalidades.

Cada um desses atores possuem um papel relevante na filantropia brasileira e ocupam espaços complementares de atuação. O BNDES contribui para a mobilização de recursos destinados ao terceiro setor e projetos de impacto, como o Programa Juntos pela Saúde, gerido pelo IDIS. A iniciativa apoia e fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS) nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, com financiamento do BNDES e de doadores privados, a partir da metodologia de matchfunding. A abordagem multiplica o financiamento, os impactos e resultados dos projetos, com base nas necessidades locais de saúde, apoiando ações estruturantes que garantem a perenidade dos territórios e oferecem um atendimento de qualidade à população. Segundo Carla Reis, as instituições filantrópicas respondem por cerca de 60% de todo o atendimento da média e alta complexidade no SUS, reforçando o impacto que programas desta magnitude refletem na oferta de saúde de qualidade para todos.

Em consonância, o cooperativismo é sinônimo de construção coletiva, realizada por muitas mãos. No Instituto Sicoob, isso se concretiza a partir de três eixos de atuação: cooperativismo e empreendedorismo, desenvolvimento sustentável e cidadania financeira. As iniciativas promovem o desenvolvimento das comunidades e de lideranças locais, ao mesmo tempo que fortalece boas práticas de atuação, como o Monitoramento e Avaliação, conforme reforçou Luiz Edson Feltrim. “A avaliação qualitativa amplia a possibilidade de investimento nos programas, o que possibilita maior robustez e escalabilidade do programa e da metodologia para que seja aplicado em todo o país”.

Da mesma forma, fundações privadas e organizações da sociedade civil potencializam pessoas, políticas públicas e organizações por onde atuam, como a Open Society Foundations, que defende princípios democráticos, direitos humanos e justiça em mais de 100 países. 

Estabelecer laços de confiança, cooperação e trocas entre esses atores, torna-se fundamental na descolonização da filantropia e para desatar os ‘nós’ que permeiam nosso cotidiano. Como destacou Sylvia Siqueira Campos:

“É preciso ter a sensibilidade de se colocar junto ao outro e saber que o sujeito coletivo, precisa ser maior do que o individual, e que a confiança se costura a partir do respeito, da autonomia das pessoas, dos territórios e da nossa capacidade de ser responsável pelo que faz, independentemente de onde a gente faça”. 

 

Sendo a aliança desses atores uma resposta para nossos desafios sistêmicos, como ressaltou Carola Matarazzo.

“Filantropia é um ato político, por que todas as vezes que a gente coloca recurso público privado, pessoal ou de uma organização a serviço de poder ajudar a encontrar novos caminhos, para soluções de problemas antigos e enraizados ou problemas novos gerados por esse, às vezes são recursos que a gente corre risco, são recursos que são testados e que podem inspirar políticas políticas públicas, e por isso que o recurso filantrópico é tão importante, porque é um recurso que pode usar desse risco que recurso público não pode, que às vezes de crédito não pode, então o recurso filantrópico vem, quem sabe, para costurar esses novos arranjos”.

 

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.

Falta de coletividade: o grande ‘nó’ a ser desatado pela (e na) filantropia

Por Daniel Barretti, gerente de projetos do IDIS

 

“Qual a diferença entre viver em um mundo que é uma bagunça e em um mundo que está bagunçado?”. Foi assim que Philip Yun, head do Global Philantropy Forum, iniciou a mesa de abertura intitulada ‘Filantropia desatando os nós do mundo’, durante o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2024.

 

A ideia é que a sociedade não é uma bagunça em essência, mas sim que a humanidade criou e vive uma grande bagunça planetária. A parte positiva disso é que a bagunça, portanto, é passível de ser arrumada, e a filantropia pode e deve ter uma importante contribuição para isso. Para tanto, ações filantrópicas devem ser ágeis em compreender os atuais desafios e propor soluções para eles na mesma velocidade com que aparecem diante de nós.

Dentre os muitos significados da polissêmica palavra ‘nós’, as falas dos palestrantes apontaram para a ausência de coletividade – talvez o principal desafio com o qual temos de lidar na sociedade contemporânea. Sergio Fausto, Diretor Geral da Fundação Fernando Henrique Cardoso, exemplifica:

“Espaços que deveriam ser plurais e democráticos – a começar pelo nosso congresso – estão longe de serem espaços que privilegiem o debate e o interesse público”.

O ‘nó’ da ausência de coletividade é aquele que implica na falta de diálogo, de pluralidade de pessoas, ideais, habilidades e práticas.

Para Renata Piazzon, Diretora Geral do Instituto Arapyaú, um dos ’nós‘ prioritários a serem desatados na atualidade é o da agenda climática. Entretanto, ele não anda sozinho.

A problemática ambiental está imbricada em uma extrema carência de senso coletivo, onde prevalece o falso dualismo homem-natureza. Segundo a palestrante, a filantropia deve, primeiramente, compreender as questões do clima a partir de uma perspectiva de desenvolvimento integrado onde, por exemplo, ondas de calor, seca e alarmantes focos de incêndio, não sejam uma pauta restrita ao meio ambiente, mas também à agriculta, à saúde pública e à economia. Afinal de contas, é notória a interrelação entre os fenômenos. O cenário de seca severa e de incêndios impacta diretamente na saúde da população, bem como a perda de safras agrícolas. O desdobramento dessa cadeia de causalidade nos leva ainda à elevação de preços dos gêneros alimentícios, à pressão inflacionária e à consequente perda de poder de consumo e empobrecimento da dieta alimentar populacional.

 

Veja a sessão completa em:

 

A filantropia deve promover uma atuação em rede, articulando e mobilizando atores sociais diversos: a conectividade e a coletividade como solução para problemas sistêmicos e complexos. São alguns os exemplos de redes promovidas pelo Instituto Arapyaú: incluem a Coalização Brasil, Clima e Floresta e Agricultura; o MapBiomas; Uma Concertação pela Amazônia, dentre outras.

Se um dos principais ‘nós’ a serem desatados é a ausência de coletividade na sociedade, esse também parece ser um desafio com o qual a própria filantropia precisa lidar.

Cida Bento, co-fundadora e conselheira do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), reforça a importância da coletividade por meio do estabelecimento de redes, mas vai além ao defender uma mudança na estrutura de poder, trazendo mais diversidade e, consequentemente, pluralidade de vozes e interesses para o campo da filantropia. A busca por soluções e as tomadas de decisão carecem da perspectiva daquela parcela da população historicamente marginalizada, que mais sofre com os desafios sociais, econômicos e ambientais da atualidade.

“[Espaços coletivos e plurais] ajudam a tomada de ação mais consciente e consequentemente a gerar um impacto maior”, complementa Sergio Fausto.

Um movimento denominado ‘filantropia baseada na confiança’ caminha nessa direção ao advogar que financiadores devem estabelecer seus relacionamentos com os parceiros beneficiários a partir de um lugar de confiança e colaboração, em vez de conformidade e controle.

 

Repensando o futuro da filantropia

O educador e filósofo Paulo Freire certa vez disse que era por amar as pessoas e o mundo que ele lutava para que a justiça social se implantasse antes da caridade. Não se trata de desmerecer a caridade em si, mas sim de que, ao fomentar a caridade como consequência de uma estrutura de privilégios, corre-se o grande risco de que ela sirva como instrumento de manutenção, e até mesmo de álibi da desigualdade.

A filantropia diferencia-se da caridade justamente pelo seu caráter estratégico, capaz de melhor alocar qualitativa e quantitativamente os recursos oriundos do capital privado para as causas públicas e coletivas. A questão é nos perguntarmos: ela tem sido efetivamente estratégica? Se o grande ‘nó’ da ausência de coletividade, enfatizado pelos palestrantes, está presente tanto nos problemas atuais da sociedade, quanto na forma como as ações filantrópicas têm ocorrido, isso parece indicar que o setor filantrópico corre o risco de estar, ele também, reproduzindo as relações sociais de poder.

Que a harmonia, a reciprocidade, a coletividade e a pluralidade, possam permear um pensar e um fazer filantrópico mais potente para lidar com os desafios atuais, que são regidos por interesses quase que exclusivamente particulares e econômicos.

Quem sabe, ainda, já não é tempo de repensarmos o sujeito da filantropia (àquele do homem branco, dotado de posses financeiras e certo prestígio profissional). Afinal, parece urgente olharmos ao nosso redor e nos perguntarmos: quem tem mais a doar e quem tem mais a receber e aprender no mundo de hoje?

 

Fotos: André Porto e Caio Graça/IDIS.

Veja as fotos da 13° edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

Aconteceu no dia 4 de setembro, em São Paulo, a 13ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. Promovido pelo IDIS , o evento que busca acelerar soluções fomentar a prática de investimento social no país.

As conversas abordaram temas como filantropia emergencial, tecnologia, avaliação de impacto, filantropia familiar, ESG e muito mais, sempre sob a ótica da Filantropia entre nós!

Confira algumas das imagens registradas ao longo do dia:

 

eNTRADA E CREDENCIAMENTO

 

aPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA

Abertura

 

Filantropia desatando os nós do mundo

Assista a sessão completa aqui.

Tecendo respostas coletivas para desafios sistêmicos

Assista a sessão completa aqui.

 

PRÊMIO EMPREENDEDOR SOCIAL: VENCEDORES 2023

Assista a sessão completa aqui.

 

Emergência e resiliência:Filantropia fortalecendo comunidades

Assista a sessão completa aqui.

 

COSTURANDO ESTRATÉGIAS: DADOS COMO MATÉRIA-PRIMA

Assista a sessão completa aqui.

COQUETEL E ALMOÇO TEMÁTICO

 

IDIS 25 ANOS: INVESTIMENTO SOCIAL É COISA DE GENTE!

 

 

EM CONVERSA COM…

 

 

FILANTROPIA FAMILIAR: O PODER DA INFLUÊNCIA

Assista a sessão completa aqui.

 

Tecnologia como geradora de transformações sociais

Assista a sessão completa aqui.

 

COFFEE BREAK

 

Lançamento compromisso 1%

 

OS NÓS DO S NA AGENDA ESG

Assista a sessão completa aqui.

 

ENTRELAÇANDO VIDAS, TECENDO O FUTURO

Assista a sessão completa aqui.

 

realização e apoio

A realização é do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Charities Aid Foundation. Em 2024, tivemos apoio master do Movimento Bem Maior; apoio prata da RD Saúde; e apoio bronze da Fundação Grupo Volkswagen, Fundação Itaú, Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Aegea Saneamento, Instituto Sicoob e Mott Foundation. O UNICEF Brasil foi apoiador institucional do evento e a Alliance magazine foi parceira de mídia.

 

 

Confira os destaques na mídia do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais

No dia 4 de setembro, em São Paulo, ocorreu a 13° edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, evento promovido anualmente pelo IDIS para debater e fomentar a filantropia estratégica no Brasil. Presencialmente, ao longo do dia, houveram 294 convidados e, através da transmissão ao vivo, mais de 1300 pessoas acompanharam o Fórum também.

Com o tema central ‘Filantropia entre nós, o evento contou com 11 sessões e 10 horas de programação, abordando assuntos como situações emergenciais, uso de dados, filantropia familiar, tecnologia, ESG, policrise e muito mais.

Foto: André Porto e Caio Graça

Veja agora os destaques do Fórum na mídia

Desafios da filantropia brasileira

Em matéria publicada no Observatório do Terceiro Setor foram destacadas as falas de diversos palestrantes do Fórum, reforçando a contribuição do evento para a criação de um olhar mais amplo e realista sobre o cenário e os desafios da filantropia no Brasil. Com uma abordagem abrangente e integrada, o evento proporcionou uma plataforma de troca de ideias e experiências, o que contribui para o fortalecimento das redes da filantropia.

“Não é a filantropia que vai salvar o Brasil ou acabar com a desigualdade, é a capacidade de interagir e fazer a interlocução com diversos setores”, José Luiz Egydio Setúbal, fundador da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, durante o painel ‘Filantropia Familiar: o poder da influência’. 

Leia a matéria completa aqui.

 

O potencial da tecnologia

Em matéria, o Jornal do Commercio de Pernambuco destacou as falas de Daniel Paixão, do Hub-Periférico, na sessão ‘Tecnologia como geradora de transformações sociais’. Este momento também contou com a presença de Beatriz Johannpeter, do Instituto Helda Gerdau, Luana Génot, do ID_BR, além da moderação de Alex Pinheiro, da Ecossistema SQUARE.

“O Nordeste, no Brasil, possui diferentes potencialidades tecnológicas e inovadoras que muitas das vezes são invisibilizadas”, Daniel Paixão.

Paixão ressaltou ainda a necessidade do investimento social privado na criação de oportunidades para aqueles que vivem e atuam nos subúrbios. Foto: André Porto

Leia o texto completo aqui.

 

Os nós da desigualdade

O veículo Alma Preta destacou o primeiro painel do evento, que debateu a ‘Filantropia desatando os nós do mundo’, e a participação de Cida Bento, escritora do livro “O pacto da branquitude” e cofundadora e conselheira do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT). O painel contou ainda com a participação de Renata Piazzon, do Instituto Arapyaú, Sérgio Fausto, da Fundação Fernando Henrique Cardoso, e moderação de Philip Yun, do CCWA e do Global Philantropy Forum.

Trazendo os ‘nós’ como as causas sociais interconectadas, os painelistas debateram e refletiram sobre as desigualdades presentes no Brasil e o potencial da filantropia atuar na dissolução desses nós. Cida destacou a importância da filantropia dialogar com as diferentes realidades do Brasil e atuar de maneira efetiva na redução das desigualdades, sobretudo a racial.

“Nós precisamos que as pessoas negras sejam parte, não só de quem vai receber o apoio dos projetos, mas também de quem pensa em que direção temos que ir”, Cida Bento.

Confira a matéria na íntegra aqui.

 

Entidades filantrópicas e o SUS

A revista Veja trouxe destaque para as falas de Carla Reis, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e responsável pelo Juntos Pela Saúde, durante a sessão ‘Tecendo respostas coletivas para desafios sistêmicos‘. Carla afirmou que cerca de 60% dos atendimentos em alta e média complexidade do SUS são realizados por organizações filantrópicas.

Gerido pelo IDIS, o Juntos pela Saúde alocará aproximadamente R$ 200 milhões em projetos de saúde ao longo de quatro anos, numa lógica em que, a cada R$1 doado por apoiadores, o BNDES adiciona mais um real, alavancando não apenas recursos, mas também o potencial de impacto.

Veja mais detalhes aqui.

Da esquerda para direita: Carla Reis, do BNDES, Luiz Edson Feltrim, do Instituto Sicoob, Sylvia Siqueira, da Open Society Foundations, e Carola Matarazzo, do Movimento Bem Maior. Foto: André Porto

 

Participação da FEAV no Fórum

A Folha de Valinhos fez menção a participação da FEAV (Fórum das Entidades Assistenciais de Valinhos) no Fórum, através da presidente Eliane Macari, que foi anfitriã de mesa durante o almoço temático do evento. Ao lado de Jair Resende, da Fundação FEAC de Campinas, Eliane fez parte da mesa “Laços territoriais e comunitários: relatos de impacto”.

FEAV e FEAC são organizações integrantes do programa Transformando Territórios, iniciativa do IDIS com a Charles Stewart Mott Foundation que fomenta institutos e fundações comunitárias em todo o Brasil.

Leia a matéria completa aqui.

 

Um lugar de diálogo

A Folha de São Paulo destacou toda a programação do Fórum e reforçou a importância do evento como um lugar de discussão dos desafios e perspectivas para filantropia global.

“Há 13 anos, este é um espaço ímpar de troca entre os pares no setor filantrópico brasileiro. É uma excelente oportunidade para nos encontrarmos, discutirmos e refletirmos sobre a filantropia de que precisamos para impactar positivamente o mundo em que vivemos”, Paula Fabiani, CEO do IDIS, em entrevista para o veículo.

Veja o texto na íntegra aqui.

Foto: André Porto

 

Destaque internacional

A Alliance magazine, uma das mais importantes revistas de filantropia do mundo e parceira de mídia do Fórum em 2024, destacou algumas das conversas realizadas no evento. O artigo ‘Brazil Philanthropy Forum 2024: untangling the knots of a complex world’, escrito por Kit Muirhead, destaca a discussão da mesa de abertura do evento.

A revista também reproduziu quatro textos de pessoas da equipe IDIS: ‘Falta de coletividade: o grande ‘nó’ a ser desatado pela (e na) filantropia’, de Daniel Barretti, gerente de projetos; ‘Emergência e resiliência: filantropia fortalecendo comunidades’, escrito por Beatriz Barros, estagiária de projetos; ‘Escuta e colaboração: criando mudanças sistêmicas’, feito por Joana Noffs, analista de projetos; e ‘Entrelaçando vidas, tecendo o futuro’, de Aline Herrera, analista de projetos. 

 

FÓRUM BRASILEIRO DE FILANTROPOS E INVESTIDORES SOCIAIS

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.500 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em nosso canal do YouTube estão disponíveis listas com as gravações de todas as edições. Confira!

REALIZAÇÃO E APOIO

A realização é do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Charities Aid Foundation. Em 2024, tivemos apoio master do Movimento Bem Maior; apoio prata da RD Saúde; e apoio bronze da Fundação Grupo Volkswagen, Fundação Itaú, Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Aegea Saneamento, Instituto Sicoob e Mott Foundation. O UNICEF Brasil foi apoiador institucional do evento e a Alliance magazine foi parceira de mídia.

Estratégias de Grantmaking: qual a mais adequada para minha organização?

Por Aline Herrera e Luiza Helena Cordeiro, ambas da área de Gestão da Doação do IDIS

O grantmaking é uma prática filantrópica que vem ganhando força entre os investidores sociais brasileiros. A alternativa garante uma maior descentralização de recursos, em termos sociais, geográficos e de causas, embora também permita o desenho de recortes específicos que respondam à estratégia e aos temas prioritários do investidor. As estratégias de grantmaking consistem em distribuir um montante de recursos (principalmente financeiros, mas também técnicos e políticos) entre uma ou mais organizações, em vez de utilizá-los para projetos próprios. A ideia é confiar na expertise e legitimidade da ponta, ou seja, das organizações destinatárias para alcançar o impacto desejado. 

O ponto de partida para essa modalidade é entender a causa e/ou o território a ser contemplado, a partir de uma análise estratégica que considere os interesses e as possibilidades do doador, bem como as demandas locais. Além disso, o grantmaking é um instrumento que estimula o fortalecimento da sociedade civil organizada e pode até mesmo ser uma ferramenta de aprimoramento para as organizações participantes.

Há diversos caminhos para o financiamento de iniciativas e organizações pela modalidade de grantmaking. Neste texto abordaremos três alternativas mais usuais e conhecidas pelos investidores sociais. 

Edital

O Edital é um instrumento de seleção de ampla concorrência, que estabelece publicamente um conjunto de regras, critérios e condições para as organizações proponentes. Essa modalidade possibilita ao investidor um processo seletivo mais aberto e com ampla participação, que geralmente está associado com um esforço de divulgação

A seleção dos projetos é regulamentada por um conjunto de documentos, incluindo o termo de doação, o formulário de inscrição, e outros instrumentos que possam ser requeridos pelo doador, como modelos de cronograma de projeto, orçamento e quadro estratégico, além do regulamento. O regulamento é o documento central, que contém seções relacionadas à informações gerais do processo de seleção, como público alvo, período de inscrições e de divulgação dos resultados do edital, verba destinada e número de contemplados, além de outras informações como detalhamento das etapas e regras de participação e avaliação. Isso amplia as possibilidades de inscrição de organizações.

É desejável que, de largada, um edital já conte com uma matriz de critérios bem delimitada, ou seja, que seja capaz de filtrar e avaliar os projetos de maneira objetiva possibilitando análises mais assertivas e alinhamento prático com os objetivos do edital. Uma boa matriz de critérios também é integrada com o formulário de inscrição, refletindo automaticamente os pontos estabelecidos.

A principal característica diferenciadora do Edital em relação a outras modalidades é o caráter mais isonômico e transparente do processo. Isso estimula um método de concorrência em que as proponentes se inscrevem e são avaliadas de maneira imparcial. No geral, essa modalidade é indicada para cenários em que a causa (ou as causas) apoiadas tenham um grande leque de organizações atuantes e aptas, seja pela atuação na temática ou pela capacidade institucional para executar o tipo de projeto desejado. Também é recomendada para situações em que os recursos provêm de fontes públicas, como governos ou crowdfunding (iniciativas de financiamento coletivo) – casos em que caráter democrático e a transparência devem ser ainda maiores. 

É importante em um edital que os critérios de seleção e de eliminação estejam claramente definidos no regulamento, garantindo a máxima lisura do processo e preservando a integridade do doador e da organização apoiada. Para proteger o doador e garantir a potencialização do recurso, as organizações inscritas também precisam passar por um processo de compliance, que consiste na verificação de regularidade documental, institucional e midiática para mitigar riscos da doação e garantir sua legitimidade perante o poder público e a sociedade civil. Outra prática recomendável é a realização de entrevistas com as organizações finalistas para esclarecimento de dúvidas e estreitamento das relações entre doador/organizador e as organizações beneficiadas, conferindo maior materialidade para os projetos a serem apoiados.

De todas as modalidades, o Edital é o que dá maior ênfase ao processo de seleção. Sua estrutura documental é orientada para essa fase, estabelecendo diretrizes e instrumentos de avaliação para escolha das organizações e iniciativas inscritas e garantindo que, ao final do processo, os resultados sejam públicos.

Alguns exemplos de editais bem sucedidos são o Edital Educação com Cidadania, que está em sua quarta edição, do Instituto Chamex; e o Edital da Água, do Instituto Mosaic, ambos realizados com o apoio técnico do IDIS. Apesar de terem diferentes escopos e objetivos, ambas seleções prezam pelas mesmas etapas acima descritas, garantindo um processo aberto e transparente.

 

Carta Convite

Outra prática utilizada para o financiamento por grantmaking é a carta convite. Esta ferramenta é indicada principalmente em situações em que há uma demanda por projetos com alta especificidade, quando o doador já possui um conhecimento prévio das organizações e iniciativas que se enquadram na temática desejada, ou quando há um número reduzido de organizações aptas a atingir os objetivos do doador. Quando o doador já tem um rol de organizações em mente, mas possui recursos limitados e dúvidas sobre qual apoiar, a carta convite também pode servir como uma ferramenta de concorrência para auxiliar na decisão

Na carta convite, o doador assume uma postura ativa no mapeamento de organizações. Assim como no Edital, os proponentes passam por um processo de compliance prévio, garantindo que todas as organizações previamente mapeadas estejam aptas para o aporte.

Uma vez convidada, a organização deve submeter um projeto que atenda os moldes, condições e objetivos estabelecidos na Carta Convite, que atua de forma correspondente a um regulamento. A principal diferença dessa modalidade em relação ao edital é o caráter prospectivo do doador, que seleciona um número limitado de projetos ou iniciativas para escolha. Não à toa, essa prática também é comum para grandes grantmakers que são recorrentemente acionados com propostas em um volume maior do que conseguem processar, optando por prospectar ativamente organizações que se destacam.

 

Seleção Direta

A terceira ferramenta é a modalidade de seleção direta. Diferentemente das anteriores, esta contém uma escolha de financiamento mais simplificada, como já indica o próprio nome. Aqui, o processo de seleção é completamente internalizado. O doador realiza um mapeamento prévio de organizações e iniciativas que, após a aprovação das mesmas no processo de compliance, recebem o aporte por repasse direto – se assim desejar..

Essa forma de repasse, além de ser mais ágil, também cria um processo mais particularizado para o doador. Ela pode servir como um meio para a co-construção de um projeto customizado para os interesses do doador e da organização apoiada. Nesta modalidade, o grantmaker pode associar mais livremente o aporte a possíveis encargos, ou seja, estabelecer condições e contrapartidas, ou optar por não fazê-lo. 

Da mesma forma, sendo o grantmaking uma via de mão dupla, as organizações convocadas podem negociar os termos de apoio recebido, ou, em última instância, rejeitar a proposta, considerando seus próprios valores e necessidades.

 

Além do financeiro: como o grantmaking pode apoiar o trabalho das organizações?

Neste ponto, está claro que um dos grandes diferenciais do grantmaking é justamente a sua capacidade de abrangência para além das estratégias de repasse, possibilitando um investimento social privado que mobilize e transforme o desenvolvimento do campo. 

É importante frisar que o repasse de recursos não se limita a recursos financeiros, uma vez que há possibilidade de utilizar-se de instrumentos de capacitação e apoio técnico durante a vigência do aporte, a fim de assegurar mudanças e fortalecer as bases institucionais das organizações beneficiárias. O apoio técnico proporcionado pelo investidor confere um caráter diferenciado em financiamento, tornando o investimento social mais robusto e sofisticado.

Uma prática consolidada no uso de instrumentos técnicos para a estruturação de bases institucionais e a atuação de projeto é a capacitação para construção de uma Teoria da Mudança (TdM). A Teoria da Mudança é uma ferramenta de planejamento utilizado que visa definir o impacto desejado, estabelecendo o ‘como’ e o ‘porquê’ por meio de tópicos estruturais como objetivos e impactos a longo prazo. Além disso, a TdM delineia espaços de atuação, estabelecendo eixos que fornecem insumos para traçar os resultados desejados e, por consequência, as atividades que deverão ser realizadas para alcançá-los.

Essa estrutura, muito utilizada, capacita com clareza o direcionamento de um projeto, norteando ações a curto, médio e longo prazo. Ela define indicadores mensuráveis de acompanhamento para cada eixo ou resultados esperados, possibilitando um monitoramento próximo do progresso e fornecendo apoio constante para as organizações, caso necessário, para potencializar ações ou recalcular a rota. Esta qualidade modifica a visão do investimento social e consegue aproximar tanto o olhar do investidor quanto da organização à mudança de realidade que está sendo gerada na sociedade.

Ainda no âmbito de monitoramento, outra prática a ser estimulada por meio do grantmaking é a filantropia por confiança (Trusted Based Philanthropy). Esse modelo, que vem crescendo globalmente, enfatiza o investimento com maior flexibilidade e confiança no trabalho das organizações de ponta. O Trusted Based Philanthropy possibilita uma aproximação maior entre doador e organização beneficiária, promovendo uma relação aberta para feedbacks, trocas e ajustes nas ações do projeto. 

Dessa maneira, o monitoramento se torna um ponto de apoio entre o beneficiário e o investidor, fortalecendo a relação por meio de práticas como a prestação de contas e realização de relatórios, bases para a garantia da confiança e transparência. A prestação de contas para além de uma boa prática de confiança, também é um mecanismo facilitador de governança, aprimorando o relacionamento entre implementadores e financiadores.

 

Qual modalidade escolher?

Não há uma ‘receita de bolo’ para determinar qual estratégia de aporte é mais adequada; essa decisão depende intrinsecamente da disposição, recursos e objetivos do doador.

Como mencionado, os editais são a modalidade mais comum e abrangem um público mais amplo. No entanto, essa prática pode ser excessivamente objetiva, o que tende a reproduzir vieses (conscientes e inconscientes) e impossibilita o doador olhar para particularidades que possam envolver determinados grupos de organizações proponentes.

Por outro lado, as estratégias de seleção direta e carta convite podem se limitar a círculos já conhecidos e não serem efetivas em promover uma descentralização de recursos. O Guia das periferias para doadores, publicação do Instituto PIPA, aborda como públicos como as periferias podem ter dificuldades de acesso aos recursos de grantmaking por meio dessas modalidades:

“Sabemos que os editais não são a única forma de ‘chegar ao dinheiro’, mas essa forma permanece sendo a mais próxima da realidade das periferias. Tendo em vista que, ainda, estamos falando de um cenário com grande centralização de recursos, que acabam circulando entre as mesmas organizações e não chegam à ponta. Mesmo assim, as periferias ainda são as principais responsáveis por assegurar a própria existência. A quem deve servir os recursos senão aqueles que fazem a realidade acontecer? Quem está olhando para isso quando o problema transborda? 

Reforçamos que, mesmo não sendo o cenário ideal, a forma mais habitual dessas organizações acessarem os financiamentos para além dos recursos próprios, são os editais. Do mapeamento apenas 18% continham editais como forma de investimento para a execução de projetos, destes, 10% contemplam as organizações periféricas, contra 8% que não incluem a periferia como parte do seu público-alvo. Ainda assim, cabe destacar que a periferia é apenas um, dentre outros públicos, que são contemplados pelo recurso dos editais. Se os editais são fontes de recurso tão necessárias para as periferias porque há tão poucas organizações adotando este método de financiamento?”

O processo de grantmaking é multifacetado e interdisciplinar, além de precisar estar alinhado com seu contexto a nível interno (necessidades do doador) e externo (necessidades do campo). 

O IDIS conta com um time de consultores especialistas em formas de grantmaking para apoiá-lo nessa decisão. Confira nossos cases e entre em contato em comunicacao@idis.org.br

O que falta para o brasileiro enxergar a doação para além de uma resposta a crises?

Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo em 04/09/2024

Por Paula Fabiani, CEO do IDIS, e Luisa Lima, gerente de comunicação e conhecimento do IDIS

Altruísmo significa amor espontâneo pelo próximo. Em termos mais amplos, refere-se à capacidade de se dedicar a algo ou alguém sem esperar nada em troca, movido pela compaixão por uma causa ou situação. No fundo, quando falamos de altruísmo, estamos falando também de doação.

No Brasil, o ato de doar é difundido e socialmente reconhecido, especialmente em momentos de emergência, como vimos recentemente nas enchentes no Rio Grande do Sul. No entanto, ainda enfrentamos barreiras, como a desconfiança do doador em relação ao destino da doação e até mesmo a falta de identificação com certas causas e tipos de organizações.

O que falta para que o brasileiro comece a enxergar a doação não apenas como uma resposta a crises, mas como um caminho para uma sociedade mais justa, equânime e altruísta?

O recém-lançado World Giving Index 2024, uma das maiores pesquisas sobre doação já produzidas, com milhões de pessoas entrevistadas em todo o mundo desde 2009, revela um cenário que, a princípio, pode parecer animador, mas mostra que ainda temos uma longa estrada a percorrer no que diz respeito à generosidade.

Nesta edição, WGI incluiu dados de 142 países. Participantes da pesquisa foram questionados se realizaram, no último mês, três tipos de ações: ajuda a um desconhecido, doação em dinheiro a uma organização social ou prática de voluntariado.

O Brasil subiu três posições em relação ao ano anterior e agora ocupa o 86º lugar no ranking. O relatório aponta uma leve melhora de 3 pontos percentuais no dinheiro doado a ONGs. Ajudar pessoas desconhecidas continua sendo o comportamento predominante, praticado por 65% dos entrevistados.

O levantamento, realizado entre setembro e novembro de 2023, não contabiliza doações realizadas em decorrência da tragédia climática no Rio Grande do Sul.

No ano de 2022, em um país ainda comovido pela pandemia de Covid-19, ficamos entre os 20 países mais solidários do mundo. À época, o estudo destacou que 3 em cada 4 brasileiros ajudaram um estranho.

Contudo, de lá para cá, caímos mais de 60 posições no ranking. Olhando dessa forma, parece um resultado desalentador. Mas, em termos de pontuação, foi o segundo melhor resultado absoluto que atingimos desde 2009.

A pesquisa nos apresenta também parâmetros mundiais inspiradores para o Brasil. Nos últimos dois anos, muitos países registraram crescimentos significativos em seus níveis de generosidade. A Indonésia, pelo sétimo ano consecutivo, é o país mais generoso do mundo, com 90% da população doando dinheiro para ONGs e 65% destinando seu tempo a ações de voluntariado.

Curiosamente, entre os dez países que lideram o ranking de generosidade, apenas duas estão entre as maiores economias do mundo (Indonésia e Estados Unidos), enquanto a Gâmbia, um dos países mais pobres do mundo, ocupa o quarto lugar.

Políticas públicas voltadas ao incentivo à filantropia, como incentivos fiscais, matching de doações individuais e benefícios para a prática de voluntariado corporativo, têm mostrado resultados positivos em Singapura e podem servir de exemplo para o Brasil.

O potencial do doador do brasileiro em situações críticas e emergenciais é inquestionável. No entanto, para fortalecer a generosidade e a cultura de doação no país, é essencial que a prática de doação se torne regular.

É preciso transformar o ato de doar em uma expressão contínua de cidadania e compromisso, capaz de gerar impactos socioambientais positivos e duradouros em nossa sociedade. O verdadeiro altruísmo se manifesta quando a doação transcende o imediato e se torna parte do cotidiano.

IDIS e Fundação FEAC realizam Feira de Governança em Campinas

Em agosto, a equipe do IDIS realizou em Campinas uma Feira de Governança, como parte da consultoria desenvolvida para a Fundação FEAC. O objetivo do projeto é formar conselheiros e dirigentes voluntários para atuar nas Organizações da Sociedade Civil (OSCs) da região.

A primeira etapa envolveu a realização de capacitações sobre o universo da governança para pessoas interessadas. Em seguida, aconteceu a fase de matching, na qual cada interessado foi designado para as organizações com as quais tinha maior sintonia, com base em uma metodologia desenvolvida pela nossa equipe.

A Feira de Governança foi o momento em que esses potenciais voluntários e representantes das OSCs se encontraram pela primeira vez para discutir futuras parcerias. Foram cerca de 90 pessoas presentes e 17 OSCs recrutando voluntários para compor suas governanças.

“Mais do que as 8 horas de capacitações oferecidas, a construção do algoritmo de matching e a organização do espaço, o que verdadeiramente faz a diferença nesses momentos é o contato humano, a troca de experiências e o compartilhamento de propósitos”, comenta Felipe Groba, gerente de projetos do IDIS e líder da consultoria realizada.

“[Esse projeto] foi um jeito de potencializar e mostrar para a gente o quanto que o terceiro setor é ativo na cidade e o quanto Campinas tem potencial de gerar ainda mais impacto”, diz participante do projeto que estava presente na Feira de Governança.

Conheça mais sobre os serviços do IDIS.

Tese de doutorado de Paula Fabiani sobre filantropia corporativa estratégica está disponível

Paula Fabiani, CEO do IDIS, concluiu recentemente seu Doutorado. Ela pesquisou sobre a Cadeia de Doação Corporativa e seu potencial no aprimoramento da filantropia corporativa estratégica.

Ela obteve seu doutorado em Gestão de Operações e Sustentabilidade na Fundação Getúlio Vargas (FGV) / Escola de Administração de Empresas de São Paulo.

“A academia tem poder de transformação. A partir do rigor científico, que confere credibilidade ao mundo acadêmico, pesquisas e publicações tem o potencial de contribuir para a construção de um mundo melhor. Este é justamente um dos meus compromissos: buscar sempre o aprofundamento de questões que possam ser contributivas para a nossa sociedade […] A partir do olhar sobre o engajamento dos stakeholders (partes interessadas), busquei contribuir para que as corporações adotem uma abordagem mais estratégica em suas atividades filantrópicas”, diz Paula.

A tese completa está disponível para consulta aqui (disponível apenas em inglês).

IDIS promove encontro com ex-colaboradores como parte da campanha de 25 anos

No mês de agosto, o IDIS promoveu um encontro especial com ex-colaboradores que passaram pela Instituição ao longo dos anos. Além dos momentos de interação, o reencontro contou com um passeio pelo passado da organização, e apresentação de um panorama do que está acontecendo no presente – com destaque para a campanha de 25 anos, o Fundo de Fomento à Filantropia e as atividades realizadas em nossos três pilares: consultoria, impacto e conhecimento.

Além dos ex-colaboradores, estiveram presentes Paula Fabiani, CEO do IDIS, Dr. Marcos Kisil, fundador do IDIS, e alguns membros da equipe atual.

“Sou pessoalmente muito grata a todas as pessoas que passaram pelo IDIS ao longo destes anos, seja antes ou durante o meu período aqui, ajudando a construí-lo e transformá-lo no que é hoje”, comenta Paula.

O encontro foi mais uma etapa da campanha comemorativa de 25 anos, ‘Investimento Social é Coisa de Gente’, celebrando não apenas a história do IDIS, mas, principalmente, as pessoas que a ajudaram a construir e que continuam a construir conosco.

“É uma organização privilegiada no fator humano. Todo mundo que passa por aqui realmente se torna um ser humano melhor. Tenho muita gratidão por toda essa história do IDIS e, hoje, muito orgulho de ver como o IDIS tem ajudado tantas pessoas e organizações na construção de uma sociedade mais justa, harmoniosa e sustentável por meio da prática do investimento social privado”, diz Carla Duprat, ex-colaboradora do IDIS e atual diretora executiva do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE).

Fundos filantrópicos: o que são, tipos e como diferenciá-los

Por Letícia dos Santos, analista de projetos no IDIS

O esforço por um ambiente cultural, social e institucionalmente mais propício e fértil à filantropia passa pela criação de estruturas e mecanismos que deem vazão ao capital filantrópico, respondendo às motivações e objetivos do investidor social, enquanto fortalecem causas e organizações de interesse público.

Esse é o caso dos fundos filantrópicos, instrumentos de captação e distribuição de recursos que têm se tornado cada vez mais uma alternativa para empresas, sociedade civil e instituições públicas que procuram atuar de forma rápida e robusta para minimizar danos em emergências, unir esforços e visibilizar pautas sociais, ou garantir sustentabilidade de instituições e causas de forma perene.

Os fundos filantrópicos são criados para receber doações, que podem vir de diferentes fontes, destinadas a sustentar causas ou organizações específicas. O princípio básico dos fundos filantrópicos é garantir, por um lado, confiança no processo de gestão e alocação dos recursos e, por outro, criar, fortalecer ou diversificar fontes de recursos para fins socioambientais. Apesar dessa premissa geral, eles podem assumir distintos formatos e funcionamentos, dependendo dos seus objetivos, o que pode dificultar o entendimento do que, afinal, seria um fundo filantrópico e seus diferentes tipos.

Neste artigo propomos a classificação dos fundos filantrópicos com base em sua temporalidade, dividindo-os em três tipos: fundos temporários, fundos permanentes ou contínuos e fundos patrimoniais ou perenes. 

Fundos temporários

 

Os fundos temporários, em geral, surgem para responder a questões socioambientais urgentes. Planejados para atuar por um prazo determinado, esses fundos visam atender a demandas emergenciais e costumam operar como instrumentos para captação ampla de recursos, a fim de prover uma resposta imediata e volumosa. Os instituidores deste tipo de fundo nem sempre têm ligação direta com a causa a instituição apoiada, mas possuem força de liderança e grande capacidade de mobilização.

São exemplos de fundos temporários aqueles criados durante o período de pandemia de Covid-19, como o Fundo Emergencial para a Saúde. Esta iniciativa do IDIS, BSocial e Movimento Bem Maior, instituída em 2020, visava fortalecer o sistema público de saúde no combate ao coronavírus. Em sete meses, o fundo arrecadou R$ 40,4 milhões, destinados à compra de equipamentos hospitalares, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para profissionais da saúde, medicamentos e testes para diagnóstico da Covid-19. (Para saber mais: Como Criar um Fundo Emergencial: A Experiência e os Resultados do Fundo Emergencial para a Saúde na Pandemia de Covid-19 no Brasil).

Os fundos temporários também têm sido utilizados para minimizar impactos negativos causados por emergências climáticas. Exemplos incluem fundos criados para apoiar comunidades do Rio Grande do Sul atingidas pelas fortes chuvas em maio de 2024, ou para apoiar a reestruturação dessas comunidades, como o fundo RegeneraRS, idealizado pelo Instituto Helda Gerdau, em parceria com a Din4mo Lab. Apesar de seu caráter temporário, o RegeneraRS visa apoiar o desenvolvimento de soluções de longo prazo para o fortalecimento local.

Outro exemplo é o Juntos Pela Saúde, uma iniciativa do BNDES gerida pelo IDIS, com perspectiva de arrecadação e distribuição de R$ 200 milhões até 2026. O fundo atua para ampliar o acesso à saúde em regiões do norte e nordeste do país por meio de editais e fomentos estruturados. Para tanto, opera no sistema de matchfunding, em que a cada real aportado por uma instituição apoiadora, o BNDES contribui com outro real destinado ao fundo.

 

Fundos permanentes ou contínuos

 

O segundo grupo de fundos são os permanentes, que buscam visibilizar e fortalecer uma causa ou uma instituição de forma contínua. Instituidores deste tipo de fundo tendem a ser mais próximos ou alinhados à causa de atuação. Embora essas causas possam ser tão complexas quanto aquelas que motivam os fundos temporários, elas são vistas como menos emergenciais. Exemplos incluem pautas equitativas ou igualitárias, democráticas e de preservação ambiental.

Os fundos permanentes ou contínuos são instrumentos aliados na mobilização de um grande número de financiadores e de organizações (juridicamente formalizadas ou não, como, por exemplo, movimentos sociais e coletivos) em torno da promoção de causas. O Elas+ Doar para Transformar, o Fundo Agbara e o Pacto pela Democracia são exemplos de fundos de iniciativa da sociedade civil voltados para justiça social que atuam neste modelo.

Já no âmbito da iniciativa de investimento social empresarial, o Fundo de Investimento Social Privado pelo Fim das Violências Contra Mulheres e Meninas, do Instituto Avon, em colaboração com a Accor, representa a transição de um fundo que foi concebido inicialmente como temporário durante a pandemia de Covid-19 – quando a violência doméstica contra meninas e mulheres aumentou – e tornou-se permanente. O fundo se tornou um instrumento estratégico do Instituto devido ao seu alinhamento com a causa da defesa de direitos fundamentais das mulheres. (Veja mais em: Cases IDIS – Instituto Avon)

Tanto nos fundos temporários, quanto nos fundos permanentes, os recursos que os compõem são totalmente distribuídos para as suas finalidades filantrópicas, por meio de um fluxo constante de gestão financeira e programática, com o objetivo de garantir a destinação total dos recursos captados.

 

Fundos patrimoniais filantrópicos

 

Por sua vez, os fundos patrimoniais filantrópicos são instrumentos voltados à promoção de sustentabilidade de longo prazo para causas ou instituições apoiadas. Diferentemente dos fundos temporários e permanentes, o seu funcionamento não é amparado na utilização dos recursos captados, mas na gestão desses recursos para a geração de rendimentos – esses sim destinados à atuação filantrópica do fundo. O objetivo é garantir a preservação do patrimônio acumulado e permitir resgates periódicos para o apoio de causas ou instituições de interesse público.

No Brasil, esse mecanismo ganhou força sobretudo a partir de 2019, com a promulgação da Lei dos Fundos Patrimoniais (Lei nº 13.800/2019) que, além de criar um ambiente institucional e seguro para sua operação, trouxe visibilidade para temática e sua importância. Além disso, regulou a parceria entre organizações gestoras de fundos patrimoniais (OGFPs) e instituições apoiadas, que podem ser públicas ou privadas.

Grandes fundos patrimoniais brasileiros antecedem a criação da lei, como os fundos da Fundação Bradesco e da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Esses fundos, criados com o objetivo de constituir o legado de investidores sociais privados, possuem mais de 50 anos de história.

A promoção de maior independência e estabilidade operacional das organizações no longo prazo também estão dentre os motivos que levam à constituição de fundos patrimoniais, como o caso do Fundo de Fomento à Filantropia, criado pelo IDIS para ampliar o impacto da filantropia estratégica e, assim, promover mais transformações sociais positivas.

No caso de instituições públicas, muitas das maiores universidades estaduais e federais brasileiras têm constituído seus fundos patrimoniais com o objetivo de promover maior excelência no ensino, por meio da realização de projetos de extensão universitária, apoio à permanência estudantil e outras iniciativas, como é o caso do Fundo Patrimonial da USP.

Conheça mais sobre fundos patrimoniais filantrópicos.

Embora os fundos filantrópicos possam ser divididos em grupos, na prática, muitas organizações utilizam uma combinação de fundos permanentes e perenes para seus projetos e finalidades operacionais, enquanto fundos temporários podem, eventualmente, se transformar em permanentes ou perenes.

Assim, o primeiro ponto a ser definido na estruturação de um fundo é o seu propósito: o que se pretende alcançar com os recursos mobilizados? A partir dessa definição, é possível traçar as possibilidades de gestão e destinação desses recursos para atingir a finalidade filantrópica desejada, compreendendo as origens dos recursos e os stakeholders envolvidos nesse arranjo.

 

Níveis recordes de generosidade global: Brasil ocupa a 86ª posição, com Indonésia liderando o ranking

Em todo o mundo, um recorde de 4,3 bilhões de pessoas ajudaram alguém que não conheciam, ofereceram tempo ou doaram dinheiro para uma ONG no mês anterior, de acordo com o World Giving Index 2024. Indonésia, Quênia e Singapura lideram o ranking.

O país mais generoso do mundo é a Indonésia pelo sétimo ano consecutivo, onde 90% da população doou dinheiro para uma ONG e 65% doaram seu tempo. O Quênia é o segundo país mais generoso, subindo do terceiro lugar no ano passado. Cingapura subiu 19 posições para o terceiro lugar, aumentando sua pontuação geral no índice de 49% para 61%. Os resultados positivos para Singapura resultam das recentes iniciativas do governo para reforçar a filantropia e o voluntariado.

Para Neil Heslop OBE, diretor executivo da Charities Aid Foundation, “A generosidade das pessoas em todo o mundo ficou evidente nesta edição do World Giving Index, com a pontuação do índice global em seu nível mais alto, igualado apenas anteriormente durante a pandemia. A pesquisa demonstra como pessoas de todos os continentes e culturas permanecem prontas para ajudar os necessitados, durante um ano de desafios econômicos e humanitários contínuos.”

O Brasil subiu três posições em relação ao ano anterior, e agora ocupa o 86º lugar no ranking. Os três indicadores mantiveram-se estáveis, com uma leve melhoria de 3 pontos percentuais no dinheiro doado a organizações da sociedade civil. A ajuda a um estranho ainda é o comportamento predominante, praticado por 65% dos entrevistados. O levantamento, realizado entre setembro e novembro de 2023, não captura as doações realizadas em decorrência da tragédia climática no Rio Grande do Sul. Apesar do Brasil ter ocupado posições melhores no ranking em anos anteriores, esta foi a segunda melhor pontuação conquistada – 38%. O pico aconteceu em 2021, ainda sob os efeitos da pandemia, quando a generosidade estava em alta e, as formas de participação, seja por meio de doações ou voluntariado, estavam mais evidentes.

De acordo com Paula Fabiani, CEO do IDIS, “Não foi surpreendente a estabilidade da cultura de doação no Brasil, mas foi muito interessante ver como políticas públicas voltadas ao incentivo à filantropia, como incentivos fiscais, matching de doações individuais, e benefícios para a prática de voluntariado corporativo, surtiram efeitos positivos em Singapura e podem ser exemplares para nós.”

WGI 2024: Brasil

World Giving Index é uma das maiores pesquisas sobre doação já produzidas, com milhões de pessoas entrevistadas em todo o mundo desde 2009. Nesta edição, inclui dados de 142 países, onde as pessoas foram questionadas se realizaram, no último mês, três tipos de ações: ajuda a um desconhecido, doação em dinheiro a uma organização social ou voluntariado. Trata-se de uma iniciativa da organização britânica Charities Aid Foundation (CAF), representada no Brasil pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.

O CAF World Giving Index 2024 também revela:

  • Os 10 principais países incluem apenas duas das maiores economias do mundo (Indonésia e Estados Unidos), enquanto um dos países mais pobres do mundo – a Gâmbia – está classificado em quarto lugar.
  • O Marrocos viu o maior aumento anual do mundo em doações de dinheiro, com entrevistas ocorrendo após os terremotos devastadores que atingiram o centro do país em setembro de 2023. Apenas dois por cento das pessoas doaram dinheiro para instituições de caridade em 2022, mas isso subiu para 18% no ano passado, e as taxas de voluntariado dobraram de 8% para 16%.
  • A Grécia é o país que mais cresceu este ano, tendo aumentado consistentemente sua classificação desde 2013. Tem uma pontuação particularmente alta no quesito ajuda a um estranho – significativamente acima da média europeia e particularmente alta entre os jovens.
  • Na última década, Ucrânia, Indonésia, Chade, Rússia e China são os que mais melhoraram, cada um registrando um aumento de 25 pontos ou mais.

Os 10 principais países mais doadores do CAF World Giving Index 2024:

1. Indonésia
2. Quênia
3. Singapura
4. Gâmbia
5. Nigéria
6. Estados Unidos
7. Ucrânia
8. Austrália
9. Emirados Árabes
10. Malta

Baixe a publicação completa (disponível apenas em inglês):

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O CAF World Giving Index é baseado em dados da World View World Poll da Gallup, que é um projeto de pesquisa em andamento realizado em mais de 100 países.

Fundo de Fomento à Filantropia é criado com apoio de grandes doadores

Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, José Luiz Egydio Setúbal, médico e empresário, Luis Stuhlberger, engenheiro e gestor de fundos de investimentos, e o casal Teresa Cristina e Candido Bracher, estão entre os doadores que aportaram recursos no Fundo de Fomento à Filantropia, iniciativa criada pelo IDIS para ampliar o impacto da filantropia estratégica e do investimento social e, assim, promover mais transformações sociais positivas. Recém-lançado, o fundo começa com um patrimônio de R$5 milhões com matching garantido de mais R$5 milhões. Ou seja, para cada real doado, o IDIS está aplicando mais R$1, utilizando, para isso, o recurso doado pela filantropa MacKenzie Scott para o Instituto. O fundo tem uma meta de captação de R$25 milhões, com atração de R$15 milhões em até 2 anos.

Fundos Patrimoniais Filantrópicos, também conhecidos como endowments, são fundos criados para receber doações destinadas a causas de interesse público ou organizações específicas. De modo geral, os recursos recebidos permanecem no fundo, preservados em aplicações financeiras, e apenas os rendimentos são periodicamente resgatados, contribuindo para a sustentabilidade no longo prazo. O IDIS é um grande promotor do mecanismo há mais de uma década, investindo na produção de conhecimento e apoiando a criação de muitos fundos patrimoniais. Em 2018, criou a Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, que reúne uma centena de signatários articulados para a melhoria do ambiente regulatório.

Muito populares nos Estados Unidos e Europa, no Brasil, há registro de 107 endowments, que beneficiam inúmeras causas. Este, entretanto, é o primeiro destinado ao fortalecimento da filantropia e da cultura de doação, incluindo o apoio a iniciativas de advocacy por um ambiente regulatório favorável, e a produção de conhecimento, como pesquisas e campanhas. Os ativos serão também aplicados para ampliar a articulação de atores e parcerias para o desenvolvimento do setor e para catalisar iniciativas estruturantes que possam multiplicar o Investimento Social Privado (ISP) e o seu impacto.

“O IDIS completa 25 anos e foi o momento perfeito para concretizarmos um sonho antigo – a criação de um fundo patrimonial que garanta perenidade do investimento em causa tão importante para o Brasil – a filantropia. Com uma base financeira sólida, poderemos investir em novos projetos e expandir nossas iniciativas, atingindo mais pessoas e promovendo mudanças duradouras”, ressaltou Paula Fabiani, CEO do IDIS.

Estruturado a partir da aplicação das melhores práticas internacionais e seguindo as orientações da Lei 13.800/19, o Fundo de Fomento à Filantropia contará com Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal, Comitê Consultivo do Fundo Patrimonial, Comitê de Investimentos e Equipe Técnica. 

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Compromisso 1% convoca empresas a destinarem parte de seus lucros para a filantropia

Cyrela, Pantys, PwC e a RD Saúde são algumas das signatárias que já aderiram ao movimento

Iniciativa colaborativa entre IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e Instituto MOL, o Compromisso 1% busca fomentar a doação de empresas para organizações da sociedade civil e causas de interesse público. Entre as empresas já confirmadas na adesão ao movimento estão Cyrela, fama re.capital, Gaia Impacto, MOL Impacto, Pantys, PwC, RD Saúde e TozziniFreire Advogados e, além de outras cinco organizações que já estão com o processo de adesão em fase avançada. 

Inspirado no Pledge 1%, movimento estadunidense que reúne mais de 15 mil signatários, o Compromisso 1% busca congregar empresas que já doam pelo menos 1% do seu lucro líquido anual e aquelas que se comprometam a alcançar o patamar de doações em até dois anos. De acordo com a publicação Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC), em 2022, empresas doaram R$4,02 bilhões. O valor corresponde a cerca de ⅓ do total doado por pessoas físicas segundo a Pesquisa Doação Brasil 2022, do IDIS. No mesmo período, as doações realizadas por indivíduos chegaram ao patamar de R$12,8 bilhões.

“O objetivo do compromisso é contribuir para o avanço do investimento social privado no país e estimular a perenidade das doações como estratégia de fortalecimento da sociedade civil organizada. O terceiro setor desempenha papel fundamental na redução das desigualdades. Temos no Brasil instituições sérias que trabalham há muito tempo e de forma impactante, e financiar a atuação e o fortalecimento dessas iniciativas é o que vai garantir a transformação social no médio e longo prazo do país. E este avanço também é responsabilidade das empresas”, ressalta a CEO do IDIS, Paula Fabiani.

 

Para as signatárias, os benefícios ao se comprometer com movimento poderão ser notados em várias áreas: acesso a uma comunidade de troca e de conhecimento, visibilidade às ações realizadas e ganhos de reputação junto a públicos de interesse, além de se tornar um agente influente no mercado em que atua.

“As empresas que estão se comprometendo com o 1% estão dando um excelente exemplo para que outras sigam o mesmo caminho. Como diz Ralph Waldo Emerson: ‘Suas atitudes falam tão alto que eu não consigo ouvir o que você diz”, comenta Aron Zylberman.

Ao mesmo tempo em que a prática recorrente e estratégica da filantropia contribui para a aceleração de transformações sociais positivas e para o fortalecimento da sociedade civil, empresas podem desenvolver melhores relações com colaboradores, fornecedores e consumidores e há potencial impacto na captação de recursos no mercado financeiro (o S do ESG fortalecido ajuda nas notas de avaliação).

Evento de lançamento do Compromisso 1%, que aconteceu em São Paulo, na sede da PwC Brasil

“Para a PwC Brasil assinar o movimento é reafirmar o nosso compromisso com a redução das desigualdades no país. Sabemos que cada empresa possui suas estratégias de direcionamento dos recursos sociais, mas o mais importante é que há uma intencionalidade nisso tudo”, diz Renato Souza, Diretor de Inclusão, Diversidade e Sustentabilidade Corporativa da PwC Brasil.

O processo de adesão inclui a comprovação das doações realizadas e pode ser feito online no site do movimento.

 

“O Compromisso 1% é um projeto ambicioso e de

impacto, capaz de impulsionar e acelerar a forma com que empresas se comprometem com o presente e futuro da sociedade, investindo para fortalecer projetos relevantes que precisam de recursos para seguirem sua caminhada”, ressalta Rodrigo Pipponzi, cofundador do Instituto MOL.

 

Acesse o site do Compromisso 1% e saiba mais sobre o movimento. 

1% muda o mundo!

 

Avaliação de impacto como estratégia para excelência em sustentabilidade

por Denise Carvalho, Gerente responsável pela área de Monitoramento e Avaliação no IDIS e Daniel Barretti, Gerente de projetos, especialista em Avaliação de Impacto

A integração da ideia de impacto às estratégias de ISP corporativas tem se tornado cada vez mais constantes. Empresas que adotam essa abordagem não apenas alinham suas iniciativas de ISP com objetivos de sustentabilidade mais amplos, mas também facilitam a interpretação e integração de dados e indicadores monitorados através de frameworks ESG. Essa prática permite uma visão panorâmica do impacto socioambiental, orientando decisões estratégicas.

Ou seja, a interseção entre o ISP e a sustentabilidade corporativa não só redefine o propósito empresarial, mas também demonstra um potencial significativo para impactar positivamente a sociedade e o meio ambiente. A avaliação de impacto, dentro deste contexto, serve como uma bússola, guiando as empresas em direção a práticas mais sustentáveis e responsáveis.

A estratégia de incorporar o ISP nas práticas de sustentabilidade de uma empresa não é apenas uma questão de responsabilidade social corporativa; é uma abordagem que pode gerar valor substancial. A teoria da Criação de Valor Compartilhado¹, proposta por Michael Porter e Mark Kramer, oferece uma sustentação teórica robusta para entender a interconexão entre o ISP e a performance em sustentabilidade. Segundo essa teoria, as empresas podem gerar valor econômico de uma maneira que também produza valor para a sociedade, enfrentando suas necessidades e desafios. Neste sentido, a avaliação de impacto permite que as empresas quantifiquem e comuniquem como suas iniciativas de ISP estão contribuindo tanto para seus objetivos de negócios quanto para objetivos sociais mais amplos.

O caráter de aprendizagem inerente ao processo de monitoramento e avaliação é outro aspecto relevante. Empresas que diligentemente monitoram e avaliam suas iniciativas de ISP demonstram uma curva de crescimento acentuada em sua performance de sustentabilidade. Esse crescimento é atribuído ao aprendizado contínuo e à capacidade de adaptação, evidenciando como a avaliação de impacto transcende a mera conformidade, tornando-se um vetor de inovação e melhoria contínua.

Além disso, o papel do monitoramento, em conjunto com a avaliação, é fundamental. Indicadores de processo e resultados, usuais nos frameworks ESG, promovem a uniformização e disseminação de boas práticas. Essa padronização não apenas assegura a robustez dos resultados de sustentabilidade, mas também facilita a comparação e a competição saudável entre empresas por melhorias sociais significativas.

Os resultados da análise feita neste estudo reforçam a importância dessas práticas. Empresas que avaliam o resultado de suas iniciativas de ISP não só apresentaram uma performance superior no ISE B3 como um todo, mas também registraram um aumento significativo em sua performance entre 2022 e 2024.

Em termos práticos, a coleta sistemática de indicadores de impacto permite que se olhe, de maneira reflexiva e estratégica, para a eficiência de determinada intervenção social e consequentemente permite a revisão e o aprimoramento periódicos com vistas à maximização dos benefícios sociais almejados e gerados. Não raro, projetos sociais acabam por gerar impactos positivos não intencionais e que passariam despercebidos caso não houvesse uma avaliação que levasse em conta, por exemplo, a percepção dos beneficiários quanto às mudanças geradas em suas vidas.

Em oposição, iniciativas que se atém apenas a indicadores de processo e de produto não conseguem refletir de maneira estratégica sobre suas ações e propósito, e também, invariavelmente, pecam na compreensão e consequente comunicação de seus resultados e impactos.

Considerando a importância de uma abordagem holística e integrada à avaliação de impacto, sugere-se que, para alcançar e manter uma performance de sustentabilidade de alto nível, as empresas devam adotar práticas de monitoramento e avaliação que sejam tanto rigorosas quanto adaptáveis à realidade de cada iniciativa. À medida que o cenário empresarial continua a evoluir, a capacidade de avaliar e responder efetivamente ao impacto socioambiental das iniciativas de ISP será cada vez mais vista como um componente essencial da liderança em sustentabilidade.

¹ PORTER, M. E.; KRAMER, M.R. Creating Shared Value: how to reinvent capitalism and unleash a wave of innovation and growth. Harvard Business Review, 2011.

Este artigo faz parte da publicação ‘Investimento Social Privado: estratégias que impulsionam a Agenda ESG’. Acesse a publicação para obter mais dados e análises completas sobre a relação entre ISP e a Agenda ESG.

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O ISP como forma de se relacionar mais e melhor com as comunidades

Por Felipe Groba, gerente de projetos do IDIS, e Whilla Castelhano

Já ficou para trás o tempo em que as doações das empresas para projetos socioambientais eram baseadas exclusivamente nos desejos dos altos executivos. Cada vez mais, é exigido das empresas um alinhamento com as expectativas e necessidades de quem recebe as doações, fortalecendo suas potencialidades e, principalmente, investimentos alinhados com os anseios locais. Progressivamente, vemos as empresas respondendo à altura, adaptando-se às novas demandas e compreendendo que não podem crescer e gerar lucros sem considerar a geração de impactos positivos para os públicos com os quais se relacionam e para a sociedade. Ora a passos rápidos, ora a passos muito lentos, avançamos para um entendimento de que é preciso trabalhar em conjunto e de forma estratégica para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do mundo onde vivemos.

Este estudo corrobora esses conhecimentos empíricos e experiências que compartilhamos no IDIS. Em 2024, 79% das empresas avaliadas no triênio afirmaram conduzir consultas com stakeholders relevantes e com a comunidade para estabelecer uma agenda conjunta. Esse é um processo de construção importante para o setor social e uma experiência que gerará estratégias inovadoras de investimento e resolução de problemas.

Um outro dado que respalda a importância do envolvimento da comunidade para um ISP estratégico é a empresa criar condições de autossuficiência financeira e organizacional para as organizações apoiadas. Para o desenvolvimento sustentável do setor social, execução de projetos melhores e com mais impacto, remuneração adequada, investimento e expansão das atividades, e até propor ações e soluções inovadoras, uma organização social demanda investimento e segurança financeira, assim como uma empresa. Em 2024, 50 empresas informaram atuarem desta forma junto às organizações e, com pontuações altas e similares entre si, mostram que este é um novo caminho que as empresas estão aderindo.

Podemos considerar que essas ações surgem como resultado também dessa relação com atores locais e canais de comunicação constantes para o processo de decisão? Acreditamos que sim! Afinal, envolver novos atores traz novos olhares e conhecimentos, mostra novas prioridades e fragilidades, que as empresas em conjunto com as organizações podem apoiar e inovar. Consequentemente, temos projetos e organizações sociais mais estruturadas, com mais impacto e atuando de forma mais estratégica para endereçar as demandas locais e reduzir as desigualdades no Brasil.

Diálogos locais, impacto social positivo coerente com a empresa, canais abertos e transparência do ISP movem o ponteiro de atuação e exigem das empresas novos olhares. É preciso, porém, que empresas avancem ainda mais nesta agenda, buscando maneiras de se envolverem com atores locais, atuando em parceria com o Terceiro Setor de maneira complementar. O ISP possui um importante papel: ao construir um relacionamento voltado para a comunidade e o entorno, junto às diretrizes e demandas internas da empresa, as estratégias de investimento socioambiental são mais assertivas, direcionadas e promovem melhorias em territórios. Um ISP construído em parceria, que considere as narrativas daqueles que já foram e estão sendo beneficiados por diferentes iniciativas, terá resultados mais longevos e de maior impacto e retorno para a empresa no longo prazo.

É uma relação de reciprocidade. As empresas, ao ouvirem e investirem de acordo com as demandas locais e ao estabelecerem processos de construções conjuntas, contribuem para o fortalecimento das organizações sociais, que ficam mais bem estruturadas, mais sólidas e robustas. Essas organizações ganham maior capacidade para gerar impactos positivos e resultados mais sustentáveis. Um ciclo virtuoso em que todos ganham, em especial, a sociedade.

Este artigo faz parte da publicação ‘Investimento Social Privado: estratégias que impulsionam a Agenda ESG’. Acesse a publicação para obter mais dados e análises completas sobre a relação entre ISP e a Agenda ESG.

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Quero promover impactos socioambientais positivos. Devo criar uma fundação?

Por Henrique Barreto e Andrea Hanai, ambos gerentes de projetos do IDIS

O aumento das demandas públicas e das pressões sociais por posturas proativas e compromissadas das empresas em sua atuação social resultou em um aumento significativo da criação de institutos e fundações empresariais durante meados dos anos 90. Podemos enxergar essa onda como um primeiro movimento marcante de resposta das organizações, que passaram a ser cada vez mais cobradas a reconhecer a importância de assumir responsabilidades para além do lucro.

As fundações e institutos criados, concentrariam, então, os esforços das empresa para promover um impacto social positivo, representando um compromisso perene e operando com autonomia e independência no enfrentamento de uma ou mais causas caras ao desenvolvimento socioambiental, de forma conectada, ou não, ao negócio de suas instituidoras. Estas estruturas passaram a concentrar especialistas, desenvolver metodologias, criar projetos proprietários ou apoiar projetos de terceiros (grantmaking), estabelecer pontos de contato com o setor público e a gerar impacto positivo, ajudando efetivamente a construir reputação e cidadania para suas marcas instituidoras. Ainda assim, no início, de forma geral, eram pequenas e médias células de impacto, com equipes formadas por especialistas, apartadas do negócio e mais resistentes a cortes e mudanças de direção.

A expectativa social de que as empresas devem atuar sobre outras dimensões que não apenas a econômica não parou de crescer desde então. A esse debate, somaram-se as discussões sobre propósito e gestão ESG, que equilibra a produção econômica com os impactos sociais e ambientais positivos, buscando aprofundar a responsabilidade social e o investimento social privado como partes de uma atuação integrada, que permeia todas as áreas do negócio. Nesse sentido, a existência de veículos filantrópicos empresariais configura-se como parte relevante dessa atuação responsável e sólida. Isso não quer dizer, entretanto, que possuir um instituto ou fundação empresarial seja suficiente, uma vez que o desempenho positivo socioambiental de uma empresa é fortalecido por um conjunto de fatores.

Anteriormente, os veículos filantrópicos operavam de forma mais independente, complementando as ações da empresa. Atualmente, a agenda ESG introduz novas complexidades e proporciona maior integração entre o investimento social e a estratégica corporativa. Por meio de parcerias com outras organizações e empresas, os projetos conduzidos por institutos e fundações podem promover uma cultura colaborativa e demonstrar um compromisso significativo com determinadas causas, utilizando não apenas recursos financeiros, mas também outras competências em prol do benefício público.

Essas observações apontam para uma mudança no paradigma dos projetos conduzidos por institutos e fundações empresariais, que parecem menos proprietários e mais altruístas, sendo capazes de atrair coalizões e parcerias. É o caso, por exemplo, do fundo de combate à violência contra meninas e mulheres, parceria do Instituto Avon com a Accor Hotels, e que também se mantém aberto para novos participantes e financiadores.

De fato, ao observar a pesquisa, nota-se que a performance no tópico de Investimento Social Privado é levemente melhor, tanto na média quanto na mediana, em empresas que atuam por meio de veículo filantrópico proprietário. Isso pode representar maior maturidade das empresas que possuem esse tipo de veículo, sugerindo que o compromisso de constituir um instituto ou fundação também carrega maior responsabilidade e desempenho mais elevados em relação ao Investimento Social Privado e a Cidadania Corporativa em geral. Também observamos menor variação no desempenho de empresas que possuem veículos próprios, como se sua constituição também representasse um patamar mínimo de sucesso nesse quesito. Por exemplo, em 2024, empresas com um veículo filantrópico não tiveram desempenho abaixo de 60%, e apresentaram uma menor distribuição das notas em relação às empresas que não possuem veículos filantrópicos.

Por outro lado, considerando as 85 empresas que responderam durante todo o triênio,
não há diferença estatisticamente significativa para a diferença em performance no ISE
B3 entre empresas que atuam via veículo filantrópico e aquelas que não. Isso sugere que, mesmo sem a criação de um instituto ou fundação empresarial, o que sugere um compromisso mais firme e duradouro, com mandato e agência próprios, e protegidos das flutuações empresariais, ainda é possível obter um bom desempenho no ISE B3. Nesse sentido, é possível imaginar empresas que incorporaram a responsabilidade social em várias áreas como parte de suas operações, atuando sob a coordenação e o engajamento de uma área de responsabilidade social corporativa integrada ao negócio.

Podemos estabelecer que é possível pontuar bem em sustentabilidade empresarial, mesmo na ausência de veículos filantrópicos específicos. No entanto, esses veículos permanecem como estruturas importantes (ao lado de fundos filantrópicos, outra modalidade capaz de fomentar o co-investimento), que demarcam compromissos empresariais firmes diante de inúmeros dilemas e questões sociais. Eles serão ainda mais efetivos caso consigam conectar seus focos de atuação ao negócio, constituindo-se como elementos importantes, inclusive, para impulsionar o crescimento de uma agenda ESG mais ampla e profunda, ligada ao propósito e que deve permear toda organização.

Este artigo faz parte da publicação ‘Investimento Social Privado: estratégias que impulsionam a Agenda ESG’. Acesse a publicação para obter mais dados e análises completas sobre a relação entre ISP e a Agenda ESG.

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A relevância do Investimento Social Privado na composição do ISE B3

Por Marcos Alexandre Manoel, diretor de projetos no IDIS

Desde que aspectos relacionados a impacto socioambiental e avaliação de riscos passaram a integrar a estratégia de negócios de um número cada vez maior de empresas, vimos o mercado virar do avesso e o assunto ganhar potência e escala. É evidente que a ideia de sustentabilidade e responsabilidade social corporativa não é recente, mas a lógica do mercado certamente mudou desde que foi sugerido que os recursos alocados em projetos socioambientais de interesse público não fossem mais encarados como despesas, mas, sim, como investimentos que trazem retornos de curto, médio e longo prazos. Isso é o que chamamos de Investimento Social Privado (ISP) – ou filantropia estratégica, integrada a uma agenda ESG.

Dentro dessa agenda, que ganhou corpo na última década com o reporte ao mercado financeiro desses aspectos sociais, ambientais e de governança, o ISP é apenas uma dentre as tantas variáveis que impulsionam uma empresa em direção à sustentabilidade. Entendemos, porém, que as práticas de ISP possuem alta capilaridade e podem potencializar substancialmente as ações socioambientais de uma empresa. Ou seja, quando bem-feito, o investimento social pode ajudar a destravar diversos outros pontos de uma agenda de sustentabilidade empresarial. Empiricamente, o Terceiro Setor vem trabalhando há anos para demonstrar o impacto que o ISP pode causar nas métricas ESG de uma organização, especialmente no campo social.

Para comprovar essa hipótese, o IDIS se propôs a analisar a correlação entre o ISP e as notas do ISE B3, o maior índice de sustentabilidade do País. Foi muito gratificante identificar, por meio deste estudo, que o ISP se manteve, nos últimos três anos, entre os dez tópicos que possuem maior correlação com a nota do ISE B3. Ou seja, empresas que têm um bom desempenho em filantropia estratégica tendem a ter um bom desempenho em sustentabilidade empresarial como um todo. É interessante, inclusive, observar que as práticas de ISP figuram lado a lado com aspectos como ‘fundamentos de gestão da sustentabilidade empresarial’, ‘ética nos negócios’ e ‘tendências e propósito’. A aproximação com tópicos que naturalmente possuem uma maior transversalidade, indica o caráter tático do ISP na formulação e implementação de estratégias integradas de sustentabilidade empresarial.

Uma estratégia de ISP alinhada à estratégia ESG ajuda a materializar o propósito da organização para seus stakeholders, gerando resultados tangíveis para a empresa e para a sociedade. O investimento de uma empresa em projetos socioambientais pode ser uma boa maneira de engajar diferentes partes interessadas e iniciar agendas coletivas com o poder público e sociedade civil organizada, promovendo benefícios tanto para a sociedade quanto para as empresas. Além disso, contribuiu para que empresas demonstrassem seus compromissos socioambientais de forma clara e robusta, sinalizando para o mercado e consumidores um compromisso real com diferentes causas.

Apesar de parecer lógico, esse alinhamento não é tarefa fácil. Além de ser preciso conectar as ações com os desafios do negócio e o propósito das marcas, uma atuação estratégica deve considerar aspectos materiais do negócio e um bom mapeamento de partes interessadas e diferentes formas de engajá-las. Além disso, ações socioambientais devem ser complementares aos esforços empreendidos pelo Terceiro Setor, promovendo trocas que enriquecem a atuação de todos os atores. Os dados do estudo mostram que essa é uma tarefa relevante e que deve ser tratada com importância pelo setor privado, já que está altamente correlacionada a uma gestão abrangente da sustentabilidade empresarial.

Em resumo, empiricamente sabemos que, ao conectar o conceito e as práticas de ISP ao propósito e aos valores institucionais, considerando o viés econômico do negócio e a perspectiva dos principais stakeholders em relação ao valor socioambiental a ser criado pela empresa, é possível potencializar a capacidade da organização de gerar impacto positivo para a sociedade e valor real para o negócio. Essa relação está agora comprovada quantitativamente, considerando uma amostra extremamente relevante de empresas brasileiras.

Este artigo faz parte da publicação ‘Investimento Social Privado: estratégias que impulsionam a Agenda ESG’. Acesse a publicação para obter mais dados e análises completas sobre a relação entre ISP e a Agenda ESG.

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Ranking internacional reconhece IDIS como líder em consultoria para impacto social no Brasil

A entidade francesa Leaders League, especialista na criação de rankings e pesquisas de mercado amplamente utilizados por empresários e executivos em suas tomadas de decisão, divulgou um ranking de organizações brasileiras líderes em consultoria para impacto social. Os critérios de avaliação foram baseados na coleta e processamento de dados.

O IDIS conquistou a 1ª posição no ranking, ao lado do Instituto Phi, evidenciando nosso compromisso no apoio a investidores sociais engajados com a geração de impacto social no Brasil.

Na área de consultoria, oferecemos apoio técnico a famílias, empresas e organizações sociais que desejam iniciar ou aprimorar seu investimento social. Atuamos de maneira personalizada e participativa em seis frentes principais: planejamento estratégico e governança; agenda ESG; estruturação de fundos patrimoniais e estratégias de sustentabilidade financeira; design e implementação de projetos e capacitação organizacional; desenvolvimento de editais e gestão de portfólio; além de monitoramento e avaliação.

“Iniciativas como a Leaders League contribuem para dar visibilidade ao excelente trabalho realizado por organizações brasileiras que geram impacto por meio da consultoria, com comprometimento, seriedade, criatividade e eficácia. Este ranking é mais um instrumento para aumentar a confiança junto a investidores sociais, tanto locais quanto internacionais. Estamos felizes por liderar o ranking, mas também parabenizamos as outras organizações destacadas. A frente de consultoria para impacto social no Brasil é vibrante, forte e diversificada, e a contribuição é de todos!”, declarou Paula Fabiani, CEO do IDIS.

 

Sobre o IDIS

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investimento social no Brasil. Nossa missão é inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhando com indivíduos, famílias, empresas, fundações, institutos corporativos e familiares, bem como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país.

Nossa atuação é baseada em três pilares: geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, fortalecendo o ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a colaboração e a cocriação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista.

Instituto Chamex anuncia iniciativas vencedoras da 4ª edição do Edital Educação com Cidadania

O Instituto Chamex, associação civil sem fins lucrativos criada e mantida pela Sylvamo, com objetivo de apoiar iniciativas que incentivem a defesa da infância como período de estímulo da criatividade ou que possibilitem um novo futuro para jovens na economia criativa, divulgou as cinco instituições selecionadas para a 4ª edição do Edital Educação com Cidadania, contando com o apoio técnico do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, para o ano de 2024.

As organizações contempladas receberão um aporte de R$ 35 mil para desenvolverem, ao longo de oito meses, os projetos educacionais e de economia criativa aprovados. Alinhados com as metas 2030 da Sylvamo, os projetos provenientes de diversas partes do país estão todos direcionados para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que busca assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, assim encorajando através da educação soluções transformadoras para o mundo e para a sociedade.

 

Conheça mais sobre as cinco organizações escolhidas neste edital:

 

Projeto: Orientar Para Incluir
Associação de Pais do Espectro Autista de Ubatuba (Ubatuba, SP):
criada a partir de encontros realizados por mães de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista – TEA em 2014, a organização operava como mobilizadora de encontros de acolhimento. Atualmente, a Associação atua na promoção de autonomia cidadã e inclusão social nas áreas de educação, saúde e assistência social, visando fortalecer os serviços especializados para pessoas com TEA. Para mais informações, clique aqui.

 

Projeto: Ponto de Leitura e Cordel dos Encantos
Casa de Cultura, Esporte e Cidadania Dona Joana (Água Fria, BA):
fundada em 2012, a organização tem como missão o fomento da cultura e arte voltado ao fortalecimento da educação, direitos humanos e cidadania no município de Água Fria. Através da realização de iniciativas como o Ponto de Leitura e o Ponto de Cultura Cordel dos Encantos, a Casa vem desenvolvendo ações voltadas a diluição de vulnerabilidades educacionais, culturais e sociais entre a população, principalmente de crianças, adolescentes e jovens. Para mais informações, clique aqui.

 

Projeto: Estações de Leitura
Instituto Pró-Saber (São Paulo, SP):
fundada em Paraisópolis, no ano de 2003, a organização surge a partir da necessidade de conhecer mais profundamente o território e seus habitantes, dada a carência de políticas públicas voltadas à educação infantil sofridas pela região na época. Atualmente, a missão do Instituto Pró-Saber é fortalecer a educação integral de crianças e jovens através de experiências de leitura e brincadeira, transformando suas famílias e suas comunidades. Para mais informações, clique aqui.

 

Projeto: Brincadeira Social
Oásis dos Sonhos (Goiânia, GO):
fundada em 2016 com o objetivo de revitalizar espaços públicos, participou da 3ª Olimpíada de Empreendedorismo Universitário da UFG e após o êxito, as ações da organização se expandiram. Trabalhando em conjunto com a mobilização comunitária, a Oásis de Sonhos visa emancipar pessoas e estreitar os laços das comunidades onde atua, através de reformas voluntárias de espaços coletivos e culturais, além de apoiar a formação de lideranças e o desenvolvimento de competências empreendedoras. Para mais informações, clique aqui.

 

Projeto: Luz e Paz na educação
Projeto Social Luz e Paz (Piedade, RJ):
a organização criada em 2016 tem como missão institucional o acolhimento de crianças e jovens em vulnerabilidade social, oportunizando cultura, educação e socialização. O Projeto Social Luz e Paz atua em três eixos: educacional, cultural e social, oferecendo oficinas de alfabetização, reforço escolar e aulas de inglês, teatro, capoeira, canto e ballet, além de alimentação e moradia. Para mais informações, clique aqui.

 

Sobre o Instituto Chamex

Criado em 2008, o Instituto Chamex coloca a criatividade como elemento central para a construção de uma educação mais acessível, inclusiva, equitativa e transformadora. Atuando em rede com diversos parceiros, o instituto fomenta o desenvolvimento de estudantes, professores e agentes da educação do ensino infantil, fundamental e médio, apoiando projetos nacionalmente e desenvolvendo projetos localmente. Dessa forma, busca transformar inúmeras realidades, possibilitando um novo futuro para milhares de brasileiros.

O Instituto Chamex faz parte da Sylvamo, a Empresa de Papel do Mundo, produtora dos papéis para Imprimir e Escrever Chamex, Chamequinho e Chambril, e segue suas diretrizes de responsabilidade social, sustentabilidade e ética, engajando seus profissionais e apoiando as comunidades, pois acredita que por meio da criatividade e da educação é possível impulsionar mudanças e acelerar soluções para transformar a vida de muitas pessoas.

Para mais informações, visite o institutochamex.com.br.

 

Sobre a SYLVAMO

International Paper Brasil agora é Sylvamo: a empresa de papel do mundo – Instituto Chamex

A Sylvamo é a Empresa de Papel do Mundo com fábricas na Europa, América Latina e América do Norte. Sua visão é ser o empregador, fornecedor e investimento preferido. Transformando recursos renováveis em papéis dos quais as pessoas dependem para educação, comunicação e entretenimento. Com sede em Memphis, Tennessee, empregam mais de 6.500 profissionais. As vendas líquidas para 2022 foram de US$ 3,6 bilhões.

Para mais informações, visite Sylvamo.com.

 

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2024: saiba como participar

INSCREVA-SE PARA A TRANSMISSÃO AO  VIVO

 

A 13° edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais já tem data: 4 de setembro. Mais uma vez, além do evento presencial em São Paulo exclusivo para convidados, a programação também será transmitida ao vivo.

 

No Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2024, quando o IDIS completa 25 anos, promovemos debates sobre nós e nossos nós.

Nós. Uma palavra com múltiplos significados. Enlaçamentos de fios. Vínculos. Obstáculos. As partes mais rígidas da madeira. Unidade para medir velocidade. Ponto onde convergem estradas. Ou simplesmente, a gente, pronome pessoal, sujeito de uma ação coletiva.

Filantropia. Uma palavra que significa amor à humanidade e que traz consigo esperança de transformações. Uma palavra que responde a desafios sistêmicos e múltiplos e que reúne nossa comunidade.

Por isso, o tema deste ano será FILANTROPIA ENTRE NÓS. Convidamos você a inspirar-se com as histórias que serão apresentadas.

INSCREVA-SE PARA A TRANSMISSÃO AO  VIVO

PALESTRANTES CONFIRMADOS

Entre os palestrantes já confirmados estão Aline Odara (Idealizadora e Diretora Executiva do Fundo Agbara), Beatriz Johannpeter (Diretora do Instituto Helda Gerdau), Cida Bento (Co-Fundadora e Conselheira do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), Cristiane Sultani (Fundadora do Instituto Beja), Giuliana Ortega (Diretora de Sustentabilidade da RD – Raia Drogasil), José Luiz Egydio Setúbal (Presidente e Instituidor da Fundação José Luiz Egydio Setúbal), Luana Génot (Fundadora e Diretora Executiva do Instituto Identidades do Brasil), Mariana Moura (Presidente do Conselho de família da Baterias Moura), Patrícia Villela Marino (Presidente do Instituto Humanitas360), Renata Piazzon (Diretora geral do Instituto Arapyaú), Sergio Fausto (Diretor geral da Fundação Fernando Henrique Cardoso), Tarcila Ursini (Conselheria de empresas e Copresidente do Conselho do Sistema B) e Ticiana Rolim Queiroz (Fundadora e presidente da Somos Um).

Além de convidados internacionais como Grace Maingi (Diretora Executiva da Kenya Community Development Foundation), Marijana Sevic (Chefe de Parcerias Estratégicas Internacionais na CAF) e Philip Yun (Co-presidente e co-CEO do CCWA e do Global Philanthropy Forum).

 

REALIZAÇÃO E APOIO

A realização é do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Charities Aid Foundation, e apoio master do Movimento Bem Maior; apoio prata da RD Saúde; e apoio bronze da Fundação Grupo Volkswagen, Fundação Itaú, Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Aegea, Instituto Sicoob e Mott Foundation. A Unicef é apoiadora institucional do evento e a Alliance Magazine é a parceira de mídia.

Neste ano, o fórum terá novamente a Alliance Magazine como parceiro de mídia. Sediada na Inglaterra, a maior revista de filantropia do mundo fará a cobertura do evento e transmitirá em inglês ao vivo em seu canal do Youtube.

 

FÓRUM BRASILEIRO DE FILANTROPOS E INVESTIDORES SOCIAIS

Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais oferece um espaço para a comunidade filantrópica se reunir, trocar experiências e aprender com seus pares, fortalecendo a filantropia estratégica para a promoção do desenvolvimento da sociedade brasileira. O evento já reuniu mais de 1.500 participantes, entre filantropos, líderes e especialistas nacionais e internacionais. Em nosso canal do YouTube estão disponíveis listas com as gravações de todas as edições. Confira!

 

Carta aberta ao Senador Vanderlan Cardoso em defesa dos Fundos Patrimoniais

Signatários da Coalizão pelos Fundos Filantrópicos, grupo multissetorial composto por mais de 110 organizações da sociedade civil e outras instituições e que almeja fortalecer o ambiente regulatório para este mecanismo, se manifestou publicamente mais uma vez em apoio ao Projeto de Lei (PL) 2.440/23, elaborado pelo Senador Flavio Arns e relatado pela Senadora Profa. Dorinha Seabra na Comissão de Educação (CE).

O pronunciamento é endereçado ao Senador Vanderlan Cardoso, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, atividade legislativa em que o PL deve ser pautado nas próximas semanas. O PL 2.440/23 busca complementar a Lei 13.800/19 dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos, partindo das ideias do projeto original, e incluindo medidas consideradas imprescindíveis à uma adequada regulamentação da tributação dos Fundos Patrimoniais. A proposta já foi aprovada pela Comissão de Educação do Senado Federal.

Com a aprovação do PL, avançamos para alcançar o potencial de impacto dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos no Brasil.

Leia a carta completa e conheça todos os signatários 

Já trabalhou no IDIS? Queremos falar com você!

Sejamos honestos, 25 anos não se faz todo dia. Em setembro alcançaremos essa marca e, claro, não podíamos deixar de celebrar. Não somente os anos de história, mas principalmente todas as pessoas que a construíram e constroem ela conosco.

Tudo o que avançamos só foi possível devido ao comprometimento, colaboração e trabalho coletivo de diferentes pessoas com um objetivo comum: construir um mundo melhor e com mais equidade. Nesta celebração, sabíamos quem deveria ser o centro da história: todas as pessoas que pensam, realizam e fazem o investimento social no Brasil evoluir e acontecer. São eles, ou melhor – nós – os protagonistas.

Se você já fez já fez parte deste time, complete o cadastro aqui para entrarmos em contato.

Queremos fazer um encontro para voltarmos a nos conectar e também te convidar para nosso evento de celebração.

Confira os cinco projetos selecionados no edital Atenção Primária à Saúde

edital Atenção Primária à Saúde no Norte e Nordeste divulga os cinco projetos selecionados para o aporte de até 20 milhões de reais em iniciativas de fortalecimento da saúde pública nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. O edital integra o Juntos pela Saúde e é uma iniciativa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com gestão do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) em parceria com a Umane, associação civil, independente, isenta e sem fins lucrativos que apoia iniciativas no âmbito da saúde pública. No total, 50 municípios serão beneficiados nos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe.

Foram mais de 40 propostas de projetos, dos quais 10 foram classificados para a apresentação oral e cinco selecionados para receber o recurso. A seleção foi realizada por um comitê de validação, composto por profissionais das instituições apoiadoras. Após apresentação oral dos proponentes, os selecionados foram:

  • Fundação Amazônia Sustentável (FAS)
    SUS na floresta
  • Instituto de Inteligência Artificial na Saúde
    Noharm: inteligência para a segurança dos pacientes
  • Grupo Mulheres do Brasil
    Unidos pela erradicação do câncer de colo do útero no Brasil
  • Centro de apoio à Faculdade de saúde pública da USP
    Tecendo linhas do cuidado integral à saúde na Amazônia
  • Instituto epHealth
    epCertify com linha de cuidado HIPERDIA

 

Reunião do Comitê de Validação do Edital “Iniciativas de Fortalecimento da Atenção Primária em Saúde”.
Local: Sede BNDES/ RJ
Foto: Rossana Fraga/BNDES

“Apoiar uma iniciativa como o Juntos Pela Saúde fortalece nosso objetivo como instituição, de fomentar a ampliação do acesso à saúde e a resolutividade do sistema, com foco nos serviços da Atenção Primária à Saúde. Nossa visão é a de ter a Umane contribuindo para reduzir as desigualdades no acesso à saúde, fomentando os saberes e inovações locais e regionais com o potencial de organização de processos de trabalho, do uso de dados e da tecnologia”, diz Thais Junqueira, superintendente geral da Umane. 

 

Após formalização e assinaturas dos termos de parcerias, os projetos apoiados passarão por um estruturado processo de monitoramento e avaliação sistemática que verificará tanto a implementação como o alcance de resultados e efeitos almejados. O monitoramento dos resultados será feito de forma sistemática ao longo da execução do projeto até sua conclusão em intervalos de no máximo seis meses e se dará pela análise da prestação de contas, relatório de monitoramento padrão da iniciativa Juntos pela Saúde, reuniões virtuais e visitas técnicas in loco.

“Ter parceiros como a Umane, que é referência no apoio ao SUS por meio do investimento social privado, apoiando o Juntos pela Saúde é essencial para que possamos fortalecer, com o apoio da tecnologia, soluções inovadoras em regiões que estão mais defasadas no acesso à saúde em nosso país”, afirma Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS.

 

“Com o Edital foi possível identificar projetos, com potencial de contribuir para melhora das condições de saúde nos municípios beneficiados e com possibilidade de replicar as soluções para outros municípios”, afirma Carla Reis, Chefe do Departamento do Complexo Industrial e de Serviços de Saúde.

 

SOBRE O JUNTOS PELA SAÚDE

O Juntos pela Saúde está estruturado sob a lógica de matchfunding ou seja a cada 1 real doado por outras organizações, o BNDES colocará mais 1 real, dobrando o valor investido e potencializando o impacto das ações desenvolvidas, reunindo recursos para apoiar e fortalecer o acesso à saúde da Atenção Primária à Saúde nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. A iniciativa propõe, por meio do apoio à organização das Redes de Atenção à Saúde (RAS) e das linhas de cuidado prioritárias, priorizar ações de inovação, tecnologia e saúde digital. De acordo com o Ministério da Saúde, a Atenção Primária à Saúde (APS) é o primeiro nível de atenção em saúde e se caracteriza por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte positivamente na situação de saúde das coletividades. Trata-se da principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e do centro de comunicação com toda a Rede de Atenção dos SUS.

XI Seminário da RBMA Debate Integração de Saberes para o Desenvolvimento Sustentável em Belém-PA

A Rede Brasileira de Monitoramento e Avaliação (RBMA) realizou nesta semana o XI Seminário com o tema Como integrar saberes para agir rumo ao desenvolvimento sustentável. O evento, que ocorreu ao longo de três dias, promoveu discussões transdisciplinares sobre avaliação em áreas como meio ambiente e desenvolvimento social, com o objetivo de fomentar práticas mais sustentáveis e inclusivas.

A escolha de Belém-PA como sede do seminário reflete o foco em desenvolvimento sustentável e questões ambientais, alinhando-se com o tema principal do evento e a futura realização da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-30) em 2025 na cidade.

 

Segundo Wesley Matheus, presidente da RBMA, esta foi a primeira vez que o seminário abordou a avaliação no contexto do meio ambiente e das mudanças climáticas.

“É um novo paradigma do que estamos avaliando. A avaliação surge com o olhar para o indivíduo. Agora, vamos observar o território, a comunidade, a atmosfera. Temos que mudar a forma de olhar para a avaliação com foco na biodiversidade e no modo que os povos tradicionais se relacionam com essas questões ambientais”, afirmou Matheus.

O primeiro dia do evento contou com a participação de André Baniwa, coordenador-geral de Promoção a Cidadania do Ministério dos Povos Indígenas e vice-presidente da OIBI (Associação Indígena da Bacia do Içana), que refletiu sobre ‘Indicadores e Avaliação de Políticas Públicas a Partir do Conceito de Bem-Viver dos Povos Indígenas’. A abertura do seminário foi marcada por uma mesa de debates sobre como governos, empresas e sociedade civil podem contribuir para avaliações que gerem valor público e desenvolvimento sustentável.

Além disso, foram oferecidos sete minicursos destinados a aprimorar as capacidades dos participantes em avaliações que promovam práticas mais sustentáveis e inclusivas, alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O IDIS ministrou um curso sobre avaliação de impacto SROI, que contou com a participação de 30 pessoas, incluindo representantes de OSCs, fundações, institutos empresariais, governo e organismos internacionais. O curso foi conduzido por Denise Carvalho e Daniel Barretti, ambos gerentes de projetos no IDIS.

O segundo dia do seminário focou no meio ambiente e nas mudanças climáticas, explorando como as avaliações podem ser instrumentos cruciais para compreender contextos, reconhecer complexidades e indicar necessidades de transformações sistêmicas. O IDIS teve uma participação destacada no painel ‘Avaliação, clima e meio ambiente’, onde Daniel Barretti apresentou o tema ‘Avaliações Custo-Benefício como forma de medir o impacto de projetos socioambientais’. Sandra Macedo, da Petrobras, também participou, discutindo a parceria IDIS-Petrobras e os aprendizados na aplicação de metodologias de avaliação de impacto custo-benefício (ACB e SROI) desde 2019.

O dia também incluiu sessões de apresentação de trabalhos sobre temas como Educação com foco em equidade, Instrumentos, tecnologias e IA aplicados à avaliação, Uso de evidências em políticas de meio ambiente, Índices e indicadores sociais e ambientais aplicados ao monitoramento e avaliação, entre outros. Thais Bassinello, gerente de projetos do IDIS, apresentou o case ‘Sistema de monitoramento e avaliação para projetos sociais de geração de trabalho e renda’, desenvolvido para a NEXA.

No último dia do seminário, as discussões metodológicas abordaram o Sistema Nacional de Avaliação como estratégia de integração de saberes, destacando a visão e o papel dos bancos de desenvolvimento na promoção e sustentação de sistemas nacionais de avaliação. Também foram debatidos o conceito de justiça social e a crescente importância do método qualitativo nas avaliações de impacto social.

O XI Seminário da RBMA reafirmou a importância da integração de saberes e da avaliação como ferramentas essenciais para o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades sociais.

Sustentabilidade e desenvolvimento econômico lado a lado: Sustainability Week 24

Por Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS

O Sustainability Week 24 (SW24), importante encontro para o setor privado na América Latina e no Caribe, ocorreu em Manaus durante o mês de junho. Com foco em questões de sustentabilidade e desenvolvimento econômico, o evento reuniu líderes globais, empresários, investidores e especialistas para discutir soluções inovadoras e práticas sustentáveis, com um total de 1000 participantes de diversas partes do mundo. A iniciativa é do BID Invest.

Ao longo de três dias de evento, Manaus se tornou o centro das discussões sobre o futuro da sustentabilidade na região. Foram abordados temas como governança corporativa, financiamento da transição energética, economia verde e conservação da biodiversidade. Também foi enfatizado o compromisso de enfrentar os desafios socioambientais da Amazônia, promovendo inclusão financeira, educação e diversidade para os locais.

No discurso de abertura, o Governador do Estado do Amazonas, Wilson Lima, usou palavras reflexivas para provocar a audiência, muitos dos quais nunca haviam visitado Manaus antes, a considerar a Amazônia “além de sua copa de árvores”. O Governador ressaltou que enquanto o mundo observa a Amazônia pelas árvores, muitas vezes não compreende o que realmente ocorre sob sua densa cobertura vegetal, sugerindo uma profundidade maior da região a ser conhecida.

Outro destaque foi o painel ‘O papel do conselho em um mundo dinâmico”, que contou com a participação de três mulheres presidentes de conselhos de administração de empresas familiares: Luiza Helena Trajano (Magalu), Gabriela Baumgart (Grupo Baumgart) e Ilana Minev (Bemol). Elas exploraram estratégias de governança a partir de suas perspectivas, discutindo como os conselhos podem impulsionar mudanças positivas e sucesso sustentável em meio ao cenário empresarial em constante evolução.

O Sustainability Week 24 proporcionou um espaço para diálogos estratégicos, inspirando colaborações concretas e ações futuras que visam transformar os desafios ambientais em oportunidades de crescimento sustentável.

O evento reafirma o papel do BID Invest e seus parceiros na promoção de uma agenda global de sustentabilidade, destacando Manaus como um cenário emblemático para essas discussões.

A hora de doar é sempre, e precisamos falar sobre isso

Artigo originalmente publicado no jornal Correio Braziliense

As tragédias nos lembram da urgência da doação, mas é importante frisar a necessidade da continuidade. Afinal, se os problemas são recorrentes e de longo prazo, a ajuda também precisa ser

Por Luisa Gerbase de Lima, gerente de comunicação e conhecimento do IDIS

O Brasil e o mundo assistiram, com tristeza e revolta, à tragédia que acometeu o Rio Grande do Sul e soma números assustadores de vítimas, além dos estragos em habitações, infraestrutura e consequências para a economia local. As cenas ainda geram comoção e sensibilizam pessoas. A solidariedade se manifesta de maneira acalentadora. Essa que é — ou deveria ser — tendência.

Dia a dia, acompanhamos a mobilização de organizações da sociedade civil, empresas, celebridades e de muitos, muitos indivíduos. Doam dinheiro, bens, tempo, na forma de voluntariado, e contribuem para que tudo chegue a quem mais precisa. Alguns podem ter se admirado com a potência desse apoio, mas o que presenciamos foi a reafirmação de que, no Brasil, existe uma cultura de doação pujante e que precisa ser incentivada para além dos momentos de crise.

O processo de tomada de consciência sobre o papel e o poder do cidadão foi destacado na Pesquisa Doação Brasil, que mostrou que 84% dos brasileiros acima de 18 anos e com rendimento familiar superior a um salário mínimo fizeram ao menos um tipo de doação, seja de dinheiro, bens ou tempo, em 2022, sendo esse o maior percentual registrado na série. Mantém-se relevante também a consciência do protagonismo cidadão, refletido nos 86% de doadores que o fazem porque acreditam que cada um de nós precisa participar da solução de problemas sociais, para além dos governos, empresas e organizações sociais. Tendência que é ainda mais relevante no recorte da geração Z, que diz acreditar ainda mais no poder transformador das ONGs, além de priorizar compras a partir de causas e crenças do que é melhor para o mundo.

O despertar da consciência participativa diante dos desafios sociais e ambientais é um fenômeno cada vez mais evidente e relevante em nossa sociedade. Independentemente dos desafios do aprofundamento da cidadania e da participação política, é inegável o crescente protagonismo da sociedade civil, seja em sua expressão organizada, seja no comportamento individual, assumindo um papel proativo para incidir sobre a desigualdade, em suas diferentes formas.

Ao mesmo tempo em que cresce a participação, cai a crença de que não devemos falar sobre doações. O ditado “o que a mão esquerda faz a direita não deve saber” começa a perder adeptos, e essa é uma ótima notícia. Quando falamos sobre doações é quando instigamos os outros também a agir. Ainda segundo a Pesquisa Doação Brasil, celebridades ou perfis nas redes sociais influenciaram a decisão de 17% da população que realizou alguma doação. Olhando o recorte da geração Z, a influência é ainda maior: chegando a 25%. Ou seja, quanto mais falam sobre doações, mais crescem as doações em geral!

Mas há sempre o clássico argumento que justifica a não doação: a desconfiança. Como vamos saber se o dinheiro chegará mesmo ao seu destino e se será aplicado na causa ou na ação desejada? Para superar essa barreira, as organizações sociais têm investido em instrumentos e mecanismos de transparência, além de práticas de comunicação que dão mais visibilidade ao fluxo dos recursos e aos impactos alcançados.

A imprensa também tem tido um papel importante, cobrindo com mais amplitude o tema, contribuindo para dar luz às iniciativas e esclarecendo notícias falsas quando são veiculadas. Destaca-se também a iniciativa Sociedade Viva, que usa a força da comunicação para mostrar à população a importância e o impacto do trabalho das ONGs para as pessoas e para a democracia.

As tragédias nos lembram da urgência da doação, mas é importante frisar a necessidade da continuidade. Afinal, se os problemas são recorrentes e de longo prazo, a ajuda também precisa ser. Enquanto a calamidade estampa o noticiário e domina a atenção dos espectadores, o pós-catástrofe acontece fora dos holofotes. Após o socorro emergencial, a destinação de artigos de urgência, será necessário reconstruir a vida.

Por isso, doar precisa ser hábito. Doar é investir em um legado para o país e no fortalecimento do papel da sociedade civil organizada como agente essencial no combate às desigualdades. É preciso doar, e precisamos falar sobre isso.